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Saul, Jônatas e os Filisteus (I Samuel 13:15 --14:15)

Introdução

Tenho uma foto tirada no ano passado quando participava de uma pescaria com três amigos que retrata muito bem minhas recordações desse passeio. A foto foi tirada de cima prá baixo, quando meu amigo Bart Johnson estava no topo mais alto de uma montanha. A primeira coisa que você vê é a ponta das botas de Bart - depois, seus olhos podem captar um declive acentuado que, na realidade, é a encosta de um rochedo - até o lago embaixo. Não subi até lá com Bart e seu irmão Randall. Mas também estava no topo de uma espécie de rochedo - seguramente aninhado debaixo de uma árvore - e a descida era de apenas uns 20 a 25 pés (6 a 7 metros) até a água. Lançando meu anzol sem entusiasmo, via as trutas observarem minha isca, beliscando de vez em quando - até levei a isca para perto de alguns peixes bem interessantes - do meu cantinho debaixo da árvore.

Meus amigos Bart e Randall não pescaram com segurança e conforto. Quando perguntaram aos guardas florestais sobre a pesca em determinado lago, um deles respondeu: “Oh, eu não tentaria pescar naquele lago. É um lago afastado, e vocês têm que andar 600 metros montanha acima e depois descer outro tanto para chegar até lá.” Isso era tudo o que Bart e Randall precisavam ouvir; eles empacotaram suas coisas e se puseram a caminho. Disseram que a pescaria ali foi tão boa que, quase todas as vezes em que lançaram o anzol, pegaram alguma coisa. Talvez sim, mas vi suas fotos no topo daquele penhasco íngreme e cortante que eles tiveram que subir e descer para voltar. Não fiquei triste por ter ficado no meu refúgio de pesca favorito, poucos metros acima da água.

Ler a narrativa da campanha pessoal de Jônatas contra os filisteus neste texto me faz lembrar da foto de Bart e Randall encarapitados no topo daquele penhasco. Exatamente como fiz na pescaria, Saul descansa tranqüilamente à sombra de uma árvore, enquanto Jônatas e seu escudeiro escalam um sólido rochedo para lutar com a guarnição dos filisteus. Nem a subida, nem as chances impressionantes a favor dos filisteus impedem Jônatas de lutar com estes inimigos de Israel. Mas, como veremos, há muito mais nesta história do que apenas uma escalada perigosa. Conforme estivermos considerando atentamente esta passagem, aprenderemos muito mais sobre Saul e Jônatas - e sobre confiar em Deus.

Revisão

Israel exige um rei e Deus promete atender seu pedido (I Samuel 8). Mediante uma série de acontecimentos, Deus designa Saul como rei de Israel (capítulos 9 e 10). Quando Naás e os amonitas ameaçam Jabes-Gileade, Saul está possuído pelo Espírito de Deus e abate uma junta de bois, enviando os pedaços por toda a terra, ameaçando fazer o mesmo aos bois de qualquer um que se recuse a defender seus irmãos. Isto resulta numa tropa de 330.000 israelitas para guerrear contra os amonitas e numa grande vitória israelita (capítulo 11). Samuel avisa os israelitas para não ficarem otimistas demais com o novo rei, lembrando-lhes que é Deus, não os homens, quem tem livrado Seu povo ao longo da história de Israel. Se os israelitas se rebelarem contra Deus, não confiando e obedecendo a Ele, eles, junto com seu rei, serão entregues a seus inimigos. Se eles realmente temerem a Deus, então Deus terá misericórdia deles e de seu rei (capítulo 12).

Agora, no capítulo 13, as coisas rapidamente começam a azedar para Israel e para Saul, seu rei. O ataque de Jônatas à sua guarnição deixa os filisteus muito irritados e ocasiona um aumento maciço de suas tropas em Israel. À medida que o capítulo se desenrola, as coisas parecem ir de mal a pior. Saul é obrigado a reunir os israelitas para a guerra depois de ter acabado de mandá-los prá casa. Os voluntários são poucos e esparsos e, quando percebem o tamanho do exército filisteu, começam a desertar, escondendo-se em qualquer lugar. Quando Samuel demora a chegar, Saul assume seu papel, oferecendo o holocausto e pretendendo oferecer as ofertas pacíficas. Samuel chega logo após o holocausto, rejeitando as desculpas esfarrapadas de Saul e censurando-o por sua tolice. Além disso, ele anuncia a Saul que, devido à sua desobediência, seu reino não subsistirá, pois Deus escolheu como rei um homem cujo coração está em sintonia com o Seu (13:1-14).

Missão: Impossível
(13:15-23)

“Então, se levantou Samuel e subiu de Gilgal a Gibeá de Benjamim. Logo, Saul contou o povo que se achava com ele, cerca de seiscentos homens. Saul, e Jônatas, seu filho, e o povo que se achava com eles ficaram em Geba de Benjamim; porém os filisteus se acamparam em Micmás. Os saqueadores saíram do campo dos filisteus em três tropas; uma delas tomou o caminho de Ofra à terra de Sual; outra tomou o caminho de Bete-Horom; e a terceira, o caminho a cavaleiro do vale de Zeboim, na direção do deserto. Ora, em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava, porque os filisteus tinham dito: Para que os hebreus não façam espada, nem lança. Pelo que todo o Israel tinha de descer aos filisteus para amolar a relha do seu arado, e a sua enxada, e o seu machado, e a sua foice. Os filisteus cobravam dos israelitas dois terços de um siclo para amolar os fios das relhas e das enxadas e um terço de um siclo para amolar machados e aguilhadas. Sucedeu que, no dia da peleja, não se achou nem espada, nem lança na mão de nenhum do povo que estava com Saul e com Jônatas; porém se acharam com Saul e com Jônatas, seu filho. Saiu a guarnição dos filisteus ao desfiladeiro de Micmás.” (I Sam. 13:15-23)

Voltamos à história com Samuel deixando Saul em Gilgal e subindo para Gibeá e, ao que parece, sem “mostrar-lhe o que deveria fazer” (10:8). Samuel não dá a Saul nenhuma orientação de como ele deve lidar com a invasão em massa dos filisteus, resultante do ataque de Jônatas à sua guarnição em Geba (13:3, ver também 10:5). Preparando-se para a guerra, Saul conta suas tropas, descobrindo que há 600 homens com ele prontos para lutar. Tendo em vista os milhares de soldados das tropas filistéias, as chances se acumulam contra Israel e seu novo rei.

Talvez imaginemos uma espécie de distância entre o exército filisteu, acampado em Micmás, e as forças israelitas sob o comando de Saul e Jônatas, acampadas em Geba (13:16). Mas este não é bem o caso. Enquanto o exército principal dos filisteus parece estar entrincheirado em Micmás, três destacamentos de “saqueadores” são enviados por todo Israel (13:17, 14:15). Um é enviado para o norte em direção a Ofra, outro para oeste em direção a Bete-Horom, e o terceiro para leste em direção ao deserto (os israelitas estão ao sul). Estas tropas de saqueadores, ou destruidores, parecem ser ”forças especiais” cuja função é matar, queimar ou destruir a vida humana, o gado, as construções ou a colheita. Quanto mais longe puderem ir, destruindo tudo pelo caminho, pior será para Israel. Se os filisteus não forem derrotados e expulsos, haverá muitos problemas para a nação.

Brutalmente excedidos em número, os israelitas estão tão apavorados que desertam em bandos. Saul imprudentemente ofereceu o holocausto e foi censurado por Samuel. As tropas de saqueadores estão percorrendo a terra, deixando atrás de si um rastro de destruição. E agora, os poucos remanescentes das tropas israelitas estão mal equipados, se comparados aos filisteus. Para estes, pelo menos, a Idade do Ferro já chegou. Sua tecnologia permite que tenham espadas e lanças de ferro e carruagens com rodas de ferro. Seus agricultores têm ferramentas afiadas e que não se quebram com facilidade. Os israelitas não possuem a tecnologia dos filisteus. Os filisteus vendem implementos agrícolas de ferro aos israelitas, mas não armas de ferro, e nem permitem que eles fabriquem ou possuam tais armas. Isto dá aos filisteus um avanço decisivo (perdão pelo trocadilho) sobre israelitas. O escritor nos fala deste “avanço” e que somente Saul e Jônatas possuem espadas (13:22). As coisas não parecem boas para Israel.

Nas questões agrícolas, os israelitas praticamente dependem dos filisteus. Eles precisam comprar suas ferramentas deles e depois pagar para afiá-las. Todos os dias os israelitas são relembrados de sua sujeição aos filisteus. Militarmente falando, as coisas parecem sem solução. Os filisteus têm um vasto e bem equipado exército e destacamentos de saqueadores que percorrem Israel à vontade, levando morte e destruição. Israel tem um pequeno exército de homens apavorados, muitos dos quais estão desertando, com alguns até mesmo se juntando aos filisteus (ver 14:21). Na melhor das hipóteses, o rei de Israel está desanimado. Com uma tecnologia infinitamente inferior, os israelitas estão num beco sem saída.

Lembro-me da “guerra dos seis dias” entre Israel e seus vizinhos, em junho de 1967. Lembro-me bem desta guerra porque minha esposa e eu estávamos nos preparando para partir para o seminário em Dallas, Texas. Nós nos perguntávamos se o Senhor viria antes de chegarmos lá. Ouvíamos as notícias de que Israel era inferior em homens e em armas e, por isso, vulnerável. Como estavam erradas as estimativas das chances de sucesso de Israel! Como a guerra terminou rapidamente; tudo, creio, devido ao cuidado providencial de Deus para com Seu povo.

A Estupidez de Saul e a Fé de Jônatas
(14:1-15)

“Sucedeu que, um dia, disse Jônatas, filho de Saul, ao seu jovem escudeiro: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está do outro lado. Porém não o fez saber a seu pai. Saul se encontrava na extremidade de Gibeá, debaixo da romeira em Migrom; e o povo que estava com ele eram cerca de seiscentos homens. Aías, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote do SENHOR em Siló, trazia a estola sacerdotal. O povo não sabia que Jônatas tinha ido. Entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas procurava passar à guarnição dos filisteus, deste lado havia uma penha íngreme, e do outro, outra; uma se chamava Bozez; a outra, Sené. Uma delas se erguia ao norte, defronte de Micmás; a outra, ao sul, defronte de Geba. Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, o SENHOR nos ajudará nisto, porque para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos. Então, o seu escudeiro lhe disse: Faze tudo segundo inclinar o teu coração; eis-me aqui contigo, a tua disposição será a minha. Disse, pois, Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens e nos daremos a conhecer a eles. Se nos disserem assim: Parai até que cheguemos a vós outros; então, ficaremos onde estamos e não subiremos a eles. Porém se disserem: Subi a nós; então, subiremos, pois o SENHOR no-los entregou nas mãos. Isto nos servirá de sinal. Dando-se, pois, ambos a conhecer à guarnição dos filisteus, disseram estes: Eis que já os hebreus estão saindo dos buracos em que se tinham escondido. Os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao seu escudeiro e disseram: Subi a nós, e nós vos daremos uma lição. Disse Jônatas ao escudeiro: Sobe atrás de mim, porque o SENHOR os entregou nas mãos de Israel. Então, trepou Jônatas de gatinhas, e o seu escudeiro, atrás; e os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele. Sucedeu esta primeira derrota, em que Jônatas e o seu escudeiro mataram perto de vinte homens, em cerca de meia jeira de terra. Houve grande espanto no arraial, no campo e em todo o povo; também a mesma guarnição e os saqueadores tremeram, e até a terra se estremeceu; e tudo passou a ser um terror de Deus.”

Quando estava no seminário, numa aula do Dr. Bruce Waltke, ele fez uma comparação entre Jacó e Isaque e descreveu Jacó dizendo: “Se Isaque era uma brisa; Jacó era um furacão!” Devo admitir que, quanto mais leio sobre Saul, menos gosto dele. Vamos rever aquilo que dissemos a seu respeito. No capítulo 8, o povo exige um rei. Nos capítulos 9 e 10, Saul é divinamente designado como rei de Israel. Mais, Saul é divinamente capacitado para ser rei de Israel pelo Espírito Santo que desce sobre ele. Estou particularmente interessado na descida do Espírito sobre Saul e nas implicações desse acontecimento conforme dito por Deus por meio de Samuel:

“Então, seguirás a Gibeá-Eloim, onde está a guarnição dos filisteus; e há de ser que, entrando na cidade, encontrarás um grupo de profetas que descem do alto, precedidos de saltérios, e tambores, e flautas, e harpas, e eles estarão profetizando. O Espírito do SENHOR se apossará de ti, e profetizarás com eles e tu serás mudado em outro homem. Quando estes sinais te sucederem, faze o que a ocasião te pedir, porque Deus é contigo. Tu, porém, descerás adiante de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocausto e para apresentar ofertas pacíficas; sete dias esperarás, até que eu venha ter contigo e te declare o que hás de fazer. Sucedeu, pois, que, virando-se ele para despedir-se de Samuel, Deus lhe mudou o coração; e todos esses sinais se deram naquele mesmo dia. Chegando eles a Gibeá, eis que um grupo de profetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de Deus se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles.” (I Sam. 10:5-10)

Os dois primeiros sinais são apenas para Saul, para convencê-lo de que as palavras de Samuel são palavras de Deus. A poderosa descida do Espírito sobre Saul é sinal para ele e para as pessoas que testemunham o fato (10:11-12). As palavras de Samuel para Saul, conforme registrado no verso 7, são muito importantes. Quando estes sinais forem realizados, Samuel diz a Saul que ele deve “fazer o que a ocasião pedir”, confiando que Deus estará com ele em tudo o que fizer. No verso 8, então, Samuel lhe dá instruções específicas a respeito de ir a Gilgal e esperar durante sete dias, quando ele oferecerá o holocausto e as ofertas pacíficas, e “declarará o que ele há de fazer”. Por que dois anos, ou mais, separam a descida do Espírito sobre Saul e sua viagem a Gilgal? Por que não ouvimos falar de nenhuma ação de Saul nesses anos intermediários entre sua capacitação e sua ida a Gilgal?

Temos que admitir que Saul realmente conclama os israelitas a irem à guerra contra os amonitas, para proteger seus irmãos em Jabes-Gileade (capítulo 11). Conforme leio o texto, vejo que esta não é uma decisão tomada conscientemente por Saul, mas uma manifestação imediata do Espírito agindo sobre ele de maneira incomum - Saul não age até que o Espírito aja. Enfim, nem mesmo é Saul quem inicia a guerra contra os amonitas; é o Espírito de Deus.

Anteriormente Deus havia levantado juízes para livrar os israelitas de seus inimigos:

“E clamaram ao SENHOR e disseram: Pecamos, pois deixamos o SENHOR e servimos aos baalins e astarotes; agora, pois, livra-nos das mãos de nossos inimigos, e te serviremos. O SENHOR enviou a Jerubaal, e a Baraque, e a Jefté, e a Samuel; e vos livrou das mãos de vossos inimigos em redor, e habitastes em segurança.” (I Sam. 12:10-11)

É evidente que os israelitas querem (exigem) um rei para liderá-los na guerra (ver 8:19-20). Há um acréscimo muito interessante no texto da Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) no capítulo 10, verso 1. Numa nota à margem do verso 1, a Nova Versão King James nos diz o que foi acrescentado:

LXX, Vg. acréscimo - E livrarás Seu povo das mãos de todos os seus inimigos em derredor. E isto te será por sinal de que Deus te ungiu para seres príncipe.

Mais à frente, no capítulo 14, a administração de Saul como rei de Israel é resumida desta maneira:

“Tendo Saul assumido o reinado de Israel, pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, os filhos de Amom e Edom; contra os reis de Zobá e os filisteus; e, para onde quer que se voltava, era vitorioso. Houve-se varonilmente, e feriu os amalequitas, e libertou a Israel das mãos dos que o saqueavam.” (I Sam. 14:47-48)

Se entendo corretamente o texto, Israel exige um rei que os livre dos inimigos ao seu redor como fizeram os juízes anteriormente. Deus lhes dá Saul como rei, o qual deve livrá-los de seus inimigos, sendo que, tanto ele quanto a nação devem confiar em Deus e obedecer aos Seus mandamentos. O Espírito de Deus desce sobre Saul, como fez com Sansão e tantos outros, para capacitá-lo a conduzir os israelitas vitoriosamente contra seus inimigos. Assim que o Espírito desce sobre ele, Samuel lhe dá instruções, e ele deve agir de forma apropriada, confiando que Deus estará com ele para livrar Israel de seus inimigos.

Parece que Saul não é um homem espiritual. Apesar de Samuel ser conhecido por seu tio (10:14-16) e por seu servo (10:5-10), aparentemente ele é desconhecido para Saul, e isto numa época em que a profecia é muito rara (3:1). O ponto mais distante do circuito das viagens de Samuel (8:16-17) não fica a mais de 15 milhas da cidade de Saul, Gibeá. E sua casa em Ramá fica aproximadamente a 3 milhas de Gibeá, a cidade de Saul. Como pode um homem espiritualmente sensível nada saber a respeito de Samuel?

A situação só piora. Sabemos que, devido a ameaça a Jabes-Gileade, Saul se vê “forçado” a agir e reúne um exército de 330.000 israelitas. Já que os amonitas estão derrotados, por que Saul não vai em frente, expulsando também os filisteus? Afinal, é para isto que ele foi designado. Em vez disto, Saul manda os soldados de volta prá casa, ficando apenas com um exército esquelético, uma pequena força de 3.000 homens, e que está dividido em duas companhias. É como se ele não quisesse enfrentar os filisteus e só quisesse viver de seu status. Não é a iniciativa de Saul, mas a de seu filho, Jônatas, que provoca o confronto com os filisteus, levando-os à derrota.

Não é de se admirar que Samuel faça tanto esforço para relembrar aos israelitas que sempre foi Deus quem os livrou de seus inimigos. Também não é de se admirar que Samuel chame a nação ao arrependimento por colocar mais fé em seu rei do que em seu Deus. O capítulo 13 se concentra na nação de Israel e na ameaça dos filisteus, que não só ocupam Israel, mas que também ameaçam destruí-lo. O capítulo 14 se concentra em Saul e em seu filho Jônatas, de forma a retomar o contraste feito pelo autor entre os dois iniciado no capítulo 13.

Os filisteus, finalmente, estão em vantagem na região montanhosa de Judá e Benjamim, estabelecendo sua base principal em Micmás (13:16), ao que parece, no pico das montanhas que separam as planícies do vale do Jordão e as planícies litorâneas onde vivem. Cerca de 600 soldados ficam com Saul e Jônatas, enquanto o restante deserta escondendo-se dos filisteus ou juntando-se a eles (13:6-7; 14:20-22). Saul e seu “exército” estão acampados em Geba (13:16), e no capítulo 14 em Gibeá, um pouco mais ao sul e mais distante dos filisteus, que ainda estão em Micmás, ao norte.

Que contraste nosso autor faz entre Saul e seu filho, Jônatas. A nação de Israel está em guerra, desesperadamente excedida em número e miseravelmente equipada. E, mesmo assim, Saul se encontra debaixo “da romeira em Migrom” (14:2). Enquanto Saul fica fora do sol e à salvo, fora do alcance dos filisteus, seu filho Jônatas está prestes a enfrentar muitos deles, acompanhado por seu escudeiro. Esta é uma investida particular. Jônatas não pede a permissão de seu pai, nem o informa, e também não deixa que ninguém mais saiba de sua partida. Acho que ele sabe o que seu pai pensará de qualquer atitude agressiva contra os filisteus. Saul não quer ter problemas com eles, e Jônatas não quer mais que Israel seja atormentado por eles.

Eis Saul sentado à sombra de uma árvore (pelo que parece). Saul tem uma das duas únicas espadas de Israel. Junto com ele está Aías, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Finéias, e neto de Eli (14:3). Aías veste (ou carrega com ele) a estola sacerdotal, um dos meios para discernir a vontade de Deus (ver I Sam. 23:9-12, 30:6-8). Saul não consegue obter instruções de Samuel em Gilgal devido à sua desobediência (13:1-14), e agora ele tem a estola sacerdotal e um sacerdote com ele; contudo, não pergunta a Deus o que deve fazer.

Jônatas, no entanto, tem uma noção definida da vontade de Deus que o faz agir. Primeiro, ele conhece muito bem a vontade de Deus pela história de Israel e pela natureza do próprio Deus. Suas palavras a seu escudeiro são cheias de fé e senso de dever. São palavras que explicam sua confiança e ação e que incentivam a lealdade de seu escudeiro:

“Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, o SENHOR nos ajudará nisto, porque para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.” (14:6)

Os filisteus são “incircuncisos”, eles não possuem um relacionamento pactual com Deus como os israelitas. A aliança feita por Deus com Israel lhes dá a garantia de Sua presença e de Sua proteção contra seus inimigos. Deus os tirou da escravidão do Egito e lhes prometeu dar a terra de Canaã e a liberdade das nações ao seu redor. Com certeza, Israel não tem esta liberdade. As guarnições dos filisteus ocupam a terra e os israelitas não podem sequer cultivá-la sem ter que comprar as ferramentas e obter sua manutenção dos filisteus. Jônatas entende que Deus não pretende que Seu povo seja escravizado pelas nações ao seu redor. Ele entende que agora é responsabilidade do rei liderar o povo na guerra contra os inimigos de Israel e seu Deus. Ele também entende, pela natureza de Deus e pela história de Israel, que a vitória de Israel não depende do “braço da carne”, da quantidade de tropas ou do tipo de armas que possuem. Deus deu a vitória sobre os midianitas quando Gideão liderava 300 homens na batalha (ver Juízes 7). Se é da vontade de Deus que Israel prevaleça sobre seus inimigos, não são necessários 600 homens - podem ser apenas dois.

A questão na cabeça de Jônatas não é se Deus pode entregar os filisteus nas mãos dos israelitas, mas se isto é, ou não, da vontade de Deus. Saul tem o sacerdote e a estola sacerdotal, mas não se importa em perguntar a Deus. Ele prefere sentar-se à sombra de uma árvore! Por isso, Jônatas determina outra maneira de discernir a vontade de Deus com relação à sua intencionada investida contra a guarnição dos filisteus.

Jônatas busca um sinal de Deus que indique se ele e seu escudeiro devem atacar os filisteus. Micmás e Gibeá são dois pontos elevados do local. O acesso a Micmás é através do passo de Micmás, uma passagem muito estreita, aparentemente o curso de uma pequena correnteza. Os filisteus parecem ter uma pequena companhia de soldados em cima do passo, onde podem avistar e parar qualquer um que tente atravessá-lo. O plano de Jônatas é descer a face rochosa de um dos penhascos e tornar sua presença visível aos filisteus no topo do penhasco do outro lado da passagem. Se os filisteus demonstrarem que vão descer para atacá-lo e a seu escudeiro, eles não tentarão subir o penhasco onde eles estão. Se, no entanto, os soldados os desafiarem a subir, este será o sinal de que Deus quer que eles façam a perigosa escalada até o posto de observação dos filisteus e de que Ele dará a vitória a Israel.

Com total apoio de seu escudeiro, estes dois valentes israelitas se tornam visíveis, ao que parece quando descem a face do penhasco até o passo embaixo. Os sentinelas filisteus os avistam e supõem que estejam saindo de seu esconderijo nas rochas. Os filisteus, então, convidam os dois para subir, e Jônatas e seu escudeiro recebem isto como sinal de Deus de que Ele lhes dará a vitória.

Jamais poderia imaginar que os filisteus pudessem dizer tal coisa. Por que não jogam pedras e rochas sobre Jônatas e seu ajudante? Por que não despacham as tropas até o passo para matá-los? Por que, quando eles estão mais vulneráveis, enquanto escalam o penhasco rochoso, os filisteus não se aproveitam de sua vulnerabilidade e os matam com rapidez e facilidade? Acho que a resposta está no texto. Os filisteus convidam os dois para subir para “lhes dizer alguma coisa”. A princípio, pensei que isto fosse um desafio, e acho que poderia ser. Talvez as coisas estejam maçantes e enfadonhas, e os filisteus queiram uma pequena contenda; por isso, pretendem deixá-los vir ao topo, onde podem se engajar com eles.

Agora, estou inclinado a uma explicação diferente. Creio que os filisteus deixam Jônatas e seu escudeiro subirem para que se entreguem e se juntem a eles contra Israel. Os filisteus sabem que têm a vantagem. Sabem que possuem armas superiores e superam em muito os 600 soldados que seguem Saul. Sabem que podem enviar saqueadores por todo o país com pouquíssima resistência por parte dos israelitas. E eles já acrescentaram um certo número de israelitas às suas próprias tropas (14:21). Por que não permitir que estes dois israelitas assustados, que estão rastejando prá fora de seus buracos, se dêem por vencidos e se juntem ao exército vencedor? Com certeza, não é seguro para os filisteus assumirem esta posição, mas este é um sinal convincente, pelo menos na cabeça de Jônatas. E assim eles escalam esse penhasco íngreme e rochoso até os filisteus.

Os filisteus não barganharam pelo que veio a ocorrer. Jônatas começa a usar sua espada com destreza, e aqueles que ele deixa vivos atrás de si são despachados por seu escudeiro. Em pouco tempo e num pequeno espaço, o grupo de sentinelas é morto, tornando possível aos israelitas atravessarem o passo até Micmás e perseguirem os filisteus.

Mas, espere - como diz um comercial de TV de R$ 40,00 - tem mais! Se Deus está com Jônatas em seu ataque ao posto dos filisteus, agora Ele está prestes a mostrar Seu braço poderoso, dando a Israel a vitória sobre a guarnição dos filisteus em Micmás. Amo o jogo de palavras que se encontra nos capítulos 13 e 14:

“E os hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo veio atrás dele, tremendo...” (I Sam. 13:7)

“Houve grande espanto no arraial, no campo e em todo o povo; também a mesma guarnição e os saqueadores tremeram, e até a terra se estremeceu; e tudo passou a ser um terror de Deus.” (I Sam. 14:15)

Não era Elvis Presley que cantava: “Estou todo sacudido, uh, uh, uh...”? Bem, Deus “sacudiu” os filisteus. Tudo começa com as tropas israelitas que seguem Saul. Eles percebem como é fraca sua posição contra os filisteus. Eles também devem sentir a fraqueza da liderança de Saul. Eles estão com sérios problemas - como nosso autor nos informa, eles estão “sacudidos” (13:7). Isto impede Deus de dar a vitória a Israel? Claro que não! Deus passa a “sacudir” os filisteus.

Imagine, se puder, a presunçosa sensação de segurança que os filisteus devem sentir enquanto estão ocultos em Micmás. Para chegar até eles, o minúsculo exército israelita precisa atravessar o passo de Micmás, e uns vinte homens podem facilmente rechaçá-los. A segurança dos filisteus está numa estreita passagem, num ponto elevado das montanhas, protegido por rocha maciça, o que funciona muito bem, até ocorrer um terremoto. Agora, este lugar anteriormente seguro se transforma no lugar mais perigoso do mundo. Saul e suas sentinelas observam enquanto o exército filisteu se agita de um lado para o outro, provavelmente em sincronia com o solo, que se encrespa como os vagalhões do mar durante uma tormenta. Todas as coisas que antes pareciam garantir sua vantagem sobre os israelitas se tornam desvantagens. Em pânico e em movimento, eles matam uns aos outros com suas espadas, não os israelitas. Seus carros e cavalos são inúteis, uma vez que os animais aterrorizados se recusam a obedecê-los; fendas escancaram-se no solo e pedras rolam de todos os lados acima do passo. Em todos os lugares prevalece o pânico absoluto, impedindo qualquer ataque e atrapalhando qualquer retirada. Os filisteus se tornam seus próprios e piores inimigos, matando uns aos outros na insanidade daqueles momentos.

Conclusão

Que texto incrível, de onde se extraem muitos princípios e implicações para nós, cristãos da atualidade.

A primeira área de instrução e aplicação que salta desta passagem é a questão da liderança. Nos círculos cristãos atuais, a questão da liderança é a área principal das meditações, escritos e discussões. Infelizmente, muitas coisas ensinadas sobre liderança nos chamados círculos cristãos é simplesmente teoria secular, requentada e sacralizada. Uma vez que há uma infinidade desse material, não precisamos repetir o conceito secular de liderança. Saul e Jônatas proporcionam exemplos de liderança espiritual positiva e negativa. As palavras confiar e obedecer talvez não resumam tudo o que há para ser dito sobre a vida cristã mas, com certeza, descrevem as duas dimensões de maior importância. Saul é um homem quase sem fé. A palavra “medo” parece caracterizá-lo melhor. Ele teme dizer a seu tio que Samuel o ungiu como rei de Israel. Ele se esconde na bagagem quando sabe que será publicamente eleito como rei. Ele tem medo de perder suas tropas e por isso se vê forçado a oferecer o holocausto. E, parece que ele teme tanto enfrentar os filisteus, que faz o mínimo possível para atacá-los ou provocá-los.

O “Saul” que vemos no capítulo 11 é o “novo Saul”, que Deus faz surgir quando o Espírito desce poderosamente sobre ele. Mas este Saul não parece ir além do capítulo 11. É o “velho Saul” que encontramos em outros lugares. É o “velho Saul” que vemos descrito nos capítulos 13 e 14. Quando o “novo Saul” reúne os israelitas para a guerra, 330.000 se apresentam. Quando o “velho Saul” reúne Israel para ir a Gilgal, apenas uma pequena fração deste número se apresenta, e muitos deles desertam de medo. O medo de Saul é contagioso. Uma vez que ele não confia em Deus, nem O obedece, seus seguidores não confiam nele, nem o obedecem.

Como Jônatas é diferente - eis um homem de fé. Ele confia que Deus lhe dará a vitória sobre a guarnição dos filisteus no capítulo 13. Ele está disposto a enfrentar os filisteus no passo de Micmás, mesmo que isto envolva ter que escalar um penhasco íngreme com sua armadura, seguido unicamente por seu servo. Este é um homem que confia em Deus apesar da aparência das circunstâncias. E eis um homem que seu escudeiro está disposto a seguir na batalha, mesmo que isto pareça suicídio. Por que? Creio que é porque Jônatas não é apenas um homem de fé, mas um homem cuja fé é contagiosa. Os que estão com Saul tremem porque ele treme. Os que estão perto de Jônatas confiam em Deus porque ele confia.

Isto leva a uma definição muito simples de liderança espiritual:

Liderança espiritual começa com fé em Deus, a qual compele um homem a agir obedientemente, a despeito dos obstáculos e das circunstâncias adversas, e faz com que outros o sigam em sua obediência.

Enfim, liderança espiritual não é uma questão de aparência, charme ou técnicas de administração e motivação. Liderança espiritual é uma questão de homens e mulheres que confiam em Deus e obedecem à Sua palavra e, desta forma, levam outros a confiarem e a obedecerem com eles. Saul não é um líder espiritual, Jônatas é.

Uma segunda aplicação diz respeito à nossa avaliação do êxito dos líderes. Deixe-me tentar afirmar isto como princípio:

Quando os líderes são bem sucedidos, em última análise, é devido à graça de Deus e, muitas vezes, pode ser conseqüência da fidelidade de outras pessoas cujos ministérios de apoio não sejam tão evidentes.

Considere estes versos que falam sobre o êxito da liderança de Saul:

“Tendo Saul assumido o reinado de Israel, pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, os filhos de Amom e Edom; contra os reis de Zobá e os filisteus; e, para onde quer que se voltava, era vitorioso. Houve-se varonilmente, e feriu os amalequitas, e libertou a Israel das mãos dos que o saqueavam.” (I Sam. 14:47-48)

Não desejo tirar todo o crédito de Saul, mas realmente creio que nosso texto deixa bem claro que ele só é bem sucedido devido à graça de Deus, não devido à sua própria habilidade, coragem ou poder. E a vitória de Israel sobre os filisteus não é devido à sua iniciativa, mas devido à iniciativa de seu filho. Quantas vezes são aclamados como grandes líderes os que recebem as glórias pertencentes àqueles que, por detrás dos panos, os tornam grandes? São muitos os que procuram os refletores. Bem-aventurados aqueles que fazem seus superiores parecerem bem, enquanto se afastam dos refletores.

Uma terceira área de aplicação é a relação entre fé e ação. Pelo contraste entre ambos, Jônatas e Saul ilustram a maneira como a fé se comporta. Às vezes, a fé é demonstrada pela nossa espera, não pelo nosso trabalho. A fé espera quando nosso trabalho seria fruto de nossa desobediência. Abraão deveria ter esperado pelo filho prometido ao invés de tê-lo com Agar. Saul deveria ter esperado ao invés de oferecer o holocausto. Quando não existe maneira de agirmos com fé e obediência, devemos esperar que Deus aja de maneira que supra as nossas necessidades.

Em outras ocasiões, somos inclinados a esperar quando a fé deveria ser demonstrada pelas nossas obras. Saul, que não poderia esperar por Samuel (mesmo tendo sido ordenado a isso), está mais do que disposto a esperar para livrar Israel do cativeiro dos filisteus, que não só ocupam sua terra (suas guarnições), mas também oprimem economicamente os israelitas com o monopólio da exploração do ferro. Um agricultor não poderia sequer sustentar-se sem pagar caro por suas ferramentas, e depois pagar muitas outras vezes para mantê-las (afiadas). Saul parece ter intenção de manter seu status junto aos filisteus. Ele pode (e aparentemente o faz) esperar indefinidamente para expulsá-los de Israel. Eis uma ação necessária que requer fé; no entanto, Saul quer esperar. Seus ataques às suas guarnições provocam um confronto militar que resulta na derrota dos filisteus - e na glória de Deus. Quantas vezes esperamos quando deveríamos agir e agimos quando deveríamos esperar. Como saber quando agir? Quando a palavra de Deus nos instrui a isso. Quando esperar? Quando a palavra de Deus nos instrui a tal, e quando agir demonstra nossa falta de fé e nossa desobediência.

Quarto, como muitos outros, o nosso texto nos dá uma perspectiva inteiramente nova das situações que parecem impossíveis. Aqui, como em outros lugares, Deus conduz Seu povo a circunstâncias aparentemente impossíveis. Vemos novamente um princípio muito importante ilustrado em nosso texto:

Deus intencionalmente leva os homens a situações “impossíveis” para deixar perfeitamente claro que não podemos salvar a nós mesmos, e que Ele nos liberta de forma que toda a glória seja dada a Ele.

Em outro lugar na Bíblia lemos:

“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” (Isaías 42:8)

Diversas vezes na Bíblia Deus coloca os homens em situações impossíveis a fim de poder salvá-los de maneira a receber toda a glória por isso. Ele prometeu um filho a Abrão e Sarai, os quais, humanamente falando, estavam “mortos” com relação a poder ter filhos (ver Romanos 4:19), e eles tiveram um filho. Jesus sabia que Lázaro estava doente mas, deliberadamente esperou que ele estivesse morto para ir ao seu túmulo (ver João 11), a fim de poder demonstrar Seu poder sobre a morte ao ressuscitá-lo de entre os mortos.

Deus ama mostrar Sua força através das nossas fraquezas. O capítulo 13 de I Samuel mostra Israel e Saul em toda a sua fraqueza. Os soldados israelitas estão completamente inferiorizados em número e totalmente ultrapassados em suas armas. A despeito do que parece ser uma situação sem esperança, Deus lhes proporciona uma importante vitória sobre os filisteus. E isto acontece porque dois homens (um sem espada) confiam em Deus o suficiente para enfrentar os filisteus. Deus transforma o tremor dos israelitas no tremor de um terremoto, tão poderoso que traz confusão e caos às fileiras filistéias e, a maior parte dos que morrem ao fio da espada, morrem pelas mãos de seus irmãos filisteus.

Muitos cristãos parecem ter fé somente quando a vitória parece ser possível devido a esforços humanos, mas desmoronam quando as circunstâncias parecem impossíveis. Precisamos aprender com Jônatas que a vitória de Deus não depende das nossas forças, e com o apóstolo Paulo que a Sua força é manifestada através das nossas fraquezas (ver I Samuel 14:6; II Coríntios 12:9-10).

A ênfase nos círculos seculares (e, infelizmente, também nos círculos evangélicos) está no “poder do pensamento positivo”. Talvez haja ali um elemento de fé, mas há também um erro muito grave. Deus não é limitado por nossas habilidades, como demonstra a libertação de Saul, Jônatas e Israel dos filisteus. E Deus não é limitado pela nossa imaginação, nem pelos nossos pensamentos.

“mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (I Co. 2:9)

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef. 3:20-21)

Deus leva os pecadores ao ponto do desespero e da desesperança (em suas condições, em seu “fanatismo” e em seus pecados) para que deixem de confiar em si mesmos e se voltem para Ele. O que nenhum homem jamais foi capaz de fazer para salvar a si mesmo, Jesus Cristo o fez na cruz do Calvário. Ele viveu uma vida de perfeita obediência a Deus. Ele morreu, não por seus próprios pecados, mas pelos pecados dos homens. Jesus pagou a pena pelos nossos pecados e oferece aos homens pecaminosos e indignos o dom da Sua justiça e da vida eterna. Jesus pagou por tudo. Tudo o que precisamos fazer é admitir nosso pecado, nossa corruptibilidade e nossa total incapacidade de salvar a nós mesmos. O que é impossível aos homens é possível para Deus:

“Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus.” (Lc. 18:27)

Você já chegou ao seu limite? Já percebeu que receber o favor de Deus e alcançar o céu são coisas humanamente impossíveis? Se já, isto é uma bênção, se confia em Jesus Cristo para sua salvação.

Vamos concluir nosso estudo louvando a Deus junto com o apóstolo Paulo por Sua sabedoria em realizar coisas que achamos impossíveis, por meios que jamais poderíamos imaginar:

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:33-36)