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Where the world comes to study the Bible

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Introdução e contexto

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Durante séculos, os descendentes de Abraão haviam antecipado a posse da terra que Deus prometera ao Patriarca aquando da Aliança Abraâmica, mais tarde reiterada a Isaac e Jacob. O livro de Josué é a fascinante história do cumprimento dessa promessa. É a história da fidelidade de Deus e de como, mediante fé nas Suas promessas, o povo de Deus pode ultrapassar desafios e experienciar a Sua salvação, com potencial para mudar a vida. A mensagem de Josué tem a capacidade de encorajar e de exercer um impacto maravilhoso na vida de uma pessoa. De modo a que tal ocorra, porém, necessitamos de seriedade no que concerne ao nosso estudo das Escrituras. Para aqueles que desejam que a mensagem de Josué influencie as suas vidas de uma maneira positiva para Deus, as quatro palavras seguintes são providenciadas como alimento para o pensamento:

(1) Sede: O salmista escreveu “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! Quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Salmo 42:1-2, Versão Almeida, revista e actualizada). Infelizmente, os homens procuram com demasiada frequência preencher o vazio nas suas almas recorrendo a coisas que nunca satisfazem verdadeiramente. Todos fomos criados com um vazio que apenas o próprio Deus consegue satisfazer. O salmista reconheceu isso e, depois da analogia do cervo ansiando por água, falou da sede na sua alma, que só Deus poderia extinguir. Mas logo surgiu a questão “Quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?”. Um local e momento em que poderemos fazer tal coisa são aquando do nosso estudo bíblico. O estudo da Bíblia mais eficaz ocorre quando somos levados a estudar por termos sede de conhecer a Deus. Possa isso mesmo ter lugar enquanto estudamos o livro de Josué.

(2) Labuta: Na nossa sociedade de comidas rápidas, orientada para os centros comerciais, onde esperamos que tudo seja rápido e fácil, demasiado frequentemente abordamos o nosso estudo da Bíblia de modo semelhante. Um estudo bíblico eficaz constitui trabalho duro, requerendo diligência, à semelhança de qualquer outra circunstância que valha a pena e na qual desejemos alcançar muito. “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tim. 2:15).

(3) Tempo: É-nos possível aquecer durante um minuto uma chávena de água no microondas, à qual misturamos rapidamente uma colher de chá do nosso café instantâneo favorito, obtendo assim algo quente para beber. Contudo, as maiores bênçãos provêm usualmente de meditarmos, lermos e passarmos tempo com o precioso livro de Deus.

(4) Disposição para aprender: Novamente, num mundo tão cheio de ideias humanas, teologias, ideologias e filosofias, alcançaremos mais quando nos aproximarmos das Escrituras com um espírito disposto a aprender, pedindo a Deus que nos ensine a Sua verdade, pois apenas esta nos santifica e liberta (João 17:17; 8:32).

À medida que for lendo este estudo, esperançosamente com a sua Bíblia na mão, mantenha estas quatro palavras na sua mente e coração.

Visão geral

O livro de Josué descreve a conquista e posse da terra de Canaã, podendo ser dividido em três partes simples: (1) invasão ou entrada, (2) conquista, e (3) posse ou divisão da terra. Esta era a terra que Deus prometera a Israel através de Abraão, Isaac e Jacob. Aqui, Deus cumpriu essa promessa, embora não exaustivamente, pois permanece ainda um repouso para o povo de Deus (Heb. 4). Josué descreve o triunfo militar do povo de Deus através da fé e da obediência. Porém, ao contrário da maioria das histórias militares, o livro de Josué foca-se no Comandante dos comandantes, o Capitão dos exércitos do Senhor (5:15). Repetidamente, tal como ilustra o nome Josué (Javé salva), o livro demonstra que as vitórias de Israel se deveram ao poder e intervenção de Deus.

Perspectivas históricas principais

Em nesis, Israel nasceu como uma nação no chamamento e promessas de Deus a Abraão (Eleição da nação).

Em Êxodo, a nação foi resgatada da servidão no Egipto, atravessou o Mar Vermelho e recebeu a Santa Lei de Deus (Redenção da nação).

Em Levítico, a nação foi ensinada a adorar de acordo com a santidade de Deus (Santificação da nação).

Em Números, foram testados e numerados como uma nação (Direcção e Deambulação da nação).

Em Deuteronómio, a lei foi revista, reiterada e encerrada com a garantia de que Israel possuiria a terra (Instrução da nação).

In Josué, a nação atravessou o Jordão e tomou posse da terra (Posse pela nação). Se Moisés é o símbolo da salvação, então Josué é o símbolo da vitória. Josué ensina-nos que a fé “é a vitória que vence o mundo” (1 João 5:4).

Versículo-Chave

Josué 1:3 “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés”

Josué 1:3 é comparável a Efésios 1:3 no Novo Testamento, “… nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, em Cristo.” Literalmente, “nos lugares celestiais”; isto é, na posse de um legado e de experiências celestiais às quais o Cristão é trazido graças à sua associação com Cristo erguido.1

Conceito-Chave

O conceito-chave do livro de Josué é a possessão através do conflito graças ao poder de Javé, o Capitão dos exércitos do Senhor. Neste aspecto, é também semelhante a Efésios pois, ainda que sejamos abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo, temos de enfrentar realisticamente os nossos inimigos (Efésios 6:12), fortalecendo-nos ao vestirmos a armadura completa de Deus (Efésios 6:10-11, 13-18). É importante compreender que a propriedade de Israel sobre a terra era incondicional sob a Aliança Abraâmica, mas a sua posse estava condicionada pela fé e obediência. Da mesma forma, actualmente o conflito e a conquista pela fé são acompanhados por nos apropriarmos daquilo que temos em Cristo; a experiência das nossas bênçãos em Cristo advém da fé no meio do conflito.

O Tema e Propósito do Livro

Como mencionado, Josué é a história da conquista de Israel sobre a terra de Canaã, em cumprimento das promessas de Deus concernentes ao povo de Israel. Após 400 anos de escravidão no Egipto e 40 anos no deserto, os Israelitas encontram-se finalmente preparados para entrar na Terra Prometida. Abraão, peregrino e estrangeiro durante toda a sua vida, nunca tomou realmente posse do país para o qual fora enviado. O único local da terra que chegou a possuir, a cova e o campo de Macpela (Gén. 23), foi comprado por si mesmo, de modo a servir de sepultura para Sara e a sua família. Contudo, Abraão deixou aos seus descendentes físicos e espirituais o legado das promessas da aliança de Deus, que fariam deles os herdeiros eventuais de toda a terra de Canaã e das bênçãos espirituais que temos em Cristo, incluindo uma cidade celestial (veja Gén. 15:13,16,18; 17:8; Rom. 4:12-14; Heb. 11:11; 4:1-11). No livro de Josué, essa promessa longamente antecipada torna-se realidade.

Objectivo Primário

O objectivo primário do livro de Josué é mostrar a fidelidade de Deus relativamente às Suas promessas; que Ele fez por Israel exactamente o que prometera (compare Gén15:18 com Josué 1:2-6 e 21:43-45). Os eventos registados em Josué foram seleccionados de modo a colocarem em destaque a intervenção especial de Deus em favor do Seu povo contra todos os tipos de probabilidades formidáveis. O cumprimento das promessas de Deus, como se torna tão evidente no nascimento de Isaac a Abraão e Sara e na possessão da terra com as suas cidades fortificadas, é obra de Deus, estando para lá do que o homem consegue fazer independentemente de quanto se esforce (veja Rom. 4).

Objectivo Secundário

O objectivo secundário é mostrar que, da mesma forma que Deus os retirara do Egipto mediante fé no Seu poder, também os conduziria à posse da terra pela fé no poder de Deus. Declara enfaticamente a verdade de que, embora justificados pela fé, como Abraão, ou salvos da escravidão, como Israel fora do Egipto, a vitória sobre os inimigos da vida, que se opõem à nossa caminhada com Deus, deverá provir também da fé no poder de Deus (Josué1:5-7; 3:7, compare também com Heb. 4:1-3). Josué, portanto, estabelece um contraste com Números, livro no qual observamos o fracasso de Israel por causa da descrença, vagueando no deserto embora fosse o povo remido de Deus.

O Nome e Autor do Livro

Ao contrário dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, este livro vai buscar o seu nome à principal personalidade humana da história, Josué, filho de Nun, servo de Moisés. Embora Josué não seja explicitamente identificado como o autor, o conteúdo geral do livro indica que o mesmo seria uma testemunha da maioria dos eventos, descritos com grande vividez e minúcia, ocasionalmente na primeira pessoa (“nós” e “nos”, por exemplo, em 5:1, 6). Outros factores apoiam Josué como autor: (1) a tradição judaica, como o Talmude (Baba Bathra 14b) nomeia Josué como autor do Livro; (2) parece evidente que o livro foi escrito pouco tempo depois de os eventos terem lugar (compare com 6:25); (3) a unidade do estilo também sugere que um autor redigiu a maior parte do trabalho, embora algumas porções tenham obviamente necessitado de ser escritas por outros, como Eleazar, o sacerdote, ou Finéas, seu filho (note a terceira pessoa “ele” aplicada a Josué em 15:13-17; veja também 24:29-31); (4) finalmente, é declarado especificamente em 8:32 e 24:26 que Josué realizou algum trabalho de escrita. As evidências, portanto, suportam a ideia de Josué como autor do livro.

Porém, por que retira este livro o nome do autor, contrariamente aos cinco primeiros livros de Moisés? Em primeiro lugar porque, enquanto sucessor do grande legislador e líder Moisés, Josué poderia facilmente ser esquecido, e o Senhor não queria que olvidássemos este homem e o seu ministério como líder fiel e servo do Senhor. Adicionalmente, Josué constitui um tipo especial de Cristo. Tal é visto no seu nome 2 e na obra que realizou ao introduzir o povo na terra, uma imagem do “repouso sabático” em Cristo (Heb. 4). Este é o homem que desafiou o povo no final do livro, dizendo

“Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o, com sinceridade e com verdade: e deitai fora os deuses, aos quais serviram os vossos pais, dalém do rio e no Egipto, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram os vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais: porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:14-15).

Uma segunda razão para que este livro se chame Josué encontra-se no significado do seu nome. O nome original de Josué era Hosea (Núm. 13:8; Deut. 32:44), significando literalmente “salvação”. Porém, durante as deambulações no deserto, Moisés alterou o nome para Yehoshua, significando “Javé é salvação” ou “Salva, Javé” (Núm. 13:16). Josué é a forma abreviada de Yehoshua. Isto constituiu uma antecipação profética e recordação para Josué, os espiões e o povo de que a vitória sobre os inimigos e a posse da terra aconteceriam graças ao poder de Javé, e não mediante as habilidades, sabedoria ou poder humanos. Este livro recebeu o nome Josué uma vez que, embora Josué tenha sido um dos maiores estrategistas militares da história mundial, a sua sabedoria e feitos militares provieram de Javé, que sozinho É a nossa salvação. Foi o próprio Javé que concedeu a vitória a Israel e derrotou os seus inimigos, dando ao povo o domínio da terra.

De modo significante, a versão grega deste nome é “Jesus”, o nome que Maria foi instruída a dar ao seu filho, pois seria Ele quem poderia salvar o povo dos seus pecados (Mat. 1:21).

A Terra de Canaã na Mensagem de Josué

(1) Canaã era o local de repouso de Israel: Em vez da labuta no Egipto e das deambulações pelo deserto, Israel estava preparado para assentar e encontrar um lar em Canaã, onde deveria funcionar como povo de Deus e luz para as nações. Possuir e subjugar a terra repleta de inimigos conduziria a tal repouso e comunhão com o Senhor (compare com Deut. 6:10-11 e Lev. 26:6-8).

(2) Canaã era o local de recompensa: Esta era uma terra de onde fluíam “leite e mel”, uma “terra boa e larga” (Êx. 3:8, 17; 13:5; 33:3; Lev. 20:24; Núm. 13:27, etc.). É descrita cerca de 16 vezes como uma “terra que mana leite e mel”. Era uma terra de frutos extraordinários (Núm. 13:26,27), uma terra de milho e de vinho, beijada pelo orvalho do Céu (Deut. 33:28; Lev. 26:5; Deut. 11:10-12).

(3) Canaã era um local de trinfo: Encontravam-se em Canaã inimigos e forças muito mais poderosas do que Israel, mas ainda assim tais inimigos constituíam um adversário derrotado sem que Israel tivesse de desferir um só golpe. Porquê? Porque a vitória de Israel não dependia da sua própria habilidade ou poder, mas sim do poder e força de Javé, seu Deus (Deut 7:2; 9:3; Josué 1:2 ss). A batalha é sempre do Senhor (1 Sam. 17:47).

As Imagens e Tipologia em Josué

Como pode constatar pelo que foi exposto anteriormente, Josué é um livro rico em imagens para o crente de hoje em dia. É abundante em analogias, o que é apoiado por Hebreus 3:7-4:12 e 1 Coríntios 10:6, 11. O livro de Josué retrata a vida centrada na fé do fiel actual, que experiencia as bênçãos da sua salvação mediante uma fé que ultrapassa diversas provações, tentações e dificuldades da vida que ele ou ela enfrenta da parte dos nossos três inimigos – o mundo, a carne e o diabo. Repare em algumas dessas analogias:

(1) Embora seja suposto apropriarmo-nos da nossa salvação e colocá-la em prática (disciplinando-nos na piedade), em Cristo não trabalhamos para a nossa salvação ou espiritualidade, mas devemos repousar pela fé naquilo que Deus fez por nós. Estar em Cristo constitui o nosso lugar de repouso, formando a base para descansar dos inimigos nesta vida, antecipando um descanso milenar e eterno.

(2) Em Cristo somos abençoados com toda a bênção espiritual. Esta é a nossa recompensa (Efésios 1:3).

(3) No mundo enfrentamos inimigos e lutas, mas é-nos prometida a vitória em Cristo mediante fé e perseverança.

(4) Josué, o líder do povo de Israel, é um tipo de Cristo, o “Príncipe da salvação” (compare com Heb. 2:10-11; Rom. 8:37; 2 Cor. 1:10; 2:14).

(5) A travessia do Jordão é uma imagem do Cristão contando com a morte e ressurreição em Cristo e movendo-se até ao local de crescimento e vitória.

(6) As conquistas de Canaã retratam os conflitos do Cristão contra os inimigos mundo, carne e diabo. (a) A tomada de Jericó representa a vitória sobre o sistema satânico mundial, fortificado contra o nosso progresso espiritual. (b) A derrota e posterior vitória em Ai ilustra a nossa luta e libertação da natureza pecaminosa, bem como a nossa propensão para pecar ou para procurar viver a vida Cristã através da nossa própria força. (c) O engano e experiência com os Gibeonitas ilustram certamente a nossa batalha contra Satanás e suas ilusões demoníacas.

Vez após vez, a Palavra de Deus confronta-nos com a necessidade da salvação que apenas pode provir de Deus. Deparamo-nos com a urgência absoluta de recebermos a vida salvadora de Cristo. Cristo é a única vida que salva. Sem a Sua morte, que nos conferiu uma reputação justificada perante Deus, e sem Ele e a Sua vida interior, tudo o que alcançaríamos seria o homem a trabalhar a partir da fonte da sua própria fraqueza ou temperamento, tentando ser o Senhor Simpático, esforçando-se por se adaptar a algum padrão religioso ou cultural. Tal não se enquadra no Cristianismo genuíno. Não passa de uma contrafacção, uma distorção e um engano. É um truque de Satanás, desenhado no sentido de afastar as pessoas da solução que Deus providenciou através de Cristo e da luz da Sua Palavra oficial, a Bíblia.

Satanás deseja cegar-nos para a “luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Cor. 4:4). O que é o evangelho da glória de Cristo? É a sua vida salvadora, o facto de o homem ser salvo e resgatado de si mesmo através da vida gloriosa e obra de Jesus Cristo, que é a própria imagem de Deus.

Não é suposto sermos a fonte do nosso Cristianismo. A sua fonte é Cristo. Não deveremos nunca controlar o nosso Cristianismo, mas o Cristianismo e tudo o que é nosso através de Cristo deverá controlar-nos. Não é suposto tentarmos reproduzir em nós a imagem de Deus. Em lugar disso, o Cristianismo consiste em Deus reproduzindo-Se em nós mediante o Seu Filho, Jesus Cristo, graças ao poder do Espírito.

Neste estudo, apresentaremos verdades espirituais básicas ou princípios retirados do texto de Josué, mas procuraremos também ilustrar diversas comparações ou analogias para a vida Cristã. A justificação para fazermos isto encontra-se em passagens como Lucas 24:27, “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”, e 1 Coríntios 10:4, 6, 11.

Versículo 4. “E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” A pedra dava testemunho da presença e obra de Deus.

Versículo 6. “E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.”

Versículo 11. “Ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.”

Estes versículos ensinam-nos que os acontecimentos mencionados no Antigo Testamento foram eventos históricos nos quais a obra redentora de Deus se manifestou na vida do Israel antigo. Contudo, também proporcionam princípios, imagens e ilustrações como avisos, ensinando verdades práticas e úteis para a vida do fiel em Cristo de hoje. Formam paralelismos fascinantes e instrutivos, bem como analogias para a vida do crente em Cristo, enquanto enfrenta um mundo contrário e hostil.

(1) O Egipto retrata o mundo com as suas ideias humanas, idolatria, misticismo e antagonismo relativamente à salvação, resgate e propósitos de Deus para o Seu povo.

(2) Estar no Egipto representa uma condição perdida, ser escravo de Satanás, o mundo e a carne.

(3) Sair do Egipto através do cordeiro Pascal e do Mar Vermelho ilustra a salvação conseguida pela morte de Jesus Cristo e pela poderosa força de Deus. Refere-se à redenção através da vida salvadora de Cristo.

(4) Um crente deslocando-se em direcção ao Egipto, como Abraão fez em Génesis 12:10, ilustra um fiel que se volta para o mundo e seus substitutos e soluções, em vez de se dirigir a Deus em busca de salvação.

(5) Israel no Deserto é um tipo de imagem relativa ao crente no domínio carnal. Encontra-se remido e abençoado com maravilhosos privilégios, mas ainda assim falha em prosseguir a sua vida com Deus e vive fora do lugar da bênção suprema, longe da vontade de Deus e em derrota constante, vagueando sem rumo por não conseguir confiar no Senhor e na salvação que Ele prometeu.

(6) Cruzar o Jordão e entrar em Canaã é uma analogia do fiel que toma posse do seu legado através da fé no poder e provisão de Deus. Retrata o crente em comunhão, confrontado com conflitos e inimigos, e ainda assim capaz de ser salvo ao depender do Senhor e ao caminhar pela fé nos princípios e promessas da Palavra.

(7) Os Cananeus na Terra retratam os inimigos do crente, que se levantam no intuito de se oporem a nós no nosso modo de viver Cristão, mas que, em simultâneo, constituem um adversário derrotado, conquanto tenhamos de nos apropriar da vitória providenciada por Deus, a vida redentora de Cristo. Alguns acreditam que Jericó pode ilustrar o mundo, Acan e Ai a carne ou a natureza pecaminosa, e os Gibeonitas os enganos de Satanás e do sistema mundano.

Em preparação para este estudo, deixo-lhe as seguintes sugestões:

  • Analisemos cuidadosamente as circunstâncias em que Israel foi bem-sucedido e aquelas em que falhou. Humilhemos os nossos corações e examinemos as nossas próprias vidas à luz do que encontrarmos nessas passagens.
  • Façamos perguntas como “Estou a cometer os mesmos erros que Israel? Estarei a aplicar os mesmos princípios que Josué? Escuto o chamamento de Deus e os desafios para a minha vida?”
  • Alegremo-nos e tiremos proveito das vitórias de Israel, pois as suas vitórias poderão também ser nossas.
  • Oremos para que o estudo de Josué explique algumas das nossas falhas pessoais, encorajando-nos na nossa batalha espiritual, desafiando-nos a substituir a vida pessoal, qualquer que seja a forma em que exista nas nossas vidas, pela existência salvadora de Cristo.

Texto original de J. Hampton Keathley, III.

Tradução de C. Oliveira.


1 Charles Caldwell Ryrie, Ryrie Study Bible, Expanded Edition, Moody, p. 1877.

2 Josué é chamado pelo nome Jesus em Actos 7:45.

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