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14. Ló Só Pensa em Si Mesmo (Gênesis 13:5-18)

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Introdução

Esta semana, quando estava me preparando para esta mensagem, lembrei-me de um recente best seller intitulado Looking Out For Number One (“Cuidando da Própria Vida” ou “Procurando ser o Melhor”1). Pensando que este livro pudesse me fornecer algum material ilustrativo, fui à biblioteca para checar. Todos os volumes da estante tinham sumido. Pelo jeito, tem muita gente pensando assim hoje em dia.

Ló nunca leu um livro sobre este assunto, mas ele o conhecia muito bem, como podemos ver pelo relato de Moisés no capítulo 13 de Gênesis. Ali, tinha chegado o tempo de Abrão e Ló se separarem. Em sua separação, podemos ver um contraste entre aqueles dois santos quanto ao que os levou a fazer o que fizeram; um contraste que serve de alerta a quem acha que Deus abençoa aos que só pensam em si mesmos sem considerar as outras pessoas.

O Relacionamento Fica Tenso (13:5-7)

Ao saírem de Ur com Terá, Abrão e Ló pareciam inseparáveis, mesmo quando Deus ordenou a Abrão que deixasse seus parentes para trás.

Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei. (Gênesis 12:1)

Contudo, finalmente, os laços entre eles acabam se enfraquecendo. Basicamente, sua separação foi causada por três fatores, os quais estão registrados nos versículos 5 a 7:

Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas. E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro. Houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra. (Gênesis 13:5-7).

O primeiro problema foi o sucesso de ambos como pecuaristas. Os dois, Abrão (13:2) e Ló (13:5), tinham prosperado. Suas manadas e rebanhos se tornaram tão grandes que eles não podiam mais viver juntos (13:6). Esta era uma realidade entre as tribos nômades que precisavam estar sempre se deslocando à procura de pasto para as ovelhas e para o gado.

O segundo problema foi a disputa crescente entre seus pastores (13:7). Tanto os pastores de um quanto os do outro procuravam água e o melhor pasto para os animais de seu senhor. Essa competição inevitavelmente levou a um conflito entre eles.

Não seria ir longe demais sugerir que alguma irritação já se tornara evidente até mesmo entre Abrão e Ló. Talvez isto esteja implícito nas palavras de Abrão no versículo 8. O que também seria verdade. Sempre que há desentendimento entre os seguidores, com muito mais frequência há também entre os líderes.

Se o primeiro problema foi o sucesso de ambos, e o segundo, consequência dele, o terceiro foi o fato de a terra onde eles habitavam ser dividida com outros povos, ou seja, com cananeus e ferezeus (13:7).

É muito fácil nos esquecermos de que Canaã ainda não pertencia a nenhum dos dois, Abrão ou Ló. Quando eles se separam neste capítulo, cada um segue seu caminho; eles não dividem uma propriedade. Eles estavam vivendo numa terra ocupada por cananeus e ferezeus.

Esse comentário aparentemente casual da pena de Moisés não só nos faz lembrar que Abrão era um peregrino, habitando numa terra que algum dia seria da sua descendência, como também pode sugerir que o desentendimento existente entre ele e Ló foi um triste testemunho para quem os observava. Por isso, os dois, além de ter de dividir as pastagens entre si, também estavam à mercê daqueles que reclamavam a posse da terra.

Não posso deixar de sorrir quando leio estes versículos, pois Deus trabalha de um jeito estranho, e às vezes até bem humorado, para realizar Sua vontade. Tempos antes, Deus tinha dito a Abrão para deixar sua pátria e sua parentela. Naquela época, deixar Ló era principalmente uma questão de princípio. Abrão precisava deixá-lo porque Deus disse para deixar. Agora, anos mais tarde, com relutância, ele reconhece que a separação é necessária, não por uma questão de princípio, mas por uma questão prática.

Meu amigo, de uma forma ou de outra, a vontade de Deus será feita. Podia ter sido em Ur, mas não foi. Em Sua providência, Deus trouxe desentendimento e competição entre Abrão e Ló, o que forçou a separação. Mais cedo ou mais tarde, os propósitos de Deus serão realizados. Se não vemos necessidade de obediência, Deus criará uma. Você pode contar com isso.

O Pedido (13:8-9)

Sem dúvida, o problema que causou a separação entre Abrão e Ló há muito era evidente. Imagino que Abrão tenha discutido diversas vezes o assunto com Sarai, sua esposa. O texto não diz nada, mas desconfio que ela deva ter dito a ele as mesmas palavras que incontáveis esposas guardam para uma ocasião como esta: “Eu não falei?”.

Geralmente, o curso inevitável dos acontecimentos é óbvio para o nosso companheiro muito antes de estarmos dispostos a aceitar a realidade dos fatos. É bem possível que Sarai tenha apresentado uma solução totalmente diferente da encontrada por Abrão. Talvez ela tenha dito: “Diga pra Ló cair fora”. “Abrão, Deus não chamou Ló para ir a Canaã, só você”. “Deixe ele ir”. Tudo isto, é claro, é mera conjectura da minha parte, mas qualquer estudante da natureza humana teria de concordar que, pelo menos, é uma possibilidade viável.

A solução encontrada por Abrão não poderia ser mais graciosa ou piedosa. Sua motivação parece ter sido baseada na ética, não na economia.

Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados. Acaso não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda. (Gênesis 13:8-9)

Acima de tudo, Abrão queria manter a paz e resolver o conflito que havia se estabelecido entre eles. A coisa mais importante era preservar a união fraterna. Por mais estranho que pareça, embora a separação fosse mais prática, a união devia ser preservada por meio dela. Um deles precisava partir, ou Abrão ou Ló.

Aparentemente, era óbvio que eles precisavam se separar. O único problema era: quem devia ir embora, e para onde? Abrão deixou a decisão por conta de Ló. Qualquer que fosse sua escolha, Abrão iria agir em conformidade com ela. A oferta dava vantagem a Ló e deixava Abrão vulnerável.

A Resolução e Suas Consequências (13:10-13)

Quando Abrão fez a oferta a Ló, parece que os dois estavam em um lugar alto, de onde podiam avistar toda a terra ao seu redor. A decisão de Ló foi friamente calculada. Com olhos de um avaliador, ele examinou a terra, pesando as vantagens e desvantagens das opções:

Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente. Separaram-se um do outro”. (Gênesis 13:10-11)

Como pai de cinco filhos, posso entender o que o olhar de Ló procurava enquanto ele inspecionava a terra ao seu redor. Qualquer um dos meus filhos poderia trabalhar para o Bureau of Standards (No Brasil, algo equivalente à ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas). Com uma simples olhadela, cada um deles pode facilmente calcular a quantidade de bebida num copo. Sem qualquer esforço aparente, eles estendem a mão e o primeiro a alcançar o copo sempre pega o mais cheio, mesmo que a diferença seja mínima. Esse mesmo tipo de olhar era evidente nos olhos de Ló.

Ele fixou os olhos na bela campina do Jordão. Sua beleza verdejante era sinal da presença de muita água para irrigação. Mais adiante, as colinas áridas e o solo empoeirado eram de pouco interesse. Lá quase não havia água.

A campina do Jordão era literalmente um paraíso. Era exatamente como “o jardim do Senhor” (13:10). E também parecia ser abastecida por irrigação, não por chuva (Gênesis 2:6, 10 e ss). Era, ainda, como a terra do Egito. Não era preciso viver pela fé num lugar como esse, pois a água era abundante, não era preciso esperar em Deus pela chuva.

E foi assim que Ló escolheu sua parte, claramente uma decisão astuta e, aparentemente, uma opção que lhe dava uma vantagem decisiva na competição com Abrão. Para mim, foi uma decisão egoísta — a qual pegava o que havia de melhor e deixava para Abrão o que parecia sem valor.

Uma separação mais simples e mais justa teria sido usar o Jordão como fronteira entre eles. Não teria sido mais justo Ló viver de um lado do Jordão, deixando o outro para Abrão? No entanto, Ló escolheu “toda a campina do Jordão” (versículo 11). Ele fez um trabalho de mestre pensando só em si mesmo. Ele poderia ter escrito um livro sobre o assunto.

E assim eles se separaram. Abrão ficou em Canaã, enquanto Ló foi avançando cada vez mais em direção a Sodoma.

Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma. (Gênesis 13:12)

Ló tinha considerado com muito cuidado os fatores econômicos da sua decisão, mas tinha deixado de lado completamente as dimensões espirituais. Deus tinha prometido abençoar Abrão, e outras pessoas por meio dele quando elas o abençoassem (Gênesis 12:3). Ao seguir seu caminho, creio que Ló cumprimentou a si mesmo por ter dado o recado ao velho Abe. Abrão devia ser fraco da cabeça por dar essa vantagem a Ló, e Ló era astuto o suficiente para se aproveitar disso. Contudo, fazendo isso, ele não abençoou Abrão, mas fez pouco dele. Isso pedia maldição, não bênção (Gênesis 12:3).

Além do mais, Ló não pensou nas consequências de viver nas cidades da campina. Embora o solo fosse fértil e a água abundante, os homens daquelas cidades eram perversos. O custo espiritual da decisão de Ló foi enorme. E, no final, todos os benefícios materiais também se transformaram em perda.

Creio que Ló não pretendia realmente viver nas cidades da campina. No começo, ele simplesmente tomou uma direção comum (cf. versículo 11). No entanto, uma vez que nosso rumo é estabelecido, nosso destino também é determinado por ele, pois isso é apenas uma questão de tempo. Embora no início Ló vivesse em tendas (13:12), logo ele as trocou por uma casa em Sodoma (19:2, 4, 6). Talvez no princípio ele tenha morado nos subúrbios, mas no fim ele estava morando na cidade (19:1 e ss).

Algumas resoluções talvez não pareçam muito sérias, mas elas estabelecem um curso determinado para a nossa vida. A decisão pode não ser muito importante, mas o resultado final pode ser trágico e assustador. E, muitas vezes, a aparência é de que a escolha foi feita só para o nosso benefício. Prosperidade material nunca deve ser buscada às custas de risco espiritual.

Como o tempo pode mudar nossa perspectiva de prosperidade! Quando a decisão de se estabelecer na campina do Jordão foi tomada, o lugar era praticamente um paraíso (13:10). Moisés, no entanto, inclui uma observação parentética que coloca essa beleza sob uma luz muito diferente: “antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra” (Gênesis 13:10).

As coisas se mostram bem diferentes diante do julgamento divino. Aquele lugar era um belo paraíso — até Deus lançar fogo e enxofre sobre ele (19:24). Daquele dia em diante tudo se tornou uma grande devastação.

Muito maior que a perda de suas posses e de sua prosperidade foi o terrível preço pago por Ló pelo seu prazer passageiro. De acordo com Pedro, sua alma foi continuamente afligida pelo que ele via na cidade (2 Pedro 2:7). Mesmo quando o santo está rodeado de prazer sensual, ele não pode desfrutar do pecado por muito tempo. E mais trágico ainda, foi ele ter pago por sua decisão com a própria família. Sua esposa virou uma estátua de sal, por causa da sua atração por Sodoma (19:26). Suas filhas o seduziram e o levaram a cometer incesto, sem dúvida um reflexo dos valores morais aprendidos em Sodoma (19:30 e ss).

Deus Restaura a Confiança de Abrão (13:14-17)

É interessante que Deus só fala com Abrão (pelo menos, no que se refere à Escritura) após ele tomar a decisão de se separar. Isso não foi casual, mas fundamental, pois lemos: “Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se separou dele...” (Gênesis 13:14).

Até onde podemos ver, o chamado de Deus a Abrão (12:1-3) foi só para ele. Assim como a confirmação no capítulo 13. Deus lhe disse para deixar sua parentela (12:1). A bênção não poderia vir sem a obediência à Sua vontade revelada; nem a restauração. Em termos humanos, a única coisa que ficou no caminho da bênção divina foi a desobediência humana. Providencialmente, Deus remove essa barreira ao separar Ló de Abrão, e então, Ele reafirma Sua promessa.

... Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque eu ta darei. (Gênesis 13:14b-17)

Ló tinha “erguido seus olhos” (versículo 10) e contemplado a terra antes de Abrão, com os olhos de alguém que avalia uma promessa financeira; Abrão recebe ordem de olhar para a promessa de Deus com os olhos da fé.

Talvez Abrão estivesse em um lugar elevado, examinando a terra que era sua, e também, quem sabe, a terra escolhida por Ló. Se eu estivesse no lugar dele, muitos pensamentos teriam passado pela minha cabeça. Será que eu tinha desistido da minha oportunidade de ouro? Sarai não achava que eu tinha feito papel de tolo? Teria eu falhado com ela? Teria falhado com Deus quando tomei minha decisão? Uma olhada no verde exuberante da campina do Jordão, em contraste com o marrom estéril das colinas áridas, poderia ter inspirado esse tipo de pensamento.

Contudo, Deus garantiu a Abrão que toda a terra que ele estava contemplando lhe seria dada. Ló podia ter escolhido viver em Sodoma, mas Deus não lhe dera a posse da terra, e nem a daria. Ló seria um peregrino em Sodoma (cf. 19:9), e por muito pouco tempo. Dar a vantagem a Ló não foi desistir das esperanças para o futuro, pois, em última análise, é Deus quem dá bênçãos aos homens por Sua escolha soberana.

Enquanto Abrão olhava a terra, talvez ele tenha visto a rica lama negra do vale do Jordão para onde Ló se dirigiu. Talvez ele tenha visto também a poeira que se levantava ao seu redor, tipificando a terra onde viveria. No entanto, Deus usou esse pó como testemunho das bênçãos por vir. Sua descendência seria tão abundante quanto o pó que dominava aquela terra. Abrão não devia mais olhar para ele com dúvida, mas com esperança, pois ele ia ser o símbolo das bênçãos futuras.

A palavra final de Deus a Abrão nesta visitação foi que ele devia avaliar a terra que um dia seria sua. Por enquanto ele não devia possuí-la, só examiná-la com os olhos da fé. A promessa “porque eu ta darei” (versículo 17) é futura. Ela só foi cumprida quando os Israelitas, sob a liderança de Josué, ocuparam a terra. Leva tempo tomar posse das promessas de Deus, pois é assim que Ele tem planejado.

Como Deus é gracioso ao falar palavras de conforto e segurança quando todas as bênçãos parecem fora de alcance! Como é bom ser relembrado de que a Sua Palavra é fiel e Suas promessas são tão certas quanto Ele é soberano!

A Resposta de Abrão (13:18)

A resposta de Abrão revela uma fé crescente no Deus que o chamou. Ele muda suas tendas em direção a Hebrom, estabelecendo-se próximo aos carvalhais de Manre. Este era um pedaço de terra que pertencia a outra pessoa, não a Abrão (cf. 14:3), mas era onde Deus queria que ele ficasse. Ali Abrão constrói um altar e adora a Deus.

Como foram diferentes os caminhos daqueles dois homens depois que eles se separaram! Um, pouco a pouco, foi avançando quase sem perceber em direção à cidade de Sodoma, para viver entre homens ímpios e perigosos; e tudo por causa de vantagens financeiras. O outro foi viver como peregrino, habitando nas colinas áridas, esperando pelas promessas de Deus. Um viveu em tendas e construiu um altar para adorar a Deus; o outro trocou sua tenda por um apartamento na cidade de homens perversos. Eis uma decisão que pesou muito no destino dos dois homens, mas, muito mais que isso, no destino dos seus descendentes.

Conclusão

As decisões tomadas por Abrão e por Ló são as mesmas que todos os cristãos precisam tomar. Precisamos decidir se confiamos na soberania de Deus ou na nossa própria astúcia e engenhosidade. Precisamos resolver se confiamos na “instabilidade da riqueza” ou no Deus que “tudo nos proporciona ricamente” (1 Timóteo 6:17). Precisamos escolher se investimos nos “prazeres passageiros do pecado” ou no futuro “galardão” prometido por Deus (Hebreus 11:25-26).

Na separação de Ló e Abrão, podemos ver o grande contraste entre suas decisões. Ló preferiu agir com base no que lhe era útil; Abrão com base na união. Em prol da união, Abrão estava disposto a ser passado pra trás (cf. 1 Coríntios 6:1-11, esp. o versículo 7). Ele agiu com base na fé no Deus que lhe prometera suprir todas as coisas. Ló preferiu dirigir sua vida sobre a base incerta da segurança financeira. Abrão foi ricamente abençoado, Ló perdeu tudo o que tinha.

Ló preferiu habitar numa cidade que parecia um paraíso (13:10), mas que estava cheia de pecadores. Abrão decidiu viver num lugar deserto, mas onde poderia livremente adorar a Deus.

Abrão é uma bela ilustração da verdade de dois fatos do Novo Testamento. Primeiro, ele fornece uma explicação para estas palavras, ditas por nosso Senhor:

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. (Mateus 5:5, 9 NVI).

Abrão era um homem de mansidão. Ele não era um fraco, como iremos ver no capítulo 14. Ele não teve de agarrar a bênção à força, só teve de esperá-la confiantemente das mãos de Deus. Ele era um homem que costumava manter a paz, não sacrificá-la por prosperidade.

Portanto, vemos que este incidente na vida de Abrão também é educativo quando o comparamos com as palavras do apóstolo Paulo:

Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. (Filipenses 2:1-5)

Abrão foi bem sucedido porque foi servo. Ele não foi bem sucedido porque passou por cima daqueles que cruzaram seu caminho. Ele foi exaltado por Deus porque colocou os interesses dos outros acima dos seus.

Abrão não considerava Ló superior a si mesmo, como algumas traduções erroneamente sugerem. Certamente nosso Senhor, que é o supremo exemplo de humildade, não considerava os homens caídos e pecaminosos superiores a Si mesmo, o Deus infinito e sem pecado. Pelo contrário, Ele Se dispôs a garantir o favor do Pai aos homens às custas de Si mesmo. Ele esperou por bênção e justiça em Deus (cf. I Pedro 2:23).

A forma do mundo para o sucesso é pensar só em si mesmo, procurando ser o número um. Foi assim com Ló. A forma de Deus para ser abençoado é erguer os olhos para o Número Um, preocupando-se com os outros (cf. Mateus 22:36-40). Esse tipo de vida só se pode ter pela fé. Esse tipo de vida só pode fazer a nossa fé em Deus crescer.

O ponto de partida para todo homem, mulher ou criança é receber de Deus a salvação. Não podemos, não ousamos, confiar em nossa própria astúcia para garantir a nossa entrada no reino de Deus. Muitas vezes, aquilo que pensamos ser o “paraíso” logo será destruído pela ira de Deus. A fé reconhece a nossa pecaminosidade e confia na obra de Jesus na cruz do Calvário para receber as bênçãos e a segurança eterna. Os nossos maiores esforços estão fadados à destruição. Só aquilo que Deus promete, e nos dá, é que irá permanecer.

Que Deus ajude a cada um de nós a confiar nEle, não em nós mesmos.

Tradução e Revisão: Mariza Regina de Souza


1 NT: O título é uma expressão idiomática que se refere às pessoas que só pensam em si mesmas e só cuidam de seus próprios interesses