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Lição 8: O Perigo de Andar por Vista (Josué 9:1-27)

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Introdução

Num contexto em que o apóstolo Paulo estivera a falar sobre o seu ministério enquanto embaixador de Cristo (veja Cor. 4:1-5:20), declarou “porque andamos por fé, e não por vista”. Andar por fé é caminhar num espírito de dependência piedosa do Senhor e Sua orientação. Assim, Tiago encoraja-nos: “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5). Uma vez que necessitamos da Sua orientação omnisciente e soberana, devemos procurar sempre a sabedoria de Deus, independentemente do assunto que enfrentamos. Mais tarde, na sua epístola, Tiago alertar-nos-ia contra o pecado de nos fiarmos no Senhor ou de perseguirmos os nossos próprios sonhos e objectivos independentemente de procurarmos a liderança e vontade de Deus (4:13-17).

Jeremias declarou: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jer. 10:23). O homem não tem a sabedoria, a aptidão nem, com frequência, a vontade de dirigir o seu caminho, pois “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Prov. 14:12). A nossa necessidade é entregarmos o nosso caminho, objectivos, buscas e responsabilidades ao Senhor, não só pela Sua vontade e sabedoria, mas também para Sua permissão (veja Prov. 16:1-4, 9). O perigo é o de nos fiarmos na graça de Deus e lançarmo-nos na nossa própria sabedoria, sem realmente procurarmos e inquirirmos o Seu coração e bênção, sem nunca compreendermos a nossa total insuficiência e necessidade da Sua graça.

O perigo da presunção e de andar por vista é amplificado cem vezes quando consideramos o facto de nos encontrarmos num conflito antigo com forças sobrenaturais, extremamente astutas e, muitas vezes, mais poderosas do que nós. Vemos o mundo material, vemos a carne e o sangue e podemos observar a evidência física, pensando: "Consigo lidar com isto... não é assim tão difícil". Devemos ser sempre prudentes, uma vez que, com frequência, não estamos apenas a lidar com carne e sangue. Em vez disso, lidamos com um inimigo insidioso, que usa as pessoas para promover os seus esquemas. Ao considerarmos a nossa fraqueza e o poder, astúcia, ilusão e métodos de acção de Satanás, escutaremos certamente a admoestação de Paulo em Efésios 6:10-20:

6:10 No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. 6:11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. 6:12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. 6:13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes. 6:14 Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, 6:15 E calçados os pés na preparação do evangelho da paz, 6:16 Tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. 6:17 Tomai, também, o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 6:18 Orando, em todo o tempo, com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica, por todos os santos, 6:19 E por mim, para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, 6:20 Pelo qual sou embaixador em cadeias, para que possa falar dele, livremente, como me convém falar.

No capítulo nove, embora algo cauteloso, Josué foi mesmo assim incapaz de consultar o Senhor através da oração. Olhando para as evidências, supôs que poderia discernir sabiamente o que enfrentavam. Estava enganado e, em última análise, foi culpado de presumir do Senhor.

Nas profundezas do Inverno em Valley Forge, George Washington ajoelhou-se em oração, certo de que, a menos que Deus ajudasse o seu exército enlameado e desencorajado, qualquer esperança concernente aos Estados Unidos emergentes estaria perdida.

Durante a Guerra Civil, quando o destino da nação era mais uma vez incerto, Abraham Lincoln confessou a um amigo que se ajoelhava frequentemente em oração, por não ter nenhum outro sítio para onde ir. 1 

Na passagem diante de nós (versículos 9-10), observamos o perigo da incapacidade de entregar o próprio caminho ao Senhor (Prov. 3:5-7; Salmo 37:4-6), a ameaça de não orar e o perigo de andar por vista – tomar decisões com base na aparência das coisas.

Como vimos, o fracasso de Israel em Ai foi, em larga escala, o resultado da incapacidade de consultar o Senhor. Agora, novamente, o facto de os líderes não entregarem o seu caminho ao Senhor estava prestes a originar outra crise. Tal recorda-nos uma vez mais quão susceptíveis somos a agir antes de rezar.

Existe aqui outra questão relacionada – o problema de confiarmos nas nossas vitórias e experiências religiosas. O contexto é bastante significante. O povo havia regressado de uma experiência religiosa no topo de uma montanha, depois de escutar a Palavra de Deus, que lhe fora lida a partir do Monte Ebal e do Monte Gerizím. Havia ouvido as promessas e bênçãos de Deus, afirmando o seu empenho em seguir o Senhor (veja Deut. 27:11-28:14). Fora um período de vitória espiritual, um ponto alto espiritual, mas tal também constituía um tempo importante para caminhar com circunspecção, sabendo tratar-se de um período em que Satanás ataca frequentemente, porque sabe que somos propícios em confiar nas nossas experiências em vez de no Senhor (veja 1 Cor. 10:12). No momento em que baixamos a guarda e pensamos ter êxito assegurado graças às nossas experiências espirituais, estamos mais vulneráveis aos ataques do demónio. O juízo da palavra de Deus sobre este assunto é o de que eles "…não pediram conselho à boca do Senhor" (9:14).

Ao estudarmos esta passagem, deveremos recordar quatro excertos da Escritura – 1 Samuel 12:23; Provérbios 3:5-6; 1 Coríntios 10:12; Efésios 6:10-18. Em conjunto com esta passagem em Josué, tais versículos lembram-nos quatro coisas:

(1) Enquanto cristãos, estamos envolvidos numa guerra espiritual mortal com um poder bastante superior à nossa própria força.

(2) A fim de sermos libertados do nosso oponente e dos seus esquemas iníquos, temos de nos revestir com a nossa armadura espiritual, conforme nos é dada em Cristo.

(3) As armas ofensivas que nos são dadas pelo Senhor são a Palavra de Deus e a oração. Sem elas, somos presas fáceis.

(4) Quando o povo de Deus sai vitorioso ou prospera, parece que Satanás duplica os seus esforços em atacá-lo.

As Alianças Contra Josué e Israel (9:1-2)

1 E souberam disso todos os reis que viviam a oeste do Jordão, nas montanhas, na Sefelá e em todo o litoral do mar Grande, até o Líbano. Eram os reis dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus. 2 Eles se ajuntaram para guerrear contra Josué e contra Israel (Nova Versão Internacional).

O registo que aqui se encontra é típico das estratégias de Satanás. Imediatamente, começaram a formar-se alianças poderosas, tanto no Norte como no Sul de Canaã. Num local em que a guerra tribal havia desaparecido há anos, inimigos mortais reuniram-se repentinamente em alianças, unidos contra a invasão da terra pelo povo de Deus.

Quando a justiça se torna agressiva e se debruça sobre um objectivo, tem o potencial de unir as forças da justiça e os inimigos desta. Assim aconteceu quando Jesus Cristo lançou o seu ministério terreno. O seu ministério agressivo de curar, pregar e confrontar o pecado estimulava os seus próprios seguidores – mas também uniu três grupos anteriormente inimigos, os Fariseus, os Saduceus e os Herodianos. A Escritura prediz que a Sua vinda futura terá um efeito similar (veja Salmo 2:2; Rev. 19:19).

Quanto maior for a audácia com que a fé cristã avance, mais vocal e violenta se tornará a oposição. 2

Parece que todas as cidades-estado nas regiões montanhosas uniram forças contra Israel como forma de impedirem Josué e o seu exército de atacarem uma cidade de cada vez, como fora feito com Jericó e Ai.

Talvez estes reis tenham sido encorajados pela derrota inicial de Israel em Ai. Não mais os registos de vitórias prévias os levariam a supor que Israel fosse invencível. Ao resistirem a Israel, porém, resistiam a Deus. A sua teimosa rebelião contra Deus era um testemunho eloquente de que o pecado dos amorreus atingira a quantidade devida (confira Gén. 15:16).3

O Engano dos Gibeonitas (9:3-15)

9:3 E os moradores de Gibeon, ouvindo o que Josué fizera com Jericó e com Ai, 9:4 Usaram de astúcia, e foram e se fingiram embaixadores; e tomaram sacos velhos sobre os seus jumentos, e odres de vinho velhos, e rotos, e remendados; 9:5 E nos seus pés, sapatos velhos e remendados, e vestidos velhos sobre si, e todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento. 9:6 E vieram a Josué, ao arraial, a Gilgal, e lhe disseram, a ele e aos homens de Israel: Vimos de uma terra distante; fazei, pois, agora, concerto connosco. 9:7 E os homens de Israel responderam aos heveus: Porventura habitais no meio de nós; como, pois, faremos concerto convosco? 9:8 Então disseram a Josué: Nós somos teus servos. E disse-lhes Josué: Quem sois vós, e de onde vindes? 9:9 E lhe responderam: Teus servos vieram de uma terra mui distante, por causa do nome do Senhor, teu Deus; porquanto ouvimos a sua fama, e tudo quanto fez no Egipto; 9:10 E tudo quanto fez aos dois reis dos amorreus, que estavam dalém do Jordão, a Seón, rei de Hesbon, e a Og, rei de Basan, que estava em Astaroth. 9:11 Pelo que os nossos anciãos, e todos os moradores da nossa terra, nos falaram, dizendo: Tomai convosco nas vossas mãos provisão para o caminho, e ide-lhes ao encontro; e dizei-lhes: Nós somos vossos servos; fazei, pois, agora, concerto connosco. 9:12 Este nosso pão tomámos quente das nossas casas, para nossa provisão, no dia em que saímos para vir a vós; e ei-lo aqui, agora, já seco e bolorento: 9:13 E estes odres, que enchemos de vinho, eram novos, e ei-los aqui já rotos: e estes nossos vestidos e nossos sapatos já se têm envelhecido, por causa do mui longo caminho. 9:14 Então aqueles homens tomaram da sua provisão; e não pediram conselho à boca do Senhor. 9:15 E Josué fez paz com eles, e fez um concerto com eles, que lhes daria a vida: e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento.

Em vista das vitórias de Israel, nem todos estavam dispostos a avançar tão abertamente contra a nação. Os gibeonitas, que incluíam uma aliança de cidades (veja vs. 17), engendraram um inteligente estratagema, desenhado para iludir os israelitas e esconder a sua verdadeira identidade – uma estratégia típica de Satanás, o enganador. O seu objectivo, que se revelou bem-sucedido, era convencer os israelitas de que eram oriundos de um país fora da terra (vs. 6). Evidentemente, de alguma forma sabiam que Deus ordenara aos israelitas que destruíssem totalmente os habitantes da terra. A sua afirmação era a de que haviam ficado impressionados com as coisas grandiosas que Josué tinha feito, e queriam assim um pacto que lhes permitisse viver, já que não eram da terra de Canaã.

É difícil não admirar os gibeonitas pelo seu esquema. Em vista do versículo 9, parece que realmente acreditavam no poder do Deus de Israel, tal como Raab. Os gibeonitas não eram covardes (confira 10:2). Sabiam que não conseguiriam opor-se ao poder de Deus, e optaram pela segunda melhor alternativa segundo o seu raciocínio; voltaram-se para a ilusão através do disfarce. Tal resultou em duas abordagens principais:

(1) Aproveitaram-se da sua compaixão, ao se apresentarem como viajantes fatigados após uma longa jornada. As suas roupas estavam sujas e com bastante uso, a comida que tinham estava seca e bolorenta (ou dura, quebradiça), os seus odres eram velhos e remendados e as suas sandálias gastas e finas.

(2) Aproveitaram-se do seu ego e sentido de orgulho. Insistiram que haviam vindo de muito longe, a fim de mostrarem o seu respeito pelo poder do Deus dos israelitas, e que desejavam ser autorizados a viver como servos de Israel. Apanhados desprevenidos, Josué e os líderes de Israel deram ouvidos ao ardil dos gibeonitas, tendo cometido dois erros:

(1) Cometeram o erro de permitirem que os gibeonitas se aproveitassem das suas emoções. Aceitaram as evidências, ainda que questionáveis, sem requererem provas em maior número e mais confiáveis. Constatamos aqui o perigo da vista contra a fé e os factos.

(2) Contudo, o principal erro foi a não procura de aconselhamento do Senhor. Deveriam ter procurado orientação da parte do Senhor através do Urim e do Tumim. Observamos aqui o perigo da presunção por falta de oração.

É sempre um erro da nossa parte apoiarmo-nos no nosso próprio juízo ou sabedoria, construindo os nossos próprios planos independentemente da orientação de Deus. Era um erro naquela altura… e continua a ser. A exortação da Palavra de Deus é a seguinte:

Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos: teme ao Senhor e aparta-te do mal (Provérbios 3:5-7).

Antes de entrar em qualquer aliança – escolher um parceiro na vida, começar um negócio com outro, consentir com qualquer proposta que envolva uma associação com outras pessoas –, assegure-se de pedir o conselho da boca de Deus. Indubitavelmente, Ele irá responder-lhe através de um impulso irresistível – mediante a voz de um amigo; por uma circunstância estranha e inesperada; através de uma passagem da Escritura. Ele escolherá o Seu próprio mensageiro; mas enviará uma mensagem. 4

Ainda que Satanás seguramente saiba que não pode realmente derrotar o Senhor e que constitui um adversário vencido, volta-se para os seus múltiplos truques e artifícios enganadores, de modo a derrotar os propósitos de Deus para com o Seu povo (confira Efésios 4:14; 2 Tim. 2:26).

A Descoberta do Engano (9:16-17)

9:16 E sucedeu que, ao fim de três dias, depois de fazerem concerto com eles, ouviram que eram seus vizinhos, e que moravam no meio deles. 9:17 Porque, partindo os filhos de Israel, chegaram às suas cidades ao terceiro dia: e suas cidades eram Gibeon, e Cefira, e Beeroth, e Quiriath-Jearim.

Em apenas três dias, o engano foi descoberto mas, como costuma acontecer com as consequências do pecado, viveriam com a sua decisão para o resto das suas vidas. Provérbios 12:19b é pertinente neste contexto quando afirma: “O lábio de verdade ficará para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento”. As palavras da verdade são consistentes, resistindo a todos os testes, enquanto as mentiras cedo são descobertas e expostas.5

A Decisão dos Líderes (9:18-27)

9:18 E os filhos de Israel não os feriram; porquanto os príncipes da congregação lhes juraram pelo Senhor, Deus de Israel: pelo que, toda a congregação murmurava contra os príncipes. 9:19 Então todos os príncipes disseram a toda a congregação: Nós jurámos-lhes pelo Senhor, Deus de Israel; pelo que não podemos tocar-lhes. 9:20 Isto, porém, lhes faremos: dar-lhes-emos a vida; para que não haja grande ira sobre nós, por causa do juramento que já lhes temos jurado. 9:21 Disseram-lhes, pois, os príncipes: Vivam, e sejam rachadores de lenha e tiradores de água, para toda a congregação, como os príncipes lhes têm dito.

9:22 E Josué os chamou, e falou-lhes, dizendo: Por que nos enganastes, dizendo: Mui longe de vós habitamos, morando vós no meio de nós? 9:23 Agora, pois, sereis malditos; e de entre vós não deixará de haver servos, nem rachadores de lenha, nem tiradores de água, para a casa do meu Deus. 9:24 Então responderam a Josué, e disseram: Porquanto, com certeza, foi anunciado aos teus servos que o Senhor, teu Deus, ordenou a Moisés, seu servo, que vos desse toda esta terra, e destruisse todos os moradores da terra diante de vós, tememos muito pelas nossas vidas, por causa de vós; por isso fizemos assim. 9:25 E eis que, agora, estamos na tua mão: faze aquilo que te pareça bom e recto que se nos faça. 9:26 Assim, pois, lhes fez; e livrou-os das mãos dos filhos de Israel, e não os mataram. 9:27 E, naquele dia, Josué os deu como rachadores de lenha e tiradores de água para a congregação e para o altar do Senhor, até ao dia de hoje, no lugar que escolhesse.

O texto diz-nos que, uma vez descoberto o ardil, o povo murmurava contra os seus líderes, pois julgava-os responsáveis pelo sucedido. Aparentemente, em vista dos versículos 19-21, o povo também desejava que ignorassem o seu pacto e destruíssem os gibeonitas. Porém, embora tenham errado ao se apoiarem na própria compreensão em vez de consultarem o Senhor, honraram o seu acordo com eles. Não fossem eles homens de honra e integridade, poderiam facilmente ter procurado ocultar o sucedido ao destruírem os gibeonitas, mas honraram o seu compromisso, pois este fora ratificado em nome de Yahweh, o Deus de Israel. Quebrar o pacto desonraria o nome de Deus e atrairia a Sua ira. “De facto, um juízo semelhante de Deus sobreviria mais tarde durante o reinado de David, por Saul ter ignorado este acordo (veja 2 Sam. 21:1-6).”6

Embora não pudessem recuar no seu compromisso, os gibeonitas haviam-nos enganado; portanto, tinha de ser prescrito um castigo adequado ao seu pecado. Primeiramente, Josué repreendeu-os pela sua desonestidade e condenou-os a servidão perpétua. No seu ardil, os gibeonitas tinham-se oferecido para serem súbditos dos israelitas (vss. 8, 11). Com isto, estavam meramente a oferecer-se para serem vassalos de Israel. Em troca, esperavam que Israel, o mais forte dos dois, os protegesse dos seus inimigos (veja 10:6). Tal desejo virou-se contra eles, e tiveram de se tornar servos de Israel. Tornar-se-iam rachadores de lenha e tiradores de água para os israelitas, especialmente em relação com o serviço do tabernáculo. Com a graça de Deus, tal acabou por ser uma grande bênção.

…de modo a impedir que a idolatria dos gibeonitas conspurcasse a fé verdadeira de Israel, o seu trabalho seria desempenhado no tabernáculo, onde estariam expostos à adoração do único Deus verdadeiro.

Em resultado, a coisa que os gibeonitas mais esperavam conservar – a sua liberdade – perdeu-se. Mas a maldição tornou-se eventualmente uma bênção. Foi a favor dos gibeonitas que Deus mais tarde realizou um grande milagre (veja Josué 10:10-14). Algum tempo depois, o tabernáculo do Senhor seria estabelecido em Gibeão (veja 2 Crónicas 1:30), e os gibeonitas (mais tarde conhecidos como netineus) substituiriam os levitas no serviço do templo (veja Esdras 2:43 e 8:20).

Esta é a forma maravilhosa como actua a graça de Deus. Ele É ainda capaz de transformar uma maldição numa bênção. Contanto seja verdade que as consequências naturais do nosso pecado tenham geralmente de seguir o seu curso, Deus, na Sua graça, não apenas perdoa mas, em muitos casos, anula efectivamente os nossos erros, retirando bênção do pecado.7

Lemos no versículo 27: “E, naquele dia, Josué os deu como rachadores de lenha e tiradores de água para a congregação e para o altar do Senhor, até ao dia de hoje, no lugar que escolhesse”. Quão tremendo e gracioso da parte de Deus. Tiveram o privilégio de serem trazidos regularmente para perto do Senhor e das coisas espirituais. É interessante ver que, anos mais tarde, quando os israelitas participassem na idolatria, os gibeonitas manter-se-iam no altar onde o verdadeiro Deus ordenava que se fizessem sacrifícios pelos pecados. Como resultado do que haviam visto Deus fazer por Israel, ficaram convencidos, tal como Raab, de que o Deus de Israel era o Deus verdadeiro. À semelhança de Raab, tornaram-se evidentemente crentes leais.

Durante muitos anos após este incidente, houve guerra entre os cidadãos da terra e os israelitas invasores. Mesmo assim, no registo dessa longa conquista, nem uma só vez ouvimos falar de algum gibeonita ter desertado para a sua facção original.8

Texto original de J. Hampton Keathley, III.

Tradução de C. Oliveira.


1 Campbell/Denny, p. 133.

2 Campbell/Denny, p. 134.

3 Expositors Bible Commentary, Old Testament, Zondervan, Grand Rapids, 1997, versão electrónica.

4 F. B. Meyer, Joshua: And the Land of Promise, Revell, p. 108.

5 Robert Jamieson; A.R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc.), 1998.

6 Campbell/Denny, p. 139.

7 Campbell/Denny, pp. 139-140.

8 James Montgomery Boice, Joshua, We Will Serve The Lord, Revell, Old Tappan, New Jersey, p. 105.

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