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17. Os Dias Mais Sombrios da Vida de Davi (2 Samuel 16:20 - 19:8)

Introdução

Os primeiros parágrafos do nosso texto soam como a cena introdutória daquela antiga série de TV “Missão Impossível”. Na série, o Sr. Phelps sempre recebia uma missão importante — a qual parecia literalmente impossível de realizar. Esta passagem tem quase o mesmo começo. Absalão, finalmente, está prestes a se declarar rei de Israel em lugar de seu pai. Quando Davi recebe a notícia da revolução iminente, decide fugir de Jerusalém, junto com vários seguidores leais. Os parágrafos anteriores são cheios de lágrimas, por Davi ter de deixar Jerusalém e fugir para o deserto. Ele pede que Husai, seu fiel companheiro, e os sacerdotes Zadoque e Abiatar (junto com a arca) fiquem em Jerusalém, onde podem ser mais úteis para ele. Zadoque é profeta, por isso pode dar a Davi um relatório acurado (inspirado) do que Absalão está fazendo. Os filhos de Zadoque e Abiatar, Aimaás e Jônatas, podem servir de mensageiros para levar os recados de Zadoque para Davi. Davi irá esperar notícias suas “nos vaus do deserto”, a oeste do Jordão, para saber o que Absalão tem em mente.

Absalão chega a Jerusalém e toma posse da cidade real. Ele, então, chama Aitofel e pede conselho sobre a melhor maneira de se estabelecer como rei. O conselho de Aitofel tem duas partes, infelizmente separadas (não consta do original) pela divisão do capítulo (capítulo 17). A primeira diz que Absalão deve tomar posse simbólica do trono dormindo publicamente com as dez esposas deixadas por Davi para guardar a casa em Jerusalém. Isso irá transmitir uma mensagem bem clara a todo Israel sobre o relacionamento de Absalão com o pai e o trono.

A segunda parte do conselho está registrada nos versos 1 a 3 do capítulo 17. Ele diz a Absalão para sair logo em perseguição a Davi, para isolá-lo e matá-lo, e assim desmoralizar seus seguidores e garantir a posição como rei em lugar do pai. A ideia parece boa a Absalão e aos anciãos de Israel, mas Absalão decide pedir também o conselho de Husai. Husai é convocado e, ao chegar, é informado de que Aitofel já deu seu conselho.

Como seria estar no lugar de Husai? Ele sabe que Absalão duvida da sua lealdade, pois ele (Husai) é amigo de Davi (16:16-19). Ele deve saber que Absalão e os anciãos já deram seu aval ao plano de Aitofel. Além disso, ele sabe que Absalão deposita muita confiança no conselho de Aitofel, pois seu conselho é como se alguém “perguntasse a Deus” (16:23). Husai é também amigo de Davi e sabe que a vida dele depende da sua resposta a Absalão. Não concordam que essa é uma situação típica para ser chamada de “missão impossível”?

Na verdade não existe muito perigo, pois você e eu sabemos uma coisa que Husai não sabe. Davi já tinha orado a Deus pedindo que, de alguma forma, o conselho de Aitofel fosse anulado (15:31). O texto também dirá que “ordenara o SENHOR que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal sobreviesse contra Absalão” (17:14). Talvez queiramos minimizar a dificuldade da tarefa de Husai, como se Absalão e os anciãos de Israel devessem aceitar sua palavra mesmo sendo uma grande tolice. Por isso, achamos que o conselho é tolo e sem fundamento, mas aceito por Absalão e seus servos porque eles estão com os olhos vendados para enxergar a verdade.

Gostaria de dizer que Deus dá grande sabedoria a Husai, e seu plano faz todo sentido quando visto pelo lado de Absalão. Precisamos tomar muito cuidado em pensar no conselho de Aitofel como sendo “bom” no sentido moral. É um bom plano no sentido de que, se for seguido, resultará na morte de Davi e na consolidação do governo de Absalão sobre Israel. Mas não é “bom” em qualquer sentido moral, pois sanciona — não, recomenda — a morte do rei ungido de Deus. Não é bom, também, na medida em que incentiva Absalão a cometer adultério, dormindo com as esposas de seu pai. Nem é bom, ainda, no sentido de que são os interesses e ambições pecaminosas de Aitofel que o levam a aconselhar Absalão.

Esta passagem é cheia das intrigas e elementos necessários para um excelente drama. É também uma passagem que descreve as horas mais sombrias da vida de Davi. Não creio que alguma vez ele tenha sido dominado pela dor e pela tristeza como foi nessa época. Vamos dar uma olhada em como Deus cuidou dele, pois todos nós já passamos por isso uma vez ou outra. Se há livramento e esperança para Davi nessas horas difíceis, então há também para nós quando passarmos pelo “vale da sombra da morte”.

O Conselho de Aitofel (16:20-17:4)

Então, disse Absalão a Aitofel: Dai o vosso conselho sobre o que devemos fazer. Disse Aitofel a Absalão: Coabita com as concubinas de teu pai, que deixou para cuidar da casa; e, em ouvindo todo o Israel que te fizeste odioso para com teu pai, animar-se-ão todos os que estão contigo. Armaram, pois, para Absalão uma tenda no eirado, e ali, à vista de todo o Israel, ele coabitou com as concubinas de seu pai. O conselho que Aitofel dava, naqueles dias, era como resposta de Deus a uma consulta; tal era o conselho de Aitofel, tanto para Davi como para Absalão. Disse ainda Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me disporei, e perseguirei Davi esta noite. Assaltá-lo-ei, enquanto está cansado e frouxo de mãos; espantá-lo-ei; fugirá todo o povo que está com ele; então, matarei apenas o rei. Farei voltar a ti todo o povo; pois a volta de todos depende daquele a quem procuras matar; assim, todo o povo estará em paz. O parecer agradou a Absalão e a todos os anciãos de Israel.

Demorei um pouco para me dar conta deste texto. A princípio, achei que algum tempo tivesse decorrido entre a primeira e a segunda parte do conselho de Aitofel. Presumi que Absalão tivesse primeiro buscado, e recebido, seu conselho relativamente às esposas deixadas por Davi em Jerusalém. Não sei por que, mas achei que ele as tivesse "possuído" por um ou dois dias, à vista de todos. Depois, pensei, ele procurou novamente Aitofel para um segundo conselho, pedindo também a opinião de Husai. Mas não foi bem assim.

Primeiro, vamos pensar nos acontecimentos do capítulo apenas em termos de tempo. Davi fica sabendo que Absalão está prestes a se apossar do trono e foge de Jerusalém. Ele tem consigo suas esposas e filhos, e algumas pessoas mais velhas, significando que não pode avançar muito rápido. A narrativa toda é escrita de forma a ressaltar a urgência da fuga. Absalão e seus homens estão praticamente a algumas horas de Davi. Se ele não receber logo alguma notícia e sumir rapidamente no deserto, Absalão os alcançará.

Davi foge de Jerusalém enquanto Absalão se aproxima, pronto a ocupar a cidade e o trono. Após sua chegada, Absalão pede o conselho de Aitofel, o qual lhe dá — em duas partes. A primeira é uma recomendação quanto ao que Absalão deve fazer: possuir as esposas de Davi. A segunda se refere ao que o próprio Aitofel se propõe a fazer por ele — reunir imediatamente 12.000 homens e sair em perseguição a Davi nessa mesma noite, atacando-o repentinamente para deixá-lo aterrorizado, e a todos que estão com ele. Aitofel se oferece para, pessoalmente, matar só Davi, diminuindo, assim, o derramamento de sangue, para consolidação do reino em curto prazo.

Se observarmos os pronomes no texto acima, veremos que Aitofel já tem um curso de ação preparado para Absalão e outro para si. Creio que ele pretende realizar as duas ações simultaneamente, não uma seguida da outra. Por isso, recomenda: 1) Absalão deve se ocupar da tarefa de possuir as esposas de Davi, à vista de todo Israel; 2) Enquanto isso, ele pegará os 12.000 homens e dará início a uma intensa perseguição a Davi, a quem surpreenderá e matará pessoalmente, concluindo assim a tomada do reino, em tempo recorde.

O conselho de Aitofel é bastante "engenhoso" em diversos aspectos. Primeiro, o plano teria dado certo, barrando a intervenção direta de Deus. Segundo, ele oferecia um curso de ação bem atrativo a Absalão. Este, não muito diferente do pai, podia ficar em casa e "fazer amor", enquanto Aitofel e seu exército lutariam contra Davi. Absalão poderia tomar posse do trono rapidamente, sem os perigos e desconfortos de ir a guerra. Como incentivo adicional, ele poderia se divertir com as esposas de Davi, de forma a puni-lo, magoá-lo e humilhá-lo. Só Davi seria morto, pois é ele o verdadeiro inimigo de Absalão.

Quando o texto diz que Absalão aceita o conselho de Aitofel a respeito das esposas de Davi, creio que o faça enquanto Israel está sendo reunido para sair à guerra, não enquanto Aitofel e os 12.000 homens perseguem Davi. Se for isso mesmo — e parece necessário entender dessa forma — temos, então, uma perspectiva ligeiramente diferente da atitude de Absalão em relação às esposas de Davi. Este é cumprimento das palavras do profeta Natã. A afirmação simbólica de Absalão é a parte mais dolorosa para Davi. Mas é também parte do plano maior de Deus para retardar sua perseguição, para que ele possa escapar, entrincheirar-se e derrotar Absalão, retornando depois como rei de Israel. Alguns dos acontecimentos mais dolorosos da nossa vida podem ser também alguns dos mais úteis para produzir o bem que Deus quer para nós. Aitofel e Absalão intentam tudo para o mal (e para sua própria satisfação), mas Deus usa o mal para o bem (ver Gênesis 50:20).

Aitofel propõe uma vitória fácil e rápida para Absalão, a ser vencida por ele enquanto o "rei" fica em Jerusalém. É bom demais para ser verdade. O fato é que teria funcionado; mas Deus tem outros planos para Davi e Absalão. Esses planos serão realizados por intermédio dos amigos de Davi: Husai, os sacerdotes Zadoque e Abiatar e seus filhos Aimaás e Jônatas, a esposa de um fazendeiro em Baurim, e uma porção de outros colaboradores e amigos leais de Davi. É a história de seu livramento que vamos estudar agora.

O Conselho de Husai (17:5-14)

Disse, porém, Absalão: Chamai, agora, a Husai, o arquita, e ouçamos também o que ele dirá. Tendo Husai chegado a Absalão, este lhe falou, dizendo: Desta maneira falou Aitofel; faremos segundo a sua palavra? Se não, fala tu. Então, disse Husai a Absalão: O conselho que deu Aitofel desta vez não é bom. Continuou Husai: Bem conheces teu pai e seus homens e sabes que são valentes e estão enfurecidos como a ursa no campo, roubada dos seus cachorros; também teu pai é homem de guerra e não passará a noite com o povo. Eis que, agora, estará de espreita nalguma cova ou em qualquer outro lugar; e será que, caindo no primeiro ataque alguns dos teus, cada um que o ouvir dirá: Houve derrota no povo que segue a Absalão. Então, até o homem valente, cujo coração é como o de leões, sem dúvida desmaiará; porque todo o Israel sabe que teu pai é herói e que homens valentes são os que estão com ele. Eu, porém, aconselho que a toda pressa se reúna a ti todo o Israel, desde Dã até Berseba, em multidão como a areia do mar; e que tu em pessoa vás no meio deles. Então, iremos a ele em qualquer lugar em que se achar e facilmente cairemos sobre ele, como o orvalho cai sobre a terra; ele não ficará, e nenhum dos homens que com ele estão, nem um só. Se ele se retirar para alguma cidade, todo o Israel levará cordas àquela cidade; e arrastá-la-emos até ao ribeiro, até que lá não se ache nem uma só pedrinha. Então, disseram Absalão e todos os homens de Israel: Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o de Aitofel. Pois ordenara o SENHOR que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal sobreviesse contra Absalão.

Não sabemos o motivo de Absalão pedir a opinião de Husai. Seria para testar sua lealdade? Não se esqueça de que Husai não tem tempo para refletir no que deve dizer. Ele é levado à presença de Absalão, informado do conselho de Aitofel e solicitado a dar sua opinião. A resposta de Husai é brilhante. Ele começa reconhecendo a enorme sabedoria e habilidade de Aitofel como conselheiro, mas depois diz que, desta vez, o conselho não é bom. Ninguém é perfeito. Ninguém está sempre certo. Aitofel está quase sempre certo, mas não desta vez.

Husai tem uma grande desvantagem: Absalão e todos em Israel sabem que ele é amigo de Davi. Como pode Absalão confiar em um homem que é amigo de Davi há tanto tempo? Seu conselho deve ser suspeito. Em vez de tentar evitar o problema, Husai usa sua amizade com Davi. É quase como se ele dissesse a Absalão:

"Davi não é meu amigo? Sim, há muitos anos. E é exatamente essa amizade que me faz compreendê-lo tão bem. Eu o conheço muito melhor que qualquer um de vocês. Por isso, sei como ele vai reagir à revolta de Absalão. Deixe-me bolar um plano com base no meu conhecimento sobre ele, e o Davi que vocês conhecem já era."

A atratividade do plano de Aitofel está no fato de que Davi pode ser derrotado com rapidez e relativa facilidade, com um mínimo de perdas e esforço simbólico. Absalão nem precisa ir à guerra. Ele pode ficar em Jerusalém com as esposas de Davi. Aitofel sairá imediatamente com 12.000 soldados para caçar Davi, matar somente a ele e levar seus seguidores para Absalão. O plano também é baseado em certas premissas. O pressuposto é que Davi esteja cansado e desanimado, sem vontade de lutar, e possa ser vencido com facilidade. Se não for assim, todo o esquema proposto por Aitofel cairá por terra como um castelo de cartas.

Husai contesta as suposições de Aitofel, e assim, todo o plano. Ele apresenta um Davi bem diferente e, por isso, um plano totalmente diverso. Ele insiste em dizer que Aitofel está subestimando perigosamente Davi e sua capacidade de se defender e a seu reino. Ele relembra a Absalão e aos anciãos de Israel o tipo de homem que Davi é. Davi não é nenhum débil mental; ele é um guerreiro valente e experiente. A rebelião de Absalão não vai deixá-lo abatido; vai provocá-lo. Ele vai ficar como uma ursa roubada de seus filhotes. E estará pronto a lutar como doido. Se Aitofel atacá-lo no deserto, o combate será no território de Davi. Afinal, foi lá que ele passou anos se escondendo de Saul. Aitofel acha mesmo que vai encontrá-lo sentado no meio do povo? Davi vai se esconder e, quando Aitofel e seu pequeno exército chegarem, vai atacá-los, causando uma derrota humilhante. Quem vai ficar desanimado e fugir serão os soldados de Absalão, não Davi e seus homens.

Se sua suposição estiver correta (e todo o passado de lutas de Davi parece sustentá-la), então é necessário um plano de batalha totalmente diferente. Não vai ser fácil, nem rápido. É preciso muito mais que a morte de Davi; e por isso, um exército muito maior é imprescindível para atacá-lo e derrotá-lo, e seus seguidores. Vai demorar um pouco mais para reunir todos os soldados, por isso Absalão terá de esperar (e, enquanto espera, ele pode possuir as esposas de Davi; não haverá outra hora para isso). Será preciso também um grande líder militar, em vez de alguém como Aitofel. O próprio Absalão terá de liderar o exército. Será uma grande batalha, com um grande líder, e o resultado será uma grande vitória. Ora, esse é tipo de plano que atrai um homem que anda por aí de carruagem, com 50 homens correndo à sua frente. Absalão adora aparecer, e o plano de Husai cheira a ostentação. Por isso, ele prevalece. O plano não é proposto com descuido, mas com extrema perspicácia e extremo apelo. É um plano que Deus garantiu que seria adotado. É também um plano que Absalão acha muito atraente.

O plano de Husai vai provocar uma batalha muito maior, de modo que, não só os seguidores de Absalão morrerão, mas também o próprio Absalão, pondo fim à revolução1. O plano também dará a Davi o tempo necessário para preparar o seu tipo de batalha: a guerrilha. Isso permitirá que ele lute em seu próprio território, a fim de que a floresta mate mais que os seus próprios soldados (18:8). O plano de Husai faz o conselho de Aitofel parecer tolo, exatamente como Davi pediu a Deus (15:31). Ele trará libertação Davi e a derrota de seus inimigos.

Davi Foge Para Maanaim (17:15-29)

Disse Husai a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes: Assim e assim aconselhou Aitofel a Absalão e aos anciãos de Israel; porém assim e assim aconselhei eu. Agora, pois, mandai avisar depressa a Davi, dizendo: Não passes esta noite nos vaus do deserto, mas passa, sem demora, ao outro lado, para que não seja destruído o rei e todo o povo que com ele está. Estavam Jônatas e Aimaás junto a En-Rogel; e uma criada lhes dava aviso, e eles iam e diziam ao rei Davi, porque não podiam ser vistos entrar na cidade. Viu-os, porém, um moço e avisou a Absalão; porém ambos partiram logo, apressadamente, e entraram em casa de um homem, em Baurim, que tinha um poço no seu pátio, ao qual desceram. A mulher desse homem tomou uma coberta, e a estendeu sobre a boca do poço, e espalhou grãos pilados de cereais sobre ela; assim, nada se soube. Chegando, pois, os servos de Absalão à mulher, àquela casa, disseram: Onde estão Aimaás e Jônatas? Respondeu-lhes a mulher: Já passaram o vau das águas. Havendo-os procurado, sem os achar, voltaram para Jerusalém. Mal se retiraram, saíram logo os dois do poço, e foram dar aviso a Davi, e lhe disseram: Levantai-vos e passai depressa as águas, porque assim e assim aconselhou Aitofel contra vós outros. Então, Davi e todo o povo que com ele estava se levantaram e passaram o Jordão; quando amanheceu, já nem um só havia que não tivesse passado o Jordão. Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai. Davi chegou a Maanaim. Absalão, tendo passado o Jordão com todos os homens de Israel, constituiu a Amasa em lugar de Joabe sobre o exército. Era Amasa filho de certo homem chamado Itra, o ismaelita, o qual se deitara com Abigail, filha de Naás, e irmã de Zeruia, mãe de Joabe. Israel, pois, e Absalão acamparam-se na terra de Gileade. Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá, dos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim, tomaram camas, bacias e vasilhas de barro, trigo, cevada, farinha, grãos torrados, favas e lentilhas; também mel, coalhada, ovelhas e queijos de gado e os trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem, porque disseram: Este povo no deserto está faminto, cansado e sedento.

Por enquanto, pelo menos, Absalão escolhe o conselho de Husai, não o de Aitofel. Embora esse plano dê a Davi um pouco mais de tempo, ele também exige um ataque por um exército muito maior, liderado por Absalão. Agora é imperativo que Davi seja informado dos últimos acontecimentos. Ele precisa fugir para além do Jordão, para acampar em um lugar que lhe ofereça proteção e posição estratégica para se defender do ataque de Absalão e seus seguidores.

Husai envia uma mensagem aos sacerdotes Zadoque e Abiatar, falando do seu conselho e do de Aitofel, instruindo-os a informar Davi por intermédio de Jônatas e Aimaás. Os dois estão em En-Rogel, um vilarejo (ao que parece) localizado no vale abaixo de Jerusalém. Aparentemente o lugar era uma fonte nos arredores da cidade, onde as mulheres costumavam ir buscar água. Provavelmente, é com esse pretexto que a criada vai falar com os dois mensageiros.

Infelizmente, um dos partidários de Absalão vê Jônatas e Aimaás, os quais aparentemente são conhecidos por sua lealdade a Davi. Isso precipita uma busca pelos dois, pois deve ser evidente que estão indo falar com ele. Os dois saem com pressa e chegam à casa de outro colaborador de Davi, o qual vive em Baurim2. Lá, a esposa desse homem esconde os mensageiros em um poço, cobrindo-o e colocando grãos de cereal sobre a cobertura, de modo a não deixá-lo visível. Os servos de Absalão chegam, querendo saber onde estão os homens, e a mulher lhes diz que eles atravessaram o riacho e fugiram. Eles já estão "longe". Quando os servos de Absalão procuram e não encontram ninguém, voltam a Jerusalém. Os filhos dos sacerdotes rapidamente vão até o acampamento de Davi e lhe contam o que aconteceu. Eles lhe dizem para cruzar logo o Jordão e encontrar um lugar seguro. De madrugada, Davi e todos os que estão com ele cruzam o rio (se Aitofel tivesse dado início à perseguição de Davi na noite anterior, a história teria sido bem diferente).

Aitofel permanece em Jerusalém só o suficiente para se convencer de que seu conselho não será seguido por Absalão. Quando se torna evidente a prevalência do conselho de Husai, ele sabe ser o seu fim. Ele tinha apostado todas as suas fichas na suposição de que Absalão venceria Davi. Agora ele sabe que Absalão será derrotado. Ele, então, volta para casa, põe os negócios em ordem e se mata. Que fim trágico para um homem com tanto potencial!

Enquanto Absalão cruza o Jordão em perseguição a Davi, este adentra aos portões de Maanaim. Essa cidade, de fato, tem uma história. Foi Jacó quem lhe deu esse nome. Quando ele voltava à terra prometida, temeroso do que poderia acontecer em seu encontro com Esaú, anjos foram ao seu encontro, o que o fez dizer: "Este é o acampamento de Deus". Por isso, Jacó deu ao lugar o nome de Maanaim (que significa "dois campos" — ver nota à margem da versão NASB). Estaria Davi com medo de encontrar seu filho Absalão? Ele deve ter se lembrado de que Deus sempre protege Seu povo, Suas promessas e Seus propósitos, até por meio de anjos, se for preciso. Maanaim também serviu como capital para Isbosete quando Abner o estabeleceu em lugar de Saul, seu pai, por um curto período de tempo (2 Samuel 2:8, 12, 29).

Em Maanaim, Deus também cuida de Davi de forma mais tangível e visível. Quando ele e seus seguidores leais chegam, há pessoas prontas e dispostas a ajudá-los. A primeira é o rei vigente dos amonitas, Sobi, filho de Naás. Isso é realmente incrível. Davi e Naás foram relativamente amigos, mas quando Naás morreu e seu filho Hanum assumiu o trono, este fez uma besteira, humilhando a delegação oficial enviada por Davi para lamentar a morte de Naás (2 Samuel 10:1 e ss). Esse fato levou à guerra entre Israel e os filhos de Amon. Na verdade, foi essa guerra com os amonitas (especialmente o cerco a Rabá) que Davi resolveu evitar, deixando a batalha para os israelitas liderados por Joabe (2 Samuel 11:1 e ss). No final os amonitas foram derrotados por Davi (2 Samuel 12:26-31). E agora Sobi está no trono, ansioso para ajudar Davi quando Absalão está contra ele. Mas que surpresa!

A segunda pessoa a ir em auxílio de Davi em Maanaim é Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar (17:27). Foi ele quem cuidou de Mefibosete após a morte do rei Saul e de Jônatas (2 Samuel 9:4-5). Por último, Barzilai, o gileadita, um ancião muito rico, leva suprimentos para Davi e seu pessoal. Aprenderemos mais sobre ele no capítulo 19, versos 31 a 40. Que força esses homens e sua ajuda devem ter dado a Davi!

Derrota e Morte de Absalão (18:1-18)

Contou Davi o povo que tinha consigo e pôs sobre eles capitães de mil e capitães de cem. Davi enviou o povo: um terço sob o comando de Joabe, outro terço sob o de Abisai, filho de Zeruia e irmão de Joabe, e o outro terço sob o de Itai, o geteu. Disse o rei ao povo: Eu também sairei convosco. Respondeu, porém, o povo: Não sairás, porque, se formos obrigados a fugir, não se importarão conosco, nem ainda que metade de nós morra, pois tu vales por dez mil de nós. Melhor será que da cidade nos prestes socorro. Tornou-lhes Davi: O que vos agradar, isso farei. Pôs-se o rei ao lado da porta, e todo o povo saiu a centenas e a milhares. Deu ordem o rei a Joabe, a Abisai e a Itai, dizendo: Tratai com brandura o jovem Absalão, por amor de mim. Todo o povo ouviu quando o rei dava a ordem a todos os capitães acerca de Absalão. Saiu, pois, o povo ao campo, a encontrar-se com Israel, e deu-se a batalha no bosque de Efraim. Ali, foi o povo de Israel batido diante dos servos de Davi; e, naquele mesmo dia, houve ali grande derrota, com a perda de vinte mil homens. Porque aí se estendeu a batalha por toda aquela região; e o bosque, naquele dia, consumiu mais gente do que a espada. Indo Absalão montado no seu mulo, encontrou-se com os homens de Davi; entrando o mulo debaixo dos ramos espessos de um carvalho, Absalão, preso nele pela cabeça, ficou pendurado entre o céu e a terra; e o mulo, que ele montava, passou adiante. Vendo isto um homem, fez saber a Joabe e disse: Vi Absalão pendurado num carvalho. Então, disse Joabe ao homem que lho fizera saber: Viste-o! Por que logo não o feriste ali, derrubando-o por terra? E forçoso me seria dar-te dez moedas de prata e um cinto. Disse, porém, o homem a Joabe: Ainda que me pesassem nas mãos mil moedas de prata, não estenderia a mão contra o filho do rei, pois bem ouvimos que o rei te deu ordem a ti, a Abisai e a Itai, dizendo: Guardai-me o jovem Absalão. Se eu tivesse procedido traiçoeiramente contra a vida dele, nada disso se esconderia ao rei, e tu mesmo te oporias. Então, disse Joabe: Não devo perder tempo, assim, contigo. Tomou três dardos e traspassou com eles o coração de Absalão, estando ele ainda vivo no meio do carvalho. Cercaram-no dez jovens, que levavam as armas de Joabe, e feriram a Absalão, e o mataram. Então, tocou Joabe a trombeta, e o povo voltou de perseguir a Israel, porque Joabe deteve o povo. Levaram Absalão, e o lançaram no bosque, numa grande cova, e levantaram sobre ele mui grande montão de pedras; todo o Israel fugiu, cada um para a sua casa. Ora, Absalão, quando ainda vivia, levantara para si uma coluna, que está no vale do Rei, porque dizia: Filho nenhum tenho para conservar a memória do meu nome; e deu o seu próprio nome à coluna; pelo que até hoje se chama o Monumento de Absalão.

Era inevitável. Davi provavelmente negou essa necessidade durante muito tempo, mas agora é óbvio que ele não pode mais fugir; ele tem de lutar contra o exército do próprio filho. Ele dispõe as tropas em três divisões. Não sabemos ao certo quantos homens lutam a seu lado, mas sabemos que são milhares, pois o texto diz que há grupos com capitães de mil e de cem. Joabe e Abisai lideram duas divisões, enquanto Itai, o geteu, lidera a terceira. Davi diz que vai junto com seus homens, mas eles lhe dizem para permanecer em Maanaim. Se tiverem de fugir, não serão de grande valia para Absalão, mas se Davi estiver entre eles, não poderão parar até serem capturados e mortos. É melhor para Davi estar em outro lugar.

No entanto, quando eles estão prestes a sair para lutar em nome do seu rei, Davi tem algumas palavras finais a lhes dizer. Não são as palavras de costume, de estímulo e enfoque na vitória. Nem como as palavras de Joabe, proferidas pouco antes do ataque contra os sírios e amonitas:

Disse Joabe: Se os siros forem mais fortes do que eu, tu me virás em socorro; e, se os filhos de Amom forem mais fortes do que tu, eu irei ao teu socorro. Sê forte, pois; pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus; e faça o SENHOR o que bem lhe parecer (2 Samuel 20:11-12).

A “incumbência” dada por Davi é bem diferente: “Tratai com brandura o jovem Absalão” (18:5). Todos ouvem suas palavras. Como elas são diferentes do conselho de Aitofel, que pretende matar só Davi, deixando vivo o restante do povo. Davi permite que seus homens matem qualquer israelita, menos seu filho, o líder da revolução. Ele ordena que eles se arrisquem para lutar por ele, mas não para vencer. Que espetáculo patético deve ter sido.

Apesar disso, o exército luta corajosamente, e as forças de Absalão sofrem grande derrota, não só pelas mãos dos homens de Davi, mas muito mais pela própria floresta. Os homens de Absalão não foram talhados para esse tipo de combate. Um total de 20.000 soldados morrem no massacre, o qual se alastra pelo campo inteiro conforme eles dão meia volta e fogem para se salvar. A vitória é grande para Davi, e a derrota, devastadora para Absalão.

Não sabemos se Absalão está ou não fugindo para se salvar, mas ele parece estar sozinho quando sua mula passa por debaixo dos galhos de um grande carvalho e sua cabeça acaba ficando presa entre eles3. Nenhum de seus homens parece estar por perto para tentar soltá-lo (talvez tenham fugido para se salvar). Um dos homens de Joabe se depara com ele e menciona o fato a seu comandante. Joabe fica indignado pelo rapaz não ter matado Absalão logo de uma vez. Não teria ele sido recompensado por isso? O jovem não é dissuadido por sua repreensão. Ele diz que Davi, o comandante em chefe, proibiu expressamente qualquer pessoa de fazer mal a seu filho. Não importa o que Joabe lhe diga, o soldado sabe que quando Davi descobrir que ele matou Absalão, ele estará perdido. Ele também sabe que apesar das palavras duras de Joabe, quando a ira de Davi pela morte de Absalão se voltar contra ele, Joabe vai ficar lá parado, deixando-o levar toda culpa. Não há jeito de fazer esse camarada desobedecer as ordens do rei, matando seu filho.

Joabe se enche da submissão do rapaz às ordens do rei. Ele vai cuidar do assunto pessoalmente. E assim, ele sai e encontra Absalão, exatamente como o jovem disse. Ele pega três dados e os crava em seu peito. Seus escudeiros fazem o mesmo, dando cabo de Absalão. O inimigo de Davi está morto.

Não é irônico que justamente Joabe tenha matado Absalão? Foi ele quem orquestrou sua anistia e sua volta a Jerusalém. Foi ele também quem lhe conquistou maior liberdade e levou-o à presença do rei. E mesmo assim, depois de tudo o que Joabe fez por ele, Absalão procurou afastar o trono de Davi e estabelecer outro comandante nas forças de Israel. Foi Joabe ainda quem, sob as ordens de Davi, matou Urias em batalha, sem sequer levantar uma palavra de protesto. E agora, esse líder militar, que matou um homem justo a pedido de Davi, mata o próprio filho do rei, violando diretamente suas ordens. Há um ditado que diz: “Tudo que vai, volta.” De alguma forma isso parece se encaixar nesta história. Davi, que abusou de sua quase absoluta autoridade ao tomar a esposa de Urias, e em seguida a vida dele, agora é impotente para salvar o próprio filho das mãos de Joabe (ou de qualquer outro).

O texto inclui uma espécie de epitáfio na narrativa da morte de Absalão. O autor nos informa que anteriormente ele não tinha filhos e, temendo ser esquecido, levantou para si uma coluna no vale dos reis. Com isso, pensava ele, teria seu nome preservado. Como vemos depois, Absalão teve filhos, mas na ânsia de se apossar do trono do pai, ele só conseguiu ser rei por alguns dias, e agora seria lembrado como o traidor que morreu pendurado em uma árvore, a morte mais desprezível de todas. Sua coluna no vale dos reis nunca apagaria a lembrança de sua loucura e de sua morte.

Proclamando as Boas Novas (18:19-33)

Então, disse Aimaás, filho de Zadoque: Deixa-me correr e dar notícia ao rei de que já o SENHOR o vingou do poder de seus inimigos. Mas Joabe lhe disse: Tu não serás, hoje, o portador de novas, porém outro dia o serás; hoje, não darás a nova, porque é morto o filho do rei. Disse Joabe ao etíope: Vai tu e dize ao rei o que viste. Inclinou-se a Joabe e correu. Prosseguiu Aimaás, filho de Zadoque, e disse a Joabe: Seja o que for, deixa-me também correr após o etíope. Disse Joabe: Para que, agora, correrias tu, meu filho, pois não terás recompensa das novas? Seja o que for, tornou Aimaás, correrei. Então, Joabe lhe disse: Corre. Aimaás correu pelo caminho da planície e passou o etíope. Davi estava assentado entre as duas portas da entrada; subiu a sentinela ao terraço da porta sobre o muro e, levantando os olhos, viu que um homem chegava correndo só. Gritou, pois, a sentinela e o disse ao rei. O rei respondeu: Se vem só, traz boas notícias. E vinha andando e chegando. Viu a sentinela outro homem que corria; então, gritou para a porta e disse: Eis que vem outro homem correndo só. Então, disse o rei: Também este traz boas-novas. Disse mais a sentinela: Vejo o correr do primeiro; parece ser o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Então, disse o rei: Este homem é de bem e trará boas-novas. Gritou Aimaás e disse ao rei: Paz! Inclinou-se ao rei, com o rosto em terra, e disse: Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que nos entregou os homens que levantaram a mão contra o rei, meu senhor. Então, perguntou o rei: Vai bem o jovem Absalão? Respondeu Aimaás: Vi um grande alvoroço, quando Joabe mandou o teu servo, ó rei, porém não sei o que era. Disse o rei: Põe-te ao lado e espera aqui. Ele se pôs e esperou. Chegou o etíope e disse: Boas-novas ao rei, meu senhor. Hoje, o SENHOR te vingou do poder de todos os que se levantaram contra ti. Então, disse o rei ao etíope: Vai bem o jovem Absalão? Respondeu o etíope: Sejam como aquele os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para o mal. Então, o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta e chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!

Acabou. Aitofel sabia que se Davi fosse morto, toda a oposição a Absalão seria esmagada. O inverso funciona da mesma forma. Muitos homens de Absalão estão mortos e seu exército sofre grande derrota, mas quando o próprio Absalão morre, a revolução em si está morta. É por isso que suas tropas fogem da cena de batalha para o próprio acampamento. Acabou! Davi venceu! É um grande dia de vitória.

A cena do exército vitorioso retornando a Maanaim deve ter sido exultante. Seria mais ou menos como a volta da Seleção Brasileira depois de vencer a Copa do Mundo. Muita gritaria e comemoração. Que grande dia, um dia de vitória. O rei Davi, no entanto, não está com seu exército. Ele está de volta à cidade, esperando notícias do resultado da guerra. O retorno dos soldados é triunfante, até eles perceberem que o rei não está nos portões da cidade para saudá-los. É porque Davi já sabe da morte do filho.

Tudo começa com a derrota do exército de Absalão, seguida da sua morte. Aimaás suplica a Joabe para ser o portador das “boas novas” a Davi. Joabe sabe que não serão “boas novas” para o rei, embora o sejam para qualquer outra pessoa. Por isso, ele proíbe Aimaás de correr até Maanaim. Em seu lugar, ele envia um etíope. Aimaás insiste e, finalmente, Joabe, com relutância, o deixa correr também para levar as notícias a Davi. Altamente motivado (sendo bom corredor e também escolhendo um caminho mais rápido), Aimaás dá um jeito de chegar a Maanaim antes do etíope. Entre os dois mensageiros, Davi descobre que seu filho Absalão foi morto. Sua tristeza é realmente muito grande.

Antes de continuar a história, gostaria de ressaltar que há mais espaço dedicado aos mensageiros que relatam os acontecimentos a Davi do que há para a guerra entre os dois exércitos inimigos, incluindo a narrativa da morte de Absalão. Qual será o motivo? Por que o autor dá tanta ênfase ao desejo de Aimaás de levar a mensagem da vitória do exército de Davi ao rei? A resposta é chave para o entendimento da mensagem desejada pelo autor a seus leitores.

Já ressaltei a ênfase (em termos de espaço) dada à questão dos mensageiros. Deixem-me salientar também a repetição de uma expressão muito importante: boas novas. Na versão NASB4, ela ocorre quatro vezes entre os versos 25 a 31 (em português, na versão ARA, também), mas há uma porção de outras referências às novas que, no contexto, espera-se sejam boas. A expressão boas novas é uma interpretação do termo hebraico que significa (como era de se esperar) “boas novas”. Quando os tradutores da Septuaginta fizeram a versão para o grego, eles usaram o mesmo termo referente à proclamação do evangelho normalmente encontrado no Novo Testamento. As boas novas que Aimaás queria proclamar a Davi era que Deus lhe dera a vitória, derrotando o exército de Absalão e destruindo-o.

O problema é que Davi não está disposto a aceitar a informação como boa notícia. Observe que quando os mensageiros se aproximam, eles dão indícios de que as notícias são boas para ele. Mas Davi não pergunta o resultado da batalha, só se seu filho, Absalão, está bem. Para ele, boa nova é Absalão estar vivo. Para qualquer outro envolvido na guerra com Absalão e seus homens nesse dia, boa nova seria que seu exército foi derrotado e o encrenqueiro, destruído.

Joabe conhece seu rei muito bem. Ele sabe que Davi não aceitará bem a notícia da morte de Absalão. Por isso ele hesita em enviar Aimaás para lhe contar sobre a morte do filho. Por isso, também, Aimaás evita responder a pergunta específica de Davi sobre o bem-estar de Absalão. E, assim, quando retornam a Maanaim, os soldados vitoriosos não encontram o rei nos portões para saudá-los e expressar seu reconhecimento. Em vez disso, eles ficam sabendo que Davi está de luto pela morte do filho. Agora, ao invés de sentir orgulho pelo que fizeram, os homens de Davi sentem vergonha.

Joabe Repreende o Rei (19:1-8)

Disseram a Joabe: Eis que o rei anda chorando e lastima-se por Absalão. Então, a vitória se tornou, naquele mesmo dia, em luto para todo o povo; porque, naquele dia, o povo ouvira dizer: O rei está de luto por causa de seu filho. Naquele mesmo dia, entrou o povo às furtadelas na cidade, como o faz quando foge envergonhado da batalha. Tendo o rei coberto o rosto, exclamava em alta voz: Meu filho Absalão, Absalão, meu filho, meu filho! Então, Joabe entrou na casa do rei e lhe disse: Hoje, envergonhaste a face de todos os teus servos, que livraram, hoje, a tua vida, e a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida de tuas mulheres, e de tuas concubinas, amando tu os que te aborrecem e aborrecendo aos que te amam; porque, hoje, dás a entender que nada valem para contigo príncipes e servos; porque entendo, agora, que, se Absalão vivesse e todos nós, hoje, fôssemos mortos, então, estarias contente. Levanta-te, agora, sai e fala segundo o coração de teus servos. Juro pelo SENHOR que, se não saíres, nem um só homem ficará contigo esta noite; e maior mal te será isto do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora. Então, o rei se levantou e se assentou à porta, e o fizeram saber a todo o povo, dizendo: Eis que o rei está assentado à porta. Veio, pois, todo o povo apresentar-se diante do rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua tenda.

Os guerreiros de Davi, os quais arriscaram o pescoço para salvar seu rei, agora baixam a cabeça envergonhados. Um dia de vitória de repente se transforma em dia de luto. Os soldados começam a entrar furtivamente na cidade, como se tivessem feito algo errado. Eles são como um centroavante que tem a chance de fazer o gol da vitória e ganhar o jogo, mas acaba chutando pra fora. Eles estão com vergonha de voltar ao seu campo, se aproximar do banco e encarar seu técnico. É como se sentem os soldados de Davi.

O rei está chorando e lamentando a morte de Absalão. Ele fica repetindo “Meu filho Absalão, Absalão, meu filho, meu filho!”. Joabe não está disposto a se juntar ao luto do rei. Na verdade, ele não está disposto nem a tolerar a choradeira de Davi. Ele entra na casa. E não trata Davi com brandura. Em sua cabeça, David está cometendo o maior erro de sua vida, e vai sofrer consequências muito maiores do que quaisquer outras já sofridas.

Joabe dá uma bronca em Davi por envergonhar quem veio com ele de Jerusalém; não só os soldados, mas também suas esposas e filhos, e suas concubinas. Por sua reação aos acontecimentos, Davi revela que ama mais o inimigo do que os amigos e a família. Ele ama mais quem o odeia do que quem o ama. Ele demonstra total desrespeito para com quem se dispôs a dar tudo por seu rei. Joabe diz isso da forma mais cruel possível: Davi preferia ouvir que todo o exército foi dizimado e Absalão estava vivo do que saber que seu exército prevaleceu, mas Absalão está morto. 

Joabe praticamente diz a Davi o que fazer a seguir. Ele deve se levantar, parar de chorar e ir aos portões cumprimentar os guerreiros vitoriosos que estão retornando da batalha. Se ele não fizer isso imediatamente, Joabe lhe garante que ao amanhecer não haverá nenhum soldado com ele. O rei faz o que Joabe diz. Ele desce aos portões e, tão logo as pessoas tomam conhecimento disso, vão até ele. Nesse meio tempo, os israelitas que se haviam se juntado a Absalão fogem para suas tendas. A guerra acabou. Davi é rei de Israel novamente.

Conclusão

Temos muito a aprender com esta passagem. Creio que cada um dos personagens principais desse drama nos ensina alguma coisa. Vou chamar sua atenção para algumas lições.

Primeiro, podemos aprender com os dois vilões do texto, Absalão e Aitofel. Desde cedo os dois estiveram muito perto de Davi. Ambos decidiram se rebelar contra ele, tentando arruiná-lo. Nenhum deles parece temer a Deus ou ver sua situação do ponto de vista de Deus. Nenhum deles parecer se incomodar com o fato de ter tentado matar o rei ungido de Deus. A vida de ambos termina tragicamente, em morte. Ambos devem ter percebido a mão de Deus operando na vida de Davi e em seu governo como rei. Ambos estão dispostos a afastar Davi para tentar construir algum tipo de “reino” próprio. Ambos são como Satanás, e como Adão e Eva, no que diz respeito a não querer desempenhar um papel secundário. Eles parecem pensar que, estando sob a autoridade de Davi, estão sendo privados de algo melhor, que eles podem conquistar correndo atrás de seus próprios interesses.

Ambos, Absalão e Aitofel, deixam de responder corretamente à pergunta mais importante da vida de qualquer pessoa: “A quem servirei como rei?” Eles não querem Davi como rei. Os dois, na verdade, querem ser rei da sua própria vida. Contudo, rejeitando Davi, eles estão rejeitando o rei de Deus, e por isso, estão se rebelando contra o próprio Deus. Ambos têm grande potencial, mas no fim, seus talentos não prestam para nada.

O problema é sempre o mesmo. Foi assim antes mesmo de haver um rei humano em Israel, e tem sido assim desde então. Adão e Eva rejeitaram a Deus como autoridade suprema e tentaram se colocar acima Dele. Os israelitas rejeitaram a Deus como Rei, exigindo um rei como o das outras nações (ver 1 Samuel 8:7). Absalão e Aitofel, e quem os seguiu em sua rebelião contra Davi, também rejeitaram o rei de Deus como seu rei. Quando nosso Senhor Jesus Cristo veio à terra, Ele veio como Aquele que se assentaria no trono de seu pai, Davi. Ele veio como o Rei ungido de Deus, e mesmo assim as multidões disseram não ter outro rei além de César. O Senhor Jesus veio a primeira vez para ser rejeitado como Rei de Israel, a fim de levar a culpa pelo nosso pecado e prover o meio de podermos entrar em Seu reino. Quem recebe o perdão e a vida eterna oferecidos por Ele, reinará com Ele por toda eternidade. Ele vai voltar mais uma vez, para derrotar Seus inimigos e estabelecer Seu trono sobre a terra. Quem O recebe como o caminho de Deus para a salvação também O recebe como Rei. Quem rejeita o dom da Sua salvação, rejeita-O como Rei. Quando Ele vier novamente, todos se dobrarão diante Dele como o Rei de Deus, mas somente quem O recebeu como Salvador entrará no Seu reino. Quem é o seu rei? Essa é a pergunta mais importante que você deve responder.

Segundo, podemos aprender com Joabe. É discutível se Joabe deveria ter ou não matado Absalão, contra as ordens de Davi. Talvez Absalão tivesse morrido por si só. Acho que podemos ver que Joabe tinha razão ao repreender o rei por sua reação à vitória e à morte de Absalão. Joabe era subordinado de Davi, mas estava certo em repreendê-lo. Às vezes, a admoestação bíblica é necessária em resposta ao pecado de quem tem autoridade sobre nós. Para isso, é preciso orar e tomar muito cuidado; mas a repreensão pode ser boa. 

Além disso, devemos aprender com o texto que podemos ser corrigidos não só por quem é  nosso subordinado, mas também por quem não é nosso mentor. Há muitas coisas para se criticar em Joabe, mas o fato é que ele tem razão naquilo que diz a Davi. Hoje em dia há muita conversa sobre “aconselhamento” e “responsabilização”. O pressuposto parece ser que cada um de nós precisa de alguém a quem prestar contas, algum “mentor” para nos orientar. Há uma certa verdade nisso, e muita coisa a ser esclarecida e corrigida. Mas o que eu gostaria de ressaltar aqui é que não devemos restringir de quem podemos aprender, limitando-nos à uma lista de possíveis mentores. Nosso inimigo pode ser o nosso melhor crítico. Ele não se importa se vai ou não perder o nosso respeito ou amizade. Ele não se preocupa em não nos ofender. Ele (ou ela) pode nos dizer coisas que os nossos “amigos” nunca dirão. Joabe repreende Davi. Davi ouve, e aprende. Temos de aprender a aprender de quem não gostamos, e de quem talvez não goste de nós.

Terceiro, podemos aprender com a perda de perspectiva de Davi. Joabe acertadamente repreende Davi, pois seus valores tinham ficado totalmente desordenados. Nas palavras de Joabe, Davi passou a amar seus inimigos e a odiar seus amigos. Ele se importa mais com o bem-estar de seu arqui-inimigo do que com a nação que ele deve pastorear por Deus. Davi chega a se preocupar mais com um único membro da sua família do que com todos os outros. Nesse sentido, ele está errado, e Joabe está certo.

Davi está errado em instruir seus comandantes a não fazer mal a Absalão. Absalão já deveria ter sido morto em outras ocasiões. Ele deveria ter sido morto pelo assassinato premeditado de Amnom, contrário a lei. Por se rebelar contra o pai (antes deste texto). E por alta traição, ao tentar matar o rei ungido de Deus e estabelecer a si mesmo no trono. Como Davi podia esperar que seu exército lutasse contra o exército de Absalão sem lutar contra o próprio Absalão? Assim como anteriormente ele usou sua autoridade para condenar um homem justo à morte (Urias), agora ele tenta usar sua autoridade como rei para salvar um revolucionário que merece pena de morte. A perspectiva de Davi está completamente distorcida. É a tremenda bronca de Joabe que o tira do seu estupor mental.

Gostaria de dizer que, exatamente como Davi perdeu a perspectiva em nosso texto, muitas vezes nós também perdemos, sem nem mesmo perceber. Por exemplo, sabemos que este mundo e tudo o que há nele vai acabar num piscar de olhos. Mesmo assim, insistimos em acumular coisas. Nós acumulamos tesouros na terra em vez de acumular no céu. Nós sabemos (em tese) que os perdidos irão passar toda a eternidade no inferno, separados de Deus. Mesmo assim, deixamos de tentar conhecer o nosso próximo ou pregar o evangelho (a “boa nova”) a ele. Será que a nossa perspectiva não está tão distorcida quanto a de Davi?

Vemos Davi colocando o bem-estar de Absalão acima do bem-estar dos demais membros da sua família e do seu reino. Nesse caso, não colocou Davi a “família” acima de coisas mais importantes? Assim como ele não quis lidar com o filho da forma requerida por seu pecado, tentando “poupá-lo”, também não deixamos de lidar com a desobediência e rebelião dos nossos filhos, com medo de perdê-los? Será que não deixamos de disciplinar um crente deliberadamente em pecado porque não podemos suportar a ideia de perdê-lo ou àquilo que ele nos oferece? Aprendamos com Davi que podemos perder rapidamente a perspectiva, sem nem perceber. A única forma de mantermos a perspectiva correta é enchendo cada vez mais a nossa mente com a Palavra de Deus. É na Bíblia que adquirimos perspectiva bíblica. Sejamos homens e mulheres da Palavra para podermos ver a vida pela perspectiva de Deus.

Finalmente, aprendemos muito com a depressão de Davi. Estes são os dias mais sombrios da sua vida. Para mim, é difícil descrever seu estado de espírito com qualquer outra palavra a não ser depressão. Levei muito tempo para poder dizer isso, mas creio que um cristão pode ficar deprimido. Indo mais a fundo nessa questão, creio que um cristão pode ficar deprimido, sem com isso “estar em pecado”. Depressão, algumas vezes, é fruto de pecado (o que certamente é parte da depressão de Davi). Em outras, a própria depressão pode ser pecado. Isto é, podemos deliberadamente ficar deprimidos, apesar de saber que a nossa depressão tem raiz no pecado. Contudo, não estou mais disposto a rotular toda depressão em si mesma como pecaminosa.

Anos atrás um senhor muito temente a Deus levantou-se durante o culto e leu o texto de nosso Senhor no Jardim do Getsêmani. Ele disse (na verdade, leu uma tradução atual do texto) que nosso Senhor estava deprimido. Para minha vergonha, devo dizer que me levantei e o corrigi, dizendo que depressão é pecado e, por isso, nosso Senhor não podia estar deprimido. Mas podemos estar deprimidos e não estar em pecado. Davi, creio eu, estava deprimido. Sua depressão talvez tenha ajudado a distorcer suas perspectivas e prioridades.

O que eu gostaria que notassem em nosso texto é que Deus poupou Davi da morte e lhe deu a vitória sobre Absalão, apesar do fato de ele estar deprimido, apesar de ele ter ordenado a seus homens a não prejudicar Absalão. Os propósitos e as promessas de Deus não podem ser frustrados pelo nosso pecado, muito menos pela nossa depressão. Estes foram dias em que a fé e a esperança de Davi estavam no nível mais baixo. Será que isso impediu Deus de alcançar Seus propósitos? Nem por um instante!

Ressaltei esse ponto por uma razão muito importante. Há muitos ensinamentos e ideias evangélicas sugerindo que Deus não possa operar enquanto estamos deprimidos. O ensino da AMP (Atitude Mental Positiva) é abundante hoje em dia. Se tivermos uma atitude positiva, as coisas boas terão de vir. Se formos propensos a “pensamentos derrotistas”, só teremos problemas. É isso o que algumas pessoas ensinam. Essa é a sua própria forma de cristianismo. Se tivermos fé suficiente, Deus fará grandes coisas por nós. Se não tivermos, merecemos o sofrimento e a tristeza decorrentes da nossa falta de fé.

Há muita coisa errada com esse tipo de pensamento. Damos a nós mesmos crédito demais pelas bênçãos de Deus. Atribuímos Suas bênçãos à nossa fé, à nossa obediência, à nossa disposição mental positiva. Mas quando vem a depressão (e ela sempre vem), de acordo com a corrente ideológica da AMP, não temos esperança. Nós acreditamos que Deus Se limita a operar somente quando somos otimistas, cheios de fé e alegria. Muitas vezes os cristãos saem por aí fingindo ter paz, alegria e fé porque esperam por isso. Naquele ponto da sua vida, Davi não tinha paz, nem alegria, nem muita fé. Ele estava no fundo do poço. No entanto, apesar da sua disposição mental, Deus cumpriu Seus intentos e Suas promessas. Ele cuidou para que muitos amigos estivessem a seu lado naqueles momentos difíceis. Deus usou Husai para frustrar o conselho de Aitofel. Usou Joabe para eliminar Absalão e repreender Davi. Deus agiu na vida de Davi, não porque ele estivesse cheio de fé, alegria e esperança naquele momento, mas porque Deus é fiel em cumprir Suas promessas.

Desejo explorar um pouco mais essa questão da depressão. Muitas vezes, quando alguém está deprimido, sua perspectiva das coisas fica distorcida — ele ou ela não consegue ver a vida do jeito certo. No entanto, há também um certo sentido em que a depressão pode nos ajudar a ver as coisas com mais clareza. Será que não confiamos demais nos nossos próprios esforços, na nossa própria justiça, na nossa própria fé? A depressão acaba com toda essa autoconfiança. Quem é muito confiante, alegre e feliz, e tem muito êxito na vida, acaba se enganando quanto a fonte de suas habilidades e do seu sucesso. Quando estava no auge do sucesso, Davi via a vida com menos clareza do que quando estava nas profundezas da sua humilhação. Em seu desespero, ele não confiou em si mesmo. Tudo o que ele pôde fazer foi lançar-se sobre Deus, descansando e esperando nEle.

Já disse que Deus trabalhou muito na vida de Davi quando ele estava em depressão. Agora vou dizer também que Ele trabalhou muito por intermédio de Davi quando ele estava em depressão. Não posso mostrar isso de forma conclusiva, mas imagino que muitos de seus salmos vieram do “fundo do poço”. Muitos deles foram escritos em tempos de crise. Quando ele manifestava seus medos, seu desespero e sua depressão para Deus, encontrava esperança e auxílio, lembrando-se do Deus com quem falava. E, ao escrever esses salmos, Davi também ministrava a outras pessoas em seu desespero. Muitas vezes, quando estamos tristes e abatidos, começamos a ver a vida com mais clareza, confiando em Deus mais plenamente. Se é assim, então o sofrimento e as tristezas, e até mesmo a depressão, podem ser nossos aliados, não nossos inimigos. Tudo o que nos aproxima de Deus é nosso aliado.

Estou certo de que, quando falo e escrevo estas palavras, estou falando e escrevendo a quem talvez esteja em depressão. Alguns podem nem saber disso, ou relutem em admiti-lo. Isso porque, como eu mesmo, dizem que depressão é pecado e não querem ser culpados desse pecado. Mas muitos estão deprimidos e sabem que estão. Muitos estão deprimidos e têm vergonha de contar a outra pessoa. Deixem-me apenas dizer que Deus agiu na vida de Davi, a despeito da sua depressão. Deus também agiu por meio dele por causa da sua depressão.

Vou encerrar com estas palavras do próprio Senhor:

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. (Mateus 5:1-4)

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mateus 11:28-30)


1 Não consigo deixar de pensar que o aumento no tamanho do exército de Absalão só vai atrapalhar sua causa. Muitos dos seguidores de Davi são valentes que lutaram com ele em situações difíceis, muitas delas parecidas com a que vão enfrentar aqui. Eles são unha e carne com seu comandante. O vasto “exército de voluntários” que segue Absalão não deve ser tão habilidoso, nem tão acostumado à guerra, nem tão disciplinado. Seu comandante em chefe é novo, e pouco experiente. É como um time recém-formado, com jogadores novatos, novo técnico e nenhuma experiência, enfrentando a seleção nacional.

2 Baurim não ficava muito longe de Jerusalém. Foi até lá que Paltiel, o segundo marido de Mical, pôde acompanhar a esposa quando ela foi levada de volta a Davi (2 samuel 3:14-16). Lá também era onde morava Simei, o homem que amaldiçoou Davi quando este fugia de Jerusalém.

3 Apesar da opinião popular de que Absalão ficou preso pelos cabelos, o texto diz que foi sua cabeça que ficou presa. Seu cabelo, é claro, deve ter sido parte do problema. Parece óbvio que ele não conseguiu se soltar dos galhos desse carvalho gigante, sugerindo que se ele fosse deixado à própria sorte, seria mais um cuja vida foi reivindicada pela floresta, não pela espada de um dos homens de Davi.

4 NASB (New American Standard Bible), ARA (Almeida Revista e Atualizada)

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