Where the world comes to study the Bible

Enfrentando as Genealogias (Gênesis 5:1-32)

Introdução

Meus pais foram privilegiados em passar um ano ensinando em Taiwan. Enquanto estavam em Taipei, encontraram um jovem chinês que queria aprender a falar e a ler o inglês com mais fluência. Meu pai concordou em encontrar-se com “Johnny” uma vez por semana. Ele garantiu a Johnny que não haveria nenhum custo para as lições de inglês e o informou que o texto para seus estudos seria o Evangelho de Mateus. Aliás, Johnny foi salvo no capítulo 16.

Uma das fitas que minha família nos mandou de Taiwan na época do Natal continha a gravação de Johnny lendo Mateus em inglês. Se você puder imaginar, ele estava lendo a genealogia de Mateus capítulo um. Que introdução à língua inglesa e à Bíblia!

As genealogias nunca foram as partes mais lidas da Bíblia. Ray Stedman conta a história de um velho ministro escocês que estava lendo o primeiro capítulo do Evangelho de Mateus:

Ele começou a ler: “Abraão gerou a Isaque, e Isaque gerou a Jacó, e Jacó gerou a Judá”; olhou à frente e viu a lista a seguir e disse: “e eles continuaram gerando um ao outro página abaixo, até a metade da próxima página”.68

Se formos honestos, isso é o que a maioria de nós faz com as genealogias da Bíblia - nós as pulamos. Em meu ensino através do livro de Gênesis, devo admitir que considerei seriamente fazer a mesma coisa, simplesmente passando por cima do capítulo cinco de Gênesis. Leupold, em um dos clássicos comentários do livro de Gênesis dá esta palavra de aviso aos pregadores: “Nem todo homem se arriscaria a usar este capítulo como texto numa pregação.”69

E creiam-me, nem todos mesmo. Há um versículo das Escrituras que não nos deixará passar por Gênesis cinco sem um sério estudo desta genealogia: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça.” (II Tm. 3:16)

E assim, devemos tratar deste capítulo de Gênesis de maneira a discernir seu proveito e benefício para nós. Nos poucos anos em que tenho pregado a Bíblia, aprendi que a inadequação não está no texto das Escrituras que pregamos, mas no professor que o apresenta.

Entendendo as Genealogias

O quinto capítulo de Gênesis é apenas uma das muitas genealogias contidas nas Escrituras. Aprender des-te capítulo nos encorajará e instruirá em como abordar as outras inúmeras genealogias da Bíblia. E, da mesma forma, teremos considerável compreensão das outras genealogias à medida em que abordamos este relato em particular. Vamos, então, dar atenção ao propósito das genealogias em geral, antes de voltarmos a atenção ao nosso texto.

As genealogias de Gênesis 5 e 11 não são, de forma alguma, as únicas dos tempos antigos. Os egípcios tinham registros de seus reis, assim como os sumérios. Os hititas tinham catálogos de oferendas reais, sem dúvida nenhuma de valor histórico e cronológico.70 Estas antigas genealogias do Oriente Médio são muito instrutivas para determinar a correta interpretação dos registros bíblicos.

Em primeiro lugar, aprendemos que as genealogias não tinham a intenção de ser usadas como cronologia.71 À primeira vista, aquele que lê Gênesis capítulo cinco pensa que só precisaria somar os números ali contidos, para estabelecer a idade da civilização na terra. Ussher, por exemplo, chegou à data de 4.004 aC para os acontecimentos de Gênesis capítulo um.

A nomeação individual não implica, necessariamente, que uma seqüência contínua deva ser presumida. Com freqüência nomes foram omitidos e os registros genealógicos foram seletivos.72

A expressão “A gerou B” nem sempre implica em parentesco direto73. Mateus 1:8 afirma que “Jorão gerou Uzias”, mas, no Velho Testamento (II Re. 8:25; 11:2; 14:1,21) aprendemos que Jorão foi o pai de Acazias, que foi pai de Joás, pai de Amazias, pai de Uzias. Assim, “gerou” pode significar “gerou uma linhagem que culminou em”74. Como Kitchen afirma “termos como “filho” e “pai” podem significar não só “filho (neto)” e pai (avô)”, mas também “descendente” ou “ancestral”, respectivamente.”75

A disposição das genealogias num padrão claro e organizado também pode sugerir algumas outras coisas, menos um indicador cronológico. A genealogia de Cristo em Mateus, por exemplo (Mt. 1:1-17), está disposta em três séries de 14 gerações cada. E esta genealogia é conhecida como seletiva.

Geralmente os números nas genealogias no Antigo Oriente Médio eram de importância secundária76. O propósito primário era estabelecer a identidade familiar de alguém, suas raízes.

Em parte alguma de Gênesis 5, ou da Bíblia, ou de qualquer outro lugar, os números foram acrescentados para estabelecer qualquer tipo de cronologia. Às vezes os números de um relato diferem dos de outro77. Ainda que haja muitas explicações para isto, uma delas é que estes números foram dados apenas aproximadamente. Números exatos não servem ao propósito da genealogia. Ainda que não ousemos dizer que os números não sejam literais, simplesmente mostramos a maneira como tais números foram usados no antigo Oriente.78

Consideremos, então, cuidadosamente as palavras do grande estudioso, Dr. B. B. Warfield, quando escreve:

“Estas genealogias devem ser consideradas confiáveis ao propósito para o qual foram registradas; mas não podem ser aplicadas com segurança ao uso de outros propósitos para os quais não foram intencionadas, e para os quais não são adequadas. Particularmente, fica claro que o propósito pelo qual as genealogias foram dadas, não requer um registro completo de todas as gerações, através das quais os descendentes das pessoas a quem foram destinadas, se dirige; mas apenas uma indicação adequada da linhagem particular através da qual vem o descendente em questão. De acordo com o que se depreende de um exame mais acurado, essas genealogias das Escrituras são aplicadas livremente para toda sorte de propósitos e, raramente pode-se afirmar, com segurança, que elas contém um registro completo de todas as séries de gerações, uma vez que é óbvio que, muitas vezes, um grande número delas é omitido. Não há razão inerente à natureza das genealogias das Escrituras pela qual uma genealogia de dez seqüências registradas, tais como as de Gênesis 5 e 11, não possam representar um descendente real de uma centena ou milhar ou dez milhares de seqüências. O ponto a ser estabelecido não é que estas sejam todas seqüências que ocorreram entre início e o fim dos nomes, mas que isto é uma linha de ascendência através da qual alguém encontra o antecedente ou descendente de outrem.79

O Significado de Gênesis 5

Se não podemos descobrir a idade da terra pela genealogia de Gênesis capítulo cinco, o que vamos ganhar de seu estudo? Quanto mais considero esta passagem, mais claro se torna que ela deve ser interpretada à luz de seu contexto. Uma parte significativa desse contexto é a genealogia de Caim no capítulo quatro. O significado e aplicação da genealogia do capítulo cinco, então, é alcançado pela comparação e contraste com o capítulo quatro.

Normalmente se diz que o capítulo quatro nos dá a genealogia de Caim enquanto que no capítulo cinco Moisés descreve a linhagem piedosa de Sete. Num certo sentido isto é verdade. Certamente o capítulo quatro des-creve uma descendência ímpia enquanto que o capítulo cinco registra a história da linhagem através da qual viria o Salvador.

Tecnicamente, no entanto, o capítulo cinco não é o relato da linhagem de Sete, mas de Adão.

“Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados. Viveu Adão centro e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.” (Gn. 5:1-3)

Tenho tentado decifrar a aparente repetição desses versos iniciais. Por que Moisés nos diria aquilo que já sabemos? Repare que esses versos não estão ligados à genealogia do capítulo quatro, mas àquela do capitulo cinco. A genealogia de Caim termina num beco sem saída. Começa com o ímpio Caim, termina com o perverso Lameque, e é “lavada” pelo dilúvio.

Moisés começa o capítulo cinco com a terminologia dos capítulos um e dois (p. e. “criou” à semelhança de Deus, “homem e mulher”, “os abençoou”) para indicar ao leitor que os propósitos e planos de Deus para o homem, iniciados nos primeiros capítulos, serão realizados através da descendência de Adão, mas não pela linhagem de Caim, e sim pela de Sete. Todo o capítulo cinco é uma descrição da estreita linhagem através da qual virá o Messias.

O contraste espiritual entre as duas linhagens é óbvio. Pode ser facilmente ilustrado pelos dois “Lameques” dos capítulos quatro e cinco. Lameque (o filho de Metusael, 4:18) da linhagem de Caim foi quem deu início à poligamia (4:19). Pior que isto, ele foi um assassino que se gabava de seu crime (4:23) e fez pouco das palavras de Deus a Caim (4:24).

O Lameque do capítulo cinco (o filho de Matusalém e pai de Noé) foi um homem piedoso. O nome de seu filho revela sua compreensão da queda do homem e a maldição de Deus sobre o solo (cf. 5:29). Também mostrou sua fé em que Deus libertaria o homem da maldição através da descendência de Eva. Creio que Lameque compreendeu que esta libertação viria especificamente através do filho que Deus lhe deu.

No relato dos descendentes de Caim nenhum número foi empregado, enquanto que a linhagem de Sete tem um padrão numérico definido. Os números no capítulo cinco tipicamente forneceram: 1) a idade do indivíduo quando do nascimento do filho mencionado; 2) os anos vividos após o nascimento do filho80 e 3) a idade do homem quando morreu. Basicamente, a vida da pessoa cai em uma das duas partes, A. N. e D. N.: antes ou depois do nascimento do filho. Esta divisão não é sem importância.

A longevidade das vidas dos homens no capítulo cinco é extraordinariamente longa, mas toda tentativa de explicar este fato de outra maneira que não seja tomando os números literalmente, tem sido em vão. As condições foram indubitavelmente diferentes antes do dilúvio.

Moisés certamente pretendia dar a longevidade da vida desses homens para nos impressionar. Isto é, sem dúvida, uma das razões pelas quais elas foram tão proeminentemente incluídas. A longa duração da vida facilitaria a povoação da terra. Minha esposa e eu tivemos seis filhos em nossos 17 anos de casados. Imagine o que poderia ser feito em 900 anos!

Além do mais Moisés revelaria através disto que o homem foi originalmente criado para viver muitos anos, mesmo após a queda. Certamente a promessa de um reino milenar, no qual o homem viveria uma idade avançada (cf. Is. 65:20) é sustentada por este capítulo. Longevidade de vida não era nada novo, mas simplesmente algo recuperado.

O principal contraste entre as linhagens de Caim e Sete é a ênfase de cada uma. O que podemos chamar de “progresso secular” e grandes realizações é atribuído à linhagem de Caim. Caim construiu a primeira cidade (4:17). As contribuições tecnológicas e culturais vieram de seus descendentes. Trabalhadores em metal, fazendeiros e músicos vieram de sua linhagem.

Agora, o que é que é enfatizado na linhagem de Sete? Nenhuma menção é feita a qualquer grande contribuição ou realização. Duas coisas marcaram os homens do capítulo cinco. Antes de mais nada, foram homens de fé (cf. Enoque, 5:18, 21-24; Lameque, 5:28-31). Estes homens olharam para trás e compreenderam o fato de que o pecado foi a raiz de seus problemas e pesares. E olharam à frente para a redenção que Deus havia providenciado através de sua descendência.

O que nos traz à segunda contribuição destes homens do capítulo cinco - eles produziram uma descendência temente a Deus através da qual os planos e propósitos divinos continuariam. No entanto, não é dito que todos os seus filhos seriam tementes a Deus. Mas sabemos que estes foram homens tementes e que através deles e de seus filhos houve uma linhagem contínua que culminou em Noé. Enquanto o resto da humanidade seria destruído no dilúvio, através de Noé, a raça humana (e mais que isto, a descendência de Eva) seria preservada. A esperança dos homens repousava na preservação de uma descendência temente a Deus.

Que lição seria esta para os Israelitas. Quando eles alcançassem a terra de Canaã encontrariam um povo completamente diferente dos egípcios. Enquanto os egípcios desprezavam os Israelitas e não davam importância aos casamentos mistos, os cananitas os atrairiam a isso (cf. Gn. 46:34; Dt. 7:1 e ss; Nm. 25:1 e ss). O casamento misto com os cananitas seria abandonar o Deus de Israel. A mistura com os cananitas significaria poluir a linha-gem temente a Deus através da qual viria o Messias.

Deus tinha prometido abençoar a fé e obediência dos Israelitas. Ele lhes daria chuva, colheita e rebanho (Dt. 28). Bem poderia ser que a nação de Israel colocasse sua confiança, não no Deus vivo, mas na tecnologia dos cananitas. Cavalos e carruagens podiam ser os últimos avanços tecnológicos na guerra, mas Deus tinha proibido Israel de acumular tais armas. Eles deveriam confiar Nele (cf. Ex. 15:4; Dt. 17:14 e ss; Js. 11:6). Alianças com as nações pagãs pode ter sido a maneira do mundo, mas não era a de Deus (II Re. 18, 19).

Podemos ficar surpresos de que tal ênfase sobre a morte ocorra na genealogia do capítulo cinco, uma vez que isso não é mencionado no capítulo quatro. Não teria sido mais apropriado ter enfatizado a morte junto com a linhagem ímpia de Caim?

A primeira coisa que devemos reconhecer é o significado da morte no contexto do livro de Gênesis.

Deus tinha dito a Adão que certamente morreriam no dia em que comessem do fruto proibido (2:17). Satanás descaradamente negou e assegurou a Eva que tal não ocorreria (3:4). O capítulo cinco é um amargo lembrete de que o salário do pecado é a morte e que Deus mantém Sua Palavra, em julgamento e salvação.

Mas, por que não acentuar a relação entre a pecaminosidade e a morte? Por que não enfatizar a morte no capítulo quatro? Deixe-me sugerir uma explicação. No capítulo quatro parecia que a morte não era um assunto popular. Creio que Caim encontrou conforto no fato de que ele gerou um filho com cujo nome ele também fundou uma cidade. Somado a isso, sua descendência foi responsável por grandes contribuições tecnológicas e culturais81 Estes “monumentos” de Caim podem ter lhe dado alguma espécie de conforto.

No entanto, a triste realidade era completamente diferente. Como disse o escritor em provérbios: “A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos cai em podridão.” (Pv. 10:7)

A grande tragédia não foi que os homens do capítulo quatro morreram, pois isso também ocorreu com os do capítulo cinco. A tragédia é que a descendência de Caim não sobreviveu ao julgamento de Deus, mas Noé, o descendente de Sete, sobreviveu. Todos os homens morrerão, mas alguns serão elevados ao tormento eterno enquanto que o povo da fé passará a eternidade na presença de Deus (cf. Jo. 5:28-29; Ap. 20). O aspecto externo demonstraria o que os filhos deste mundo “têm feito”, mas a realidade final é completamente diferente.

A morte chegou à descendência piedosa de Sete. Isto é repetido oito vezes no capítulo cinco. Mas Enoque é um tipo daqueles que verdadeiramente caminham com Deus. A morte não os tragará. Eles serão conduzidos à eterna presença de Deus, em cuja companhia viverão para sempre. A morte pode ser vista com naturalidade pelos verdadeiros crentes, pois seu aguilhão foi removido pela obra de Deus na morte de Jesus Cristo, o “descendente da mulher”. (Gn. 3:15).

Aplicação

Não posso deixar estes versos sem mostrar sua relevância aos homens de hoje. O fator mais importante de todos, segundo Moisés, o que decide o destino dos homens, não é a sua contribuição à cultura ou à civilização (por mais importantes que sejam). Se você faz sua reputação por si mesmo, ou não, é de pouca conseqüência eterna. O fator decisivo para cada homem mencionado nestes capítulos foi este: seu nome seria encontrado no livro de Deus?

Moisés começa o capítulo cinco com estas palavras: “Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.” (Gn. 5:1)

E sou relembrado destas palavras do último livro da Bíblia:

“Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lado de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.” (Ap. 20:12-15)

O que determinou o destino dos homens antigos foi, se seu nome estava, ou não, no livro das gerações de Caim ou de Sete. E o que determinou os nomes daqueles que estão relacionados no capítulo cinco foi seu reconhecimento de pecado pessoal e sua fé em Deus para prover a salvação por Ele prometida.

Ainda hoje é assim, meu amigo. A questão final é: em que genealogia você será encontrado? Ainda está em Adão ou está em Cristo (Rm. 5)? Se você reconhece que é pecador, merecendo o castigo eterno de Deus e está confiando na justiça de Cristo e na Sua morte em seu benefício, você está em Cristo. Seu nome está no livro da vida. Se não tem feito isto, está em Adão. Ainda que suas obras possam impressionar aos homens, elas não satisfarão o padrão de Deus para a vida eterna. Em qual livro seu nome será encontrado?

Segundo, sou relembrado neste capítulo que o valor de um homem, aos olhos de Deus, deve ser evidenciado em seus filhos. Eis porque os anciãos devem ser avaliados, em parte, por seu desempenho como pais (cf. I Tm. 3; Tt. 1)

Como isto deveria mudar nossos valores e prioridades. Caim edificou para seu filho, mas Sete edificou dentro de seu filho. Caim sacrificou seus filhos ao sucesso. Sete encontrou o sucesso em seus filhos. Com que freqüência precisamos ser relembrados das palavras do salmista:

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando plei- tear com os inimigos à porta.” (Sl. 127)

O salmista está relembrando àqueles que são viciados em trabalho, que lutar pelo sucesso muitas vezes sacrifica aquilo que é de maior valor. E ele nos diz que os filhos, que são o grande presente de Deus aos homens, não são dados durante a labuta, mas durante o sono, não ao se levantar cedo e deitar tarde, mas em descansar na fidelidade de Deus.

Que comentário de Gênesis cinco se encontra nas difíceis palavras de Paulo na primeira carta a Timóteo:

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Mas ela será preservada através do nascimento de seus filhos se eles continuarem na fé e amor e santidade com domínio próprio.” (I Tm. 2:11-15, verso 15 tradução do Autor82).

As mulheres que não agem de acordo com o ensinamento de Paulo podem protestar “Mas como posso encontrar satisfação debaixo de tais proibições, e como posso fazer alguma contribuição significativa para a igreja?” Paulo diz, de fato, “O trabalho mais importante de todos para a mulher piedosa é educar filhos piedosos”.

E para que não apliquemos isto somente às mulheres, deixe-me sugerir que isto é igualmente verdade para os homens também, mesmo que esta não seja a intenção original de Paulo aqui. Pais, estão sacrificando seus filhos pelo sucesso num mundo de negócios, ou pelo sucesso no ministério cristão? Não existe chamado mais importante do que o da educação de filhos tementes a Deus. Se falhamos neste ponto, falhamos no nosso maior chamado.

Sei que há aqueles que não têm, ou não podem, ter filhos. Deixe-me lhes assegurar que não estamos na mesma época dos antigos Israelitas. A linhagem piedosa foi preservada, e o Messias veio através do descendente da mulher. Mas é vital ao propósito de Deus que os remanescentes justos continuem através dos anos a dar continuidade ao trabalho de Deus para o homem e através do homem. Devemos, então, continuar a gerar filhos espirituais e a nutri-los nas verdades da Palavra de Deus. Vamos levar a sério esta tarefa.


68 Ray Stedman, The Beginnings (Waco: Word Books, 1978), p. 47.

69 H. C. Leupold, Exposition of Genesis (Grand Rapids: Baker Book House, 1942), I, p. 248.

70 K. A. Kitchen, Ancient Orient and Old Testament (Chicago: Inter-Varsity Press, 1966 ), pp. 35-36.

71 “No entanto, num exame mais detalhado dos dados sobre os quais estes cálculos repousam, não são encontrados dados suficientes para dar uma base satisfatória à constituição de um método cronológico definitivo. Estes dados consistem, em sua grande maioria, e somente em pontos específicos, de índices genealógicos; e nada pode ser mais claro de que é extremamente precário tirar-se inferências cronológicas de índices genealógicos.” “A Antigüidade e Unidade da Raça Humana”, B. B. Warfield, Biblical and Theological Studies (Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1968), p. 240.

72 “Tal mistura da genealogia contínua e seletiva não é, de forma nenhuma, anormal. Além do óbvio exemplo de Mateus 1:1-17, a lista do Rei Abydos no Egito silenciosamente omite três grupos inteiros de reis (Nona para Undécima, Décima Terceira para Décima Sétima Dinastias e os faraós Amarna) em três pontos distintos, no que seria, de outra forma, uma série contínua; outras fontes nos capacitam a saber isto.” Kitchen, p. 38.

73 Ibid.

74 Ibid., pp. 38,39.

75 Ibid., p. 39.

76 Cf. J. N. Oswalt “Cronologia do Velho Testamento”, The International Standard Bible Encyclopedia, edição revisada (Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1979), I, p. 674.

77 Em Gênesis 5 há consideráveis variações entre o Texto Massorético (o texto Hebraico do Velho Testamento), a Septuaginta (a tradução grega do Velho Testamento), e o Pentateuco Samantan. Para comparar estes números deve-se consultar um gráfico no ISBE, I, p. 676, contido no artigo sobre a cronologia do Velho Testamento.

78 “A mesma observação se aplica a uma segunda classe de dados: afirmações cronológicas aleatórias, por exemplo, a afirmação de Gn. 15:13 a respeito da duração da estadia no Egito, ou de I Re. 6:1 cobrindo o lapso de tempo entre o Êxodo e a construção do templo de Salomão. Ainda que não haja justificativa para se desprezar tais afirmações, também não é necessário presumir que sejam cômputos cronológicos precisos. Especialmente na sociedade pré-monárquica, longos registros cronológicos são altamente improváveis por causa da sua falta de importância. Antes, pode-se esperar que as aproximações sejam feitas de várias maneiras, e o uso de números redondos, particularmente, sugere algum grau de aproximação. É o significado destes números para o escritores bíblicos que o intérprete deve compreender antes de tentar construir uma cronologia absoluta sobre eles.” ISBE, p. 674.

79 Warfield, pp. 240-241.

80 Isto não é dizer que outros filhos e filhas não nasceram dos homens do capítulo 5. Eles podem, ou não, ter tido fé em Deus, e podem, ou não, ter nascido primeiro do que o filho especificado com sendo nascido numa determinada época da vida de seu pai.

81 Não desejo ser compreendido ao dizer, como alguns parecem querer*, que os tementes a Deus devam abandonar todos os esforços para melhorar a qualidade de vida pelo enriquecimento das contribuições morais, sociais, culturais e tecnológicas. Entendo estas contribuições como uma parte do mandamento de Deus ao homem para “dominar a terra” (Gn. 1:28, etc). O ponto aqui é que o conforto e consolação dos homens antigos não deveria estar nestes feitos, mas na promessa da salvação de Deus, e na fidelidade de Deus para realizá-la. *Cf. W. H. Griffith Thomas, Genesis, A Devotional Commentary (Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1946), p. 63.

82 O verso 15 é tradução minha, que reflete melhor o grego. A palavra “mulher” fornecida pela NASV aqui é literalmente “ela” (singular). “Elas” da NASV é plural e então deveria se referir a suas “filhas” antecedentes, que também está no plural.