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6. O Livro Profético

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Revelação (Apocalipse)

Introdução

Com o livro da Revelação, temos a conclusão e consumação da Bíblia enquanto revelação de Deus ao homem. Do mesmo modo que Génesis é o livro dos primórdios, Revelação é o livro da consumação, antecipando os eventos do fim dos tempos, o regresso do Senhor, o Seu reinado final e o estado eterno. Ao avançar-se na Bíblia, vai sendo introduzido e desenvolvido um conjunto de grandes temas, começando com Génesis e ideias como o céu e a terra; o pecado, sua maldição e a tristeza; o homem e sua salvação; Satanás, sua queda e condenação; Israel, sua eleição, bênção e disciplina; as nações, Babilónia e o babilonianismo; os reinos e o Reino. Porém, em última análise, todos estes encontram o seu cumprimento e resolução no Livro da Revelação. Os evangelhos e as epístolas começam a unir estes pontos, mas é apenas quando chegamos a Revelação que todos convergem numa grande consumação. Podemos esquematizar isto como se segue:

Autor e Título:

De acordo com o próprio livro, o nome do autor era João (1:4, 9; 22:8). Era um profeta (22:9) e líder, conhecido nas igrejas da Ásia Menor, a quem escreveu o livro da Revelação (1:4).

Tradicionalmente, este João tem sido identificado como o Apóstolo João, um dos discípulos de Nosso Senhor. A diferença de estilo relativamente ao Evangelho de João deve-se apenas à diferença na natureza deste livro, enquanto literatura apocalíptica.

Um pai da Igreja primitiva, Ireneu, afirma que João se instalou primeiro em Éfeso, sendo mais tarde preso e banido para a Ilha de Patmos, no Mar Egeu, para trabalhar nas minas, e que tal ocorreu durante o reinado do imperador romano Domiciano. Isto apoia a declaração do próprio autor quanto a escrever a partir de Patmos por causa do seu testemunho de Cristo (1:9).

Data: 90s d.C.

Domiciano reinou em Roma de 81 a 96 d.C.. Uma vez que Ireneu nos diz que João escreveu a partir de Patmos durante o reinado de Domiciano, e dado que tal é confirmado por outros escritores da Igreja primitiva, tais como Clemente de Alexandria e Eusébio, a maioria dos estudiosos conservadores acredita que o livro foi redigido entre 81-96 d.C.. Tal faria dele o último livro do Novo Testamento, logo após o Evangelho de João e suas epístolas (1, 2 e 3 João). Outros estudiosos conservadores crêem que foi escrito muito antes, por volta de 68, ou antes da destruição de Jerusalém.

Tema e Propósito:

A compreensão que se faz do tema depende, em certo grau, do método de interpretação de Revelação (confira abaixo). Segundo a perspectiva futurista de interpretação, o tema proeminente do livro diz respeito ao conflito com o mal, sob a forma de personalidades humanas energizadas por Satanás e respectivo sistema mundial, bem como à vitória triunfante do Senhor, que derrubará estes inimigos de modo a estabelecer o Seu reino, tanto no Milénio (os 1,000 anos de Revelação 20) como na eternidade.

Tal é conseguido levando o leitor e os ouvintes (1:3) aos bastidores, através das visões dadas a João, de modo a demonstrar a natureza demoníaca e a fonte do mal terrível que existe no mundo. Porém, Revelação demonstra ainda o poder conquistador que repousa no Leão da tribo de Judá, a Raiz de David. Este Leão é também o Cordeiro de pé, como que imolado, mas vivo, zangado, trazendo o julgamento da imponente santidade de Deus contra um mundo rebelde e pecaminoso.

Contudo, no estudo deste livro, a verdadeira questão é a forma como a pessoa o interpreta. Ryrie sintetiza as quatro perspectivas principais quanto à interpretação de Revelação, escrevendo:

Existem quatro pontos de vista principais a respeito da interpretação deste livro: (1) preterista, que olha as profecias do livro como já cumpridas durante a história antiga da Igreja; (2) histórica, que entende o livro como retratando o panorama da história da Igreja, desde os dias de João até ao fim dos tempos; (3) idealista, que considera o livro como sendo uma revelação ilustrada de grandes princípios em conflito constante, sem referência a eventos concretos; e (4) futurista, vendo a maioria do livro (Rv. 4-22) como uma profecia a aguardar cumprimento. A perspectiva futurista é a que se utiliza nestas notas, com base no princípio de interpretação literal do texto.1

Para mais acerca da interpretação deste livro e sua importância, consulte Studies in Revelation, disponível no website da Biblical Studies Foundation em www.bible.org.

Independentemente do método de interpretação, a maioria reconhece que foi redigido para assegurar os destinatários acerca do derradeiro triunfo de Cristo sobre todos os que se levantam contra Ele e o Seu povo.

Palavras-Chave:

Conforme declarado no título do livro, e uma vez que o mesmo revela a pessoa e obra de Cristo no Seu serviço à Igreja actual (capítulos 1-3) e futura (4-22), a palavra ou conceito-chave é a Revelação de Jesus Cristo.

Versículos-Chave:

  • 1:7. Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o trespassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Ámen.
  • 1:19-20. Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que, depois destas, hão de acontecer: 1:20 o mistério das sete estrelas, que viste na minha dextra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas.
  • 19:11-16. E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. 19:12 E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo; 19:13 e estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus; 19:14 e seguiam-no os exércitos no céu, em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro; 19:15 e da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso; 19:16 e no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.

Capítulos-Chave:

Decidir quais os capítulos-chave num livro como Revelação não é fácil, mas os capítulos 2-3, contendo as mensagens de promessas e avisos enviadas às sete igrejas, são certamente capítulos-chave. Adicionalmente, os capítulos 4-5, que preparam o leitor para o grande conflito revelado nos capítulos que se seguem, são também fundamentais. Neles vemos como apenas o Senhor Jesus, o Leão e o Cordeiro, é digno de abrir o livro dos selos, derramando o seu conteúdo sobre a terra. Por fim, os capítulos 19-22 são importantes na medida em que nos apresentam o fim da história, radicalmente diferente daquilo que vemos hoje em dia.

...Em Revelação 19-22, os planos de Deus para os últimos dias e para toda a eternidade são registados com termos explícitos. O estudo cuidadoso e a obediência aos mesmos trarão as bênçãos prometidas (1:3). As palavras de Jesus, "Eis que venho cedo", deverão ser guardadas no lugar mais alto da mente e no fundo do coração.2

Intervenientes-Chave:

Dado os papeis que desempenham, há um conjunto de intervenientes-chave neste livro. Tais são, antes de tudo, o Senhor Jesus, seguido de João, o autor, e também as duas testemunhas, a besta que sai do mar e o falso profeta. Finalmente, estas personagens formam um grupo importante em conjunto com a esposa que, no capítulo 19, regressa com o Senhor.

Como Cristo É Visto em Revelação:

Uma vez que Revelação é, de facto, "A Revelação de Jesus Cristo", demonstra a Sua glória, sabedoria e poder (1), retrata a Sua autoridade sobre a Igreja (2-3) e o Seu poder e direito de julgar o mundo (5-19). Enquanto revelação de Cristo, está carregada de títulos descritivos. Em particular, descreve Jesus Cristo (1:1) como a testemunha fiel, o primogénito de entre os mortos, o soberano dos reis da terra (1:5), o primeiro e o último (1:17), aquele que vive (1:18), o Filho de Deus (2:18), santo e verdadeiro (3:7), o Ámen, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus (3:14), o Leão da tribo de Judá, o Descendente de David (5:5), um Cordeiro (5:6), Fiel e Verdadeiro (19:11), o Verbo de Deus (19:13), Rei dos reis e Senhor dos senhores (19:16), Alfa e Ómega (22:13), a Estrela Radiosa da Manhã (22:16) e o Senhor Jesus Cristo (22:21).

Plano Geral:

I. Prólogo (1:1-8)

II. As Coisas Passadas (1:9-20)

III. As Coisas Presentes (2-3)

A. A Mensagem para Éfeso (2:1-7)

B. A Mensagem para Esmirna (2:8-11)

C. A Mensagem para Pérgamo (2:12-17)

D. A Mensagem para Tiatira (2:18-29)

E. A Mensagem para Sardes (3:1-6)

F. A Mensagem para Filadélfia (3:7-13)

G. A Mensagem para Laodiceia (3:14-22)

IV. As Coisas Preditas (4:1-22:5)

A. O Período de Tribulação (4:1-19:21)

1. O Trono no Céu (4:1-11)

2. O Livro Selado com Sete Selos e o Leão Que Também É um Cordeiro (5:1-14)

3. Os Juízos Selados (6:1-17)

4. Interlúdio: Os Redimidos da Tribulação (7:1-17)

5. Os Primeiros Quatro Juízos da Trombeta (8:1-13)

6. A Quinta e Sexta Trombetas e os Primeiros Dois Ais (9:1-20)

7. O Anjo e o Pequeno Livro (10:1-11)

8. O Templo, as Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta (11:1-19)

9. O Conflito Angélico (12:1-17)

10. A Besta e o Falso Profeta (13:1-18)

11. Anúncios Especiais (14:1-20)

12. Prelúdio às Últimas Sete Pragas (15:1-8)

13. Os Juízos das Taças (16:1-21)

14. O Juízo da Babilónia Religiosa (17:1-18)

15. O Juízo da Babilónia Comercial (18:1-24)

16. A Segunda Vinda de Cristo (19:1-21)

B. O Reinado de Cristo (Milénio) e o Grande Trono Branco (20:1-15)

1. Satanás Aprisionado (20:1-3)

2. Santos Ressuscitados (20:4-6)

3. Pecadores em Rebelião (20:7-9)

4. Satanás Condenado (20:10)

5. Pecadores Julgados (20:11-15)

C. O Estado Eterno (21:1-22:5)

1. A Descida da Nova Jerusalém (21:1-8)

2. A Descrição da Nova Jerusalém (21:9-27)

3. As Alegrias da Nova Jerusalém (22:1-5)

D. Epílogo (22:6-21)


1 Ryrie, p. 2009.

2 Wilkinson/Boa, p. 513.

Related Topics: Canon, Introductions, Arguments, Outlines, Prophecy/Revelation

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