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3. Os Livros Históricos do Novo Testamento

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Introdução

Conforme previamente mencionado, o Novo Testamento é dividido em três categorias, com base na sua composição literária – histórica, epistolar e profética. Os quatro Evangelhos compõem cerca de 46 por cento, e o livro dos Actos eleva esta percentagem para 60 por cento. Isto significa que 60 por cento do Novo Testamento é directamente histórico, delineando as raízes e desenvolvimento histórico da Cristandade. O Cristianismo baseia-se em factos históricos. Tal é inerente à própria estrutura do Evangelho. O Cristianismo é a mensagem do Evangelho, e o que é um evangelho? É a boa nova, informação que deriva do testemunho de outros. É história, o testemunho de factos históricos. “O Evangelho é a notícia de que algo aconteceu – algo que confere à vida uma faceta diferente. O que esse 'algo' representa é-nos explicado em Mateus, Marcos, Lucas e João. É a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.”1 Seguindo-se a este registo quádruplo, Actos concede-nos o registo histórico da disseminação da mensagem evangélica desde Jerusalém até à Judeia, Samaria e regiões mais longínquas da Terra, até ao mundo Gentio. Começa assim:

1:1 Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar 1:2 até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. 1:3 A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

1:8 Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.

Lucas é o primeiro, e Actos o segundo volume do tratado do Dr. Lucas acerca da vida histórica e ministério do Salvador, conforme iniciado pelo Senhor Jesus. Tal foi continuado pelo Salvador através do Espírito Santo, em actuação na vida dos Seus apóstolos, após a ascensão de Cristo ao Céu. Assim, Actos providencia o esboço histórico do ministério dos apóstolos na vida da Igreja primitiva. Isto torna-se crucial para a nossa compreensão de muita coisa que encontramos nas epístolas, cartas históricas redigidas para pessoas que viviam em locais históricos. Portanto, o Novo Testamento é um livro histórico das Boas Novas do Deus vivo que actua na história humana, não só passada, mas também no presente e futuro, à luz das Suas promessas.

Os Evangelhos Sinópticos

Antes de se iniciar uma análise de cada um dos Evangelhos, será útil falar um pouco sobre o uso do termo Evangelhos Sinópticos. Embora cada Evangelho tenha a sua ênfase e propósito distintos, por vezes os primeiros três são denominados de Evangelhos Sinópticos, porque “vêem juntos”, isto é, têm o mesmo ponto de vista a respeito da vida de Cristo, concordando em matéria de sujeito e ordem. Para além disso, também apresentam a vida de Cristo de uma forma que complementa a imagem dada no Evangelho de João. O que se segue põe em evidência um conjunto de áreas comuns a cada um dos primeiros três Evangelhos:

  • O anúncio do Messias por João Baptista (Mt. 3, Mc. 1 e Lc. 3).
  • O baptismo de Jesus (Mt. 3, Mc. 1 e Lc. 3).
  • A tentação de Jesus (Mt. 4, Mc. 1 e Lc. 4).
  • Os ensinamentos e milagres de Jesus (porção principal de cada Evangelho).
  • A transfiguração de Jesus (Mt. 17, Mc. 9 e Lc. 9).
  • A provação, morte e sepultamento de Jesus (Mt. 26-27, Mc. 14-15, Lc. 22-23).
  • A ressurreição de Jesus (Mt. 28, Mc. 16 e Lc. 24).

O Propósito e Foco Distinto dos Quatro Evangelhos

16:13 E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? 16:14 E eles disseram: Uns, João Batista; outros Elias, e outros Jeremias, ou um dos profetas. 16:15 Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? 16:16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Mateus 16:14 providencia as quatro respostas clássicas ou escolas de pensamento de um grande número de pessoas no tempo de Jesus. No início, apenas algumas – um remanescente crente – O reconheceram por aquilo que Ele realmente era, o Filho de Deus. Assim, sob inspiração do Espírito, os escritores evangelistas começaram a revelar quem Jesus era realmente, quanto à Sua pessoa e obra. De uma forma quádrupla, cada um com a sua ênfase distinta, mas em registos que se complementam, os quatro Evangelhos respondem às questões formuladas pelo Senhor aos Seus discípulos. Declaram quem Jesus É exactamente. Mostram ser Ele o Messias da expectativa do Antigo Testamento, o Servo do Senhor, o Filho do Homem, o Filho de Deus e aquele que é o Salvador do Mundo. Os Evangelhos concedem-nos o retrato de Deus da pessoa e obra de Cristo, mediante quatro imagens distintas.

No livro de Sidlow Baxter, Explore the Book (Examinai as Escrituras), o autor chama a nossa atenção para a interessante similaridade entre a visão em Ezequiel 1:10 e os Evangelhos, embora não sugira que os quatro seres viventes fossem um protótipo dos Evangelhos. Escreve:

Talvez a maioria de nós esteja familiarizada com o paralelismo frequentemente notado entre os quatro Evangelhos e os quatro “seres viventes” na visão inicial do profeta Ezequiel. Os quatro “seres viventes”, ou querubins, são assim descritos em Ezequiel 1:10: “E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e à mão direita, todos os quatro tinham rosto de leão, e à mão esquerda, todos os quatro tinham rosto de boi; e também rosto de águia, todos os quatro”. O leão simboliza força suprema, dignidade real; o homem, a inteligência mais elevada; o boi, serviço humilde; a águia, o celestial, mistério, Divindade.

Em Mateus, encontramos o Rei Messiânico (o leão).
Em Marcos, encontramos o Servo de Javé (o boi).
Em Lucas, encontramos o Filho do Homem (o homem).
Em João, encontramos o Filho de Deus (a águia).

São necessários os quatro aspectos a fim de se obter a verdade completa. Enquanto Soberano, veio para reinar e governar. Enquanto Servo, veio para servir e sofrer. Enquanto Filho do homem, veio para partilhar e compreender. Enquanto Filho de Deus, veio para revelar e redimir. Que maravilhosa junção quádrupla – soberania e humildade; humanidade e divindade!2

Mateus dirige o seu Evangelho primeiramente aos Judeus, a fim de os convencer de que Jesus de Nazaré é o seu Messias, o Rei dos Judeus. Com a genealogia de Jesus, Mateus utiliza também dez citações de concretização, através das quais procura mostrar que este Jesus, embora rejeitado e crucificado, é o há muito esperado Messias do Antigo Testamento (Mt. 1:23; 2:15; 2:18; 2:23; 4:15; 8:15; 12:18-21; 13:35; 21:5; 27:9-10). Mas, ainda que rejeitado pela nação como um todo e crucificado, o Rei deixou atrás de si uma sepultura vazia.

Marcos parece dirigir-se aos Romanos, povo de acção mas de poucas palavras, e apresenta Jesus como o Servo do Senhor, que veio “para dar a Sua vida em resgate de muitos”. Nesta linha de pensamento, Marcos, o Evangelho mais curto, é vívido, activo ou animado, e proporciona um registo de testemunho ocular muito claro, especialmente da última semana da vida de Jesus na Terra. “37 por cento deste Evangelho é dedicado aos eventos da Sua derradeira e mais importante semana”.3

Lucas, o médico historiador, apresenta Jesus como o Filho do Homem perfeito, que veio para “buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). Lucas enfatiza fortemente a humanidade verdadeira de Cristo, ao mesmo tempo que declara também a Sua divindade. Algumas pessoas acreditam que Lucas tinha em mente os Gregos em particular, por causa do seu profundo interesse em filosofia humana.

João foca de imediato o leitor (1:1-2) na divindade de Cristo, apresentando Jesus como o Filho de Deus eterno, que concede vida eterna e abundante a todos os que O receberem, crendo n'Ele (João 1:12; 3:16-18, 36; 10:10). Embora redigido para toda a humanidade, o Evangelho de João está escrito especialmente para a Igreja. Cinco capítulos registam os discursos de despedida de Jesus para os Seus discípulos, a fim de os confortar apenas algumas horas antes da Sua morte. Adicionalmente, são expostos sete sinais miraculosos de Jesus no intuito de demonstrar que Jesus É o Salvador e de encorajar por todo o lado as pessoas a crerem n'Ele, de modo a que possam ter vida (João 20:30-31).

Mateus

Autor e Título:

Cada Evangelho recebe o nome do escritor humano que o redigiu. Embora este primeiro Evangelho, tal como acontece com cada um dos restantes, nunca nomeie o seu autor, o testemunho universal da Igreja primitiva é que o apóstolo Mateus o escreveu, e as nossas testemunhas textuais mais antigas atribuem-no a ele ao darem-lhe o título “Segundo Mateus” (Kata Matthaion). Mateus, que foi um dos discípulos originais de Jesus, era um judeu escrevendo aos Judeus acerca d'Aquele que era o seu próprio Messias. O seu nome original era Levi, filho de Alfeu. Mateus trabalhava como publicano, recolhendo impostos para os Romanos na Palestina até ser chamado para seguir o Senhor (Mt. 9:9,10; Marcos 2:14-15). A sua resposta rápida pode sugerir que o seu coração fora já tocado pelo ministério de Jesus.

Cedo foi dado a este Evangelho o título de Kata Matthaion, “Segundo Mateus”. Conforme este título sugere, eram conhecidos outros registos evangélicos naquela altura (a palavra evangelho foi adicionada mais tarde)...4

Data: 50s ou 60s d.C.

As sugestões para a datação de Mateus variam entre 40 d.C. e 140 d.C., mas “o facto de a destruição de Jerusalém em 70 d.C. ser vista como um evento ainda futuro (24:2) parece requerer uma data anterior. Alguns advogam que este foi o primeiro dos Evangelhos a ser redigido (por volta de 50 d.C.), enquanto outros pensam que não foi o primeiro, tendo sido escrito nos anos 60”.5

Tema e Propósito:

Conforme fica evidente nas questões que Jesus colocou aos Seus discípulos em 16:14 ss, Mateus escreveu aos Judeus a fim de responder às suas perguntas a respeito de Jesus de Nazaré. Jesus declarara claramente ser o Messias deles. Era Ele realmente o Messias do Antigo Testamento, predito pelos profetas? Em caso afirmativo, por que é que os líderes religiosos não O receberam, e por que não estabeleceu o reino prometido? Será que este alguma vez será estabelecido e, se sim, quando? Portanto, Mateus dirige-se em primeiro lugar a uma audiência judaica, de modo a mostrar-lhe que este Jesus é o Messias há muito esperado. Tal é visto na genealogia de Jesus (1:1-17); na visitação dos Magos (2:1-12); na Sua entrada em Jerusalém (21:5); no julgamento das nações (25:31-46); na referência frequente ao “reino dos céus”, como é comum nos outros Evangelhos, e nas citações de concretização do Antigo Testamento previamente mencionadas.

Palavras ou Conceitos-Chave:

Jesus, o Messias, o Rei dos Judeus.

Versículos-Chave:

  • 1:20-23. E, projectando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de David, não temas receber Maria, tua mulher, porque, o que nela está gerado é do Espírito Santo; 21 E dará à luz um filho, e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus connosco.
  • 16:15-19. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? 16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus. 18 Pois, também, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; 19 E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
  • 28:18-20. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder, no céu e na terra. 19 Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; 20 Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos. Ámen.

Capítulos-Chave:

  • O Capítulo 1é fundamental na medida em que introduz a genealogia e nascimento de Jesus como filho de David, filho de Abraão, nascido por obra miraculosa do Espírito, sendo José seu pai legal por adopção, mas não o pai físico.
  • O Capítulo 12 é fundamental porque nele vemos o momento decisivo em que os líderes religiosos rejeitam formalmente Jesus como Messias, atribuindo o Seu poder miraculoso a Satanás. A partir daí, Jesus começou a falar em parábolas para esconder a verdade aos indiferentes, dedicando mais tempo aos Seus discípulos.

Como Cristo É Visto em Mateus:

Conforme realçado previamente, o objectivo de Mateus é demonstrar que Jesus é o Messias da expectativa do Antigo Testamento. Ele É o filho de Abraão e David. Assim, Ele É o Rei que vem oferecer o reino. A expressão “reino dos céus” ocorre cerca de trinta e duas vezes neste Evangelho. Para além disso, a fim de mostrar que este Jesus cumpre as expectativas do Antigo Testamento, em dez ocasiões enfatiza especificamente que aquilo que aconteceu na vida de Jesus dá cumprimento ao Antigo Testamento. Adicionalmente, utiliza mais citações e alusões ao Antigo Testamento que qualquer outro livro do Novo Testamento – cerca de 130 vezes.

Plano Geral:

Mateus recai naturalmente sobre nove secções discerníveis:

I.

A Pessoa e Apresentação do Rei (1:1-4:25)

II.

A Proclamação e Pregação do Rei (5:1-7:29)

III.

O Poder do Rei (8:1-11-1)

IV.

O Programa e Rejeição Progressiva do Rei (11:2-16:12)

V.

A Pedagogia e Preparação dos Discípulos do Rei (16:13-20:28)

VI.

A Apresentação do Rei (20:29-23:39)

VII.

As Predições ou Profecias do Rei (24:1-25:46)

VIII.

A Paixão ou Rejeição do Rei (26:1-27:66)

IX.

A Comprovação do Rei (28:1-20)

Marcos

Autor e Título:

Na verdade, o Evangelho de Marcos é anónimo, uma vez que não nomeia o seu autor. O título grego, Kata Markon, “Segundo Marcos”, foi acrescentado mais tarde por um escriba, algures antes de 125 d.C., mas existe evidência sólida e clara (externa e interna) de que Marcos foi o seu autor. “O testemunho unânime dos pais da Igreja primitiva é o de que Marcos, um associado do apóstolo Pedro, foi o autor.”6 Em 112 d.C., Papias citou Marcos como “o intérprete de Pedro”. Dunnett salienta o seguinte: “Uma comparação do sermão de Pedro em Actos 10:36-43 com o Evangelho de Marcos mostra que o primeiro é um esboço da vida de Jesus, que Marcos apresenta com um detalhe muito maior”.7

Embora Marcos não tenha sido um dos discípulos originais de Jesus, era filho de Maria, uma mulher de riqueza e estatuto em Jerusalém (Actos 12:12), companheiro de Pedro (1 Pe. 5:13) e primo de Barnabé (Cl. 4:10). Estas ligações, especialmente a sua associação com Pedro – que, evidentemente, foi a fonte de informação de Marcos –, conferiram autoridade apostólica ao Evangelho de Marcos. Uma vez que Pedro falou dele como “meu filho Marcos” (1 Pd. 5:13), poderá ter sido Pedro quem conduziu Marcos até Cristo.

Adicionalmente, foi também um íntimo associado de Paulo. Ryrie escreve:

Teve o privilégio raro de acompanhar Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária, mas não foi capaz de ficar com eles durante toda a jornada. Por causa disto, Paulo recusou-se a levá-lo na segunda viagem, pelo que partiu para Chipre com Barnabé (Actos 15:38-40). Uma dúzia de anos mais tarde, estava novamente com Paulo (Cl. 4:10; Fm. 24) e, mesmo antes da execução de Paulo, foi mandado chamar pelo apóstolo (2 Tm. 4:11). A sua biografia prova que um fracasso na vida não significa o fim da utilidade.8

Data: 50s ou 60s d.C.

A datação de Marcos é algo difícil, embora muitos estudiosos acreditem que este é o primeiro dos quatro Evangelhos. A menos que uma pessoa rejeite o elemento de profecia preditiva, 13:2 mostra claramente que Marcos foi redigido antes de 70 d.C. e da destruição do templo em Jerusalém. Ryrie salienta:

De facto, se Actos tem de ser datado à volta de 61 d.C., e se Lucas, o volume acompanhante, o precedeu, então Marcos tem de ser ainda mais antigo, uma vez que, aparentemente, Lucas usou Marcos na redacção do seu evangelho. Tal aponta para uma data nos anos 50 para Marcos. Porém, muitos estudiosos crêem que Marcos não foi escrito antes de Pedro ter morrido; i.e., depois de 67, mas antes de 70.9

Tema e Propósito:

O tema de Marcos é “Cristo, o Servo”. Este ponto principal é revelado em 10:45: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos”. Uma leitura cuidadosa de Marcos mostra como os dois temas deste versículo, serviço e sacrifício, são desvendados por Marcos. Marcos dirige-se primeiramente ao leitor Romano ou Gentio. Em resultado, a genealogia de Jesus é omitida, em conjunto com o Sermão da Montanha, e as condenações da parte dos líderes religiosos recebem menos atenção. Adicionalmente, dado que Marcos apresenta Jesus como o Trabalhador, o Servo do Senhor, o livro foca-se na actividade de Cristo enquanto Servo fiel, dedicando-se efectivamente à Sua obra. Este destaque evidencia-se através do estilo de Marcos, conforme é explícito no seu uso do grego euqus, “imediatamente, de imediato”, ou “logo, então”, que ocorre cerca de 42 vezes neste Evangelho. O seu significado varia desde o sentido imediato, como em 1:10, até ao de ordem lógica (“na devida altura, então”; confira 1:21 [“logo”]; 11:3 [“logo”]).10 Outra ilustração acerca desta ênfase activa é o uso proeminente do presente histórico, por parte de Marcos, de modo a descrever um evento passado, o que era evidentemente feito para fins de vivacidade. 

Palavras-Chave:

Cristo, Servo do Senhor.

Versículos-Chave:

  • 8:34-37. E, chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida, por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?”
  • 10:43-45. “Mas, entre vós, não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E, qualquer que de entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também, não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos.”

Capítulos-Chave:

  • O Capítulo 8 constitui um capítulo-chave em Marcos, de forma muito semelhante ao capítulo 12 em Mateus, pois ocorre nele uma mudança em termos de conteúdo e curso do ministério de Jesus. O principal evento que conduz a essa mudança é a confissão de Pedro: “Tu és o Cristo (o Messias)” (8:29). A isto segue-se de imediato um aviso para que não falassem a ninguém acerca da revelação da Sua morte, do chamamento ao discipulado e da transfiguração.

Tal resposta inspirada na fé despoleta uma nova fase em termos de conteúdo e curso do ministério de Jesus. Até então, Ele procurou validar as Suas afirmações enquanto Messias. Mas, agora, começa a fortalecer os Seus homens para o Seu sofrimento e morte, prestes a ocorrer às mãos dos líderes religiosos. Os passos de Jesus começam diariamente a aproximá-lo de Jerusalém – o local onde o Servo Perfeito irá demonstrar a dimensão total da Sua servidão.11

Como Cristo É Visto em Marcos:

É claro que a contribuição de Marcos centra-se especialmente na apresentação do Salvador como o Servo que Se Sacrifica, que entrega obedientemente a Sua vida para resgate de muitos. O ponto principal encontra-se claramente no Seu ministério face às necessidades físicas e espirituais dos outros, colocando-as sempre à frente das Suas próprias necessidades. A ênfase na actividade servil do Salvador é constatada no seguinte:

Apenas dezoito das setenta parábolas de Cristo se encontram em Marcos – algumas destas têm apenas uma única frase –, mas ele regista mais de metade dos trinta e cinco milagres de Cristo, a maior proporção nos Evangelhos.12

Plano Geral:

Sendo o tema do livro Cristo, o Servo, o versículo-chave, 10:45, proporciona a chave para duas divisões naturais do Evangelho: o serviço do Servo (1:1-10:52) e o sacrifício do Servo (11:1-16:20). Podemos dividir isto em cinco secções simples:

I.

A Preparação do Servo para o Serviço (1:1-13)

II.

A Pregação do Servo na Galileia (1:14-9:50)

III.

A Pregação do Servo em Perea (10:1-52)

IV.

A Paixão do Servo em Jerusalém (11:1-15:47)

V.

A Prosperidade do Servo na Ressurreição (16:1-20)

Lucas

Autor e Título:

Tanto Lucas como Actos, dirigidos a Teófilo enquanto obra de dois volumes, são atribuídos a Lucas e, embora Lucas não seja denominado em nenhum lado como o autor de algum deles, bastantes evidências apontam para Lucas, “o médico amado” (Cl. 4:14), como o autor de ambos os livros. De maneira significativa, estes dois livros compõem cerca de 28 por cento do Novo Testamento grego. Os únicos locais onde encontramos o seu nome no Novo Testamento são Colossenses 4:14, 2 Timóteo 4:11 e Filémon 24. Crê-se também que Lucas se referiu a si mesmo nas secções “nós” de Actos (16:10-17; 20:5-21:18; 27:1-28:16). Estas mesmas secções mostram que o autor era um íntimo associado e companheiro de viagem de Paulo. Uma vez que só dois dos associados de Paulo são nomeados na terceira pessoa, a lista pode ser reduzida a Tito e Lucas.

Por processo de eliminação, “Lucas, o médico amado” (Cl. 4:14) e “colaborador” (Fm. 24) de Paulo, torna-se o candidato mais provável. A sua autoria é fundamentada pelo testemunho unânime de antigos escritos Cristãos (e.g., o Cânone Muratori, 170 d.C., e as obras de Ireneu, c. 180).13

A partir de Colossenses 4:10-14, parece ficar evidente que Lucas era gentio, uma vez que Paulo o diferencia dos judeus. Aí o apóstolo declara que, dos seus colaboradores, Aristarco, Marcos e Jesus, chamado o Justo, eram os únicos judeus. Tal sugere que Epafras, Lucas e Demas, também mencionados nestes versículos, eram gentios, não judeus. “A perícia óbvia de Lucas com a língua grega e a sua frase 'na própria linguagem deles' em Actos 1:19 também sugerem que não era judeu”. 14

Nada sabemos acerca da sua vida passada ou conversão, excepto que não foi testemunha ocular da vida de Jesus Cristo (Lucas 1:2). Embora médico de profissão, era em primeiro lugar um evangelista, tendo redigido este evangelho e o livro dos Actos e acompanhado Paulo na obra missionária... Encontrava-se com Paulo na altura do martírio do apóstolo (2 Tm. 4:11) mas, relativamente à sua vida posterior, não dispomos de factos certos.15

Data: 60 d.C.

Dois períodos comummente sugeridos para a datação do Evangelho de Lucas são... (1) 59-63 d.C., e (2) os anos 70 ou 80, mas a conclusão de Actos mostra-nos que Paulo se encontrava em Roma e, uma vez que Lucas é o tratado precedente, escrito antes de Actos (Actos 1:1), o Evangelho de Lucas deverá ter sido redigido num período anterior, à volta de 60 d.C.. Contudo, sugerindo que o Evangelho de Lucas recebeu a sua forma final na Grécia e não em Roma, alguns apontam para 70 d.C.

Tema e Propósito:

O propósito de Lucas é claramente declarado no prólogo do seu Evangelho.

1:1-4 Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos factos que entre nós se cumpriram, 1:2 Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram, desde o princípio, e foram ministros da palavra, 1:3 Pareceu-me, também, a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado, minuciosamente, de tudo, desde o princípio; 1:4 Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.

Deve prestar-se atenção a vários aspectos relativos à sua abordagem de apresentação do evangelho:

Lucas declara que a sua própria obra foi estimulada pelo trabalho de outros (1:1), que consultou testemunhas oculares (1:2) e que examinou minuciosamente e ordenou a informação (1:3) sob a orientação do Espírito Santo, de modo a instruir Teófilo acerca da fiabilidade histórica da fé (1:4). Trata-se de uma redacção cuidadosamente investigada e documentada.16

Enquanto gentio, Lucas ter-se-á sentido responsável por escrever o seu registo em dois volumes da vida de Cristo, de modo a que fosse disponibilizado aos leitores gentios. Tal parece evidente pelo facto de que Lucas “traduz termos aramaicos com palavras gregas e explica a geografia e costumes judaicos, tornando o seu Evangelho mais inteligível para o seu universo de leitores, originalmente grego”.17

Lucas, escrito pelo “médico amado”, é o Evangelho mais longo e abrangente. Apresenta o Salvador como o Filho do Homem, o Homem Perfeito que veio procurar e salvar o que estava perdido (19:10). Em Mateus, vemos Jesus como Filho de David, Rei de Israel; em Marcos, vemo-Lo como o Servo do Senhor, servindo outros; em Lucas, vemo-Lo como o Filho do Homem, indo ao encontro das necessidades humanas, um homem perfeito entre homens, escolhido de entre os homens, testado entre eles e sumamente qualificado para ser o Salvador e Sumo-Sacerdote. Em Mateus, vemos combinações de eventos relevantes; em Marcos, vemos instantâneos de eventos relevantes; mas, em Lucas, vemos mais detalhes destes eventos por parte do médico/historiador.

A Sua natureza humana perfeita enquanto o Filho do Homem, mas também Filho de Deus, é realçada pelo seguinte:

  1. O Seu nascimento físico, com a Sua genealogia traçada até Adão (3:38) (Mateus só vai até Abraão).
  2. O Seu desenvolvimento mental é enfatizado em 2:40-52.
  3. A Sua perfeição moral e espiritual é também realçada aquando do Seu baptismo pela voz do Pai, vinda do Céu, e pela unção do Espírito Santo.

Assim, em Jesus temos Alguém que é masculinidade perfeita – física, mental e espiritualmente.

Palavras-Chave:

Jesus, o Filho do Homem.

Versículos-Chave:

  • 1:1-4 Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos factos que entre nós se cumpriram, 1:2 Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram, desde o princípio, e foram ministros da palavra, 1:3 Pareceu-me, também, a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado, minuciosamente, de tudo, desde o princípio; 1:4 Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.
  • 19:10 Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Capítulos-Chave:

Capítulo 15. Em vista do tema destacado em 19:10, a ênfase em “procurar” nas três parábolas do capítulo 15 (a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pródigo) torna-o um capítulo-chave no Evangelho de Lucas.

Como Cristo É Visto em Lucas:

A humanidade e compaixão de Jesus são repetidamente enfatizadas no Evangelho de Lucas. Lucas proporciona o registo mais completo dos antepassados, nascimento e desenvolvimento de Cristo. Ele É o Filho do Homem ideal, que se identificava com a tristeza e difícil situação do homem pecaminoso, de modo a carregar as nossas mágoas e oferecer-nos o inestimável presente da salvação. Sozinho, Jesus concretiza o ideal grego da perfeição humana.18

Plano Geral:

I.

O Prólogo: O Método e Propósito da Redacção (1:1-4)

II.

A Identificação do Filho do Homem com os Homens (1:1-4:13)

III.

O Ministério do Filho do Homem aos Homens (4:14-9:50)

IV.

A Rejeição do Filho do Homem por parte dos Homens (9:51-19:44)

V.

O Sofrimento do Filho do Homem pelos Homens (19:45-23:56)

VI.

A Autenticação (através da ressurreição) do Filho do Homem Diante dos Homens (24:1-53)

João

Autor e Título:

Desde cedo no século segundo, a tradição eclesial atribuiu o quarto Evangelho ao apóstolo João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago. Jesus chamou a João e Tiago “Filhos do Trovão” (Marcos 3:17). Salomé, a sua mãe, servira Jesus na Galileia e estava presente aquando da Sua crucificação (Marcos 15:40-41). Não só era próximo de Jesus enquanto um dos Doze, mas também é usualmente identificado como “o discípulo a quem Jesus amava” (13:23; 18:15, 16; 19:26-27), pertencendo ao círculo íntimo e ao grupo de três pessoas que Cristo levou Consigo ao Monte da Transfiguração (Mt. 17:1). Também era um íntimo associado de Pedro. Após a ascensão de Cristo, João tornou-se uma das pessoas que Paulo identificou como as “colunas” da Igreja (Gl. 2:9).

No sentido estrito do termo, o quarto Evangelho é anónimo. Não é fornecido no texto o nome do seu autor. Tal não é surpreendente, já que um evangelho difere de uma epístola (carta) quanto à forma literária. Cada carta de Paulo começa com o seu nome, conforme o costume habitual dos escritores de cartas no mundo antigo. Nenhum dos autores humanos dos quatro Evangelhos se identificou pelo nome. Porém, isso não quer dizer que não seja possível saber quem foram os autores. Um autor pode revelar-se indirectamente ao longo da escrita ou, por tradição, pode ser bem conhecido que a obra provém dele.

A evidência interna proporciona a cadeia de ligações que se segue a respeito do autor do Quarto Evangelho. (1) Em João 21:24, a palavra “as [estas coisas]” refere-se a todo o Evangelho, não apenas ao último capítulo. (2) “O discípulo” em 21:24 era “o discípulo a quem Jesus amava” (21:7). (3) A partir de 21:7, torna-se claro que o discípulo a quem Jesus amava era uma das sete pessoas mencionadas em 21:2 (Simão Pedro, Tomé, Natanael, os dois filhos de Zebedeu e dois discípulos não nomeados). (4) “O discípulo a quem Jesus amava” estava sentado perto do Senhor na Última Ceia, e Pedro fez-lhe sinal (13:23-24). (5) Deve ter pertencido aos Doze, uma vez que apenas eles se encontravam com o Senhor aquando da Última Ceia (confira Marcos 14:17; Lucas 22:14). (6) No Evangelho, João era bastante próximo de Pedro e, assim, parece ter sido um dos três associados mais íntimos (confira João 20:2-10; Marcos 5:37-38; 9:2-3; 14:33). Uma vez que Tiago, irmão de João, morreu no ano 44 D.C., não foi o autor (Actos 12:2). (7) “O outro discípulo” (João 18:15-16) parece referir-se ao “discípulo a quem Jesus amava”, dado que assim é denominado em 20:2. (8) O “discípulo a quem Jesus amava” esteve ao pé da cruz (19:26), e 19:35 parece referir-se a ele. (9) A declaração do autor, “Vimos a Sua glória” (1:14), era a afirmação de alguém que fora testemunha ocular (confira 1 João 1:1-4).

A união de todos estes factos constitui um bom argumento a favor de o autor do Quarto Evangelho ter sido João, um dos filhos de um pescador chamado Zebedeu.19

Data: 85-90 d.C.

Alguns críticos procuraram colocar a datação de João bem no século segundo (à volta de 150 d.C.), mas uma série de factores provou que tal era falso.

Achados arqueológicos atestando a autenticidade do texto de João (e.g., João 4:11; 5:2-3), estudos de vocabulário (e.g., synchrõntai, 4:9), a descoberta de manuscritos (e.g., P52) e os Rolos do Mar Morto têm conferido forte apoio a uma datação anterior de João. Por isso, é comum hoje em dia encontrar estudiosos não-conservadores defendendo uma data tão antiga como 45-66 d.C.. Uma data antiga é possível. Mas este Evangelho tem sido conhecido na Igreja como o “Quarto”, e os pais da Igreja primitiva acreditavam que fora escrito quando João era já um homem de idade. Por conseguinte, uma data entre 85 e 95 é melhor. João 21:18, 23 requer a passagem de algum tempo, com Pedro a envelhecer e João a viver mais do que ele.20

Tema e Propósito:

Provavelmente mais do que qualquer outro livro da Bíblia, João afirma claramente qual o tema e propósito do seu Evangelho. De maneira significativa, esta declaração de propósito segue-se ao encontro de Tomé com o salvador ressuscitado. Se bem se recorda, Tomé duvidara da realidade da ressurreição (João 20:24-25). Imediatamente depois disto, o Senhor apareceu aos discípulos e dirigiu-se a Tomé com estas palavras: “Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. Tomé declarou então: “Meu Senhor e meu Deus!”. O Senhor disse depois a Tomé: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. É depois desta troca de ideias e foco na necessidade de crer em Jesus que João nos concede o tema e declaração de propósito:

20:30 Jesus, pois, operou também, em presença dos seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. 20:31 Estes, porém, foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Em concordância com esta declaração de propósito, João seleccionou sete sinais-milagres para revelar a pessoa e missão de Cristo, a fim de motivar as pessoas a acreditarem em Jesus como Salvador. O termo usado a respeito destes milagres é shmeion, “um sinal, uma marca distintiva” e “um sinal consistindo num milagre, uma maravilha, algo contrário à natureza”. João refere-se sempre aos milagres de Jesus através deste termo, porque shmeion enfatizava a importância da acção, mais do que o milagre em si (veja, e.g., 4:54; 6:14; 9:16; 11:47). Estes sinais revelavam a glória de Jesus (veja 1:14; confira Is. 35:1-2; Joel 3:18; Am. 9:13). Os sete sinais consistiam no seguinte: (1) a transformação da água em vinho (2:1-11); (2) a cura do filho de um oficial (4:46-54); (3) a cura do paralítico (5:1-18); (4) alimentar as multidões (6:6-13); (5) caminhar sobre as águas (6:16-21); (6) conceder visão ao cego (9:1-7); e (7) a ressurreição de Lázaro (11:1-45).

O tema especial e propósito de João são também facilmente discerníveis através da natureza distinta do seu Evangelho, quando comparado com Mateus, Marcos e Lucas.

Quando alguém compara o Evangelho de João com os outros três Evangelhos, depara-se com o carácter distinto da apresentação de João. João não inclui a genealogia de Jesus, nascimento, baptismo, tentação, expulsão de demónios, parábolas, transfiguração, instituição da Ceia do Senhor, Sua agonia no Getsémani nem a Sua ascensão. A apresentação que João faz de Jesus enfatiza o Seu ministério em Jerusalém, as festas da nação judaica, os contactos de Jesus com indivíduos sob a forma de conversas particulares (e.g., capítulos 3-4; 18:28-19:16) e o Seu ministério para com os Seus discípulos (capítulos 13-17). A parte principal do Evangelho está contida num “Livro de Sinais” (2:1-12:50), que abrange sete milagres ou “sinais” que proclamam Jesus como o Messias, o Filho de Deus. Este “Livro de Sinais” também contém grandes discursos de Jesus, que explicam e proclamam a importância dos sinais. Por exemplo, após alimentar 5,000 pessoas (6:1-15), Jesus revelou-Se como o Pão da Vida, que o Pai celestial concede para dar a vida ao mundo (6:25-35). Outra característica exclusiva e notável do Quarto Evangelho é a série de afirmações “Eu Sou”, realizadas por Jesus (confira 6:35; 8:12; 10:7, 9, 11, 14; 11:25; 14:6; 15:1, 5).

O carácter distinto deste Evangelho deverá ser mantido em perspectiva. Os Evangelhos não se destinavam a ser biografias. A partir de um conjunto muito mais amplo de informação, cada escritor do Evangelho seleccionou o material que serviria o seu propósito. Tem sido estimado que, caso todas as palavras citadas em Mateus, Marcos e Lucas como saídas da boca de Jesus fossem lidas em voz alta, o tempo necessário para a sua proclamação seria de apenas três horas...21

Palavras-Chave:

O conceito-chave em João é Jesus, o Filho de Deus, aquele que é o Lógos, a própria revelação de Deus (João 1:1, 14, 18). Mas há um número de outras palavras-chave na apresentação de Cristo, tais como verdade, luz, trevas, verbo, sabedoria, crer, permanecer, amar, mundo, testemunho e julgamento. O verbo crer (grego, pisteuw) ocorre 98 vezes neste Evangelho. O substantivo “fé” (grego, pistis) não aparece.

Versículos-Chave:

  • 1:11-13. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
  • 1:14. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
  • 3:16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
  • 20:30-31. Jesus, pois, operou também, em presença dos seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Capítulos-Chave:

  • É difícil seleccionar um capítulo-chave no Evangelho de João, mas certamente a conversa do Senhor com Nicodemos no capítulo 3 permite que este seja considerado um dos capítulos-chave. João 3:16 é talvez citado mais vezes do que qualquer outro versículo da Bíblia. Também importantes neste capítulo são as palavras do Salvador relativamente à necessidade de nascer de novo ou do alto (veja 3:3-6).
  • Outros capítulos-chave são o encontro com a mulher no poço, João 4, os discursos de Jesus com os discípulos, preparando-os para a Sua ausência, João 13-16, e a oração do Senhor ao Pai em João 17.

Como Cristo É Visto em João:

Embora a divindade de Cristo seja um tema proeminente em muitas passagens da Bíblia, nenhum outro livro apresenta melhores argumentos a favor da essência divina de Jesus enquanto o Filho encarnado de Deus do que este Evangelho. Sucede que a pessoa identificada como “O homem chamado Jesus” (9:11) é também chamada de “Deus Unigénito” (1:18, NIV), “Cristo, o Filho de Deus” (6:69, KJV) ou “o Santo de Deus” (6:69, NIV, NASB, NET)22.

Esta declaração da divindade de Jesus Cristo é desenvolvida ainda mais através de sete afirmações “EU SOU”, feitas por Jesus e registadas no Evangelho de João. Estas sete afirmações são as seguintes: Eu sou o pão da vida (6:35), Eu sou a luz do mundo (8:12), Eu sou a porta (10:7,9), Eu sou o bom pastor (10:11, 14), Eu sou a ressurreição e a vida (11:25), Eu sou o caminho, a verdade e a vida (14:6), Eu sou a vinha verdadeira (15:1, 5).

Outro traço distintivo do Evangelho de João, focando-se novamente na pessoa de Cristo, são os cinco testemunhos que atestam Jesus como o Filho de Deus. Em João 5:31 ss, Jesus responde aos argumentos dos Seus oponentes. Estes argumentavam que o Seu testemunho não dispunha de outras testemunhas que o corroborassem, mas Jesus mostra que tal não é verdade, passando a lembrá-los de que outras testemunhas atestavam a validade das suas afirmações: o Seu Pai (vs. 32, 37), João Baptista (v. 33), os Seus milagres (v. 36), as Escrituras (v. 39) e Moisés (v. 46). Mais tarde, em 8:14, declara que o Seu testemunho é de facto verdadeiro.

…Em certas ocasiões, Jesus equipara-se a Si mesmo ao “EU SOU” do Antigo Testamento, ou Yahweh (veja 4:25-26; 8:24, 28, 58; 13:19; 18:5-6, 8). Algumas das afirmações mais decisivas a respeito da Sua divindade encontram-se aqui (1:1; 8:58; 10:30; 14:9; 20:28).23

Plano Geral:

I. O Prólogo: A Encarnação do Filho de Deus (1:1-18)

A. A Divindade de Cristo (1:1-2)

B. A Obra Pré-Encarnada de Cristo (1:3-5)

C. O Precursor de Cristo (1:6-8)

D. A Rejeição de Cristo (1:9-11)

E. A Aceitação de Cristo (1:12-13)

F. A Encarnação de Cristo (1:14-18)

II. A Apresentação do Filho de Deus (1:19-4:54)

A. Por João Baptista (1:19-34)

B. Aos Discípulos de João (1:35-51)

C. Nas Bodas de Caná (2:1-11)

D. No Templo de Jerusalém (2:12-25)

E. A Nicodemos (3:1-21)

A. Por João Baptista (3:22-36)

G. À Mulher Samaritana (4:1-42)

H. A um Oficial de Cafarnaum (4:43-54)

III. A Oposição ao Filho de Deus (5:1-12:50)

A. Na Festa em Jerusalém (5:1-47)

B. Durante a Altura da Páscoa na Galileia (6:1-71)

C. Na Festa dos Tabernáculos em Jerusalém (7:1-10:21)

D. Na Festa da Dedicação em Jerusalém (10:22-42)

E. Em Betânia (11:1-12:11)

F. Em Jerusalém (12:12-50)

IV. A Instrução por parte do Filho do Homem (13:1-16:33)

A. A Respeito do Perdão (13:1-20)

B. A Respeito da Sua Traição (13:21-30)

C. A Respeito da Sua Partida (13:31-38)

D. A Respeito do Céu (14:1-14)

E. A Respeito do Espírito Santo (14:15-26)

F. A Respeito da Paz (14:27-31)

G. A Respeito da Produtividade (15:1-17)

H. A Respeito do Mundo (15:18-16:6)

I. A Respeito do Espírito Santo (16:7-15)

J. A Respeito do Seu Regresso (16:16-33)

V. A Intercessão do Filho de Deus (17:1-26)

VI. A Crucificação do Filho de Deus (18:1-19:42)

VII. A Ressurreição do Filho de Deus (20:1-31)

A. O Túmulo Vazio (20:1-9)

B. As Aparições do Senhor Ressuscitado (20:10-31)

VIII. O Epílogo: A Aparição junto ao Lago (21:1-25)

A. A Aparição aos Sete Discípulos (21:1-14)

B. As Palavras dirigidas a Pedro (21:15-23)

C. A Conclusão do Evangelho (21:24-25)

Actos

Autor e Título:

Embora o autor não seja nomeado em Actos, a evidência leva à conclusão de que se tratou de Lucas. Conforme previamente mencionado, Actos é o segundo volume de um tratado de duas partes escrito por Lucas, o médico, a Teófilo, acerca de “tudo quanto Jesus começou a fazer e a ensinar”. Apoiando a ideia de Lucas como autor, Ryrie escreve:

Que o autor de Actos acompanhava Paulo fica claro nas passagens do livro em que “nós” e “nos” são utilizados (16:10-17; 20:5-21:18; 27:1-28:16). Estas secções excluem outros associados conhecidos de Paulo que não Lucas, e Colossenses 4:14 e Filémon 24 apontam afirmativamente para Lucas, que era médico. O uso frequente de termos médicos também fundamenta esta conclusão (1:3; 3:7 ss.; 9:18, 33; 13:11; 28:1-10). Lucas respondeu ao chamamento macedónico com Paulo, ficou encarregue do trabalho em Filipos durante cerca de seis anos e, mais tarde, esteve com Paulo em Roma durante o período da sua prisão domiciliária. Foi provavelmente durante este último período que o livro foi escrito. Caso tivesse sido redigido mais tarde, seria muito difícil explicar a ausência de referência a momentos tão decisivos como o incêndio de Roma, o martírio de Paulo ou a destruição de Jerusalém.24

A respeito do título, todos os manuscritos gregos disponíveis designam-no pelo título Praxeis, “Actos”, ou pelo título “Os Actos dos Apóstolos”. Desconhece-se ao certo como ou porque recebeu este título. Na verdade, “Os Actos dos Apóstolos” talvez não seja o título mais exacto, uma vez que não abrange os actos de todos os apóstolos. Apenas Pedro e Paulo são realmente enfatizados, embora a promessa da vinda do Espírito seja feita a todos os apóstolos em Actos 1:2-8, que naquela altura deveriam ir por todo o mundo para pregar o evangelho no poder do Espírito (contudo, veja 4:32). Muitos sentem que o livro seria intitulado de uma forma mais exacta como “Os Actos do Espírito Santo”, uma vez que descreve a difusão do Cristianismo a partir do momento da vinda do Espírito em Actos 2, conforme prometido em Actos 1:8.

Data: 61 d.C.

As questões concernentes à datação do livro são sumariadas por Stanley Toussaint da seguinte maneira:

A redacção de Actos deverá ter tido lugar antes da destruição de Jerusalém, em 70 d.C.. Certamente, um evento de tal magnitude não seria ignorado. Isto é especialmente verdade à luz de um dos temas básicos do livro: Deus, que a partir dos judeus se dirige aos gentios, face à rejeição dos judeus relativamente a Jesus Cristo.

Lucas dificilmente omitiria um registo da morte de Paulo, tradicionalmente datada entre 66 e 68 d.C., caso tivesse ocorrido antes de escrever Actos.

Da mesma forma, também não mencionou as perseguições neronianas, que começaram após o grande incêndio de Roma, em 64 d.C..

Para além disso, uma defesa do Cristianismo diante de Nero baseada no Livro de Actos, apelando ao que oficiais de classes mais baixas haviam decidido a respeito de Paulo, teria feito pouco sentido no período de antagonismo neroniano. Numa altura em que Nero estava tão determinado a destruir a Igreja, a defesa apresentada em Actos teria surtido pouco efeito na sua dissuasão.

A data usualmente aceite por estudiosos conservadores para redacção de Actos situa-se à volta de 60-62 d.C.. De modo concordante, o local de redacção terá sido Roma ou, possivelmente, Cesareia e Roma. Por essa altura, a libertação de Paulo estaria iminente ou acabara de ocorrer.25

Tema e Propósito:

O livro de Actos destaca-se pelo seu carácter único entre os livros do Novo Testamento, uma vez que proporciona sozinho uma ponte para esses mesmos livros. Enquanto segundo tratado de Lucas, Actos dá continuidade ao que Jesus “começou a fazer e a ensinar” (1:1), conforme registado nos Evangelhos. Inicia-se com a Ascensão de Cristo e prossegue até ao período das Epístolas do Novo Testamento. Nele temos a continuação do ministério de Jesus Cristo através do Espírito Santo, em actuação nos apóstolos, que avançaram na pregação e estabelecimento da Igreja, corpo de Cristo. Actos é a ligação histórica entre os Evangelhos e as Epístolas.

Não só estabelece para nós esta ponte, mas também proporciona um registo da vida de Paulo, concedendo-nos o contexto histórico das suas cartas. No processo, Actos volta a contar os primeiros 30 anos da vida da Igreja.

Após sumariar várias perspectivas a respeito do propósito de Actos, Toussaint escreve:

O propósito do Livro de Actos pode ser definido como se segue: Explicar, em parceria com o Evangelho de Lucas, o progresso organizado e soberanamente dirigido da mensagem do reino, desde os judeus até aos gentios, e desde Jerusalém até Roma. No Evangelho de Lucas, levanta-se a seguinte questão: “Se o Cristianismo teve as suas raízes no Antigo Testamento e no Judaísmo, como se tornou uma religião mundial?”. O Livro de Actos continua na linha do Evangelho de Lucas, a fim de dar resposta ao mesmo problema.26

Actos 1:8 exprime o tema do livro – o Espírito Santo interior, que capacita o povo de Deus para ser testemunha do Salvador, tanto em Jerusalém (a base operacional) como em toda a Judeia e Samaria (as áreas imediatamente circundantes), e até à parte mais remota da terra (o mundo).

Palavras-Chave:

  • O conceito-chave de Actos seria o crescimento da Igreja em todo o mundo.
  • Duas palavras-chave são “testemunho” ou “testemunhas” e “o Espírito Santo”.

Versículos-Chave:

  • 1:8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há-de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.
  • 2:42-47. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. 2:43 E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. 2:44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. 2:45 E vendiam as suas propriedades e fazendas, e repartiam com todos, segundo cada um necessitasse. 2:46 E, perseverando unânimes, todos os dias, no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, 2:47 Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor, à igreja, aqueles que se haviam de salvar.

Capítulos-Chave:

  • Uma vez que a concretização da missão global da Igreja quanto a um alcance mundial depende da vinda do Espírito Santo, o capítulo 2 é, naturalmente, o capítulo-chave. Este capítulo regista o cumprimento de 1:8 no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio e iniciou o Seu ministério de baptismo de crentes no corpo de Cristo, a Igreja (compare 1:5; 11:15-16 com 1 Co. 12:13), começando a habitar em todos os fiéis e capacitando-os a ser testemunhas do Salvador.

Intervenientes-Chave:

Os intervenientes-chave incluem Pedro, Estêvão, Filipe, Tiago, Barnabé e Paulo.

Como Cristo É Visto em Actos:

 Salvador ressuscitado é o tema central dos sermões e apologias em Actos. As Escrituras do Antigo Testamento, a ressurreição histórica, o testemunho apostólico e o poder de convicção do Espírito Santo – todos testemunham que Jesus É o Cristo e o Senhor (veja os sermões de Pedro em 2:22-36; 10:34-43). “Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que n'Ele crêem recebem o perdão dos pecados por meio do Seu nome” (10:43). “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (4:12).27

Plano Geral:

Actos pode ser naturalmente planificado em torno de Actos 1:8, a difusão do evangelho desde Jerusalém até à Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.28

I. O Testemunho em Jerusalém (1:1-6:7)

A. A Expectativa dos Escolhidos (1:1-2:47) Relatório de progresso nº 1: “E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação” (2:47).

B. A Expansão da Igreja em Jerusalém (3:1-6:7) Relatório de progresso nº 2: “Divulgava-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número de discípulos em Jerusalém” (6:7).

II. O Testemunho em toda a Judeia e Samaria (6:8-9:31)

A. O Martírio de Estêvão (6:8-8:1a)

1. A Prisão de Estêvão (6:8-7:1)

2. O Discurso de Estêvão (7:2-53)

3. O Ataque a Estêvão (7:54-8:1a)

B. O Ministério de Filipe (8:1b-40)

C. A Mensagem de Saulo (9:1-19a)

D. Os Conflitos de Saulo (9:19b-31) Relatório de progresso nº 3: “Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo” (9:31).

III. O Testemunho até aos Confins da Terra (9:32-28:31)

A. A Disseminação da Igreja até Antioquia (9:32-12:24) Relatório de progresso nº4: “Entretanto, a palavra de Deus crescia e espalhava-se sempre mais” (12:24).

B. A Disseminação da Igreja até à Ásia Menor (12:25-16:5) Relatório de progresso nº5: “Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número de dia para dia” (16:5).

C. A Disseminação da Igreja até à Região do Egeu (16:6-19:20) Relatório de progresso nº6: “Foi assim que o poder do Senhor fez crescer a palavra e a tornou sempre mais eficaz” (19:20).

D. A Disseminação da Igreja até Roma (19:21-28:31) Relatório de progresso nº 7: “Paulo... recebia todos os que vinham procurá-lo. Pregava o Reino de Deus e ensinava as coisas a respeito do Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade e sem proibição” (28:30-31).

Artigo original por J. Hampton Keathley III, Th.M.

Tradução de C. Oliveira

J. Hampton Keathley III, Th.M., licenciou-se em 1966 no Seminário Teológico de Dallas, trabalhando como pastor durante 28 anos. Em Agosto de 2001, foi-lhe diagnosticado cancro do pulmão e, no dia 29 de Agosto de 2002, partiu para casa, para junto do Senhor.

Hampton escreveu diversos artigos para a Fundação de Estudos Bíblicos (Biblical Studies Foundation), ensinando ocasionalmente Grego do Novo Testamento no Instituto Bíblico Moody, Extensão Noroeste para Estudos Externos, em Spokane, Washington.


1 Machen, p.17.

2 J. Sidlow Baxter, Explore The Book, A Basic and Broadly Interpretative Course of Bible Study From Genesis to Revelation, Vol. 5, Período Intertestamentário e os Evangelhos, Zondervan, Grand Rapids, 1960, p. 120.

3Bruce Wilkinson e Kenneth Boa, Talk Thru The Bible (Caminhada Bíblica), Thomas Nelson, Nashville, 1983, p. 305.

4 Wilkinson/Boa, p. 308.

5 Charles Caldwell Ryrie, Ryrie Study Bible, Expanded Edition, Moody, p. 1509.

6 John F. Walvoord, Roy B. Zuck, editores, The Bible Knowledge Commentary, Victor Books, Wheaton, 1983,1985, versão electrónica.

7 Walter M. Dunnett, Professor do Novo Testamento, Instituto Bíblico Moody , New Testament Survey, Associação “Evangelical Teacher Training”, Wheaton, 1967, p. 17.

8 Ryrie, p. 1574.

9 Ryrie, p. 1574.

10 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

11 Wilkinson/Boa, p. 320.

12 Wilkinson/Boa, p. 321.

13 The NIV Study Bible Notes, Zondervan NIV Bible Library, Zondervan, Grand Rapids, 1985, versão electrónica.

14 Wilkinson/Boa, p. 327.

15 Ryrie, p. 1614.

16 Ryrie, p. 1614.

17 Wilkinson/Boa, p. 328.

18 Wilkinson/Boa, p. 328.

19 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

20 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

21 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

22 Nota de Tradução: sugerem-se as seguintes versões bíblicas portuguesas para melhor compreensão do texto: 1:18, NVI; 6:69, JFA-RC; 6:69, NVI, JFA-RA e Bíblia Ave Maria.

23 Wilkinson/Boa, p. 338.

24 Ryrie, p. 1724.

25 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

26 Walvoord/Zuck, versão electrónica.

27 Wilkinson/Boa, p. 353.

28 O plano geral aqui utilizado segue o de Dr. Stanley em Bible Knowledge Commentary, editado por Walvoord e Zuck, versão electrónica.

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