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11. Confia em Mim? – A História de José e Maria

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Nazaré era uma adorável cidadezinha aconchegada entre as colinas com vista para a vasta e fértil Planície de Esdraelom. O lugar era composto, principalmente, de algumas casinhas de pedra branca, uma sinagoga erguida na colina mais alta e um mercado na entrada da aldeia. Quando despontou a era do Novo Testamento, sua população parecia girar em torno de pouco mais de cem habitantes, em sua maioria agricultores, mas também alguns artesãos cujas oficinas encontravam-se no mercado – um oleiro, um tecelão, um tintureiro, um ferreiro e um carpinteiro. Os acontecimentos mais importantes da história da humanidade iriam envolver pessoas relacionadas àquela humilde carpintaria de Nazaré.

O carpinteiro, um homem robusto, na flor da idade, chamado José, estava comprometido com uma garota de nome Maria, provavelmente uma adolescente. Ela era uma jovem a quem Deus tinha concedido muita graça (“muito favorecida”, cf. Lucas 1:28). Como o restante de nós, ela era pecadora e admitia sinceramente sua pobreza de espírito e necessidade da salvação graciosa de Deus (cf. Lucas 1:47-48). Mas ao aceitar com entusiasmo a oferta de perdão do Senhor, dia a dia ela tinha se apropriado da Sua graça infinita para crescer e se santificar. Ela era muito agraciada por Deus. E sabia que Ele estava presente em sua vida. O Senhor estava com ela (Lucas 1:28). E ela usufruía uma bela e constante comunhão com Ele.

Entretanto, apesar de seu conhecimento profundo de Deus, foi uma experiência chocante e assustadora quando o anjo Gabriel lhe apareceu: “Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lucas 1:30-33). Assim que pôde, Maria perguntou ao anjo: “Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (Lucas 1:34). E Gabriel lhe explicou o fenômeno sobrenatural que ia realizar aquela façanha extraordinária: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Era simplesmente inacreditável, um milagre sem precedentes na história da humanidade, mas que poderia ser realizado pelo poder sobrenatural de Deus; e a gravidez miraculosa de Isabel foi citada pelo anjo como evidência. Agora a questão era com Maria: resistir à vontade do Senhor ou se tornar uma serva disposta por meio de quem Ele cumpriria Seu plano. E essa decisão era basicamente uma questão de fé. No desenrolar da história, veremos, primeiramente, a confiança de Maria em Deus.

“Quanta honra”, você diria, “ser escolhida como a mãe do Messias! Como ela poderia recusar?”. Mas, espere um minuto. Talvez você diga isso porque conheça o final da história; contudo, coloque-se no lugar dela por alguns instantes. Você acha mesmo que alguém ia acreditar que aquela criança tinha sido concebida pelo Espírito Santo? Não acha que muitas pessoas iriam concluir que ela estava escondendo a verdade sobre alguma escapadela com algum soldado romano? O centro administrativo do distrito ficava em Séforis, só a 7 km a noroeste dali, e os soldados romanos eram frequentemente vistos pelas ruas de Nazaré. Não acha que as outras pessoas poderiam concluir que ela e José tinham avançado em seu relacionamento e desobedecido a lei de Deus? Em qualquer dos casos, não haveria a possibilidade de Maria ser apedrejada por relações sexuais ilícitas?

E quanto a José? Ele sabia não ser o responsável pelo estado dela. O que ele diria? Ainda estaria disposto a se casar com ela? Ela estaria disposta a desistir dele se chegasse a esse ponto? E quanto à criança? Será que não carregaria o estigma da ilegitimidade pelo resto da vida? Naquele breve momento na presença do anjo, todos os sonhos de Maria passaram como um flash pela sua cabeça, e ela podia ver cada um deles desmoronando.

A questão toda se resumiu a apenas uma coisa para Maria: “Será que posso confiar em Deus para resolver cada um desses problemas sendo submissa à Sua vontade? Maria desfrutava de um abundante suprimento da graça de Deus. Ela tinha satisfação em seu relacionamento pessoal com o Senhor. Mas agora Ele estava lhe pedindo para enfrentar o maior problema da vida de um crente que anda em comunhão com Ele: “Maria, você realmente confia em mim”?

Maria era uma mulher pensativa. Por duas vezes, lemos que ela guardava certas coisas, meditando-as no coração (cf. Lucas 2:19, 51). Contudo, aqui, ela não levou muito tempo para se decidir. Imediatamente ela respondeu: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1:38). Sua decisão foi se submeter à vontade do Senhor e confiar nEle para o que desse e viesse. Submeter-se à vontade de Deus quase sempre envolve algum risco. Mas Deus prometeu fazer todas as coisas cooperarem para o bem e não temos alternativa, a não ser acreditar nisso, se quisermos desfrutar da Sua paz e do Seu poder.

A disposição de obedecer a Deus e confiar nEle para o que der e vier é uma pedra fundamental para um bom casamento. Outros homens podem negligenciar a esposa para sair por aí com os amigos, correr atrás de modismos ou se divertir com sua última aquisição. Deus, no entanto, quer que o marido cristão coloque sua esposa acima de todas as coisas, exceto de Cristo, e a ame como Cristo ama Sua igreja, confiando nEle para tornar as consequências mais gratificantes do que qualquer passatempo ou conquista. A liberdade feminina talvez seja a ordem do dia, mas Deus quer que a esposa cristã seja submissa ao marido com um espírito manso e tranquilo, confiando nEle para enriquecer seu casamento e satisfazer sua vida por meio dele. Talvez Deus esteja nos perguntando o mesmo que perguntou a Maria: “Você realmente confia em mim?”.

Todavia, confiar em Deus é apenas o começo de um bom casamento. Deve haver também profunda confiança de um no outro, e a nenhum homem jamais foi pedido para confiar tanto na garota com quem ia se casar do que ao desta história. Vejamos, então, a confiança de José em Maria. A cronologia aqui não é clara. Não dá para ter certeza se José sabia ou não da gravidez de Maria antes que ela partisse para a casa de Isabel, na Judeia. Mas após seu retorno, três meses depois, o segredo já não podia ser escondido (cf. Lucas 1:56 e Mateus 1:18). Teria Maria falado com José sobre a concepção milagrosa? Teria ele achado difícil acreditar na história dela, mesmo amando-a profundamente? Teria ele aceito a história de imediato? Teria ele resolvido deixá-la porque duvidasse da sua palavra, ou se considerasse indigno de se casar com a mãe do Messias, ou pensasse que Maria teria de educar o filho no templo? Os motivos de José não são claros.

Contudo, uma coisa é certa: havia um conflito imenso na alma de José. Acreditasse ele ou não na história de Maria, os outros, com certeza, não iriam acreditar e ele teria de viver com o falatório a respeito de uma esposa infiel pelo resto da vida. No entanto, José era um homem temente a Deus e cheio de graça. Fosse qual fosse sua decisão, ela ia refletir tanto a sabedoria divina como seu carinho por Maria. E, mesmo com o coração partido, ele estava inclinado a terminar tranquilamente o relacionamento e poupá-la de qualquer constrangimento público (Mateus 1:19). De qualquer forma, pelo menos ele estava aberto à orientação de Deus e, enquanto meditava em oração sobre a coisa certa a fazer, um anjo do Senhor apareceu-lhe em sonho e disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Lucas 1:20-21). Lembre-se de que este anjo, diferente daquele que falou com Maria, apareceu-lhe em sonho. Teria sido um sonho propiciado pela sua ansiedade ou seria realmente uma mensagem de Deus? Nós não temos dúvida de que era uma mensagem de Deus, pois as Escrituras claramente assim nos dizem, mas José não sabia disso. A princípio, talvez, ele tenha duvidado. Contudo, uma crescente segurança começou a tomar conta dele e a confiança solidificou-se em sua alma. O assunto foi resolvido – não interessava o que os fofoqueiros iriam falar; José acreditava! “Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus” (Mateus 1:24-25). Esta, provavelmente, foi a maior prova de confiança demonstrada entre um homem e uma mulher.

Na realidade, todo casamento é uma relação de confiança. Quando estamos diante do altar e ouvimos nosso futuro cônjuge prometer que vai renunciar a todos e ser fiel somente a nós, nós acreditamos. Quando o/a ouvimos jurar solenemente que irá nos amar na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe, nós acreditamos. E, porque acreditamos, nós fazemos a mesma promessa em resposta e nos comprometemos a um relacionamento para toda a vida. A confiança de um no outro é outra pedra fundamental em um bom casamento, e essa confiança deve crescer com o passar dos anos.

Confiar é ser capaz de dizer ao nosso cônjuge os nossos pensamentos e sentimentos mais profundos, crendo que eles nunca serão usados contra nós, crendo que, seja como for, seremos amados e aceitos, talvez ainda mais devido a nossa honestidade. Confiar é não sentir raiva ou ciúmes quando nosso cônjuge está falando com alguém do sexo oposto. Confiar é acreditar no nosso cônjuge quando ele nos diz onde esteve ou no que está pensando, ou quando tenta explicar o que realmente quis dizer com o que disse.

A confiança nos coloca à mercê do nosso cônjuge. Ela nos torna totalmente vulneráveis e podemos acabar nos machucando! Quando realmente acreditamos em alguém, e depois descobrimos que fomos enganados, isso nos faz sentir tolos e humilhados. Mas que alternativa nós temos? Sem confiança não pode haver relacionamento. Portanto, peçamos a graça de Deus para continuar confiando e creiamos que Ele usará a nossa confiança para tornar o nosso cônjuge mais confiável se for necessário. Veja, não é só o Senhor que nos faz a pergunta. Talvez nosso cônjuge também pergunte: “Você realmente confia em mim?”.

O anjo do Senhor apareceu mais duas vezes a José e essas aparições mostram um outro elemento da história da natividade – a confiança de Maria em José. José e Maria haviam concluído a árdua caminhada até Belém e a provação do parto em um estábulo já tinha passado. No oitavo dia após o nascimento de Jesus, eles O circuncidaram, conforme requerido pela lei. Quarenta dias depois do parto, Maria ofereceu o sacrifício da purificação no templo. Portanto, parece que eles ficaram em Belém, possivelmente planejando torná-la seu novo lar. Algum tempo se passou até os magos chegarem da Pérsia para adorar o rei recém-nascido; e eles o encontraram em uma casa, não em uma manjedoura, como a maioria dos presépios sugere (Mateus 2:11).

Os magos pararam em Jerusalém para saber onde o Messias teria nascido e isso alertou o rei Herodes para uma ameaça potencial ao seu trono. Esta foi outra ocasião em que José recebeu outra mensagem de um anjo do Senhor em sonho: “Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Mateus 2:13). Embora ainda fosse noite, José reuniu alguns pertences, pegou Maria e Jesus e partiu para o Egito, ficando lá até a morte de Herodes. Isso é digno de nota. Maria é a figura mais proeminente na história do Natal, mas José é o único a quem Deus deu Suas instruções. José era o chefe da família e era o responsável por proteger Jesus da ira de Herodes. Maria confiou em sua decisão.

Veja bem, isso não foi como férias no sul do país. Foi uma jornada de quase 320 km a pé ou de jumento, atravessando montanhas, desertos e lugares ermos com um bebê com menos de dois anos de idade. A maioria das mães sabe o que isso significa. Duvido que Maria realmente quisesse ir. Já que tinham de deixar Belém, por que não voltar para Nazaré? Será que lá não estariam seguros do mesmo jeito? No entanto, não há indicação na Escritura de que Maria tenha questionado a decisão de José. E isso aconteceu de novo. Depois da morte de Herodes, o anjo falou a José no Egito: “Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino”. Mais uma vez, José obedeceu de imediato e, mais uma vez, Maria confiou em sua decisão.

Como vimos na vida de Abraão e Sara, submissão da esposa significa confiança na ação de Deus por meio do seu marido para fazer o que é melhor para ela. E isso inclui confiança nas suas decisões. E não é tão difícil quando ela sabe que o marido está agindo para o seu bem e está sendo orientado pelo Senhor, como José. Parece que ele queria voltar a Belém, na Judeia, mas ficou com medo ao saber que o filho de Herodes reinava em seu lugar. Mais uma vez, Deus deu instruções a José e ele voltou a Nazaré, onde viviam os pais de Maria (Mateus 2: 22-23). José tomou suas decisões com base na vontade de Deus.

Homens, não temos o direito de pedir às nossas esposas que sejam submissas a nós quando arbitrariamente expressamos nossas próprias opiniões, impomos nossos desejos egoístas ou fazemos só o que nos interessa. Mas quando recebemos instruções claras de Deus, as quais são melhores para todos, podemos compartilhá-las com nossas esposas e, assim, elas podem se submeter sem hesitação. Temos a obrigação de guiá-las no caminho escolhido por Deus, não pelo escolhido por nós. Precisamos aprender a consultar o Senhor em todas as nossas decisões, orando para pedir Sua sabedoria e procurando na Palavra a Sua direção, esperando que Ele nos dê a segurança da Sua paz. E se houver o desejo de fazer somente a Sua vontade, a despeito dos nossos interesses pessoais, Ele nos protegerá de cometer erros graves que tragam infelicidade para a nossa família. E, assim, nossas esposas ficarão livres para seguir nossa liderança com fé e confiança. A confiança não é uma reação simples e automática. Ela precisa ser desenvolvida, especialmente por aqueles que já foram muito magoados. Podemos ajudar o outro a construir uma relação de confiança mais forte conosco ao aprofundar o nosso próprio compromisso com a vontade de Deus. Quando o outro vir que nos rendemos ao Senhor, ele confiará em nós.

Vamos conversar sobre isso

  1. Tente se colocar no lugar de Maria, tendo de encarar o incrível acontecimento da concepção virginal, com todos os problemas decorrentes disso. Como se sentiria?
  2. Em algum momento da sua vida, você já entregou seu futuro e todos os seus sonhos a Deus para que Ele faça como Lhe apraz? Você precisa ratificar essa decisão?
  3. Existem áreas na sua vida que você ainda não entregou a Deus por medo das consequências? Você as entregará a Ele e Lhe pedirá Sua ajuda para confiar nEle?
  4. Tente se colocar no lugar de José, tendo de enfrentar um casamento com uma garota que carrega uma criança possivelmente concebida pelo Espírito Santo. Como se sentiria?
  5. Você pode pensar em algumas áreas em que não haja confiança entre vocês? Compartilhe-as honesta, mas delicadamente, com seu cônjuge. Já traiu a confiança dele/dela? O que pode fazer para aumentar a confiança entre vocês?
  6. Para os maridos: Vocês costumam expressar suas opiniões pessoais e esperar que sua esposa seja submissa? Já aprenderam a consultar o Senhor em todas as suas decisões?
  7. Você tem ajudado o outro a construir uma relação de confiança mais forte com você, desenvolvendo você mesmo um compromisso mais sério com a vontade de Deus? Como você pode melhorar esse compromisso?

Tradução: Mariza Regina de Souza

Related Topics: Christian Home, Marriage

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