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Graça e Paz

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Introdução

As epístolas de Paulo começam com uma saudação que inclui sempre as palavras “a vós, graça e paz”, ou “graça, misericórdia e paz”, como sucede em 1 e 2 Timóteo. As saudações de Paulo incluem o autor, o destinatário e a secção de cumprimentos, seguindo o estilo de outras cartas daquele tempo. Contudo, as suas saudações acrescentam um novo sabor, dado o significado que os termos “graça” e “paz” possuem para aqueles que acreditam em Cristo.

Apesar de “a vós, graça e paz” fazer lembrar as saudações gregas e hebraicas comuns, Paulo basicamente inventou uma ligeira variação, a fim de sugerir a verdade cristã aprofundada a respeito da graça. Charis (“graça”) vai além do típico chairein (“saúde”; veja Actos 15:23; 23:26; Tiago 1:1). Desta forma, enfatizou as bênçãos imerecidas que os crentes recebem em Cristo. Através da maravilhosa graça de Deus, os pecadores são salvos dos seus pecados e trazidos para uma relação salvadora com um Deus santo, mediante a Sua obra em favor deles, de modo completamente gratuito. Esta graça não se cinge à salvação do castigo pelo pecado, estendendo-se como alicerce da vida do crente com Deus, por toda a eternidade. São estas bênçãos de graça que Paulo e seus associados desejam para os seus leitores.

A graça traz sempre benefícios, um dos quais se reflecte na palavra “paz”, que o Apóstolo associa sempre à graça de Deus. De facto, a ordem é importante. Primeiro graça, depois paz. Até conhecermos e tomarmos posse da graça, não conseguimos experienciar paz. “Paz” constituía uma saudação judaica típica (confira Juízes 19:20) mas, para o cristão, carrega um significado muito mais profundo do que para os antigos hebreus. Assim, o que é que Paulo desejava exactamente para os seus leitores? O estudo que se segue é uma breve perspectiva geral acerca da graça e paz, oferecidas aos que crêem em Cristo.

A Importância e Significado da Graça

Para muitos crentes, o conceito de graça não vai muito além da definição básica de “favor imerecido” ou “dom gratuito de Deus”. Porém, uma vez que a graça se encontra no cerne do verdadeiro Cristianismo, sendo realmente o seu pilar e fonte, deveríamos compreender melhor o significado e verdade desta palavra.

As implicações que a graça de Deus tem para nós em Cristo afectam extremamente as nossas vidas, em todos os aspectos. Ao longo do Novo Testamento, os efeitos da graça de Deus são enfatizados. Onde quer que procuremos, deparamo-nos com esta palavra (104 referências – NVI). De facto, o Senhor É descrito como epítome e manifestação da graça de Deus.

Tito 2:11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

Para além disso, a doutrina da Graça de Deus em Cristo é multifacetada. Enquanto doutrina da Palavra, incide, de uma ou outra maneira, sobre qualquer área de verdade ou doutrina. Todos os aspectos da doutrina estão relacionados com a graça. Não admira que “graça” seja uma palavra importante, que Paulo desejava que todos experienciassem. É uma fonte da qual todos devemos beber profundamente, mas que é contrária às nossas tendências naturais. Em vez de bebermos da fonte de Deus, tendemos a construir as nossas próprias cisternas rotas.

Jeremias 2:13 Porque o Meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-Me, a Mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas rotas, que não retêm a água.

Definição de Graça

Uma Definição Básica – Lexical

A palavra grega para graça é caris. A ideia básica é, simplesmente, “favor não meritório ou imerecido, dom imerecido, bênçãos ou favores concedidos como dom, gratuitamente e jamais como merecimento pelo trabalho realizado”.

Definição Expandida – Teológica

A graça é “aquilo que Deus, através do Seu Filho, faz pela humanidade, aquilo que a humanidade não consegue obter, não merece nem nunca merecerá”.1

A graça é tudo aquilo que Deus, livre e imerecidamente, faz e tem a liberdade de fazer pelo homem, com base em Cristo e Sua obra na cruz. A graça, poder-se-á afirmar, é a obra de Deus pelo homem, e abrange tudo o que recebemos d'Ele.

Efésios 1:3, 6 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo,... 6 para o louvor da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.

João 6:27-29 “Não trabalheis pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará. Deus, o Pai, n'Ele colocou o Seu selo de aprovação.” 28 Então lhe perguntaram: “O que precisamos de fazer para realizar as obras que Deus requer?” 29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer n'Aquele que Ele enviou”.

Deveremos recordar que a vinda de Cristo é descrita como manifestação da graça de Deus. “A graça resume-se no nome, pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo.”2

João 1:14, 16 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. ... 16 E todos nós recebemos, também, da Sua plenitude, e graça por graça.

Efésios 2:8-9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; 9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Tito 2:11 Porque a graça de Deus se manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

Descrição – uma explicação alargada

As Características da Graça

(1) A graça realça o carácter de Deus e a iniquidade humana, enquanto a misericórdia enfatiza a força de Deus e a impotência do homem. A graça encontra a sua necessidade no (a) facto da santidade de Deus e da iniquidade humana, e (b) na natureza de Deus, enquanto Criador, e do homem, enquanto criatura.

(2) A graça opõe-se e exclui qualquer ideia de obras meritórias, obras executadas de modo a obter bênçãos ou recompensas. A graça significa que nunca poderá merecer aquilo, nem poderá conquistá-lo através do antigo método de trabalhar para isso. A afirmação de Paulo em Romanos 4:1-2 é digna de nota:

Romanos 4:1-5 Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai, segundo a carne? 2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. 3 Pois, que diz a Escritura? “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” 4 Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida. 5 Todavia, àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, a sua fé lhe é creditada como justiça.

Romanos 11:6 Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

Um grande homem como Abraão poderá gloriar-se das suas obras diante de pessoas impressionadas com os seus feitos, mas nunca há espaço para vanglória diante de Deus – nem mesmo para um homem como Abraão.

A partir do momento em que acrescentamos obras para conquistar a aprovação de Deus, passamos da graça para a existência meritória. Tal é óbvio em Romanos 4:4-5 (vide supra).

Mas o que pensar acerca de Efésios 4:1, que diz “Rogo-vos que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados”?  Não sugere a existência de obras com valor? Em vez de obras que merecem a aprovação de Deus, a ideia é que devemos viver de um modo consistente ou adequado à nossa vocação, não de um modo que mereça o amor de Deus.

(3) Mas, simultaneamente, a graça é a fonte a partir da qual devem ser produzidas as boas obras na vida cristã, desde que recebida pela fé na graça de Deus.

Tito 2:11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

2 Timóteo 2:1 Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.

1 Coríntios 15:9-11 Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. 10 Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a Sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles, todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo. 11 Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim haveis crido.

Por outras palavras, a graça proporciona poder e motivação para uma vida à imagem de Cristo. Tito 2:11 ensina-nos que a graça de Deus em Cristo é o método dinâmico de instrução e motivação na vida cristã. Mostra-nos, literalmente, como devemos viver, motivando-nos a agir de forma concordante.

Romanos 12:1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Efésios 4:1 Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados.

Efésios 6:10 Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.

(4) Embora a graça seja o modo de vida do Novo Testamento, também contém regras e imperativos que Deus espera que sigamos, não para obtenção de mérito, mas por causa da Sua graça. Não é antinomiana, ou anti lei.

1 Coríntios 10:31 Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.

Romanos 6:14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

Romanos 8:1-5 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. 3 Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado, 4 para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. 5 Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito.

Tito 2:12-14 Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, 13 enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. 14 Ele Se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para Si mesmo um povo particularmente Seu, dedicado à prática de boas obras.

Romanos 12:1-2 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2 E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Conforme Tito 2:12-14 e Romanos 12:1-2 (ver acima) nos ensinam, a graça de Deus em Cristo exige o abandono das coisas erradas (pela força da graça de Deus), bem como inclinação e obediência às coisas certas. Assim, torna-se bastante evidente que a graça jamais implica o direito a uma vida desregrada, fazendo aquilo que se quer só por nos encontrarmos na graça de Deus.

Romanos 5:20 - 6:1 Veio, porém, a Lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; 21 para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça, para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor. ...1 Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?

Ryrie descreve esta ideia da seguinte forma: “A razão última da revelação da graça de Deus em Cristo não é a doutrina, mas sim o carácter.”3

(5) A graça glorifica a Deus porque revela a Sua pessoa, glória e excelência. A graciosa salvação de Deus e a obra de Cristo em favor do homem destinam-se ao “louvor da Sua gloriosa graça”.

Romanos 4:1-5 Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai, segundo a carne? 2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. 3 Pois, que diz a Escritura? “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” 4 Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. 5 Mas, àquele que não pratica, mas crê n'Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.

Efésios 1:6 Para o louvor da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.

Efésios 2:8-9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; 9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.

2 Pedro 1:2-4 Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus, nosso Senhor! 3 Visto como o Seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d'Aquele que nos chamou por Sua glória e virtude; 4 pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que, por elas, fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo.

(6) A graça garante a salvação do crente. Faz com que seja impossível a qualquer homem sair do plano de Deus, do ponto de vista da sua posição em Cristo. Porquê? Porque a salvação depende do carácter e obra de Deus em Cristo, não do registo ou obras do homem.

Romanos 8:33-39 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou, antes, quem ressuscitou de entre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. 35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? 36 Como está escrito: “Por amor de Ti, somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro”. 37 Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. 38 Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

As obras dos crentes serão julgadas ou examinadas para a atribuição de recompensas, mas não como base para a salvação.

1 Coríntios 3:12-15 Se alguém constrói sobre esse alicerce, usando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, 13 a sua obra será mostrada, porque o dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um. 14 Se o que alguém construiu permanecer, esse receberá recompensa. 15 Se o que alguém construiu se queimar, esse sofrerá prejuízo; contudo, será salvo como alguém que escapa através do fogo.

Aqueles que não crêem serão julgados, com base nas suas obras, diante do Grande Trono Branco do Juízo, mas apenas porque rejeitaram a obra que a graça poderia ter realizado neles em Cristo. As suas obras tornam-se provas da sua iniquidade e, evidentemente, são também a base para o grau da sua punição (confira Mt. 11:21, que implica vários graus de punição).

(7) A graça assegura-nos o amor de Deus e Sua provisão em qualquer circunstância que tenhamos de enfrentar.

Romanos 8:32-39 Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também, com Ele, todas as coisas? 33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou, antes, quem ressuscitou de entre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. 35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? 36 Como está escrito: “Por amor de Ti, somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro”. 37 Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. 38 Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

As Bênçãos da Graça

A provisão da graça de Deus engloba quatro áreas ou bênçãos principais. Apesar de pecaminosos e merecedores da ira de Deus, a graça significa...

(1) A Bênção da Aceitação

Efésios 1:6 Para o louvor da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.

1 Coríntios 1:29-30 … para que nenhuma carne se glorie perante Ele. 30 Mas vós sois d'Ele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito, por Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

A graça significa que somos inteiramente aceites, por causa da obra perfeita de Cristo, que... nos redime (Rm. 3:24), nos reconcilia (2 Cor. 5:19-21), nos perdoa (Rm. 3:25; Ef. 1:6,7), nos salva (Cl. 1:13), nos justifica (Rm. 3:24; 5:1) e nos glorifica (Rm. 8:30).

(2) A Bênção da Capacitação (poder e capacidade espiritual)

1 Coríntios 15:10 Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a Sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles, todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo.

Apesar de fraco e desprovido de habilidade para coisas espirituais, a graça assegura ao crente uma capacidade especial e divina, através da graça de Deus, que é nossa em Cristo. Tal é realçado pelo seguinte:

  • Não mais sob a Lei, mas sob a graça (Rm. 6:14; 2 Cor. 3:6-13).
  • Cristo em vós, a esperança da glória (Cl. 1:27).
  • Baptizados e circuncidados em Cristo para uma vida nova (Rm. 6:4 ss; Cl. 2:11).
  • Habitados pelo Espírito de Deus, que confere poder e capacidade para uma vida cristã (Rm. 8:2 ss).
(3) A Bênção de uma Nova Posição

Efésios 1:3 Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, em Cristo.

Efésios 2:1-5 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, 2 em que noutro tempo andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; 3 entre os quais todos nós, também, antes andávamos, nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como os outros também. 4 Mas Deus, que É riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, 5 estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).

Colossenses 2:10 E estais perfeitos n'Ele, que é a cabeça de todo o principado e potestade.

Embora em Adão e morto no pecado antes da salvação, a graça significa que o crente adquire em Cristo uma nova posição, trazendo para a sua vida toda a espécie de bênção espiritual. Tal implica diversos dons, tais como...

  • Todos os crentes são sacerdotes – membros de um sacerdócio real (1 Pd. 2:5,9).
  • Cidadãos do Céu e, desse modo, deixados aqui na terra como embaixadores de Cristo (Fl. 3:20; 2 Cor. 5:20).
  • Filhos de Deus, membros da Sua família (Ef. 5:1).
  • Adoptados como filhos adultos, com todos os direitos, privilégios e responsabilidades (Gl. 4:5).
  • Equipados com dons para o ministério (1 Pd. 4:10; 1 Cor. 12:4-7).
(4) A Bênção de uma Herança Eterna

1 Pedro 1:4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós.

Finalmente, apesar de antes estarmos alheados de Deus e destinados ao inferno, a graça implica a bênção de uma herança eterna, intocada pela morte, “incorruptível”, não manchada pelo pecado, “incontaminável”, e não danificada pelo tempo, “que se não pode murchar”.

As Necessidades em Relação à Graça – Orientação e Multiplicação da Graça

2 Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas. 3 Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. 4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós, 5 que, mediante a fé, estais guardados, na virtude de Deus, para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. 6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9 obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. (1 Pedro 1:2-9)

A tendência natural do homem é pensar em termos de obras e méritos. Uma salvação pela graça, através da fé, é simplesmente fácil de mais. É comummente denominada “crença fácil”. Tal é óbvio quando se consideram as diversas religiões mundiais, que enfatizam a prática de algum tipo de boas obras como forma de obter a aceitação de Deus. Isto é exemplificado em João 6, na resposta dos judeus às palavras de Jesus em João 6:27. Assim que lhes foi dito que trabalhassem não pela comida que perece, mas sim pela que dura até à vida eterna, que o Filho do Homem (repare, por favor) vos dará, responderam: “Que faremos para praticar as obras (plural) de Deus?” (vs. 28). A questão passou-lhes completamente ao lado, porque pensavam em termos de obras humanas, destinadas a conquistar o alimento espiritual que Deus tinha para oferecer. A resposta de Jesus é esclarecedora e orienta-nos em direcção à graça. Ele afirmou: “A obra (singular) de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou”. A salvação é obra de Deus, concretizada no Seu Filho, que o homem recebe como dom através da fé, crendo no Filho de Deus.

A orientação da graça e respectiva multiplicação advém do conhecimento da Palavra e da fé. 1 Pedro 1:2 diz, literalmente, “graça e paz vos sejam multiplicadas”. Mais tarde, em 2 Pedro 3:18, Pedro exorta os fiéis a crescer na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador. Não só precisamos de ser orientados pela graça, mas também de crescer na nossa compreensão das suas múltiplas facetas, em todos os aspectos da vida.

Riscos em Relação à Graça – Desorientação da Graça

Uma vez mais, por causa da nossa mentalidade vocacionada para as obras, tendemos a deixar passar a graça de Deus (Hb. 12:15). Consequentemente, voltamo-nos para as nossas próprias soluções, estratégias e modos de vida, do humanismo ao legalismo – ignoramos as vantagens divinas, operadas por Deus, ou a graça, e passamos a depender de nós mesmos para o oposto, a libertinagem – o uso da graça de Deus como ocasião para a carne.

Hebreus 12:15 Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.

Gálatas 5:1-5, 13 Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. 2 Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. 3 De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. 4 De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. 5 Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. ...13 Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.

Existem várias imagens bíblicas que advertem contra esse perigo:

  • Confiar no braço de carne, que nos deixa em condições desérticas (Jr. 17:5)
  • Cavar cisternas, cisternas rotas, que não retêm água (Jr. 2:13)
  • Militar segundo a carne, usando armas humanas contra forças espirituais (2 Cor. 10:3)
  • Apoiar-se num caniço rachado que trespassa a mão (Is. 36:6)
  • Caminhar à luz das nossas próprias tochas (Is. 50:10-11)

Repare em algumas das formas que os perigos adquirem:

ESTRATÉGIAS HUMANAS PARA A VIDA

De

Para

Indiferença

Trabalho Excessivo

Mecanismos de Fuga

Mecanismos de Defesa

Perda de Controlo

Controlo Rígido

Libertinagem

Legalismo

Repare em algumas das consequências às quais conduzem os perigos:

Gálatas 5:1 ss mostra claramente que, quando nos voltamos para as nossas próprias soluções (confiando no braço de carne), excluímos de imediato a fé na provisão de Deus, anulamos o Seu poder nas nossas vidas, desonramos Deus, extinguimos o Espírito, praticamos as obras da carne e experimentamos miséria global, em lugar da paz de Deus.

Romanos 4:4 Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. 

Romanos 11:6 Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

Gálatas 3:1-5 Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? 2 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3 Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? 4 Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes? Se, na verdade, foram em vão. 5 Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

Gálatas 5:1-5 Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. 2 Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. 3 De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. 4 De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. 5 Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé.

Importância e Significado da Paz

Definição de Paz

A palavra para paz é eirhnh. Aparentemente, provém de eirw, “unir”. Significa um estado de tranquilidade despreocupada, sem guerra, facções divisórias ou inimizade. Refere-se a um estado de harmonia e bem-estar. Porém, abrangidos pelo uso desta palavra na Escritura, existem vários aspectos de paz conferidos pela graça de Deus, de acordo com diversos contextos.

Descrição – Tipos de Paz

A Paz da Reconciliação, Paz com Deus

A paz com Deus refere-se à paz da salvação, na qual barreiras como o pecado humano e a santidade de Deus, que separa o homem de Si, são removidas através da fé na obra graciosa de Deus em Cristo. Em Efésios 2, Cristo é visto como o Pacificador.

Efésios 2:14-18 Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, 15 aboliu, na Sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em Si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, 16 e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. 17 E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; 18 porque, por Ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.

Romanos 5:1 Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

Gálatas 6:12-16 Todos os que querem ostentar-se na carne, esses vos constrangem a vos circuncidardes, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13 Pois nem mesmo aqueles que se deixam circuncidar guardam a lei; antes, querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. 14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. 15 Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. 16 E, a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus.

A Paz da Comunhão, a Paz de uma Consciência Desprovida de Ofensa

Esta é a paz pessoal que Deus dá a cada indivíduo, através da sua comunhão com o Senhor, caminhando em concordância com Deus, confessando todo o pecado conhecido e entregando o mesmo à graça de Deus.

1 João 1:9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

1 João 3:21 Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus.

Gálatas 5:22 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade.

1 Timóteo 1:5 Ora o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência e de uma fé não fingida.

Actos 24:16 “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens.”

Tito 1:3 E, em tempos devidos, manifestou a Sua palavra mediante a pregação que me foi confiada por mandato de Deus, nosso Salvador.

A Paz da Confiança, a Paz de Deus

Esta é a paz ou o repouso da alma, proveniente da confiança na provisão de Deus e no Seu controlo sobre todos os aspectos da vida. É a paz que nos acalma, que preenche as nossas almas e nos permite relaxar, mesmo no meio do tumulto circundante.

Filipenses 4:6-9 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com acções de graças. 7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. 8 Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. 9 O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.

Salmos 119:165 Grande paz têm os que amam a Tua lei; para eles não há tropeço.

Provérbios 3:13-17 Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; 14 porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino. 15 Mais preciosa é do que pérolas, e tudo o que podes desejar não é comparável a ela. 16 O alongar-se da vida está na sua mão direita, na sua esquerda, riquezas e honra. 17 Os seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as suas veredas, paz.

A Paz da Harmonia, Paz com os Outros

Esta é a paz da união e unidade no corpo de Cristo; unidade de mente e propósito.

Efésios 4:3 Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

1 Tessalonicenses 5:13 E que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros.

Princípio: Deus recolhe uma colheita de paz quando os fiéis semeiam e regam as suas mentes com a Palavra. Mas Satanás, agente de desunião e conflito, procura semear o medo e a raiva, de modo a colher a discórdia através de ressentimentos, incapacidade de perdoar e ambições egoístas. Tal acontece quando os cristãos recusam agir com base nos princípios e promessas da Palavra.

1 Coríntios 2:6-11 Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; 8 sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; 9 mas, como está escrito: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. 11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. 

Marcos 9:50 Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.

Filipenses 2:1-4 Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afectos e misericórdias, 2 completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. 3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. 4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

A Paz do Estado, Paz Pública

Esta é paz do governo justo, que advém de bons governantes ou governos, agindo de acordo com os princípios da Palavra e através de um núcleo forte de cidadãos piedosos, que aplicam e vivem à luz da verdade da Escritura (confira os primeiros capítulos de Isaías).

Romanos 13:1-7 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faz o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

Actos 24:2 Sendo este chamado, passou Tértulo a acusá-lo, dizendo: “Excelentíssimo Félix, tendo nós, por teu intermédio, gozado de paz perene, e, também por teu providente cuidado, se terem feito notáveis reformas em benefício deste povo,”

1 Timóteo 2:2 …em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito.

A Paz Mundial ou Global

Esta é a paz de um mundo sem guerra nem desarmonia, apenas possível com o retorno e reinado do Senhor (confira Rv. 20). Até então, haverá guerras e rumores de guerras (Mt. 24).

Romanos 16:20 E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.  A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.

A Paz da Ordem

Esta é a paz ou tranquilidade que experimentamos ao fazer as coisas com decência e ordem.

1 Coríntios 14:40 Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.

A Paz da Bênção

Trata-se de um desejo de segurança e prosperidade física e espiritual, manifestado a outras pessoas na forma de um cumprimento, como na expressão “Paz, amigo”, ou “Shalom”.

As Esferas em Que a Paz de Deus Existe nas Nossas Vidas

Assim, constatamos que, se nos apropriarmos da graça de Deus, encontrada nas promessas e princípios da Escritura, que nos relacionam com o amor e cuidado de Deus, podemos experimentar a paz da segurança eterna, a paz de uma boa consciência, a paz de conhecer a vontade de Deus e a paz de saber que Deus irá providenciar, bem como paz pessoal de muitas outras formas práticas.

Naturalmente, tal facto levanta questões importantes. Onde procuramos a nossa paz? Como estamos a procurar a nossa paz?

Ao reflectirmos sobre esta questão, devemos reparar que Deus é chamado “o Deus de toda a graça” (1 Pd. 5:10), e também o Deus da Paz. O Evangelho é denominado o Evangelho da paz (Ef. 6:15), o próprio Cristo é descrito como a nossa paz (Ef. 2:14) e a Escritura fala em dirigir os nossos passos “no caminho da paz” (Lucas 1:79). Mas recordemos o que Jesus disse:

João 14:27 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.”

Mais tarde, o Senhor acrescentou estas palavras: “Tenho-vos dito isso, para que em Mim tenhais paz”. Onde encontramos essa paz? Na esfera da Sua vida enquanto Salvador ressuscitado e glorificado, sentado à direita de Deus; no domínio dos Seus propósitos, valores e carácter. Então Ele disse: “No mundo tereis aflições. Mas tende bom ânimo (ficai encorajados, reconfortados)! Eu venci o mundo.”

João 16:33 “Tenho-vos dito isso, para que em Mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.”

  • Sente falta de paz em alguma área da sua vida?
  • Está em paz com Deus e com Cristo, enquanto seu Salvador?
  • Possui a paz de Deus, confiando na Sua provisão?
  • Possui a paz da comunhão, com uma consciência livre de ofensa (livre de pecados conhecidos e não confessados)?
  • Tem paz no seu lar, com os demais fiéis?

Quando não temos paz, isso significa que, de alguma forma, não confiamos ou não nos apropriamos da graça de Deus. Lembre-se de que a graça não significa ausência de dor ou sofrimento. Significa que gozamos de paz na dor e no sofrimento, por conhecermos o Senhor e sabermos que Ele controla a situação.

Recordemos novamente as palavras de Pedro, “crescei na graça”, bem como as palavras de Paulo, “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus”.

Nunca nos é dito que procuremos a felicidade, mas o autor de Hebreus incita-nos a procurar a paz, advertindo-nos contra o perigo de nos privarmos da graça de Deus.

Hebreus 12:12-13 Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; 13 e fazei caminhos rectos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado.

O autor de Hebreus também nos recorda do seguinte:

Hebreus 13:9 Não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos [obras religiosas], pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam.

Fortalecer o nosso coração na graça de Deus concede-nos a paz que o mundo não consegue dar. O mundo pode proporcionar felicidade e prazer temporários, mas não a paz, pois desconhece a graça de Deus.

J. Hampton Keathley III, Th.M., licenciou-se em 1966 no Seminário Teológico de Dallas, trabalhando como pastor durante 28 anos. Em Agosto de 2001, foi-lhe diagnosticado cancro do pulmão e, no dia 29 de Agosto de 2002, partiu para casa, para junto do Senhor. Hampton escreveu diversos artigos para a Fundação de Estudos Bíblicos (Biblical Studies Foundation), ensinando ocasionalmente Grego do Novo Testamento no Instituto Bíblico Moody, Extensão Noroeste para Estudos Externos, em Spokane, Washington.


1 Charlse Swindoll, Growing Deep in the Christian Life, Moody Press, Chicago, 1986, p. 416.

2 Swindoll, p. 416.

3 Charles Caldwell Ryrie, The Grace of God, Moody, Chicago, p. 52.

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