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Por Que os Cristãos Sofrem

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Traduzido por B.V. Alves (English)

Introduo

Por que eu? Porque agora? O que Deus est fazendo? O sofrimento um instrumento que Deus usa para chamar nossa ateno e levar a efeito Seus propsitos em nossas vidas. Ele foi arquitetado para construir nossa confiana no Todo Poderoso, embora requeira resposta correta para poder obter sucesso no cumprimento nos propsitos de Deus. O sofrimento nos fora a voltar-nos da confiana em nossos prprios recursos para uma vida pela f nos recursos de Deus.

O sofrimento, por si s, no virtude nem sinal de santidade. Tambm no um jeito de ganhar pontos com Deus ou de subjugar a carne (como no ascetismo). Quando possvel, o sofrimento para ser evitado. Cristo evitou sofrer, a menos que isso significasse agir em desobedincia vontade do Pai.

No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que h de vir depois dele. (Eclesiastes 7:14)

As questes a seguir so formuladas para nos ajudar a considerar o dia da adversidade:

(1) Como estou reagindo a ele?

(2) Como eu deveria estar reagindo a ele?

(3) Estou aprendendo alguma coisa com ele?

(4) Minha reao demonstra f, amor por Deus e pelos outros, carter cristo, valores, compromissos, prioridades, etc.?

(5) Como Deus pode us-lo em minha vida?

Definio de Sofrimento

O que so essas curvas que Deus ps no caminho de nossa vida e que devemos to cuidadosamente considerar? Expressando de forma simples, sofrimento qualquer coisa que machuca ou irrita. No projeto de Deus, ele algo que nos faz pensar. um instrumento que Deus usa para chamar nossa ateno e cumprir seus objetivos em nossas vidas de uma forma que jamais aconteceria sem essa provao ou irritao.

Ilustraes sobre Sofrimento

Pode ser cncer ou inflamao na garganta. Pode ser a doena ou a perda de algum prximo. Pode ser uma falha pessoal ou uma decepo no trabalho ou na escola. Pode ser um boato que esteja circulando em seu trabalho ou igreja, trazendo-lhe tristeza e ansiedade.1 Pode ser qualquer coisa, variando de algo to pequeno quanto uma picada de mosquito ao enfrentamento de um leo numa cova de lees, como aconteceu com Daniel (Daniel 6).

Causas Gerais de Sofrimento

(1) Sofremos por que vivemos num mundo decado onde o pecado impera nos coraes dos homens.

(2) Sofremos devido a nossa prpria inpcia. Colhemos aquilo que plantamos (Glatas 6:7-9).

(3) s vezes sofremos por ser isso a disciplina de Deus. Porque o Senhor corrige a quem ama e aoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12:6).

(4) Podemos sofrer perseguio devido a nossa fespecialmente quando tomamos uma posio acerca de questes bblicas, isto , sofremos por causa da retido (2 Timteo 3:12).

Obviamente, nem todas se aplicam ao mesmo tempo. Por exemplo, nem todo o sofrimento produto de nossa prpria tolice, tormento auto-induzido, ou pecado. verdade, entretanto, que raramente o sofrimento deixa de revelar reas de necessidade, reas de fraqueza, ou atitudes que precisam ser removidas como a escria no processo de refinamento do ouro (conforme 1 Pedro 1:6-7).

Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessrio, sejais contristados por vrias provaes, para que, uma vez confirmado o valor da vossa f, muito mais preciosa do que o ouro perecvel, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glria e honra na revelao de Jesus Cristo. (1 Pedro 1:6-7)

A Natureza do Sofrimento

(1) O Sofrimento Doloroso. Sofrer difcil; jamais cmodo. Apesar do que sabemos e de quo esforadamente aplicamos os princpios, haver dor (conforme 1 Pedro. 1:6contristado = lupeo, causar dor, aflio, tristeza).

(2) O Sofrimento Desorientador. O sofrimento um tanto misterioso. Podemos conhecer algumas das razes teolgicas para o sofrimento a partir das Escrituras, mas quando ele nos golpeia, ainda h um certo mistrio. Por que agora? O que Deus est fazendo? O sofrimento idealizado para construir nossa confiana no Todo Poderoso.

(3) O Sofrimento tem Propsito. O sofrimento no despido de significado, apesar de seu mistrio. Seu principal propsito a formao de um carter semelhante ao de Cristo.

Romanos 8:28-29 28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que so chamados segundo o seu propsito. 29 Porquanto aos que de antemo conheceu, tambm os predestinou para serem conformes imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primognito entre muitos irmos.

(4) Sofrer nos Experimenta (revela). Provaes em Tiago 1:2 o termo grego peirasmos e refere-se ao que examina, testa e prova o carter ou a integridade de algo. Tentaes, outra traduo da palavra no mesmo versculo, dokimion, que passa uma idia similar. Esta se refere a um teste delineado para provar ou aprovar. O sofrimento aquilo que prova o carter e a integridade de algum, bem como o objeto e a qualidade de sua f. Compare com 1 Pedro 1:6-7 onde as mesmas palavras gregas so usadas junto com verbo dokimazo que significa pr prova, provar testando como ao ouro.

(5) O Sofrimento um Processo. Como processo, ele leva tempo. Os resultados que Deus procura alcanar com as provaes da vida requerem tempo e, tambm, perseverana.

Romanos 5:3-4 3 E no somente isto, mas tambm nos gloriamos nas prprias tribulaes, sabendo que a tribulao produz perseverana; 4 e a perseverana, experincia; e a experincia, esperana.

Tiago 1:3-4 3 Sabendo que a provao da vossa f, uma vez confirmada, produz perseverana. 4 Ora, a perseverana deve ter ao completa, para que sejais perfeitos e ntegros, em nada deficientes.

(6) O Sofrimento um Purificador. No importa a razo, mesmo que ele no seja a disciplina de Deus pela carnalidade grosseira, um purificador j que nenhum de ns jamais ser perfeito na vida.

Filipenses 3:12-14 12 No que eu o tenha j recebido ou tenha j obtido a perfeio; mas prossigo para conquistar aquilo para o que tambm fui conquistado por Cristo Jesus. 13 Irmos, quanto a mim, no julgo hav-lo alcanado; mas uma coisa fao: esquecendo-me das coisas que para trs ficam e avanando para as que diante de mim esto, 14 prossigo para o alvo, para o prmio da soberana vocao de Deus em Cristo Jesus.

(7) O Sofrimento Prov Oportunidade. O sofrimento oferece oportunidade para a glria de Deus, nossa transformao, testemunho e ministrio, etc. (Veja razes para o sofrimento, dadas abaixo.)

(8) O Sofrimento Requer Nossa Cooperao. Para ter sucesso no cumprimento dos objetivos de Deus, o sofrimento requer reao adequada de nossa parte. Todos ns queremos o produto, carter; mas no queremos o processo, sofrimento.2 Devido nossa constituio como seres humanos, no podemos ter um sem o outro.

(9) O Sofrimento Predeterminado ou Prescrito.

1 Pedro 1:6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessrio, sejais contristados por vrias provaes.

1 Pedro 4:12 Amados, no estranheis o fogo ardente que surge no meio de vs, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinria vos estivesse acontecendo.

(10) O Sofrimento Inevitvel. A questo que todos precisamos enfrentar no se teremos provaes na vida, mas sim como reagiremos a elas.

1 Tessalonicenses 3:3 ...a fim de que ningum se inquiete com estas tribulaes. Porque vs mesmos sabeis que estamos designados para isto.

1 Pedro 4:19 Por isso, tambm os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prtica do bem.

(11) O Sofrimento Uma Luta. Ser uma batalha durante todo o tempo. por isso que so chamadas provaes e provas. Mesmo quando conhecemos os propsitos e princpios do sofrimento, e conhecemos as promessas de amor e interesse divinos dados na Palavra de Deus para lidar com o sofrimento, enfrentar as provaes da vida jamais fcil porque o sofrimento machuca. As provaes simplesmente nos do a capacidade de cooperar com o processo (Tiago 1:4). Elas apenas propiciam o funcionamento do processo e nos permitem experimentar contentamento e paz interior dentro das provaes.

A fim de lidar com o sofrimento com contentamento interior e tranqüilidade, precisamos ser capazes de olhar mais alm para os propsitos e motivos de Deus para o sofrimento. Isso requer f nas verdades eternas de Deus.

Constate as bnos da aflio conforme vistas no testemunho do salmista no Salmo 119:

Antes da aflio

Desviar e ignorar (vs. 67a)

Durante a aflio

Aprender e mudar de direo (vs. 71, cf. vs. 59)

Quando estamos em aflio precisamos de:

(1) Determinar as Causas, se pudermos (Isto devido a alguma coisa que eu fiz?)

(2) Determinar os Objetivos (O que Deus est querendo fazer em minha vida ou na de outrem?)

(3) Determinar as Solues (Como Deus quer que eu lide com isto?)

Aps a aflio

(1) Conhecimento e mudana (vss. 67b, 97-102)

(2) Descansar e avaliar (vss. 65, 72)

Precisamos compreender que o propsito principal de Deus nas nossas vidas tornar-nos a imagem de Cristo e Ele determinou em Seu plano usar o sofrimento para nosso desenvolvimento espiritual. Se devemos suportar o sofrimento e as provaes da vida, entretanto, devemos tambm entender e acreditar nos outros propsitos e razes para o sofrimento, na medida em que estes esto relacionados com o propsito principal.

Propsitos e Razes para o Sofrimento

(1) Sofremos como testemunho, tal como uma testemunha (2 Timteo 2:8-10; 2 Corntios 4:12-13; 1 Pedro 3:13-17). Quando os crentes lidam com o sofrimento com contentamento e estabilidade, isso se torna um maravilhoso testemunho do poder e vida no Cristo que afirmamos e reputamos. O sofrimento prov oportunidades vitais para manifestar e magnificar o poder de Deus atravs de seus servos, a fim de verificar e confirmar o mensageiro e sua mensagem. Ele fornece oportunidades para revelar nossas credenciais como embaixadores de Cristo (1 Reis 17:17-24; Joo 11:1-45). Esto includas as seguintes reas:

    a. Glorificar a Deus perante o mundo anglico (J 1-2; 1 Pedro. 4:16).

    b. Manifestar aos outros o poder de Deus (2 Corntios 12:9, 10; Joo 9:3).

    c. Em meio ao sofrimento, manifestar o carter de Cristo, como um testemunho para ganhar outros para Ele (2 Corntios 4:8-12; 1 Pedro 3:14-17).

(2) Sofremos para desenvolver nossa capacidade e compaixo, confortando outros (2 Corntios 1:3-5).

(3) Sofremos para controlar nosso orgulho (2 Corntios 12:7). O Apstolo Paulo entendeu seu espinho na carne como um instrumento permitido por Deus para ajud-lo a manter um esprito de humildade e dependncia do Senhor, devido s revelaes especiais que ele tinha recebido por ter sido arrebatado ao terceiro cu.

(4) Sofremos por ser isso um instrumento de ensino. Amorosa e fielmente Deus usa o sofrimento para desenvolver nossa justia pessoal, maturidade, e nosso andar Nele (Hebreus 12:5f; 1 Pedro 1:6; Tiago 1:2-4). Neste sentido, o sofrimento planejado como:

    a. Uma disciplina contra o pecado para trazer-nos de volta ao corpo de Cristo por meio de confisso genuna (Salmos 32:3-5; 119:67).

    b. Um instrumento de desbaste para remover os galhos mortos de nossas vidas (fraquezas, pecados por ignorncia, valores e atitudes imaturos, etc.) O objetivo desejado o aumento da frutificao (Joo 15:1-7). Provaes podem tornar-se espelhos de repreenso para revelar reas escondidas de pecados e fraquezas (Salmos 16:7; 119:67, 71).

    c. Um instrumento de crescimento arquitetado para levar-nos a depender do Senhor e de Sua Palavra. Provaes testam a nossa f e nos levam a usar as promessas e princpios da Palavra (Salmos 119:71, 92; 1 Pedro 1:6; Tiago 1:2-4; Salmos 4:1 [Em hebraico esta passagem pode significar Voc tem me ampliado, me feito crescer atravs de minha agonia]). Sofrimentos ou provaes nos ensinam a verdade do Salmo 62:1-8, a verdade de aprender a esperar somente no Senhor.

    d. Um meio de aprender o que verdadeiramente significa obedincia. Ele se converte num teste de nossa lealdade (Hebreus 5:8). Ilustrao: Se um pai diz a seu filho para fazer algo de que este gosta (por exemplo, tomar uma taa de sorvete) e o filho o faz, a criana obedeceu, mas na realidade no aprendeu nada sobre obedincia. Se o pai, entretanto, pede-lhe que corte a grama do jardim, isso vem a ser um teste e ensina algo sobre o significado da obedincia. A questo : a obedincia freqüentemente nos custa algo e difcil. Ela pode requerer sacrifcio, coragem, disciplina, e f na crena de Deus bom e tem em mente o nosso melhor interesse, no importa como as coisas nos paream. No importa a razo pela qual Deus permite o sofrimento em nossas vidas; raramente ele no revela reas de necessidade, fraquezas, atitudes erradas, etc., tal como aconteceu com J.

    O sofrimento, em si mesmo, no coisa que produza f ou maturidade. Ele apenas um instrumento que Deus usa para trazer-nos a Ele de forma a que possamos responder a Ele e a Sua Palavra. O sofrimento nos fora a voltar-nos da confiana em nossos prprios recursos para uma vida de f nos recursos de Deus. Ele nos faz pr em primeiro lugar as primeiras coisas. No final das contas, so a Palavra e o Esprito de Deus que geram f maduro carter semelhante ao de Cristo (Salmos 119:67, 71).

    Tiago 1:2-4; 1 Pedro 1:6-7: A expresso chave a prova de nossa f. Prova a palavra dokimion que mostra ambos os conceitos: o teste que purifica, e os resultados, a prova resultante do teste. O Senhor usa provaes para testar nossa f no sentido de purific-la, traz-la para a superfcie, de forma que somos forados a pr nossa f para trabalhar.

(5) Sofremos para que seja produzida persistente dependncia da graa e do poder de Deus. O sofrimento planejado para fazer-nos andar pela capacidade, poder e proviso de Deus, ao invs dos nossos (2 Corntios 11:24-32; 12:7-10; Efsios 6:10f; Ex. 17:8f). Ele faz nos voltar dos nossos recursos para os recursos de Deus.

(6) Sofremos a fim de manifestar a vida e o carter de Cristo (O Fruto do Esprito) (2 Corntios 4:8-11; Filipenses 1:19f). Isto semelhante ao ponto (4) acima, com nfase maior no processo e definio do objetivo, a produo do carter de cristo. Tem tanto um aspecto negativo quanto um positivo:

    a. Negativo: O sofrimento ajuda a remover impurezas de nossas vidas, tais como indiferena, autoconfiana, motivos falsos, autocentrismo, valores e prioridades incorretos, mecanismos de escape, por meio dos quais procurarmos tratar de nossos problemas (solues humanas). O sofrimento, por si s, no remove as impurezas, mas um instrumento que Deus usa para fazer-nos exercitar a f nas provises da Sua graa. a graa de Deus em Cristo (nossa nova identidade em Cristo, na Palavra e no Esprito Santo) que nos modifica. Este aspecto negativo efetuado em duas circunstncias: (1) Fora da convivncia com o Senhor: O sofrimento vem a ser a disciplina de nosso Pai celeste (Hebreus 5:5-11; 1 Corntios 11:28-32; 5:1-5). Isso envolve pecado conhecido, rebelio e indiferena a Deus. (2) Dentro da convivncia com o Senhor: O sofrimento vem a ser o amoroso, habilidoso e produtivo trabalho do Viticultor para nos tornar mais frteis. Envolve pecado no conhecido, reas de que no estamos cientes mas que, mesmo assim, esto atrapalhando nosso crescimento e frutificao. Neste caso, muitas vezes o sofrimento constitui espelho de censura (Joo 15:1-7).

    b. Positivo: Quando os crentes vivem o sofrimento em contentamento (isto , suportam e continuam aplicando as promessas e princpios da f), a vida e o carter de Cristo sero mais e mais manifestados medida que eles crescem dentro do sofrimento (2 Corntios 4:9-10; 3:18). Isso significa confiana, paz, alegria, estabilidade, valores bblicos, fidelidade, obedincia, em contraste a atitudes mentais pecaminosas, acusaes, fugas, reclamaes e reaes contra Deus e seu povo.

(7) Sofremos a fim de manifestar a natureza perversa de homens maldosos e a retido da justice de Deus quando isso entra em julgamento (1 Tessalonicenses 2:14-16). O sofrimento nas mos de pessoas (perseguio, tratamento violento) usado por Deus para encher a medida de seus pecados. Mostra o carter perverso daqueles que perseguem outros e a justia do julgamento de Deus quando eles caem.

(8) Sofremos a fim de ampliar nossos ministrios (conforme Filipenses 1:12-14 e 4:5-9). No processo de gerar carter cristo e promover nosso testemunho a outros, o sofrimento muitas vezes nos abre as portas para ministrios que jamais poderamos ter imaginado. A priso de Paulo (diariamente acorrentado a soldados romanos em sua prpria casa) resultou na disseminao do evangelho pela elite imperial da guarda pretoriana. Sem dvida, o Apstolo se rejubilava continuamente no Senhor, mas se ele tivesse estado reclamando, aborrecido e amargo, seu testemunho poderia ter sido nulo.


1 Ron Lee Davis, Gold in the Making, Thomas Nelson, Nashville, 1983p. 17-18.

2 Davis, p. 19. Veja tambm a p. 32.

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