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Jesus, a Religião e a Verdadeira Espiritualidade: Uma Olhada em Quatro Bem-Aventuranças

Você ficará feliz em saber que Sonny Bono está ótimo, que está passando muito bem. Pergunte-me como sei disso. Bem, sei disso por causa de uma entrevista com a Cher transmitida há pouco tempo pela TV Guide. A atriz disse aos entrevistadores que fizera contato com seu ex, agora falecido, marido. Ela afirma ter falado com Sonny através de um médium - um sujeito bem conhecido - James Van Praagh, autor de Conversando com o Céu: Uma Mensagem Mediúnica de Vida Após a Morte. Sonny rapidamente assegurou-lhe que estava feliz e passando muito bem. Ninguém devia se preocupar com ele.

Ah! Sim, meus amigos, bem-vindos à Nova Era - ou, nas palavras de Ruth Tucker, o Oculto se tornou respeitável. Apenas para ver o quanto certos seguimentos do movimento tiram das classes cristãs conservadoras e depois devolvem com idéias antibíblicas, alguém só precisa ler com atenção o livro Um Curso em Milagres.

A Religião Nova Era: um caleidoscópio virtual de: "manias, fantasias e tolices". O movimento ostenta celebridades bem conhecidas como Shirley MacLaine, Judy Knight, e o falecido John Denver. É possível que você se recorde da venda de livros muito populares como Minhas Vidas e Inteligência ColetivaNT. O próprio Al Gore não pôde deixar escapar a chance de se apoderar daquilo a que esses gurus chamam de "consciência global" quando publicou seu livro ecologicamente correto A Terra na Balança: A Ecologia e o Espírito HumanoNT. A Nova Era é habilmente descrita como "uma agradável selva de espiritualidade exótica", incluindo o uso de cristais, canalização de entidades espirituais, uso de ervas medicinais, e fascinação por OVNIs e astrologia.

De acordo com o colunista de religião do Los Angeles Times Russel Chandler, em seu livro de 1988 Entendendo a Nova Era, mais de 42% dos Americanos crêem que estão em contato com alguém que já morreu. 67% disseram que têm alguma forma de ESP (percepção extrasensorial) e 14% aprovam o trabalho dos médiuns espíritas (por volta do final dos anos 80).

Em 1988, o antigo chefe da casa branca, Donald T. Regan, deixou todo mundo alarmado quando revelou num livro que o Presidente e a Sra. Regan liam regularmente as previsões astrológicas e que Nancy Regan consultava astrólogos para ajudá-la a planejar a agenda do marido. Mas isto não deveria ter preocupado os Americanos uma vez que, de acordo com Chandler, 67% dos Americanos de qualquer forma lêem o horóscopo e 36% crêem que seja científico.

A Nova Era, com sua combinação de marketing americano e misticismo oriental, e a natural inclusão do modelo de suas crenças, está crescendo rapidamente nos Estados Unidos. As pessoas estão fugindo da realidade e isso parece lhes oferecer aquilo que estão procurando. Ela proclama respostas definitivas - num mundo menos definitivo - para questões profundas sobre o que significa ser espiritual e gozar uma vida mística/espiritual.

Mas se toda essa tralha da Nova Era, com seus cristais e médiuns espíritas, é demais para sua sensibilidade, você pode escolher entre uma miríade de outras opções na vida religiosa Americana. Os aperitivos incluem: Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Ciência Cristã, Novo Pensamento e Unidade, A Igreja Universal de Deus, O Caminho Internacional, Os Filhos de Deus, A Igreja da Unificação, Hare Krishnas, A Fé Bahai, Cientologia, as principais correntes da Igreja Protestante e da Igreja Católica, etc.

Todas estas religiões, incluindo a Nova Era, ainda que tenham muitas diferenças, têm uma assertiva em comum, em outras palavras, declaram oferecer conhecimento sobre uma realidade final. Todas elas declaram oferecer uma espiritualidade verdadeira e duradoura. "Tão escassa quanto a verdade, a fonte parece ser sempre maior que a demanda." Mas enquanto as doutrinas básicas dessas religiões mudam com as tendências culturais, o fato é que poucas pessoas reconhecem, numa América sem precedentes, que Jesus fala dentro da nossa escuridão com a eterna verdade de Deus. Há uma grande diferença, talvez tão grande quanto o próprio Grand Canyon, entre os "médiuns" de Holywood e o Jesus das Escrituras. E não é só na questão de princípios.

Vivemos num país onde a vida das pessoas está se desmantelando. As famílias estão se desintegrando. "A mãe odeia o pai e o pai odeia a mãe." Eles processam um ao outro. Em certos estados os filhos processam uns aos outros também. E falando em filhos, o que fazer com a violência nas escolas, tal como a da Columbine High School e inúmeros incidentes antes e depois desse? A lista dos males sociais que infectam nosso país é longa. Os psiquiatras e sociólogos têm muito com o que se preocupar, assim como o restante de nós. Meu propósito não é enunciar as diversas razões socioeconômicas, políticas e espirituais do atual estado da união, mas simplesmente mostrar que as pessoas estão procurando e estão famintas - famintas por provar a realidade. A Nova Era e as outras religiões estão tentando falar a essas necessidades.

Contudo, não é nada estranho, à luz da dissolução da família, etc., etc., etc., que as pessoas estejam ansiando por verdadeiras ligações espirituais - ligações que transcendam nossa vida apressada, e pelas quais alcancemos um sentido de permanência e invariabilidade. E também queremos algo pessoal. Mas o problema é, vivemos numa cultura que, apesar de procurar realidades espirituais - como sugere a popularidade da Nova Era - é, apesar disso, rápida em alegar que "não há verdade", ainda que essa mesma afirmação traia tal ilusão. Deleitamo-nos em nossa franqueza e relativismo - "abrindo nossas mentes" à guisa de liberalidade, apenas para descobrir que nossos cérebros se tornaram mais parecidos com marsh mellow do que com músculo. Também descobrimos que o liberalismo tampouco foi totalmente neutro quanto às suas reivindicações! Foi apenas uma mudança ingênua. Caso algum "profeta", seja ele ou ela quem for, se levante e diga que "a verdade sobre nós é isto e não aquilo", é, rápida e hereticamente estigmatizado e escolhido para uma "recompensa" de profeta. Sim, nos profetas do mundo, encontramos uma força oculta, como a do Popeye depois do espinafre. A questão é que ansiamos por uma experiência espiritual significativa, mas só até onde nossa imaginação possa dominá-la e controlá-la. Temos pouco tempo para a verdade, especialmente a verdade sobre nós mesmos. Simplesmente não podemos aceitar alguém falando à nossa própria pecaminosidade. Mas, certamente em face desse mal tão enraizado na sociedade e nos relacionamentos pessoais não podemos mais negar essas acusações tão sérias. Certamente devemos querer entender nossa contribuição pessoal à bagunça.

Mas somos tão irremediavelmente tolos quanto somos incuravelmente religiosos. Procuramos a luz, mas quando nos aproximamos, reclamamos que a verdade é demais para nós. E assim recuamos. Voltamos à escuridão para nos sentirmos confortáveis. Ah, sim... voltamos à escuridão - onde ninguém pode ver, nem mesmo Deus - estamos ocupados descobrindo uma nova terapia, uma nova esperança, uma nova poção ou crença religiosa - uma panacéia, por assim dizer, investida de divindade e dessa forma garantida para nos dar a crença que incessantemente buscamos. E estamos dispostos a apostar qualquer quantia para que possamos tê-la, ou não tê-la, conforme o caso (sempre tem jeito!). Mas quando a agonia volta à superfície, como o tubarão do filme, da mesma forma que os nadadores ao seu alcance, mais uma vez ficamos presos em seus dentes. Em geral somos puxados pelas brigas em família, adolescentes, chefes, impostos do Governo, etc. Por que a vida não funciona como nos foi prometida? Ficamos apavorados diante da falência dos deuses moldados por nossas próprias mãos. Mas há um outro caminho.

Existe alguém que conhece você e que o ama. Há alguém que, definitivamente, fala dentro da escuridão. Ele conhece os jogos que jogamos e as vielas escuras que preferimos. Apesar disso, para aqueles que querem ouvir, Jesus quer falar. Sua voz é ouvida pelos humildes, aqueles que estão prontos para deixar o martelo e os pregos de sua própria construção (ou destruição), e ouvir o que Ele tem a dizer. Aqueles que têm um machado para o trabalho duro da sua própria bondade nunca o ouvirão falar. Então vá, ponha o machado de lado, se precisar, e ouça-O. Ironicamente, as primeiras palavras que Ele diz, são: Você te razão! Você tem razão em voltar à realidade espiritual para dar sustento à sua alma ressequida e enfatuada. Mas você está errado ao passar por cima de sua própria pecaminosidade. Primeiro, preciso conversar com você sobre "você". De fato, isto é como Jesus começa um de seus mais impressionantes sermões, chamado de "O Sermão da Monte", encontrado em Mateus cap. 5 a 7. Quero enfocar especialmente as primeiras quatro bem-aventuranças em 5:1-6, de forma a responder a questão sobre a verdadeira espiritualidade. Você tem razão em procurar por ela, mas eu o incentivo a escutar o que Cristo tem a dizer sobre isso. Aperte os cintos. A estrada é tortuosa, mas penso que você a julgará verdadeira. Finalmente, algum lugar para pousar os pés do seu coração.

Quando se vem a compreender a verdadeira espiritualidade, começa-se primeiro, pelo menos de acordo com Cristo, com um profundo entendimento de nós mesmos enquanto permanecemos diante de Deus. Pois Jesus Deus é o único que não é apenas santo, justo e distinto de Sua criação (que Ele ama e sustenta), mas Ele é também o Deus com a humildade no coração, aquele que ama os impossíveis de serem amados. Em Mateus 5:1-2 Jesus viu a multidão e então subiu a um monte e se assentou. A postura de um rabi se sentando indicava que ele ia ensinar. Reconhecendo isto, seus discípulos foram até Ele para ouvi-lO. Mais uma vez Jesus está tentando obter uma audiência conosco, para "sentar-se conosco" como fez, para que Ele possa conversar sobre nossa condição e a esperança que Ele oferece. A primeira bem-aventurança está em Mateus 5:3 e teria impacto sobre seus ouvintes originais - aqueles que sofriam sob a opressão romana - como um míssil disparado de algum lugar.

Ele diz Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus. A palavra bem-aventurado nesta bem-aventurança significa possuir e participar do reino dos céus, o reino de Deus, em seu viver diário. É maravilhar-se no dom da vida do poder transformador de Deus em seu passeio de cada dia pelo mundo. "Mas", diz Jesus - e esta é a parte onde todo bom pregador compartilhando esta verdade deve ter um pé no estribo - este tipo de poder e de experiência pessoal com Deus vem apenas para certo tipo de pessoa. Só aqueles que são pobres em espírito participam do reino dos céus. Então, o que Ele quer dizer quando fala "pobre em espírito"? Este é um assunto difícil.

Deixe-me começar por responder esta pergunta com uma negativa. Ser "pobre em espírito" não significa se tímido, retraído, ou desprovido de coragem. Não, de jeito nenhum! Coragem é aquela qualidade que dá confiabilidade à verdade, e propicia gestos valorosos no mundo. Não, pobre em espírito não pode ser traduzido por "desprovido de coragem". Aqueles que entendem dessa maneira, e muitos o fazem, fazem de si mesmos camundongos. Essas pessoas devem se lembrar daquelas palavras de alerta de Aneurian Bevan: "Não faça de si mesmo um camundongo, ou o gato o comerá."

E nem "pobre em espírito" é referência a algum tipo de falsa (ou diferente) humildade cristã. Indubitavelmente você já ouviu algum cara dizer que ele não tem tempo para comer, dormir, ou mesmo assistir TV com sua família. Tudo para o que ele tem tempo é para ler a Bíblia e orar. Este tipo de falsa humildade não é, de modo algum, aquilo que Jesus tem em mente por "pobre em espírito".

Ser "pobre em espírito" é enfrentar um fato importantíssimo, ainda que perturbador. O mui penoso reconhecimento de minha condição espiritual diante de Deus. Posso ter sido feito para um jardim, mas estou vivendo num deserto! De fabricação própria!

A Associated Press, em 04 de junho de 1961, contou a história de um submarino nuclear soviético que estava com problemas. O K-19, como era chamado, estava numa missão rotineira de treinamento no Atlântico Norte quando o tubo de resfriamento do reator quebrou. Imediatamente a temperatura do reator subiu a 140 graus e estava em perigo iminente de explodir e causar um desastre nuclear. O capitão Nicolai Zateyev imediatamente chamou voluntários. Equipados apenas com capas de chuva e máscaras de gás os primeiros voluntários entraram. Depois de cinco minutos o primeiro saiu, livrou-se de sua máscara, caiu no chão e vomitou. Várias equipes foram enviadas e, finalmente, o tubo foi selado.

Mas a radiação fizera seus estragos. A aparência dos homens que entraram no reator mudou. Suas peles ficaram avermelhadas e inchadas. Seus rostos foram queimados em enormes proporções. Gotas de sangue brotavam de suas testas. Os rostos dos marinheiros ficaram tão desfigurados que, dentro de duas horas, eles estavam repugnantes e irreconhecíveis a seus companheiros de navio. Eles ficaram desfigurados além da identificação.

É sobre isso que Jesus está falando. À vista de Deus, nossa falência espiritual, diametralmente oposto ao que pensa Shirley MacLaine, é abominável e repugnante. Não somos deuses. Somos a coisa mais distante disso. Nós estamos falidos. O pecado desfigurou nossas almas e fez uma completa devastação em nossas vidas.

A palavra "pobre" aqui evoca a idéia de um cego mendigo se escondendo nas sombras das ruas das cidades da Palestina. Diante de Deus, eu faço a mesma coisa. Estou falido, pura e simplesmente. É justamente como o profeta Isaías angustiantemente clamou: "Senhor, sou homem de lábios impuros e habito no meio dum povo de impuros lábios". Ou, nas palavras do apóstolo Paulo: "Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne." (NVI) Jesus diz que a verdadeira espiritualidade, participar e possuir o reino de Deus, significa reconhecer minha verdadeira condição.

Se conhecêssemos nossa condição miserável, poderíamos pensar duas vezes sobre os joguinhos que fazemos com Deus e nossos programas de auto-ajuda. A cruz - e com isso quero diz tudo: a morte/ressurreição/ascensão/descida do Espírito Santo - é a única solução. Deus não está no ramo de tornar homens bons em homens melhores, mas de tornar homens mortos em homens vivos! Vemos esse tipo de pecaminosidade ao qual Jesus se refere em nossa própria experiência. Vemos isso em nossas vidas pessoais e em nossos relacionamentos com os outros, os quais geralmente são tão cheios de stress que dificilmente alguém os chamaria de relacionamento.

Algum tempo atrás uma de nossas amigas esteve numa verdadeira enrascada. Ela nos contou sobre seu enteado que se metera numa grande confusão financeira. Seu marido, o pai biológico do garoto, percebeu a situação perigosa em que andava o filho, mas se sentiu impotente para fazer qualquer coisa a respeito. Além do mais o filho jogara dinheiro fora da mesma forma que contraíra uma dívida impressionante no cartão de crédito para alguém com menos de 20 anos. Mais ainda, simplesmente não podiam confiar nele. Em certa ocasião ele pegou o carro de sua madrasta sem pedir e o danificou - afirmando o tempo todo que a culpa não era sua. Mas, depois, mudou bruscamente e lhes pediu que assinassem junto com ele um contrato de aluguel para que pudesse arranjar um apartamento. Oh, esqueci de lhes dizer que ele foi despejado de seu apartamento anterior porque recentemente perdera outro emprego. Você assinaria o contrato? Exatamente. No entanto, ele não conseguia compreender, pois a vida era dele, por que eles não assinariam o contrato, sem mencionar o fato de que se ele saísse do contrato, eles não poderiam usufruir do apartamento durante a locação. E assim vai o rosário de exemplos sobre relacionamentos.

Nossa confusão acerca da natureza da verdadeira espiritualidade é tão reveladora quanto a confusão sobre relacionamentos mostrada pelo enteado de minha amiga. Para nós, a espiritualidade é mais uma questão de superstição, à la Nova Era, ou de alguma religião abracadabra, do que de fé genuína. Contra esta cultura transitória permanece a afirmação das Escrituras de que Cristo ressurgiu da morte e oferece vida e verdadeira experiência espiritual, mas isso começa com a percepção de que não apenas em minhas relações humanas estou falido, mas também em minha relação com Deus. Se Deus fosse cobrar Seus empréstimos, minha farsa seria mostrada como realmente é - uma casa em ruínas. Estou numa condição desesperadora. Não deixe que qualquer sensação de bem-estar por viver numa América confortável e unida o induza a pensar que está tudo bem. Não está tudo bem; alguma coisa está horrivelmente errada entre você e Deus, entre eu e Deus. Mesmo que você já seja cristão, há um sentido no qual você agrada a Deus agora, ou deveria, mas o pecado, uma vez que ainda tem influência sobre você, nos relembra de que a salvação ainda não foi concluída. Sua conclusão aguarda o glorioso dia em que Cristo porá um fim ao pecado de uma vez por todas.

Mas a verdadeira espiritualidade não acaba aqui. Não acaba com o reconhecimento de meu estado irremediável diante de um Deus santo. Isto é só o começo, mas um começo importante. Comece errado aqui, e você fará todo o restante errado. Essa é a razão pela qual a doutrina principal da filosofia da Nova Era, com seu foco em "somos deuses e não sabemos", é incrivelmente errada. Não é nada mais do que um gnosticismo um pouco mais público. Não tem nenhum poder explicativo quando chega à desordem de nossas vidas. Alguém se pergunta se a Nova Era e a religião popular não são justamente outras formas de escapismo. De qualquer modo este é o ponto onde Jesus inicia, mas, como digo, Ele não termina ali. Então Jesus passa para o verso quatro com outra receita de bênção.

Em Mateus 5:4 Jesus diz Bem aventurados os que choram, porque serão consolados. Você vê a ligação com aquilo que Jesus acabou de dizer no verso 3 sobre a nossa condição falida? Aqueles que reconhecem a natureza insidiosa de sua condição espiritual diante de Deus chorarão. Mas eles choram a respeito do quê exatamente? Chorar também é coerente com a solidão ou com a perda de alguma coisa. Primeiro, deixe-me dizer que não estamos falando sobre a espécie de tristeza que terei se o Dallas Stars perder na final do campeonato... outra vez. Lembra-se da grande Babilônia de Apocalipse 18 e de como o mundo lamentará sua destruição na grande tribulação? Este também não o tipo de pranto sobre o qual estamos falando.

Estamos falando sobre o pranto da minha situação espiritual diante de Deus. Ela está dizendo: Oh! Deus, não olhe para mim. É como Pedro: "Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador!" Todos nós ressoamos as palavras do Apóstolo Paulo: "Desventurado homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Senhor, não entendo o que faço. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço." Esse é o tipo de pranto que Jesus tem em mente.

Dwight D. Eisenhower é citado por dizer: "Não existe nada de errado com a América que a fé, o amor à liberdade, a inteligência e a força de seus cidadãos não possam curar." Certa vez alguém disse: "Quando a princípio você não for bem sucedido, lembre-se das últimas letras de American!NT" Vivemos no mundo do "posso fazer", mas quando isso se refere a modificar nossa condição espiritual somos impotentes. Só podemos chorar. Nenhuma folha de figueira cobrirá a culpa de nosso pecado e com isso somos instruídos a não nos esconder. Sem mais esconderijos. A verdade é: "Caímos e não podemos nos levantar!" Mas repare: Não é simplesmente uma questão de estar quebrado, mas estar quebrado no lugar certo, que é experimentar nossa corrupção à vista de um Deus santo.

Há uma foto assustadora de Alain Keler, matéria da Revista Life de outubro de 1993. É de um garoto tocando uma flauta. Apesar do garoto, chamado Jensen, ter apenas 10 anos de idade, mesmo assim ele consegue tocar algumas canções muito tristes. Pois quando você olha para seus olhos, ou onde quer que seus olhos estejam debaixo de sua longa franja escura  você vê apenas vermelhidão, buracos vazios. Jensen vive numa instituição de caridade em Bogotá, Colômbia.

A cegueira é sempre trágica, mas a causa da cegueira neste caso apenas aumenta a tristeza. No texto ao lado da foto Robert Sullivan explica que o garoto provavelmente foi vítima de "seqüestradores de órgãos". Ladrões de olhos.

Quando Jensen tinha 10 meses de idade, conta sua mãe, ela o levou ao hospital com uma diarréia aguda. Quando ela retornou no dia seguinte, bandagens cobriam os olhos de Jensen. Havia sangue seco respingado em seu corpo. Horrorizada, ela perguntou ao médico o que tinha acontecido.

Ele respondeu asperamente: "Não vê que seu filho está morrendo?" e a despachou.

Rapidamente ela levou Jensen a outro hospital em Bogotá. Depois de examiná-lo, o outro médico deu-lhe a fria notícia: "Roubaram os olhos dele". Indubitavelmente sua mãe foi tomada pela dor. Uma trágica história verdadeira.

Posso sugerir a vocês que, apesar disso não ter acontecido conosco, ainda assim fazemos parte desta história de pelo menos duas maneiras. Primeiro, somos como aquele garotinho que teve seus olhos roubados. O fato é que não podemos ver, o pecado roubou de nós essa habilidade. Segundo, somos como a mãe que, indubitavelmente, lamentou por seu filho, e assim também devemos lamentar com a mesma emoção sobre a nossa condição espiritual. Somos espiritualmente cegos e incapazes de compreender a extensão de nossa depravação. Quando encaramos nossa falência e, pela graça de Deus, chegamos a ver nossa condição desesperadora, devemos lamentar, não nos regozijar. Definitivamente não devemos correr e nos esconder atrás da religião, do cristianismo ou de qualquer outra coisa.

Você diz "Bem, sou cristão, Deus tomou conta de tudo isso e você está diminuindo a cruz e a obra do Espírito ao negar essa verdade!" Realmente, mas então por que você ainda luta contra o pecado? Por que é que tudo nos Evangelhos do Novo Testamento e nas cartas foi escrito para igrejas que lutavam contra pensamentos e atitudes pecaminosas e outras coisas relacionadas? Somos necessariamente melhores do que eles foram? Por que a história da igreja relata mais lutas que vitórias? Deixe-me lhes mostrar algo nas bem-aventuranças que talvez não tenham visto antes. A primeira e a última bem-aventuranças, nos versos 3 e 10, estão no tempo presente. Em relação àqueles que confiam em Cristo, que admitem sua própria bancarrota e se voltam para Ele, eles tomam posse do reino dos céus agora. Contudo, inerente ao conceito de "reino dos céus", é a sua completa realização no futuro (cf. Mateus 8:10-12). Ainda que agora tomemos posse do reino de maneira limitada, algum dia experimentaremos a consumação do reino e será então que toda lágrima será removida e as primeiras coisas (debaixo do pecado) finalmente serão tratadas (Apocalipse 21:3-4). Assim, ainda lutamos no presente. Certas bênçãos como "herdar a terra", "ver a Deus", e "entender nossos plenos direitos como "filhos de Deus", podem ser claramente entendidas ao se ter uma compreensão significativa do futuro no reino de Deus. De fato, todos elas!

Jesus diz que aqueles que choram por causa de sua pecaminosidade serão consolados. Quando admitimos nossa pecaminosidade, Jesus diz que há "consolo". Para aquele que reconhece seu pecado e sua falência espiritual, e lamenta sobre ela, esta pessoa experimentará o primeiro aspecto do reino, chamado consolo - consolo de Deus por meio do Espírito Santo que verdadeiramente conhece nossa desesperadora necessidade. É aqui que encontramos o benefício da cruz antecipado no sermão do monte. É aqui que entra a idéia de perdão. "Perdão", diz Mark Twain, "é a fragrância que a violeta derrama no calcanhar ferido". Sentiremos isso através do perdão de nossos pecados. Na Bíblia, não tem outro jeito.

Vamos rever. Verdadeira espiritualidade, diz Jesus, começa por abraçar nossa falência espiritual diante de um Deus santo. Isso está em Mateus 5:3. Não há nada que possamos fazer ou realizar por nós mesmos que seja espiritualmente aceitável para Deus, nem há qualquer coisa que nós possamos fazer para saciar Sua ira. Jesus diz que chorar combina com aqueles que estão nesta condição e que então Deus nos consolará. Isso está em Mateus 5:4. Aqueles que conhecem sua pecaminosidade e lamentam sobre ela serão mansos. Este é o ponto

Em Mateus 5:5 Jesus diz: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra." Mas, mansidão se refere a quê? Um pastor foi cumprimentado por uma mulher à porta da igreja após o culto, a qual o agradeceu pelo bom sermão, ao que ele respondeu muito humildemente: "Não me agradeça, agradeça a Deus." Isso não é mansidão. De fato, acho que a mulher percebeu que sua presunção não era verdadeira mansidão, pois rapidamente respondeu: "Bem, não foi esse bom." Mansidão e docilidade são idéias próximas desde que a docilidade seja caracterizada como força sob controle. Há muitos exemplos nas Escrituras dessa almejada característica.

O primeiro exemplo vem da vida de Abraão. Em Gênesis capítulo 13, ele e Ló tiveram um conflito. Realmente suas manadas e rebanhos estavam se ficando muito grandes e a terra não podia suportá-los. Além disso, os cananeus e os ferezeus também estavam vivendo na terra naquela época. Sobreveio uma disputa entre os pastores de Abraão e de Ló. Ora, Abraão deveria ter ido a Ló, sendo o mais velho, e dito: "Você não sabe que Deus prometeu essa terra prá mim? Então, fico com esta terra (quer dizer, a melhor parte), e você pode ter qualquer coisa que eu não precise." Mas, isso foi exatamente o que Abraão não fez. Em vez disso ele foi até Ló e pediu que não houvesse disputa entre eles, porque eram irmãos (Gênesis 13:8). Basicamente, Abraão lhe disse, em 13:9: "pegue o que quiser e eu ficarei com o que sobrar." Assim, naturalmente, Ló pegou toda a planície bem regada próxima ao Jordão. A atitude de Abraão, em conseqüência de sua confiança em Deus, foi de mansidão. Ele preferiu não exercer aquilo que parecia ser sua prerrogativa.

Penso também no exemplo de Davi quando teve uma grande oportunidade para destruir seu inimigo, Saul. Contudo, ele preferiu não fazê-lo. Há também um profundo exemplo do próprio Jesus, que afirmou em Mateus 11:28-30:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve."

Quando Jesus se refere a Si mesmo como dócil, é o mesmo termo grego encontrado em Mateus 5:5. Jesus é manso e humilde de coração. Quando Mateus quer caracterizar a pessoa e o ministério de Jesus, ele cita Isaías 42:1-4, onde o texto diz:

"Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele, ele trará justiça sobre as nações. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na rua. A cana trilhada, não a quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade trará a justiça; não faltará nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei."

Que belo retrato de nosso Senhor e de Seu jeito com as pessoas. Jesus coloca este tipo de mansidão sobre nós e esse é o significado da mansidão que é dita por nosso Senhor em Mateus 5:5. Assim, a mansidão é uma conseqüência nas vidas daqueles que podem ser descritos pelas duas primeiras bem-aventuranças. E, aqueles que são mansos, herdarão a terra. Enfim, isto provavelmente se refere aos novos céus e a nova terra, como o exemplo antecipado em 19:28, a regeneração de todas as coisas. A idéia de que aqueles que fossem mansos herdariam o reino desta forma teria causado espanto aos ouvintes de Jesus, tanto quanto nos espanta quando a ouvimos. O reino de Deus e suas maneiras são, em muitos aspectos, estranhos aos nossos pensamentos.

Mas Jesus ainda vai adiante com outra bem-aventurança, e a última que veremos neste debate: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos." Fome e sede são uma poderosa metáfora conduzindo à mais profunda justiça. Elas expressam um clamor interno de cada alma pela própria vida. Aqui o Mestre pega uma experiência da vida diária dos palestinos (de fato, da vida comum de todos os tempos e de todas as épocas, num grau ou outro), que é a dolorosa experiência da fome e da sede, e as usas como uma luz para esclarecer os anseios da alma por um significativo contato com Deus e Sua vontade em suas vidas. Jesus já relacionou o desejo por comida com o desejo por Deus em Mateus 4:4: "Nem só de pão o homem viverá, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus." Essa é uma experiência dolorosa para os realmente famintos e sedentos. Mas Jesus diz para a pessoa que compreendeu sua falência, lamentou sobre ela e recebeu o perdão, que ela será mansa e faminta por mais disso, mais justiça, tanto em sua própria vida quanto na dos outros. O salmista clamou: "A minha alma tem sede do Deus vivo." (42:2, 63:1), e Amós no capítulo 8 fala sobre a fome pela Palavra de Deus.

Vemos esta atitude no apóstolo Paulo em Filipenses 3:7-11:

"Quanto ao zelo, persegui a igreja; quanto à justiça que há na lei, fui irrepreensível. Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos."

Que paixão por Deus! Que emoção conhecê-lo através de Seu Filho! Que fome e sede pela justiça de Deus, a justiça que vem através de Cristo e é imputada e transmitida pela fé.

Depois de dois anos de casamento minha esposa e eu estávamos prontos para ter um filho. Como todos os novos casais, aprendemos mais tarde que apenas pensávamos que estávamos prontos para ter um filho. De qualquer forma, não foi antes de nossa trouxinha de alegria de 3,240 kg vir ao mundo. Nunca vou me recuperar por assistir ao nascimento (e dos outros três subseqüentes). Que milagre de Deus! Chamamos nossa pequenina de faces rosadas de Emily. Bem, um dia  um sábado  "mamãe" precisava de uma trégua e então decidiu ir às compras com sua sogra. Fiquei em casa para olhar Emily, agora uma bem desenvolvida garotinha de 3 semanas!

Por favor, não me entendam mal, eu amo meus filhos; eu os amo desde o dia em que nasceram. Mas esta era minha primeira filha. Assim, quando minha esposa quis me deixar sozinho com ela, pensei comigo mesmo "Não sei se isso é uma boa idéia. Quero dizer, não sou expert nesse tipo de coisa, você sabe." Mas minha esposa me acalmou e finalmente pensei: "O que poderia machucá-la?" Afinal, de qualquer forma, Emily dorme o tempo todo. Certamente não posso bagunçar tudo e fazer algo errado. Então minha esposa me deu todas as instruções, disse adeus, e me deixou a sós com Emily. Puxei o pequeno berço onde ela ficava para perto de minha cadeira, liguei a TV, e continuei a assistir ao golfe. Era uma tarde monótona de sábado e achei que só me sentaria ali e assistiria ao golfe. Amo assistir jogo de golfe. Todo mundo não ama?

De qualquer maneira, mais ou menos uns 30 minutos depois que minha esposa saiu, ouvi um pequeno soluço vindo do berço de Emily. Um soluço de recém-nascido, eu acho. Um minuto mais tarde ouvi outro soluço. Logo os soluços se tornaram cada vez mais próximos, um após o outro. Começaram a ficar mais e mais altos, soando mais como choro mesmo. Estendi as mãos para pegar Emily e consolá-la. Segurei-a em meus abraços e gentilmente embalei-a prá cima e prá baixo. Bem, foi pior. Então embalei-a para os lados. Bem, não funcionou também. Logo ela estava chorando muito forte, seus lábios estavam roxos, e eles estavam realmente "fazendo onda". Finalmente "caiu a ficha" e entendi o que estava acontecendo. Ela estava com fome. E não havia nada que eu pudesse fazer por ela. Minha esposa a alimentara mais cedo pensando que Emily ficaria bem até que ela voltasse das compras. Mas ela não ficou e aos olhos de Emily fui carinhosamente intitulado de "não é a mamãe". E não ia ser.

Recordo-me dessa experiência feliz por dizer que tanto Emily quanto eu passamos por ela, e me lembro da paixão que Emily tinha por seu "alimento" da "mamãe". Pergunto-me quantos de nós têm esse tipo de paixão quando pede pelo "alimento" de Deus, para ouvir Sua voz e desejar que Ele crie em nós um coração justo. Pedro diz que devemos ser como bebês recém-nascidos desejando o genuíno leite espiritual da Palavra de Deus para que através dele possamos crescer em nossa salvação, agora que experimentamos que o Senhor é bondoso (I Pedro 2:1-3). Vamos ser famintos e sedentos de justiça para que possamos receber ampla provisão de Deus. Ele nos fartará de justiça se a desejarmos (cf. Mateus 6:33).

Assim, o que é a verdadeira espiritualidade, de acordo com Jesus e seu ensino no Sermão do Monte, ou seja, as quatro primeiras bem-aventuranças? Bem, em resumo, envolve um relacionamento com um Deus santo que nos ama. Mas, este amor não pode ser experimentado longe de certos reconhecimentos. Primeiro, precisamos nos lembrar de nossa condição irremediável diante Dele. Não estou dizendo que você não pode ser um bom banqueiro, advogado, médico, engenheiro ou qualquer outra coisa longe de Cristo. Você pode. Mas você não pode desfrutar do conhecimento pessoal de Deus a não ser através de Cristo (João 14:6). E isto vem pelo reconhecimento de nossa falência espiritual. Não posso ter a Deus em meus próprios termos. Devo chegar a Ele em Seus termos.

Segundo, de acordo com Jesus, a coisa espiritualmente natural a fazer quando reconheço meu estado pecaminoso é lamentar sobre ele e não tentar me esconder de alguma forma, isto é, sendo uma boa pessoa, indo à igreja, desistindo de todas as coisas, mas dispensando a Cristo, não importa o que seja. Deus nos ajude a encarar quem somos e a responder apropriadamente com fé.

Terceiro, abraçar quem sou diante de Deus leva à mansidão e a mais fome e sede de justiça. Não podemos divorciar a verdadeira espiritualidade do princípio da mansidão e da justiça pessoal e para com as outras pessoas.

Esta é a verdadeira espiritualidade. Pelo menos, o começo dela. Jesus também continua, falando sobre ser "puro de coração", "misericordioso", "pacificador" e "perseguido por causa da fé". Talvez possamos discutir estes da próxima vez.

 

Tradução: Mariza Regina de Souza

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