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Ló Se Considera o Máximo (Gênesis 13:5-18)

Introdução

Esta semana, quando estava me preparando para fazer esta mensagem, lembrei-me de um recente best seller intitulado Considerando-se o melhor.147 Pensando que este livro poderia me fornecer algum material ilustrativo, fui à biblioteca checá-lo. Todos os volumes da prateleira estavam faltando. Acho que muitos hoje em dia estão agindo sob essa premissa.

Ló nunca leu nenhum livro sobre esse assunto, mas ele o conhecia muito bem, como podemos ver pelo relato de Moisés em Gênesis capítulo 13. Ora, chegara o tempo de Abrão e Ló se separarem. Em sua separação percebemos o contraste entre os motivos e as ações destes dois santos. Um contraste que serve de alerta aos que pensam que Deus abençoa a quem só se preocupa consigo mesmo às custas dos outros.

O Relacionamento Fica Tenso
(13:5-7)

Quando vieram de Ur com Terá, Abrão e Ló pareciam inseparáveis, mesmo quando Deus ordenara a Abrão para deixar seus parentes para trás.

Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei. (Gênesis 12:1)

Mas, finalmente, os laços entre os dois foram se enfraquecendo. Basicamente sua separação foi causada por três fatores que estão registrados nos versos 5 a 7:

Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas. E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro. Houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra. (Gênesis 13:5-7).

O primeiro problema foi o sucesso de ambos como donos de rebanhos. Ambos, Abrão (13:2) e Ló (13:5), prosperaram. Agora suas manadas e seus rebanhos se tornaram tão grandes que eles não podiam mais habitar juntos (13:6). Isto era uma realidade para as tribos nômades que continuamente precisavam se deslocar à procura de pastagens para seu gado e suas ovelhas.

O segundo problema foi a disputa que parecia estar se desenvolvendo entre os pastores de Abrão e de Ló (13:7). Os pastores de cada um procuravam água e os melhores pastos para os animais de seu senhor. Esta competição inevitavelmente levou a um conflito entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló.

Provavelmente não estaria longe dos fatos sugerir que alguma irritação já se tornara evidente entre os próprios Abrão e Ló. Isto talvez esteja implícito nas palavras de Abrão no verso 8. O que também seria fiel à realidade. Toda vez que houver contenda entre os seguidores, com muito mais freqüência também haverá desentendimento entre os líderes.

Se o primeiro problema é o sucesso de ambos, e o segundo é seu conseqüente desentendimento, o terceiro é o fato de que a terra onde habitavam era dividida com outros povos, ou seja, com os cananeus e os ferezeus (13:7).

É tão fácil esquecer que, até agora, nenhuma parte de Canaã pertencia a qualquer dos dois, Abrão ou Ló. Quando Abrão e Ló se separam neste capítulo, eles afastam seus trajetos; não repartem uma propriedade real. Ambos estão vivendo numa terra que é ocupada pelos cananeus e ferezeus.

Esta observação aparentemente casual da pena de Moisés não somente nos relembra de que Abrão era um peregrino, habitando numa terra que algum dia pertenceria a sua descendência, mas também pode sugerir que o desentendimento existente entre ele e Ló era um pobre testemunho para aqueles que atentamente os observavam. Além disso Abrão e Ló não tinham somente que dividir as pastagens entre si, mas também estavam à mercê daqueles que primeiramente reivindicaram aquela terra.

Sorrio quando que leio estes versos, pois Deus trabalha de maneira estranha, e às vezes até bem humorada, para realizar Sua vontade. Tempos antes Deus dissera a Abrão para deixar sua pátria e sua parentela. Naquela época, deixar Ló era principalmente uma questão de princípios. Abrão devia fazê-lo porque Deus assim o dissera. Agora, anos mais tarde, Abrão relutantemente reconhece que a separação deve ocorrer, não por uma questão de princípios, mas por uma questão prática.

Meu amigo, de um jeito ou de outro, a vontade de Deus vai ser feita. Poderia ter sido feita por Abrão em Ur, mas não foi. Deus providencialmente trouxe desavença e competição entre Abrão e Ló, o que forçou a ocorrência de uma separação. Mais cedo ou mais tarde os propósitos de Deus serão realizados. Se não vemos a necessidade de obediência, Deus criará uma. Você pode contar com isso.

O Pedido
(13:8-9)

Sem dúvida o problema que causou a separação de Abrão e Ló há muito era evidente. Imagino que Abrão discutira isso muitas vezes com Sarai, sua esposa. Não há nada sobre isso no texto, mas desconfio que as palavras de Sarai para Abrão fossem as mesmas que incontáveis esposas guardam para uma ocasião como esta: “Eu te disse.”

Muitas vezes, o curso inevitável dos acontecimentos é óbvio para nosso companheiro bem antes que estejamos dispostos a aceitar a realidade dos fatos. É bem possível que Sarai apresentasse uma solução muito diferente daquela formulada por Abrão. Ela podia ter dito: “Diga prá Ló se mandar.” “Deus não chamou Ló para ir para Canaã, Abrão, mas você.” “Deixe-o partir.” Tudo isto, é claro, é mera conjectura de minha parte. Mas qualquer estudante da natureza humana teria que concordar que, pelo menos, é uma possibilidade bem real.

A solução de Abrão não poderia ter sido mais generosa ou piedosa. Seus motivos parecem ser baseados na ética, não na economia.

Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados. Acaso não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda. (Gênesis 13:8-9)

Mais que qualquer outra coisa, Abrão queria manter a paz e resolver o conflito que se estabelecera entre eles. O princípio prevalecente é aquele em que a unidade entre os irmãos deve ser preservada. Estranhamente, apesar de muito prática, esta unidade deve ser preservada pela separação. Alguém devia partir, ou Abrão ou Ló.

Aparentemente era óbvio que eles deviam se separar. A única questão era: quem partiria, e para onde iria? Abrão deixou a decisão por conta de Ló. Qualquer caminho que Ló escolhesse, Abrão agiria de modo correspondente. O oferecimento dava a Ló a vantagem, e deixava Abrão vulnerável.

A Decisão e Suas Conseqüências
(13:10-13)

Parecia que, quando Abrão fez sua oferta a Ló, ambos estavam num lugar alto de onde toda a terra em derredor era visível. A decisão de Ló foi friamente calculada. Com olhos de um expert, ele examinou a terra, pesando as vantagens e desvantagens das opções:

Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente. Separaram-se um do outro. (Gênesis 13:10-11).

Como pai de cinco filhos, posso avaliar o que procurava o olhar de Ló à medida que ele inspecionava a terra ao seu redor. Qualquer um dos meus filhos poderia trabalhar para o Departamento de Qualidade. Com uma simples olhadela, cada um deles pode facilmente medir a quantidade de bebida num copo. Sem nenhum esforço aparente eles estendem a mão para o copo e o primeiro a pegá-lo sempre acaba com o mais cheio, não importa quão pouca seja a diferença. Esse mesmo tipo de olhar era evidente nos olhos de Ló.

Ele fixou seu olhar no belo vale do Jordão. Sua beleza verdejante evidenciava a presença de águas abundantes do Jordão para irrigação. Mais adiante o solo empoeirado e as colinas áridas eram de pouco proveito. Ali quase não havia água.

Literalmente o vale do Jordão era um paraíso. Era justamente como “o jardim do Senhor” (13:13). Ele também parece ter sido suprido por irrigação ao invés de chuva (Gênesis 2:6, 10 e ss). O vale do Jordão também era como a terra do Egito. Uma pessoa não tinha que viver pela fé em tal lugar, pois a água era abundante, e não tinha que esperar em Deus pela chuva.

E assim a escolha de Ló foi feita, claramente uma decisão astuta, e, aparentemente, uma escolha que lhe deu um avanço decisivo na competição entre ele e Abrão. Para mim, foi uma decisão egoísta - aquela que tomava tudo o que havia de melhor e deixava Abrão com o que parecia sem valor.

Uma separação mais simples e mais justa teria sido fazer do rio Jordão a fronteira entre os dois. O que teria sido mais justo do que ter escolhido um lado do rio para viver e deixar o outro lado para Abrão? Mas Ló escolheu “toda a campina do Jordão” (verso 11). Ele fez um trabalho de mestre achando-se o melhor. Ele poderia escrever um livro sobre o assunto.

Eis que Abrão e Ló se separaram. Abrão habitou em Canaã, enquanto Ló avançava cada vez mais para perto de Sodoma.

Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma. (Gênesis 13:12)

Ló considerara muito cuidadosamente os fatores econômicos de sua decisão, mas negligenciou completamente as dimensões espirituais. Deus prometera abençoar a Abrão, e a outros através dele, à medida que eles o abençoassem (Gênesis 12:3). Quando Ló seguiu seu caminho, creio que ele se deu um tapinha nas costas por ter dado o recado ao velho Abe. Ele devia ser fraco da cabeça por dar tal vantagem a Ló, e Ló era astuto o suficiente para tirar proveito disso. Mas nesse processo ele não abençoou a Abrão, fez pouco dele. Isso requeria maldição, não bênção (Gênesis 12:3).

Além do mais, Ló não considerara as conseqüências de viver nas cidades do vale. Apesar do solo ser fértil e a água abundante, os homens daquelas cidades eram maus. O custo espiritual da decisão de Ló foi enorme. E, no final das contas, todos os benefícios materiais também se tornaram perda.

Creio que Ló não pretendia realmente viver nas cidades do vale. A princípio, ele simplesmente tomou uma direção comum (cf. verso 11). Mas, uma vez que nossa direção é estabelecida, nosso destino também é determinado, pois agora é só uma questão de tempo. Apesar de Ló viver a princípio em suas tendas (13:2), em pouco tempo trocou suas tendas por uma casa em Sodoma (19:2, 4, 6). Inicialmente ele pode ter morado nos subúrbios, mas finalmente ele morou na cidade (19:1 e ss).

Algumas decisões podem não parecer muito significativas, mas elas estabelecem um curso particular para nossas vidas. A decisão pode não parecer muito importante, mas o resultado final pode ser trágico e assustador. E muitas vezes a aparência é de que a escolha é algo certo para nos dar vantagem. Prosperidade material jamais deve ser procurada às custas de risco espiritual.

Como o tempo pode mudar nossa perspectiva de prosperidade! Quando a decisão de se estabelecer no vale do Jordão foi tomada, ele era um paraíso virtual (13:10). Moisés, no entanto, incluiu uma observação entre parênteses que coloca esta beleza sob uma luz muito diferente: “antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra” (Gênesis 13:10).

Como as coisas se mostram diferentes na esteira do julgamento divino. Um belo paraíso, e foi assim - até Deus lançar fogo e enxofre sobre ele (19:24). Daquele dia em diante foi uma devastação.

Muito mais que a perda de suas posses e de sua prosperidade, Ló pagou um terrível preço por seu prazer passageiro. De acordo com Pedro, a alma de Ló foi continuamente afligida pelo que via na cidade (II Pedro 2:7). Mesmo quando o santo é rodeado de prazer sensual, ele não pode desfrutar do pecado por muito tempo. Mais trágico que qualquer outra coisa, Ló pagou por sua decisão em sua própria família. Sua esposa se tornou estátua de sal por causa de sua ligação com Sodoma (19:26). Suas filhas seduziram a Ló e o induziram a cometer incesto, sem dúvida um reflexo dos valores morais que aprenderam em Sodoma (19:30 e ss).

Deus Tranqüiliza Abrão
(13:14-17)

É interessante que Deus não falou a Abrão (pelo menos daquilo que nos é informado nas Escrituras) até que ele tivesse tomado a decisão de se separar. Este fato não é acidental, mas fundamental, pois lemos: “Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se separou dele...” (Gênesis 13:14).

Do tanto que podemos depreender, o chamado de Deus a Abrão (12:1-3) foi só para ele. Bem como a confirmação no capítulo 13. Deus ordenara a Abrão deixar sua parentela (12:1). A bênção não poderia vir sem a obediência à vontade revelada de Deus, e nem viria tranqüilização. Humanamente falando, a única coisa que se colocou no caminho da bênção divina foi a desobediência humana. Deus removeu essa barreira pela providencial separação de Ló, e agora a promessa de Deus é reafirmada.

... Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque eu ta darei. (Gênesis 13:14b-17).

Ló tinha “erguido seus olhos” (verso 10) e contemplado a terra antes dele, com os olhos de alguém que avalia uma promessa financeira, a Abrão foi ordenado olhar com os olhos da fé na promessa de Deus.

Talvez Abrão estivesse nalgum ponto elevado, avaliando a terra que era sua, e também, quem sabe, aquela terra que Ló escolhera ocupar. Se eu estivesse no lugar de Abrão, teria tido muitas segundas intenções. Não tinha desistido de minha oportunidade de ouro? Sarai não pensou que eu tinha feito papel de tolo? Não tinha falhado com ela? Não tinha falhado com Deus em minha decisão? Uma olhada para o luxuriante verde do vale do Jordão em contraste com o marrom árido das colinas secas poderia ter inspirado tais pensamentos.

Contudo, Deus assegurou a Abrão que toda a terra que ele contemplava devia ser dada a ele. Ló pode ter escolhido viver em Sodoma, mas Deus não lhe dera a posse da terra, nem a daria. Ló devia ser um peregrino em Sodoma (cf. 19:9), e nem por muito tempo também. Dar a vantagem a Ló não foi desistir de suas esperanças para o futuro, pois, no final das contas, é Deus quem traz bênção aos homens por Sua escolha soberana.

Enquanto Abrão estava olhando a terra, talvez pudesse ver a profunda sujeira do vale do Jordão para onde Ló se dirigiu. Também poderia ver a poeira que se levantava ao redor dele, tipificando a terra onde viveria. Mas Deus usou esse monte de pó como testemunho das bênçãos que viriam. Sua descendência seria tão abundante quanto o pó que dominava a terra onde vivia. Nunca mais ele devia olhar para aquele pó com dúvidas, mas com esperança, pois ele devia ser o símbolo das bênçãos futuras.

A palavra final de Deus para Abrão nesta visita foi para ele avaliar a terra que algum dia seria sua. Por enquanto ele não devia possuí-la, mas examiná-la com os olhos da fé. A promessa “Porque eu ta darei” (verso 17) é futura. Esta promessa não foi cumprida até a ocupação da terra pelos Israelitas sob a liderança de Josué. Leva tempo tomar posse das promessas de Deus, e isso porque Deus assim planejou.

Quão gracioso é Deus ao falar palavras de conforto e tranqüilidade quando todos os aspectos da bênção parecem fora de alcance. Quão bom é ser relembrado de que a Palavra de Deus é fiel e que Suas promessas são tão certas quanto Ele é soberano.

A Reação de Abrão
(13:18)

A reação de Abrão revelou uma fé crescente no Deus que o chamou. Ele mudou suas tendas em direção a Hebrom, e viveu próximo aos carvalho de Manre. Era um pedaço de terra que pertencia a outra pessoa, não a Abrão (cf. 14:3), mas era onde Deus queria que ele estivesse. Lá Abrão construiu um altar e adorou seu Deus.

Quão diferentes foram os caminhos desses dois homens depois que se separaram. Um foi avançando, quase imperceptivelmente, cada vez mais para perto da cidade de Sodoma, para viver entre homens ímpios e perigosos, e tudo por causa de vantagens financeiras. O outro foi viver uma vida de peregrino, habitando naquelas colinas áridas, com sua esperança nas promessas de Deus. Um vive em tendas e constrói um altar de adoração; o outro negocia suas tendas por um apartamento na cidade de homens perigosos. Eis uma decisão que pesou muito no destino de dois homens, mas, muito mais, no destino de sua descendência.

Conclusão

As decisões a que chegaram Abrão e Ló são as mesmas com que são confrontados todos os cristãos. Precisamos decidir se confiamos na soberania de Deus ou em nossos próprios estratagemas e expedientes. Precisamos determinar se confiamos na “incerteza das riquezas” ou no Deus que “ricamente tudo nos proporciona” (I Timóteo 6:17). Precisamos decidir se investimos nos “prazeres passageiros do pecado” ou no “galardão” futuro prometido por Deus (Hebreus 11:25-26).

Estas decisões são claramente contrastadas na separação de Ló e Abrão. Ló escolheu agir com base na utilidade; Abrão com base na unidade. Por causa da unidade, Abrão agiu com o fundamento da fé no Deus que prometera sustentá-lo. Ló escolheu dirigir sua vida com o fundamento incerto da segurança financeira. Abrão foi grandemente abençoado, Ló perdeu tudo.

Ló escolheu habitar numa cidade que parecia um paraíso (13:10), mas cheia de pecadores. Abrão decidiu viver num lugar deserto, mas onde poderia livremente adorar seu Deus.

Abrão ilustra lindamente a verdade de dois fatos do Novo Testamento. Primeiro, ele dá uma explicação a estas palavras, ditas por nosso Senhor:

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deu. (Mateus 5:5, 9 NVI).

Abrão foi um homem de mansidão. Não foi um homem de fraquezas, como demonstra o capítulo 14. Ele não teve que agarrar a bênção à força, mas esperar fielmente por ela das mãos de Deus. Ele foi alguém a quem foi dada a paz, antes de sacrificá-la por prosperidade.

Portanto, vemos que este incidente na vida de Abrão também é instrutivo quando comparado a estas palavras do apóstolo Paulo:

Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores ao si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. (Filipenses 2:1-5)

Abrão foi bem sucedido porque foi servo. Ele não progrediu na vida porque galgou a colina do sucesso sobre a ruína da vida dos homens que estiveram em seu caminho. Ele foi exaltado por Deus porque colocou os interesses dos outros à frente dos seus.

Ele não considerava Ló superior a si mesmo, como algumas traduções erroneamente sugerem. Certamente nosso Senhor, que é o supremo exemplo de humildade, não considerava os homens caídos e pecaminosos superiores a Si mesmo, o Deus infinito e sem pecado. Antes Ele procurou garantir seus benefícios às Suas custas. Ele procurou bênção e justiça em Deus (cf. I Pedro 2:23).

A maneira de progredir do mundo é considerar-se o melhor. Essa também foi a maneira de Ló. A maneira de Deus para a bênção é erguer os olhos para o Número Um, tendo consideração pelos outros (cf. Mateus 22:36-40). Essa vida só pode ser vivida pela fé. Essa vida só pode fazer crescer nossa fé em Deus.

O ponto de partida para todo homem, mulher ou criança é procurar a salvação em Deus. Não podemos, não ousamos, confiar em nossa própria astúcia para entrar no reino de Deus. Muitas vezes aquilo que pensamos ser o “paraíso” logo será destruído pela ira de Deus. A fé reconhece nossa pecaminosidade e confia na obra de Jesus na cruz do Calvário para as bênçãos e a segurança eterna. Os nossos melhores esforços estão destinados à destruição. Somente aquilo que Deus promete e provê permanecerá.

Possa Deus capacitar a cada um de nós a confiar Nele, e não em nós mesmos.


147 Título em português: Intimide para vencer, por Robert L. Singer