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O Cântico de Salvação de Davi (2 Samuel 22)

Introdução

Conforme estudo os dois salmos de Davi em 2 Samuel 22 (inteiro) e 23 (versos 1 a 7), lembro-me de nossos queridos amigos Karl e Martha Lind. Karl atualmente1 está na casa dos 80 anos e está em uma casa de saúde com problemas do coração e falência renal. Ele enfrenta a doença com coragem, aguardando a partida para o lar celestial. Minhas lembranças dele são bem antigas, e algumas ainda estão muito vívidas em minha memória. Quando eu e Jeannette nos casamos, tínhamos muito pouco dinheiro, por isso, passamos a noite do quarto dia da nossa lua de mel no quarto de hóspedes da casa deles. Na manhã seguinte, Karl e Martha tinham preparado um belo café da manhã, e um de seus filhos, John, recebeu a tarefa de anunciá-lo pelo interfone. “O café da manhã será servido na sala de jantar em cinco minutos”, disse ele, com toda formalidade que, como adolescente, conseguiu reunir. Pouco depois, antes do botão do interfone tocar, ouviu-se um barulho terrível, como se todos os pratos do armário tivessem quebrado, e em seguida a voz de Karl – “John!”.

Karl é um excelente cozinheiro. Para descrever o jeito como alguém menos experiente fazia seu serviço, ele dizia: “Quando fumega, ‘tá cozinhando; quando queima, ‘tá pronto”. Há alguns anos, seu pastor fez uma pregação sobre administração, indo em seguida para a porta dos fundos para receber os cumprimentos da igreja. Quando Karl se aproximou dele, o pastor (vou chamá-lo de Chuck, para evitar constrangimentos) ficou na expectativa, aguardando algum comentário favorável sobre o seu sermão. Sem meias palavras, Karl olhou-o nos olhos e disse: “Chuck, da forma como vejo, seus sermões fazem um rombo de 25 pratas no meu bolso. E, francamente, nós dois sabemos que eles não valem isso”. Esse é Karl, o nosso querido amigo de muitos anos.

Karl desempenhou um papel significativo em outra lembrança da minha infância, a fundação de uma igreja em Auburn, Washington, Estados Unidos. Meus pais, ele, Martha e uma porção de outras pessoas tiveram o privilégio de participar da fundação daquela que foi chamada de “Igreja Batista Bíblica”. Na minha pré-adolescência, lembro-me nitidamente de ter participado de um culto fúnebre num pequeno salão (durante a oração dei uma espiada em volta, curioso para saber onde colocavam os corpos)2, o qual depois se transformou em um salão maior e, finalmente, no auditório que veio a se tornar o primeiro prédio da nossa igreja. Com a força dada por Deus no que parece ser o último capítulo da sua vida, Karl começou a registrar suas lembranças dos primórdios da Igreja Batista Bíblica de Auburn. No final da vida, ele está olhando para trás e traçando o curso da mão de Deus no passado.

É isso o que o rei Davi faz nos dois salmos do fim de 2 Samuel. O capítulo 22 registra suas reflexões, escritas no início do seu reinado sobre Israel3. Os primeiros sete versos do capítulo 23 são um segundo salmo; este talvez seja o último salmo de Davi. Dizem que essa reflexão inspirada no final do seu reinado contém suas últimas palavras como rei de Israel. Juntos, os dois salmos nos dão uma avaliação inspirada da ação de Deus sobre sua vida como rei de Israel, desde o início do seu reinado até seus últimos dias.

Como já disse — e como podem verificar pela maioria das traduções — as palavras do texto são poesia hebraica, dois salmos se quiserem. Na verdade, 2 Samuel 22 é literalmente idêntico ao Salmo 18, com pouquíssimas variações. Os dois salmos são cânticos de Davi4. Na realidade, 2 Samuel 22 é seu salmo mais antigo5. Tanto na forma quanto no conteúdo, eles não são novos ou originais, mas seguem a tradição dos salmos anteriores. Alguns deles são:

  • O cântico de Israel junto ao mar (Êxodo 15:1-18)
  • O cântico de Moisés (Deuteronômio 32:1-43)
  • O cântico de Débora (Juízes 5)
  • O cântico de Ana (1 Samuel 2:1-10)
  • O cântico de Davi (2 Samuel 22; Salmo 18)
  • O cântico de Habacuque (Habacuque 3:1-19)

Mesmo uma leitura superficial dos cânticos acima mostrará sua semelhança com o salmo de Davi, objeto do nosso estudo. Em nosso texto, o salmo faz parte de uma narrativa histórica6. No livro dos Salmos (Salmo 18), este mesmo cântico é empregado como padrão para o culto de Israel, um padrão tão útil para nós como foi para os antigos israelitas. Ele foi registrado para ser cantado (talvez precise ser musicado, uma vez que a melodia já se perdeu), aprendido e proclamado no culto7. Em 2 Samuel 23:1-2, somos relembrados de que os salmos foram escritos sob inspiração do Espírito Santo. Eles devem ser levados a sério, não só pelos leitores antigos, mas também por nós.

Síntese do Salmo

Um salmo normalmente é visto como a essência ou a condensação de um conjunto mais complexo de verdades ou declarações. Nada contra, mas gostaria de salientar que um salmo também pode funcionar de outra forma. Às vezes, ele é a expansão de um pensamento simples, por meio de paralelismo e repetição. Por exemplo, Davi poderia simplesmente dizer que Deus é o nosso refúgio, mas em vez disso, nos versos 2 e 3, ele emprega oito figuras diferentes para descrever o Senhor. A mensagem do capítulo 22 é realmente muito simples e pode ser reduzida a umas poucas sentenças. Vou tentar fazê-lo, a fim de tornar a mensagem do salmo mais clara; em seguida, para apreciá-la, daremos mais consideração a esses versos.

1-3

Louvo a Deus, pois só Ele me mantém seguro.

4-20

Quando O invoco, Ele me salva. Quando em perigo; clamei a Deus e Ele me ouviu, e me livrou.

21-29

Deus me salvou por causa da minha justiça.

30-46

Deus me salvou, dando-me força para lutar e prevalecer sobre meus inimigos.

47-50

Louvado seja Deus!

51

Deus salva o rei, o Seu Rei, o Seu Ungido.

Nossa Abordagem Nesta Lição

Quando eu estava estudando este texto, também li alguns sermões sobre esta passagem disponíveis na Internet, publicados pela Peninsula Bible Church, na Califórnia. Em geral, os sermões desse site têm metade dos meus (talvez porque eu leve o dobro do tempo para dizer a mesma coisa). Quando peguei as lições do Salmo 18, acho que a passagem foi dividida de forma a expor o salmo durante seis aulas. E pensar que vou fazer isso de uma só vez! Nesta lição, nossa tarefa principal será explanar a ideia central do salmo, evitando muitos detalhes, embora isso possa ser útil. Tentarei seguir o fluxo de pensamento de Davi para ver a quais conclusões o autor/rei inspirado nos leva.

A Mensagem do Salmo — O Libertador de Davi (2 Samuel 22:1-3)

Falou Davi ao SENHOR as palavras deste cântico, no dia em que o SENHOR o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. E disse: O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela8, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte e o meu refúgio. Ó Deus, da violência tu me salvas.

No primeiro verso, temos o contexto histórico deste cântico de Davi. O salmo foi escrito após Deus tê-lo livrado das mãos de seus inimigos e das mãos de Saul. Parece, então, que ele foi escrito logo após a morte de Saul e no início do reinado de Davi. Davi está no trono, e desse ponto privilegiado, ele medita sobre o cuidado gracioso de Deus sobre a sua vida em cumprimento à promessa de que ele seria rei de Israel.

O referido salmo começa com Davi louvando a Deus por quem Ele é — seu refúgio. Empregando uma porção de símbolos, ele fala de Deus como seu lugar seguro. Deus é sua rocha (ou penhasco, v. 2). Sem dúvida, Davi passou muito tempo nos penhascos, olhando lá do alto, sabendo que era praticamente inacessível a seus inimigos. Deus é sua “cidadela” e sua “fortaleza”. Ele é seu “escudo” e a “força da sua salvação”. Tais figuras não são meramente ilustrativas, são os próprios meios empregados por Deus para salvar a vida de Davi das mãos dos seus inimigos. E agora, Davi nos exorta a olhar para além dos meios empregados por Deus, para o próprio Deus. É Ele quem salva, Ele é o nosso protetor e libertador. Ele é o lugar da nossa salvação.

O Perigo, o Clamor de Davi e a Sua Libertação (2 Samuel 4-20)

Invoco o SENHOR, digno de ser louvado, e serei salvo dos meus inimigos. Porque ondas de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror; cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam. Na minha angústia, invoquei o SENHOR, clamei a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos. Então, a terra se abalou e tremeu, vacilaram também os fundamentos dos céus e se estremeceram, porque ele se indignou. Das suas narinas, subiu fumaça, e, da sua boca, fogo devorador; dele saíram carvões, em chama. Baixou ele os céus, e desceu, e teve sob os pés densa escuridão. Cavalgava um querubim e voou; e foi visto sobre as asas do vento. Por pavilhão pôs, ao redor de si, trevas, ajuntamento de águas, nuvens dos céus. Do resplendor que diante dele havia, brasas de fogo se acenderam. Trovejou o SENHOR desde os céus; o Altíssimo levantou a sua voz. Despediu setas, e espalhou os meus inimigos, e raios, e os desbaratou. Então, se viu o leito das águas, e se descobriram os fundamentos do mundo, pela repreensão do SENHOR, pelo iroso resfolgar das suas narinas. Do alto, me estendeu ele a mão e me tomou; tirou-me das muitas águas. Livrou-me do forte inimigo, dos que me aborreciam, porque eram mais poderosos do que eu. Assaltaram-me no dia da minha calamidade, mas o SENHOR me serviu de amparo. Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque ele se agradou de mim.

O verso 4 estabelece um princípio, fundamentado na verdade de que Deus é o refúgio de Davi (versos 2 e 3), e demonstrado nos vários livramentos proporcionados por Ele (versos 5-20). Nesse versículo, Davi não se limita a dizer, “invoquei o Senhor… e Ele me salvou”. De fato, ele diz, “toda vez que invoco o Senhor, Ele me salva”. Ele, então, continua a descrever com cenas dramáticas os perigos que correu (versos 5-6), e os livramentos dados pelo Senhor (versos 8-20) em resposta ao seu clamor (verso 7).

Davi usa a imagem de águas turbulentas para descrever como sua vida vinha sendo ameaçada pelos inimigos. Primeiro, ele descreve a si mesmo como alguém que está se afogando no mar revolto, não muito diferente de Jonas9. Em seguida, o quadro muda de se afogando para sendo arrastado pela correnteza (verso 5). Ele conta como quase foi cingido pelas cordas do Sheol (ou do túmulo; a ARA traduz como “infernais”), e surpreendido pela morte (verso 6). Com um último suspiro, ou na terceira vez em que está como se estivesse submergindo, ele conta como invocou o Senhor, e Ele, da Sua morada, ouviu seu clamor (verso 7).

Davi, então, descreve como Deus o salva com a figura de uma teofania (manifestação de Deus ao homem). Em diversos aspectos, as imagens usadas por Davi lembram a linguagem utilizada para descrever a aparição de Deus no Monte Sinai, quando Ele dá a Sua lei por intermédio de Moisés:

Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu. E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente. E o clangor da trombeta ia aumentando cada vez mais; Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão. (Êxodo 19:16-19)

As palavras são semelhantes também às encontradas no “cântico” de Débora:

Saindo tu, ó SENHOR, de Seir, marchando desde o campo de Edom, a terra estremeceu; os céus gotejaram, sim, até as nuvens gotejaram águas. Os montes vacilaram diante do SENHOR, e até o Sinai, diante do SENHOR, Deus de Israel. (Juízes 5:4-5, ver também o Salmo 69:8 e Habacuque 3:3-15)

Davi invoca o Senhor, e Ele lhe responde de forma a assinalar Sua soberania sobre toda a criação. Quando Deus ouve o seu clamor, Ele responde, e Sua resposta é sancionada pela criação. Deus fica furioso por causa dos inimigos que colocam em perigo a vida do Seu rei ungido, e toda a criação reflete a Sua ira. Esta não é somente a descrição de um Deus que quer salvar Seu rei, mas a de um Deus cujo objetivo é destruir os inimigos que o ameaçam.

A primeira indicação de intervenção divina é um terremoto. Toda a terra se abala e treme (verso 8). Fumaça sobe das narinas de Deus, e o fogo da Sua boca devora tudo em seu caminho. Dela saem carvões em chama (verso 9). Quando Deus desce, os céus se prostram e Ele fica sobre a densa escuridão, um prenúncio sinistro das coisas do porvir (verso 10). Ele anda sobre as asas do vento e nuvens espessas e trevas estão ao Seu redor, e um brilho incandescente se irradia adiante dEle (versos 12-13). A voz de Deus é ouvida no som do trovão, e os relâmpagos desferem raios como setas (versos 14-15). Diante da Sua aproximação, os mares se abrem, a terra abaixo fica exposta ante a Sua repreensão e o resfolgar das Suas narinas (verso 16). Deus estende a mão e tira Seu servo das águas, livrando-o do forte inimigo, colocando-o num lugar espaçoso em terra firme. Embora os inimigos de Davi sejam mais fortes, Deus o livra das suas mãos. Ele é o amparo10 de Davi quando eles o confrontam.

A Base Para i Livramento de Davi (2 Samuel 22:21-28)

Retribuiu-me o SENHOR segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Pois tenho guardado os caminhos do SENHOR e não me apartei perversamente do meu Deus. Porque todos os seus juízos me estão presentes, e dos seus estatutos não me desviei. Também fui inculpável para com ele e me guardei da iniquidade. Daí, retribuir-me o SENHOR segundo a minha justiça, segundo a minha pureza diante dos seus olhos. Para com o benigno, benigno te mostras; com o íntegro, também íntegro. Com o puro, puro te mostras; com o perverso, inflexível. Tu salvas o povo humilde, mas, com um lance de vista, abates os altivos.

Quando Deus deu a Israel a lei de Moisés, Ele deixou bem claro que a obediência traria bênçãos (Deuteronômio 28:1-4), mas a desobediência, maldição e desastre (28:15-68)11. Davi era um homem segundo o coração de Deus. Com poucas exceções (ver 1 Reis 15:5), ele amava a lei de Deus, e vivia de acordo com ela. Ele entendia que quem se aproxima de Deus é quem guarda a Sua lei:

Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado. (Salmo 15)

Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação. (Salmo 24:3-5)

Davi acreditava, assim como todos os israelitas fiéis, que Deus vai punir os ímpios e salvar os justos que nEle se refugiam:

Vi um ímpio prepotente a expandir-se qual cedro do Líbano. Passei, e eis que desaparecera; procurei-o, e já não foi encontrado. Observa o homem íntegro e atenta no que é reto; porquanto o homem de paz terá posteridade. Quanto aos transgressores, serão, à uma, destruídos; a descendência dos ímpios será exterminada. Vem do SENHOR a salvação dos justos; ele é a sua fortaleza no dia da tribulação. O SENHOR os ajuda e os livra; livra-os dos ímpios e os salva, porque nele buscam refúgio. (Salmo 37:35-40)

Na lei de Moisés, Deus deixou claro a Seu povo que Ele os abençoaria enquanto confiassem nEle e guardassem a Sua lei (ver Deuteronômio 7:12-16). Por outro lado, também ficou claro que a justiça alcançada por suas próprias obras não seria base para a graça de Deus:

Quando, pois, o SENHOR, teu Deus, os tiver lançado de diante de ti, não digas no teu coração: Por causa da minha justiça é que o SENHOR me trouxe a esta terra para a possuir, porque, pela maldade destas gerações, é que o SENHOR as lança de diante de ti. Não é por causa da tua justiça, nem pela retitude do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela maldade destas nações o SENHOR, teu Deus, as lança de diante de ti; e para confirmar a palavra que o SENHOR, teu Deus, jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR, teu Deus, te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo de dura cerviz. (Deuteronômio 9:4-6)

Davi não se esqueceu de que era pecador e precisava de perdão e graça:

Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado. Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças. Tornam-se infectas e purulentas as minhas chagas, por causa da minha loucura. (Salmo 38:3-5)

Ele compreendia que Deus salva o justo e condena o ímpio. É por isso que Deus ouve o seu clamor e o socorre dos vis inimigos. Não só Deus salva o justo, Ele salva o aflito, enquanto condena o soberbo.

Mais tarde voltaremos à questão da retidão de Davi; por enquanto, lembro-me de que o pecado de Saul e sua casa sanguinária resultaram em três anos consecutivos de fome em Israel. Só depois do pecado ter sido expiado, Deus ouviu novamente as orações do Seu povo e retirou a fome (ver 2 Samuel 21). É por isso que Davi acredita que se confiar em Deus e obedecê-lO, Ele ouvirá suas preces.

Fortalecimento Divino para Derrotar os Inimigos (2 Samuel 22:29-46)

Tu, SENHOR, és a minha lâmpada; o SENHOR derrama luz nas minhas trevas. Pois contigo desbarato exércitos, com o meu Deus, salto muralhas. O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam. Pois quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus? Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho. Ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou nas minhas alturas. Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze. Também me deste o escudo do teu salvamento, e a tua clemência me engrandeceu. Alongaste sob meus passos o caminho, e os meus pés não vacilaram. Persegui os meus inimigos, e os derrotei, e só voltei depois de haver dado cabo deles. Acabei com eles, esmagando-os a tal ponto, que não puderam levantar-se; caíram sob meus pés. Pois de força me cingiste para o combate e me submeteste os que se levantaram contra mim. Também puseste em fuga os meus inimigos, e os que me odiaram, eu os exterminei. Olharam, mas ninguém lhes acudiu, sim, para o SENHOR, mas ele não respondeu. Então, os moí como o pó da terra; esmaguei-os e, como a lama das ruas, os amassei. Das contendas do meu povo me livraste e me fizeste cabeça das nações; povo que não conheci me serviu. Os estrangeiros se me sujeitaram; ouvindo a minha voz, me obedeceram. Sumiram-se os estrangeiros e das suas fortificações saíram espavoridos.

Davi louva a Deus por Ele ser seu libertador e seu refúgio (versos 2-3). Quando ele invoca a Deus pedindo socorro, Deus o ouve e responde (verso 4) de forma a mostrar a Sua santidade e a sua ira contra os ímpios que se opõem ao Seu servo e ao Seu poder soberano (versos 5-20). Deus livra Davi dos seus inimigos porque ele é justo e eles são perversos (versos 21-28). Talvez concluamos, pelo que foi dito, que se “a salvação vem do Senhor”, nós não precisamos fazer nada. Devemos, então, ficar sentados, de braços cruzados, vendo Deus fazer tudo? Às vezes, é exatamente isso o que Ele quer de nós, que nos lembremos de que é Ele quem nos dá a vitória. Foi assim no êxodo, quando Deus afogou os egípcios no Mar Vermelho. Mas, com frequência, Ele terá um papel para desempenharmos no Seu livramento. Neste caso, Ele é quem nos dará força e capacidade para vencermos o inimigo. Davi enfrentou Golias e prevaleceu, mas foi Deus quem lhe deu a vitória. Nos versos 30 a 46, Davi fala da capacitação divina, a qual lhe deu forças para enfrentar seus inimigos e prevalecer sobre eles.

A força de Deus não é adicionada à nossa força; Sua força é dada em lugar da nossa fraqueza. É por isso que Davi começa com esta declaração:

Tu, SENHOR, és a minha lâmpada; o SENHOR derrama luz nas minhas trevas. (verso 29)

Deus derrama luz nas trevas de Davi. Deus o fortalece na sua fraqueza. É justamente isso o que Paulo ensina no Novo Testamento:

E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. (2 Coríntios 12:7-10)

Davi descreve a força dada por Deus em termos de um combate de guerra. A força de Deus o capacita a saltar muralhas e a esmagar ou desbaratar uma tropa de homens (verso 30). A força militar começa na mente. Davi teve a coragem moral para enfrentar Golias, assim como a habilidade dada por Deus para derrubá-lo com sua funda. A base para essa força corajosa (vamos chamá-lo pelo que ela é — fé) é a Palavra de Deus. Ela é a fonte da sua fé, a qual o capacita a lutar. Sua palavra para nós é sobre Deus, a nossa rocha e o nosso refúgio (versos 31-33). Deus não apenas coloca Davi nos altos lugares (pontos militares estratégicos), Ele também dá a ele a estabilidade que lhe permite lutar dessa posição (verso 34). Deus é aquele que adestra as mãos de Davi para o combate, quem lhe dá força para vergar um arco de bronze (verso 35). Ele lhe dá o escudo da Sua salvação, e depois lhe dá firmeza para resistir e lutar (versos 36-37).

Todas essas coisas permitem a Davi ter êxito na perseguição dos seus inimigos a fim de que eles façam meia volta e fujam (verso 38). No entanto, eles não escapam, pois Deus lhe dá condições de destruir (moer, verso 43) quem se opõe a ele (versos 39-43). Alguns dos inimigos de Davi — talvez até mesmo muitos deles — parecem ser camaradas israelitas, mas seus inimigos e aliados também incluem os gentios. Nos versos finais do salmo, os gentios se tornam mais proeminentes. Ao livrar Davi das contendas do seu próprio povo (verso 44), Deus também incute terror no coração dos outros povos (os gentios). Em decorrência disso, Deus não só estabelece Davi como rei de Israel, mas também faz as demais nações se sujeitarem a ele. Os gentios temem Davi, e se sua sujeição não é genuína, pelo menos eles fingem ser leais a ele (versos 44-45). Eles desistem e saem espavoridos das suas fortalezas (verso 46).

Louvai a Deus! (Gentios Também!) (2 Samuel 22:47-50)

Vive o SENHOR, e bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja o meu Deus, a Rocha da minha salvação!12 O Deus que por mim tomou vingança e me submeteu povos; o Deus que me tirou dentre os meus inimigos; sim, tu que me exaltaste acima dos meus adversários e me livraste do homem violento. Celebrar-te-ei, pois, entre as nações, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.

Deus é refúgio e defensor de Davi. Quando ele clama por socorro, Deus o ouve e socorre. Deus moverá céus e terra para ajudá-lo, embora às vezes Ele o salve dando-lhe forças para confrontar seus inimigos e derrotá-los. Agora chegamos ao ponto onde as coisas ficam muito interessantes. Quem são, exatamente, os inimigos de Davi? E quem são aqueles com quem ele vai louvar a Deus? Os judeus fanáticos teriam a resposta na ponta da língua: “Os amigos de Davi são os judeus, os quais se juntarão a ele para adorar a Deus; os gentios são inimigos de Deus, e merecem ser reduzidos a pó”. Mas, de modo algum, é isso o que Davi diz.

Ele indica claramente que vários de seus inimigos são pessoas do seu próprio povo (ver verso 44a), e que há gente entre as nações sujeitas a ele que cultuará a Deus com ele (verso 44b). A afirmação mais clara está no verso 50:

Celebrar-te-ei, pois, entre as nações, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.

Alguns dos judeus se opõem a Deus, opondo-se a Davi. Alguns dos gentios são aqueles com quem Davi celebra a Deus como o grande Libertador. Para não pensarem que estou extrapolando o texto, permitam-me lembrar que este é precisamente o enfoque de Paulo, quando usa este texto como uma de suas provas:

Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus. Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia, como está escrito: POR ISSO, EU TE GLORIFICAREI ENTRE OS GENTIOS E CANTAREI LOUVORES AO TEU NOME. E também diz: ALEGRAI-VOS, Ó GENTIOS, COM O SEU POVO. E ainda: LOUVAI AO SENHOR, VÓS TODOS OS GENTIOS, E TODOS OS POVOS O LOUVEM. Também Isaías diz: HAVERÁ A RAIZ DE JESSÉ, AQUELE QUE SE LEVANTA PARA GOVERNAR OS GENTIOS; NELE OS GENTIOS ESPERARÃO. (Romanos 15:7-12)

Será que Deus é o libertador, o refúgio de Davi? Sim. Mas Ele é também o refúgio e o libertador de todos aqueles que confiam nEle, inclusive dos gentios. Quem se coloca contra o rei de Deus (Davi, ou Messias) é inimigo de Deus, e será reduzido a pó pelo rei de Deus.

Deus Salve o Rei! (2 Samuel 22:51)

É Ele quem dá grandes vitórias ao Seu rei e usa de benignidade para com o Seu ungido, com Davi e sua posteridade, para sempre.13

A conclusão de Davi é cheia de esperança e expectativa. Ele é o rei ungido de Deus, mas seu reinado está prestes a acabar. Deus provou ser sua “torre de libertação”, mas isso não vai cessar, devido à aliança feita por Deus com ele, uma aliança que teria um trono eterno:

Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre. (2 Samuel 7:12-16, ênfase do autor)

Estará Davi seguro por ser Deus o seu refúgio? Sim, no final deste verso, ele revela que sua confiança e sua segurança são muito mais duradouras do que a sua própria vida terrena. Ele sabe que, assim como Deus tem sido benevolente para com ele, Ele também será para com seus descendentes, por isso, as bênçãos das quais fala são eternas. Deus não apenas mantém Sua promessa a Davi, protegendo-o de quem tenta destruí-lo, e fazendo-o assentar-se no trono, mas Ele também irá instalar Aquele que cumpre a aliança davídica, o Seu Ungido, o Messias.

Conclusão

Ao concluir esta mensagem, muitas coisas me impressionam quando medito neste salmo.

Primeiro, vejo os “sucessos” de Davi basicamente como feitos de Deus. Quando Davi medita em sua ascensão ao trono, ele compreende que sua escalada ao poder e à proeminência foi devido à graça divina. Ele recorda os perigos em que esteve, quando a morte parecia certa e inevitável, e louva a Deus como o seu resgatador, o seu refúgio, a sua fonte de força e sucesso. Não é como se ele não tivesse feito nada, esperando Deus fazer tudo; antes, apesar das suas ações, Davi sabe que foi Deus quem preservou sua vida e o promoveu a rei de Israel. Davi, aqui, ilustra a verdadeira humildade. Vamos aprender com ele. Se alguém da sua posição e com a sua força espiritual pode dar glória a Deus, com certeza nós também podemos. Como diz Paulo:

Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? (1 Coríntios 4:7)

Segundo, vejo os sucessos de Davi como resultado das suas adversidades e aflições, muitas das quais foram causadas por seus inimigos. Davi louva a Deus pela Sua salvação. Muitas vezes, essa “salvação” foi física (Deus salvou a vida de Davi). Quando olhamos para os evangelhos, encontramos a mesma coisa. A “salvação” fundamental é aquela que nos livra da condenação eterna e viabiliza o perdão dos nossos pecados por meio do sangue de Jesus Cristo, garantindo-nos a vida eterna. Mas, por toda parte nos evangelhos, nosso Senhor é visto “salvando” pessoas em um sentido mais amplo, o que apenas reforça a Sua reivindicação de ser um Salvador maior do que isso.

No Novo Testamento, a palavra grega para salvar é empregada para uma grande variedade de “salvações”. A mesma palavra (raiz) é utilizada para “salvar” os discípulos da tempestade no mar (Mateus 8:25), para curar a mulher com hemorragia (Mateus 9:21-22), para não deixar Pedro afundar quando ele andava sobre as águas (Mateus 14:30), para atender ao pedido de Jairo de “cura” da sua filha (Marcos 5:23), para curar enfermidades de todos os tipos (Marcos 6:56), para restaurar a vista de um cego (Marcos 10:52) e para expulsar demônios (Lucas 8:36).

A lição a ser aprendida é que Deus é o nosso Salvador em muitos aspectos, sendo o maior deles a salvação proporcionada pelo sangue derramado de Jesus. A primeira e mais importante maneira de podermos experimentar a salvação de Deus é recebendo o dom da salvação da culpa e da pena pelos nossos pecados, crendo na morte sacrificial, no sepultamento e na ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. E então, dia após dia, precisamos olhar para Ele como nosso Libertador, nossa Fortaleza e nosso Refúgio, sob cuja guarda e cuidado estamos eternamente seguros.

É nesse contexto de sofrimento e adversidade que experimentamos a graça salvífica de Deus (2 Coríntios 12:7-10). Se for assim (e com certeza é), então devemos ver as nossas aflições de uma forma bem diferente. Embora não nos agradem, elas produzem o doce fruto da intervenção divina e a alegria de uma comunhão mais íntima com nosso Senhor (Filipenses 3:10). Não é à toa que o Senhor tenha dito: “Bem-aventurados os que choram…” (Mateus 5:4).

Terceiro, o livramento dos justos ocorre quando Deus manifesta a Sua ira. Davi fala do perigo vindo de quem é seu inimigo, de quem procura a sua morte (22:18-19, 38-46). Quando Deus é descrito indo em seu auxílio nos versos 8 a 16, Ele vai com toda a natureza a Seu comando. Ele anda, por assim dizer, sobre as asas do vento (verso 11); Ele usa trovões e relâmpagos (versos 14-15), e terremotos (verso 8). Tudo isso é manifestação da ira de Deus aos pecadores que se opõem a Ele quando se opõem ao Seu rei escolhido (ver verso 8). Deus livra o Seu servo, defendendo-o e derrotando seus inimigos.

Davi não fala sobre a salvação de Deus sem considerar também a Sua condenação. Deus o salva, destruindo os seus inimigos. Não existe nada mais assustador do que se encontrar em oposição a um Deus santo e justo. Não há nada mais aterrorizante do que se chegar à conclusão — tarde demais — de que se está contra o ungido de Deus, contra o “filho” de Deus (ver 2 Samuel 7:12-16). Se foi assim para os inimigos de Davi, imagine como será para quem rejeita Jesus Cristo, o “filho de Davi” e “Filho de Deus”. Não há nada pior do que se rebelar contra Deus, rejeitando o Seu Filho.

Quarto, nosso texto certamente fala de alguém superior a Davi. Quando lemos o Salmo 22, percebemos que, embora o salmo tenha sido escrito por Davi, que estava sofrendo às mãos de seus inimigos, há coisas no texto que só podem estar falando de Cristo, o descendente de Davi. O mesmo se aplica ao Salmo 18 (2 Samuel 22). Em última análise, é o “Filho de Davi”, Jesus Cristo, quem está sendo descrito.

Como disse Calvino, “muita coisa neste salmo tem mais a ver com Cristo do que com Davi; e em Romanos 15:9, Paulo não precisou de outro argumento para embasar o seu entendimento do verso 49 (Salmo 18; verso 50 em 2 Samuel) como parte de uma profecia sobre o Messias”.14

Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi rejeitado pelos ímpios, os quais O condenaram à morte. É Jesus quem Deus resgata da morte quando O ressuscita dentre os mortos. Serão os inimigos de nosso Senhor que o Pai destruirá quando enviar Seu Filho de volta a terra. O cântico de Davi é justamente sobre isso — um salmo que anseia pelo tempo em que o “trono eterno” for estabelecido sobre a terra, quando os inimigos de nosso Senhor serão reduzidos a pó e punidos, enquanto aqueles que creem nEle serão salvos. Que dia será esse! A alegria da Sua salvação será igualada pelo terror da Sua justa ira.

Quinto, se Deus é o nosso refúgio, então não é preciso temer. Muitas vezes vejo aquele adesivo de para-choque (na verdade, é mais comum no vidro traseira de uma caminhonete) que diz: Não tenho medo. Não tenho muita certeza do que isso significa para quem o usa. Seria “você não me assusta, por isso, não se meta comigo”, ou “ando sempre com uma arma carregada?” Seja qual for o sentido, não tem nem comparação com as palavras de nosso Senhor, “não temais”. Não há nada neste mundo que se compare à segurança e à proteção dos santos:

Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará. (Deuteronômio 31:6)

Eu vi que o povo estava preocupado e por isso disse a eles, e às suas autoridades, e aos seus oficiais: - Não tenham medo dos nossos inimigos. Lembrem como Deus, o Senhor, é grande e terrível e lutem pelos seus patrícios, pelos seus filhos, suas esposas e seus lares. (Neemias 14:4, Almeida Atualizada)

Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. (Salmo 3:6)

Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer um mortal? (Salmo 56:4)

Neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem? (Salmo 56:11)

O SENHOR está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem? (Salmo 118:6)

Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o SENHOR Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação. (Isaías 12:2)

Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. (Jeremias 1:8)

Não temais o rei da Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e vos livrar das suas mãos. (Jeremias 42:11)

Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! (Mateus 14:27)

Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; (Atos 18:9)

Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: DE MANEIRA ALGUMA TE DEIXAREI, NUNCA JAMAIS TE ABANDONAREI. Assim, afirmemos confiantemente: O SENHOR É O MEU AUXÍLIO, NÃO TEMEREI, QUE ME PODERÁ FAZER O HOMEM? (Hebreus 13:5-6)

Para quem conhece Jesus Cristo e crê nEle como seu Salvador, não há nada a temer. Não é preciso temer o julgamento de Deus, pois a nossa punição foi suportada por nosso Salvador. Não é preciso temer as necessidades, pois Ele prometeu cuidar de nós. Não é preciso temer qualquer circunstância da vida, pois Ele é por nós. Que esta seja a sua confiança, na medida em que você crer na salvação de Deus, Jesus Cristo.

Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: POR AMOR DE TI, SOMOS ENTREGUES À MORTE O DIA TODO, FOMOS CONSIDERADOS COMO OVELHAS PARA O MATADOURO. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 8:31-39)

Tradução: Mariza Regina de Souza


1 NT: na época em que Mr. Deffinbaugh escreveu este estudo

2 Quando contei a Karl sobre minhas lembranças daquele velório, ele me disse que sua esposa, Martha, dava aulas na Escola Dominical numa sala do outro lado do corredor da sala de embalsamamento, de modo que a classe estava sempre sentido cheiro de formol.

3 O texto nos diz que este salmo é uma resposta de Davi aos livramentos de Deus da mão de seus inimigos e da mão de Saul. Por isso, estou presumindo que tenha sido escrito no início de seu reinado, logo após a morte de Saul. Confirmações adicionais da minha suposição vêm do fato de que alguns teólogos acreditam que este salmo seja um dos mais antigos de Davi.

4 “Além de ser a citação mais longa atribuída a Davi (365 palavras em hebraico) e exibir uma rica variação de vocabulário, a seção tem os mesmos moldes da estrutura formal, um exemplo clássico da poesia hebraica”. Robert D. Bergen, 1 e 2 Samuel (Broadman and Holman Publishers, 1996), p. 450.

5 O cântico de Habacuque não é o mais antigo. No entanto, ele se assemelha ao salmo de Davi, como se o profeta não só estivesse familiarizado com ele, mas também o tivesse tomado de empréstimo.

6 Bergen chama a atenção para a posição relevante dada ao salmo no final de 2 Samuel: “A presente seção é claramente uma das passagens de destaque de 2 Samuel, sendo realçada de pelo menos três maneiras. Primeira, a passagem — junto com 22:1-51 — foi colocada no centro da estrutura quiástica do apêndice: por isso, funciona como parte do tema principal dessa porção de 1 e 2 Samuel. Segunda, foi designada como “oráculo”, uma categoria especial da fala reservada para declarações proféticas de importância incomum. Finalmente, foi imortalizada como o enunciado final do “homem exaltado pelo Altíssimo” que se tornou o maior rei de Israel. Bergen, p. 464-465.

7 “Há um relato de que Atanásio, notável líder cristão do século IV, declarou que os Salmos possuem um lugar especial na Bíblia porque a maior parte das Escrituras fala para nós, enquanto os Salmos falam por nós.” Citado por Bernard Anderson, Das Profundezas: Hoje os Salmos Falam por Nós (Filadélfia: The Westminster Press), p. x.

8Cidadela (2) é a palavra usada para a caverna de Adulão (1 Samuel 22:1-5, cf. 23:14, 19, 29), e para o forte jebuseu que se tornou a “cidade de Davi” (5:9)”. Robert P. Gordon, I & II Samuel: Comentário (Grand Rapids: Regency Reference Library, Zondervan Publishing House, 1986), p. 304.

9 Seria estranho pensar que Jonas parece ter emprestado as palavras de Davi para descrever a sua própria situação quando estava no mar (compare 2 Samuel 22:5 com Jonas 2:3-5)?

10 “No verso 19, Davi muda o ambiente poético do mar para a campina, baseando-se na sua própria história pastoril. Neste verso, ele poeticamente descreve o Senhor como seu “cajado” (v. 19: ARA, “amparo”). O termo empregado aqui… se refere à grande vara com a parte superior encurvada usada pelos pastores para tirar as ovelhas do perigo ou afastá-las do caminho errado”. Bergen, p. 456.

11 “...este salmo pode ser visto como uma reafirmação do tema central da Torá — a obediência ao Senhor resulta em bênçãos. Portanto, sua mensagem pode ser resumida desta forma: Uma vez que Davi obedecia escrupulosamente ao Senhor, o Senhor o recompensou atendendo suas súplicas, livrando-o nos tempos de crise e exaltando-o. Por isso, o Senhor deve ser louvado”. Robert D. Bergen, 1 & 2 Samuel (Broadman and Holman Publishers, 1996), p. 451.

12 “As referências ao Senhor como a Rocha, as declarações de que Deus ‘se vinga’ (literalmente, ‘dá a vingança a’) dos inimigos de Davi e a afirmação de que ‘o Senhor vive’ ligam esta parte final do último cântico de Davi à última parte do cântico de Moisés, especialmente Deuteronômio 32:31-43. A semelhança no vocabulário e no assunto sugere que o escritor tentou conscientemente produzir um eco e um paralelo entre o último cântico de Moisés e o último cântico de Davi”. Bergen, p. 462.

13 “Há uma semelhança notável entre o final do cântico de Ana (1 Samuel 2:10) e o verso final do cântico de Davi. Ambos falam do Senhor dando assistência ao “seu rei” e ao “seu ungido”, e mencionam os dois substantivos na mesma ordem. Ao mesmo tempo, há uma notável diferença — Davi chama a si mesmo e aos seus descendentes de reis do Senhor, enquanto Ana não faz tal menção. O efeito resultante desse contraste aparentemente intencional é a afirmação de que a casa de Davi é, de fato, o cumprimento da profecia de Ana”. Bergen, p. 463

“Quanto ao tema, o salmo ecoa e amplia o cântico de Ana (1 Samuel 2:1-10). Cada clímax com uma referência à fidelidade de Yahweh ao seu rei ungido, mas com a diferença de que, com o cumprimento da profecia dinástica (2 Sm. 7:8-16), agora toda a descendência de Davi é objeto do Seu favor. De forma apropriada, a seção seguinte retoma o tema da “aliança eterna” entre Yahweh e Davi (cf. 2 Sm. 23:5)”. Gordon, p. 309

14 Derek Kidner, Salmos 1 a 72: Introdução e Comentário (Drowners Grove: Inter-Varsity Press, 1973), v. 1, p. 90.