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Saul Perde o Juízo (I Samuel 22:5-23:14)

Introdução

Um amigo conta a história de um senhor que se queixava daquelas coisas que aparecem com a idade. “Não me incomoda ter que tirar os óculos à noite. Também não me incomoda ter que tirar meus dentes para dormir. E também meu aparelho auditivo, que coloco no criado-mudo ao lado da cama. Não sinto falta de uma boa visão, de bons dentes, nem de um bom ouvido - mas de uma coisa sinto falta: da minha memória!”

Alguns de nós que ainda não chegaram a este ponto poderiam estranhar se começassem a perder a memória. Se alguém devia estar “perdendo a memória”, esse alguém é o rei Saul. A essa altura de sua vida ele já estava com alguns problemas. Ele ficou encantado quando encontrou Davi para tocar harpa e acalmar seu espírito atribulado (16:14-23). Também se regozijou grandemente quando Davi enfrentou Golias e o venceu (capítulo 17, ver também 19:5). Mas, quando as mulheres israelitas começaram a celebrar, dando a Davi maior honra do que a ele, o rei começou a ver Davi com desconfiança (18:6-9). Rapidamente dominado pelo ciúme, tentou matá-lo de forma a não ficar mal diante do povo (18:10-29). Pouco tempo depois, ordenou a seus servos que o matassem (19:1). Jônatas o dissuadiu de seus planos por algum tempo (19:1-7), mas isto não durou muito. Logo Saul estava arremessando sua lança em seu próprio filho (20:33). Deus poupou a vida de Davi de várias formas, mas, finalmente, foi necessário que ele fugisse da presença do rei. Primeiro ele fugiu para Aimeleque, o sumo sacerdote, que consultou o Senhor para ele (22:10, 15) e lhe deu um pouco do pão sagrado, junto com a espada de Golias (21:1-9). Nosso texto descreve as conseqüências que se seguem a este episódio.

Quando chegamos ao capítulo 22, vemos um rei que perdeu totalmente o juízo, mentalmente falando. Em seu estado, Saul seria admitido em qualquer hospício. Seus ataques de depressão e de ciúmes parecem cada vez mais intensos e mais freqüentes. Agora parece que seu estado é de constante medo e ciúmes, com breves lampejos de sanidade. Em nosso texto, Saul chega ao auge de sua depressão, pois seu medo de Davi o leva a matar pessoas inocentes. Sua fúria ciumenta o faz ordenar a morte de todos os sacerdotes, algo quase inconcebível.

Nas instruções dadas anteriormente a Israel e seu rei, sobre seu papel e responsabilidade no governo da nação, encontramos estas instruções acerca dos sacerdotes:

“Quando alguma coisa te for difícil demais em juízo, entre caso e caso de homicídio, e de demanda e demanda, e de violência e violência, e outras questões de litígio, então, te levantarás e subirás ao lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher. Virás aos levitas sacerdotes e ao juiz que houver naqueles dias; inquirirás, e te anunciarão a sentença do juízo. E farás segundo o mandado da palavra que te anunciarem do lugar que o SENHOR escolher; e terás cuidado de fazer consoante tudo o que te ensinarem. Segundo o mandado da lei que te ensinarem e de acordo com o juízo que te disserem, farás; da sentença que te anunciarem não te desviarás, nem para a direita nem para a esquerda. O homem, pois, que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao SENHOR, teu Deus, nem ao juiz, esse morrerá; e eliminarás o mal de Israel, para que todo o povo o ouça, tema e jamais se ensoberbeça.” (Dt. 17:8-13)

O rei Saul está prestes a matar não somente um sacerdote, mas a executar todos eles e suas famílias - a despeito das palavras dadas por Deus sobre o respeito e obediência aos sacerdotes. Vamos prestar atenção ao nosso texto para ver como Saul chegou tão baixo em sua vida e em sua liderança, enquanto vemos também o que Deus tem a nos ensinar.

A Orientação Profética
(22:5)

“Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques neste lugar seguro; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi saiu e foi para o bosque de Herete.”

Parece que, quando Davi vai até Aimeleque, o sumo sacerdote, uma de suas intenções é obter orientação divina. Pelo menos é isso o que Doegue diz a Saul, e Aimeleque parece confirmar (22:10; 15). Uma vez que Davi oculta o fato de estar fugindo de Saul, não se sabe qual orientação ele recebeu de Aimeleque. No entanto, sabemos que depois disto ele foge do país. Primeiro ele vai a Gate, de onde é expulso por agir como doido (21:10-15); depois para a caverna de Adulão (22:1-2), e então para Moabe (22:3-4), onde deixa seu pai e sua mãe, talvez se escondendo num lugar seguro.

Como Melquisedeque em Gênesis 14, o profeta Gade surge do nada e instrui Davi a não ficar nesse lugar seguro, mas a entrar no território de Judá. Se entendo corretamente, ele diz a Davi para parar de se esconder fora do território de Israel. Davi deve encontrar abrigo em Israel, especificamente no território de sua própria tribo, Judá. Afinal, Judá é a primeira tribo a reconhecer Davi como rei (II Samuel 2:4). Davi obedece, fazendo do bosque de Herete o seu esconderijo. O lugar exato deste bosque não é muito claro, mas, pela leitura de II Samuel 18:8, é um lugar perigoso, onde Saul e seus homens relutarão em entrar. Este bosque parece ser para Davi e seus homens o que foi a floresta de Sherwood para Robin Hood e seu bando.

Faltam Informações a Saul e Ele as Obtém de Doegue, o Edomita
(22:6-10)

“Ouviu Saul que Davi e os homens que o acompanhavam foram descobertos. Achando-se Saul em Gibeá, debaixo de um arvoredo, numa colina, tendo na mão a sua lança, e todos os seus servos com ele, disse a todos estes: Ouvi, peço-vos, filhos de Benjamim, dar-vos-á também o filho de Jessé, a todos vós, terras e vinhas e vos fará a todos chefes de milhares e chefes de centenas, para que todos tenhais conspirado contra mim? E ninguém houve que me desse aviso de que meu filho fez aliança com o filho de Jessé; e nenhum dentre vós há que se doa por mim e me participe que meu filho contra mim instigou a meu servo, para me armar ciladas, como se vê neste dia. Então, respondeu Doegue, o edomita, que também estava com os servos de Saul, e disse: Vi o filho de Jessé chegar a Nobe, a Aimeleque, filho de Aitube, e como Aimeleque, a pedido dele, consultou o SENHOR, e lhe fez provisões, e lhe deu a espada de Golias, o filisteu.”

Confesso que às vezes me deixo levar pela imaginação. Quando leio que Saul está sentado debaixo de uma árvore com a lança na mão, não consigo deixar de pensar quais os tipos de arma que ele teria se vivesse hoje em dia. Consegue imaginá-lo com um par de pistolas automáticas no coldre, uma espingarda dupla de cano curto e uma uzi nas mãos? Este cara é paranóico. Ele parece jamais estar sem sua lança ou o que parece ser uma legião de guarda-costas.

Ele parece achar que o mundo todo está contra ele e a favor de Davi. O termo conspirastes aparece duas vezes em nosso texto (nos versos 8 e 13). Nos versos 6 a 10, Saul se comporta como uma espécie de Rodney Dangerfield, que lamenta e choraminga porque ninguém “o respeita”. Literalmente ele acusa todo mundo de fazer parte dum plano sinistro contra ele, quando, na realidade, Deus é quem está tirando seu reino, devido ao seu próprio pecado (ver 13:8-14; 15:1-31). Tendo em vista o sentimento de culpa lançado por Saul sobre seus servos, Doegue o informa sobre a visita de Davi a Aimeleque e a inocente concessão deste ao pedido de Davi.

Não é nenhuma surpresa que Saul acuse Davi de conspirar contra ele. Afinal, é isso que ele pensa. Mas Saul não tem razão para acusá-lo. Davi não está “armando alguma cilada”, como ele afirma (22:8;13), esperando o momento oportuno para por fim à sua vida. Davi se esconde procurando se esquivar de Saul e escapar de suas tramas para matá-lo.

O que é espantoso nestes versos são as acusações feitas por Saul contra seu próprio filho, Jônatas. Devido à aliança de Jônatas com Davi, não ficaríamos surpresos se lêssemos que Saul o acuse de ser enganado, de ser recrutado por Davi, para se juntar a ele numa conspiração. Mas Saul acusa Jônatas de corromper Davi, de instigá-lo contra ele (22:8). Esta acusação tem um peso impressionante. A “conspiração” contra ele, se investigada a fundo, tem sua origem em Jônatas, não em Davi. Saul perdeu o juízo.

Mas a teoria da conspiração vai ainda mais além. Saul não acusa somente Jônatas e Davi de conspirarem contra ele, ele também acusa seus servos - todos eles! Saul está rodeado por seus servos enquanto se senta debaixo do arvoredo próximo à sua casa em Gibeá (verso 6). Ele começa por relembrá-los sobre a natureza dos políticos e dos favores decorrentes da vitória e do poder. Como recompensa por sua lealdade a ele, os Benjamitas receberam propriedades e autoridade como favor político. Será que eles pensam que, quando Davi se tornar rei, eles desfrutarão desses mesmos privilégios? É claro que não. Agora o ponto alto do momento - Saul faz com que se lembrem que eles são seus devedores. Ele quer retribuição - quer que o informem sobre o paradeiro de Davi. Ele diz que, ficando silêncio e ocultando qualquer informação sobre Davi e seu paradeiro, eles estão se unindo a ele na conspiração. Doegue, o edomita, acha que esta é uma ótima razão para transmitir a Saul aquilo que viu em Nobe.

Doegue acabou de ver Davi. Enquanto estava em Nobe, ele o viu chegar e tratar com o sumo sacerdote, Aimeleque. O sumo sacerdote consultou o Senhor para ele e também lhe deu do pão sagrado e a espada de Golias, a qual estivera guardando. Todas estas coisas são verdadeiras, mas o que Doegue não diz (talvez não soubesse) é que Davi não disse a Aimeleque que estava fugindo de Saul. Ele não revelou ao sumo sacerdote qualquer coisa que o tornasse um conspirador contra Saul. Mas Saul não está interessado em saber a verdade. Ele está cego de ciúmes e do desejo de se livrar de qualquer um que ache que é uma ameaça ao seu trono.

O Massacre de Nobe
(22:11-23)

“Então, o rei mandou chamar Aimeleque, sacerdote, filho de Aitube, e toda a casa de seu pai, a saber, os sacerdotes que estavam em Nobe; todos eles vieram ao rei. Disse Saul: Ouve, peço-te, filho de Aitube! Este respondeu: Eis-me aqui, meu senhor! Então, lhe disse Saul: Por que conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé? Pois lhe deste pão e espada e consultaste a favor dele a Deus, para que se levantasse contra mim e me armasse ciladas, como hoje se vê. Respondeu Aimeleque ao rei e disse: E quem, entre todos os teus servos, há tão fiel como Davi, o genro do rei, chefe da tua guarda pessoal e honrado na tua casa? Acaso, é de hoje que consulto a Deus em seu favor? Não! Jamais impute o rei coisa nenhuma a seu servo, nem a toda a casa de meu pai, pois o teu servo de nada soube de tudo isso, nem muito nem pouco. Respondeu o rei: Aimeleque, morrerás, tu e toda a casa de teu pai. Disse o rei aos da guarda, que estavam com ele: Volvei e matai os sacerdotes do SENHOR, porque também estão de mãos dadas com Davi e porque souberam que fugiu e não mo fizeram saber. Porém os servos do rei não quiseram estender as mãos contra os sacerdotes do SENHOR. Então, disse o rei a Doegue: Volve-te e arremete contra os sacerdotes. Então, se virou Doegue, o edomita, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou, naquele dia, oitenta e cinco homens que vestiam estola sacerdotal de linho. Também a Nobe, cidade destes sacerdotes, passou a fio de espada: homens, e mulheres, e meninos, e crianças de peito, e bois, e jumentos, e ovelhas. Porém dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, um só, cujo nome era Abiatar, salvou-se e fugiu para Davi; e lhe anunciou que Saul tinha matado os sacerdotes do SENHOR. Então, Davi disse a Abiatar: Bem sabia eu, naquele dia, que, estando ali Doegue, o edomita, não deixaria de o dizer a Saul. Fui a causa da morte de todas as pessoas da casa de teu pai. Fica comigo, não temas, porque quem procura a minha morte procura também a tua; estarás a salvo comigo.”

Depois de Saul intimidar seus servos, Doegue revela que Davi foi até Aimeleque, o sumo sacerdote, o qual consultou o Senhor para ele e lhe deu do pão sagrado e a espada de Golias. Saul ouviu tudo o que achava necessário saber. Em sua cabeça, não só Aimeleque, mas todos os sacerdotes fazem parte da “conspiração” contra ele. Aimeleque e os sacerdotes são convocados para comparecer diante dele. Duvido que você e eu possamos sequer imaginar o clima nefasto deste encontro. Vivemos num país onde o Presidente pode ser questionado, ter oposição e até mesmo ser removido do cargo. Quando ele fala, seus oponentes podem vaiá-lo sem medo. Não é assim na corte de Saul.

Recentemente li um artigo que descrevia o terror habilmente produzido por Joseph Stalin no coração de seus ministros.

Os jantares de Stalin no Kremlin duravam a noite toda. Ele se sentava numa longa mesa e forçava seus ministros e camaradas a beber, hora após hora, enquanto os enredava, sondava, bajulava e aterrorizava. De madrugada, quando suas mentes já estavam entorpecidas de medo, vodca e confusão, o NKVD poderia levar um ou dois deles, sem nenhuma explicação, para ser eliminado. Era um tipo de estudo de laboratório sobre paranóia: para toda ação existe uma reação contrária de mesma força e intensidade (no caso do Kremlin, ligeiramente desiguais). Paranóia induz à paranóia. Stalin desviava o medo através do álcool, e depois presidia um jogo psicológico mútuo que terminava em morte.

Uma coisa é ter um louco no poder, a quem você pode refrear e até mesmo destituir. Outra é ter um louco como ditador, alguém como Stalin, Nero ou Hitler. Tais homens detêm o poder absoluto. Eles podem fazer o que quiserem, mesmo que isto seja irracional e insano, sem que alguém que os detenha. Assim é com Saul. Saul está louco e não tem ninguém que o detenha. Saul imagina que Davi, Jônatas e até mesmo seus servos sejam conspiradores? Quem há para corrigi-lo? Agora, esse doido tem uma audiência com todo o sacerdócio. Na ocasião, não serão os sacerdotes que julgarão Saul, mas ele os julgará. Podemos apenas tentar imaginar o clima de terror desse momento, a terrível sensação de medo que devem sentir todos os que estão diante de Saul.

Saul mostra seu desdém por Davi e Aimeleque pela forma como se dirige a eles. Ele os chama pelo nome de seus pais: “o filho de Jessé” (verso 8) e “o filho de Aitube” (verso 12). No pecado descrito no capítulo 13, quando Saul oferece o holocausto, ele se faz igual a Samuel. Aqui, ao tratar com Aimeleque e os outros sacerdotes, Saul se faz superior a eles. Ele não busca a verdade, mas rapidamente condena os sacerdotes como traidores do trono. Ele não pergunta se Aimeleque o traiu, mas por que (verso 13).

Aimeleque responde com extraordinário equilíbrio. Ele não aproveita a oportunidade para culpar Davi por tê-lo enganado, o que Davi realmente fez. Pelo contrário, Aimeleque permanece diante de Saul, falando a favor de Davi, e relembrando ao rei que Davi não é apenas seu servo mais leal, mas também um homem honrado pelo povo, a quem Saul promoveu a posições de autoridade e poder. Se nada disso importa, pelo menos Saul deve se lembrar de que Davi é seu genro (verso 14).

Aimeleque também fala em sua defesa e a favor de todos os sacerdotes convocados por Saul.

Aimeleque realmente ajudou Davi ao consultar o Senhor para ele e ao lhe dar do pão sagrado e a espada de Golias. Ele não o ajudou intencionalmente em qualquer ato de conspiração. E o fato de tê-lo ajudado não é nada de novo ou inédito, muito menos inadequado. Certamente não foi a primeira vez que Davi lhe pediu para consultar o Senhor. Por isso, podemos deduzir que Davi, com freqüência, procurava orientação divina ao sair em missão para o rei. Saul não deveria ver esta visita de Davi, ou a concessão de Aimeleque, como algo extraordinário ou proibido.

Aimeleque está com a razão e Saul fica furioso. O rei pronuncia a sentença de morte, não apenas para Aimeleque, mas para todos os sacerdotes que reuniu. Parece que esta era sua intenção desde o princípio. Ele ordena aos guardas de prontidão que matem os sacerdotes. Não importa o quanto estes homens temam Saul, eles não estão dispostos a matar os sacerdotes. Deve ter sido um momento muito doloroso, quando todos ficam imóveis, se recusando a cumprir as ordens de Saul.

Mas Saul não será demovido de sua decisão. Ele se vira para Doegue, o edomita, e lhe ordena que destrua os sacerdotes, o que ele faz. Agora Saul irá matar o “rei dos judeus” (Davi) e qualquer um que o apóie (como os sacerdotes), e pedirá a ajuda dos gentios se for necessário. Doegue mata 85 sacerdotes naquele dia, mas isto não é o bastante para Saul. Ele vai, então, a Nobe, a cidade dos sacerdotes, e continua a aniquilar as famílias e até mesmo o gado dos sacerdotes. É impressionante! Saul, aquele que não teve zelo para matar os amalequitas, mesmo tendo sido ordenado por Deus, agora é zeloso para matar os sacerdotes e seu gado, embora proibido por Deus. Até onde vai a decadência de Saul?

Apenas um sacerdote, Abiatar, sobrevive e corre até Davi para lhe contar o que Saul fez aos sacerdotes. Davi assume total responsabilidade, admitindo que vira Doegue em Nobe, e que sabia que esse homem provavelmente falaria a Saul sobre sua visita. Não há nada que Davi possa fazer por aqueles que foram assassinados, mas ele oferece refúgio a Abiatar.

Davi Salva Queila
(23:1-14)

“Foi dito a Davi: Eis que os filisteus pelejam contra Queila e saqueiam as eiras. Consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus? Respondeu o SENHOR a Davi: Vai, e ferirás os filisteus, e livrarás Queila. Porém os homens de Davi lhe disseram: Temos medo aqui em Judá, quanto mais indo a Queila contra as tropas dos filisteus. Então, Davi tornou a consultar o SENHOR, e o SENHOR lhe respondeu e disse: Dispõe-te, desce a Queila, porque te dou os filisteus nas tuas mãos. Partiu Davi com seus homens a Queila, e pelejou contra os filisteus, e levou todo o gado, e fez grande morticínio entre eles; assim, Davi salvou os moradores de Queila. Sucedeu que, quando Abiatar, filho de Aimeleque, fugiu para Davi, a Queila, desceu com a estola sacerdotal na mão. Foi anunciado a Saul que Davi tinha ido a Queila. Disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos; está encerrado, pois entrou numa cidade de portas e ferrolhos. Então, Saul mandou chamar todo o povo à peleja, para que descessem a Queila e cercassem Davi e os seus homens. Sabedor, porém, Davi de que Saul maquinava o mal contra ele, disse a Abiatar, sacerdote: Traze aqui a estola sacerdotal. Orou Davi: Ó SENHOR, Deus de Israel, teu servo ouviu que Saul, de fato, procura vir a Queila, para destruir a cidade por causa de mim. Entregar-me-ão os homens de Queila nas mãos dele? Descerá Saul, como o teu servo ouviu? Ah! SENHOR, Deus de Israel, faze-o saber ao teu servo. E disse o SENHOR: Descerá. Perguntou-lhe Davi: Entregar-me-ão os homens de Queila, a mim e aos meus servos, nas mãos de Saul? Respondeu o SENHOR: Entregarão. Então, se dispôs Davi com os seus homens, uns seiscentos, saíram de Queila e se foram sem rumo certo. Sendo anunciado a Saul que Davi fugira de Queila, cessou de persegui-lo. Permaneceu Davi no deserto, nos lugares seguros, e ficou na região montanhosa no deserto de Zife. Saul buscava-o todos os dias, porém Deus não o entregou nas suas mãos.”

Os servos de Davi lhe trazem a notícia de que Queila está sob o ataque dos filisteus. Na realidade, a responsabilidade de lidar com os filisteus é de Saul (I Sam. 9:16), mas ele está mais interessado em matar israelitas do que em lidar com os invasores filisteus. Numa reação bem mais nobre, Davi se sente na obrigação de ir em socorro de seus irmãos israelitas e procura orientação divina para saber de deve travar, ou não, batalha com os filisteus. O Senhor o instrui a atacá-los e libertar Queila.

Os homens de Davi ficam inquietos com a decisão de enfrentar os filisteus e dizem a ele. Sua apreensão não é muito difícil de entender. Afinal, este pequeno exército de 600 homens (23:13) não é um grupo de soldados altamente treinados, mas um grupo desconjuntado de homens descontentes que fugiram de Saul (22:2). A maioria deles uniu forças a Davi quando ele se escondia na caverna de Adulão. Esta caverna provavelmente ficava em território filisteu, ou bem próximo à fronteira do território de Israel. Dali Davi e seus homens foram para Moabe, onde se esconderam num “lugar seguro” (22:4-5). O profeta Gade disse a Davi para parar de se esconder em território estrangeiro e retornar ao território de sua própria tribo, Judá, o que ele fez, escondendo-se no bosque de Herete (22:5). No terreno denso e difícil desta floresta, os homens de Davi devem se sentir em relativa segurança, fora do alcance de Saul. Mas, quando Davi recebe instrução para lutar com os filisteus em Queila, a questão é totalmente diferente. A aventura agora é bem mais difícil e perigosa. Para lutar com os filisteus eles terão que sair do esconderijo para campo aberto, sabendo que isto os exporá ao ataque das forças de Saul. Uma vez que Queila está localizada a aproximadamente 20 milhas a sudeste de Gate, Davi e seus homens não estarão mais nas montanhas, escondendo-se seguramente na floresta, mas em terras baixas, em campo aberto, onde podem ser vistos pelo exército de Saul e confrontados pelos carros filisteus. Quando contestam a decisão de Davi de salvar o povo de Queila, eles parecem fazê-lo com base num risco bastante elevado. Não é seguro. Seria bem mais seguro se esconder de Saul na floresta do que atacar os filisteus em campo aberto.

Davi ouve as objeções levantadas por seus homens, mas tem intenção de obedecer a Deus, não a homens. Ele “consulta o Senhor” uma segunda vez (23:4) e recebe a mesma resposta, com a garantia de que Deus já lhes deu a vitória. Com esta garantia, Davi e seus homens chegam a Queila e atacam os filisteus, obtendo uma vitória decisiva, livrando os israelitas da derrota e tomando o rebanho dos filisteus (23:5). Como são estranhos os caminhos de Deus. Uma semana antes, qual deles teria pensado que comeria filé mignon do gado filisteu?

Tendo livrado o povo de Queila da derrota para os filisteus, alguns poderiam pensar que este povo seria um dos maiores defensores de Davi. Com toda certeza dariam abrigo a ele e seus homens. No entanto, Saul fica sabendo da presença de Davi em Queila, e convoca todo o Israel para atacar a cidade, certo de que isto resultará na sua captura e de seus homens. Afinal, Queila é uma cidade fortificada. Saul supõe que as “portas e ferrolhos” da cidade não vão impedi-lo de entrar, mas, em vez disto, encerrarão Davi e seus homens lá dentro.

Davi fica sabendo do ataque de Saul e se pergunta se é sábio ficar em Queila. Parece que ele quer evitar sua própria captura, mas ele também está preocupado com o bem-estar do povo da cidade. Ele os livrou dos filisteus só para que o exército de Saul destrua a cidade? Felizmente, quando Abiatar fugiu para se juntar a Davi, levou consigo a estola sacerdotal, o instrumento pelo qual a vontade de Deus poderia ser consultada (23:6). Desejando saber e fazer a vontade de Deus, Davi consulta o Senhor por meio da estola. Ele tem duas perguntas a fazer. Primeira, Saul realmente virá a Queila como ouviu? A sua informação está correta? Segunda, se Saul realmente vier, o povo da cidade trairá Davi e o entregará a Saul?

A resposta às duas perguntas é “Sim”. Repare, no entanto, que a resposta a ambas é hipotética, com base em algumas suposições. Se Davi ficasse em Queila, os homens de Saul viriam e atacariam a cidade. Se Davi ficasse e os homens de Saul viessem e atacassem a cidade, os homens de Queila o entregariam a Saul. Mas, sabendo destas coisas, Davi deixa Queila antes de Saul chegar. Conseqüentemente, Saul, na verdade, não ataca a cidade, nem os homens de Queila entregam Davi a ele. Mas teriam, se Davi tivesse ficado.

A primeira coisa a se notar sobre o questionamento de Davi e a resposta divina é: Deus não apenas sabe todas as coisas que acontecerão, Ele também sabe as que poderiam acontecer, sob quaisquer circunstâncias. Uma coisa é saber o que o futuro reserva. Outra, imensamente maior, é saber o que o futuro poderia reservar sob diferentes circunstâncias. A onisciência de Deus (onisciência = conhecer todas as coisas) é tal que Ele sabe todas as coisas existentes e todas as coisas possíveis. É exatamente assim que Deus pode estar no controle de todas as coisas (soberania de Deus), sem ser responsável pelo pecado dos homens. Por exemplo, Deus sabia que, em dadas circunstâncias, Judas trairia o Senhor Jesus por 30 moedas de prata. A traição de Jesus era uma parte necessária do plano de Deus, e não havia dúvida quanto a isto. A onisciência de Deus tornou tudo possível, sem torná-Lo culpado pelo pecado do homem. A mesma coisa pode ser vista nas palavras de Pedro aos judeus (e gentios) que foram responsáveis pela morte de nosso Senhor na cruz do Calvário:

“Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos.” (Atos 2:22-23)

E assim é que, informado por Deus sobre as conseqüências de ficar em Queila, Davi deixa a cidade com seus 600 seguidores. Ele retorna ao deserto, escondendo-se nos lugares seguros que encontra. Sabendo de sua partida, Saul faz seus homens retornarem e, desta forma, a cidade de Queila é poupada, não apenas dos filisteus, mas também de Saul. Contudo, aqueles que deviam suas vidas a Davi o teriam traído sem piedade. Em tudo isto, Davi também é poupado da ira e do ciúme de Saul, pois Deus não entregaria Seu futuro rei em suas mãos.

Conclusão

Embora muitas lições possam ser extraídas de nosso texto, uma delas parece ser mais importante e estar acima de todas as outras, e pode ser resumida nestas palavras:

Quando o mundo inteiro parece imprevisível e sem sentido e, quando os loucos têm poder para realizar seus planos infames, que resultam no sofrimento e na morte de pessoas inocentes, Deus ainda está no controle. Ainda que não seja aparente em meio aos caos e à confusão, os planos e intentos de Deus estão sendo realizados, mesmo através de loucos que procuram destruir os Seus propósitos e Suas promessas.

Ao longo da história, muitos cristãos têm vivido em épocas que são melhores descritas pelas palavras “loucura” e “insanidade”. Como podemos explicar por que um terrorista coloca uma bomba num prédio, matando centenas de pessoas a quem nunca conheceu? Que sentido faz um homem que rouba um trabalhador com pouco dinheiro e depois o mata desnecessariamente? Por que um adolescente atacaria uma escola, esvaziando uma arma automática numa porção de estudantes? Muita coisa que vemos acontecer em nosso mundo não faz sentido - é insano. Vamos torcer as mãos em desespero, como se, em meio ao caos e violência, Deus não estivesse no controle?

Nosso texto nos assegura que, mesmo em meio à insanidade, Deus está no controle. O rei Saul está louco quando ordena que Doegue, o edomita, mate todos os sacerdotes e suas famílias. Tudo parece sem sentido e insano. Sabemos que muitos inocentes foram mortos nesse dia e, de maneira alguma, tentamos justificar isto. No entanto, ao mesmo tempo, não devemos fazer vistas grossas ao fato de que Deus usou Saul - mesmo nos momentos mais irracionais - para realizar Seus propósitos e cumprir Suas promessas. Nos capítulos 2 e 3 de I Samuel é dito a Eli que, devido à maldade de seus filhos, seu sacerdócio seria retirado:

“Veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Não me manifestei, na verdade, à casa de teu pai, estando os israelitas ainda no Egito, na casa de Faraó? Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel. Por que pisais aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei se me fizessem na minha morada? E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel? Portanto, diz o SENHOR, Deus de Israel: Na verdade, dissera eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos. Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, para que não haja mais velho nenhum em tua casa. E verás o aperto da morada de Deus, a um tempo com o bem que fará a Israel; e jamais haverá velho em tua casa. O homem, porém, da tua linhagem a quem eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e para te entristecer a alma; e todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade. Ser-te-á por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e Finéias: ambos morrerão no mesmo dia.” (I Samuel 2:27-34)

“Disse o SENHOR a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. Portanto, jurei à casa de Eli que nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares.” (I Samuel 3:11-14)

Devido ao pecado de Eli, que falhou em corrigir seus filhos, o sacerdócio lhe foi tirado. O sinal de que isto ocorreria foi a morte de seus dois filhos, Hofni e Finéias (2:34). A fase seguinte do cumprimento desta profecia está em nosso texto, ocasionada pelo ciúme insano de Saul, quando ordena que Doegue, o edomita, mate todos os sacerdotes e suas famílias. Apenas um sobrevivente é deixado, exatamente como Deus indicara (2:33). A próxima fase desse cumprimento virá nos dias de Salomão, quando o sacerdócio será tomado de Abiatar, o descendente de Itamar, filho de Arão, e dado a Zadoque, descendente de Arão por meio de Eleazar (I Reis 2:27, 35). O cumprimento total e final parece ser a vinda do Senhor Jesus Cristo, que é sacerdote para sempre (ver Salmo 110; Hebreus 5:6; Apocalipse 19:16).

Quem teria pensado que a profecia dos capítulos 2 e 3 seria cumprida como descrito no capítulo 22 por um cara literalmente louco? Mesmo em sua desobediência e insanidade, mesmo em sua rebelião contra Deus pela matança dos sacerdotes, Saul está sendo usado por Deus para cumprir Sua promessa, e de forma a não se opor ao caráter de Deus.

Repare na semelhança entre as profecias de Deus a respeito do sacerdócio de Eli nos capítulos 2 e 3 e as profecias Deus a respeito do reinado de Saul nos capítulos 13 e 15. Devido ao seu pecado de não corrigir seus filhos pelo abuso de seu sacerdócio, o sacerdócio é tirado de Eli. Uma parte importante disto vemos descrita no capítulo 22. Será que o cumprimento da promessa de Deus a Eli não foi dado neste ponto da história para apoiar a profecia de Deus a respeito do reinado de Saul? Da mesma forma que o sacerdócio de Eli foi retirado alguns anos e alguns capítulos depois, também o reinado de Saul é retirado alguns anos e alguns capítulos depois. Deus sempre mantém Suas promessas e, algumas vezes, Ele o faz empregando os instrumentos mais improváveis.

Segundo, podemos perceber em nosso texto a que velocidade e a que distância um pecado aparentemente banal pode nos levar. Os pecados de Saul nos capítulos 13 e 15 são muito sérios, mas não parecem ter grandes conseqüências imediatas. Cuidado com os pecados banais, pois não demorará muito para que cresçam significativamente. Saul, que a princípio era receoso e hesitante, deixando de cumprir cabalmente as instruções de Deus, agora é um maníaco furioso, que desceu tão baixo e tão rápido que pode ordenar a morte de todos os sacerdotes. O pecado quase sempre parece inofensivo, até que sua verdadeira natureza seja revelada.

Terceiro, deixe-me fazer uma breve observação e depois uma pergunta. Parece-me que os cristãos, com freqüência, estão entre as pessoas mais passíveis de crer e até mesmo de estimular as teorias da conspiração. Por que o FCC (Federal Communications Commission) recebe tantas cartas de cristãos protestando contra supostas tramas de Madelyn Murray O’Haire para banir programas cristãos do rádio e da televisão? Parece que estamos predispostos a acreditar em conspirações. Pergunto-me por que. Não sejamos paranóicos. Nem nos esqueçamos dos planos de Satanás.

Quarto, vejo em nosso texto três tipos. Saul é tipo dos anticristos que já vieram e que hão de vir, resistindo a Deus e ao Seu Messias, Jesus Cristo. Herodes é um desses anticristos (ver Mateus 2). Os escribas e fariseus são outro exemplo (ver Mateus 27:18; Marcos 15:10; João 11:47-48). Da mesma forma que Saul une forças a Doegue, um gentio, em sua tentativa de dar cabo da ameaça de Davi ao seu trono, os líderes judaicos uniram forças aos gentios para executar a Cristo. Davi é um tipo de Cristo, rejeitado e resistido porque deve se tornar o rei de Deus. Aimeleque é tipo de todos aqueles que sofrem e morrem por se associarem a Jesus, pois ele morreu por sua associação com Davi.

Finalmente, vejo em nosso texto outra lição muito importante, que pode ser resumida da seguinte forma:

A segurança do cristão não é obtida por se isolar ou por se esconder dos perigos deste mundo; ela é encontrada por aqueles que se lançam sobre Deus para orientação e proteção, enquanto procuram desempenhar o Seu serviço e cumprir a Sua vontade.

A princípio, Davi e seus homens parecem pensar que quanto mais distantes estiverem de Saul, mais seguros estarão. Davi não encontra segurança nenhuma em Gate, com os filisteus. Talvez ele tenha se sentido seguro dentro ou nas proximidades de Moabe, mas o profeta Gade o instrui a retornar ao território de Judá. E, quando os homens de Davi se sentem em relativa segurança no bosque de Herete, Deus os manda ir a Queila, onde ficam expostos, não só ao ataque dos filisteus, mas também ao ataque de Saul.

Davi é um homem de Deus, é Seu escolhido como rei, e é indestrutível até que a obra de Deus para ele esteja completa. Ele não precisa se esconder ou se arriscar, especialmente quando isto o impede de desempenhar sua missão e ministério (como salvar o povo de Queila). Davi não tem que calcular sua segurança em termos da distância do perigo; ele calcula sua segurança em termos de sua proximidade de Deus. Uma espécie de escapismo é encontrada nos círculos cristãos atuais, como se a distância fosse chave para a segurança. Sou contra este tipo de pensamento. Deus pode levar alguns a lugares distantes, mas não vamos procurar nos esconder quando Deus nos chama para ser sal e luz nas trevas.

Deixe-me dizer também que confiar em Deus e fazer o que é certo não é garantia de segurança física. Em nosso texto, Aimeleque é um homem piedoso, honrado, que fica contra Saul e a favor de Davi quando sabe dos riscos que corre. Ele é assassinado, junto com sua família e seus companheiros de sacerdócio. Em última análise, Aimeleque e seus companheiros mártires não poderiam estar num lugar mais seguro do que nos braços de Deus. Eles estão tão “seguros” quanto Davi, mas sua missão está terminada, a de Davi ainda não. Viver uma vida piedosa não é garantia de proteção contra o sofrimento, contra os problemas e até mesmo contra a morte. Mas Deus não permitirá que estas coisas nos afastem daquilo para o que Ele nos chamou. Até que nosso serviço para Ele esteja completo, ninguém pode estar mais seguro do que o cristão confiante e obediente, mesmo nas circunstâncias mais perigosas.