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5. As Epístolas Não-Paulinas

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Introdução

Chegamos agora às oito epístolas finais do cânone do Novo Testamento, sete das quais têm sido frequentemente chamadas de Epístolas Gerais ou Católicas, embora Hebreus tenha sido excluída desta descrição. O termo Católicas foi usado no sentido de geral ou universal, de modo a distingui-las das Epístolas Paulinas, endereçadas a igrejas ou pessoas.1 No seu endereço (à excepção de 2 e 3 João), não se limitavam apenas a uma localidade. Como exemplo, Tiago é remetida “às doze tribos da dispersão” (1:1), tratando-se de uma designação para os crentes em qualquer lugar (provavelmente todos eles cristãos judeus naquele tempo). Em seguida, 1 Pedro é dirigida “aos eleitos que são estrangeiros e estão espalhados no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”, uma designação para os crentes nessas diversas áreas. As epístolas 2 e 3 João também foram incluídas neste grupo, embora fossem remetidas a indivíduos específicos. Devido a estas diferenças, neste estudo, estes oito livros são chamados simplesmente “as Epístolas Não-Paulinas”. Deverá ser notado que, enquanto as Epístolas Paulinas se intitulam de acordo com os seus destinatários, todas estas epístolas são intituladas de acordo com os nomes dos seus autores, à excepção de Hebreus.

De um modo geral, podemos dizer que Tiago e 1 Pedro são éticas, convocando os crentes a um santo caminhar com o Salvador. Segunda a Pedro e Judas são escatológicas, advertindo os crentes contra a presença de falsos doutores, chamando-os a batalhar pela fé. Hebreus e as Epístolas de João são primeiramente cristológicas e éticas, incitando os cristãos a permanecer em Cristo enquanto revelação final de Deus e cumprimento da aliança do Antigo Testamento, experienciando a Sua vida e não ultrapassando a verdade do evangelho.

Estas oito epístolas exercem uma influência desproporcional à sua extensão (menos de 10 porcento do Novo Testamento). Complementam as treze Epístolas Paulinas, oferecendo diferentes perspectivas acerca da riqueza da verdade cristã. Cada um dos cinco autores – Tiago, Pedro, João, Judas e o autor de Hebreus – tem uma contribuição distinta a fazer de acordo com o seu próprio ponto de vista. À semelhança das quatro abordagens complementares à vida de Cristo nos Evangelhos, estes escritores proporcionam um retrato abrangente da vida cristã, na qual a totalidade supera a soma das partes. Grandes como são as epístolas de Paulo, caso os escritos destes cinco homens não tivessem sido incluídos, a revelação do Novo Testamento após Actos estaria severamente limitada por uma só perspectiva apostólica.2

Hebreus

Autor e Título:

Durante cerca de 1,200 anos (desde 400 a 1600 d.C.), este livro foi comummente intitulado “A Epístola de Paulo aos Hebreus”, mas não havia unanimidade nos primeiros séculos a respeito da sua autoria. O título mais antigo e confiável é Pros Ebraious, “Aos Hebreus”.

Conforme mencionado, o autor é desconhecido. Muitas sugestões têm sido feitas e muitos argumentos elaborados têm sido propostos por estudiosos, mas o facto é que o autor não é nomeado em nenhuma parte do livro, sendo essencialmente, tal como o local de redacção, data e até o público-alvo, desconhecido. Ryrie escreve:

Muitas sugestões têm sido feitas para o autor deste livro anónimo – Paulo, Barnabé, Apolo, Silas, Áquila e Priscila e Clemente de Roma. Existem tanto semelhanças como diferenças em relação à teologia e estilo de Paulo, mas Paulo apela frequentemente à própria autoridade apostólica nas suas cartas, enquanto este escritor apela a outros, que eram testemunhas do ministério de Jesus (2:3). É mais seguro dizer, como fez o teólogo Orígenes no terceiro século, que apenas Deus sabe quem escreveu Hebreus.3

Devido à incerteza da sua autoria, o seu reconhecimento como parte do cânone do Novo Testamento foi, pelo menos no Ocidente, protelado até ao século quarto, altura em que foi finalmente aceite na Igreja ocidental através dos testemunhos de Jerónimo e Agostinho. Dado que Paulo era considerado autor pela Igreja oriental, esta epístola sempre foi aceite nessa região.

O problema da sua canonicidade foi novamente levantado durante a Reforma, mas a profundidade espiritual e qualidade de Hebreus deram testemunho da sua inspiração, apesar do seu anonimato.

No capítulo 13, os versículos 18-24 dizem-nos que este livro não era anónimo para os leitores originais, que evidentemente conheciam o autor. Por alguma razão, porém, a tradição eclesial primitiva dividiu-se quanto à identidade do autor. Parte da igreja atribuiu-a a Paulo; outros preferiram Barnabé, Lucas ou Clemente, e alguns escolheram o anonimato. Assim, a evidência externa não ajudará a determinar o autor.

A evidência interna deverá ser o último recurso, mas também aqui os resultados são ambíguos. Alguns aspectos da linguagem, estilo e teologia de Hebreus são muito similares às epístolas de Paulo e o autor também menciona Timóteo (13:23). Contudo, diferenças significativas têm conduzido a maioria dos estudiosos bíblicos a rejeitar a autoria paulina deste livro: (1) O estilo de grego em Hebreus é muito mais elegante e refinado do que aquele que se encontra em qualquer uma das reconhecidas epístolas de Paulo. (2) Em vista das afirmações consistentes de Paulo quanto a ser um apóstolo e testemunha ocular de Cristo, é pouco provável que usasse a fraseologia encontrada no capítulo 2, versículo 3: “a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram”. (3) A ausência da habitual saudação de Paulo, que incluía o seu nome, vai contra o firme padrão encontrado em todas as suas restantes epístolas. (4) Embora Paulo tenha usado tanto o texto hebraico como a Septuaginta para citar o Antigo Testamento, aparentemente o redactor de Hebreus não sabia hebreu, citando exclusivamente a partir da Septuaginta. (5) O uso comum de títulos compostos que Paulo fazia para se referir ao Filho de Deus não é observado em Hebreus, que usualmente se refere a Ele como Cristo, Jesus e Senhor. (6) Hebreus concentra-se no presente ministério sacerdotal de Cristo, mas os escritos de Paulo têm pouco a dizer acerca da obra presente de Cristo. Portanto, Hebreus parece não ter sido escrita por Paulo, embora o autor mostre uma influência paulina. De nenhum modo a autoridade de Hebreus está dependente da autoria paulina, especialmente dado que não declara ter sido escrita por Paulo.4

Os Destinatários:

Uma vez que os destinatários não são mencionados, ao contrário do que acontece nas Epístolas Paulinas, poderemos dizer algo sobre eles. A própria natureza do livro, com as suas abundantes citações do Antigo Testamento e a ênfase no sistema sacrificial, sugere fortemente que seriam hebreus. Escrevendo em The Bible Knowledge Commentary, Zane C. Hodges diz:

A identidade dos primeiros leitores de Hebreus permanece, tal como a do autor, desconhecida. No entanto, faziam evidentemente parte de uma comunidade particular. Tal torna-se aparente através de várias considerações. Os leitores tinham uma história definida e o autor referiu-se aos seus “dias de outrora” (Hb. 10:32-34); conhecia a sua generosidade presente e passada face a outros cristãos (6:10), e era capaz de ser específico acerca da sua condição espiritual actual (5:11-14). Para além disso, o autor tinha ligações definidas com eles e expressou a sua intenção de os visitar, talvez com Timóteo (13:19, 23). Também lhes pediu orações (13:18).

É muito provável que a maioria dos leitores tivesse origem judaica. Embora isto tenha sido questionado algumas vezes, o conteúdo da epístola defende-o. É claro que o antigo título “Aos Hebreus” poderá ser uma mera conjuntura, mas é natural. Quando se diz tudo o que é possível dizer a uma público gentio, permanece o facto de que a forte ênfase que o autor coloca sobre os protótipos judaicos e o seu ataque sincero contra a permanência do sistema levítico é melhor explicado caso o público seja largamente judeu, inclinado a voltar à sua antiga fé. O duro e extenso apelo à autoridade das Escrituras do Antigo Testamento também era mais apropriado para leitores que haviam sido criados com as mesmas.5

Data: 64-68 d.C.

Várias coisas sugerem uma data algures entre 64-68 d.C.. Primeiro, o livro foi citado por Clemente de Roma em 95 d.C., pelo que teve de ser redigido antes disso. Segundo, pelas razões que se seguem, parece bastante claro que o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém, em 70 d.C. Primeiro, caso um evento desta magnitude tivesse ocorrido, o autor teria certamente mencionado a destruição do templo e o fim do sistema sacrificial judeu, especialmente em vista do argumento deste livro. Segundo, ao falar do templo e das actividades sacerdotais, o autor usa o grego em tempo presente vez após vez, sugerindo que ainda estavam a ocorrer (veja 5:1-3; 7:23, 27; 8:3-5; 9:6-9, 13, 25; 10:1, 3-4, 8, 11; 13:10-11). Terceiro, em 13:23 o autor refere-se à recente libertação de Timóteo, que, se associada ao seu ministério para com Paulo em Roma, requer uma data nos finais de 60.

Tema e Propósito:

Claramente, o tema de Hebreus é a incomparável grandeza de Cristo ou a Sua superioridade e, consequentemente, a superioridade do Cristianismo face ao sistema do Antigo Testamento. Várias palavras – melhor, perfeito e celestial – são usadas de forma proeminente para demonstrar isto. Como propósito prioritário, o autor procura demonstrar como Cristo é superior ou melhor de cinco formas significativas. Enquanto Filho, Ele é (1) superior aos profetas do Antigo Testamento (1:1-3), (2) aos anjos (1:4-2:18), (3) a Moisés (3:1-6), (4) a Josué (3:7-4:16) e (5) ao sacerdócio de Aarão (5:1-10:18). O objectivo deste tema é advertir os seus leitores contra os perigos de trocar a matéria daquilo que possuem em Cristo pelas sombras temporárias do sistema do Antigo Testamento. Assim, os leitores são avisados para prosseguirem até à maturidade e recompensa de crentes fiéis, participantes do seu chamamento celestial. A fim de fazerem isto, existem cinco passagens de aviso, inseridas de modo a desafiá-los a progredir na sua fé cristã (2:1-4; 3:1-4:13; 5:11-6:20; 10:26-39; 12:14-29).

Palavras-Chave:

As palavras-chave são melhor, que ocorre cerca de treze vezes, perfeito, que ocorre nove vezes, e celestial, que ocorre seis vezes. Portanto, o conceito-chave em Hebreus é a superioridade ou a incomparável grandeza de Cristo.

Versículos-Chave:

  • 2:1-4 Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2:2 Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 2:3 como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram; 2:4 testificando, também, Deus, com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?
  • 4:12-13 Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. 4:13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes, aos olhos daquele com quem temos de tratar.
  • 4:14-16 Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão; 4:15 porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 4:16 Cheguemo-nos, pois, com confiança, ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.
  • 12:1-2 Portanto nós, também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado, que tão de perto nos rodeia, e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, 12:2 olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à dextra do trono de Deus.

Capítulos-Chave:

O capítulo 1, que tão fortemente declara a divindade de Cristo enquanto Filho e revelação final de Deus, é certamente um capítulo-chave, mas o capítulo 11 também se destaca como o grande Corredor da Fama e da Fé. Apontando para os numerosos santos do Antigo Testamento que viveram pela fé, demonstra a verdade de 11:6, “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se aproximar d’Ele é necessário que se creia primeiro que Ele existe e que recompensa os que O procuram”.

Como Cristo É Visto em Hebreus:

Cumprindo o objectivo de mostrar a superioridade de Cristo, Hebreus torna-se indubitavelmente o livro individual mais cristológico do Novo Testamento. Aqui, Ele é declarado Filho, o próprio esplendor e representação da essência de Deus (1:3, 13), aquele que se sentou à direita de Deus (1:3), aquele que foi declarado Deus por Deus Pai (1:8-9), Criador eterno (1:10-12) e Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque (7). Aqui, Cristo é apresentado como o Profeta, Sacerdote e Rei humano-divino. É visto como nosso Redentor que, tendo sido feito como os Seus irmãos, lidou de uma vez por todas com o nosso pecado e fez aquilo que os sacrifícios temporários jamais poderiam fazer. Como tal, encontra-se agora no Céu como nosso Grande Sumo Sacerdote, que simpatiza com as nossas fraquezas.

Plano Geral:

I. A Superioridade de Cristo Face aos Líderes da Antiga Aliança (1:1-7:28)

A. Cristo É Superior aos Profetas do Antigo Testamento (1:1-3)

B. Cristo É Superior aos Anjos (1:4-2:18)

C. Cristo É Superior a Moisés (3:1-6)

D. Cristo É Superior a Josué (3:7-4:13)

E. Cristo É Superior ao Sacerdócio Aarónico (4:14-7:28)

1. Exortação a permanecer firme (4:14-16)

2. Qualificações de um sacerdote (5:1-10)

3. Exortação a abandonar a letargia espiritual (5:11-6:12)

4. Certeza da promessa de Deus (6:13-20)

5. Cristo é superior à ordem sacerdotal (capítulo 7)

II. A Superior Obra Sacrificial enquanto Nosso Sumo Sacerdote (capítulos 8-10)

A. Uma Aliança Melhor (capítulo 8)

B. Um Santuário Melhor (9:1-12)

C. Um Sacrifício Melhor (9:13-10:18)

D. Exortações (10:19-39)

III. Apelo Final a Perseverar na Fé (capítulos 11-12)

A. Exemplos dos Heróis da Fé do Passado (capítulo 11)

B. Encorajamento a Perseverar na Fé (12:1-11)

C. Exortações a Perseverar na Fé (12:12-17)

D. Motivação para Perseverar na Fé (12:18-29)

IV. Conclusão (capítulo 13)

A. Princípios Práticos para a Vida Cristã (13:1-17)

B. Pedido de Oração (13:18-19)

C. Bênção (13:20-21)

D. Comentários Pessoais (13:22-23)

E. Saudações e Bênção Final (13:24-25)

Tiago

Autor e Título:

Esta epístola inicia-se com “Tiago de Deus... às doze tribos”6. De forma a indicar claramente o remetente, a Bíblia NET traduz “De Tiago, escravo de Deus... às doze tribos...7” Mas existiam quatro homens chamados Tiago no Novo Testamento. Os mesmos eram os seguintes: (1) o filho de Zebedeu e irmão de João (Marcos 1:19), (2) o filho de Alfeu (Marcos 3:18), (3) o pai de Judas (não o Iscariotes; Lucas 6:16), e (4) o meio-irmão do Senhor (Gl. 1:19). A este respeito, Ryrie escreve:

Dos quatro homens detentores do nome Tiago no Novo Testamento, apenas dois foram propostos como autores desta epístola – Tiago, filho de Zebedeu (e irmão de João), e Tiago, meio-irmão de Jesus. É improvável que o filho de Zebedeu tenha sido o autor, pois foi martirizado em 44 d.C. (Actos 12:2). O tom de autoridade da epístola não só exclui os dois “Tiagos” menos conhecidos do Novo Testamento (“Tiago Menor” e o Tiago de Lucas 6:16), mas também aponta para o meio-irmão de Jesus, que se tornou o líder reconhecido da igreja de Jerusalém (Actos 12:17; 15:13; 21:18). Esta conclusão é apoiada pelas semelhanças entre o grego desta epístola e o utilizado no discurso de Tiago no Concílio de Jerusalém (Tiago 1:1 e Actos 15:23; Tiago 1:27 e Actos 15:14; Tiago 2:5 e Actos 15:13).8

No texto grego, a partir de Tiago 1:1, o livro é simplesmente intitulado de Jakobos. O título antigo era Jakobou Epistle, “Epístola de Tiago”. Mas Tiago era realmente Jacob (Iako„bos). Desconhece-se a razão exacta pela qual os tradutores ingleses escolheram “Tiago” em detrimento de “Jacob”. “Tiago”, “Jake” e “Jacob” provêm todos da mesma raiz etimológica9. Traduções bíblicas em outras línguas tendem a utilizar o nome transliterado do hebreu yaàa†qo„b, “Jacob”. É possível questionar se o Rei James desejaria ver o seu nome na tradução inglesa que autorizou.

Destinatários:

Uma vez mais, dado o modo como Tiago se dirige aos destinatários, também aqui é preciso um comentário. Tiago dirige-se “às doze tribos da dispersão (diaspora), saúde”. Conforme é sugerido por “meus irmãos”, em 1:19 e 2:1, 7, trata-se de uma referência não à dispersão que ocorreu entre 66-70 d.C., mas aos judeus distantes da sua pátria, ao longo das dispersões passadas (veja Mt.1:11, 12, 17). Nos capítulos iniciais de Actos, judeus de todas as partes do mundo encontravam-se em Jerusalém para o Pentecostes (veja Actos 1:5). Muitos deles viram e ouviram o fenómeno do Pentecostes e começaram a acreditar em Cristo. Eventualmente, muitos regressaram às suas respectivas casas, em diversas regiões do mundo. Era para estes que Tiago estava a escrever. Outros, porém, vêem isto como uma referência aos cristãos judeus que haviam sido dispersos após a morte de Estêvão.10

Data: 45 ou 46 d.C.

Embora alguns sugiram uma data para Tiago tão antiga como o final dos 30s, e outros uma tão tardia como 150 d.C., a maioria dos estudiosos data o livro à volta de 45 d.C.. As razões são as seguintes: (1) Há um carácter judaico muito distinto no livro, sugerindo que terá sido escrito numa altura em que a igreja era ainda predominantemente judia. (2) Não há qualquer referência à controvérsia acerca da circuncisão dos gentios. (3) O termo grego synagoge (“sinagoga” ou “assembleia”) é usado para designar a assembleia ou local de assembleia da igreja, em detrimento do termo “igreja”, ekklesia (2:2). (4) A ausência de referência aos assuntos envolvidos no Concílio de Jerusalém, tais como a relação entre cristãos gentios e cristãos judeus (Actos 15:1 ss; 49 d.C.), sugere também uma data muito precoce.  (5) “As alusões aos ensinamentos de Cristo têm uma concordância verbal tão escassa com os Evangelhos sinópticos que a epístola provavelmente precedeu-os.”11

Tema e Propósito:

Existe uma controvérsia significativa a respeito da natureza exacta do tema e propósito desta epístola. A respeito desta polémica, Ron Blue escreve:

Poucos livros da Bíblia foram mais difamados do que o pequeno Livro de Tiago. A controvérsia recaiu sobre a sua autoria, data, destinatários, canonicidade e unidade.

É bem sabido que Martinho Lutero teve problemas com este livro. Chamou-lhe “epístola de palha”. Mas apenas é de “palha” na medida em que é “complicada”. Existem agulhas suficientes neste palheiro para picar a consciência de cada cristão enfadonho, derrotado e degenerado deste mundo. Esta é uma “epístola estimulante”, destinada a exortar e encorajar, a desafiar e condenar, a admoestar e revivificar, a descrever a santidade prática e conduzir os crentes em direcção ao objectivo de uma fé que funciona. Tiago é severamente ético e revigorantemente prático.12

Claramente, Tiago preocupa-se com possuir uma fé que funciona, uma fé vital, poderosa e funcional. Mas parte da controvérsia diz respeito à natureza dessa fé. Estará ele a escrever para que se desenvolvam as características da verdadeira fé, versus a fé falsa de um crente meramente professo, ou estará ele a falar acerca da fé genuína de um verdadeiro crente, mas cuja fé se tornou morta e inactiva e, por conseguinte, inútil? Alguns afirmariam que Tiago “usa efectivamente estas características como uma série de testes para ajudar o leitor a avaliar a realidade da sua relação com Cristo”.13 Outros enfatizariam que Tiago escreve para advertir os crentes acerca das consequências de uma fé morta e inactiva, tanto a nível pessoal como corporativo, e para estimulá-los ao crescimento e à verdadeira maturidade espiritual. Em linha com este foco, Blue tem um excelente resumo do propósito de Tiago:

O propósito desta potente carta é exortar os novos crentes à maturidade cristã e a uma vida santa. Esta carta lida mais com a prática da fé cristã do que com os seus preceitos. Tiago disse aos seus leitores como alcançar a maturidade espiritual através de uma posição confiante, serviço compassivo, discurso cuidadoso, submissão contrita e partilha solícita. Lidou com cada área da vida de um cristão: o que ele é, o que faz, o que diz, o que sente e o que tem.

Com o seu ensinamento algo severo sobre a santidade prática, Tiago mostrou o modo com a fé e o amor cristãos deverão ser expressos numa variedade de situações reais. As partes do livro aparentemente não relacionadas podem ser harmonizadas à luz deste tema unificador. As pérolas não ficam a rolar dentro de uma caixa qualquer; são cuidadosamente enfileiradas a fim de produzir um colar de inestimável beleza.14

Palavras-Chave:

Num livro de apenas cinco capítulos, a palavra ocorre dezasseis vezes. Isto, em conjunto com a forte ênfase na vida piedosa e com a repetição de obras treze vezes no capítulo 2, mostra que estas são as duas palavras-chave do livro.

Versículos-Chave:

  • 1:2-5. Meus irmãos, tende grande gozo quando caírdes em várias tentações, 1:3 sabendo que a prova da vossa fé obra a paciência. 1:4 Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma. 1:5 E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá, liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.
  • 1:19-27 Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. 1:20 Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. 1:21 Pelo que, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. 1:22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. 1:23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural; 1:24 porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de que tal era. 1:25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. 1:26 Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. 1:27 A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
  • 2:14-17. Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? 2:15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, 2:16 e algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos, e lhe não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 2:17 Assim, também, a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

Capítulos-Chave:

Escolher um capítulo-chave em Tiago é difícil, mas os capítulos 1 e 4 destacam-se certamente. O capítulo 1 é fundamental na medida em que nos dá informação vital acerca da natureza e propósito das provações e tentações. As provações desenvolvem o carácter e, quando misturadas com fé, originam a maturidade; as nossas tentações vêm de dentro, nunca de Deus. O capítulo 4 também é um capítulo-chave graças àquilo que nos ensina acerca das três fontes de contendas, da natureza adúltera do mundanismo, de se aproximar de Deus e de resistir a Satanás, que foge quando lhe resistimos e nos aproximamos de Deus. Outros temas-chave encontrados noutros capítulos são fé e obras (2:14-26), o uso da língua (3:1-12) e a oração pelos doentes (5:13-16).

Como Cristo É Visto em Tiago:

Em 1:1 e 2:1, Tiago refere-se especificamente ao “Senhor Jesus Cristo”, antecipando depois a Sua vinda em 5:7-8. “Nos 108 versículos desta epístola, existem referências ou alusões a 22 livros do Antigo Testamento e pelo menos 15 alusões aos ensinamentos de Cristo personificados no Sermão da Montanha.”15

Plano Geral:16

I. Permanecer com Confiança (capítulo 1)

A. Saudação e cumprimento (1:1)

B. Regozijar-se nas diversas provações (1:2-12)

1. Atitude nas provações (1:2)

2. Vantagem das provações (1:3-4)

3. Auxílio nas provações (1:5-12)

C. Resistir à tentação mortal (1:13-18)

1. Fonte da tentação (1:13-14)

2. Etapas na tentação (1:15-16)

3. Solução para a tentação (1:17-18)

D. Repousar na verdade divna (1:19-27)

1. Receptividade para a Palavra (1:19-21)

2. Responsividade para a Palavra (1:22-25)

3. Conformidade com a Palavra (1:26-27)

II. Servir com Compaixão (capítulo 2)

A. Aceitar os outros (2:1-13)

1. Cortesia para com todos (2:1-4)

2. Compaixão para com todos (2:5-9)

3. Consistência em tudo (2:10-13)

B. Assistir os outros (2:14-26)

1. Expressão da verdadeira fé (2:14-17)

2. Evidência da verdadeira fé (2:18-20)

3. Exemplos da verdadeira fé (2:21-26)

III. Falar com Cuidado (capítulo 3)

A. Falar com controlo (3:1-12)

1. A língua é poderosa (3:1-5)

2. A língua é perversa (3:6-8)

3. A língua encontra-se poluída (3:9-12)

B. Cultivar o pensamento (3:13-18)

1. A sabedoria é humilde (3:13)

2. A sabedoria é graciosa (3:14-16)

3. A sabedoria é pacífica (3:17-18)

IV. Submeter-se com Contrição (capítulo 4)

A. Transformar o ódio em humildade (4:1-6)

1. Causa do conflito (4:1-2)

2. Consequência do conflito (4:3-4)

3. Cura do conflito (4:5-6)

B. Transformar o julgamento em justiça (4:7-12)

1. Conselho para a justiça (4:7-9)

2. Vantagem da justiça (4:10-11)

3. Autor da justiça (4:12)

C. Transformar a vanglória em crença (4:13-17)

1. Afirmação de vanglória (4:13)

2. Sentença da vanglória (4:14)

3. Solução para a vanglória (4:15-17)

V. Partilhar com solicitude (capítulo 5)

A. Partilhar o que se possui (5:1-6)

1. Consternação pela riqueza (5:1)

2. Corrosão da riqueza (5:2-3)

3. Condenação da riqueza (5:4-6)

B. Partilhar a paciência (5:7-12)

1. Essência da paciência (5:7-9)

2. Exemplos de paciência (5:10-11)

3. Evidência da paciência (5:12)

C. Partilhar as orações (5:13-20)

1. Sensibilidade para com os necessitados (5:13)

2. Súplica pelos necessitados (5:14-18)

3. Importância dos necessitados (5:19-20)

Primeira a Pedro

Autor e Título:

Que o apóstolo Pedro é o autor está claramente expresso no versículo de abertura: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo” (1:1). Não só 1 Pedro foi universalmente reconhecida como obra do apóstolo Pedro pela Igreja primitiva, mas também há forte evidência interna que atesta a sua autoria. Quanto à evidência externa, Eusébio colocou 1 Pedro entre os homologoumena, e nenhum livro tem uma confirmação mais antiga ou forte do que 1 Pedro, conforme evidenciado por 2 Pedro 3:1.

A carta foi explicitamente atribuída a Pedro por aquele grupo de Pais da Igreja cujos testemunhos aparecem na confirmação de tantos escritos genuínos do Novo Testamento, nomeadamente Ireneu (140-203 d.C.), Tertuliano (150-222), Clemente de Alexandria (155-215) e Orígenes (185-253). Fica, portanto, claro que a autoria literária de Pedro goza de um apoio forte e antigo.17

A evidência interna para a autoria de Pedro é a seguinte: (1) Existem semelhanças claras entre esta carta e os sermões de Pedro registados em Actos (compare 1 Pd. 1:20 com Actos 2:23; 1 Pd. 4:5 com Actos 10:42). (2) Em Actos e 1 Pedro, a palavra grega xylon, “árvore, madeiro”, é usada por Pedro relativamente à cruz (confira Actos 5:30; 10:39; 1 Pd. 2:24). (3) Os temas, conceitos e diversas alusões às experiências de Pedro durante o ministério terreno do Senhor e a era apostólica apoiam também a autoria de Pedro (confira 1:8; 2:23; 3:18; 4:1; 5:1).

Mesmo com esta evidência, alguns estudiosos modernos têm desafio a autoria de Pedro em vários aspectos. Os seus argumentos e respectivas respostas encontram-se sumariados por Roger Raymer no que se segue:

Até tempos relativamente recentes, a autenticidade da afirmação da epístola relativamente à autoria apostólica permaneceu incontestável. Depois, alguns estudiosos modernos realçaram que Pedro era considerado “comum” e “sem instrução” pelos líderes religiosos judeus (Actos 4:13). O esplêndido estilo literário e uso sofisticado de vocabulário em 1 Pedro parecem indicar que o seu autor deveria ser mestre em grego. Os que negam a autoria de Pedro dizem que um tal pedaço artístico da literatura grega não poderia ter fluído da caneta de um pescador galileu.

Embora Pedro pudesse ser classificado como “sem instrução”, e embora o grego não fosse a sua língua materna, não era de modo algum “comum”. Os líderes judeus viam Pedro como não instruído simplesmente porque não fora treinado na tradição rabínica, e não porque fosse analfabeto. Lucas também registou (Actos 4:13) que esses mesmos líderes ficaram admirados com a confiança de Pedro e o poder da sua personalidade controlada pelo Espírito. O ministério público de Pedro abrangeu mais de 30 anos e levou-o de Jerusalém para Roma. Viveu e pregou num mundo poliglota. É razoável crer que, após três décadas, Pedro dominasse a língua da maioria daqueles a quem servia.

O estilo retórico e uso da metáfora empregados em 1 Pedro poderiam ser tão facilmente atribuídos quer a um orador público, quer a um estudioso literário. Certamente, Pedro dispunha de tempo e talento para se tornar um excelente comunicador do evangelho através da língua grega.

Quaisquer dúvidas adicionais sobre a autoria petrina que se baseiem no estilo linguístico podem ser respondidas pelo facto de que, aparentemente, Pedro usou Silvano como seu secretário (1 Pedro 5:12). Embora cristão de Jerusalém, Silvano era cidadão romano (Actos 16:36-37) e poderia ter grande facilidade no idioma grego. Mas quer Silvano tenha ou não ajudado Pedro com as nuances gramaticais do grego, o conteúdo da epístola permanece ainda assim a mensagem pessoal de Pedro, selada com a sua autoridade pessoal.18

Destinatários:

A epístola é endereçada “aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”. Pedro usou duas palavras-chave para descrever os destinatários, “forasteiros” (grego, parepide„mos, uma palavra que enfatiza residência temporária e nacionalidade estrangeira) e “dispersão” (grego, diaspora, “dispersão”). Esta palavra “refere-se normalmente aos judeus que não viviam na Palestina, espalhados ao longo do mundo mediterrânico. Porém, aqui é provavelmente metafórica, usada em relação aos cristãos gentios, espalhados como povo de Deus no meio de um mundo pagão”.19 Mas talvez Pedro tivesse em vista tanto crentes judeus como gentios:

1 Pedro dirige-se aos cristãos dispersos pelas cinco províncias romanas da península da Ásia Menor. Hoje em dia, essa área corresponde ao norte da Turquia. Nessas províncias, as igrejas eram compostas de judeus e gentios. A epístola é abundante em referências e citações do Antigo Testamento. Os cristãos judeus encontrariam uma relevância especial no termo diasporas,, traduzido “dispersão”, usado na saudação (1:1). Os judeus que viviam fora de Jerusalém eram descritos como vivendo na diáspora.

À luz do seu passado de completa ignorância relativamente à Palavra de Deus (1:14), os leitores gentios iriam reparar na exortação de Pedro a uma vida santa. Os cristãos gentios também se sentiriam fortemente encorajados pelo facto de que, embora tivessem estado na ignorância, eram agora considerados “povo de Deus” (2:10). Claramente, Pedro incluiu com cuidado tanto cristãos judeus como gentios na sua carta de encorajamento às igrejas da Ásia Menor.20

Data: 63-64 d.C.

A tradição eclesial associa Pedro na parte final da sua vida à cidade de Roma. Caso a referência à Babilónia em 5:13 seja uma referência críptica a Roma, esta carta foi escrita enquanto Pedro esteve em Roma, durante a sua última década de vida, por volta de 63 d.C., mesmo antes do surto da perseguição de Nero, em 64 d.C.. Pedro olha para o estado de forma harmoniosa ou quiçá conciliatória (veja 1 Pd. 2:13-17), algo que seria mais difícil (mas não impossível) numa data mais tardia, debaixo do despoletar das perseguições de Nero.

Tema e Propósito:

Embora 1 Pedro toque em diversas doutrinas e tenha muito a dizer sobre a vida e responsabilidades cristãs, o tema e propósito de 1 Pedro centram-se em torno do problema do sofrimento – particularmente sob a forma de perseguição devido à fé. Tem sido descrita como um guia ou manual, mostrando aos cristãos como deverão viver enquanto forasteiros e embaixadores de Cristo, num mundo estranho e hostil (1:1, 13-21; 2:11-12; 3:14, 17; 4:1, 13, 15, 16, 19).

Existem vários propósitos específicos neste livro. Destina-se a proporcionar orientação para os crentes perseguidos, (1) focando-se na revelação iminente de Cristo e sua salvação (1:3-12), (2) seguindo Cristo como exemplo perfeito no sofrimento (2:21 ss) e (3) vivendo no mundo de acordo com a sua vocação como povo especial de Deus, mantendo uma boa reputação no mundo gentio (2:4-12 ss; 4:1 ss.). Outros propósitos incluem demonstrar a ligação vital entre doutrina e prática (5:12) e encorajar à liderança piedosa e ao pastoreio do rebanho de Deus (5:1 ss), que é um elemento essencial na capacidade da Igreja para funcionar com eficiência num mundo hostil.

Palavra-Chave:

A palavra-chave e conceito é, obviamente, “sofrer por Cristo”. A palavra “sofrer” aparece sob várias formas cerca de dezasseis vezes no livro. Intimamente associado a isto, como grande fonte de esperança e conforto, encontra-se o conceito da revelação iminente e glória de Cristo, que será revelada ou manifestada aos crentes acompanhada pela libertação ou salvação derradeira (veja 1:5, 7, 12, 13; 4:13; 5:1, 10-11).

Versículos-Chave:

  • 1:3-7. Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. 1:4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós, 1:5 que, mediante a fé, estais guardados, na virtude de Deus, para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. 1:6 Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais, por um pouco, contristados com várias tentações, 1:7 para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro, que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.
  • 1:14-21. Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia na vossa ignorância; 1:15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós, também, santos, em toda a vossa maneira de viver; 1:16 porquanto está escrito: “Sede santos, porque eu sou santo.” 1:17 E, se invocais por Pai aquele que, sem parcialidade, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, 1:18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, 1:19 mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, 1:20 o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; 1:21 e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
  • 3:15-17. Antes santificai a Cristo, como Senhor, nos vossos corações; e estai sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós; 3:16 tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. 3:17 Porque melhor é que padeçais, fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quiser), do que fazendo mal.
  • 4:12-13. Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; 4:13 mas alegrai-vos no facto de serdes participantes das aflições de Cristo, para que, também, na revelação da sua glória, vos regozijeis e alegreis.

Capítulo-Chave:

Talvez devido à sua extensa orientação sobre como lidar com a perseguição, o capítulo quatro é o capítulo-chave de 1 Pedro.

Como Cristo É Visto em 1 Pedro:

Este livro está imbuído da pessoa e obra de Cristo. Através da ressurreição de Cristo, os cristãos adquirem “uma esperança viva” e “uma herança incorruptível” (1:3-4). Em várias passagens, Pedro fala da iminente glória e revelação de Cristo (1:7, 13; 4:13; 5:1). Também fala (1) da pessoa e obra de Cristo enquanto Cordeiro de Deus, que nos redimiu suportando os nossos pecados na cruz (1:18-19; 2:24), (2) de Cristo como nosso exemplo perfeito no sofrimento (2:21 ss) e (3) de Cristo como pastor Supremo e Guardião dos crentes (2:25; 5:4).

Plano Geral:

1 Pedro pode ser facilmente dividida em quatro secções: (1) a Salvação dos Crentes (1:1-12), (2) a Santificação dos Crentes (1:13-2:12), (3) a Submissão dos Crentes (2:13-3:12) e o Sofrimento dos Crentes (3:13-5:14).

I. A Salvação dos Crentes (1:1-12)

A. Saudação (1:1-2)

B. Esperança Futura (Viva) e Provações Presentes (1:3-9)

C. Salvação Presente e Revelação Passada (1:10-12)

II. A Santificação dos Crentes (1:13-2:12)

A. Convocação à Santidade (1:13-21)

B. Convocação ao Amor Mútuo Fervoroso (1:22-25)

C. Convocação a Desejar o Leite Puro da Palavra (2:1-3)

D. Convocação a Oferecer Sacrifícios Espirituais (2:4-10)

E. Convocação a Abster-se dos Desejos da Carne (2:11-12)

III. A Submissão dos Crentes (2:13-3:12)

A. Submissão ao Governo (2:13-17)

B. Submissão no Trabalho (2:18-25)

C. Submissão no Casamento (3:1-8)

D. Submissão em Todas as Áreas da Vida (3:9-12)

IV. O Sofrimento dos Crentes (3:13-5:14)

A. Conduta Necessária no Sofrimento (3:13-17)

B. Exemplo de Cristo no Sofrimento (3:18-4:6)

C. Recomendações no Sofrimento (4:7-19)

D. Guardas (Pastores) no Sofrimento (5:1-9)

E. Conclusão ou Bênção (5:10-14)

Segunda a Pedro

Autor e Título:

A autoria desta epístola é a mais disputada do Novo Testamento. Contudo, não só o autor se identifica claramente como Simão Pedro (1:1), mas também um conjunto de outras evidências internas apontam para ele como autor. Numa secção muito pessoal, quase como o testamento final de um pai moribundo, usa a primeira pessoa do singular para se referir a si mesmo (1:14), declara-se testemunha ocular da transfiguração (compare 1:16-18 com Mt. 17:1-5), afirma que esta carta é a segunda que envia aos leitores (3:1) e mostra o seu conhecimento pessoal do apóstolo Paulo, a quem chama “caríssimo irmão” (3:15). A respeito da autoria de Pedro, Ryrie escreve:

Muitos têm sugerido que outra pessoa que não Pedro escreveu esta epístola após 80 d.C., devido a (1) diferenças de estilo, (2) sua suposta dependência da epístola de Judas e (3) referência ao facto de as cartas de Paulo estarem a ser compiladas (2 Pd. 3:16). Porém, usar um escriba diferente, ou mesmo nenhum, também resultaria em alterações estilísticas; não há nenhuma razão pela qual Pedro não pudesse inspirar-se em Judas, embora seja mais provável que essa epístola tenha sido escrita depois de 2 Pedro; e 3:16 não se refere necessariamente a todas as cartas de Paulo, mas somente às que tinham sido escritas até àquele tempo. Para além disso, parecenças entre 1 e 2 Pedro apontam para um mesmo autor e a sua aceitação no cânone requer autoridade apostólica subjacente. Assumindo a autoria petrina, a carta foi redigida logo antes do seu martírio, em 67 d.C., mais provavelmente em Roma.21

Em The Bible Knowledge Commentary, Kenneth Gangel escreve:

No século quarto, a autoria petrina de 2 Pedro era fortemente defendida. Dois dos grandes teólogos da Igreja primitiva, Atanásio e Agostinho, consideravam 2 Pedro canónica. O Concílio de Laodiceia (372 d.C.) incluiu a epístola no cânone da Escritura. Jerónimo colocou 2 Pedro na Vulgata Latina (cerca de 404 d.C.). Adicionalmente, o grande terceiro Concílio de Cartago (397 d.C.) reconheceu a autoridade intrínseca e valor de 2 Pedro, afirmando formalmente que fora redigida pelo apóstolo Pedro.

Embora 2 Pedro seja o livro menos confirmado do Novo Testamento, o seu apoio externo ultrapassa de longe o de muitos outros livros bíblicos. A ausência de tradição eclesial antiga de suporte a 2 Pedro poderá certamente ser devida ao carácter breve da carta e à falta de comunicação entre cristãos durante tempos de perseguição intensa. Consequentemente, o silêncio do segundo século e a prudência do terceiro não colocam nenhum problema intransponível à erudição cuidadosa dos concílios canónicos do quarto século.22

Esta epístola é intitulada Petrou B, “Segunda de Pedro”, de modo a distingui-la da primeira carta escrita por Pedro.

Destinatários:

Esta é a segunda de duas cartas que Pedro escreveu a este grupo de crentes (veja 3:1) como uma espécie de testamento final, aviso e carta dos “últimos tempos” (1:14; 2:1 ss; 3:3), redigida no final da carreira do apóstolo (1:12-14). Escrevia a cristãos de fé preciosa, indubitavelmente a igrejas judias e gentias de “Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1 Pedro 1:1).

Data: 67-68 d.C.

Como uma espécie de carta de despedida, advertindo contra nuvens perigosas no horizonte, Pedro escreveu-a no final da sua carreira. De acordo com Eusébio, historiador da Igreja primitiva, Pedro foi martirizado durante as perseguições de Nero (por volta de 67–68 d.C.). É mais provável que a carta tenha sido redigida num desses anos.

Tema e Propósito:

Tal como o apóstolo Paulo advertia contra os perigos iminentes da apostasia nos últimos anos da sua vida e ministério (2 Timóteo), assim também Pedro advertia contra os perigos em permanente ascensão de falsos doutores, preditos pelos profetas, pelo Senhor e pelos Seus apóstolos (2:1; 3:1-3). O propósito desta carta breve encontra-se neste mesmo assunto, nesta ascensão de falsos doutores. Portanto, o propósito consiste em advertir contra estes perigos, com os quais a Igreja se depara.

Dado que Deus providenciou tudo o que é necessário para a vida e piedade (1:3), 2 Pedro é um apelo apaixonado para que o seu público cresça e amadureça em Cristo, para que não seja ocioso nem infrutuoso (1:8) e, com isto, como um alicerce, se guarde contra a corrente em ascensão de falsos doutores. Tal foi precipitado pelo facto de Pedro saber que o seu tempo na terra seria breve (1:13-15) e que o corpo de Cristo enfrentava perigo imediato (2:1-3). Assim, Pedro desejava refrescar as memórias deles e estimular o seu raciocínio (1:13; 3:1-2), de modo a que pudessem conservar, com firmeza, o seu ensinamento em mente (1:15). Para fazer isto, descreveu cuidadosamente qual deveria ser o aspecto dos crentes maduros, encorajando-os a crescer em graça e conhecimento do Salvador (confira 1:2-11; 3:18). Como apoio adicional para lidar com falsos doutores, recordou-lhes a natureza da Palavra de Deus enquanto seu alicerce seguro (1:12-21), avisando-os depois dos perigos iminentes dos falsos doutores, os quais também descreveu cuidadosamente, em conjunto com o seu julgamento certo (capítulo 2). Finalmente, encorajou os seus leitores com a certeza do regresso de Cristo (3:1-16). Com esta ênfase final no retorno do Senhor, Pedro deixou um último desafio. “Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis, em paz; vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes, crescei na graça e conhecimento do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade!” (3:14, 17-18).

Palavra-Chave:

A palavra ou conceito-chave de 2 Pedro é o de advertir contra os falsos profetas ou doutores e escarnecedores com palavras falsas (2:1-3; 3:3).

Versículos-Chave:

  • 1:3. Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude.
  • 1:20-21. Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.
  • 3:8-11. Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. 3:9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 3:10 Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão. 3:11 Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser, em santo trato e piedade,

Capítulos-Chave:

O capítulo 1 é o capítulo-chave de 2 Pedro, pois nele somos presenteados com uma das mais claras passagens acerca da natureza da inspiração da Bíblia. Enquanto 2 Timóteo 3:16 declara claramente o facto da inspiração, 2 Pedro 1:19-21 descreve o “como” da inspiração, e ainda mais. Mostra-nos que (1) a Escritura é absolutamente confiável, uma palavra segura de profecia, (2) que nenhuma profecia da Escritura surge a partir da própria imaginação do profeta, isto é, este não a originou, mas, em vez disso, (3) o Próprio Espírito Santo é a origem da Escritura, assegurando a sua exactidão. Veja a nota de rodapé retirada da Bíblia NET.23

Como Cristo É Visto em 2 Pedro:

Pedro fala de Cristo como fonte de vida e piedade e, mantendo o foco, refere-se a Cristo como “Senhor e Salvador” quatro vezes, mencionando-O catorze vezes como “Senhor”. Adicionalmente, faz referência à gloriosa transfiguração na montanha santa e aguarda a segunda vinda do Salvador, ou parousia. Nesse momento, todo o mundo verá aquilo que Pedro e outros dois discípulos tiveram o privilégio de observar nessa montanha santa.

Plano Geral:

I. Saudações (1:1-2)

II. O Desenvolvimento ou Cultivo de um Carácter Cristão (1:3-21)

A. O Crescimento da Fé (1:3-11)

B. Os Fundamentos da Fé (1:12-21)

III. A Denúncia ou Condenação dos Falsos Doutores (2:1-22)

A. Seu Perigo e Conduta (2:1-3)

B. Sua Destruição e Condenação (2:4-9)

C. Sua Descrição e Características (2:10-22)

IV. O Plano e Confiança para o Futuro (3:1-18)

A. O Escárnio dos Falsos Doutores (3:1-7)

B. A Demora do Dia do Senhor (3:8-9)

C. A Dissolução Após o Dia do Senhor (3:10-13)

D. A Diligência Necessária em Vista dos Perigos (3:14-18)

Primeira a João

Autor e Título:

Embora o nome do autor não se encontre na carta, tem sido tradicionalmente atribuída ao apóstolo João. Diversas referências por parte de escritores cristãos antigos, incluindo Ireneu, Clemente de Alexandria e Tertuliano, falavam de João como autor desta epístola. Da perspectiva de evidência interna, existem algumas diferenças estilísticas em relação ao evangelho de João, mas estas podem ser atribuídas às diferenças entre uma epístola e um evangelho. Para além disso, existem muitas similaridades sob a forma de palavras-chave (habitar ou permanecer) ou imagens contrastantes, tais como justiça e pecado, luz e trevas, vida e morte, amor e ódio, verdade e engano. Adicionalmente, o escritor foi uma das testemunhas originais do Salvador, conhecendo-O intimamente (1:1-5). Assim, há muitas expressões e frases similares: compare 1 João1:1 com João 1:1, 14; 1:4 com João 16:24; 1:6-7 com João 3:19-21; e 4:9 com João 1:14, 18; 3:36. Não existem boas razões para que este livro não seja atribuído ao apóstolo João.

Embora seja geralmente aceite que a mesma pessoa escreveu o evangelho de João e estas três epístolas, alguns acham que os textos não foram redigidos (ao contrário do que é tradicionalmente defendido) pelo apóstolo João, filho de Zebedeu, mas sim por outro João (o ancião ou presbítero, 2 João 1; 3 João 1). Argumenta-se que (1) um homem sem estudos (Actos 4:13) não poderia ter escrito algo tão profundo como este evangelho; (2) o filho de um pescador não conheceria o sumo sacerdote como o apóstolo João; e (3) um apóstolo não chamaria a si mesmo “ancião”. Porém, “sem estudos” não significava iletrado, mas somente sem treino formal nas escolas rabínicas; alguns pescadores eram abastados (confira Marcos 1:20); e Pedro, embora apóstolo, chamava a si mesmo “ancião” (1 Pedro 5:1). Para além disso, se João, o ancião, é o “discípulo predilecto” e autor do evangelho, porque não mencionou nesse evangelho João, filho de Zebedeu, uma figura importante na vida de Cristo? Toda a evidência aponta para que o ancião João seja a mesma pessoa que o apóstolo João, autor desta carta.24

Destinatários:

Ao longo de toda a epístola, existem versículos indicativos de que João estava a escrever para fiéis (2:1, 12-14, 19; 3:1; 5:13), mas João não indica em nenhum local quem eram ou onde viviam. Este facto pode sugerir que se tratava de uma carta circular, a ser trocada entre várias igrejas, talvez em torno da cidade de Éfeso, já que escritores cristãos antigos colocavam João em Éfeso durante os últimos anos da sua vida.

O uso confirmado mais antigo de 1 João ocorreu na província da Ásia (actual Turquia), onde se localizava Éfeso. Clemente de Alexandria indica que João serviu em diversas igrejas, dispersas por essa província. Pode assumir-se, portanto, que 1 João foi enviada às igrejas da província da Ásia.25

Data: 85-90 d.C.

É difícil datar com precisão esta e as restantes epístolas de João mas, uma vez que muitos dos temas e palavras são tão similares ao evangelho de João, é razoável assumir que foi escrita após o evangelho. Foi indubitavelmente redigida após o evangelho, mas antes das perseguições de Domiciano, em 95 d.C.. Por conseguinte, uma data razoável situa-se algures entre 85-90 d.C..

Tema e Propósito:

O tema do livro é comunhão com Deus através do Senhor Jesus (1:3-7). Em vista da heresia que estes crentes enfrentavam, quiçá uma forma primitiva de gnosticismo, João escreveu para definir a natureza da comunhão com Deus, que descreve como luz, amor e vida. Deus É luz (1:5), Deus É amor (4:8, 16) e Deus É vida (veja 1:1-2; 5:11-13). Assim, andar em comunhão com Deus significa caminhar na luz que conduz à experiência da Sua vida, amor pelos outros e justiça. O livro, portanto, fornece um conjunto de testes ou provas de comunhão, embora alguns os vejam como testes de salvação. Porém, de acordo com o tema, o ensinamento dos falsos doutores e a natureza crente do seu público, é melhor vê-los como testes ou provas de comunhão, testes relativos a permanecer e conhecer o Salvador numa relação íntima, na qual se experiencia a vida transformadora do Salvador nos crentes.

É difícil determinar a estrutura exacta da heresia com que estes cristãos se deparavam mas, de acordo com o conteúdo de 1 João, envolveria a negação da realidade da encarnação e a afirmação de que o comportamento pecaminoso não impediria a comunhão com Deus. Por conseguinte, João escreveu para os seus “filhinhos” (2:1, 18, 28; 3:7, 18; 5:21) devido a, pelo menos, cinco razões: (1) para promover a verdadeira comunhão (1:3 ss), (2) para experimentar a alegria completa (1:4), (3) para promover a santidade através da verdadeira comunhão (1:6-2:2), (4) para prevenir e guardar contra a heresia (2:18-27), e (5) para dar garantias (5:11-13).

Palavras-Chave:

O termo-chave é comunhão, conforme expressado nos termos comunhão (1:3, 6, 7), permanecer, permanece, etc. (2:6, 10, 14, 17, 27, 28; 3:6, 9, 14, 15, 17, 24; 4:12, 13, 15, 16). Outras palavras-chave são justo, justiça, luz, trevas, pecado e transgressão.

Versículos-Chave:

  • 1:5-2:2. E esta é a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz e não há nele trevas nenhumas. 1:6 Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. 1:7 Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. 1:8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 1:9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1:10 Se dissermos que não pecámos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. 2:1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo; 2:2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas, também, pelos de todo o mundo.
  • 5:11-13. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.

Capítulo-Chave:

Certamente, uma das passagens-chave em 1 João, e até mesmo no Novo Testamento, é o capítulo 1, graças à sua verdade a respeito do pecado, mesmo na vida do cristão. Andar na luz significa reconhecer honestamente o problema do pecado. Mais do que negar o pecado, este capítulo mostra-nos a necessidade de confessar o princípio do pecado (1:8), os pecados particulares ou pessoais (1:9) e a prática do pecado (1:10).

Como Cristo É Visto em 1 João:

O livro foca-se no actual ministério do Salvador na vida dos crentes, antecipando a Sua nova vinda. O Seu sangue limpa continuamente o crente de todo o pecado (1:7), bem como dos pecados pessoais e de toda a iniquidade, mediante a confissão do pecado (1:9). De facto, declara que Cristo é o nosso justo Intercessor diante do Pai (2:1), bem como a propiciação ou sacrifício expiatório, não só para os crentes, mas para todo o mundo (2:2); que Jesus é o Cristo que encarnou (2:22; 4:2-3); que veio pela água e pelo sangue, referência ao Seu baptismo e à cruz (5:6); e que virá novamente, altura em que O veremos e seremos como Ele (2:28-3:3).

Plano Geral:

I. Introdução e Propósito da Carta (1:1-4)

II. Condições Essenciais para a Comunhão (1:5-2:2)

A. Andar na Luz (1:5-7)

B. Confissão do Pecado (1:8-2:2)

III. Conduta Consistente Com a Comunhão (2:3-27)

A. O Carácter da Comunhão – Ser Como Cristo (2:3-11)

B. O Mandamento da Comunhão – Não Amar o Mundo (2:12-17)

C. As Precauções para a Comunhão – Guardar-se Contra o Anticristo (2:18-27)

IV. Características da Comunhão (2:28-5:3)

A. Pureza em Vista da Nossa Perspectiva (2:28-3:3)

B. Prática da Justiça em Vista da Morte de Cristo (3:4-24)

C. Provar (Testar) os Espíritos (4:1-6)

D. Modelo da Comunhão, Amar como Cristo Amou (4:7-5:3)

V. Consequências da Comunhão (5:4-21)

A. Vitória Sobre o Mundo (5:4-5)

B. Verificação das Credenciais de Cristo (5:6-12)

C. Verificação (Confiança) da Salvação do Crente (5:13)

D. Verificação da Oração Respondida (5:14-17)

E. Vitória sobre o Pecado Habitual (5:18-21)

Segunda a João

Autor e Título:

Embora não seja declarado, o autor é indubitavelmente o apóstolo João. Refere-se simplesmente a si mesmo como “o ancião” (presbuteros, “ancião, velho”), o que vai de encontro à relutância do autor do Evangelho de João e de 1 João quanto a identificar-se. Esta é a mesma auto-designação usada pelo autor de 3 João. O facto de se identificar tão simplesmente como “o ancião” sugere que seria bem conhecido e aceite por aqueles a quem escrevia. Tratava-se de um título oficial para o cargo de um ancião, mas talvez seja mais provável que o estivesse a usar sob a forma de designação carinhosa, através da qual era bem conhecido pelos seus leitores.

As parecenças estilísticas entre esta epístola, 1 João e o Evangelho de João sugerem que os três livros foram escritos pela mesma pessoa. Um conjunto de passagens mostra as similaridades: compare 2 João 5 com 1 João 2:7 e João 13:34-35; 2 João 6 com 1 João 5:3 e João 14:23; 2 João 7 com 1 João 4:2-3; e 2 João 12 com 1 João 1:4 e João 15:11.

Embora João pudesse enviar uma carta pessoal mais curta, parecida com uma carta mais longa que escrevera previamente, é pouco provável que um falsificador tentasse produzir um documento tão curto, que acrescentasse tão pouco ao que se encontrava em 1 João. Para além disso, uma falsificação posterior de 2 João (ou 3 João) tê-la-ia despojado da sua autoridade sobre os leitores, uma vez que os conteúdos de 2 e 3 João indicam que conheciam pessoalmente o autor.26

Uma vez que o livro tem sido tradicionalmente associado ao apóstolo João como autor, tem sido intitulado no texto grego Ioannou B, Segunda de João.

Destinatários:

A carta é dirigida “à Senhora eleita e a seus filhos” (v. 1; confira vv. 4-5).

Esta frase pode referir-se a um indivíduo ou a uma igreja (ou à Igreja em geral). Alguns têm sugerido que o destinatário é uma mulher cristã chamada “Electa” mas, no versículo 13, a mesma palavra é claramente um adjectivo, não um nome próprio. Outros consideram que a carta se dirige a uma senhora cristã chamada “Kyria” (explicação primeiramente proposta por Atanásio) ou a uma cristã anónima. Porém, a evidência interna de 2 João apoia claramente uma referência colectiva. No versículo 6, o destinatário é mencionado usando a segunda pessoa do plural, o que se repete nos versículos 8, 10 e 12. O singular só reaparece no versículo 13. É mais provável que as utilizações nos versículos 1 e 13 sejam colectivas. Alguns têm considerado uma referência à Igreja em geral, mas o versículo 13, referindo-se aos “filhos da tua irmã, a escolhida”, é difícil de compreender tendo a Igreja universal em mente. Assim, a explicação mais provável é a de que a “Senhora eleita” consiste numa igreja local particular, a alguma distância da localização do autor.

sn 2 João foi escrita para advertir uma igreja “irmã”, a alguma distância, referida como uma senhora eleita, relativamente aos esforços missionários dos falsos doutores separatistas (discutidos em 1 João) e aos perigos de os receberem quando chegassem.27

Data: 85-90 d.C.

É difícil datar a carta, mas as circunstâncias e temas sugerem que terá sido escrita por volta da mesma altura de 1 João (85-90 d.C.). As parecenças acima mencionadas também são indicativas disso (veja a discussão da data em 1 João).

Tema e Propósito:

O tema de 2 João é a preocupação do apóstolo em relação a que os seus leitores continuassem a andar na verdade da doutrina apostólica e de acordo com os mandamentos (vv. 4-6). Uma vez que “muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne” (v. 7), João escrevia para os proteger do engano perverso daqueles que se recusavam a permanecer no ensinamento de Cristo, mas que corriam além e para longe da verdade (v.9). Nesta linha de pensamento, vêem-se vários propósitos: (1) Escreveu para impedir que os seus leitores perdessem as coisas pelas quais haviam trabalhado juntos, incluindo uma recompensa plena (v.8), e (2) para lhes proporcionar instruções claras contra receberem esses falsos doutores nas suas casas ou igrejas, dando-lhes uma recepção cristã. Indubitavelmente, tal referia-se a reconhecê-los como doutores da verdade nas suas igrejas locais. João não estava a dizer-lhes para serem mal-educados ou se recusarem a dar-lhes testemunho.

Palavras-Chave:

As palavras-chave são “verdade” (nove ocorrências) e “mandamento” (14 vezes).

Versículos-Chave:

  • 6-11. E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes: que andeis nele. 7 Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. 8 Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. 9 Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho. 10 Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tão-pouco o saudeis. 11 Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.

Capítulos-Chave:

Uma vez que só existe um capítulo em 2 João, esta secção não é aplicável.

Como Cristo É Visto em 2 João:

Uma vez mais, tal como em 1 João, 2 João preocupa-se com a protecção da doutrina bíblica da encarnação. O autor escreveu para refutar o erro que nega que Jesus Cristo tenha vindo em carne. De facto, a afirmação no versículo 7, a respeito da negação de que “Jesus Cristo veio em carne”, pode até referir-se à encarnação num sentido triplo. Em contraste com 1 João 4:2, onde usou o particípio perfeito, “veio em carne” (ele„luthota), João utiliza aqui o particípio presente (erchomenon), “está vindo” ou “vem em carne”. Uma vez que o particípio presente pode apenas enfatizar os resultados, sendo por vezes traduzido como presente, pode não existir aqui nenhuma distinção, mas talvez João quisesse alargar o foco para a relevância da encarnação.

Este particípio presente parece incluir a anterior vinda de Cristo em carne aquando da Encarnação, a continuação actual da Sua humanidade erguida, bem como a Sua futura vinda à terra. Em contraste, o particípio perfeito em 1 João 4:2 enfatiza somente a Sua encarnação.28

Plano Geral:

I. Prólogo e Saudação (1:1-3)

II. Elogio por Andar na Verdade (1:4)

III. Mandamento para Que Continuem a Amar-se Uns aos Outros (1:5-6)

IV. Precauções e Instruções Contra os Falsos Doutores (1:7-11)

V. Comentários Conclusivos e Saudações Finais (1:12-13)

Terceira a João

Autor e Título:

Tal como acontece com 1 e 2 João, o apóstolo João é o autor desta epístola. Quer em 2, quer em 3 João, o autor identifica-se como “o ancião”. Adicionalmente, repare nas semelhanças encontradas em ambas as epístolas: “amo na verdade” (v.1 de ambas as cartas) e “andam na verdade” (v.4 de ambas as cartas). O estilo de ambas as epístolas é claramente o mesmo, e os esforços no sentido de negar que João seja o autor das três epístolas não possuem apoio ou evidência real.

A antiga opinião de que o Apóstolo João escreveu esta carta, bem como as outras duas, pode ser prontamente aceite. Em virtude dos laços estilísticos claros, os argumentos que apoiam a autoria apostólica de 1 João estendem-se a esta pequena epístola. Além disso, a autoridade auto-confiante do escritor de 3 João (confira v. 10) também beneficia a ideia de um apóstolo.29

Destinatários:

Esta é claramente a carta mais pessoal de João. É dirigida a um homem que João denomina “caríssimo Gaio” (v. 1), a respeito de problemas eclesiásticos que Gaio enfrentava. Para lá da simples descrição acima referida, o destinatário não recebe uma identificação adicional, sugerindo que seria bem conhecido nas igrejas da Ásia Menor, onde João serviu nos últimos anos da sua vida. Gaio é um nome familiar no Novo Testamento. Aparece em Romanos 16:23 (Gaio de Corinto), Actos 19:29 (Gaio de Macedónia) e Actos 20:4 (Gaio de Derbe).

Data: 85-90 d.C.

Uma vez mais, as semelhanças entre 1 e 2 João sugerem uma data similar, algures entre 85-90 d.C..

Tema e Propósito:

João escreveu a Gaio a respeito da questão de hospitalidade e apoio físico prestados a trabalhadores cristãos itinerantes (missionários), especialmente estrangeiros. O tema centra-se em torno do contraste entre o ministério de Gaio e sua generosa demonstração de amor cristão, enquanto alguém que anda na verdade, e o comportamento egoísta de Diótrefes que, em vez de andar na verdade, rejeitava o que João dissera e procurava preeminência pessoal (v. 9).

Vários propósitos distintos emergem nesta epístola: (1) elogiar Gaio (vv. 1-6a), (2) instruir e encorajar a continuação do seu apoio aos trabalhadores cristãos que João evidentemente enviara (vv. 6b-8), (3) admoestar Diótrefes pelo seu comportamento auto-centrado (vv. 9-11), (4) fornecer instrução para Demétrio (v. 12) e (5) informar Gaio a respeito do desejo e intenção de João quanto a visitá-lo e lidar com as dificuldades (vv. 10a, 13-14).

Palavra-Chave:

Embora nenhuma palavra se destaque por via da repetição como em 2 João, a ideia-chave é ministério fiel de serviço altruísta aos outros, enquanto trabalhadores companheiros na verdade (vv. 5-8).

Versículos-Chave:

  • 6-8. Que, em presença da igreja, testificaram do teu amor; aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás; 7 porque pelo seu nome saíram, nada tomando dos gentios. 8 Portanto, devemos receber os tais, para que sejamos cooperadores da verdade.
  • 11 Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz bem é de Deus; mas, quem faz mal, não tem visto a Deus.

Capítulos-Chave:

Tal como em 2 João, esta secção não se aplica, pois existe apenas um capítulo.

Como Cristo É Visto em 3 João:

Embora o nome de Jesus Cristo não seja mencionado directamente, é-Lhe feita uma referência na afirmação “Pois por amor do seu nome partiram”. Indubitavelmente, trata-se de uma referência ao ministério em nome do Senhor Jesus (veja Actos 5:40-41, onde encontramos uma construção idêntica do grego no v. 41). Paulo usa uma frase similar em Romanos 1:5 e, em 1 João 2:12, o autor escreveu “pelo Seu nome (Jesus) vos são perdoados os pecados”. O Evangelho de João também faz referência a crer “no nome de Jesus” (João 1:12, 3:18).

Plano Geral:

I. Saudação ou Introdução (1)

II. Elogio de Gaio (2-8)

A. A Sua Piedade (2-4)

B. A Sua Generosidade (5-8)

III. Condenação de Diótrefes (9-11)

A. A Sua Ambição Egoísta (9)

B. As Suas Actividades Egoístas (10-11)

IV. Elogio de Demétrio (12)

V. Comentários Conclusivos (13-14)

Judas

Autor e Título:

O autor identifica-se como Judas (v. 1). Em grego, é literalmente Judas. Tradicionalmente, as versões inglesas têm usado Jude, de modo a distingui-lo do Judas que traiu Jesus. Além disso, identifica-se como irmão de Tiago e servo (grego, doulos) de Jesus Cristo. Judas é listado como meio-irmão de Jesus em Mt. 13:55 e Marcos 6:3. A Bíblia NET traz uma nota útil sobre isso:

Embora Judas fosse meio-irmão de Jesus, associou-se humildemente a Tiago, seu irmão de mãe e pai. Começando por chamar a si mesmo servo de Jesus Cristo, torna-se evidente que não desejava que alguém valorizasse em excesso as suas ligações físicas. Em simultâneo, precisa de se identificar ainda mais: uma vez que Judas era um nome comum no primeiro século (dois dos discípulos de Jesus eram assim chamados, incluindo aquele que O traiu), era necessária mais informação, daí dizer irmão de Tiago.30

No texto grego, o título é Iouda, uma forma indeclinável usada para o hebreu Judah e para o grego Judas.

Destinatários:

Judas não parece escrever para nenhum grupo específico de pessoas. Em vez disso, a carta é simplesmente endereçada “aos chamados, queridos em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo” (v. 1), dirigindo-se a eles mais tarde por “amados” ou “caríssimos” (v. 3).

Data: 70-80 d.C.

Embora o assunto seja muito similar ao de 2 Pedro, uma das principais diferenças entre Judas e 2 Pedro reside no facto de que, enquanto Pedro alertou que “haverá falsos doutores” (2:1), Judas afirma que “certos homens infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês” (v. 4). Uma vez que 2 Pedro antecipa o problema e Judas fala do mesmo como actual, Judas foi aparentemente redigida algum tempo após 2 Pedro. Se 2 Pedro é datada por volta de 66 d.C., então Judas poderá ser colocada por volta de 70-80 d.C..

Tema e Propósito:

Judas tencionava escrever acerca da salvação comum mas, devido aos avanços da heresia e ao perigo que ameaçava a Igreja, viu-se obrigado a escrever para encorajar os crentes a batalhar seriamente pela fé e contra os falsos ensinamentos, que estavam a ser secretamente introduzidos nas igrejas. Evidentemente, estavam a ser feitos avanços definitivos por parte de uma forma incipiente de Gnosticismo – não ascética, como aquela que Paulo atacara em Colossenses, mas uma forma antinomiana.

Os gnósticos consideravam perversas todas as coisas materiais e boas todas as coisas espirituais. Assim, cultivavam as suas vidas “espirituais” e permitiam que a sua carne fizesse tudo o que desejasse, tendo como consequência tornarem-se culpados de todos os tipos de pecado.31

A partir disto, podem ser vistos dois propósitos principais em Judas: (1) Condenar as práticas dos libertinos pecaminosos que infestavam as igrejas e corrompiam os crentes, e (2) aconselhar os crentes a permanecerem firmes, continuando a crescer na fé enquanto batalhavam pela verdade apostólica que havia sido dada à igreja.

Palavra-Chave:

A ideia ou palavra-chave é “batalhar pela fé”.

Versículos-Chave:

  • 3 Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito da nossa comum salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para vos exortar a lutar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos.
  • 24 Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda a queda e nos apresentar diante da sua glória, imaculados e cheios de alegria.

Capítulos-Chave:

Tal como em 2 e 3 João, dado que este livro tem um só capítulo, esta secção não é aplicável.

Como Cristo É Visto em Judas:

Judas foca a nossa atenção na segurança do crente em Cristo (v. 24), na vida eterna que Ele dá (v. 21) e na certeza de que virá novamente (v. 21). É Jesus Cristo, nosso Senhor, quem nos confere acesso à presença de Deus (v. 25).

Plano Geral:

I. Saudações e Propósito (1-4)

II. Descrição e Denúncia dos Falsos Doutores (5-16)

A. O Seu Juízo Passado (5-7)

B. As Suas Características Presentes (8-13)

C. O Seu Juízo Futuro (14-16)

III. Apologia e Exortação aos Crentes (17-23)

IV. Bênção (24-25)

©2018. Artigo original por J. Hampton Keathley III, Th.M.

Tradução de C. Oliveira

J. Hampton Keathley III, Th.M., licenciou-se em 1966 no Seminário Teológico de Dallas, trabalhando como pastor durante 28 anos. Em Agosto de 2001, foi-lhe diagnosticado cancro do pulmão e, no dia 29 de Agosto de 2002, partiu para casa, para junto do Senhor.

Hampton escreveu diversos artigos para a Fundação de Estudos Bíblicos (Biblical Studies Foundation), ensinando ocasionalmente Grego do Novo Testamento no Instituto Bíblico Moody, Extensão Noroeste para Estudos Externos, em Spokane, Washington.


1 Thiessen, p. 271.

2 Wilkinson/Boa, p. 450.

3 Ryrie, p. 1943.

4 Wilkinson/Boa, p. 454.

5 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

6 Nota de Tradução – no inglês original, “James of God … to the twelve tribes.” Na ausência de uma versão bíblica portuguesa com sentido similar, o tradutor optou por uma tradução livre do versículo.

7 Nota de Tradução – no inglês original, “From James, a bond-servant of God … to the twelve tribes". Não estando a bíblia NET disponível em português, o tradutor optou por uma tradução livre do versículo.

8 Ryrie, p. 1966.

9 Nota de Tradução – No inglês original, "James, Jake and Jacob".

10 Zane Hodges, The Epistle of James: Proven Character Through Testing, Grace Evangelical Society, Irving, TX, 1994, p. 15.

11 Wilkinson/Boa, p. 465.

12 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

13 Wilkinson/Boa, p. 465.

14 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

15 Ryrie, p. 1966.

16 Escolhi utilizar aqui o plano geral de Ron Blue, retirado de The Bible Knowledge Commentary. Trata-se de um dos planos gerais do livro de Tiago mais exactos e inovadores que já vi. Ron foi um colega de turma no Seminário de Dallas, sendo isto típico do seu excelente trabalho.

17 The NIV Study Bible Notes, Biblioteca Electrónica Zondervan NIV.

18 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

19 Nota de Rodapé proveniente de Bíblia NET, The Biblical Studies Press.

20 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

21 Ryrie, p. 1984.

22 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

23 tn O versículo 20 é interpretado de várias formas. Existem aqui três termos-chave que ajudam a decidir quanto à interpretação e tradução. De igual modo, a relação com o versículo 21 informa relativamente ao significado deste versículo. (1) O termo "provém" (givnetai [ginetai]) é frequentemente traduzido por "é um assunto", tal como em "é um assunto de interpretação própria". Mas a força progressiva deste verbo é muito mais comum. (2) O adjectivo ijdiva (idias) tem sido entendido como significando (a) do próprio indivíduo (isto é, do próprio leitor), (b) próprio de algo (isto é, próprio da profecia específica) ou (c) próprio do profeta. Os estudiosos católicos tendem a ver uma referência ao leitor (no sentido de que nenhum leitor individual pode compreender a escritura, mas precisa da interpretação disponibilizada pela Igreja), enquanto estudiosos protestantes mais antigos tendem a ver uma referência à passagem individual a ser profetizada (daí a doutrina da Reforma da analogia fidei [analogia da fé], ou da escritura interpretando a escritura). Mas nenhuma destas perspectivas se refere de modo satisfatório à relação entre os versículos 20 e 21, nem faz plena justiça ao significado de givnetai. (3) O significado de ejpivlusi (epilusis) é difícil de determinar, uma vez que é um hapax legomenon bíblico. Embora no grego extra-bíblico seja por vezes utilizado no sentido de interpretação, este não é de modo algum um significado necessário. A ideia básica da palavra é desprender, o que pode indicar uma explicação ou uma criação. Por vezes, tem o sentido de solução, ou mesmo de encantamento, podendo ambos os significados facilmente acomodar algum tipo de declaração profética. Para além disso, até mesmo o sentido de explicação ou interpretação se adequa com facilidade a uma profecia, uma vez que, frequentemente – se não mesmo usualmente –, os profetas explicavam visões e sonhos. Não existe qualquer exemplo no qual esta palavra se refira à interpretação da escritura; contudo, ao sugerirmos que interpretação é o significado, trata-se da interpretação que o profeta faz da sua própria visão. (4) No início do versículo 21, gavr (gar) proporciona a base para a verdade da proposição no versículo 20. A ligação que faz mais sentido é que os profetas não inventaram as suas próprias profecias (v. 20), uma vez que o impulso para profetizar veio de Deus (v. 21).

sn Jamais a profecia teve origem na vontade humana, 2 Pd.1:20-21, forma, assim, um inclusio com o versículo 16: a fé e esperança cristãs não se baseiam em fábulas engendradas com esperteza, mas sim na Palavra segura de Deus – proferida pelos profetas, inspirados pelo Espírito de Deus. A ideia de Pedro é a mesma que se encontra em outras partes do Novo Testamento, isto é, que os profetas humanos não originaram a mensagem, mas que a transmitiram, usando para isso as suas próprias personalidades.

24 Ryrie, p. 1990.

25 NIV Study Bible, Biblioteca electrónica.

26 Craig S. Keener, The IVP Bible Background Commentary: New Testament, InterVarsity, Downers Grove, 1997, c 1993, versão electrónica, Logos Library System.

27 Nota de Tradução, The NET Bible, The Biblical Studies Press, 1998, versão electrónica, Logos Library System.

28 Ryrie, p. 2000.

29 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

30 NET Bible, versão electrónica.

31 Ryrie, p. 2005.

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