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Lição 3: A Travessia do Jordão (Josué 3:1-4:24))

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Introdução

É capaz de pensar no seu passado e lembrar-se de um dia pelo qual tenha esperado bastante tempo com grande antecipação e entusiasmo? Enquanto crianças, o Natal e os aniversários eram dias assim. Mais tarde, talvez pensasse no dia da formatura, do seu casamento ou quiçá no momento da conquista do direito a disputar alguma competição importante, como os Jogos Olímpicos.

Dependendo da natureza do dia e do que pudesse implicar, tal momento traria também uma certa ansiedade, dado o desafio a ser enfrentado. Esperou meses, semanas e dias, até que, finalmente, esse dia chegou. Consegue imaginar a antecipação e entusiasmo com que o povo de Israel lidava diante do Rio Jordão, na noite anterior à sua travessia em direcção à terra?

A geração anterior não pudera entrar devido a descrença, e a nova geração aguardara muito tempo - quase quarenta anos para alguns. Com cerca de 80 anos de idade, Josué e Caleb haviam esperado ainda mais. De acordo com a promessa feita aos Patriarcas, a antecipação judaica remontava a quinhentos anos atrás. Porém, Josué diz ao povo neste momento: “Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós” (3:5).

Contudo, não obstante o entusiasmo, haveria decerto alguma ansiedade ao contemplarem o rio transbordante, pensando nas cidades fortificadas que se erguiam na outra margem. A vida é assim mesmo. Frequentemente, com as nossas esperanças no seu auge, existem desafios e problemas que enfrentamos em simultâneo.

Depois de escutarem uma mensagem numa conferência bíblica sobre como lidar com o desânimo, três pessoas procuraram o orador: uma jovem mãe, que não dormira na noite anterior por o seu marido ter chegado a casa às 22 horas e 30, anunciando-lhe que queria divorciar-se; um pastor, cuja filha adolescente estava a rebelar-se contra Deus; e uma trabalhadora cristã, cujo marido dera entrada no hospital para tratamento a um tumor cerebral.

Um pastor declarou: “O problema é que enfrentamos dificuldades que nós não conseguimos resolver: este cliente que tenho de atender, este exame que tenho de fazer, esta dívida que tenho de pagar, estes parentes que tenho de suportar, este vício que tenho de deixar, este casamento que tenho de salvar.” 1

Mas assim é viver num mundo decadente. A par das nossas esperanças e alegrias, surgem problemas para os quais não dispomos nem da força, nem da sabedoria necessárias. Precisamos da força que vem de cima. A batalha é realmente do Senhor, e era isto que estava a ser ensinado a Israel neste capítulo. Donald Campbell intitula o capítulo 3 de “Passando a Vau Rios Intransponíveis”.

As Necessárias Provisões para a Travessia (3:1-6)

1 Levantou-se, pois, Josué de madrugada, e partiram de Sitim, e vieram até ao Jordão, ele e todos os filhos de Israel; e pousaram ali, antes que passassem. 2 E sucedeu, ao fim de três dias, que os príncipes passaram pelo meio do arraial; 3 E ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca do concerto do Senhor, vosso Deus, e que os sacerdotes, levitas, a levam, parti vós, também, do vosso lugar, e segui-a. 4 Haja, contudo, distância entre vós e ela, como da medida de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes.

5 Disse Josué, também, ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós. 6 E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do concerto e passai adiante deste povo. Levantaram, pois, a arca do concerto, e foram andando, adiante do povo.

O Lugar Preeminente da Arca (vss. 1–4)

Para além da forma miraculosa como o rio Jordão foi atravessado, o aspecto mais importante deste capítulo é a Arca da Aliança. A sua proeminência é realçada pelo número de vezes em que é mencionada ao longo dos capítulos 3 e 4 (nove vezes no capítulo 3 e sete vezes no capítulo 4), bem como pela natureza das ordens e declarações dadas a seu respeito.

O que há de tão importante acerca da Arca? Representava a pessoa e promessas de Deus. Apontava para o facto de que, ao sair para atravessar o Jordão, invadir e possuir a terra, o povo de Israel não deveria basear-se na sua própria força, mas sim na de Deus, já que Ele mesmo seguia diante deles como fonte de vitória.

Este é o caso com tudo na vida. Tal como Paulo clamou ao contemplar os desafios e provações do ministério, “E, para estas coisas, quem é idóneo?”. Mas em seguida respondeu à sua própria questão com estas palavras: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Cor. 3:4-5).

O Povo Consagrado (vss. 5-6)

No versículo 5, Josué ordena às pessoas que se santifiquem, em concordância com as maravilhas que Deus realizaria entre elas no dia seguinte. Mas o que significa a palavra “santificar”? Não é exactamente o que esperaríamos de um ponto de vista militar. O líder militar actual diria: “Afiai as vossas espadas e lanças, e poli os vossos escudos!”. Porém, os caminhos de Deus não são os nossos. Para o povo de Deus, a preparação espiritual é o elemento vital, ao estar justamente relacionada com Deus e ao trazer o Seu poder para as nossas obras e ministério.

“Santificar” corresponde ao hebraico qadash, podendo significar “ser santificado, posto à parte, consagrado” ou “consagrar, pôr à parte, preparar, dedicar”. Mas aqui aparece no seu radical reflexivo hithpael, que significa “consagrai-vos, ponde-vos à parte, preparai-vos”. Este radical assinala a nossa responsabilidade pessoal.

No Antigo Testamento, esta palavra é frequentemente usada (em particular em Êxodo e Levítico) em associação com os sacrifícios, sacerdócio e abluções do Antigo Testamento, e ainda relativamente aos filhos de Israel enquanto povo de Deus. A este respeito, era especialmente utilizada em ligação com a confissão ou a purificação mediante o uso dos sacrifícios, abluções e oblações do Antigo Testamento (Êx. 19:10, 22; 40:13). Retrata a necessidade de lidar com o pecado na vida. Aplicava-se quanto a reservar alguma coisa para uso do Senhor e Seus propósito, no sentido de a purificar, preparar e dedicar ao Senhor (por exemplo, a santificação do Monte Sinai (Êx. 19:22); a preparação de Aarão através das vestes sacerdotais e a unção para o ministério (Êx. 28:3, 41); colocar à parte para o uso de Deus através do sacrifício e unção (Êx. 29:1, 36, 37; 29:44; 40:13)).

Aplicação: Repare em Josué 3:5b: “porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós”. Quando existe uma falta de santificação através da confissão para profanação do pecado, a par com o compromisso relativo ao propósito de Deus para as nossas vidas no serviço ou ministério, criamos obstáculos ao poder de Deus. Mas há mais neste chamamento à santificação. “O povo de Israel deveria esperar que Deus operasse um milagre. Deveriam estar ansiosos, tomados por uma noção de maravilha. Israel não poderia perder de vista o seu Deus, capaz de fazer o incrível e humanamente impossível.”2

Duas ideias-chave estão envolvidas - Preparação e Dedicação:

(1) Lembra-nos da santidade de Deus. Deus É santidade absoluta, completamente afastado do pecado. Ele É um Deus santo, que não pode estabelecer amizade com um homem pecaminoso ou admitir o pecado na Sua presença sem uma solução para o problema do pecado.

(1) Mostra a necessidade de sacrifício pelo pecado, ou a cruz de Cristo. Sem fé na cruz e sua purificação, nenhum homem pode ser colocado à parte para uso ou bênção de Deus.

(2) Deus não utiliza instrumentos contaminados. Para os crentes, salvos e purificados pela obra de Cristo, esta ordem de santificação demonstra a necessidade de purificação através da confissão ou de estarmos bem com Deus e os homens, de modo a sermos usados por Deus e experienciarmos a Sua salvação. A fim de experimentarmos o poder, protecção e salvação de Deus, precisamos de preparar o nosso coração e lidar com o pecado conhecido nas nossas vidas mediante a confissão (compare Josué 7:13 com Êx. 19:10, 22).

(4) Mantendo em mente a ideia de dedicação associada a esta palavra, a ordem recorda-nos da necessidade de compreender o nosso propósito enquanto povo de Deus, a par com o compromisso relativamente a Deus e Sua vontade. Significava que deveriam pôr-se à parte para Yahweh de modo a atravessarem o Jordão e poderem entrar na terra, derrotar os inimigos e tornarem-se um testemunho para as nações (Êx. 19:4‑6).

(5) A ordem, especialmente à luz da teologia do Novo Testamento, sugere a necessidade da intervenção do Espírito Santo e Seu controlo para uma vida santificada. Esta ordem sugere isto devido à prevalência da unção mencionada em associação com a santificação dos sacerdotes, etc. (compare também com Êx. 40). Realça a necessidade de preenchimento pelo Espírito Santo enquanto agente habilitador de Deus para lidar com as forças organizadas contra nós - a carne, o diabo e o mundo (Actos 1:8; Efésios. 3:16; 5:18; Gál. 5:16 ss e 6:1).

A Promessa da Passagem pelo Jordão (3:7–13)

7 E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que, assim como fui com Moisés, assim serei contigo. 8 Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até à borda das águas do Jordão, parareis no Jordão. 9 Então disse Josué aos filhos de Israel: Chegai-vos para cá e ouvi as palavras do Senhor, vosso Deus.10 Disse mais Josué: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós; e que de todo lançará de diante de vós aos cananeus, e aos heteus, e aos heveus, e aos pereseus, e aos girgaseus, e aos amorreus, e aos jebuseus. Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a terra passa o Jordão diante de vós. 12 Tomai, pois, agora, doze homens, das tribos de Israel, de cada tribo um homem; 13 Porque há-de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas águas do Jordão, se separarão as águas do Jordão, e as águas que de cima descem pararão num montão.

No fundo, estes versículos reforçam o conceito da graça. Mostram que atravessar o Jordão e despojar os inimigos (bem como todos os aspectos da nossa salvação e santificação) são obra de Deus. As coisas que fazemos na santificação não são actos de justiça merecedores do favor de Deus ou que derrotam os inimigos. Em vez disso, actos de santificação, como a confissão, removem as barreiras ao poder e amizade de Deus, preparando os nossos corações para receberem a Sua graça; edificam a nossa fé, de modo a colocarmos os pés na água, atravessarmos e avançarmos contra o inimigo.

A Promessa a Josué (vs. 7)

Para serem eficazes, os líderes precisam das referências certas: treino bíblico sólido sob homens de Deus, que verdadeiramente conhecem Deus e a Sua palavra; e a mão de Deus, presente de modo óbvio na vida do líder. Assim, estava na hora de Deus estabelecer Josué como Seu representante para guiar a nação.

Atente a Josué 4:14. É significante ter sido Deus a realizar a exaltação. A nossa tendência é exaltarmo-nos a nós mesmos; porém Josué, referindo-se à mensagem de Deus, nada disse acerca desta promessa de exaltação. Em lugar disso, ao mencionar as palavras de Deus concernentes a Israel, focou a atenção das pessoas no facto de que era o Deus vivo quem estava entre elas, e que apenas Ele despojaria os inimigos da terra (vs. 10).

As Ordens para os Sacerdotes (vs. 8)

Dado serem os sacerdotes que levavam a Arca da Aliança, e uma vez que a mesma representava a pessoa e poder de Deus, transportariam sozinhos a Arca até à borda do rio, mantendo-se quietos dentro de água. O que retiramos daqui? Somos lembrados do nosso papel no plano de Deus. Devemos aprender a caminhar na fé e obediência aos princípios e promessas da Escritura. O sucedido recorda-nos da necessidade de confiarmos nas promessas de Deus. Não era suposto que entrassem nas águas a correr. Trata-se de uma passagem idêntica às palavras de Moisés em Êxodo 14:13-14, quando os israelitas se encontravam cercados, tendo à sua frente o Mar Vermelho e atrás de si o Faraó e suas carruagens.

Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos3 e vede o livramento (hebraico, yeshu‚àa‚) do Senhor, que hoje vos fará: porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis, para sempre: O Senhor pelejará por vós, e vos calareis. (Êxodo 14:13-14).

Sou recordado de Isaías 30:15: “Porque, assim diz o Senhor Jeová, o Santo de Israel: Em vos converterdes, e em repousardes, estaria a vossa salvação; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes…”

A Palavra do Senhor ao Povo (vss. 9-13)

A mensagem principal do versículo 9 consiste em escutar as “palavras do Senhor, vosso Deus”. Nisto observamos o conceito de Romanos 10:17, “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. O que podemos aprender aqui que se aplique à liderança? Entre o povo de Deus, a autoridade dos líderes tem de ser a Escritura, em detrimento da sua personalidade, carisma ou qualquer outra coisa que apele às pessoas.

A que se refere a palavra “Nisto” no versículo 10? À Arca da Aliança. Repare no versículo 11. Focava-se na verdade de que “a batalha é do Senhor” ou, como Josué disse, “Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós; e que de todo lançará de diante de vós aos cananeus, …” (3:10). O que sustém os crentes é a presença de Deus enquanto único Deus vivente, independentemente do que a vida possa trazer. O segredo é manter-se concentrado na Sua presença e confiar n’Ele.

Durante a Guerra Civil, a cidade de Moresfield, West Virginia, encontrava-se na linha divisória, oscilando para trás e para a frente entre as tropas da União e da Confederação. Numa velha casa, que ainda hoje existe, vivia sozinha uma mulher de certa idade. Uma manhã, as tropas ianques pisaram o seu alpendre. Julgando-se à sua mercê, ela permaneceu calma e convidou-os a sentarem-se à sua mesa.

Assim que o pequeno-almoço se encontrava diante deles, disse: “É um costume antigo nesta casa rezar antes das refeições. Espero que não se importem”. Com isso, pegou na Bíblia, abriu-a ao acaso e começou a ler do Salmo 27 (Versão Rei Jaime):

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei? 2 Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, investiram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram. 3 Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria: ainda que a guerra se levantasse contra mim, nele confiaria. … 13 Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria os bens do Senhor na terra dos viventes. 14 Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.”

Quando terminou, murmurou baixinho “Oremos”. Enquanto rezava, ouviu sons furtivos de sapatos a arrastar. Ao terminar com “Amén”, abriu os olhos. Os soldados tinham desaparecido! A sua falta de medo fizera-os receosos de se deterem ali mais tempo! 4

Travessia pelo Poder de Deus (3:14–17)

14 E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam os sacerdotes a arca do concerto, diante do povo. 15 E quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que levavam a arca se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras todos os dias da sega), 16 Pararam as águas que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adam, que está da banda de Sartan; e as que desciam ao mar das campinas, que é o mar salgado, faltavam de todo e separaram-se: então passou o povo defronte de Jericó. 17 Porém os sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor pararam firmes, em seco, no meio do Jordão; e todo o Israel passou em seco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão.

Depois de deixarem o acampamento, como instruídos, os sacerdotes lideravam o caminho, carregando a Arca da Aliança, e caminharam até ao Jordão, que transbordara sobre as suas margens. Isso deve ter constituído uma visão aterradora mas, confiando na presença do Deus vivente, avançaram para dentro de água. Imediatamente, ocorreu um milagre.

No Bible Knowledge Commentary, Campbell escreve:

Embora o local chamado “Adam” apenas seja mencionado aqui, é usualmente identificado como Tell ed-Damiyeh, cerca de 16 milhas (26 quilómetros) a norte do baixio oposto a Jericó. Portanto, foi seca uma ampla faixa de leito do rio, permitindo que o povo passasse com os seus animais e bagagens (compare com Josué 4:10).

Como poderia ocorrer este evento sensacional? Muitos insistem que não se terá tratado de um milagre, uma vez que pode ser explicado como um fenómeno natural. Argumentam que, a 8 de Dezembro de 1267, um tremor de terra levou as margens altas do Jordão a colapsar perto de Tell ed-Damiyeh, obstruindo o rio durante 10 horas. Em 11 de Julho de 1927, outro terramoto próximo da mesma localização bloqueou o rio por 21 horas. Claro que estas paragens não ocorreram durante a época das cheias. Admitidamente, Deus poderia empregar causas naturais, tais como um terramoto ou um deslizamento de terra e, ainda assim, o facto de acontecerem no momento perfeito constituiria uma intervenção miraculosa. Mas permite o texto bíblico tal interpretação deste evento?

Considerando todos os factores envolvidos, parece mais acertado olhar para esta ocorrência como um acto especial de Deus, propiciado de uma forma desconhecida ao homem. Foram reunidos muitos elementos sobrenaturais: (1) O evento aconteceu tal como previsto (3:13, 15). (2) Aconteceu no momento exacto (v.15). (3) O evento teve lugar quando o rio se encontrava na fase das cheias (v.15). (4) A parede de água foi mantida no lugar durante muitas horas, possivelmente um dia inteiro (v.16). (5) O leito macio e húmido do rio ficou seco de uma vez (v.17). (6) Mal o povo terminou a travessia e os sacerdotes saíram do rio, a água regressou imediatamente (4:18).5

À medida que uma pessoa estuda o terceiro capítulo e se maravilha face à miraculosa obra de Deus nele retratada, surge um princípio importante que não deve ser negligenciado. Atravessar o Jordão na época das cheias com dois milhões de pessoas teve diversos resultados imediatos: Deus foi magnificado, Josué exaltado (3:5), o povo ficou certamente energizado e motivado, e os habitantes da terra, os cananeus, ficaram aterrorizados (compare com 1:9; 5:1). Deus estava a entregar-lhes a terra. De facto, Ele já o fizera, providencialmente falando (1:2-6; 2:9), porém o povo da terra não ia simplesmente submeter-se. Os nativos resistiriam com todos os recursos ao seu dispor. Atravessar o Jordão e tomar posse do que lhes pertencia não seria fácil. Implicaria batalha atrás de batalha. Cruzar o Jordão, portanto, significava duas coisas para Israel. Primeiramente, deveriam estar totalmente empenhados quanto a avançar contra exércitos, carruagens e cidades fortificadas. Contudo, a fim de serem bem-sucedidos, também teriam de se comprometer com um percurso de fé focado em Yahweh, o único Deus verdadeiro e vivente, em vez de, tal como haviam feito no deserto, caminharem de acordo com a carne e os seus próprios recursos.

Para os fiéis actuais, atravessar o Jordão representa transitar de um patamar da vida cristã para outro. (Não se trata de uma imagem do crente que morre e entra no Céu. Para os israelitas, Canaã dificilmente seria o Paraíso!) É a imagem de penetrar na guerra espiritual, reclamando o que Deus prometeu. Tal deverá significar o fim de uma vida baseada no esforço humano e o início de uma existência de fé e obediência. 6

Preparações para Recordar a Travessia (4:1-24)

1 Sucedeu, pois, que, acabando todo o povo de passar o Jordão, falou o Senhor a Josué, dizendo: 2 Tomai do povo doze homens, de cada tribo um homem; 3 E mandai-lhes, dizendo: Tomai daqui, do meio do Jordão, do lugar do assento dos pés dos sacerdotes, doze pedras; e levai-as convosco, à outra banda, e depositai-as no alojamento em que haveis de passar esta noite. 4 Chamou, pois, Josué os doze homens que escolhera, dos filhos de Israel: de cada tribo um homem; 5 E disse-lhes Josué: Passai diante da arca do Senhor, vosso Deus, ao meio do Jordão; e levante cada um uma pedra sobre o seu ombro, segundo o número das tribos dos filhos de Israel; 6 Para que isto seja por sinal entre vós; e quando os vossos filhos, no futuro, perguntarem, dizendo: Que vos significam estas pedras? 7 Então lhes direis que as águas do Jordão se separaram diante da arca do concerto do Senhor; passando ela pelo Jordão, separaram-se as águas do Jordão: assim, estas pedras serão, para sempre, por memorial aos filhos de Israel.

8 Fizeram, pois, os filhos de Israel, assim como Josué tinha ordenado, e levantaram doze pedras do meio do Jordão, como o Senhor dissera a Josué, segundo o número das tribos dos filhos de Israel, e levaram-nas consigo ao alojamento, e as depositaram ali. 9 Levantou Josué, também, doze pedras, no meio do Jordão, no lugar do assento dos pés dos sacerdotes que levavam a arca do concerto; e ali estão, até ao dia de hoje. 10 Pararam, pois, os sacerdotes que levavam a arca, no meio do Jordão, em pé, até que se cumpriu quanto o Senhor a Josué mandara dizer ao povo, conforme a tudo quanto Moisés tinha ordenado a Josué; e apressou-se o povo, e passou. 11 E sucedeu que, assim que todo o povo acabou de passar, então passou a arca do Senhor e os sacerdotes, à vista do povo. 12 E passaram os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribo de Manassés, armados, na frente dos filhos de Israel, como Moisés lhes tinha dito; 13 Uns quarenta mil homens de guerra, armados, passaram diante do Senhor, para a batalha, às campinas de Jericó. 14 Naquele dia, o Senhor engrandeceu a Josué diante dos olhos de todo o Israel; e temeram-no, como haviam temido a Moisés, todos os dias da sua vida.

15 Falou, pois, o Senhor a Josué, dizendo: 16 Dá ordem aos sacerdotes que levam a arca do testemunho que subam do Jordão. 17 E deu Josué ordem aos sacerdotes, dizendo: Subi do Jordão. 18 E aconteceu que, como os sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor subiram do meio do Jordão, e as plantas dos pés dos sacerdotes se puseram em seco, as águas do Jordão se tornaram ao seu lugar, e corriam, como dantes, sobre todas as suas ribanceiras.

19 Subiu, pois, o povo, do Jordão, no dia dez do mês primeiro; e alojaram-se em Gilgal, da banda oriental de Jericó. 20 E as doze pedras, que tinham tomado do Jordão, levantou Josué em Gilgal. 21 E falou aos filhos de Israel, dizendo: Quando, no futuro, os vossos filhos perguntarem aos seus pais, dizendo: Que significam estas pedras? 22 Fareis saber aos vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jordão. 23 Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as águas do Jordão, diante de vós, até que passásseis; como o Senhor, vosso Deus, fez ao Mar Vermelho, que fez secar perante nós, até que passámos. 24 Para que todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte: para que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias.

Outro título para este capítulo poderia ser “A fim de que não nos esqueçamos”. A preocupação encontrada na Bíblia quanto à nossa propensão para esquecer o Senhor, as Suas obras de salvação e santificação e o que isto significa para nós mediante o nosso chamamento é um dos temas mais destacados da Escritura.

Comecemos por uma ilustração da vida de Israel, conforme registada para nós em Êxodo 15:

1 Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor; e falaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque sumamente se exaltou: lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. 2 O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto, lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. 3 O Senhor é varão de guerra: o Senhor é o seu nome. 4 Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército: e os seus escolhidos príncipes afogaram-se no Mar Vermelho. 5 Os abismos os cobriram: desceram às profundezas como pedra. 6 A tua dextra, ó Senhor, se tem glorificado em potência: a tua dextra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo; 7 E com a grandeza da tua excelência derribaste aos que se levantaram contra ti: enviaste o teu furor, que os consumiu como restolho. 8 E com o sopro dos teus narizes amontoaram-se as águas, as correntes pararam como montão: os abismos coalharam-se no coração do mar. 9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos: fartar-se-á a minha alma deles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá. 10 Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu: afundaram-se como chumbo em veementes águas. 11 Ó Senhor, quem é como tu, entre os deuses? quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas? 12 Estendeste a tua mão direita: a terra os tragou. 13 Tu, com a tua beneficência, guiaste a este povo, que salvaste: com a tua força o levaste à habitação da tua santidade. 14 Os povos o ouvirão, eles estremecerão: apoderar-se-á uma dor dos habitantes da Palestina. 15 Então os príncipes de Edom se pasmarão, dos poderosos dos moabitas apoderar-se-á um tremor, derreter-se-ão todos os habitantes de Canaan. 16 Espanto e pavor cairá sobre eles: pela grandeza do teu coração emudecerão como pedra; até que o teu povo haja passado, ó Senhor, até que passe este povo que adquiriste. 17 Tu os introduzirás e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. 18 O Senhor reinará eterna e perpetuamente;

19 Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco, pelo meio do mar. 20 Então Miriam, a profetisa, a irmã de Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela, com tamboris e com danças. 21 E Miriam lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque sumamente se exaltou, e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.

22 Depois, fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur: e andaram três dias no deserto, e não acharam águas. 23 Então chegaram a Mara; mas não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas: por isso, chamou-se o seu nome Mara. 24 E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? 25 E ele clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces: ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou. 26 E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e obrares o que é recto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egipto; porque eu sou o Senhor que te sara.

27 Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras: e ali se acamparam junto das águas.

Em apenas três dias, este povo, que assistira e louvara as obras poderosas de Deus, parecia ter desenvolvido um caso súbito e grave de amnésia. Em vez de se queixarem da falta de água e mais tarde das águas amargas de Mara, poderíamos esperar que dissessem: “Senhor, lembramo-nos da forma como nos salvaste da nossa escravidão no Egipto e afastaste as águas do Mar Vermelho, e de como destruíste os cavalos do Faraó, as suas carruagens e cavaleiros no mar; e agora, ó Senhor, sabemos que nos trouxeste até aqui em cumprimento dos Teus propósitos, por isso estamos confiantes de que Tu...”

Contudo, lemos em vez disso: “E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Êxodo 15:24).

Foquemo-nos em algumas advertências no Antigo Testamento acerca da memória:

A Fim de que Não Esqueçamos

Para que Possamos Recordar

Êx. 12-51-13:8; Deut. 4:9-10, 23, 31.

Ordens positivas para recordar: Deut. 6:12; Deut. 7:18, Deut. 8:2

Deut. 5:15; 15:15— recordar o negativo, a vida da qual Deus nos redimiu como motivação contra esquecer a graça de Deus.

Ilustrações negativas de recordar, fazendo-nos esquecer o positivo: Núm. 11:5.

Deut. 8:11, 14, 18-19;

Deut. 9:7; 16:3; 32:7

Estes versículos abrangem apenas uma lista parcial de avisos e ordens no sentido de recordar em detrimento de esquecer, conforme as nossas tendências naturais. O memorial das pedras assenta em três objectivos:

(1) Um Sinal Memorial destinado a promover encorajamento e reverência em todo o Israel, para sempre. O nome Gilgal provém de uma palavra que significa “uma roda”; por sua vez, esta deriva da palavra galal, significando “rolar algum objecto sobre, em cima, para longe, contra, até”. Gilgal significa quer “rotação”, quer “círculo de pedras”. Portanto, cada vez que Israel regressasse a Gilgal, veria o círculo de pedras, lembrando o que Deus fizera a fim de afastar o opróbrio do Egipto (repare em Josué 5:9, que utiliza o verbo galal). A própria localização das pedras seria um encorajamento, mas também um lembrete do poder soberano do Senhor sobre as nações e a criação, de modo a que temessem o Senhor eternamente e permanecessem fiéis ao seu propósito no plano de Deus (compare com Êx. 19:4-6; Deut. 4:1-9).

(2) Um Sinal Memorial destinado a promover a instrução das gerações futuras (4:6b-7, 21-23). Em duas secções do capítulo, abrangendo cinco versículos, os pais são lembrados da sua responsabilidade quanto à transmissão da Palavra de Deus e Seu chamamento aos filhos, geração após geração. Os pais não ousam nem podem abdicar desse aspecto. Deus confia-lhes tal privilégio e responsabilidade. (Compare: Deut. 4:9; 6:6 ss; e Juízes 2:1 ss; 3:1-7; 8:34; 21:25.)

(3) Um Sinal Memorial de testemunho para outras nações (4:24a). Aqui, Deus recorda novamente a Israel o seu propósito enquanto nação sacerdotal (Êx. 19:4-6; 1 Pedro 2:5, 9-11). A aplicabilidade na nossa vida deverá ser óbvia. Os cristãos são pedras vivas de um templo santo, memoriais vivos do poder de Deus. Porém, também nós enfrentamos a ameaça de esquecermos o Senhor, olvidando o nosso carácter de peregrinos devido à preocupação com o mundo.

Em jeito de aplicação, quais são algumas das coisas que fazemos regularmente, e somos chamados a realizar, que constituem memoriais da graça salvadora de Deus, bem como do nosso chamamento enquanto crentes em Cristo?

  • Reunirmo-nos semanalmente (Actos 2:42; 1 Cor. 11:17 ss; Heb. 10:23-25).
  • Participar na ceia do Senhor, especificamente destinada a lembrá-Lo, à semelhança de diversas festividades e de dias especiais, como a Páscoa.
  • Cerimónias especiais em várias alturas do ano, como o Natal, Ano Novo e Páscoa, são ocasiões maravilhosas para nos focarmos no Senhor, tornando tais coisas reais na vida dos nossos filhos.
  • Através do nosso tempo pessoal diário na Palavra, de grupos cuidadores e da amizade com outros.

Texto original de J. Hampton Keathley, III.

Tradução de C. Oliveira.


1 Donald K. Campbell, Joshua, Leader Under Fire, Victor Books, Wheaton, 1989, pp. 26-27.

2 John F. Walvoord, Roy B. Zuck, Editors, The Bible Knowledge Commentary, Victor Books, Wheaton, 1983,1985, versão electrónica.

3 A palavra hebraica aqui, yasab, significa “colocar, posicionar-se, tomar o seu lugar”, mas é usada “especialmente quanto a manter-se quieto e passivo, para ver a salvação poderosa de Yahweh. (Francis Brown, S. R. Driver, Charles A. Briggs, A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, Oxford University Press, London, 1907, p. 426).

4 Campbell, p. 30.

5 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

6 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

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