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A Santidade De Deus

Introdução

Muitas pessoas frequentam a igreja na Páscoa pela primeira ou segunda vez no ano (eles também frequentam no Natal). Parece ser algo positivo, algo encorajador e esperançoso em relação à Páscoa. Existe a ênfase na ressurreição de Cristo e a esperança da ressurreição dos homens, embora, para o descrente, esta esperança é mal fundada.

A crucificação de Cristo começa como uma celebração festiva, parecendo ser uma vitória para os Seus oponentes e uma atordoante derrota para Cristo. Porém quando os eventos levam à morte de nosso Senhor, tudo isto muda. As multidões ficam aterrorizadas pelo o que elas veem, e são deixadas abaladas.

46 - E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. 47 - E o centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo. 48 - E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos. (Lucas 23:46-48)

Após nosso Senhor ter ressuscitado da morte e ter ido para o Pai, os discípulos começaram proclamá-Lo como o Messias prometido e Senhor ressurreto (veja Atos 2:22-36; 3:11-26) Isto causou grande consternação para aqueles que pensaram que O silenciaram para sempre (veja Atos 4:1-2).

Para os Cristãos, a ressurreição de nosso Senhor do túmulo é uma verdade confortante, a qual deve inspirar reverência e respeito (temor), pois a ressurreição de Cristo da morte é prova da Sua santidade. Porém esta mesma ressurreição deve instilar uma diferente espécie de medo nos corações daqueles que O rejeitaram, pois quando Ele voltar à terra Ele o fará para derrotar os Seus inimigos.

Se eles verdadeiramente entenderem suas implicações, a ressurreição do nosso Senhor não deve confortar o descrente. Ela pode, porém, motivar o descrente a se arrepender e voltar-se para Ele para perdão dos seus pecados e para a vida eterna, assim como foi feito para milhares no dia de Pentecostes (ver Atos 2:37-42).

Quando estudamos o atributo da santidade de Deus e do Filho de Deus (não se esquecendo do Espírito Santo de Deus), consideremos a resposta que esta verdade deve produzir em nossas vidas quando procuramos adorá-Lo e servi-Lo.

A Importância da Santidade de Deus

Quando abordamos o assunto da santidade de Deus, sejamos conscientes da importância deste atributo divino. R. C. Sproul faz esta observação perspicaz de Isaías 6:

“A Bíblia diz que Deus é santo, santo, santo”. Não que Ele é meramente santo, ou mesmo santo, santo. Ele é santo, santo, santo. A Bíblia nunca diz que Deus é amor, amor, amor ou misericordioso, misericordioso, misericordioso, ou ira, ira, ira, ou justo, justo, justo. Ela diz que Ele é santo, santo, santo, toda a terra está cheia da Sua glória.1

Santidade Definida

O termo santidade é frequentemente entendido no seu uso contemporâneo ao invés do seu verdadeiro significado nas Escrituras. Por esta razão, nosso estudo deve começar revisando várias dimensões da definição de santidade.

(1) Ser santo é ser distinto, separado, numa classe por si só.

Como Sproul colocou:

O primeiro significado de santo é “separado”. Ela vem de uma antiga palavra que significa “cortar” ou “separar”. Talvez mais acurada seja a frase “um corte acima de alguma coisa”. Quando achamos uma vestimenta ou outro pedaço de mercadoria que é proeminente, que tem uma excelência superior, nos usamos a expressão que é “um corte acima do resto”.2

Isto significa que quem é santo é exclusivamente santo, com nenhum rival ou competidor.

“Quando a Bíblia chama Deus de santo significa primeiramente que Deus é transcendentalmente separado. Ele é tão longe acima e além de nós que Ele parece quase totalmente estranho para nós. Ser santo é ser “outro”, ser diferente de uma forma especial. O mesmo significado básico é usado quando a palavra santo é aplicado para coisas terrenas.3

As Escrituras colocam desta forma:

11 - Ó SENHOR, quem é como tu, entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas? (Êxodo 15:11) 2 - Não há santo como o SENHOR; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus. (I Samuel 2:2)

8 - Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas. 9 - Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome. 10 - Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus. (Salmos 86:8-10; veja também Salmos 99:1-3; Isaías 40:25; 57:15).

(2) Ser santo é ser moralmente puro.

Quando coisas são tornadas santas, quando elas são consagradas, elas são colocadas a parte em pureza. Elas são para serem usadas de uma forma pura. Elas são para refletir pureza assim como simples em separado. Pureza não é excluída da ideia de santo; está contida dentro dele.

Porém o ponto que devemos lembrar é que esta ideia de santo nunca se esgota pela ideia de pureza. Ele inclui pureza, porém é muito mais do que isto. É pureza e transcendência. É uma pureza transcendente.4

3 - Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo? 4 - Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. 5 - Este receberá a bênção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação. (Salmos 24:3-5)

3 - E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. 4 - E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. 5 - Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. (Isaías 6:3-5)

13 a - Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. (Habacuque 1:13a)

(3) Para Deus ser santo é para Ele ser santo em relação a cada aspecto da Sua natureza e caráter.

Quando usamos a palavra santo para descrever Deus, enfrentamos outro problema. Frequentemente descrevemos Deus compilando uma lista de qualidades ou características que chamamos de atributos. Sabemos que Deus é um espírito, que Ele sabe todas as coisas, que Ele é amor, justo, misericordioso, gracioso e assim por diante.

A tendência é adicionar a ideia de santo a esta longa lista de atributos como um atributo entre muitos. Porém quando a palavra santo é aplicada para Deus, ela não significa um simples atributo. Ao contrário, Deus é chamado santo num sentido geral.

A palavra é usada como um sinônimo para sua deidade. Isto é, a palavra santo chama a atenção para tudo que Deus é. Ela nos lembra de que Seu amor é amor santo, Sua justiça é justiça santa, Sua misericórdia é misericórdia santa, Seu conhecimento e conhecimento santo, Seu espírito é Espírito Santo.5

Como a Santidade é Importante?

A santidade de Deus não é meramente um assunto teológico próprio para estudiosos com o interesse e a disposição para pesquisá-lo. Na verdade, a santidade de Deus é um assunto de grande importância para cada alma vivente.

O Cristão deveria ser especialmente preocupado com a santidade de Deus. Vários incidentes no Velho e no Novo Testamento enfatizam a importância da santidade para o crente. Estes exemplos são, porém um pouco das descrições nas Escrituras lidando com a santidade de Deus e seu impacto nos santos.

Moisés e a Santidade de Deus (Números 20:1-14; 27:12-14)

1 - CHEGANDO os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades; e Miriã morreu ali, e ali foi sepultada. 2 - E não havia água para a congregação; então se reuniram contra Moisés e contra Arão. 3 - E o povo contendeu com Moisés, dizendo: Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o SENHOR! 4 - E por que trouxestes a congregação do SENHOR a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? 5 - E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? Lugar onde não há semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem tem água para beber. 6 - Então Moisés e Arão se foram de diante do povo à porta da tenda da congregação, e se lançaram sobre os seus rostos; e a glória do SENHOR lhes apareceu. 7 - E o SENHOR falou a Moisés dizendo: 8 - Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. 9 - Então Moisés tomou a vara de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado. 10 - E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? 11 - Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais. 12 - E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. 13 - Estas são as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o SENHOR; e se santificou neles. 14 - Depois Moisés, de Cades, mandou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: Assim diz teu irmão Israel: Sabes todo o trabalho que nos sobreveio, (Números 20:1-14)

12 - Depois disse o SENHOR a Moisés: Sobe a este monte de Abarim, e vê a terra que tenho dado aos filhos de Israel. 13 - E, tendo-a visto, então serás recolhido ao teu povo, assim como foi recolhido teu irmão Arão; 14 - Porquanto, no deserto de Zim, na contenda da congregação, fostes rebeldes ao meu mandado de me santificar nas águas diante dos seus olhos (estas são as águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim). (Números 27:12-14).

Moisés tinha boa razão para se zangar com os Israelitas. Eles eram realmente um “um povo de dura cerviz”, igual como Deus mesmo falou (veja Êxodo 33:5).Os Israelitas chegaram em Kadesh, um lugar cujo nome significava “santo”. Ali, Miriam morreu e foi enterrada. Em Kadesh, não havia água para o povo beber.

O povo estava hostil e um grupo discutiu com Moisés e Aarão desejando morrer, ou melhor, que Moisés e Aarão morressem. Eles protestaram que não tinham sido guiados, mas sim mal guiados para uma terra longe daquela que prometeram. Que não havia água ali foi o último motivo para o descontentamento.

Moisés e Aarão foram para a entrada da tenda da reunião, e lá a glória do Senhor apareceu a eles. Deus então ordenou a Moisés para tomar o bastão e falar para a rocha, da qual a água fluiria para o povo. Moisés estava furioso com o povo ao levá-los diante da rocha, a “rocha espiritual” que Paulo identifica depois como o próprio Cristo (1 Coríntios 10:4). Ao invés de simplesmente falar para a rocha, como ordenado, na sua ira, Moisés bateu na rocha duas vezes. As consequências foram realmente severas.

Quem já não perdeu a paciência e fez pior do que bater na rocha com um bastão? Mas este ato foi tão sério aos olhos de Deus que Ele proibiu Moisés de entrar na terra prometida. Moisés nunca viu a terra para a qual ele chegou tão perto. Por quê? Deus lhe disse, e nos lembra disto: “Porque você não acreditou em mim, para tratar-me como santo aos olhos dos filhos de Israel...” Números 20:12. E por tratar Moisés severamente pela sua transgressão, Deus disse ter “provado a Si santo entre eles” (versículo 13).

Num momento de raiva, Moisés pecou, e pelo seu pecado ele foi impedido de entrar na terra prometida. O ato foi bater na rocha. Porém foi muito mais do que isto. Bater na rocha foi um ato de desobediência, de falhar no seguir as instruções de Deus. Ainda mais, foi identificado por Deus como um ato de descrença:

12 - Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. (versículo 12).

Eu sempre penso Moisés pecou simplesmente por bater na rocha a qual de alguma forma, como a sarça ardente de anos antes (ver Êxodo 3), foi uma manifestação da presença de Deus. A raiz do pecado foi irreverência, e aquela irreverência foi a causa da desobediência de Moisés.6 e sua batida na rocha. A ira de Moisés contra o povo sobrepujou seu temor de Deus. Seu temor de Deus deveria sobrepujar sua ira contra os Israelitas. Deus tomou a irreverência de Moisés muito seriamente.

Uzzah e a santidade de Deus (2 Samuel 6:1-11)

1 - E TORNOU Davi a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em número de trinta mil. 2 - E levantou-se Davi, e partiu, com todo o povo que tinha consigo, para Baalim de Judá, para levarem dali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que se assenta entre os querubins. 3 - E puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que está em Gibeá; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. 4 - E levando-o da casa de Abinadabe, que está em Gibeá, com a arca de Deus, Aiô ia adiante da arca. 5 - E Davi, e toda a casa de Israel, festejavam perante o SENHOR, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos. 6 - E, chegando à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus, e pegou nela; porque os bois a deixavam pender. 7 - Então a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus. 8 - E Davi se contristou, porque o SENHOR abrira rotura em Uzá; e chamou àquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. 9 - E temeu Davi ao SENHOR naquele dia; e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR? 10 - E não quis Davi retirar para junto de si a arca do SENHOR, à cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o giteu. 11 - E ficou a arca do SENHOR em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses; e abençoou o SENHOR a Obede-Edom, e a toda a sua casa. (II Samuel 6:1-11)

Os Filisteus tinham capturado a arca de Deus e pensaram em mantê-la como um troféu da sua vitória. Logo se tornou evidente que a arca foi a origem de muito sofrimento para eles. Eles a passaram adiante e finalmente determinaram se livrarem dela mandando-a de volta para Israel. Eles a transportaram da forma que os sacerdotes e os adivinhadores Filisteus recomendaram. Eles puseram como expiação uma oferenda de ouro na arca e a colocaram numa carreta nova puxada por duas vacas separadas dos seus bezerros (veja 1 Samuel 6).

Se os Filisteus não puderam permanecer na presença do Deus Santo de Israel, nem puderam o povo de Beth-shemesh onde a arca chegou:

19 - E o SENHOR feriu os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do SENHOR; feriu do povo cinquenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porquanto o SENHOR fizera tão grande estrago entre o povo. 20 - Então disseram os homens de Bete-Semes: Quem poderia subsistir perante este santo SENHOR Deus? E a quem subirá de nós? 21 - Enviaram, pois, mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim, dizendo: Os filisteus remeteram a arca do SENHOR; descei, pois, e fazei-a subir para vós. (I Samuel 6:19-21)

Os homens de Quiriate-Jearim vieram e pegaram a arca do Senhor e a levaram para a casa de Abinadabe e consagraram Eleazar, filho de Abinadabe, para guardar a arca, onde ela permaneceu 20 anos (1 Samuel 7:1-2) Finalmente, Davi acompanhado por 30.000 Israelitas, foram a Quiriate-Jearim para trazer a arca para Jerusalém.

A arca era um símbolo da presença de Deus, um objeto muito santo (veja 2 Samuel 6:2) o qual deveria ser guardado no lugar mais santo do tabernáculo, o “santo dos santos . De acordo com as instruções de Deus, ela era para ser transportada pelos Coatitas os quais a carregavam segurando em varas inseridas em argolas presas a ela (veja Êxodo 25:10-22; Números 4:1-20). Ninguém deveria olhar dentro dela, ou eles morreriam.

O dia em que a arca foi transportada para Jerusalém foi um grande e feliz momento. Porém eles se esqueceram de quão santa a glória era, porque ela era o lugar onde a presença de Deus era para residir.

Ao invés de transportar a arca como instruído na lei, a arca foi colocada num carro de boi. Era uma procissão muito jubilosa à medida que a arca ia para sua casa. Que momento feliz. Porém quando o boi tropeçou e parecia que o carro poderia virar e cair no chão, Uzá alcançou a arca para segurá-la. Instantaneamente ele foi morto por Deus.

A primeira reação de Davi foi frustração e raiva com Deus. Como Deus foi tão duro com Uzá? Davi parece ter se esquecido das instruções de Deus na Lei acerca de como a arca deveria ser transportada. Parece também que ele se esqueceu de quantos já tinham morrido, anteriormente, quando a devida reverência para com a presença de Deus associada com a arca deixou de ser mostrada. Deus malogrou a sua celebração, e Davi estava nervoso. Somente após refletir Davi se deu conta da gravidade do seu erro. E em relação a Uzá, Deus o matou por causa da sua irreverência (2 Samuel 6:7).

Irreverência é uma doença perigosa. Mesmo quando nossos motivos são sinceros e estamos ativamente envolvidos com o louvor a Deus, devemos constantemente nos lembrar da santidade de Deus e manter uma reverência por Ele manifestada pela nossa obediência às Suas instruções e mandamentos.

Isaías e a Santidade de Deus (Isaías 6:1-10)

1 - NO ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. 2 - Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. 3 - E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. 4 - E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. 5 - Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. 6 - Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7 - E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado. 8 - Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. 9 - Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. 10 - Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. (Isaías 6:1-10).

A morte de Uzias parece ter marcado o fim de uma era, uma era de ouro, para Judá. Os “bons tempos” findaram; os “tempos difíceis” estavam para começar como indicam os versos 9 e 10. O ministério de Isaías está começando de um ponto de vista humano no pior tempo possível.

Seu ministério não estava indo para ser lembrado como um sucesso (assim como muitos dos profetas do Velho Testamento foram bem sucedidos). Ele estava indo para uma recepção fria. Ele e sua mensagem seriam desprezados. O que Isaías precisava para lhe dar uma perspectiva apropriada e apoio para perseverar em tal tempo difícil? A resposta: uma visão da santidade de Deus.

Foi isto precisamente que Deus deu a Isaías – uma dramática revelação da Sua santidade. Ele viu o Senhor sentado, entronizado, elevado e exaltado. Os anjos que estavam acima Dele eram magníficos, e eles diziam uns aos outros, “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos, toda a terra está cheia da Sua glória” (versículo 3). A terra estremeceu e o templo encheu-se de fumaça. Foi uma visão tão dramática de Deus e Sua santidade quanto alguém poderia querer ver.

A resposta de Isaías está longe do que ouvimos hoje de muitos que clamam ensinar a verdade bíblica. Ele não se impressionou com sua “significância”. Sua “autoestima” não aumentou. Justamente o contrário aconteceu. Sua visão da santidade de Deus levou Isaías a lamentar sua pecaminosidade expressada. Se Deus era santo, Isaías viu que ele não era. Isaías confessou sua própria falta de santidade e do seu povo.

O que é mais significante é que Isaías vê sua pecaminosidade (e do seu povo) evidenciada pelos seus “lábios”. Isaías confessou que era “um homem de lábios impuros” e que vivia entre um povo com o mesmo mal. Como Isaías foi capaz de ser tão objetivo quanto ao seu pecado que se viu evidenciando ele mesmo em sua palavra? Outros textos nas Escrituras falam bastante a cerca da língua e como o pecado é evidente em nossas palavras (veja, por exemplo, muitos dos Provérbios, também Mateus 12:32-37; Romanos 3:10-14; Tiago 3:1-12).

Observe que se a maldição que Isaías reconheceu foi direcionada para seus lábios a cura também foi. Um dos serafins tocou os lábios de Isaías com uma brasa viva, simbolicamente limpando-o e a sua boca. O que Deus está tentando realizar na vida de Isaías através desta visão? Creio que Deus quis que Isaías entendesse que a visão de Sua santidade era para ter um grande impacto no que ele dizia e como ele dizia.

Acho a mensagem e o significado de Isaías 6 mais fácil de entender à luz dos ensinos de Paulo em 1 Coríntios 1-3 e II Coríntios 2-6. Parece que Paulo foi acusado de ser tedioso na sua fala, enquanto outros (especialmente os falsos apóstolos os quais procuravam uma perseguição entre os Coríntios – veja II Coríntios 11:12-33) estavam fascinando ao empregar técnicas persuasivas e de entretenimento.

Porém Paulo era um homem que buscava agradar a Deus do que aos homens. (II Coríntios 2:15-16; 4:1-2). Consequentemente, Paulo não diluiria o evangelho para fazê-lo mais atraente aos homens (II Coríntios 2:17; 4:1-2). Ele falou a verdade em termos simples e claros assim os homens seriam sobrenaturalmente convencidos e convertidos ao invés de persuadidos pela esperteza humana (I Coríntios 2:1-5).

No começo da revelação dada para o apóstolo João (escrito como o Livro da Revelação), João viu a visão do Senhor exaltado e santo. Esta visão precedeu a ordem para escrever o que ele viu:

19 - Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer; (Apocalipse 1:19)

Não é de admirar que no final deste livro concludente da Bíblia nós achemos estas palavras enfatizando a importância de preservar este registro tal qual ele foi revelado:

18 - Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; (Apocalipse 22:19) - E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. (Apocalipse 22:18-19)

Isaías era para servir como profeta numa época quando sua mensagem seria rejeitada e resistida. A disposição pecadora do homem é evitar dor e perseguição, e então alterar se possível, a mensagem e o método de comunicar a mensagem de Cristo assim os homens responderiam mais favoravelmente.

No começo do ministério de Isaías, Deus manifestou Sua santidade para Isaías para motivá-lo a ser fiel ao seu chamado e à mensagem que ele deveria dar. Isaías nunca perdeu a visão de quem ele servia e a quem ele devia temer e agradar.

A glória do seu ministério e da sua mensagem estava nAquele que o deu para ele – Aquele a quem ele servia. Paulo teve uma experiência de certa forma similar no começo do seu ministério; na sua conversão, ele reteve a glória de Deus e nunca se esqueceu disto.

A glória da sua mensagem e ministério sustentou-o mesmo no meio de sofrimento, adversidade, e rejeição (mesmo por alguns dos santos). Paulo foi fiel ao seu chamado e à mensagem que lhe foi dada para proclamar, mesmo até a morte (veja II Coríntios 3-6).

A Santidade de Jesus Cristo

As promessas da vinda do Messias no Velho Testamento tornaram-se gradativamente mais específicas, até se tornar evidente que o Messias deveria ser não somente humano, mas divino (veja Isaías 9:6-7; Miquéias 5:2). Assim, Ele deve ser santo.

Assim, quando o anjo disse à Maria da criança a ser miraculosamente nascida dela, uma virgem, ele disse. “- E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1:35)

Através da vida e ministério de nosso Senhor na terra, tornou-se crescentemente claro que ele não era um homem comum; na verdade, Ele era mais do que um profeta e mais do que um homem comum. Este era o Filho de Deus. Mesmo os demônios tiveram de reconhecê-Lo como o “Santo de Deus” (Marcos 1:24; Lucas 4:34).

As coisas que Jesus disse e fez O marcaram como Aquele que estava acima de qualquer outro (meramente humano) ser. Pedro era um pescador profissional, porém quando ele obedeceu às instruções do Senhor Jesus, os resultados foram impressionantes. A resposta de Pedro foi apropriada:

8 - E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador. (Lucas 5:8)

Quando Jesus curou o homem possuído por demônio, a multidão maravilhada, exclamou:

33b - Nunca tal se viu em Israel. (Mateus 9:33b)

Quando Jesus disse ao paralítico que os seus pecados estavam perdoados e então o curou, o povo não pôde escapar às implicações:

5 - E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6 - E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 - Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 8 - E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? 9 - Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10 - Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 - A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 - E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos. (Marcos 2:5-12)

Quando o homem cego de nascença foi curado por Jesus, os escribas e Fariseus estavam muito relutantes em admitir que tal milagre tenha acontecido.O homem cego pôde “ver” as implicações do que acontecera e ele pressionou os seus interrogadores.

30 - O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e, contudo me abrisse os olhos. 31 - Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. 32 - Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. 33 - Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. (João 9:30-33)

Os milagres e sinais realizados durante o ministério terreno de Jesus apontavam para Sua santidade, assim como os eventos em torno da Sua morte. A escuridão sobrenatural de três horas e o véu rasgado do templo (Lucas 23:44-45), junto com outros fatos, levaram as multidões irem embora abaladas pelo que elas viram e ouviram. (Lucas 23:46-48)

Um dos criminosos ao lado de Jesus deu testemunho da Sua inocência no seu último momento de vida e pediu a Jesus para se lembrar dele quando Ele entrasse no Seu reino (Lucas 23:36-43). Um dos soldados aos pés da cruz também deu testemunho da singularidade (deveríamos dizer “santidade”) de Jesus:

47 - E o centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo. (Lucas 23:47)

50 - E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. 51 - E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; 52 - E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; 53 - E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos. 54 - E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus. (Mateus 27:50-54)

As palavras ditas sarcasticamente pelas multidões quando Jesus estava pendurado na cruz têm ainda maior impacto após Sua ressurreição:

42 - Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos. 43 - Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus. (Mateus 27:42-43)

Sou fascinado por aquela pequena palavra “agora”. Eles desafiaram Jesus a descer da cruz imediatamente, então evitando a morte. Se Ele fizesse isso, eles disseram, eles acreditariam Nele. Quão mais extraordinário é Seu levantar da morte. Qual foi o ato maior, descer da cruz, ou levantar do túmulo? Jesus fez o maior, e alguns creram.

As implicações desta ressurreição são enfaticamente mencionadas pelos apóstolos como registradas no Livro de Atos, quer por Pedro quer por Paulo:

23 - A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; 24 - Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela; 25 - Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; 26 - Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança; 27 - Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; (Atos 2:23-27)

32 - E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus; 33 - Como também está escrito no salmo segundo: Meu filho és tu, hoje te gerei. 34 - E que o ressuscitaria dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, disse-o assim: As santas e fiéis bênçãos de Davi vos darei. 35 - Por isso também em outro salmo diz: Não permitirás que o teu santo veja corrupção. (Atos 13:32-35)

Pedro e Paulo não somente proclamaram a ressurreição de Jesus da morte como o cumprimento da profecia de Salmos 16:10, eles também O proclamaram ser o “O Santo” de Deus, o qual não permitiria sofrer decadência porque Ele era santo. A ressurreição de Jesus da morte não somente justifica a alegação de Jesus ser o Messias de Israel, ela demonstra Ele ser o prometido “Santo” de Deus. A ressurreição é o selo de aprovação da santidade de Jesus Cristo.

Frequentemente pensamos em Jesus agora como Ele era quando Ele andava nesta terra durante os Seus três anos de ministério público. Na verdade, Sua ressurreição da morte O mudou assim que Ele não mais possui apenas um corpo terreno, porém agora é glorificado pelo Seu corpo transformado.

Sua glória e santidade não são mais veladas, assim que a descrição de Jesus no Livro da Revelação é a descrição Dele como Ele é agora e sempre será. João que uma vez andou com nosso Senhor e inclusive reclinou em Seu peito (veja João 13:23) agora cai diante Dele como um homem morto, vencido pela Sua santidade e glória:

12 - E me virei para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; 13 - E no meio dos sete castiçais um deles semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. 14 - E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; 15 - E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. 16 - E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. 17 - E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; 18 - E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno. 19 - Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer; (Apocalipse 1:12-19)

A Santidade de Deus e a Igreja (Atos 5:1-16; I Coríntios 11:17-34)

A história de Ananias e Safira é uma história familiar para os Cristãos. Nos primeiros anos da igreja, havia uma grande preocupação pelo pobre. Quando necessidades surgiam, os santos vendiam algumas das suas propriedades e colocavam os rendimentos aos pés dos apóstolos para eles os distribuírem. (veja Atos 2:44-45; 4:34-37).

Ananias e Safira fizeram igualmente, porém com um coração dividido e de uma forma fraudulenta. Eles venderam uma parte da propriedade, porém retiveram uma parte do rendimento para si. Eles deram o restante do dinheiro para os apóstolos como se fosse toda a quantia. Quando este pecado foi exposto para Pedro, ele os confrontou, e ambos morreram. Grande temor caiu sobre toda a igreja, sem mencionar o restante da comunidade.

Tenho sempre concentrado no fato de que este casal mentiu, com o que eles fizeram. Porém no contexto de estudar a santidade de Deus, dois detalhes adicionais parecem de maior importância do que eu tinha pensado previamente. Primeiro estes dois mentiram para o Espírito Santo. Sua fraude foi uma ofensa à santidade de Deus.

Foi um ato também que poderia ter um efeito de fermentar na própria igreja (veja também I Coríntios 5:6-7). Assim como a generosidade de Barnabé encorajou outros a darem da mesma forma, o coração-dividido, o ato fraudulento de Ananias e sua esposa poderia afetar negativamente outros na igreja encorajando-os a fazerem o mesmo.

Lembremos que agora é a igreja que é o lugar da morada de Deus na terra. Deus é santo, e então Sua igreja deve ser santa também. O pecado de Ananias e Safira foi uma afronta à santidade de Deus em Sua igreja.

Depois, Lucas inclui um comentário do efeito que as mortes de Ananias e Safira tiveram na igreja e na comunidade. Um grande temor veio sobre toda a igreja e em todos os que ouviram disto. (Atos 5:11, 13).

Os descrentes foram incentivados pelo seu medo a manterem distância da igreja e os santos foram motivados a manter sua distância do mundo (em relação aos pecados dele)

Temor é a resposta dos homens à santidade de Deus. Portanto, o pecado de Ananias e sua esposa foi um pecado de irreverência, um pecado contra a santidade de Deus. Porém a explosão da santidade divina ocorrida pela morte deste casal também trouxe temor naqueles que ouviram deste incidente.

Um texto relacionado é achado em I Coríntios 11 onde Paulo repreende e admoesta a igreja por causa da má conduta de alguns na mesa do Senhor. A igreja lembrou o Senhor ao ter comunhão como uma parte de uma refeição, assim como vemos na última ceia (a Páscoa) descrita nos Evangelhos.

Alguns podiam trazer bastante comida e beber neste jantar enquanto outros podiam trazer pouca comida ou nenhuma. Alguns tinham o luxo de chegar cedo enquanto outros chegavam tarde. Aqueles que traziam bastante e chegavam mais cedo não queriam esperar ou compartilhar com os demais, assim eles se super satisfaziam. No processo, alguns se embebedavam e se comportavam mal de forma que a celebração da morte do Senhor era uma vergonha, assemelhando-se às celebrações gentias dos seus vizinhos pagãos em Corinto.

Paulo repreendeu os Coríntios, não por participarem da comunhão num estado indigno, porém por participarem dela de uma maneira indigna. “Indignamente” na versão King James é interpretado “de uma maneira indigna” na NASB. Ambas são representações fiéis do advérbio empregado no texto original – não um adjetivo.

A maioria dos Cristãos supõe que Paulo está repreendendo os Coríntios por participarem do pão e do vinho como aqueles que são “indignos” (adjetivo) dela, ao invés de perceberem que ele está proibindo a participação do pão e do vinho de uma maneira que seja “indigna” (um advérbio). Ninguém é jamais merecedor do corpo e do sangue de nosso Senhor, porém podemos relembrar de um modo o qual é digno e apropriado.

Paulo depois diz que quando os Coríntios comem do pão e bebem o cálice “indignamente”, eles são réu do corpo e do sangue do Senhor (I Coríntios 11:27), e assim fazendo eles não “discernem o corpo” (versículo 29). Ele continua explicando que este tipo de conduta à mesa do Senhor tem trazido doença de alguns e morte de outros (versículo 30).

Como entendo as palavras de Paulo, o pecado dos Coríntios na Ceia do Senhor era a irreverência. O corpo de nosso Senhor – seu corpo físico e sangue – são santos. Ele era um sacrifício sem pecado morrendo em nosso lugar. O corpo de nosso Senhor é também a igreja, e ela também é para ser santa.

Ao se comportarem de uma maneira bêbada e desordenadamente na Ceia do Senhor, a igreja mostrou um desrespeito pelo corpo físico de Cristo e Seu corpo espiritual, a igreja. Esta irreverência ofendeu tanto a Deus que Ele atingiu alguns com doença e outros com a morte. Irreverência no louvor é tanto uma falha em reconhecer a santidade de Deus como uma afronta à Sua santidade.

Irreverência é um pecado de grande magnitude com consequências terríveis. A santidade de Deus requer de nós conduzirmos nosso louvor seriamente e não participar frivolamente. Isto não significa que nosso louvor tenha de ser sem alegria, solene e sombrio. Simplesmente significa que devemos considerar seriamente a presença de Deus e sermos muito cautelosos sobre ofender Sua presença com a nossa irreverência.

A Santidade de Deus e a Cristandade Contemporânea

A santidade de Deus não é simplesmente uma doutrina com a qual nós concordamos. Antes, a doutrina da santidade de Deus deveria guiar e governar nossas vidas.

(1) A santidade de Deus deveria guiar e governar nosso pensamento na “aceitação de Deus”

Frequentemente ouço Cristãos usando a expressão “aceitação incondicional”. Parece que este termo é primeiro aplicado para Deus e depois para os santos. “Deus nos aceita incondicionalmente”, eles raciocinam, “e assim devemos aceitar os outros incondicionalmente”. Minha dificuldade é que esta não é uma expressão bíblica.

Talvez pior ainda, ela não parece ser um conceito bíblico. Deus não “nos aceita apesar” do que fazemos. Veja a nação de Israel. Por causa do seu pecado constante, Deus disse que eles não eram mais Seu povo (veja Oséias 1). Deus não aceitou Caim ou sua oferta (Gênesis 4:5). Deus nos aceita somente através do sangue derramado de Jesus Cristo assim até mesmo os Cristãos não são incondicionalmente aceitos, apesar das suas atitudes e ações.

A santidade de Deus indica que Deus não aceita o que não é santo. Na verdade tudo o que Deus aceita de nós é o que Ele produz em e através de nós. Falar muito simplesmente sobre aceitação incondicional parece encorajar um viver sem cuidado e desobediente.

A igreja não pode “aceitar” aqueles que professam ser Cristãos, porém vivem como pagãos (I Coríntios 5:1-13). Devemos disciplinar e remover aqueles que se recusam a viver como Cristãos. A igreja é para ser santa, e isto significa remover a “ferida” (fermento?) do seu meio. Deixemos aqueles que enfatizam a aceitação incondicional ponderar estas palavras:

14 - E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15 - Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! 16 - Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Apocalipse 3:14-16)

(2) A doutrina da santidade de Deus necessita ser considerada quando falamos de prestar conta.

O conceito de “prestar conta” tem, em minha opinião, sido importada do mundo secular. Não sou inteiramente contra prestar conta, exceto que a igreja algumas vezes fala mais de prestar conta aos homens do que prestar contas a Deus. Não nos esqueçamos para quem devemos prestar conta:

36 - Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. (Mateus 12:36).

17 - Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. (Hebreus 13:17, veja também I Coríntios 3:10-15).

14 - De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. (Romanos 14:12)

4 - E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós. 5 - Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. (I Pedro 4:4-5)

(3) A santidade de Deus deveria governar nosso pensamento sobre autoestima.

Fui atingido por esta declaração feita por um psicólogo no começo deste século, a qual é tão diferente do que vem sendo nos dito agora:

“Esta reverência tem sido definida significativamente pelo psicólogo William McDougall como a emoção religiosa por excelência; poucas forças meramente humanas são capazes de estimular reverência, esta mistura de assombro, temor, gratidão, e autoestima negativa”.7

Porque falamos de achar nossa autoestima em Cristo quando o encontro de Isaías com a santidade de Deus o fez dizer:

5 - Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. (Isaías 6:5)

Temo que toda nossa orientação esteja errada, e cheguemos a Cristo para nos sentirmos melhor em lugar de cair diante Dele em humildade e veneração ante Sua santidade. Nossos corações deveriam se encher de gratidão e louvor pela graça que Ele nos deu. É o justo que fica em pé diante de Deus autoconfiante em quem ele é não os santos que são confiantes em quem Ele é. (Os santos caem prostrados diante do Senhor).

“Desde que aquele temor e assombro com os quais as Escrituras uniformemente relatam, homens santos são atingidos e inundados sempre que eles contemplam a presença de Deus... Homens nunca são devidamente tocados e impressionados com a convicção da sua insignificância até eles terem se contrastado com a majestade de Deus”.8

(4) A santidade de Deus deveria nos acautelar sobre o que aceitamos e praticamos do movimento “crescimento da igreja” contemporâneo.

O movimento de crescimento da igreja contemporâneo é para ser recomendado em alguns aspectos.9 Parece, contudo, que em sua tentativa de evangelizar os “candidatos” sendo “simpáticos a eles” ele falham em levar a santidade de Deus suficientemente a sério.

Vou mencionar somente algumas das minhas preocupações. Como pode uma igreja focalizar seu principal serviço (Domingo de manhã) no evangelismo quando suas principais atividades parecem ser por outro lado, como descrito em Atos 2:42 (a saber o ensino dos apóstolos, comunhão, partir do pão e oração)?

Colocando de forma diferente, como pode a igreja focalizar no evangelismo nas suas reuniões quando suas atividades principais parecem ser louvor e edificação? Portanto, como pode alguém convidar um descrente para participar da adoração como descrente? A Bíblia ensina que não há “justo” como tal (Romanos 3:10-12). Aqueles que serão salvos são aqueles que são escolhidos, cujos corações o Espírito Santo tocará, cujas mentes Ele iluminará. Aqueles que estão mortos em seus pecados, Ele dá vida (Efésios 2:1-7).

Ninguém que Deus escolheu e no qual o Espírito está trabalhando pode falhar em vir para Ele, assim porque a necessidade de forçar o perdido a vir para a igreja? Aqueles que estavam sendo salvos vieram para a igreja como está no Livro de Atos, e aqueles que não eram salvos mantinham distância.

Com todas estas ênfases no crescimento da igreja, parece haver pouca atenção dada à redução da igreja pela disciplina e pouca devoção para proclamar e praticar a santidade de Deus. Quando Deus atingiu Ananias e Safira com a morte, descrentes não se juntaram à igreja, porém todos temeram a Deus acertadamente. Se o temor do Senhor é o princípio da sabedoria então a santidade de Deus não deve ser ignorada. A santidade de Deus irá levar alguns para longe, porém ela levará o eleito pra a cruz.

Como estudamos em Isaías 6 e II Coríntios 2-7 entre outros textos, encontramos que Isaías e Paulo ambos tinham uma profunda consciência da santidade de Deus. Este conhecimento os levou a agradarem a Deus ao invés de agradarem ao homem (veja Gálatas 1:10).

Paulo não comprometeria sua mensagem nem empregaria métodos inapropriados e irreverentes ao evangelho em consideração à santidade de Deus. Os homens escolhidos por Deus e salvos por Deus não necessitam salvação através de métodos de marketing. A igreja que tem apreendido a santidade de Deus irá proclamar praticar e proteger o puro evangelho.

(5) Uma compreensão da santidade de Deus deveria mudar nossa atitude e conduta na adoração.

No Velho Testamento, a adoração era regulada atentamente. No Novo Testamento, maior liberdade parece ter sido dada na adoração. O sacerdócio de uns poucos no Velho Testamento tornou-se o sacerdócio de todos os crentes no Novo. Porém Atos 5 e I Coríntios 5 e 11 nos advertem fortemente sobre a adoração que falha em levar a santidade de Deus seriamente como deveria.

Irreverência é uma ofensa muito séria, como podemos ver tanto no Velho como no Novo Testamento. E adoração é uma área onde a irreverência é uma preocupação constante. Tenho me preocupado com aqueles que, no entusiasmo e excitação da sua adoração, transgridem claramente as instruções para a igreja em relação à adoração.

Um caso em questão é o ensinamento bíblico no papel que a mulher pode desempenhar na reunião da igreja. Também, Uzá parece ter sido sincero e zeloso na sua participação em trazer a arca de Deus para Jerusalém, mas Deus o matou por sua irreverência. Moisés foi mantido fora da terra prometida por causa da sua irreverência e sua falha em obedecer a Deus precisamente como ele tinha sido instruído. Isto leva à próxima observação.

9 - Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra. (Salmos 96:9)

(6) A resposta apropriada à santidade de Deus é o temor (reverência) e a consequência do temor é a obediência.

A medida que vejo as Escrituras que falam da santidade de Deus e o temor que ela deveria produzir nos corações dos homens, encontrou uma correlação muito forte entre temor (ou reverência) e obediência. Por exemplo, a esposa é para respeitar (literalmente temer) seu esposo em Efésios 5:33.

A submissão da esposa ao seu marido frequentemente é expressa pela sua obediência a ele (veja I Pedro 3:5-6). Temor ou reverência leva à obediência. A mesma correlação é vista em I Pedro 2:13-25 e Romanos 13:1-7 em relação aos cidadãos e autoridades governamentais e escravos e seus senhores.

O temor do Senhor é o resultado de entender Sua santidade. Assim também é a origem de muito que é bom. Temor é o princípio da sabedoria (Provérbios 1:7). Ele nos leva a odiar e evitar o mal (8:13; 16:6). É também a base para uma forte confiança (14:26). É uma fonte de vida (14:27). A santidade de Deus é a raiz de muitos frutos maravilhosos, saltando de um coração que reverencia a Deus como o Único Santo.

(7) A santidade de Deus é a base e a necessidade convincente para nossa santificação.

A santidade de Deus é a razão pela qual nós somos mandados a viver vidas santas:

14 - Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 15 - Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; 16 - Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. 17 - E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, 18 - Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, 19 - Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, (I Pedro 1:14-19).

Porque Deus é santo, nós que somos o Seu povo devemos ser santos também. Santidade é nosso chamado (Efésios 1:4; Romanos 8:29; I Tessalonicenses 4:3). Devemos praticar e proclamar Suas virtudes para o mundo (I Pedro 2:9), e proeminente entre as virtudes de Deus está Sua santidade.

(8) A santidade de Deus torna o evangelho uma necessidade gloriosa.

Quando penso na santidade de Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo (não excluindo o Espírito Santo), sou mais impactado pela cruz do Calvário. Tenho pensado frequentemente na agonia de nosso Senhor no Jardim do Getsêmani.

Usualmente, penso na Sua agonia em termos do Seu horror ao pensamento de suportar a ira do Pai, a ira que nós merecemos. Porém este estudo da santidade de Deus tem me impressionado com a repulsa a qual um Deus santo tem contra o pecado – contra o nosso pecado.

E ainda, desprezando o pecado como um Deus santo deve o Senhor Jesus tomou todos os pecados do mundo sobre Si quando ele foi para o Calvário. Jesus não somente estava agonizando pela ira do Pai, Ele estava agonizando pelo pecado que Ele suportaria por nós. Que Salvador maravilhoso!

Pelo meu entendimento da história da igreja, reavivamento tem estado associado muito próximo com uma renovação e uma conscientização aumentada da santidade de Deus, acompanhado com uma elevada convicção do pecado pessoal.

Se a santidade de Deus realizar em nossas vidas o que ela fez nas vidas daqueles homens como Isaías como lemos na Bíblia, nos tornaremos cada vez mais conscientes da profundidade do nosso próprio pecado e nossa necessidade desesperada de perdão. Sem santidade, não podemos entrar no céu de Deus.

Na Sua santidade, Deus fez uma provisão para nossos pecados. Pela Sua morte sacrificial na cruz do Calvário, Jesus Cristo pagou o preço por nossos pecados, e, portanto tornou possível para nós participarmos da Sua santidade. Quando reconhecemos nosso pecado, nossa injustiça, e confiamos na morte de Jesus em nosso lugar, nós nascemos de novo. Nossos pecados são perdoados. Nossa pecaminosidade é limpa. Tornamos-nos uma criança de Deus.

Domingo de Páscoa é o dia que celebramos a ressurreição de Jesus Cristo da morte. Ele pode ser um tempo quando você vem à vida da morte também, se você coloca sua confiança Nele.

1- E VOS vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, 2 - Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. 3 - Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. 4 - Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou 5 - Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), 6 - E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; 7 - Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. (Efésios 2:1-7)


1 R. C. Sproul, The Holiness of God (Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc., 1985), p. 40.

2 Ibid., p. 54

3 Ibid., p. 55.

4 Ibid., p. 57.

5 Ibid., p. 57.

6 A relação entre temor (ou reverência) e obediência é indicado no Novo Testamento assim como no Velho. Em I Pedro 1, Pedro recomenda os santos a viverem no temor de Deus (1:17). No capítulo 2, temor (reverência ou respeito) é a raiz da obediência aos reis, aos senhores cruéis dos escravos, e obediência aos maridos severos (3:1-6; veja também as palavras de Paulo em Efésios 5:33) Irreverência é a raiz da desobediência.

7 William McDougall, An Introduction to Social Psychology (New York: Methuen, 1908), p. 132, cited by Kenneth Prior, The Way of Holiness (Downers Grove: Inter-Varsity Press, rev. ed., 1982), p. 20.

8 John Calvin, as cited by R. C. Sproul, The Holiness of God, p. 68.

9 See Os Guiness, Dining With The Devil (Grand Rapids: Baker Book House, 1993), pp. 21-24, Para algumas das contribuições positivas do movimento. O resto do livro lida com suas deficiências críticas.

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