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José: Gênesis 37-40

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Gênesis 37

Frase resumo

Os sonhos de José e o favoritismo de seu pai foram os ingrediente de uma trama incitado pelos seus irmãos que o levou à condição de escravo no Egito.

1 Jacó habitou na terra de Canaã, onde seu pai tinha vivido como estrangeiro.

Canaã era a terra prometida de Deus a Abraão (Gn 17.8). O pai de Jacó, Isaque, viveu na terra prometida como peregrino (rwgm).

2 Esta é a história da família de Jacó: Quando José tinha dezessete anos, pastoreava os rebanhos com os seus irmãos. Ajudava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e contava ao pai a má fama deles.

A história da família (twdlwt) é a expressão da NVI para representar toledot, uma palavra que indica as gerações da pessoa ou pessoas indicadas no texto. É também uma palavra que marca a forma literária de Gênesis, pois há 10 dessa palavra no livro de Moisés, sendo as cinco primeiras a história primeva, da criação ao chamado de Abraão e as outras cinco a respeito dos patriarcas e a graça de Deus mediante os erros dos homens. A história, a partir deste versículo é portanto, sobre as gerações, as vidas que estavam ao redor do patriarca Jacó (também chamado Israel). A figura mais importante nos próximos capítulos é seu filho primogênito com a esposa amada, Raquel: José. Ele era pastor e cumpria sua função com seus irmãos, além de contar a Jacó coisas desagradáveis, más (er), que eles faziam. Possivelmente esta era uma das atribuições que Jacó havia dado a José (Gn 37.14). O texto não é claro em dizer se ele delatava somente os filho de Bila e Zilpa. Elas são tratadas como mulheres de seu pai, não fazendo diferença por elas serem servas de Raquel e Lia. São com estes seus meio-irmãos que ele desempenha sua função pastoril. Os filhos de Lia eram mais velhos que José (Gn 30.20-24) e desempenham papéis mais aparentes na história, conforme o relato mosaico, do que Dã e Naftali, filhos de Bila, e Gade e Aser, filhos de Zilpa.

3 Ora, Israel gostava mais de José do que de qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa.

O versículo descreve que o fato de Israel (Jacó) gostar mais de José estava ligado com a questão dele ter nascido em sua velhice. Como prova concreta de favoritismo ao filho José, Israel deu-lhe uma túnica, que possivelmente tinha mangas longas e se estendia até os tornozelos, dedução de H. C. Leupold em função da palavra hebraica passeem, que significa punhos ou tornozelos1. As túnicas dos trabalhadores eram curtas, pois não podiam atrapalhar no ofício rural dos homens. Em outras palavras, Jacó representava que José não tinha de trabalhar como os outros. Este é o versículo ponte para direcionar a atenção do leitor à atitude dos irmãos para com José.

4 Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que de qualquer outro filho, odiaram-no e não conseguiam falar com ele amigavelmente.

O favoritismo de Jacó por seu filho José foi notado pelo seus irmãos, que ao invés de criticar ou atacar aquele que favorecia, o pai deles, tiveram uma atitude contra o favorecido, José. A atitude deles foi odiá-lo (ans) e provavelmente como consequência disso, falavam com ele de modo áspero, sem pacificidade (ARA).

5 Certa vez, José teve um sonho e, quando o contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.

Em uma nova cena, Moisés relata que o ódio dos irmãos por José cresceu em função de um sonho que ele teve e foi compartilhado2. Este versículo é como que um título explicativo para estes próximos versículos que detalharão a história do sonho de José e o porquê do maior ódio de seus irmãos por ele.

6 "Ouçam o sonho que tive", disse-lhes.

José chama a atenção de seus ouvintes, sua família, e dá início a história.

7 "Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele."

Em sua história, seu feixe é reverenciado pelos feixes de trigo de seus irmãos. Sendo ele o 11º irmão de uma família de doze irmãos (homens), seus irmãos não receberam a história como possivelmente José gostaria, visto que ouvir do irmão mais novo que um dia os mais velhos se curvariam diante dele não é agradável, especialmente em uma cultura que zela pelos privilégios dos primeiros concebidos.

8 Seus irmãos lhe disseram: "Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai nos governar?" E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito.

A conclusão mais óbvia sobre o que José disse foi a questionada por seus irmãos3. Então você se tornará nosso rei (Klm)? Será nosso dominador (lvm)? O texto mostra que o ódio dos irmãos foi por causa do sonho que ele teve e também do que ele tinha dito. O que ele tinha dito além de relatar o sonho que teve? É possível que a forma que José tenha contado seu sonho para seus irmãos tenha afetado, machucado eles de alguma forma4. José era o filho querido do pai, usava uma roupa que mostrava a todos isso, além de demonstrar, por causa do favoritismo do pai, que não precisava trabalhar como os outros. Ademais, ele delatava o que seus irmãos faziam de errado para seu pai. José não era, aparentemente, um irmão de atitudes sábias, possivelmente um irmão com a maturidade de acordo com sua idade, dezessete anos. A insensatez está ligada ao coração da criança – Pv 22.15 – "criança:" run Palavra usada também para jovens.

9 Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: "Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim".

Em outra ocasião, aparentemente, ele teve outro sonho e também quis contar a seus irmãos. Ao invés de feixes de trigo, ele agora falava sobre os astros, dizendo que o sol, a lua e onze estrelas, exatamente o número de irmãos (homens) que ele tinha, se curvavam diante dele.

10 Quando o contou ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e lhe disse: "Que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar até o chão diante de você?"

O narrador escreve inequivocadamente o que Israel entendeu a respeito do sonho de seu filho, que o sol ou a lua era ele, e o outro astro sua mãe, referência que não pode ser Raquel, pois ela faleceu quando nasceu o 12º filho de Jacó, Benjamim. Ele entendeu que as onze estrelas eram os irmãos de José e o repreendeu (run), todavia, tal situação fez Jacó refletir (v.11). Apesar de Moisés não tratar o livro de forma cronológica, é notório que sua mãe neste texto não tratava de Raquel. Ela havia falecido junto do caminho de Efrata (Gn 35:19), antes da família de Jacó se estabelecer em Canaã, mais especificamente nas proximidades do vale de Hebrom (v.14). A mudança possivelmente se deu quando Jacó decidiu visitar seu pai Isaque, que ao morrer, foi sepultado por ambos os filhos, Esaú e Jacó. Depois disso Esaú se mudou para longe de seu irmão (Gn 36.6), deixando somente Jacó e sua família naquela região, que já não era suficiente para a quantidade de bens que as duas famílias tinham.

11 Assim seus irmãos tiveram ciúmes dele; o pai, no entanto, refletia naquilo.

Dessa vez o narrador não diz que aos irmãos foi acrescido ódio, mas que eles tiveram ciúme (anq) de José. Apesar do aparente atrevimento de José em contar algo que aparentemente refletia um possível orgulho de si, o pai refletia naquelas palavras, as quais seriam, à posteriori, provadas como uma revelação divina (Gn 41.37-57).

12 Os irmãos de José tinham ido cuidar dos rebanhos do pai, perto de Siquém,

Aqui se inicia uma nova cena. Siquém era a região onde ocorreu o episódio que Diná foi estuprada e seus irmãos, Simeão e Levi, mataram todos os homens. Era nesta região que os rebanhos de Jacó estavam.

13 e Israel disse a José: "Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá". "Sim, senhor", respondeu ele.

Este versículo ajuda-nos a entender melhor a questão da cumprida túnica de longas mangas de José. Seus irmãos estavam trabalhando enquanto ele não estava. A túnica era sinal de nobreza e quando seu pai a deu, mostrou que José não precisava trabalhar como trabalhavam os outros5, que pediu que ele fosse até lá para um trabalho que não era apascentar o rebanho (v.14). Com prontidão José atendeu ao pedido de seu pai.

14 Disse-lhe o pai: "Vá ver se está tudo bem com os seus irmãos e com os rebanhos, e traga-me notícias". Jacó o enviou quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém;

Israel tinha atribuído um trabalho diferente a José: notar se estava tudo bem com o rebanho, espiar seus irmãos e relatar o que eles faziam de errado (v.2). José se perdeu enquanto ia para o lugar onde seus irmãos estavam, o que mostra inexperiência no campo, possivelmente devido aos privilégios de ser o favorito do pai, que lhe deixava longe do ofício agropastoril.

15 um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: "Que é que você está procurando?"

José também não era conhecido pela região. Enquanto ele perambulava (hut) notoriamente à procura de alguém ou alguns, um estranho o abordou e perguntou: "o que procura?"

16 Ele respondeu: "Procuro meus irmãos. Pode me dizer onde eles estão apascentando os rebanhos?"

Ele respondeu que procurava seus irmãos. Como o estranho sabia quem eram os irmãos de José? Algumas hipóteses:

Os irmãos de José eram conhecidos na região como "os irmãos pastores" e uma pergunta como essa dava ao estranho o fácil entender sobre quem José perguntava a respeito. Talvez o evento de Diná e o assassinato dos homens por Levi e Simeão os tenha feito famosos na região.

A aparência de José poderia lembrar a seus irmãos.

Supondo que somente seus irmãos mais velhos estavam trabalhando e mesmo sendo eles meio irmãos, não seria difícil imaginar um deles (10 irmãos) ser parecido com José, ou mesmo alguns deles;

Abraão, ascendente de Jacó não era originariamente desta região, o que poderia torná-los etnicamente mais diferentes das pessoas da região e assim, a percepção do estranho de quem seria os irmãos que José procurava.

A narrativa bíblica pode não ter acrescentado todos os diálogo e o estranho ter, em algum momento, perguntado a José quem eram seus irmãos.

É possível que o homem já conhecesse que aqueles irmãos trabalhadores tinham mais irmãos, sendo um deles, alguém que o pai favorecia e pouco ia ao campo. O estranho poderia ter identificado José como este irmão através de sua vestimenta (v.17 mostra que ele trabalhava próximo dos irmãos de José, o que pode trazer uma idéia de algum conhecimento ou intimidade entre eles).

17 Respondeu o homem: "Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: 'Vamos para Dotã’". Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã.

O homem estranho não trabalhava longe dos irmãos de José. Ele poderia ser ser um colega de ofício ou negócio. Ele ouviu que eles iam para Dotã, uma cidade cerca de 32km de distância dali6. José então encontrou seus irmãos naquela região.

18 Mas eles o viram de longe e, antes que chegasse, planejaram matá-lo.

José também foi "encontrado" por seus irmãos, que o viram de longe. É bem possível que sua vestimenta, a túnica dada pelo pai, tivesse ajudado os irmãos a identificarem José como aquele que se aproximava deles. Ao vê-lo de longe, conspiraram matá-lo.

19 "Lá vem aquele sonhador!", diziam uns aos outros.

Os dois sonhos de José, contados por ele mesmo, trouxe ódio e ciúme entre os irmãos para com José, todos filhos de Jacó. Que receita perfeita para o derramamento de sangue: ódio e ciúme. O texto diz que eles diziam uns aos outros, mostrando que o mau sentimento não tinha origem em apenas um dos irmãos, mas no coletivo.

20 "É agora! Vamos matá-lo e jogá-lo num destes poços, e diremos que um animal selvagem o devorou. Veremos então o que será dos seus sonhos."

Provavelmente esta foi a sugestão de um dos irmãos, mas o texto não revela quem a fez. "Façamos isso agora! Vamos matar nosso irmão sonhador, jogá-lo em um poço e depois mentir ao nosso pai sobre o que sucedeu." Essa era a idéia do plano: assassinato e mentira. O tempo para se elaborar um plano contra José era curto, mas suficiente. José já tinha avistado o grupo (v.17) e o momento era aquele. Os sonhos de José carregavam um fardo que ele não esperava. "É agora" (htu) não significa que José já estava entre eles como o contexto mostrará. O leitor despercebido7 pode pensar que José já estava entre eles, especialmente por causa da expressão do próximo versículo: tentou livrá-lo das mãos deles (veja detalhes no comentário do próximo v.21).

21 Quando Rúben ouviu isso, tentou livrá-lo das mãos deles, dizendo: "Não lhe tiremos a vida!"

Creio que ao ouvir a idéia, Rúben, o irmão mais velho de José e possivelmente com algum senso de responsabilidade por ele, disse que a morte não era algo que eles deviam executar. Literalmente ele disse: "não lhe tiremos a alma (vpn)". José, neste ponto da história ainda não estava presente entre eles, apesar do texto dizer que Rúben tentou livrá-los das mãos deles, na verdade uma metonímia de causa, que mostra a ideia de Rúben tentando retirar a idéia que eles tinham em assassinar José8.

22 E acrescentou: "Não derramem sangue. Joguem-no naquele poço no deserto, mas não toquem nele". Rúben propôs isso com a intenção de livrá-lo e levá-lo de volta ao pai.

Tentar tirar a idéia de assassinato sem um plano poderia falhar. Rúben então, com a carga de irmão mais velho, sugere jogar o irmão dentro de um poço, sem antes ou depois matá-lo. O texto mostra que a intenção de Rúben era, na verdade, em preservar a vida de José para poder devolvê-lo com vida ao pai.

23 Chegando José, seus irmãos lhe arrancaram a túnica longa,

Logo que chegou José a seus irmãos (ARA), eles lhe despiram (fvp) o objeto que trouxe dificuldade dos irmãos em amá-lo: a longa túnica, prova do maior amor do pai por José do que pelos outros. Note que o favoritismo trouxe ódio ao favorecido (José), não ao que favorecia (Jacó).

24 agarraram-no e o jogaram no poço, que estava vazio e sem água.

Depois de despirem José do presente de seu pai, a longa túnica, os irmãos o seguraram e o arremessaram (ilv) para dentro do poço que não tinha água.

25 Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito.

O texto não revela a atitude de José dentro do poço, tampouco se ele estava ou não machucado. O fato é que seus irmãos, depois de terem jogado ele naquele lugar, foram sentar para comer, mostrando despreocupação temporal e moral quanto ao covarde ato com o irmão ainda adolescente (17 anos, possivelmente). No momento da refeição, viram uma caravana de ismaelitas com camelos carregados de tragacanto (especiarias), bálsamo e mirra, produtos utilizados e negociados no Egito.

26 Judá disse então a seus irmãos: "Que ganharemos se matarmos o nosso irmão e escondermos o seu sangue?

Judá, possivelmente como os outros irmãos, com a exceção de Rúben (v.22b), pensavam em deixar José para morrer dentro do poço, onde ninguém o encontraria (esconder seu sangue). Por terem visto aquela caravana de negociadores, Judá, ao menos, teve uma idéia (maligna), apresentada no v.27.

27 Vamos vendê-lo aos ismaelitas. "Não tocaremos nele, afinal é nosso irmão, é nosso próprio sangue". E seus irmãos concordaram.

"Vamos vender José aos ismaelitas?" Perguntou Judá. "Matá-lo seria muita maldade de nossa parte, pois somos irmãos dele, vocês se lembram?" "Boa idéia", responderam seus irmãos. O texto diz que seus irmãos concordaram. Rúben, por alguma razão não dita por Moisés, não estava presente e por isso não fez parte da concordata (v.29).

28 Quando os mercadores ismaelitas de Midiã se aproximaram, seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.

Não sabemos se a atitude dos irmãos de José para com ele foi algo que o surpreendeu totalmente. O ódio e ciúme que seus irmãos sentiam por ele transparecia em seus diálogos (v.4). Claro, não creio também que José esperava por algo tão cruel: ser arremessado para dentro de um poço. Todavia, José não sabia que o pior estava por vir. Quando os ismaelitas se aproximaram , José foi retirado do poço, mas não para retornar para casa depois de uma peça pregada pelos irmãos, mas para ser vendido pelo preço de um escravo com problemas físicos9. Ele foi levado ao Egito pelos ismaelitas de Midiã.

29 Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá, rasgou suas vestes

Rúben estava ausente e ficou muito surpreso quando seu irmão não mais estava na cisterna. Seu plano, de levar o rapaz de volta à seu pai, havia furado. Como expressão de uma profunda mágoa, ele rasgou suas vestes, sinal cultural no oriente médio para demonstrar a profunda lamentação10.

30 e, voltando a seus irmãos, disse: "O jovem não está lá! Para onde irei agora?"

O jovem (dly)11 não estava na cisterna como planejara Rúben. Seu plano (v.22) não deu certo. Jacó possivelmente esperava que Rúben, como irmão mais velho, tivesse zelo e protegesse seus irmãos mais novos. Rúben, aquele que desonrou o leito do pai com Bila (Gn 35.22; 49.3-4) agora não tinha coragem de ver seu pai face a face para relatar o que ocorrera com José.

31 Então eles mataram um bode, mergulharam no sangue a túnica de José

A mentira não fugiu do plano original. Depois de venderem José aos ismaelitas e verem o desespero do irmão mais velho, mataram um bode para acobertar o crime que fizeram. Com a criação de uma nova versão do que havia sucedido com José, acobertariam também a Rúben, que estava preocupado com o que iria dizer a seu pai.

32 e a mandaram ao pai com este recado: "Achamos isto. Veja se é a túnica de teu filho".

Enviaram a túnica imergida (lbf) no sangue do bode para Israel, possivelmente através dos servos da família, que também foram instruídos no que dizer ao pai. O Targum de Jonatan diz que foram os filhos de Zilpa e Bila que levaram a túnica a Israel12. Era pouco provável que o pai não reconhecesse a túnica que ele mesmo deu para seu querido filho José. Existia cinismo na frase: veja se a túnica é de seu filho, visto que eles sabiam, e não poderiam deixar de saber, que a túnica era de José. Eles poderiam ter dito ao pai: encontramos a túnica de seu filho; ela era singular.

33 Ele a reconheceu e disse: "É a túnica de meu filho! Um animal selvagem o devorou! José foi despedaçado!"

Jacó reconheceu (rkn) que a vestimenta era de seu filho. Os irmãos de José conseguiram enganar o pai, conclusão vista pelas declarações do pai de que José havia sido despedaçado ([rf) por um animal, comido (lka) por ele.

34 Então Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e chorou muitos dias por seu filho.

A cultura do oriente médio antigo não tinha o pensamento abstrato tão claramente observado como entre os gregos. Seus sentimentos se mostravam através de atitudes corpóreas, como rasgar as vestes, que aparece pela segunda vez neste capítulo, sendo a primeira quando Rúben viu que seu irmão não estava na cisterna como esperava. Vestir-se de pano de saco e jogar cinzas ou terra sobre a cabeça demonstrava publicamente uma grande tristeza (1Rs 21.27; Ne 9.1; Et 4.1; Jn 3.5).

35 Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele recusou ser consolado, dizendo: "Não! Chorando descerei à sepultura para junto de meu filho". E continuou a chorar por ele.

Agora com a presença clara dos filhos na cena, eles tentam consolar ao pai, ludibriado pelos próprios filhos, que nem precisaram dizer alguma coisa para ratificar a mentira que planejaram e executaram. Tal atitude dos filhos mostram a hipocrisia deles. Ainda assim, Jacó negou ser consolado, dizendo que lamentar (lba) faria ele sentir-se junto a seu filho José, que segundo o enganado pai, estava na sepultura (NVI e ARA), ou seja, morto. A NTLH diz: Vou ficar de luto por meu filho até que vá me encontrar com ele no mundo dos mortos, nitidamente uma paráfrase. Sheol (lwav) é a palavra original no texto traduzida por sepultura, que no passado foi confundida ou associada demasiadamente ao inferno. Este vocábulo não apresenta um detalhamento da situação dos mortos, ele mostra um quadro típico de um túmulo na Palestina13. Não sabemos ao certo quem são as filhas14 de Jacó, visto que o texto mosaico somente nos diz a respeito de Diná (Gn 34). O final do versículo diz que ele chorou muito (hkb – palavra que significa chorar amargamente, prantear).

36 Nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda.

O texto chama os ismaelitas de midianitas15. Foram eles que compraram José de seus irmãos e que agora, vendiam José a Potifar, que era "oficial" (syrs) do faraó, palavra também utilizada para eunucos, que não era o caso aqui, porque Potifar tinha uma esposa. Ele era chefe da "guarda" (tbf - o verbo desta palavra significa abater, matar cruelmente, matar impiedosamente), sugerindo que Potifar poderia ser chefe "dos carrascos", dos executores em serviço à realeza faraônica. A continuação sobre a vida de José se dá no capítulo 39. A história que se inicia no capítulo 37 não tem como intuito mostrar com exclusividade a vida de José, mas às histórias de vida que cercavam o patriarca Jacó (twdlwt - toledot). Por isso também, o capítulo 38 vai mostrar a vida de Judá.

Gênesis 39

Frase resumo

Yahweh é notado na vida de José por sua habilidade e fidelidade,

pois prosperava em tudo que realizava e temia pecar contra Deus.

1 José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.

A cena principal volta a ser estrelada por José, filho de Jacó e Raquel. Ele foi levado ao Egito pelos ismaelitas que o compraram como escravo pelo preço de alguém aleijado de seus irmãos.16 O texto diz que o comprador egípcio foi Potifar, oficial do faraó e chefe da guarda. O texto não diz o preço que José foi vendido a Potifar, mas possivelmente ambos fizeram um bom negócio. O vendedor pelo dinheiro no comércio, o comprador pela prosperidade que "o produto" trazia a seu lar (vv. 2-5).

2 O SENHOR estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.

O narrador não demora a dizer que Yahweh era presente na vida de José. Sua presença fez com que José obtivesse sucesso, prosperasse (tlu) e por isso, passou a morar na casa de seu chefe. Onde ele antes habitava não é revelado pelas Escrituras. Segundo Ross,17 este verbo hebraico para prosperidade é algo fenomenal e inesperado. O Dicionário Internacional do Antigo Testamento diz que a raiz da palavra significa alcançar satisfatoriamente aquilo que se pretende. 2Cr 31:21 diz: Em tudo o que ele empreendeu no serviço do templo de Deus e na obediência à lei e aos mandamentos, ele buscou o seu Deus e trabalhou de todo o coração; e por isso prosperou (grifo meu).

3 Quando este percebeu que o SENHOR estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava,

Assim como os ismaelitas possivelmente tiveram um bom lucro na venda do escravo José a Potifar, este também pensou: "que bom negócio foi ter comprado José". O texto revela que Yahweh já era conhecido entre os egípcio, no mínimo a Potifar, que percebeu (har) a presença dEle com José e que era Ele quem fazia seu escravo progredir (tlu – prosperar, ser proveitoso) em tudo o que ele fazia. Não sabemos o que José fazia exatamente, mas essa é uma citação que mostra a destreza de José em realizar seus afazeres e também das próprias necessidades como falar uma língua que não sabia. Ainda assim, o que ele fazia era surpreendente e inesperado18. O conhecimento de Potifar na existência de Yahweh era possivelmente proveniente de seu conhecimento acerca do povo hebreu, que tinha como Deus único a Yahweh19. Lembre-se que os egípcios eram uma nação politeísta.

4 agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.

Achou José graça diante os olhos (de Potifar), diz o texto. Obviamente, alguém com as habilidades de José não deveriam ser descartadas, especialmente porque tal destreza era nitidamente proveniente de Yahweh, o único Deus dos hebreus, reconhecido inclusive pelo pagão Potifar. Sendo assim, colocou José como mordomo, administrador de seus bens e possivelmente chefe de seus empregados. José era confiável e inteligente. Seus bens (...) tudo o que possuía, estava agora nas mãos de José, sob seu cuidado.

5 Desde que o deixou cuidando de sua casa e de todos os seus bens, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do SENHOR estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo.

Potifar, desde que deixou José cuidando de seus bens, era abençoado por causa (llg) da presença de José com ele.20 A benção (hrkb) não era somente na casa do chefe da guarda, mas no campo (hdv).21

6 Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida. José era atraente e de boa aparência,

Percebendo Potifar o quanto era abençoado através da presença de José em seu meio, colocou José ao cuidado de tudo o que tinha, seus bens, dinheiro e (talvez) propriedades. A única coisa com que Potifar tinha de pensar, era sua própria comida. Creio que Aben Ezra22 estava certo ao escrever que o sentido da sentença é José tendo tudo comprometido ao seu cuidado, exceto o pão (comida), ou em fazer provisão disso para Potifar e sua família, visto que não poderia tocar na comida sendo ele um hebreu (veja Gn 43.32). O texto diz que José era bonito (hpy) de forma (rat) e de aparência (harm). Em português popular, José era sarado23 (forma) e lindo (aparência), qualidades que causaram dificuldades para ele.

7 e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: "Venha, deite-se comigo!"

Notando a esposa de Potifar toda as qualidades físicas e intelectuais de José, possivelmente também percebendo que o Deus dos hebreus o acompanhava, sentiu-se atraída por ele, tentando-o sexualmente. Especulo que a mulher de Potifar devia ser bonita, visto que a alta posição de Potifar (oficial do faraó), dava-lhe o privilégio de selecionar uma esposa entre as mais belas mulheres.

8 Mas ele se recusou e lhe disse: "Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.

Todavia, diz o texto, ele se recusou, demonstrando então fidelidade a Potifar através da justificativa que deu à mulher. Esta foi possivelmente uma grande tentação para um jovem, que chegado ao Egito como escravo, tinha agora uma excelente posição na casa de um líder egípcio.

9 Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?"

A primeira sentença mostra que Potifar tinha outros servos/empregados que José era hierarquicamente maior. Tudo estava aos cuidados de José (v.8). Potifar não havia negado nada a José, com uma única exceção: sua mulher. Adultério era um grande pecado entre todas as nações.24 Adam Clarke25 diz que José, nesta passagem dá duas razões pelas quais não poderia ceder ao convite da mulher: (1) Ele era grato a Potifar, seu senhor, a quem devia tudo o que tinha e (2) por seu temor a Deus, que na visão dEle teria sido uma ofensa horrível, bem como de Quem não poderia escapar da disciplina. José, ao invés de dizer que seu pecado seria, à priori, contra Potifar, demonstra sua piedade dizendo que seu pecado seria uma perversidade contra Deus. Toda e qualquer ofensa horizontal, contra homens, que envolve a moralidade divina, é também uma ofensa vertical. Em outras palavras, neste caso, relacionar-se sexualmente com a esposa de Potifar era pecado contra ela e seu marido, mais ainda, contra Deus, que estabeleceu os limites do envolvimento sexual (moralidade divina).

10 Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.

Não foi um episódio singular de tentação. A mulher de Potifar queria se satisfazer nos laços do formoso hebreu que zelava pelos bens do marido. Isso acontecia dia após dia (NVI); todos os dias (ARA). Entretanto, José "não dava ouvidos", bem como evitava estar em sua presença.

11 Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava.

Ainda assim, "certo dia", José entrou na casa onde trabalhava e nenhum dos da casa estavam lá, palco perfeito para mais um dia de tentação proveniente da esposa de Potifar, que depois de algum tempo que as Escrituras não dizem, estava cansada da constante rejeição do bonito homem que trabalhava em sua casa. Ela possivelmente tramou este momento, pois José evitava ficar perto dela (NVI) e ele possivelmente não deixaria este cenário ser montado.

12 Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: "Vamos, deite-se comigo!" Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.

Cansada de tanta rejeição, dessa vez ela segurou (vpt) José em seu manto (dgb) e falou (rma) em um tom imperativo: deite-se comigo! Aparentemente sem saída, José largou seu manto nas mãos da mulher e fugiu (swn). Creio que não havia outra possibilidade dele escapar da libidinosa mulher, uma atitude que somente tomaria alguém que conhecia a vontade de Deus e se relacionava genuinamente com Ele.

13 Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão,

Este versículo recomeça a ideia do plano humanamente maligno contra a vida de José, mas soberanamente correto para pô-lo na posição que seus sonhos mostraram26 (Gn 37). A mulher de Potifar, ao notar que as vestes de José estavam em sua posse, imaginou o plano perfeito para vingar sua vontade não saciada.

14 chamou os empregados e lhes disse: "Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.

Ela gritou (arq) pelos homens que poderiam estar em algum lugar na propriedade de Potifar para testemunhar falsamente, através da mentira que ela contaria e contou a eles contra a vida de José. O lugar dentro da casa onde estavam a mulher de Potifar e José naquele momento não tinha ninguém (v.11). Quando alguns se aproximaram e viram ela com o manto de José em suas mãos, ela disse: "este hebreu, comprado pelo meu marido não é tudo isso que meu marido pensava. Sua presença é uma vergonha para esta família. Ele tentou me estuprar (bkv)27, mas eu gritei bem alto por ajuda!" A NVI não foi completamente feliz na tradução do texto, pois não conseguiu passar a mensagem de culpa que a esposa de Potifar coloca sobre seu marido. A ARA diz: vede, trouxe-nos meu marido este hebreu. Apesar do texto original não trazer a palavra marido, deixa claro que ele trouxe (הֵבִיא) para nós (לָנוּ) homem (אִישׁ) hebreu (עִבְרִי).

15 Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa".

"José", disse a mulher, "saiu correndo quando comecei a gritar", explicando para aqueles que apareceram por lá depois dela gritar. "Ele teve de deixar seu manto, tanta era a pressa que tinha para não ser pego flagrante". A esposa de Potifar dava sua versão ao acontecido para os homens que agora ali estavam, os servos de Potifar, submissos inclusive à José, que por tudo zelava.

16 Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse à casa.

O manto (dgb) era objeto fundamental para a versão da história que criara. Ela manteve as vestes de José com ela até que Potifar chegasse em casa. Mais uma vez, na história de José, suas vestes se tornam instrumentos de um falso testemunho: (1) os irmãos de José imergiram sua túnica no sangue de um bode e com dolo, enganaram Jacó. (2) O manto que a esposa de Potifar guardou, serviu para ratificar o conteúdo de sua mentirosa versão contada ao marido.

17 Então repetiu-lhe a história: "Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.

Depois de algum tempo,28 quando Potifar chegou em casa, sua esposa repetiu a versão mentirosa, que incriminaria José. Dessa vez, a acusação a Potifar se mostra clara na NVI: aquele escravo hebreu que você nos trouxe. Ela culpava seu marido de ter trazido a razão de seu quase estupro, segundo ela (v.14). Ela disse para ele que José queria zombá-la (qtu)29.

18 Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu".

"José somente não me zombou", começou a dizer a esposa de Potifar a ele, "porque comecei a gritar muito alto e ele correu de medo". A esposa de Potifar contou a mesma versão para seu marido que contara para os homens da casa que apareceram quando ela gritou. Possivelmente, neste instante, ela mostrou o manto de José a Potifar, seu instrumento probatório do falso testemunho.

19 Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: "Foi assim que o seu escravo me tratou", ficou indignado.

Crendo Potifar em sua mulher, ele ficou irado ([a)30.

20 Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,

A ira de Potifar possivelmente fez com que ele não quisesse ouvir a versão de José, ou que José nem tenha se defendido no momento que Potifar esteve em sua presença, pois foi ele mesmo quem o lançou na prisão31. O texto não diz detalhes da prisão. Nela ficavam os prisioneiros do rei, provavelmente traidores ou indivíduos que tenham cometido delito contra o próprio faraó. Como chefe da guarda, possivelmente dos executores, Potifar tinha poder e conhecimento para executar a José, todavia, o texto não revela o porquê de não ter feito, nem que tinha intensão de assim proceder. Ainda assim, John Gill especula que era por causa do respeito que ele tivera por José. O que todos nós sabemos é que Deus estava no controle e que nada deveria acontecer a José, instrumento divino da preservação da semente escolhida.

21 mas o SENHOR estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.

O texto logo revela que Yahweh estava presente na vida de José e que o tratou com bondade (dst). Seu amor fiel a José foi demonstrado através da simpatia rapidamente concedidade pelo carcereiro, que segundo o comentário de Jamieson, Fausset e Brown (JFB), era possível que o carcereiro soubesse de antemão da inocência de José, bem como conhecimento de seu alto padrão de integridade. Apesar disso, dizem estes comentaristas, a mão de Deus revelada no texto é a maior influência da graça concedida a José. Adam Clarke, em seu comentário acerca deste versículo, resume a história do capítulo trazendo à luz quatro lições:

Aquele que reconhece Deus em todos seus passos tem a promessa de que Ele dirigirá seus passos. A prisão de José promovia a glória de Deus, que para este fim, Deus trabalhava em José, por José e através de José. Mesmo o não religioso era capaz de enxergar a diferente divindade em/por/com José;

A resistência de José à tentação provocada pela esposa de Potifar é exemplar. Seu exemplo é extremamente raro, admirado por muitos, aplaudido por alguns, ainda assim imitado por poucos;

Saber quando lutar e quando fugir da tentação tem grande importância na vida cristã. Algumas tentações nós precisamos combater, muitas outras fugir;

Uma mulher com o espírito da esposa de Potifar é capaz de qualquer espécie de maldade. Quando ela não conseguiu o que queria, começou a acusar a José, como faz o próprio Satanás, primeiramente tentando, depois acusando, mesmo tendo o indivídio resistido ao pecado. Ele faz isso para trazer confusão e abalar a fé, como fez a esposa de Potifar, que não obteve sucesso em abalar a fé de José.

22 Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.

O carcereiro deu (/tn) às mãos de José os prisioneiros. Ele mais uma vez tinha responsabilidades sobre o funcionamento e ordem do local, bem como sobre pessoas. Literalmente, a segunda parte do versículo segue o entendimento da ARA, que diz: e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. Aparentemente, segundo uma direta interpretação, era ele quem tudo executava. Tanto o Targum de Jonatan como de Onkelos32 dizem que isto significava que nada era feito sem sua palavra, ou seja, sua autoridade e comando. A NTLH também entendeu dessa forma: e era ele quem mandava em tudo o que se fazia na cadeia. Este autor acredita nesta interpretação, melhor opção ainda em função do contexto.

23 O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o SENHOR estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.

Sob a responsabilidade de José, o carcereiro não tinha nada com que se preocupar. Moisés diz, porque (בַּאֲשֶׁר) Yahweh era com José e isso também fazia com que ele, mais uma vez, prosperasse. A ARA mostra a ênfase do autor em Deus, repetindo, como no original, Yahweh: porquanto o SENHOR era com ele, e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava.

Gênesis 40

Frase resumo

No cárcere José interpreta o sonho de dois empregados do faraó,

habilidade dada por Deus e oportunidade para sua liberdade.

1 Algum tempo depois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito fizeram uma ofensa ao seu senhor, o rei do Egito.

Depois (rta) dessas coisas (rbd), tanto o copeiro quanto o padeiro que trabalhavam diretamente ao faraó, rei de todo Egito, pecaram (aft) contra sua majestade. Não se sabe ao certo quanto tempo depois do evento de José ter sido preso, este episódio na terra egípcia aconteceu. Adam Clarke, possivelmente baseado no Targum de Jonatan, acredita que o pecado foi a tentativa de assassinar o faraó através de envenenamento. Todavia, este autor acha que é pouco provável que o faraó tivesse mantido a vida deles se isso tivesse acontecido, especialmente por eles terem retornado à presença do faraó para trabalharem (vv. 20,21), e tendo o copeiro trabalhado por anos depois ainda (Gn 41.1). O faraó possivelmente não reabilitaria um empregado que outrora lhe quis assassinar.

2 O faraó irou-se com os dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros,

A fúria ([xq) do faraó foi causada por algo que seus chefes de copa e cozinha fizeram ou pelo que os subordinados dos chefes fizeram. Eram eles os responsáveis pela negligência de seus subalternos e deviam prestar contas por seus erros, como de fato o fizeram.

3 e mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na prisão em que José estava.

O padeiro e o copeiro foram presos no mesmo cárcere onde estava José, no "cárcere real" que também era o local onde ficava a casa do capitão da guarda, possivelmente Potifar, assim apresentado em Gn 37.36. É também possível entendermos que havia outro chefe da guarda, mas este autor acredita que isso seja menos provável. Neste momento Potifar poderia ter entendido melhor a respeito do que passou no evento entre sua esposa e José dentro de sua casa, mas para manter a reputação de sua esposa e consequentemente a sua própria, Potifar não havia retirado José da Prisão, mas assegurava juntamente com o carcereiro que ele fosse bem tratado.33

4 O capitão da guarda os deixou aos cuidados de José, que os servia. Depois de certo tempo,

Calmet34 acredita que o padeiro e o copeiro ofenderam ao faraó em seu aniversário e um ano depois, depois de certo tempo, (entendido por ele por causa da palavra יָמִים35), eles teriam sido restituídos aos seus cargos para ajudarem na nova festa de aniversário do faraó (v.20). Ambos estavam aos cuidados de José, que também fazia o papel de servi-los (trv), de prestar serviço de qualquer necessidade que eles tivessem. Sendo o capitão da guarda Potifar e conhecendo ele a capacidade administrativa de José, bem como de seu íntegro caráter, não teria melhor pessoa para deixar os ofensores do rei a cargo.

5 o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, sonharam. Cada um teve um sonho, ambos na mesma noite, e cada sonho tinha a sua própria interpretação.

"Depois de algum tempo", melhor interpretação de יָמִים, o padeiro e o copeiro sonharam na mesma noite. O narrador da história, Moisés, diz que cada um dos sonhos tinha um diferente significado, ou seja, não eram sonhos quaisquer, mas sonhos proféticos; cada sonho tinha a sua própria interpretação.

6 Quando José foi vê-los na manhã seguinte, notou que estavam abatidos.

José, como aquele que zelava pelo padeiro e copeiro como prisioneiros do cárcere, visitou-os na manhã seguinte, mas notou que estavam tristes ([uz). Clarke diz que eles concluíram que seus sonhos prediziam algo de grande importância, mas eles não conseguiam dizer o que predizia e por isso estavam abatidos. É possível que José, em função da simpatia que tinha do carcereiro, estava agora hospedado em um cômodo mais aconchegante, um lugar melhor de onde estavam o padeiro e copeiro chefe, por isso "teve de vê-los".

7 Por isso perguntou aos oficiais do faraó, que também estavam presos na casa do seu senhor: "Por que hoje vocês estão com o semblante triste?"

Apesar do padeiro e o copeiro se encontrarem na prisão já por algum tempo, o narrador do evento os considera oficiais do faraó. Notando José que eles estavam com semblantes abatidos, perguntou a eles porque estavam daquela forma naquele dia especificamente. Tal pergunta mostra o zelo de José no cuidado que tinha pelos prisioneiros que estavam sobre seu cuidado, lembrando que ele os servia (v.4).

8 Eles responderam: "Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete". Disse-lhes José: "Não são de Deus as interpretações? Contem-me os sonhos".

Os oficiais do faraó então disseram a José o motivo pelo qual eles estavam cabisbaixos. Eles sonharam e queriam saber o significado de seus sonhos, que teve um conteúdo no mínimo curioso, possivelmente preocupante. Porém não havia quem interpretasse seus sonhos ou mesmo intérpretes capazes no local. A palavra de Deus não mostra a resposta dos prisioneiros à pergunta de José: não pertencem a Deus as interpretações? (ARA) Tal pergunta reflete o que José cria, que Deus era o único capaz de interpretar sonhos. Ainda assim, devemos entender que José sabia que era instrumento divino para as interpretações, pois logo após dizer que é Deus o dono das interpretações de sonhos, ele pede para que os prisioneiros contem a ele o que sonharam. Ele sabia que poderia ajudá-los, mas o que diria não seria procedente de seu intelecto ou proeza, todavia de Deus.

9 Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: "Em meu sonho vi diante de mim uma videira,

O primeiro a contar seu sonho foi o copeiro. Ele parecia estar mais disposto em contar seu sonho a José do que o padeiro, que avaliou a interpretação de José sobre o sonho do colega oficial para contar seu sonho a José (v.16).

10 com três ramos. Ela brotou, floresceu e deu uvas que amadureciam em cachos.

O sonho do copeiro apresentava uma videira (/pg) com três ramos, que havia brotado, florescido e dava em cachos maduros.

11 A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entreguei em sua mão".

O sonho do copeiro refletia sua profissão. Ele diz que no sonho pegou as uvas maduras, espremeu-as na taça do faraó e a entregou para ele.36

12 Disse-lhe José: "Esta é a interpretação: os três ramos são três dias

Depois de escutar atentamente ao sonho do copeiro, José lhe revela a interpretação do sonho. Não há nenhuma relação entre ramos e dias para que José tivesse interpretado o sonho como um farsante. Sua interpretação tinha origem divina.

13 Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posição, e você servirá a taça na mão dele, como costumava fazer quando era seu copeiro.

Literalmente, o faraó levantaria a cabeça do copeiro e voltaria ao serviço como anteriormente, quando servia diretamente ao faraó.

14 Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão,

Logo que José terminou de contar o resultado positivo ao copeiro do significado de seu sonho, ele fez um pedido. Lembre-se (rkz) de mim, pediu José, seja bondoso (dst). "Diga ao faraó sobre mim e me retire desta masmorra." José leva em consideração o tempo certo de quando o copeiro chefe deveria falar com o faraó, "quando tudo estivesse indo bem" (bfy). Tal pedido não foi moeda de troca pelo serviço prestado na interpretação do sonho ou mesmo na qualidade de servo na prisão. Ele, na verdade, pede por compaixão (bondoso na NVI).

15 pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço".

Trazido à força (NVI) ou roubado (bng) foi o que aconteceu com José em sua terra. A humanidade de José emergiu aqui.37 Este é o único momento descrito sobre José que ele se justifica, querendo compartilhar de sua inocência. Note que José não reveleu aqueles que cometeram o crime de vendê-lo como escravo, seus próprios irmãos. Tampouco disse que por causa de um falso testemunho da esposa de Potifar, a culpada da história na casa do chefe da guarda, ele estava preso em uma masmorra. Ele somente disse: "sou inocente."

16 Ouvindo o chefe dos padeiros essa interpretação favorável, disse a José: "Eu também tive um sonho: sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco.

O chefe do padeiro, notando a feliz história que revelava o sonho do chefe dos copeiros, possivelmente pensou que era um bom momento para perguntar a José seu significado. Vendo, ou percebendo (har) que a interpretação era boa (bwf), agradável, resolveu compartilhar seu sonho, que também tinha relação com seu trabalho, de fazer pães.

17 Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na cabeça".

O sonho do padeiro dizia que ele levava três cestas de comida sobre sua cabeça, mas a cesta mais alta tinha, além de pães brancos, doces de vários tipos, manjares, geralmente preparados ao rei. O problema é que os pássaros comiam a comida de alguma das cestas (note o singular no v.17 – הַסַּל; no v.16 סַלֵּי).

18 E disse José: "Esta é a interpretação: as três cestas são três dias.

Sem pestanejar, de forma direta e honesta, José inicia a dizer a interpretação do sonho, mesmo sabendo ele que o que estava prestes a contar não agradaria o padeiro. Cada cesta significava um dia.

19 Dentro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore. E as aves comerão a sua carne".

Em três dias a partir daquele, do dia em que o sonho foi interpretado, o padeiro morreria. A NVI traduziu que ele seria "decapitado". A ARA traduziu faraó tirará fora a cabeça. Este autor não crê que o padeiro seria decapitado. A palavra traduzida em ambas as versões, avn, sugere que a cabeça dele seria levantada, uma expressão para dizer que ele seria restaurado, reabilitado ao cargo (de honra)38, como também aconteceria com o copeiro (v.13). Isso de fato aconteceu, tanto o copeiro como o padeiro foram restaurados aos seus cargos (v.20 – NVI traduziu por reapresentou e a ARA interpretou a palavra como reabilitou o copeiro-chefe e condenou o padeiro-chefe39). Um segundo ponto desta evidência, de que o copeiro não foi decapitado, é que o v.22 diz que o padeiro foi pendurado (hlt), traduzido por enforcar na NVI, ARA e ARC. A NTLH diz que ele foi executado, não dizendo a forma como ele foi morto. Sobre hlt o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento diz: "Na maioria das vezes emprega-se talah em referência à execução de alguém ou à exposição pública do cadáver após a execução. Uma vez que Heródoto dá a entender que a empalação era um método comum de execução na Pérsia (veja-se também Ed 6.11), é possível que a expressão עַל־עֵץ תָלָה, tradicionalmente traduzida por ‘pendurar/enforcar numa árvore/forca’, na verdade signifique ‘empalar numa estaca’." O terceiro ponto que ratifica esta conclusão está na parte final do v.22, que diz como José lhes dissera em sua interpretação, ou seja, de acordo como José havia interpretado. Se seguirmos a linha de raciocínio das traduções:

NVI: José disse que ele seria decapitado e pendurado em uma árvore. Mas o v.22 diz que ele foi enforcado.

ARA e ARC: O padeiro teria sua cabeça tirada e então seria pendurado em um madeiro. O v.22 diz que ele foi enforcado.

NTLH: Mandariam cortar a cabeça do padeiro fora e o v.22 diz que ele foi executado.

Este autor crê que decapitar ou tirar fora a cabeça não são boas traduções de אֶת־רֹאשְׁךָ פַרְעֹה יִשָּׂא (ele levantará, o faraó, sua cabeça), mesmas palavras no v.13 em referência ao copeiro, mas traduzido nas versões portuguesas de forma diferente do versículo em questão40. Note que ambos, o padeiro e o copeiro, tiveram suas "cabeças levantadas" (v.20 - הָאֹפִים שַׂר וְאֶת־רֹאשׁ הַמַּשְׁקִים שַׂר אֶת־רֹאשׁ וַיִּשָּׂא e levantou a cabeça do copeiro e a cabeça do padeiro). Pendurar em uma árvore ou madeiro foi a forma que o copeiro morreu, mas o detalhe da morte, se empalado, enforcado ou ainda pendurado em uma jaula ou amordaçado (gibbet41), o texto sagrado não revela. Enfim, José não poupou palavras para comunicar o padeiro de sua morte. Nada havia que impedisse que a tristeza da notícia ficasse de imediato evidente no modo e no tom de voz do orador.42 Depois que o padeiro fosse "pendurado" as aves comeriam sua carne, segundo a interpretação de José.

20 Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um banquete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros;

Os egípcios já tinham o costume de celebrar datas de nascimento. A NVI usa a palavra "reapresentou" para traduzir a expressão "levantou a cabeça," como no v.13, usada em referência ao copeiro. Tal palavra é chave para percebermos que o acontecido com o padeiro e com o copeiro foi conforme revelado por José (veja comentário no v.19 para detalhes). "Na presença dos oficiais, o faraó reabilitou, restaurou, reposicionou, recolocou tanto o chefe dos padeiros, quanto o chefe dos copeiros." Todavia os versículos seguintes revelam que um para a glória e outro para a morte.

21 restaurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó,

O chefe dos copeiros, reabilitado à sua função, retornou a servir o rei conforme teve seu sonho interpretado por José.

22 mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar, como José lhes dissera em sua interpretação.

Ao contrário do copeiro, o padeiro, depois de reabilitado à sua função, conforme predito por José, foi morto, evento também revelado por José quando interpretou seu sonho. Ele foi enforcado, empalado ou gibbet43 (hlt), tipos de execução que já eram realizadas no antigo Egito.

23 O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esqueceu-se dele.

No comentário de JFB é dito: esta é a natureza humana. Quão inclinados são os homens para se esquecerem e negligenciarem na prosperidade aqueles que foram seus companheiros nas adversidades. José fez um pedido muito simples para o copeiro, mas foi esquecido por ele. Pode ser que, no momento da festa, logo após ele ter sido reabilitado ao seu antigo cargo ao lado do rei, ele ainda estivesse com o pedido de José em mente, mas após isso, esqueceu-se. Lembre-se, José pediu para que o copeiro falasse sobre ele em um momento oportuno (quando tudo estivesse indo bem – v.14, NVI). Sem dúvida alguma dois anos é muito tempo para que nunca houvesse surgido um tempo oportuno, quando tudo estivesse bem com o copeiro.

Arranjo Simétrico44 de Gênesis 40:

A. Prisioneiros se encontram com José na prisão (1-4)

B. Prisioneiros perguntas a José sobre seus sonhos (5-8)

C. Explicação dos sonhos (9-11, 12-13)

D. Pedido de José (14-15)

C’. Explicação dos sonhos (16-17, 18-19)

B’. Prisioneiros obtém as respostas de seus sonhos (20-22)

A. Prisioneiro se esquece de José na prisão (23)

Bibliografia

  • GARDNER, Paul (editor). Quem é quem na Bíblia Sagrada.  4ª impressão, São Paulo, Ed. Vida, 2002.
  • HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L., WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Ed. Vida Nova, 1998.
  • HOUSE, Paul R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP, Ed. Vida, 2005
  • KIDNER, Derek. Gênesis, Introdução e comentário. Edições Vida Nova, São Paulo-SP, 1997.
  • KOHLEMBERGER III, John R. The Interlinear NIV HEBREW-ENGLISH Old Testament, Grand Repids, Zondervan, 1987
  • LANGE, John P. Commentary on the Holy Scriptures, Genesis. Zondervan Publishing House, Grand Rapids, Michigan.
  • MERRIL, Eugene H. História de Israel, 3ª edição, Rio de Janeiro, CPAD, 2002.
  • ROSS, Allen P. Creation and Blessing, a Guide to the Study and Exposition of Genesis. Baker Book House Company, 1988.
  • SWINDOLL, Charles R. José, um homem íntegro e indulgente. São Paulo, Ed. Mundo Cristão, 2000.

Sítios Eletrônicos Consultados

Bíblias Utilizadas

  • Bíblia Anotada (Versão RA – comentários por Charles Ryrie)
  • Nova Tradução na Linguagem de Hoje
  • Nova Versão Internacional
  • Revista e Atualizada
  • Revista e Corrigida

1 SWINDOLL, Charles R. José, um homem íntegro e indulgente. Ed. Mundo Cristão, pg. 26.

2 Para detalhes sobre sonho veja o artigo: http://todahelohim.blogspot.com/2009/06/sonho-na-biblia.html

3 Note o plural, "irmãos".

4 A ARA diz e de suas palavras (rbd), o que sugere melhor meu ponto de vista.

5 Veja comentário de Gn 37.3.

6 Segundo Charles Ryrie na Bíblia Anotada.

7 Ou desapercebido (Houiass).

8 Chama-se de metonímia à figura de estilo que substitui um elemento pela citação de outro que lhe está relacionado.

9 SWINDOLL, Charles R. José, um homem íntegro e indulgente. Ed. Mundo Cristão, pg. 31.

10 Dicionário Internacional do AT, verbete erq.

11 Palavra que também pode ser traduzida por criança, ex.: Ex 2.6 – ARA.

12 Targum: comentários em aramaico do Tanach.

13 Veja mais detalhes sobre sheol no link: http://todahelohim.blogspot.com/2009/06/sheol-o-que-e.html

14 Atente-se ao plural.

15 Povo vizinho dos ismaelitas que se juntavam em caravanas e negócios - descendentes de Midiã ou Medã, seu irmão – compare Jz 8.1 e 8.24. A NVI, na nota de rodapé de Jz 8.24 diz que os ismaelitas eram parentes dos ismaelitas.

16 Veja nota de rodapé "2".

17 Creation and Blessing, pg 625.

18 Conclusão do significado de xlu

19 Yahweh, como nome de Deus, não foi revelado primeiramente a Moisés, como alguns dizem. Veja que Eva o chamou por Yahweh em Gn 4.1.

20 A ARA diz que o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor a José, mas a palavra "amor" não está no texto original.

21 A presença de José, conhecedor de Yahweh e Seu poder, na casa do politeísta Potifar, arremete-me ao salmo 67, que diz: que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós, para que sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações (grifo meu).

22 Rabbi Abraham ben Meir ibn Ezra (também conhecido como Abenezra) nasceu em Tudela, Espanha Islâmica (1089), e morreu em 1164 (aparentemente em Londres). Alguns trazem as datas de 1092 ou 1093–1167 (http://en.wikipedia.org/wiki/Abraham_ibn_Ezra).

23 Dicionário informal, verbete sarado (http://www.dicionarioinformal.com.br/definicao.php?palavra=sarado&id=3438).

24 Comentário de John Gill, inglês. (23/11/1697 – 14/10/1771) Um estudioso acadêmico das Escrituras.

25 Adam Clarke (1760 ou 1762–1832) foi um teólogo britânico.

26 Deus nunca escreveu certo por linhas tortas. Ele sempre escreveu certo por linhas corretas, mas nossa incapacidade limitada enxerga suas linhas tortas (e diz isso como se fosse verdade).

27 Mesma palavra usada no ocorrido com Diná em Gn 34.2.

28 Não se sabe ao certo o tempo que Potifar demorou para retornar para casa. Poderia ser mais de um dia.

29 Por tal palavra ficava implícito que José, segundo a esposa de Potifar, tinha intenções relacionais com ela (cf. Gn 26.8 – Isaque foi visto acariciando Rebeca).

30 Para mais detalhes sobre ira: http://todahelohim.blogspot.com/2009/06/af-ira-da-narina.html

31 Possivelmente uma prisão subterrânea. Literalmente, José foi lançado na "casa redonda".

32 Onkelos (סולקנוא) é o nome de um famoso convertido ao judaísmo em (35-120d.C.). Ele é considerado o autor do famoso targum que leva seu nome (110d.C.).

33 Tais detalhes não se encontram no texto, mas faz parte de uma lógica especulação dos acontecimentos relatados na Palavra de Deus.

34 Antoine Augustin Calmet (26/02/1672 – 25/10/1757), beneditino francês, nasceu em Ménil-la-Horgne, em Lorraine.

35 Esta palavra literalmente significa "dias".

36 Ao faraó foi oferecido suco de uva, não vinho, que teria de passar pelo processo de fermentação.

37 SWINDOLL, Charles R. José, um homem íntegro e indulgente. Ed. Mundo Cristão, pg. 71.

38 DITAT, pg. 1421.

39 A palavra avn foi traduzido como reabilitou e condenou na ARA, todavia o original somente tem uma aparição da palavra hebraica. Esta foi a interpretação dos tradutores para a palavra em questão.

40 O que de fato poderia ser, mas segundo este autor, não nesta passagem.

41 Gibbet é a palavra inglesa para um tipo de execução, onde o condenado ficava preso e pendurado em uma jaula, cordas ou ainda tiras de metais até a morte. Às vezes o corpo já morto era posto em tal lugar para exposição pública. Para detalhes veja: http://en.wikipedia.org/wiki/Gibbet .

42 KIDNER, Derek. Gênesis, introdução e comentário. Pg. 180.

43 Neste caso, a palavra inglesa é usada como verbo. Veja nota de rodapé 41.

44 ROSS, Allen P. Creation and Blessing, a guide to study and exposition of Genesis. pg. 631, Adaptado.

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