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5. Um Lugar Só Seu (II Samuel 5:1-25)

Introdução

Há muitos anos li um livro excelente intitulado Shantung Compound, escrito por Langdon Gilkey. Um dos capítulos do livro é denominado “Um lugar só seu”. Gilkey ficou confinado num campo de detenção junto com um grupo diversificado de pessoas, os quais tinham uma coisa em comum: todos eram ocidentais. Quando invadiram a China durante a II Guerra Mundial, os japoneses não sabiam o que fazer com aquelas pessoas, por isso, mantiveram-nas detidas em diversos acampamentos. Shantung Compound era um antigo acampamento presbiteriano que foi convertido para esse fim. Gilkey recebeu a tarefa de designar os quartos das pessoas confinadas naquele local, o que acarretou algumas situações muito interessantes, como ele bem descreve em seu livro.

No capítulo “Um lugar só seu”, Gilkey fala sobre o desejo das pessoas terem um lugar que possam chamar de seu. Em um dos exemplos, uma senhora muito fina e educada manifestou essa ânsia de ter o seu próprio “canto”. Uma mulher, cuja cama ficava ao lado direito da dela começou a sentir que a cama estava se movendo. A cada dia, quando ela olhava pela janela, a vista estava ligeiramente diferente. Ela percebeu que a cama estava sendo movida. A adorável senhora ao lado estava empurrando sua própria cama, e a da sua colega de quarto, uns poucos milímetros por dia, para ter um pouco mais de espaço às custas de sua companheira. Todos nós queremos “um cantinho só nosso”, não é?

Chegamos a II Samuel 5, onde Davi se torna o rei de todo Israel e, ao mesmo tempo, dono de um lugar finalmente seu. Até aqui o lugar é conhecido como Jebus e seus habitantes, como jebuzeus. Entretanto, de nosso texto em diante, Jebus se torna Jerusalém, Sião, a “cidade de Davi”. No capítulo seguinte, Jerusalém se tornará o lugar da morada de Deus, quando a Arca da Aliança for trazida para a cidade, onde Salomão mais tarde construirá o templo. O momento é glorioso para Davi e muito instrutivo para nós. Vamos pedir a assistência do Espírito Santo para aprender o que Ele tem a nos ensinar sobre Davi encontrar “um lugar só dele”.

A Estrutura Do Texto

Como resultado do estudo de II Samuel, vejo agora que o capítulo 5 está divido em quatro seções principais, as quais resumo abaixo:

·         5:1-5: Israel se submete a Davi como o “Rei de Deus”

·         5:6-10: Davi toma Jebus e faz dela Jerusalém, a “cidade de Davi

·         5:11-16: A construção da casa de Davi (o lugar físico, dele e de sua família)

·         5:17-25: Davi derrota os filisteus

Israel Submete-Se A Davi Como O Rei De Deus
(5:1-5)

“Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Somos do mesmo povo de que tu és. Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás chefe sobre Israel. Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR. Ungiram Davi rei sobre Israel. Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; e reinou quarenta anos. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e seis meses; em Jerusalém, reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.”

Os israelitas estão em foco nos versos 1 a 3. São eles que vão a Hebrom e reconhecem Davi como rei e o ungem. Tendo admitido que a iniciativa foi do povo, precisamos nos lembrar de que foram eles também que tomaram a iniciativa na época de Saul. Não é possível compreender totalmente o significado da submissão dos israelitas a Davi sem fazer a comparação e o contraste deste acontecimento com o de I Samuel 8 a 12, quando o povo exige um rei e recebe Saul como o primeiro rei de Israel.

Vocês devem se lembrar de que em I Samuel 8 Samuel já está avançado em idade e seus filhos não são seus melhores substitutos (8:1-3). Eles são desonestos e abusam de sua autoridade como juízes em Berseba. Por isso, no verso 4 do capítulo 8, os anciãos de Israel exigem que Samuel lhes dê um rei “para governá-los, como todas as nações” (8:5). Samuel fica muito chateado com a exigência do povo e Deus também fica muito desgostoso. O povo não está só rejeitando Samuel como juiz, eles estão rejeitando a Deus como rei (8:7-8). Apesar disso, Deus manda Samuel alertá-los sobre os altos custos de um rei e dizer-lhes que eles realmente terão o querem. Nos capítulos 9 e 10, Saul é designado e ungido como o primeiro rei de Israel. No capítulo 11, ele lidera os israelitas na guerra contra Naás e os amonitas, os quais sitiam Jabes Gileade e ameaçam humilhar seus habitantes vazando o olho direito de cada cidadão (11:1-2). Deus dá a Saul e Israel uma grande vitória sobre os amonitas e o povo exulta de alegria. Eles querem por as mãos em cima dos homens que desprezaram Saul e matá-los (11:12-13).

No capítulo 12 Samuel coloca a questão na perspectiva correta. A exigência de Israel é pecado, por isso, Deus manda uma tempestade que destrói a sega do trigo (12:12-18). Em certo sentido, esta geração de israelitas é exatamente como seus antepassados. A oposição de nações estrangeiras é um castigo divino pelo desrespeito de Israel às leis de Deus. No entanto, por outro lado, o pecado de exigir um rei é ainda maior do que o de seus antepassados. No passado, Deus enviava um libertador quando a nação se arrependia e clamava por libertação. Neste caso, não há arrependimento algum. Eles não imploram por libertação; mas exigem um rei. Creio que Israel quer um libertador sem ter de se arrepender, e também quer um rei que lhes assegure futuras libertações. Eles querem um rei para não terem de confiar em Deus e obedecê-lO. Quando Samuel aponta o pecado e o enfatiza com uma tempestade, o povo se arrepende.

A seguir, Samuel faz uma promessa ao povo:

“Agora, pois, eis aí o rei que elegestes e que pedistes; e eis que o SENHOR vos deu um rei. Se temerdes ao SENHOR, e o servirdes, e lhe atenderdes à voz, e não lhe fordes rebeldes ao mandado, e seguirdes o SENHOR, vosso Deus, tanto vós como o vosso rei que governa sobre vós, bem será. Se, porém, não derdes ouvidos à voz do SENHOR, mas, antes, fordes rebeldes ao seu mandado, a mão do SENHOR será contra vós outros, como o foi contra vossos pais.” (I Samuel 12:13-15)

“Tão-somente, pois, temei ao SENHOR e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez. Se, porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis, tanto vós como o vosso rei.” (I Samuel 12: 24-25)

O que desejo assinalar aqui é a ligação que Samuel faz entre o povo e seu rei. Tanto um quanto outro precisam confiar em Deus e obedecê-lO. Se não o fizerem, Deus os castigará. Caso contrário, Deus os abençoará. Acredito que Samuel esteja indicando para nós que o povo vai ter o rei que deseja e que merece. Deus lhes dá o rei Saul, pois ele é exatamente como eles. Ele se rebela contra a Palavra de Deus, da mesma forma que o povo. Ele é incapaz de obedecer a Deus plenamente, da mesma forma que eles. No caso de I Samuel 8 a 12, o povo exige um rei por razões totalmente erradas. Agora, vejo que os pecados dos filhos de Samuel eram somente um pretexto para exigirem um rei e que seus motivos eram bem menos nobres do que “justiça”. Em I Samuel 12:12, Samuel diz ao povo que o verdadeiro motivo é o medo que sentem de Naás, que avança contra Israel. Eles querem um rei que os lidere na guerra e lhes dê a vitória sobre seus inimigos. Eles querem um libertador como Sansão, não como Samuel. Samuel expõe toda hipocrisia e fingimento para revelar o pecado de Israel, o qual torna o povo digno de um rei como Saul.

No entanto, quando chegamos a II Samuel 5, vemos uma mudança radical. Não é apenas a mudança de um rei patético como Saul para um líder patriótico como Davi. O povo também muda. Preciso fazer uma confissão. Até aqui tenho sido insensível para com os israelitas. Tenho ficado do lado de cá da história com as mãos na cintura, batento o pé com impaciência. Quando leio os versos 1 a 5 do capítulo 5, encontro-me pensando: “Já não era sem tempo!” Entretanto, mudei de ideia. Agora, vejo a demora dos israelitas de modo diferente. Permitam-me tentar explicar.

Vocês irão reparar que aqui não há nenhuma crise, nenhum perigo iminente que force os líderes israelitas a agir. Saul está morto, bem como seus filhos, incluindo Isbosete. Não há nenhum ataque filisteu, nehuma ameaça amonita. Os filisteus só atacam quando ficam sabendo que Davi foi ungido rei sobre todo Israel (II Samuel 5:17). Os anciãos israelitas vão a Davi quando ele está em Hebrom, submetendo-se a ele como o rei de Deus. Em I Samuel 8, eles se rebelaram contra Deus como seu Rei, mas não aqui. Aqui, eles agem em obediência a Deus, não em rebelião. O rei que eles recebem, Davi, é, de certa forma, o rei que merecem. Quando vão a Davi, os israelitas reconhecem muitas verdades de vital importância que são a base de seu reinado e, portanto, da submissão deles a ele como rei.

1) Os líderes israelitas reconhecem seus laços naturais com Davi: Somos do mesmo povo de que tu és... Esta confissão por parte dos israelitas é muito importante. Eles reconhecem que há uma união essencial, com raízes num antepassado comum, Jacó (a quem Deus chamou Israel). Eles não dizem a Davi: “você é um de nós”, e sim “nós somos um com você”. Desde o princípio existe um problema de unidade entre os filhos de Jacó, como se vê no ódio demonstrado para com José. Saul é da tribo de Benjamim e Davi da tribo de Judá. Abner, com certeza, agravou o desentendimento entre as duas tribos e ouriçou as demais. Agora os israelitas estão dispostos a se ver como uma nação, não como duas. Esta é a chave para a liderança de Davi em toda a nação. Só precisamos nos lembrar das palavras dos israelitas quando ocorre a divisão do reino para ver o quanto esta união é importante:

“Vendo, pois, todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, reagiu, dizendo: Que parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de Jessé! Às vossas tendas, ó Israel! Cuida, agora, da tua casa, ó Davi! Então, Israel se foi às suas tendas.” (I Reis 12:16)

2) Os israelitas reconhecem a liderança de Davi mesmo quando Saul ainda era rei. Quando o povo exige um rei, eles querem alguém que “vá adiante deles e lute suas batalhas” (ver I Samuel 8:19-20). No fundo, Saul se esquivava de suas responsabilidades e era Davi quem fazia o que o povo queria. Não foi Saul quem subiu contra Golias, foi Davi. Não foi Saul quem liderou Israel nas batalhas, foi Davi (pelo menos ele foi um dos comandantes). Os anciãos israelitas reconhecem a liderança de Davi por ele ter agido como rei. Na verdade, os anciãos reconhecem que, mesmo quando Saul era o rei, Davi agia mais como rei do que ele. Eles não estão optando por um produto desconhecido (como fizeram com Saul), mas por alguém que já provou ser “um forte e valente, homem de guerra” (I Samuel 16:18)

3) Os anciãos de Israel se submetem à Palavra de Deus à medida que reconhecem ser Davi o rei escolhido de Deus. Davi foi ungido publicamente como o futuro rei de Israel (I Samuel 16:1-13). Saul sabia que Davi seria o próximo rei (I Samuel 24:20), bem como Abigail (I Samuel 25:30) e os filisteus (I Samuel 21:11). Todos em Israel deviam saber que ele tinha sido designado por Deus para reinar em lugar de Saul (II Samuel 3:9-10, 18). Os israelitas não ficam surpresos quando sabem que ele será o próximo rei, embora sejam um pouco tardios em agir de acordo com essa revelação. Quando vão até el, os anciãos estão obedecendo à vontade revelada de Deus. Isso é muito melhor do que quando se rebeleram contra Ele em I Samuel 8, exigindo um rei.

A unção de Davi (pela terceira vez) pelos anciãos de Israel não é nenhuma surpresa, pois está dentro do contexto da aliança feita por Deus com Davi anteriormente (II Samuel 5:3). Esse é um ato de obediência e fé. Isso está bem longe do confronto que vemos entre eles e Samuel no capítulo 8. O reinado de Davi é um reinado de justiça devido, em parte, ao arrependimento e à obediência de Israel e seus líderes.

Davi Captura Jebus, Que Vem A Se Tornar Jerusalém, A “Cidade De Davi”
(5:6-10)

“Partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que disseram a Davi: Não entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te repelirão, como quem diz: Davi não entrará neste lugar. Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi. Davi, naquele dia, mandou dizer: Todo o que está disposto a ferir os jebuseus suba pelo canal subterrâneo e fira os cegos e os coxos, a quem a alma de Davi aborrece. (Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará na casa.) Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; foi edificando em redor, desde Milo e para dentro. Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele.”

Existem muitas histórias longas. Quando pergunto às pessoas como elas se tornaram cristãs, em geral, elas sorriem e dizem: “Bem, é uma longa história”. A história da cidade de Jerusalém também é longa. Jerusalém é, até a época em que Davi a captura, conhecida como Jebus, e seus habitantes, como jebuseus. Os jebuseus são mencionados pela primeira vez em Gênesis 10:15-16, onde está escrito que eles são cananeus genuínos, descendentes de Canaã, terceiro filho de Cam (Gênesis 10:6). Foi esse Cam que viu a nudez de Noé (Gênesis 9:22) e trouxe maldição sobre si mesmo e seus descendentes (Gênesis 9:25). Abraão ofereceu seu filho Isaque no monte Moriá (Gênesis). Esse monte é o mesmo onde Salomão construiu o templo (II Crônicas 3:1).

Deus repetidamente prometera aos israelitas que os levaria para a terra prometida. Essa terra era possuída pelos cananeus (incluindo os jebuseus), e Deus também havia prometido expulsá-los de lá (Gênesis 15:18-21; Êxodo 3:8, 17, 13:5, 23:23, 33:2, 34,11). Quando os espias foram enviados para observá-la, entre os habitantes do lugar eles citaram os jebuseus (Números 13:29). Deus não havia só prometido expulsar os cananeus (Josué 3:10), Ele também ordenara que os israelitas o fizessem (Deuteronômio 7:1 e ss, 20:17). Quando eles cruzaram o Jordão, os jebuseus estavam entre os que uniram forças para se opor à sua entrada na terra (Josué 9-11, 24:11).

No livro de Josué, Jebus inicialmente é descrita como uma das cidades cujos habitantes os filhos de Judá não conseguiram expulsar (Josué 15:63). Em Josué 18:28, parece que ela é uma cidade benjamita, os quais também não conseguiram expulsar os jebuseus (Juízes 1:21). Isso conduz a uma espécie de convivência que leva os israelitas a adotar os pecados dos jebuseus (Juízes 3:1-7 e ss). Em decorrência disso, Israel sofre a opressão de seus vizinhos como castigo divino (Juízes 3:8 e ss). Em Juízes 19:10-12, a cidade ainda é retratada como não israelita. Pode ter havido momentos em que a cidade esteve sob o domínio de Israel (cf. I Samuel 17:54), mas a vitória estava longe de ser completa. Somente nos dias de Davi (e de nosso texto - ver também I Crônicas 21:15) é que ela é tomada pelos israelitas de uma vez por todas. Há ainda muitas coisas a dizer sobre Jebus, agora Jerusalém, mas vamos esperar a próxima lição, no capítulo seis, para fazê-lo.

Creio que a tomada de Jebus nos versos 6 a 10 deva ser entendida em relação aos versos 17 a 25, quando Davi vence os filisteus por duas vezes. Não é difícil compreender porque ele lutou contra eles neste capítulo, pois era uma questão de autodefesa. Eles atacaram os israelitas, e especialmente Davi. Posso até imaginar como eles se sentiram, sabendo que haviam dado asilo a Davi (ou pelo menos Aquis, rei de Gate). Eles tinham até permitido que ele fizesse parte de seu exército. Havia muito pouco que Davi não soubesse sobre eles - seus métodos, suas rotas, seus recursos. Davi seria um inimigo formidável. Seria melhor resolver logo o assunto, antes que ele ficasse muito forte. Quando os filisteus subiram contra ele, Davi não teve muita escolha, a não ser lutar contra eles. No entanto, os jebuseus não estavam em guerra contra os israelitas. Eles tinham chegado a uma espécie de convivência pacífica. Não havia nenhuma “necessidade” aparente para essa luta. Por que, então, Davi levou Israel inteiro a subir contra a cidade, a qual os israelitas nunca tinham sido capazes de vencer totalmente?

Creio que há muitas razões para isso. Antes de mais nada, Jebus era uma cidade que Deus prometera dar aos israelitas e cujo povo Ele ordenara fosse destruído. A presença deles entre os israelitas estava corrompendo o povo de Deus (Juízes 3:5-6). Saul relutava em combater decisivamente os ataques externos dos inimigos de Israel. Ele estava até disposto a conviver com o inimigo dentro da nação. Até onde podemos ver, os jebuseus tinham sido deixados em paz. Não havia resistência nem à guarnição dos filisteus, até que Jônatas, não tolerando mais sua presença, praticamente os obrigasse, bem como a seu pai, a agir (I Samuel 13:33). Davi percebeu que nenhum reino poderia ser visto com temor (ou mesmo respeito) se não conseguisse expulsar os inimigos de seu meio. Os jebuseus eram um problema que precisava ser resolvido e Davi sabia disso. Já era tempo desses inimigos de Deus serem derrotados. A derrota dos jebuseus e a tomada da cidade seriam o primeiro passo na conquista de Israel sobre seus inimigos, uma conquista que fora parcial na época de Josué e dos juízes. Esta vitória ofuscaria a vitória de Saul e os israelitas sobre os amonitas (I Samuel 11). Que maneira melhor de começar a reinar?

Em segundo lugar, Davi precisava de uma capital. Quando ele era apenas o rei de Judá, Hebrom servia muito bem a esse propósito. No entanto, agora ele era o rei de todo Israel. Ele precisava de uma capital mais ao norte. Ele precisava de uma capital mais centralizada, que unificasse a nação. Jebus era a cidade perfeita. A vitória de Israel sobre os jebuseus unificaria a nação, e a posse da cidade como a nova capital de Davi também. Jebus ficava praticamente na fronteira entre Judá e Benjamim. Era uma cidade que nem os filhos de Judá, nem os filhos de Benjamim tinham sido capazes de capturar. Portanto, tomá-la como capital não favoreceria nenhuma das duas tribos. Além do mais, sua localização natural tornava difícil sua conquista (razão pela qual os israelitas não o fizeram antes). Ela ficava numa região montanhosa, no topo de mais de uma montanha, cercada por vales. Com um pouco de trabalho, era uma verdadeira fortaleza (5:9).

Há uma referência tripla aos “cegos e coxos” nos versos 6 a 10. Quase todos concordam que isso deve ser importante, mas há pouco consenso quanto ao seu significado. Prefiro tomar esses versos ao pé da letra e interpretá-los à luz de todo o contexto. Não creio que o povo de Jebus tenha em mente alguém especial quando diz: “Não entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te repelirão” (verso 6). Sabemos que eles dizem isso porque pensam não haver jeito de Davi entrar na cidade e tomá-la.

Você já levou uma corrida de um cão bravo e depois descobriu que ele estava preso a uma corrente que o parou a apenas alguns centímetros de você? Se ele estivesse solto, ou você fugiria ou falaria mansamente com ele, tentando convencê-lo a não lhe morder. Com certeza, você não o irritaria ou provocaria se pensasse que ele estava solto. Entretanto, quando você vê que o cachorro está preso a uma longa corrente, ou atrás de uma cerca, subitamente você cria coragem para gritar com ele ou até mesmo para provocá-lo. Quando presumimos que estamos a salvo, falamos com muito mais ousadia.

Ora, quando os jebuseus viram Davi e os soldados israelitas subindo contra sua cidade, eles não ficaram assustados, pois isso não era nenhuma novidade. Esse tipo de ataque era frequente na história de Jebus, mas nunca com sucesso. Por isso, a salvo atrás dos muros da cidade, eles zombaram de Davi e seus homens. A ameaça era mais ou menos como a de um valentão arrogante: “Dou um jeito em você com um pé nas costas”. Será que eles ficaram intimidados com o exército de Davi? Não mesmo! Por isso, zombaram deles, alardeando que estavam tão securos que podiam até se defender com cegos e coxos.

Davi ficou furioso, exatamente como ficou com a arrogante ostentação de Golias. Ele usou as mesmas palavras dos jebuseus na ordem que deu a seus homens: “Que os homens vão e lutem com os ‘cegos e coxos’, entrando na cidade pelo canal subterrâneo”. Eles entraram e derrotaram os jebuseus. Desse dia em diante passou a existir um provérbio entre os seguidores de Davi: ‘Nem cego nem coxo entrará na casa’. Isso parece uma desculpa, um pretexto, para quem não tem compaixão dos deficientes ou para quem aproveita a ocasião para justificar sua falta de misericórdia. Creio que estas palavras foram registradas em função de II Samuel 4:4 e 9:1-3. Os servos de Isbosete não o mataram em sua própria cama? Os israelitas realmente não proibiam os deficientes físicos de entrar em suas casas? Davi, pois, iria buscar o deficiente físico Mefibosete e fazê-lo assentar-se à sua própria mesa, demonstrando assim o seu amor por Jônatas.

Não foi a atitude de Davi uma prefiguração daquilo que o Rei supremo de Israel faria quando viesse à terra? Os fanáticos religiosos se desviavam e atravessavam a rua para evitar o contato com um homem ferido (ver Lucas 10:25-37). Eles se admiravam quando Jesus se associava com pecadores e era tocado por pessoas impuras. As mesmas pessoas que eles evitavam, Jesus buscava. Davi foi um tipo dAquele que viria depois dele, que buscaria os enfermos e ministraria a eles (ver Lucas 4:16-21; 5:39-32; 7:18-23). E, da mesma forma que Davi representava o Messias, os arrogantes e jactanciosos jebuseus representavam os fanáticos religiosos, que escarneceriam de Jesus mas, no final, sofreriam a derrota em Suas mãos. Os inimigos de Davi foram derrotados, ao passo que ele se tornou cada vez maior. Ele não podia ser parado, pois Deus estava com ele.

Davi Edifica Sua Casa Em Jerusalém
(5:11-16)

“Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram uma casa a Davi. Reconheceu Davi que o SENHOR o confirmara rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo. Tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom, e nasceram-lhe mais filhos e filhas. São estes os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete.”

Essencialmente, havia somente duas reações a ascensão de Davi ao trono de Israel: 1) aceitá-lo como amigo e aliado ou 2) resistir a ele e atacá-lo como inimigo. Hirão, rei de Tiro, escolheu a primeira, enquanto os filisteus optaram pela segunda. Embora muitas traduções sugiram que os versos 11 a 16 sejam dois parágrafos, prefiro vê-los como uma só unidade, ou seja, a edificação da casa de Davi. Hirão literalmente ajuda Davi a edificar sua casa, um palácio, em Jerusalém. No entanto, mesmo morando em Jerusalém, Davi continua edificando sua “casa”, ou seja, sua família. Edificando ambas as casas ele está fortalecendo sua posição como rei de Israel.

Hirão, rei de Tiro, é apresentado nos versos 11 e 12. Eis um homem que poderia facilmente ter visto Davi como inimigo, mas que preferiu tê-lo como aliado. Quando Deus fez a assim chamada aliança abraâmica (Gênesis 12:1-3), Ele prometeu a Abraão que, quem o amaldiçasse, seria amaldiçoado, e quem o abençoasse, seria abençoado. Os jebuseus e os filisteus amaldiçoaram Davi, Hirão o abençoou. Ele deu a Davi os materiais necessários à construção do palácio, para que este o edificasse na cidade que acabara de derrotar e teria de fortalecer e fortificar. Hirão ofereceu o material e os operários para a construção de um grande palácio e Davi, agradecido, aceitou. Hirão e Davi se tornaram amigos.

O texto nos diz que só depois da construção do palácio é que Davi compreende plenamente que é, de fato, o rei de Israel. Antes disso, tudo parecia um sonho demorado, mas agora ele sabe que a promessa de Deus fora cumprida. O que havia com a construção dessa casa que lhe dava essa sensação? Creio que a razão esteja relacionada com o provérbio: “Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa.” (Provérbios 24:27)

Israel era uma nação agrícola. Não seria sábio construir uma casa antes de preparar o terreno. Quando o terrreno estava preparado, o agricultor se dedicava à construção da casa, pois a plantação precisava de tempo para se desenvolver. Era simplesmente uma questão de prioridade. Seria algo como alguém se mudar de São Paulo para o Paraná, comprando e mobiliando uma casa em Curitiba, para depois descobrir que o único emprego disponível era em Guarapuava. Teria sido bem melhor procurar emprego primeiro e depois procurar uma casa para comprar. Agora que Davi tinha sua casa, o seu palácio, ficava claro que o seu “emprego” como rei de Israel era coisa certa e garantida. A realidade de que Deus cumprira plenamente a promessa de que ele reinaria sobre Seu povo finalmente entrou na cabeça de Davi. O que ele havia esperado durante mais de 20 anos agora era seu. A construção do palácio em Jerusalém o convenceu de que tudo era real.

Havia ainda a segunda parte da construção da casa de Davi, que era a edificação de sua família. Embora ele já tivesse esposas e filhos antes de se mudar para Jerusalém (II Samuel 2:2; 3:2-5), foi lá que ele acrescentou muitas outras esposas, as quais lhe deram muitos outros filhos. Na cabeça das pessoas do antigo oriente, muitas esposas e muitos filhos era sinônimo de prosperidade. De acordo com essa avaliação, Davi realmente prosperou em Jerusalém! O problema era que, ao acrescentar mais esposas, Davi chegou muito perto da multiplicação de esposas, desprezando a advertência dada aos reis de Israel:

“Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem multiplicará muito para si prata ou ouro.” (Deuteronômio 17:17)

Davi Derrota Os Filisteus
(5:17-25)

“Ouvindo, pois, os filisteus que Davi fora ungido rei sobre Israel, subiram todos para prender a Davi; ouvindo-o, desceu Davi à fortaleza. Mas vieram os filisteus e se estenderam pelo vale dos Refains. Davi consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas mãos? Respondeu-lhe o SENHOR: Sobe, porque, certamente, entregarei os filisteus nas tuas mãos. Então, veio Davi a Baal-Perazim e os derrotou ali; e disse: Rompeu o SENHOR as fileiras inimigas diante de mim, como quem rompe águas. Por isso, chamou o nome daquele lugar Baal-Perazim. Os filisteus deixaram lá os seus ídolos; e Davi e os seus homens os levaram. Os filisteus tornaram a subir e se estenderam pelo vale dos Refains. Davi consultou ao SENHOR, e este lhe respondeu: Não subirás; rodeia por detrás deles e ataca-os por defronte das amoreiras. E há de ser que, ouvindo tu um estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então, te apressarás: é o SENHOR que saiu diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus. Fez Davi como o SENHOR lhe ordenara; e feriu os filisteus desde Geba até chegar a Gezer.”

Só podemos imaginar a conversa que deve ter ocorrido entre os cinco reis filisteus quando recebem a notícia de que Davi tinha se tornado o rei de Israel. Aquis deve ter recebido uma porção de críticas por ter-lhe oferecido asilo (I Samuel 21:10-15; 27:1 - 28:2; 29:1-11). Durante algum tempo, Davi realmente fez parte do exército filisteu, e isso deve ter lhe dado um conhecimento que agora poderia ser usado contra eles. Por isso, eles resolvem partir para o ataque, na esperança de quebrar a resistência do exército de Davi e se livrar de um inimigo formidável.

Do ponto de vista estritamente militar, talvez tenha sido uma boa decisão. Quanto mais esperassem, mais Davi consolidaria seu reino e mais forte se tornaria o seu poderio militar. Contudo, Davi era o rei de Deus, que governava o povo de Deus, por isso, ele não seria derrotado. Quando ficou sabendo do ataque dos filisteus, Davi desceu, como está escrito, para a fortaleza (verso 17). De acordo com I Crônicas 11:15, parece que ele e seus homens fugiram para a caverna de Adulão. Foi enquanto ele e seus homens estavam lá que os filisteus tomaram Belém e montaram acampamento (I Crônicas 11:16 e ss). Será que eles esperavam encontrar Davi em Belém? De qualquer forma, foi na fortaleza que Davi manifestou o desejo de beber uma taça de água de seu poço predileto em Belém e três de seus valentes romperam as linhas filistéias para consegui-la (I Crônicas 11:16-9).

Se Davi realmente estava na caverna de Adulão no início da batalha com os filisteus, acho que isso é muito interessante e encorajador. Deus não desperdiça Seu tempo. Foi nessa caverna que a família de Davi e muitos de seus guerreiros se juntaram a ele (Só agora percebo porque sua família foi para lá. A caverna não devia ser muito longe de sua casa em Belém, e assim eles puderam escapar sem ser apanhados pelos homens de Saul.) Enquanto fugia de Saul, Davi deve ter encontrado uma porção dessas “fortalezas”, as quais lhe serviram muito bem, anos depois, quando lutava com povos como os filisteus.

No primeiro confronto com os filisteus, era atrás de Davi que eles estavam, e o novo rei pediu orientação divina. Davi perguntou ao Senhor se deveria subir contra eles. Deus lhe disse que sim, garantindo-lhe que Ele os entregaria em suas mãos (verso 19). Davi encontrou os inimigos em Baal-Perazim e os derrotou, chamando assim àquele lugar, como um lembrete de que o Senhor lhe dera uma vitória “de arromba” sobre o inimigo. Também está escrito que foi ali que os filisteus abandonaram seus ídolos, que foram recolhidos por Davi e seus homens (versp 21). De acordo com I Crônicas 14:12, eles os ajuntaram para que fossem queimados.

Li no jornal de hoje que Mike Tyson está ansioso pela revanche da luta contra Evander Holyfield, para quem perdeu em novembro passado. Ele não está disposto a amargar a derrota. Ele acha que não levou seu adversário muito a sério daquela vez. Os filisteus devem ter sentido a mesma coisa com relação a Davi e os israelitas. Eles não iriam desistir tão facilmente, pois não estavam dispostos a amargar a derrota. Eles queriam uma revanche. Por isso, fizeram novo ataque a Davi. E, uma vez mais, eles se espalharam pelo vale de Refaim (É quase como se quisessem recriar a primeira batalha, não é?). Davi fez mais ou menos as mesmas perguntas. Será que ele deveria subir contra os filisteus, exatamente como havia feito? A resposta de Deus foi que ele deveria lutar contra eles, mas não da mesma maneira. Desta vez, em vez de atacá-los pela frente, Davi foi instruído a rodeá-los e atacá-los por trás. Os israelitas não deveriam atacar até ouvir o “estrondo de marcha pelas copas das amoreiras” (verso 24).

Algumas pessoas parecem pensar que foi apenas o barulho do vento nas árvores que dissimulou os sons da aproximação de Davi. Acho que foi muito mais do que isso. Deus é infinito e parece Se deleitar em dar a Seu povo vitórias militares mediante uma infindável variedadede de meios. Ele usou um temporal, com chuva, raios e trovões, que prejudicou totalmente os inimigos que usavam armas de ferro emultimídia cujos carros também não funcionaram devido a lama causada pelas chuvas (ver I Samuel 7:10). Depois, Ele utilizou um terremoto para sacudir o inimigo (I Samuel 14:15). Tempos antes, Ele havia dado a vitória a Israel sobre os amonitas, atacando-os com uma chuva de granizo (Josué 10:11). Em II Reis, capítulo 7, Ele afugentou o exército sírio fazendo-os ouvir os sons de um exército enorme, mesmo não havendo nenhum (versos 6 e 7). Por isso, sou inclinado a tomar as palavras de nosso texto (II Samuel 5:24) como o registro de outra “apresentação multimídia” de Deus, que serviu para enervar o inimigo e preparar o caminho para sua derrota às mãos de Davi. A derrota foi tão grande que Davi perseguiu-os até o seu próprio território (Gezer fica literalmente na fronteira do território filisteu). Essa derrota foi definitiva. Embora fosse de Saul a tarefa de libertar Israel do poder dos filisteus (I Samuel 9:16), ele foi morto e Israel derrotado por eles (I Samuel 31). Foi o rei Davi quem livrou Israel dos filisteus (II Samuel 19:9).

Conclusão

Chegar a este ponto na vida de Davi, sem dúvida nos dá uma enorme sensação de alívio e de alegria. Muitos anos se passaram desde que Samuel o ungiu como rei de Israel. Davi passou por muitas experiências dolorosas até chegar a este ponto. Houve bons tempos, tais como quando ele servia na casa de Saul como músico e quando ele e Jônatas, filho do rei, se tornaram grandes amigos. Houve ainda a derrota de Golias e as promoções dadas por Saul. Houve a bênção do casamento com uma das filhas do rei, o que o tornou membro da família real. No entanto, houve também muitos tempos ruins. Houve os anos de espera, escondendo-se de Saul. Houve tempos em que Davi teve de procurar refúgio entre os inimigos do povo de Deus. Agora tudo isso culmina no seu reinado sobre todo Israel. Realmente, esse é o melhor de todos os momentos, é tempo de celebração.

Davi me impressiona, principalmente quando o comparo com Saul. Ao contrário deste, Davi está sempre buscando a vontade de Deus e se esforçando para obedecer Seus mandamentos. Quando erra, ele se arrepende e procura fazer o que é certo. Embora Saul não tenha dado a Israel a vitória sobre os filisteus, Davi a dá. Embora Saul não tenha exercido uma liderança moral sobre a nação, Davi exerce. Repetidas vezes, Davi determina o padrão moral e espiritual para Judá e as outras tribos. Ele reaje corretamente à notícia da morte de Saul e à maldade daqueles que levantaram a mão contra o ungido do Senhor.

Ao contrário de Saul, Davi não é um rei que nada sabe além de administrar as crises, disposto apenas a “apagar o fogo”. Saul só resolvia problemas que não conseguia evitar. Davi resolve os problemas que seus antecessores evitaram, e com sucesso. A tomada de Jebus é um exemplo da iniciativa e liderança de Davi. Creio que ele entendeu a promessa de Deus de que Ele daria a Israel Jebus e aquela terra. Creio também que ele procurou obedecer a ordem de Deus, mesmo tendo sido dada muitos anos antes, ao derrotar os jebuseus e expulsá-los da terra. E creio ainda que ele viu Jebus como uma capital ideal, uma cidade que serviria para unificar as tribos de Israel sob seu comando. Ele poderia ter escolhido uma “coexistência pacífica” com os jebuseus, como outros fizeram antes dele; no entanto, em vez disso, ele tomou o caminho mais difícil e prevaleceu sobre seus inimigos. E a vitória foi tal que deu a Israel (e a seu rei) status e respeito (e até temor) entre as nações.

Se eu fosse fazer um resumo de todo o capítulo 5 de II Samuel, creio que poderia resumir essa unidade num único tema central: a reação dos homens ao rei de Deus. Embora Saul, Abner e muitos outros tenham resistido à ascensão de Davi ao trono, isso foi da vontade de Deus. Após a morte de Abner, o povo de Israel reconhece que Davi deve ser o rei e são seus líderes que vão até ele expressando o desejo de tê-lo como rei. Resumindo, as tribos de Israel se submetem a Davi como o rei de Deus (5:1-5). Os jebuseus se opõem a isso e Deus dá a Davi - o Seu rei, a vitória sobre eles (5:6-10). Eles são destruídos pelo rei de Deus porque se opuseram a ele. Hirão, rei de Tiro, parece ter reconhecido, de uma forma ou de outra, que Davi é o rei de Deus e, quando se oferece para ajudá-lo na construção do palácio, ele demonstra sua sumissão ao rei de Deus (5:11-12). Tomando para si mais mulheres e tendo mais filhos, Davi prospera como o rei de Deus (5:13-16). Os filisteus, entretanto, não se submetem a Davi como o rei de Deus. Eles o atacam, procurando eliminá-lo, para afastar a ameaça imposta por ele e a nação unida de Israel (5:17-25). Não apenas uma, mas duas vezes, eles atacam Davi e o exército de Israel. E duas vezes Deus dá a Davi a vitória sobre seus inimigos. Os que aceitaram Davi como o rei de Deus foram abençoados; os que o rejeitaram foram esmagados.

Com toda a certeza, Davi é um tipo do “Filho de Davi” que está por vir; o Rei de Deus que virá à terra para derrotar Seus inimigos e reinar sobre Seu povo.

“Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.”  (Salmo 2:1-12)

Este salmo fala profeticamente do dia em que Deus investirá o Seu Rei, o Senhor Jesus Cristo, em Seu trono. Os inimigos de Deus e do bem tentarão se unir para resistir a Ele e destruir o Seu reino. É óbvio que essa resistência é tola e desastrosa. Quando Deus estabelecer o Seu Rei em Seu trono, ninguém será capaz de se opor a Ele ou destruí-lO. Aqueles que tentarem serão esmagados. Só existe uma resposta sábia à vinda do Rei de Deus: submeter-se humildemente a Ele - pois nisso há grande bênção (versos 10-12)

Davi serve como um protótipo de nosso Senhor Jesus Cristo como o Rei de Deus, sobre o Qual nos fala o Salmo 2. Aqueles que se opuseram a Davi foram finalmente esmagados. Aqueles que se submeteram a ele foram abençoados. Quando nosso Senhor veio à terra há 2.000 anos, Deus deixou claro que Ele era, de fato, o Seu Filho, o Seu Rei:

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo.” (Mateus 17:1-6)

“Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão. Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” (Marcos 1:9-11)

“Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. (Lucas 1:30-33)

“Jesus viu Natanael aproximar-se e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo! Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (João 1:47-49, ver também Mateus 2:1-6)

A despeito de todas as evidências, muitos religiosos preferiram rejeitar Jesus como o Messias de Deus. Eles se agarraram a pequenas coisas para provar a si mesmos e aos outros que ele não poderia ser o Rei de Deus. No entanto, todas as suas tentativas falharam. Quando O cruficicaram e O mataram, eles pensaram ter triunfado mas, quando Deus o ressuscitou de entre os mortos, ficou claro que foi Ele quem trinfou.

Jesus Cristo é o Rei de Deus. Quando nosso Senhor veio à terra pela primeira vez, Ele acrescentou à Sua deidade uma humanidade imaculada. Embora tenha sido apresentado como o Rei de Deus, Ele foi rejeitado e crucificado pelos homens pecadores. O propósito de Sua primeira vinda não foi estabelecer o Seu reino destituindo o governo de Roma, mas sim morrer pelo pecado dos homens, a fim de que eles pudessem entrar em Seu reino. Aqueles que confiam nEle para serem perdoados de seus pecados e para receberem o dom da vida eterna, aguardam Sua segunda vinda. Será no futuro que Ele derrotará Seus inimigos e estabelecerá Seu governo sobre a terra. Aqueles que o rejeitarem como o Rei de Deus serão derrotados, tal como os inimigos de Davi. Não há assunto mais importante para você resolver do que o seu relacionamento com Jesus Cristo, o Rei de Deus. Os que forem Seus amigos reinarão com Ele. Os que forem Seus inimigos serão destruídos. Que você seja como Hirão, rei de Tiro, não como os filisteus, que se colocaram contra Davi e contra Deus.

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2:5-11)

Tradução: Mariza Regina de Souza

 

 

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