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Introduo (Introduction to Angelology)

Introduo

O fato de Deus ter criado um reino de seres pessoais alm da humanidade um tpico apropriado para estudos teolgicos sistemticos, pois isto naturalmente amplia o nosso entendimento de Deus e o que Ele est fazendo e como Ele trabalha no Universo.

Ns no devemos pensar que o homem seja a mais alta forma de seres criados. Assim como entre o homem e as mais baixas formas de vida existam seres de vrios graus, possvel que entre o homem e Deus, existam criaturas com inteligncia e poder maior que o do ser humano. Na verdade, a existncia de divindades inferiores em todas as mitologias pags presume a existncia de uma ordem mais alta de seres entre o homem e Deus, superior ao homem e inferior a Deus. Esta possibilidade torna-se certeza pelo categrico e explcito ensinamento das Escrituras. Seria triste, portanto, se ns nos permitssemos ser vtimas de um senso de percepo to materialstico e nos recusssemos a crer em uma ordem de seres espirituais simplesmente porque eles estavam alm das nossas vistas e mos.1

O estudo dos anjos ou a doutrina da angeologia uma das dez maiores categorias da teologia desenvolvida em muitos trabalhos teolgicos sistemticos. A tendncia, contudo, tem sido de negligenciar isto. Como Ryrie escreve,

Apenas um exame do total de espao dedicado Angeologia nos padres teolgicos, demonstra isto. Este descaso por esta doutrina pode ser simplesmente negligncia ou isto pode indicar uma tcita rejeio desta rea de ensinos bblicos. At Calvino estava cauteloso em discutir este assunto (Institutes, I, XIV, 3).2

Embora a doutrina dos anjos tenha um importante lugar na palavra de Deus, isto freqüentemente visto como um assunto difcil porque, enquanto h abundantes menes dos anjos na Bblia, a natureza desta revelao no do mesmo tipo de descrio explcita que ns normalmente encontramos com os outros assuntos desenvolvidos na Bblia:

Cada referncia aos anjos incidental aos outros tpicos. Eles no so tratados neles mesmos. A revelao de Deus nunca visa nos informar considerando a natureza dos anjos. Quando eles so mencionados, isto sempre a fim de nos informar mais sobre Deus, o que Ele faz, e como Ele faz algo. Visto que detalhes sobre os anjos no so significantes para este propsito, eles tendem a ser omitidos.3

Enquanto muitos detalhes sobre os anjos so omitidos, importante ter em mente trs elementos importantes a respeito da revelao bblica que Deus tem nos dado sobre os anjos.

(1) A meno dos anjos est includa nas Escrituras. Na traduo NASB estes seres celestiais so mencionados 196 vezes, 103 vezes no Antigo Testamento e 93 vezes no Novo Testamento.

(2) Alm do mais, todas estas referncias esto espalhadas por toda a Bblia, sendo encontradas em pelo menos 34 livros que vo desde os primeiros livros (de Gnesis ao livro de J) ao ltimo livro da Bblia (Apocalipse).

(3) Finalmente, h numerosas referncias aos anjos pelo Senhor Jesus, que declarado ser o Criador de todas as coisas, que inclui os seres angelicais, Paulo escreveu: Por Ele todas as coisas foram criadas, tanto nos cus quanto na terra, visveis e invisveis, tambm tronos e domnios, governantes e autoridades (uma referncia aos anjos)todas a s coisas foram criadas por Ele e para Ele.

Logo, a meno dos anjos, pode parecer incidental para um ou outro assunto contextualmente, e este um importante elemento da revelao divina e no deve ser negligenciado em vista da atual moda e muitas concepes erradas a respeito dos anjos. A doutrina dos anjos apresentada neste estudo ser desenvolvida dentro das Escrituras. O objetivo fazer da Bblia nossa autoridade e no especulaes de homens ou suas experincias ou ainda, o que parecer lgico s pessoas.

Embora os telogos tenham sido cautelosos em seus estudos sobre os anjos, nos ltimos anos, ns temos sido bombardeados com o que poderia ser facilmente chamado de Angelmania. Em Espritos Familiares o Dr. Kenneth Gangel escreveu um artigo a respeito da discusso difundida e a fascinao com os anjos ainda pelo mundo secular que ele intitulou Angelmania.4 Gangel escreve:

Em seu livro de 1990 Angels, Uma Espcie em Risco, Malcolm Godwin estima que a mais de 30 anos, uma em cada dez msicas populares menciona anjos. Porm, apenas como diverso romntica.

Agora, nossa cultura leva os anjos a srio, se no precisamente. Nos ltimos dois anos, revistas populares como Time, Newsweek, Ladies Home Journal, Redbook, e outras tm trazido artigos sobre os anjos. Em meados de 1994, a ABC levou ao ar um programa especial de duas horas intitulado Anjos: Os Misteriosos Mensageiros.A Newsweek de 28 de Novembro de 1994 trazia um artigo intitulado Em busca do Sagrado observou que 20% dos Americanos tiveram uma revelao de Deus no ano passado e 13 % viram ou sentiram a presena de um anjo (p. 54).

A Newsweek est certa; a sociedade moderna, que parece to secular e materialsticamente perdida, busca desesperadamente por um significado espiritual e sobrenatural. Se os anjos podem fornecer isto, ento eles o faro. Certamente eles so mais alegres e brilhantes que nossa antiga obsesso por filmes sobre demnios e maus espritos, como as interminveis remontagens de Drcula5

As livrarias esto repletas de livros sobre anjos e muitos falam sobre encontros com os anjos. Uma das maiores redes de TV a cabo tem um seriado intitulado O Toque de um Anjo. Com certeza, isto s uma histria para entreter, mas isto realmente ilustra nossa fascinao por este tpico. Alm do mais, isto mostra o pobre entendimento do que a Bblia realmente ensina sobre os anjos e sobre Deus. Ao comentar isto, no estou desconsiderando os to conhecidos encontros com anjos que ocasionalmente ns lemos e ouvimos. Porque? Por que, como ns discutiremos posteriormente, com mais detalhes, os anjos so servos de Deus, descrito pelo autor do Livro dos Hebreus como, espritos ministradores, enviados para o servio daqueles que herdaro a salvao.Veja tambm o Salmo 91:11 e Mateus 4:11. Com certeza, graas ao carter inerente das Escrituras, ns podemos crer completamente nos ensinos da Bblia a respeito dos anjos e talvez com um menor grau de certeza, poderemos ser considerados cristos honrados.6

H mais uma pergunta importante que precisa ser feita. Porque toda essa fascinao da nossa cultura pelos anjos? Primeiro, sempre h uma inclinao no ser humano pelo miraculoso ou sobrenatural que os tire da dor e da vida mundana, ainda que por um momento, mas h mais nesse assunto. O interesse pelos anjos em parte, devido ao pndulo cclico da sociedade. No passado, a sociedade oscilava entre as obsessivas especulaes msticas da idade mdia ao racionalismo do final do sculo XIX e comeo do sculo XX. Agora, devido falha do racionalismo e o materialismo em dar respostas ao significado da vida e ao vazio do corao humano, com a futilidade dos seus bens tem despertado este interesse pelo mstico, sobrenatural ou espiritual. A tragdia que a nossa cultura continua a perseguir isto independentemente da revelao de Deus, a Bblia. O pndulo est oscilando de volta ao misticismo como visto to evidentemente no movimento Nova Era, o oculto nos cultos. Logo, crer em Satans, demnios e anjos cada vez mais corriqueiro nos dias de hoje e esta crena tem sido usada como um substituto para o relacionamento com Deus atravs de Cristo. Esta predisposio no porque as pessoas esto crendo na Bblia, mas por causa do crescimento de fenmenos ocultos e da futilidade da vida sem Deus (veja Efsios 2:12 e 4:17-19).


1 William Evans, The Great Doctrines of the Bible, Moody Press, Chicago, 1912, p. 215.

2 Charles C. Ryrie, Basic Theology, Victor Books, Wheaton, IL, 1987, captulo 17, mdia eletronica.

3 Millard J. Erickson, Christian Theology, Baker Book House, Grand Rapids, 1983, p. 434.

4 Kindred Spirit, a quarterly publication of Dallas Theological Seminary, Summer 1995, p 5-7.

5 Gangel, p. 5.

6 Gangel, p. 7.

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