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17. Quando Saul Arremessa Sua Lança, Jônatas Entende (I Samuel 20:1-42)

Introdução

Minha esposa tem o mesmo nome que uma tia que morreu no ano passado aos 90 anos. Não tenho certeza de quão bem aos 90 anos, mas relativamente bem. “Titia J” (J de Jeanette) era muito ativa e bondosa. Em seus últimos meses sua memória começou a falhar. Não era como se ela se esquecesse de tudo, mas era como se suas informações estivessem arquivadas no lugar errado. (Para o pessoal da informática era como se suas tabelas de alocação de arquivo estivessem corrompidas). Pedaços de informação de um determinado lugar e de uma determinada época estavam ligados a pedaços de outro lugar e de outra época. Isto resultava em versões totalmente diferentes das histórias relembradas por minha esposa.

Um dia, quando visitávamos Tia J, a discussão girou em torno dos tempos passados. Tia J se lembrava de uma certa história e minha esposa, Jeanette, corrigia os detalhes, dizendo algo como: “Não, tia J, não se lembra que, quando a visitei, você estava vivendo numa casa assim e assim, em São Francisco?” Bem, Tia J não se lembrava de maneira alguma desse jeito. Este ciclo de ouvir as lembranças de Tia J e depois ouvir as correções editoriais de minha esposa continuou durante algum tempo. Finalmente, depois de uma história, minha esposa disse: “Não, Tia J, não foi desse jeito, foi daquele...” Tia J podia estar ficando velha, e sua mente podia estar lhe pregando algumas peças, mas ainda era afiada como uma navalha. Sua resposta à correção de minha esposa foi: “se você diz...” Que resposta! Embora Tia J não se lembrasse detalhadamente da história, para ela, sua memória era muito clara. Ela não queria magoar os sentimentos de minha esposa, mas também não estava disposta a concordar com alguma coisa que se lembrasse de forma diferente. Sua resposta “se você diz” foi perfeita; ela não estava disposta a concordar, mas também não desejava discordar.

Enquanto leio o capítulo 20 de I Samuel, lembro-me de Tia J e de sua resposta. Ela me faz lembrar de Jônatas e sua resposta às palavras de Davi, no começo deste capítulo. Davi recorre a Jônatas, convencido de que seu pai, Saul, está tentando matá-lo. Davi procura saber o que fez para que Saul se sinta desse jeito com relação a ele. Jônatas não pode acreditar em seus ouvidos. Para ele é simplesmente inconcebível que seu pai realmente tenha voltado atrás em sua palavra, depois de prometer que não mataria Davi (19:6). Davi está determinado a convencê-lo de que seus temores não são ilusões paranóicas, como o medo de Saul. Assim, ele faz um juramento para garantir a Jônatas que está falando a verdade. A resposta de Jônatas, como a de Tia J, foi “O.K. aceitarei sua palavra. Deve ser do jeito que você diz.”

Este é um triste capítulo nas vidas de Saul, Jônatas e Davi. Fica muito claro que Saul está decidido a matar Davi, e que ele matará até mesmo seu próprio filho, caso ele atrapalhe suas tentativas. É um momento decisivo no relacionamento entre Davi e Jônatas e entre Davi e Saul. É ocasião para a confirmação da aliança entre Davi e Jônatas e também para uma separação muito triste. Contudo, há alguns pontos brilhantes neste capítulo sombrio, e algumas lições muito importantes para os cristãos atuais aprenderem destas palavras inspiradas.

Davi Propõe um Teste
(20:1-23)

“Então, fugiu Davi da casa dos profetas, em Ramá, e veio, e disse a Jônatas: Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida? Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não serás morto. Meu pai não faz coisa nenhuma, nem grande nem pequena, sem primeiro me dizer; por que, pois, meu pai me ocultaria isso? Não há nada disso. Então, Davi respondeu enfaticamente: Mui bem sabe teu pai que da tua parte achei mercê; pelo que disse consigo: Não saiba isto Jônatas, para que não se entristeça. Tão certo como vive o SENHOR, e tu vives, Jônatas, apenas há um passo entre mim e a morte. Disse Jônatas a Davi: O que tu desejares eu te farei. Disse Davi a Jônatas: Amanhã é a Festa da Lua Nova, em que sem falta deveria assentar-me com o rei para comer; mas deixa-me ir, e esconder-me-ei no campo, até à terceira tarde. Se teu pai notar a minha ausência, dirás: Davi me pediu muito que o deixasse ir a toda pressa a Belém, sua cidade; porquanto se faz lá o sacrifício anual para toda a família. Se disser assim: Está bem! Então, teu servo terá paz. Porém, se muito se indignar, sabe que já o mal está, de fato, determinado por ele. Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança no SENHOR; se, porém, há em mim culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai? Então, disse Jônatas: Longe de ti tal coisa; porém, se dalguma sorte soubesse que já este mal estava, de fato, determinado por meu pai, para que viesse sobre ti, não to declararia eu? Perguntou Davi a Jônatas: Quem tal me fará saber, se, por acaso, teu pai te responder asperamente? Então, disse Jônatas a Davi: Vem, e saiamos ao campo. E saíram. E disse Jônatas a Davi: O SENHOR, Deus de Israel, seja testemunha. Amanhã ou depois de amanhã, a estas horas sondarei meu pai; se algo houver favorável a Davi, eu to mandarei dizer. Mas, se meu pai quiser fazer-te mal, faça com Jônatas o SENHOR o que a este aprouver, se não to fizer saber eu e não te deixar ir embora, para que sigas em paz. E seja o SENHOR contigo, como tem sido com meu pai. Se eu, então, ainda viver, porventura, não usarás para comigo da bondade do SENHOR, para que não morra? Nem tampouco cortarás jamais da minha casa a tua bondade; nem ainda quando o SENHOR desarraigar da terra todos os inimigos de Davi. Assim, fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: Vingue o SENHOR os inimigos de Davi. Jônatas fez jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava com todo o amor da sua alma. Disse-lhe Jônatas: Amanhã é a Festa da Lua Nova; perguntar-se-á por ti, porque o teu lugar estará vazio. Ao terceiro dia, descerás apressadamente e irás para o lugar em que te escondeste no dia do ajuste; e fica junto à pedra de Ezel. Atirarei três flechas para aquele lado, como quem atira ao alvo. Eis que mandarei o moço e lhe direi: Vai, procura as flechas; se eu disser ao moço: Olha que as flechas estão para cá de ti, traze-as; então, vem, Davi, porque, tão certo como vive o SENHOR, terás paz, e nada há que temer. Porém, se disser ao moço: Olha que as flechas estão para lá de ti. Vai-te embora, porque o SENHOR te manda ir. Quanto àquilo de que eu e tu falamos, eis que o SENHOR está entre mim e ti, para sempre.”

Quero dizer que posso entender por que Davi “fugiu” de Ramá para encontrar Jônatas naquele que deve ter sido o palácio de Saul (verso 1). Em Ramá, Davi está com Samuel, o profeta. Em Ramá, Saul não pode por as mãos em Davi. Quando Saul envia os três destacamentos para prender Davi, eles são divinamente proibidos por uma obra miraculosa do Espírito de Deus. Isto também acontece com Saul (19:18-24). Por que, então, Davi “foge” para o palácio onde vivem Saul e Jônatas? A única explicação que faz sentido é que é lá que pode ser encontrado seu querido amigo. Davi não parece estar fugindo de Saul, mas fugindo para Jônatas, da mesma forma como fugiu para Aimeleque e Samuel anteriormente.

A menos que Davi seja hipócrita naquilo que diz para Jônatas, ele humildemente assume uma posição digna de elogio. Ele não começa acusando ou atacando Saul. Ele começa enfocando seu próprio pecado. Repare na dupla referência ao pecado (“culpa”, “pecado”) no verso 1. Davi parece estar genuinamente interessado em saber se fez algo errado que tenha ocasionado o tratamento que Saul está dispensando a ele.

Inicialmente Jônatas está com dois pés atrás com Davi. Ele não responde à pergunta sobre sua culpa mas, em vez disto, contesta a avaliação de Davi sobre estar em perigo mortal - por parte de Saul! Ele contesta a afirmação de que Saul está perseguindo sua vida, em vez de responder a pergunta acerca de seu pecado. Jônatas é um tanto ingênuo aqui, pois garante a Davi que, se seu pai tivesse a intenção de matá-lo, certamente lhe contaria primeiro - a ele, seu filho.

Davi insistentemente discorda da avaliação de Jônatas da situação. Ele faz um juramento solene para ressaltar sua seriedade sobre o assunto. Não deixa que Jônatas ignore suas preocupações tão depressa. Agora que Saul sabe que Davi e Jônatas são amigos, unidos por uma aliança, por que seria tão tolo a ponto de revelar seus planos de matar Davi para Jônatas? Saul propositadamente mantém silêncio sobre seus planos a fim de que Jônatas não saiba o que ele está fazendo.

Davi afirma, então, com as palavras mais enérgicas possíveis, o fato de que sua vida está em perigo mortal. Sua vida está por um fio. Jônatas agora percebe a seriedade de Davi e como ele se sente sobre este perigo. Ele entende que Davi quer realmente que ele o leve a sério e, assim, demonstra compaixão, garantindo-lhe que fará qualquer coisa que ele queira. Jônatas pode ainda não estar convencido das más intenções de seu pai, mas está convencido de que Davi está aflito e teme por sua vida. Jônatas decide acreditar na palavra de Davi.

No verso 5 e seguintes, Davi propõe um plano que demonstrará as intenções de Saul para com ele. Isto parece ser tanto para o benefício de Jônatas quanto para o benefício de Davi. O plano é simples. No dia seguinte é lua cheia e, portanto, época de Saul fazer o sacrifício e compartilhar a refeição sacrificial. Davi faz parte de sua casa e por isso espera-se que esteja presente. Se Saul de fato pretende matá-lo, ficará muito preocupado quando descobrir que ele não está presente à refeição. Se Saul não planeja matá-lo, sua ausência não será problema. E assim Davi planeja ausentar-se e, com sua ausência, testar as intenções de Saul.

A ausência de Davi precisará ser explicada de tal forma que pareça razoável a ele estar ausente. Davi já preparou a explicação. Uma vez que Jônatas estará presente à celebração, ele pode dar a desculpa por Davi. Se, e quando Saul perguntar sobre sua ausência, Jônatas pode dizer ao rei que Davi pedira sua permissão para faltar à celebração porque sentiu que deveria ir a Belém ficar com sua família durante os festejos. É uma explicação razoável, que não deverá causar a Saul nenhum problema, a menos que, de fato, ele esteja procurando uma desculpa para si mesmo - uma desculpa para matar Davi.

Mas, por que a ausência de Davi seria tão importante para Saul? Penso que Davi não tenha feito muitas refeições à mesa de Saul ultimamente. Duas vezes Saul tentou matá-lo com sua lança enquanto ele estava em sua casa. Davi fugiu da casa de Saul e até mesmo de sua própria casa, acabando em Ramá junto com Samuel. Durante algum tempo Davi ficou ausente. Esta refeição festival devia ser como o Natal é para nós, um tempo para a família quando se espera que os membros estejam presentes. Não importa que Davi tenha sua própria família e que eles queiram que esteja com eles. Saul espera que Davi fique consigo, o que lhe dará outra oportunidade para liquidá-lo. Se Davi não comparece à refeição, Saul não tem idéia de quando ocorrerá a próxima oportunidade para matá-lo. Portanto, a ausência de Davi deve ser um teste para as intenções de Saul.

Davi apela para Jônatas realizar seu plano e ver se Saul ainda pretende mesmo matá-lo. A base para este apelo é o amor que os dois homens sentem um pelo outro e a aliança que fizeram (ver 18:1-4; 19:1). Davi fala com Jônatas como se ele fosse seu senhor e ele seu servo (20:8). De fato, isto é verdade. Jônatas é, nesse momento, o filho do rei, e Davi, seu subordinado. Davi apela para a aliança que os dois fizeram e pede que Jônatas realize o plano proposto por ele. Em vez de Davi se entregar a Saul, ele pede que Jônatas mesmo o execute, se realmente for culpado de algum pecado. Jônatas fica apavorado ante tal sugestão. Davi realmente pensa que ele o trairia entregando-o a seu pai para ser morto? Se Jônatas soubesse de qualquer complô de seu pai contra ele, Davi realmente supõe, mesmo que por um momento, que seu amigo não o avisaria em vez de traí-lo?

Jônatas deixa claro que avisará Davi sobre qualquer complô contra ele. Se seu pai realmente pretende matá-lo, ele pode ter certeza de que Jônatas o avisará. No entanto, há uma possibilidade do plano falhar. Suponha que Saul de fato pretenda matar Davi, e que ele mate Jônatas por tentar saber quais são suas intenções contra ele. Se Saul matar Jônatas por tentar ajudar Davi, quem o avisará? Aquilo que expliquei rudemente, Davi diz com toda delicadeza:

“Quem tal me fará saber, se, por acaso, teu pai te responder asperamente?” (verso 10b)

A esta altura Jônatas faz algo estranho e totalmente inesperado. Ele não fala mais nada até que estejam no meio do campo (verso 12). Este parece ser o campo onde Jônatas discute com seu pai, enquanto Davi observa (19:1-6). Creio que Jônatas está começando a perceber como a situação se tornou séria. Se Saul está louco de ciúmes e planejando matar Davi, é provável que alguém que, por acaso ouça a conversa entre eles, possa relatá-la a Saul. Os dois não estão indo ao campo tomar ar fresco. Estão saindo para onde olhos curiosos e ouvidos atentos não possam entender o que está sendo dito entre eles. Uma vez que este também é o lugar onde Jônatas dirá a Davi o resultado do “teste”, eles poderão marcar o lugar onde cada um ficará.

Se o teste mostrar que Saul mudou de idéia e que suas intenções são favoráveis, então Jônatas mandará dizê-lo a Davi (verso 12). Mas, se as intenções de Saul ainda forem hostis, Jônatas então levará a notícia a Davi, para que possa fugir. Se for este o caso, e Davi tiver que fugir (como agora Jônatas parece temer), então ele fará Davi saber que vai com sua bênção e com seu amor (verso 13).

Agora, se Davi precisar fugir, Jônatas tem um pedido para ele, um pedido baseado na aliança que os dois fizeram. Se ele sobreviver ao teste, Davi poupará sua vida, da mesma forma que ele procurou proteger a vida de Davi. Jônatas sabe que Davi sobreviverá e se tornará rei de Israel. Quando Davi for rei, Jônatas pede que ele poupe sua vida. Ele sabe muito bem que, quando um rei substitui outro, o rei que está no controle mata quaisquer outros rivais ao trono, incluindo seus herdeiros. Jônatas quer que Davi garanta que ele e seus herdeiros não serão aniquilados, como é de praxe. Os dois homens aperfeiçoam e reafirmam sua aliança, como manifestação de seu amor. Há uma diferença muito importante entre esta aliança elucidada e aperfeiçoada e aquela feita anteriormente. A anterior era uma aliança entre dois homens, Davi e Jônatas. Esta é um aliança entre duas famílias, entre duas dinastias. Esta é a aliança entre os descendentes de Davi e os descendentes de Jônatas.

Uma mudança sutil, claramente percebida nos versos 18 a 23, aconteceu. Jônatas assumiu o controle da situação. A princípio, a iniciativa foi de Davi. Davi fugiu de Ramá e procurou por Jônatas. Jônatas reluta em acreditar naquilo que ele lhe diz a respeito de seu pai. Depois, percebendo a seriedade de Davi sobre este assunto, ele concorda em ajudá-lo da forma que ele achar melhor. Davi propõe um plano que revelará os planos de Saul com respeito a ele. Depois, no verso 11, Jônatas leva Davi para campo aberto onde continuam sua conversa. Acho que deste ponto em diante, Jônatas toma conta do problema. Ele não é mais um ouvinte relutante ou um auxiliar complacente de Davi, ele é o líder.

Nos versos 18 a 23 Jônatas cuidadosamente explica o plano pelo qual dará o resultado do teste a Davi. Davi deve se esconder por três dias, enquanto o teste estiver sendo levado a cabo. Então, no final deste período, ele deve vir ao campo onde estão neste momento. Ali, Jônatas informará o resultado do teste. Jônatas atirará três flechas, como se mirasse num alvo. Depois mandará um rapaz pegar as flechas. Se Jônatas disser ao jovem para procurar as flechas em sua direção, Davi deverá entender que as intenções de Saul são boas, e dessa forma, poderá sair do esconderijo. Mas, se Jônatas disser ao rapaz para procurá-las além de onde está, então Davi deve entender que Saul pretende prejudicá-lo, e deve fugir.

Uma vez mais, a aliança entre eles é mencionada com relação ao plano. Jônatas garante a Davi que fará tudo o que prometeu, por causa da aliança. O uso do termo para sempre, no verso 23, indica que esta aliança agora é vista como sendo entre Jônatas e seus descendentes, e Davi e seus descendentes. Esta aliança extensiva é a base de sua amizade e confiança mútua.

Saul Não Passa no Teste
(20:24-34)

“Escondeu-se, pois, Davi no campo; e, sendo a Festa da Lua Nova, pôs-se o rei à mesa para comer. Assentou-se o rei na sua cadeira, segundo o costume, no lugar junto à parede; Jônatas, defronte dele, e Abner, ao lado de Saul; mas o lugar de Davi estava desocupado. Porém, naquele dia, não disse Saul nada, pois pensava: Aconteceu-lhe alguma coisa, pela qual não está limpo; talvez esteja contaminado. Sucedeu também ao outro dia, o segundo da Festa da Lua Nova, que o lugar de Davi continuava desocupado; disse, pois, Saul a Jônatas, seu filho: Por que não veio a comer o filho de Jessé, nem ontem nem hoje? Respondeu Jônatas a Saul: Davi me pediu, encarecidamente, que o deixasse ir a Belém. Ele me disse: Peço-te que me deixes ir, porque a nossa família tem um sacrifício na cidade, e um de meus irmãos insiste comigo para que eu vá. Se, pois, agora, achei mercê aos teus olhos, peço-te que me deixes partir, para que veja meus irmãos. Por isso, não veio à mesa do rei. Então, se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe: Filho de mulher perversa e rebelde; não sei eu que elegeste o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha do recato de tua mãe? Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer. Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que fez ele? Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi. Pelo que Jônatas, todo encolerizado, se levantou da mesa e, neste segundo dia da Festa da Lua Nova, não comeu pão, pois ficara muito sentido por causa de Davi, a quem seu pai havia ultrajado.”

No dia seguinte Jônatas se senta à mesa com seu pai e outras pessoas, como sempre faz. O rei Saul se senta de “costas para a parede” (verso 25), o que lhe dá grande segurança (deste jeito, ninguém pode apunhalar ou atirar em alguém pelas costas). Jônatas senta-se em frente a ele e Abner ao lado do rei. Todo mundo parece estar sentado no lugar de costume. Evidentemente, o lugar de Davi à mesa está vazio. Saul não diz nada. Ele pensa consigo mesmo que Davi, de alguma forma, está impuro e não possa participar da refeição.

No outro dia o lugar de Davi ainda está vazio. Tentando parecer casual, Saul pergunta a Jônatas por que “o filho de Jessé” não aparece há dois dias. Jônatas dá a Saul a desculpa que ele e Davi ensaiaram. Davi, responde Jônatas, pediu permissão a ele para se ausentar, a fim de que pudesse celebrar com sua família em Belém. O irmão de Davi o pressionou e ele pediu permissão a Jônatas para se ausentar, e Jônatas concedeu. Simples - sem grandes problemas.

Mas, com toda certeza, é um problema para Saul! Ele fica furioso, e sua fúria se concentra em Jônatas. É tudo culpa de Jônatas, Saul conclui. Ele chama seu próprio filho dos nomes mais ofensivos. Todas as acusações de Saul são, em essência, verdadeiras e baseadas na aliança que Jônatas e Davi fizeram. Jônatas é o primogênito de Saul, o herdeiro do trono. Jônatas está jogando tudo isto fora por prometer amor e lealdade a Davi. Se Davi viver, o trono será seu e não de Jônatas. Por isso, Saul ordena que Jônatas traga Davi para que seja morto.

As razões de Saul são interesseiras e de modo algum piedosas. Saul não dá importância ao fato de que Deus indicou através de Samuel que seu reino seria tirado dele (13:13-14; 15:22-23). Ele despreza o fato de Samuel ter ungido Davi como o próximo rei de Israel (16:13). Matar Davi será matar o ungido de Deus. Ainda que Davi não faça isto a ele, Saul com toda certeza pretende matá-lo. Jônatas pressiona seu pai a pensar em termos de justiça bíblica. Se Davi vai ser morto, por cometer qual pecado deve ser executado? Qual pecado seu merece a pena de morte? Se não existe razão nas Escrituras para matá-lo (quer dizer, na lei de Moisés), então Saul é o único que está pecando, não Davi.

Saul agora é realmente perverso. Ele pega sua lança, que está sempre ao seu lado, e a atira em seu próprio filho, Jônatas. Saul atira a lança, e Jônatas entende. Ele não acerta. Felizmente Saul não melhorou sua pontaria. Não há mais dúvidas na cabeça de Jônatas. Agora há dois lugares vazios na mesa, o de Davi e o de Jônatas. Que conveniente! Jônatas está profundamente pesaroso. Seu pesar, você notará, não é devido à humilhação que seu pai lhe impôs à mesa do jantar, mas devido à maneira como seu pai desonrou Davi (verso 34). O tempo todo Davi estava certo, absolutamente certo. Saul realmente pretende matá-lo, e também matará qualquer um que tente pará-lo.

Uma Despedida Triste
(20:35-42)

“Na manhã seguinte, saiu Jônatas ao campo, no tempo ajustado com Davi, e levou consigo um rapaz. Então, disse ao seu rapaz: Corre a buscar as flechas que eu atirar. Este correu, e ele atirou uma flecha, que fez passar além do rapaz. Chegando o rapaz ao lugar da flecha que Jônatas havia atirado, gritou Jônatas atrás dele e disse: Não está a flecha mais para lá de ti? Tornou Jônatas a gritar: Apressa-te, não te demores. O rapaz de Jônatas apanhou as flechas e voltou ao seu senhor. O rapaz não entendeu coisa alguma; só Jônatas e Davi sabiam deste ajuste. Então, Jônatas deu as suas armas ao rapaz que o acompanhava e disse-lhe: Anda, leva-as à cidade. Indo-se o rapaz, levantou-se Davi do lado do sul e prostrou-se rosto em terra três vezes; e beijaram-se um ao outro e choraram juntos; Davi, porém, muito mais. Disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz, porquanto juramos ambos em nome do SENHOR, dizendo: O SENHOR seja para sempre entre mim e ti e entre a minha descendência e a tua.”

Agora é hora de Jônatas realizar seu plano. Ele precisa dizer a Davi que ele estava certo, que Saul realmente pretende matá-lo. Como combinado, Jônatas vai ao campo onde sabe que Davi está escondido e observando. Ele manda seu jovem servo ir pegar suas flechas. Ele atira a primeira flecha além de onde está o jovem, e então grita que ela está adiante dele. Davi agora sabe. Saul está tentando matá-lo. Ele precisa escapar tão rápido quanto possível. Quando o jovem traz a flecha de volta, Jônatas o manda retornar à cidade.

Se o plano é que Davi escape despercebido pela floresta, ele não é executado. Os dois homens sabem que daí em diante suas vidas jamais serão as mesmas. Talvez não se vejam novamente, e se o fizerem, será em segredo, e por pouco tempo. Assim, Davi sai do esconderijo e se aproxima de Jônatas e lhe dá um doloroso adeus. Os dois se beijam e choram, Davi mais do que Jônatas. Esta vai ser uma grande perda para ele, e ele sabe disso. Quando se separam, Jônatas fala sobre a aliança que fez com Davi e sua descendência e reafirma seu compromisso em mantê-la. Davi se levanta e parte, e Jônatas retorna à cidade. As coisas jamais serão as mesmas novamente, e ambos sabem disso.

Conclusão

Neste capítulo podemos perceber um ponto muito importante no que se refere ao relacionamento de Davi com Saul e com Jônatas. Antigamente, Davi fugia da presença de Saul, mas isto era sempre temporário. Agora, é permanente. Davi não se sentará à mesa de Saul outra vez, não tocará sua harpa para acalmar o espírito atribulado do rei outra vez, não lutará por Saul no exército israelita outra vez. Davi se tornará um fugitivo que estará constantemente fugindo de Saul, que procura matá-lo. Por isso, a amizade que Davi gozou com Jônatas também não será a mesma outra vez. E assim, Davi e Jônatas dizem este triste adeus de nosso texto. Eles se encontrarão novamente, mas não será com freqüência, ou por muito tempo.

Uma palavra resume todo este capítulo, e essa palavra é aliança. Davi foge para Jônatas, num momento de puro desespero, porque eles têm um relacionamento pactual que garante a Davi o amor e o apoio de Jônatas. Esta aliança de mútuo amor e boa vontade será a razão para Jônatas levar Davi tão a sério, que se disporá a realizar o teste proposto por ele. Também é a razão pela qual Jônatas toma essas elaboradas precauções de segurança (sair para o campo, comunicando-se com Davi através de um tipo de sinal). Esta aliança é realmente elucidada e estendida em nosso texto. O que, originalmente, era uma aliança entre dois homens, agora se torna uma aliança entre duas famílias. O que era uma aliança geral, vaga, feita na época em que não havia animosidade da parte de Saul contra Davi, agora é elucidada para cuidar de sua hostilidade e de seus intentos violentos contra ele. A aliança entre Jônatas e Davi também é o ponto forte da fúria de Saul contra ambos, Davi e Jônatas. A aliança que une estes dois homens e suas famílias provocou a ira de Saul contra Davi e contra seu filho, Jônatas. Saul não poderia se opor a um sem se opor ao outro.

Esta aliança é o fundamento e a diretriz do relacionamento entre Davi e Jônatas. Ela dá a ambos a sensação de segurança e expressa a submissão e a servidão de um ao outro. Este é um assunto de tal importância que devemos fazer uma pausa para refletir sobre ele. Primeiramente, vamos discutir esta aliança como sendo relevante aos nossos relacionamentos com as outras pessoas. E depois concluiremos explorando a maneira pela qual uma “aliança” determina o nosso relacionamento com Deus.

Uma Aliança Determina Nosso Relacionamento com As Outras Pessoas

Mesmo no mundo em que vivemos somos governados com fundamento numa aliança que os homens fazem entre si. A Declaração de Independência dos Estados Unidos foi escrita, em parte, porque o povo da nação sentia que a Inglaterra quebrara a aliança com aqueles que eram governados por ela. Nossa Constituição é um tipo de aliança, que nos une como nação. Seja escrito ou oral, implícito ou expresso, o governo é estabelecido com base numa aliança feita por homens.

Creio que o casamento é uma das mais importantes alianças que um homem pode fazer com uma mulher. Ainda é comum para algumas pessoas que vivem juntas sem serem casadas, dizer: “Amamos um ao outro e não precisamos de um pedaço de papel para nos manter juntos.” Nosso texto deixa claro que uma aliança é a conseqüência natural do amor, uma expressão do amor. Davi e Jônatas fizeram uma aliança porque eles se amavam. Em suas mentes, teria sido inconcebível não fazerem uma aliança. Por que dois homens, que se amam como irmãos, não estariam dispostos a assumir compromissos que eles juram manter para sempre?

Uma aliança é prova de amor. Uma aliança é um acordo mútuo sobre a definição de como o amor será refletido num relacionamento. Acho que também é certo dizer que um relacionamento pactual se desenvolve. Quando o ciúme de Saul se torna evidente, tanto Davi como Jônatas modificam (ou elucidam) sua aliança para que as novas circunstâncias sejam levadas em conta. Mas o compromisso que têm um com o outro não diminui por causa dos tempos difíceis que sobrevêm sobre seu relacionamento; os tempos difíceis fazem com que os dois se comprometam ainda mais um com o outro. A mesma coisa se aplica aos votos do casamento. Quando um homem e uma mulher se juntam para se tornar marido e mulher, eles fazem votos que são, na realidade, a definição da aliança que está sendo feita. Esta aliança não deve ser quebrada. Esta aliança é o fundamento e o esteio quando os problemas chegam, mesmo quando o amor parece faltar. Uma aliança dá ao casamento a estabilidade que os sentimentos românticos não podem dar, porque não são constantes.

Para todos os crentes em Cristo não há somente uma aliança individual entre eles e Jesus Cristo, há também um relacionamento pactual entre todos os crentes. Nós formamos uma comunidade pactual, unidos pela aliança. Repare como o profeta Malaquias repreende os antigos israelitas por falharem em manter suas alianças:

“Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais? Judá tem sido desleal, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com adoradora de deus estranho. O SENHOR eliminará das tendas de Jacó o homem que fizer tal, seja quem for, e o que apresenta ofertas ao SENHOR dos Exércitos. Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.” (Ml. 2:10-16)

Uma Aliança Determina Nosso Relacionamento com Deus

Aquilo que eu disse sobre as alianças determinarem os relacionamentos entre os homens é conseqüência natural de uma verdade mais elevada: Deus determina o relacionamento do homem Consigo mesmo por meio de uma aliança. Quando Deus destruiu toda a raça humana por causa de seu pecado, Ele estabeleceu uma aliança com Noé e seus descendentes. Quando Deus passou a relacionar-se com Abrão (antes dele ser chamado Abraão), Ele o fez por meio de uma aliança, a Aliança Abraâmica (Gn. 12:1-3, etc.). Quando Deus libertou o povo de Israel da escravidão do Egito, Ele passou a relacionar-se com eles, e este relacionamento foi governado pela Aliança Mosaica. As ações de Deus em Israel no Antigo Testamento podem ser vistas como o cumprimento dessa aliança. Deus agiu de acordo com Sua aliança.

Todos os tratos de Deus com os homens podem ser vistos como o cumprimento de Sua aliança com eles. Mas, enquanto Deus sempre mantém os termos de Sua aliança, o homem consistentemente tem demonstrado que é um transgressor dessa aliança. Se nossa salvação dependesse de guardarmos a aliança de Deus, jamais seríamos perdoados de nossos pecados e jamais faríamos parte de Seu Reino. Deus sabia que, apesar dos homens terem prometido guardar a aliança mosaica, eles jamais o fariam:

“Ouvindo, pois, o SENHOR as vossas palavras, quando me faláveis a mim, o SENHOR me disse: Eu ouvi as palavras deste povo, as quais te disseram; em tudo falaram eles bem. Quem dera que eles tivessem tal coração, que me temessem e guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!” (Dt. 5:28-29)

Tempos depois na história de Israel, quando Josué disse ao povo suas palavras de despedida, uma vez mais eles prometerem guardar esta aliança (mosaica). Josué os conhecia muito melhor:

“Então, Josué disse ao povo: Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados. Se deixardes o SENHOR e servirdes a deuses estranhos, então, se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem. Então, disse o povo a Josué: Não; antes, serviremos ao SENHOR. Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes o SENHOR para o servir. E disseram: Nós o somos. Agora, pois, deitai fora os deuses estranhos que há no meio de vós e inclinai o coração ao SENHOR, Deus de Israel. Disse o povo a Josué: Ao SENHOR, nosso Deus, serviremos e obedeceremos à sua voz. Assim, naquele dia, fez Josué aliança com o povo e lha pôs por estatuto e direito em Siquém.” (Js. 24:19-25)

Havia apenas uma solução. Precisava haver uma salvação que não dependesse da perfeição e do desempenho do homem. Precisava ser uma salvação que dependesse da perfeição e do desempenho de Deus. E, assim, no Velho Testamento, Deus começou a falar da “nova aliança” que faria com os homens, a qual resultaria na salvação eterna:

“Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (Jr. 31:31-34)

Esta “nova aliança” foi cumprida pelo Messias prometido, o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo.

“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lc. 22:19-20)

“E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente.” (II Co. 3:4-11)

“Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.” (Hb. 9:11-15)

Tudo se reduz a isto. Deus sempre se relacionou com os homens com base numa aliança. Em todos os casos os homens falharam em guardar a aliança de Deus, embora Deus tenha fielmente mantido sua aliança e suas promessas. A fim de salvar os homens de seus pecados e lhes dar acesso a Seu reino, Deus substituiu a(s) antiga(s) aliança(s) por uma nova e melhor. Esta aliança não depende do nosso desempenho, mas do desempenho de Deus. Deus enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para viver um vida sem pecado, para cumprir perfeitamente a antiga aliança mosaica. E depois, quando morreu na cruz do Calvário, Ele suportou a pena pelos pecados dos homens. Quando Ele ressurgiu da morte, demonstrou a satisfação de Deus e Sua (de Cristo) Justiça. Pela morte, funeral e ressurreição de Cristo Deus deu aos homens uma nova aliança, segundo a qual pôde ser garantido aos homens o perdão dos pecados e a vida eterna. Para que sejamos salvos, precisamos apenas abraçar esta aliança como nossa única esperança e meio de salvação. Esta aliança foi conquistada de uma vez por todas. Ela não pode ser deixada ou anulada. Precisa apenas ser abraçada. Pelo reconhecimento de nossa incapacidade de agradar a Deus pelos nossos próprios esforços, e por confiar na obra de Cristo feita em nosso favor, fazemos parte desta nova aliança e de todos os seus benefícios. Você já faz parte desta aliança? Eu o incentivo a fazer isto hoje. Que grandioso Deus nós temos, que nos oferece este relacionamento pactual com Ele.

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