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A Alegria De Deus

Introdução

Devo confessar que nunca fui muito animado com a “cara sorridente” achada nos para-choques e nas cartas pessoais. Em particular nunca me importei com a “cara sorridente” como uma logomarca ou símbolo Cristão. Lamentavelmente, a maioria das pessoas pensa em Deus em termos de uma face franzida. Deus odeia o pecado, e se entendo as Escrituras corretamente, Ele até odeia os pecadores. Ele é um Deus de ira que está bravo contra os pecadores. Porém esta é somente uma das emoções de Deus, somente um aspecto do Seu caráter. Deus é também um Deus que sente grande prazer em Suas criaturas e criação. Nosso Deus tanto é alegre como é a origem da nossa alegria. Quão agradecidos deveríamos ser por este atributo do nosso grande Deus.

Quando alguém lê os muitos trabalhos sobre os atributos de Deus, o tópico da “alegria do Senhor” não é frequentemente achado. Por alguma razão, a “alegria do Senhor” parece ser um aspecto negligenciado da natureza e do caráter de Deus. Anos atrás, um dos meus professores do seminário chamou nossa atenção para isto quando se referiu a I Timóteo 1:

9 - Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, 10 - Para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, 11 - Conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado. (I Timóteo 1:9-11, ênfase do autor).

A palavra bem-aventurado usada aqui por Paulo é o mesmo termo que nosso Senhor empregou no Sermão do Monte, o qual é “bem-aventurado” na Versão King James, na Nova Versão King James, na NIV e na NASB. J.B. Phillips e numas poucas outras interpretam o termo como “feliz”. Meu professor indica que alguém poderia interpretar a expressão em I Timóteo 1:11, o “Deus feliz”, uma sugestão que me surpreendeu. O termo empregado poderia ser usado neste sentido, e a teologia bíblica não o proíbe. Por alguma razão, nós raramente pensamos de Deus como sendo feliz.

Infelizmente, a palavra “feliz” tem sido redefinida e tão trivializada em nossa cultura que é pouca surpresa que hesitamos em usá-la com referência aos Cristãos ou ao nosso Deus. Portanto creio que deveríamos redefinir e procurar recuperar o termo. Por ora, no entanto, é mais seguro usarmos o termo alegria, um termo mais frequentemente usado para Deus e os Cristãos. Em Neemias achamos esta declaração familiar:

18 “A alegria do Senhor é a nossa força” (Neemias 8:10).

Eu sempre pensei da alegria referida aqui como a alegria a qual Deus dá,e assim é. Agora percebo que isto não diz quase nada. Ela também é a alegria a qual Deus possui e experimenta. Deus nos dá alegria porque Ele é alegria. Ele é a fonte da alegria, assim como Ele é a fonte de amor, de verdade, de misericórdia, e assim por diante. Alegria é tanto uma descrição de Deus como a descrição do que Ele dá.

Iremos começar pesquisando as Escrituras procurando as evidências da satisfação e prazer de Deus (Sua alegria). Depois iremos considerar a alegria de nosso Senhor Jesus Cristo, como mostrado nas profecias do Velho Testamento e no Novo Testamento. Finalmente, tentaremos mostrar como a “alegria do Senhor” pode impactar as vidas dos homens, especialmente daqueles que são verdadeiros crentes em Jesus Cristo. Que essa lição possa ser um reflexo da alegria de Deus e uma fonte de verdadeira alegria para cada um de nós.

A Alegria de Deus o Pai

Alguns podem dizer que estou me excedendo aqui, porém parece como se Deus tivesse prazer – Ele achou alegria – em Sua criação. Repetidamente em Gênesis achamos a expressão “e viu Deus que era bom” (veja versículos 4, 10, 12, 17, 21, 25, 31). Creio que Moisés estava indicando o prazer de Deus por repetidamente dizer que Deus viu Sua criação ser boa. Quando alguém nos serve um pedaço de torta feita em casa e exclamamos, “Está gostosa” estamos expressando não somente nossa aprovação, mas também nosso prazer. Frequentemente, quando “crio” alguma coisa na minha garagem, me pego indo de volta várias vezes nos próximos dias para ver aquilo tendo prazer no que fiz. O Pai parece ter alegria no que Suas mãos fizeram. Quando os homens pecam, a alegria de Deus se torna tristeza:

5 - E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. 6 - Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. 7 - E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de havê-los feito. (Gênesis 6:5-7).

A criação de Deus entra na alegria do seu Criador:

8 - E os que habitam nos fins da terra temem os teus sinais; tu fazes alegres as saídas da manhã e da tarde. (Salmo 65:8). 13 - Os campos se vestem de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; eles se regozijam e cantam. (Salmo 65:13).

12 - Alegre-se o campo com tudo o que há nele; então se regozijarão todas as árvores do bosque, (Salmos 96:12). 8 - Os rios batam as palmas; regozijem-se também as montanhas, (Salmo 98:8).

Deus o Pai tem prazer em escolher e selecionar. Deus se deleita sobre a nação de Israel, selecionando seu povo como alvo das Suas bênçãos, assim como Ele também se deleita sobre Israel como alvo da Sua ira (Deuteronômio 28:63), não porque Deus tem prazer na morte dos homens, mesmo homens ímpios (Ezequiel 18:23, 32; 33:11), porém porque Deus disciplina Seu “filho” a fim de trazê-lo para a bondade (veja Provérbios 3:12; Hebreus 12:3-10).

Deus da mesma forma teve prazer em tornar Davi rei sobre Israel e então salvá-lo do perigo.

20 - E tirou-me para um lugar espaçoso, e livrou-me, porque tinha prazer em mim. (II Samuel 22:20).

9 - Bendito seja o SENHOR teu Deus, que teve agrado em ti, para te pôr no trono de Israel; porque o SENHOR ama a Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei, para fazeres juízo e justiça. (I Reis 10:9).

A Alegria de Jesus, o Messias Prometido.

De acordo com o profeta Isaías o Messias prometido é Aquele no qual o Pai se apraz (42:1). Ele é descrito como Aquele que “deleitar-se-á no temor do Senhor” (11:3). E, Ele é Aquele que será caracterizado pela alegria, alegria que ultrapassa a de todos os Seus irmãos:

6 - O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. 7 - Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. (Salmo 45:6-7).

O escritor aos Hebreus fala do Senhor Jesus como sendo motivado para levar adiante o Seu trabalho na cruz do Calvário pela alegria a qual Ele entraria pelo Seu sacrifício expiatório:

1 - PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, 2 - Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. 3 - Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. (Hebreus 12:1-3).

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam ter grande alegria. A alegria que eles experimentariam era primeira e antes de tudo Sua alegria, a alegria na qual eles também entrariam.

11 - Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. (João 15:11).

13 - Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. (João 17:13).

Em Mateus 25, Jesus contou uma parábola a qual tem muito a nos ensinar sobre alegria.

14 - Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. 15 - E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. 16 - E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. 17 - Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. 18 - Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 - E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. 20 - Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. 21 - E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22 - E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. 23 - Disse-lhe o seu SENHOR: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24 - Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; 25 - E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26 - Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27 - Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. 28 - Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. 29 - Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. 30 - Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. (Mateus 25:14-30).

Esta parábola tem muito a nos ensinar sobre o serviço Cristão. Devemos concluir que destes três servos, somente os dois primeiros eram verdadeiros crentes. O terceiro “escravo” foi lançado em densas trevas, um lugar onde haverá choro e ranger de dentes (versículo 30). Os dois primeiros “escravos” eram bons e fiéis, e o terceiro foi infiel e ímpio. Acho interessante e instrutivo considerar esta história da perspectiva da alegria.

Os dois primeiros escravos foram fiéis, e sua recompensa foi “entrar no gozo” do seu Senhor. Estas palavras não indicam que seu mestre era alegre e que estes escravos foram abençoados por entrarem no seu gozo com ele? O mestre era (ou seria) alegre, e seus escravos fiéis entrariam na sua alegria também. O “mestre” nesta história muito certamente representa nosso Senhor e os fiéis “servos”, Seus seguidores. As bênçãos do mestre e seus escravos são resumidas pela palavra “alegria”.

Este terceiro escravo me fascina. No passado, sempre focalizei no que este ímpio, preguiçoso escravo não fez. Agora, estou especialmente interessado em porque este escravo falhou em fazer o que ele devia fazer. Foi este escravo preguiçoso porque ele não fez o trabalho para ganhar um lucro para o seu mestre? Naturalmente. Porém ele não foi mal ao pensar erradamente do seu mestre? Ele pensou do seu mestre como um que esperava lucro onde ele não tinha feito provisões.

24 - Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; (Mateus 25:24).

A avaliação deste escravo sobre o seu mestre estava errada. É verdade que Jesus julga este homem na base da sua avaliação do seu mestre, porém é, contudo uma percepção errada. Deus não é um mestre cruel, que espera ganhar lucro onde Ele não nos deu nenhuma provisão. Ele lida conosco em graça. Ele nos dá os meios para fazermos aquilo que Ele espera e requer. Podemos preencher nossas responsabilidades para com Ele somente pela Sua graça. Esta é a razão pela qual nós somente podemos vangloriar Nele e não naquilo que fizemos. Este escravo foi mau porque ele não viu seu mestre como gracioso e (talvez eu seja tão ousado em dizer) feliz. A recompensa dos escravos fiéis foi entrar no gozo do seu mestre. O mestre era alegre. Os servos fiéis eram para entrar na sua alegria. E o homem mau não recebeu nada da alegria de Deus. Quantos de nós tivemos esta mesma visão distorcida de Deus como um resmungão, exigente mestre ao invés de um mestre alegre em cuja alegria nós também podemos entrar? E o serviço que Ele requer de nós mesmo agora é para ser feito alegremente e não pesadamente.

Lucas 15 é ainda outro exemplo da disposição alegre de nosso Deus. A alegria de Deus (pelo arrependimento e salvação dos pecadores) é contrastada com a dureza dos escribas e Fariseus e suas queixas contra a associação do nosso Senhor com os cobradores de impostos e pecadores (15:1-2). Em resposta, Jesus conta duas parábolas, ambas apontando para a alegria de Deus sobre o fato de alguém que estava perdido e foi achado:

3 - E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: 4 - Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? 5 - E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; 6 - E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. 7 - Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 8 - Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? 9 - E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. 10 - Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. (Lucas 15:3-10 ênfase do autor).

Em ambas as histórias, algo se perdeu, foram procuradas depois, e achado. Quando o objeto perdido foi recuperado, quem procurou por ele se regozijou e convidou outros para se ajuntar em celebração na alegria desta recuperação. Os itens perdidos – uma ovelha e uma moeda – foram achadas porque o proprietário que as tinha perdido procurou por elas.

Jesus deixa claro que estas duas histórias são entendidas como ilustrativas da Sua procura pelos pecadores e então regozijo pela sua salvação. Um dos “gozo que lhe estava proposto” (Hebreus 12:2) foi a salvação dos pecadores perdidos. Outros eram esperados se regozijarem com nosso Senhor sobre o fato de pecadores perdidos estarem vindo para a fé Nele e serem “achados” Nele. Os escribas e Fariseus não podiam entrar nesta alegria porque eles ainda estavam perdidos e não queriam ser achados. Eles estavam bravos porque Jesus estava manifestando graça em relação àqueles pecadores sem valor. Eles não queriam tais pessoas em “seu” reino.

As palavras ditas aqui pelo nosso Senhor são muito familiares para mim, porém de alguma forma falhei em tomá-las a sério o suficiente. Sempre pensei que Jesus estava dizendo que eram os anjos que se regozijavam pela salvação dos pecadores perdidos. Sem dúvida os anjos se regozijam, porém esta não é a ênfase do texto. Na primeira história, Jesus disse que houve “alegria no céu” por aquele que se arrependeu (versículo 7). Na segunda história, Jesus declarou que houve “alegria na presença dos anjos”. Os anjos não estavam sozinhos no seu regozijo, os anjos estavam se regozijando junto com Deus. Deus está se regozijando no céu e na presença dos anjos. A implicação das palavras de nosso Senhor é que porque Deus se regozija sobre a salvação de um pecador perdido, os anjos o fazem da mesma forma. Nas palavras de Jesus em Mateus 25, eles “entram na alegria do seu Mestre”. O fato de que os escribas e os Fariseus não estavam se regozijando é, portanto um problema sério. Eles não estavam em harmonia com o céu e, mais do que tudo, com Deus. Por quê? Porque eles não acreditavam que eram pecadores, e eles não queriam a graça de Deus. Eles não queriam pensar deles mesmos como cidadãos que entraram no reino de Deus da mesma forma que estes cobradores de impostos e pecadores. De fato, eles não eram salvos de maneira alguma. Como o escravo ímpio de Mateus 25, eles eram descrentes, que pensavam muito mal do Mestre e que não tinham parte no Seu reino nem na Sua alegria.

A última metade de Lucas 15 é a história do filho pródigo, a qual continua a enfatizar o contraste dramático entre Deus e a hoste celestial e os escribas e Fariseus descrentes. O filho pródigo se arrepende e retorna para o seu pai. O pai se regozija e chama para um tempo de celebração e regozijo. O outro filho mais velho se regozija que o filho perdido retornou? Certamente que não! Ele está bravo com o irmão e também com seu pai. Ele não pode entender porque ele não foi permitido celebrar. Ele transpira justiça própria ao contrário de gratidão e alegria, que deveria caracterizar a resposta de um pecador à graça de Deus tanto na sua vida como na vida de outros. O pai do pródigo novamente representa a alegria do Pai Celestial pelo arrependimento e conversão dos pecadores perdidos.

O Espírito Santo e a Alegria

Para que não pensemos que alegria ou “felicidade” é um atributo somente do Pai e do Filho deixe-me chamar sua atenção para estes versículos que ligam a alegria do crente com o Espírito Santo.

52 - E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.(Atos 13:52).

17 - Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Romanos 14:17).

13 - Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. (Romanos 15:13).

6 - E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo. (I Tessalonicenses 1:6)

O Espírito Santo é o meio pelo qual a alegria do nosso Senhor, a alegria do nosso Mestre, é transmitida para a vida dos Cristãos. Devemos concluir destes versículos que aqueles que não são Cristãos, nos quais o Espírito Santo não habita, não experimentam nem podem experimentar a alegria de Deus. Isto é certamente certo dos escribas e Fariseus descritos em Lucas 15 e em outros lugares nos Evangelhos.

Conclusão

Deus é um Deus de alegria, um “Deus feliz”. Ele se regozija com a Sua criação, e Ele especialmente se regozija na salvação dos pecadores perdidos. Se somos filhos de Deus então estamos afinados com o coração e o caráter de Deus e isto deveria ser caracterizado pela alegria também. Esta alegria vem de Deus e é mediada através do Espírito Santo para cada Cristão. “A alegria do Senhor” deveria caracterizar nosso serviço e nossa adoração. É uma alegria que será ainda maior no céu, uma alegria com a qual entraremos no céu. Para o Cristão, alegria não é uma opção, pois somos mandados experimentar e expressar alegria como Cristãos:

12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. (Mateus 5:12).

20 - Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. (Lucas 10:20).

36 - E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. (João 4:36).

20 - Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. (João 16:20)

22 - Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará. (João 16:22)

15 - Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram; (Romanos 12:15).

10 - E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. (Romanos 15:10)

26 - De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. (I Coríntios 12:26).

6 - Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; (I Coríntios 13:6)

11 - Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. (II Coríntios 13:11).

27 - Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; Porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. (Gálatas 4:27).

18 - Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. (Filipenses 1:18).

17 - E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. 18 - E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo. (Filipenses 2:17-18).

1 - RESTA, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. (Filipenses 3:1).

4 - Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. (Filipenses 4:4).

24 - Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; (Colossenses. 1:24).

9 - Porque, que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por todo o gozo com que nos regozijamos por vossa causa diante do nosso Deus, (I Tessalonicenses 3:9).

16 - Regozijai-vos sempre. (I Tessalonicenses 5:16).

6 - Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, (I Pedro 1:6).

8 - Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; (I Pedro 1:8).

13 - Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. (I Pedro 4:13).

7 - Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (Apocalipse 19:7).

Você pode pensar que a falta de alegria é um dos males menores, porém este não é o caso. Deus falou do pecado de Israel como sendo evidente pela sua falta de alegria:

45 - E todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído; porquanto não ouviste à voz do SENHOR teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te tem ordenado; 46 - E serão entre ti por sinal e por maravilha, como também entre a tua descendência para sempre. 47 - Porquanto não serviste ao SENHOR teu Deus com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo. 48 - Assim servirás aos teus inimigos, que o SENHOR enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído. (Deuteronômio 28:45-48).

A falta de um coração agradecido foi a origem do pecado de Israel e do julgamento divino. Falta de alegria leva ao pecado. E, inversamente, o pecado leva à falta de alegria:

10 - Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. 11 - Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. 12 - Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. 13 - Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão. (Salmo 51:10-13).

Além disso, vemos que a alegria é a motivação para o Cristão testemunhar e servir. Muito frequentemente tentamos motivar os Cristãos para testemunharem fazendo-os se sentirem culpados. Este texto indica que a “alegria da Tua salvação” atua como o motivador do nosso serviço, não culpa ou medo. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Neemias 8:10). O Espírito de Deus e a Palavra de Deus são dois meios primários pelos quais a alegria do Senhor é transmitida aos homens (veja Salmo 119:111; Jeremias 15:16; versículos sobre o Espírito Santo e a alegria acima).

Fazemos um grande desserviço para Deus e outros quando mostramos Deus de uma forma que se iguala com a falsa percepção do escravo mau de Mateus 25. O escravo mau temia o seu mestre, porém ao invés de se incentivar para servir seu mestre, o medo produziu justamente a resposta contrária. Deus tem grande prazer e acha grande alegria em Suas criações, incluindo a nova criação dos crentes em Jesus Cristo. Ele também se regozija no crescimento e bondade do Seu povo.

Alegria serve como uma tremenda fonte de orientação em relação à “vontade de Deus”. Muitos pensam e falam da “vontade de Deus” como um grande mistério, difícil de discernir e ainda mais difícil de defender. Porém a Bíblia não fala da vontade de Deus desta forma. Em Romanos 7, Paulo não disse que a vontade de Deus era difícil de conhecer; ele disse que era impossível de fazer. Ele sabia o que era certo, ele somente não o fazia. Ele sabia o que era errado, ainda assim persistia em fazê-lo. Não é o conhecer da vontade de Deus, porém o fazê-la, que é difícil.

Se você deseja saber a vontade de Deus, aborde as decisões que você deve fazer na vida por este padrão: O que agrada a Deus, o que Lhe dá alegria, e o que entristece a Deus? Esta é a forma como Paulo abordou a vida:

9 - Pois que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. (II Coríntios 5:9).

10 - Aprovando o que é agradável ao Senhor. (Efésios 5:10).

20 - Ora, o Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas, 21 - Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém. (Hebreus 13:20-21).

A Bíblia não deixa nenhuma dúvida sobre o que agrada e desagrada Deus. Deus se regozija em Seu povo. (Salmo 149:4). Ele acha alegria na sinceridade (1 Crônicas 29:17) e na lealdade (Oseias 6:6) e benignidade (Miquéias 7:18). Ele se agrada de beneficência, juízo e justiça (Jeremias 9:24). Ele se agrada nos “filhos” os quais ele disciplina (Provérbios 3:12; veja Hebreus 12:3-13).Ele ama pesos justos (Provérbios 11:1) e os de caminho sincero (Provérbios 11:20). Ele tem prazer naqueles que agem fielmente (Provérbios 12:22). Deus não se regozija em meros rituais religiosos, divorciados do viver santificado (Salmo 51:16-17; veja também versículos 18 e 19). Aquelas coisas que nos impressionam não causam prazer em Deus, tais como a força de um cavalo ou as pernas de um homem (Salmo 147:10-11). Ele não acha nenhuma alegria em tolos (Eclesiastes 5:4) ou na morte do ímpio (Ezequiel 18:23, 32; 33:11).

Observe cuidadosamente que a forma de “alegria” do mundo não é a mesma alegria que os Cristãos possuem. As duas “alegrias” são bastante diferentes. De fato, o Cristão pode ser distinguido do descrente por aquelas coisas as quais são origem da nossa alegria. Os homens maus se regozijam nas suas abominações (Isaías 66:3) e escolhem o que Deus não gosta (Isaías 65:12; 66:4). Eles não se deleitam na Palavra de Deus (Jeremias 6:10). Eles se satisfazem com um ladrão, e com adúlteros (Salmo 50:18) e em impiedade (II Tessalonicenses 2:12).

O filho de Deus tem uma origem diferente de prazer ou regozijo. Sua alegria está no Senhor (Salmo 37:4; 43:4), na Sua Palavra (Salmo 1:2; 112:1; 119:16, 24, 70, 77, 92, 143, 174). Ele tem alegria em fazer a vontade do Senhor (Salmo 40:8) e em louvar a Deus (Salmo 147:1). Ele escolhe o que está agradando a Deus (Isaías 56:4). Ele se regozija com a justiça (Provérbios 21:15). Seu prazer não é pessoal, egoísta, prazeres sensuais, porém ele acha prazer em Deus:

13 - Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, 14 - Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse. (Isaías 58:13-14).

Tantos não Cristãos parecem pensar que se tornar um Cristão significa o final de prazer e o começo de uma vida tediosa e sem alegria. O termo “puritano” está longe de ser um cumprimento hoje para qualquer pessoa, porque os Puritanos do passado são considerados um povo sem prazer. Tal caracterização dos Puritanos simplesmente não é verdade.1 Nada poderia estar longe da verdade. Não há alegria como aquela de conhecer a Deus e serví-Lo, nenhuma alegria como aquela de conhecer que nossos pecados foram perdoados e estamos certos com Deus através do sangue derramado de Jesus Cristo. Não há alegria que suporta dor e sofrimento e perseguição como a alegria dos Cristãos, cuja esperança e alegria estão no Senhor, e não nas nossas circunstâncias.

O autor John Piper recentemente abordou o tema do prazer numa forma restauradora a qual recomendo ao leitor. Seu primeiro livro intitulado, Desejando Deus: A Meditação de um Cristão Hedonista; foi seguido do Os Prazeres de Deus, o qual aborda os atributos de Deus. Mais recentemente, ele escreveu um livro intitulado, Deixem as Nações Se Alegrarem: A supremacia de Deus em Missões. Piper algumas vezes tende a contrastar prazer ou alegria com tarefa, quando as duas deveriam ser vistas juntas. Nossa tarefa deveria ser nosso prazer. Contudo, recomendo fortemente os seus escritos como uma fonte de edificação e estímulo para a busca da alegria.

Piper diz algo muito importante sobre alegria ou prazer. Ele insiste que não é errado para o Cristão ter prazer ou procurar prazer; é somente errado procurar prazer no lugar errado. Vamos procurar alegria em Deus e no serviço e adoração a Ele. A alegria do Senhor é a nossa força.

Traduzido por Césio J. de Moura.


1 Recomendo para seu entendimento dos Puritanos o excelente livro de J.I. Packer, A Quest For Godliness, um estudo dos Puritanos que corrige muitas concepções contemporâneas errôneas (Wheaton: Crossway Books, 1990). Também recomendo Worldly Saints, com o sub-título: “The Puritans As They Really Were,” by Leland Ryken (Grand Rapids: Academie Books, 1986).

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