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Dia da Reforma: Porque a Reforma é Importante (várias passagens bíblicas)

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10/29/2017

Há 500 anos, no dia 31 de outubro de 1517, teve lugar um dos mais importantes acontecimentos da história quando um monge agostiniano de 34 anos, chamado Martinho Lutero, afixou suas agora famosas “95 Teses” na porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, Alemanha. A porta de uma igreja era como um quadro de avisos; colocar nela alguma nota era uma forma aceitável de solicitar um debate para um determinado assunto. Lutero escreveu suas teses em latim, que a maioria do povo não sabia ler. No entanto, alguém as traduziu para o alemão e, graças à prensa tipográfica recém-inventada por Gutenberg, milhares de cópias foram rapidamente espalhadas pela Alemanha e além dela. Sem qualquer intenção, Lutero mudou os rumos da sua história e da história do mundo!

Lutero nasceu num lar católico, na Alemanha, em 1483. Seu pai queria que ele se tornasse advogado, por isso, obedientemente ele começou a estudar Direito em 1505. No entanto, naquele ano, durante uma tempestade, um raio quase o atingiu. Ele achou que Deus tinha lançado aquele raio sobre ele para julgar sua alma culpada. Aterrorizado, ele gritou para a santa padroeira de seu pai: “Ajude-me, Santa Ana, e me tornarei monge”! Duas semanas depois, com grande desaprovação de seu pai, ele abandonou a escola de Direito e entrou para um mosteiro.

Anos depois, refletindo sobre sua vida como monge (citado por Stephen Nichols, Martin Luther: A Guided Tour of His Life and Thought [P&R], p. 29), ele escreveu:

“Eu mesmo fui monge por vinte anos. Eu me torturei com orações, jejuns, vigílias e muito frio — só o frio já seria suficiente para me matar — e me infligi tanta dor como nunca mais poderei infligir, mesmo se pudesse… Se alguma vez alguém conseguiu entrar no céu por ser monge, eu quis fazer isso também”.

Entretanto, Lutero não encontrou nenhum alívio para sua culpa. Ele continuou seus estudos e foi um acadêmico brilhante. Em 1510, seu supervisor espiritual, que não sabia exatamente como lidar com o extraordinário senso de culpa de Lutero, achou que uma viagem a Roma poderia ajudar o atribulado rapaz. Mas quando Lutero chegou àquela suposta cidade “santa”, ficou chocado com a corrupção, hipocrisia e pecaminosidade gritante que encontrou.

Lutero voltou para obter seu doutorado em teologia e ensinar na Universidade de Wittenberg. No entanto, seus estudos não resolveram seus problemas. Ele lutava com a questão: “Como posso ser justo diante de Deus”? A igreja Católica prescrevia coisas como confissão, penitência, méritos acumulados e boas obras, mas nada disso ajudava a aliviar sua culpa. À medida que continuava seus estudos das Escrituras para dar suas aulas, ele começou a perceber que havia uma diferença enorme entre o que a Escritura ensina e o que a igreja ensinava.

Tentando compreender o significado de Romanos 1.17, “mas o justo viverá pela fé”, em algum momento (os estudiosos discutem quanto à época exata), Lutero chegou à conclusão radical de que não nos tornamos justos diante de Deus pela nossa própria justiça, mas pela justiça de Cristo imputada a nós por Deus por meio da fé. Mais tarde ele escreveu sobre sua descoberta revolucionária: “Senti como se tivesse nascido de novo e entrado no próprio paraíso por portões escancarados” (Christian History, 34:15).

Conforme o entendimento de Lutero crescia, crescia também sua frustração com a venda de indulgências pela igreja. Assim, ele postou suas 95 Teses sem saber como isso mudaria radicalmente sua vida e o curso da história. O papa, na época, era o corrupto e hedonista Leão X. Por meio das ligações e da riqueza de seu pai, ele se tornou sacerdote aos 8 anos e cardeal aos 14. Ele se tornou papa relativamente jovem, aos 37 anos de idade. Ele não tinha fé pessoal em Cristo e nenhuma pretensão de ser um homem religioso. Seu lema era “Deus nos deu o Papado — vamos desfrutá-lo” (E. R. Chamberlin, The Bad Popes [Barnes & Noble], p. 248). Como papa, quando alguém fazia alguma citação dos evangelhos para ele, ele dizia: “Essa fábula de Cristo tem sido muito lucrativa para nós ao longo dos anos” (ibid., p. 223).

Leão X tinha gasto tanto dinheiro com seu estilo de vida esbanjador e seus gostos extravagantes por artes que acabou drenando todo o tesouro do Vaticano (ibid., p. 239). Por isso, para levantar fundos para a construção da Catedral de São Pedro, ele vendia posições na igreja e indulgências. Alberto de Mainz, na Alemanha, já tinha comprado dois bispados, mas, aos 23 anos, queria mais um por causa do dinheiro e do poder que o acompanhavam. No entanto, era contra as normas da igreja vender tantos bispados, por isso, era preciso uma autorização especial do papa para concedê-lo. Assim, o papa e Alberto fizeram um acordo. Alberto precisava do dinheiro para pagar ao papa a quantia combinada. E o papa precisava de fundos para construir sua catedral. Então, o papa autorizou Alberto a vender indulgências especiais. Ele ficaria com metade do dinheiro para si e daria a outra metade ao papa (ibid., p. 241).

Alberto recrutou um monge, João Tetzel, para vender as indulgências, um sistema complexo que, basicamente, envolvia a capacidade de encurtar o tempo no purgatório para a própria pessoa ou para algum ente querido já falecido pagando-se determinada quantia à igreja. Tetzel era um verdadeiro artista e também um bom vendedor. Ele jogava com a emoção das pessoas (Christian History, 34:39): “Ouçam a voz de seus queridos amigos e parentes mortos implorando a vocês: ‘Tenham piedade de nós, tenham piedade de nós. Por uns míseros trocados, vocês podem nos livrar deste tormento pavoroso’”. Sua propaganda era um refrão que dizia: “Quando uma moeda no cofre ressoa, uma alma do purgatório para o céu voa”.

A princípio, Lutero ingenuamente pensou que o papa endossaria suas objeções àquele esquema imoral. E o papa, erroneamente, subestimou a ameaça das 95 Teses, que se alastravam como fogo por toda a Europa. O papa não fez caso de Lutero, achando que suas teses eram divagações de um alemão bêbado que pensaria de modo diferente quando estivesse sóbrio (Stephen Nichols, The Reformation [Crossway], pp. 29-30).

No entanto, a questão logo passou da simples venda de indulgências para a autoridade do papa. Será que ele tinha o direito de perdoar pecados com base na quantia que alguém pagasse à igreja? As coisas rapidamente evoluíram, estimuladas por mais escritos de Lutero, os quais reivindicavam uma grande reforma na igreja. Ele dizia que “um simples leigo, armado com as Escrituras” era superior aos papas e concílios sem elas (Christian History, 34:15). Em 1520, uma bula papal ameaçou Lutero de excomunhão. Ele a queimou em praça pública. Na primavera de 1521, esses acontecimentos levaram à Dieta de Worms, convocada pelo Santo Imperador Romano, Carlos V.

Lutero compareceu à assembleia achando que poderia debater suas 95 Teses. Mas logo ele percebeu que aquilo não era um debate — era uma audiência judicial onde seria exigido que ele se retratasse de seus polêmicos escritos que desafiavam a autoridade da igreja. Após pedir um dia para pensar, ele deu sua célebre resposta: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por razões claras e evidentes… não posso e não vou me retratar, pois não é seguro nem sábio agir contra a própria consciência”. Depois, provavelmente ele acrescentou: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude! Amém”.

Lutero foi condenado, mas aceitou o salvo-conduto que lhe prometeram (um século antes, o reformador tcheco John Huss tinha recebido um salvo-conduto, mas o encarceraram, torturaram e queimaram na fogueira). Agora, como fora-da-lei, qualquer um poderia matá-lo sem temer represálias de uma corte imperial. Quando voltava para Wittenberg, um grupo de cavaleiros armados saiu repentinamente da floresta, sequestrou Lutero e foi embora. Eles tinham sido enviados pelo príncipe de Lutero, Frederico, o Sábio, para mantê-lo a salvo. Eles o levaram para Wartburg, um dos castelos de Frederico, onde Lutero ficou escondido por dez meses. Durante esse tempo, ele continuou escrevendo, mas sua realização mais importante foi a tradução do Novo Testamento para o alemão vulgar (os dois parágrafos acima seguem Christian History, 34:15-17). E assim, a Reforma foi deflagrada.

À medida que se espalhou pela Europa, o cerne da Reforma foi recuperar, esclarecer e enfatizar o evangelho da graça de Deus em oposição ao sistema de obras em que a igreja estava mergulhada. A Reforma desafiou a autoridade do papa e a tradição da igreja, submetendo-os à Bíblia. A Reforma substituiu a missa pelo sermão. Aboliu o sistema de indulgências e méritos como requisitos para a salvação. Aboliu a doutrina antibíblica do purgatório. Deu fim à veneração a Maria, as orações a ela e aos santos, e a veneração de relíquias, ídolos ou símbolos da igreja. Reintroduziu o canto congregacional. Colocou a Bíblia na linguagem do povo, a fim de que todos pudessem lê-la. Ensinou o sacerdócio de todos os crentes. Reconheceu apenas dois sacramentos ou ordenanças, não sete. Ensinou que a vocação de uma pessoa é o seu chamado, e sua importância diante de Deus. E ensinou que o casamento é bom e que os líderes eclesiásticos podem se casar.

Apesar disso, alguns evangélicos protestantes pensam que a Reforma criou uma divisão pecaminosa na igreja e que devemos deixar de lado as nossas diferenças, nos unir onde concordamos e nos reconciliar com Roma. Outros, atraídos pela liturgia dos antigos, estão se unindo à Igreja Ortodoxa, acreditando que ela é a única igreja verdadeira. Por isso, neste aniversário de 500 anos do início da Reforma Protestante, gostaria de explicar porque ela ainda é importante:

A Reforma tem importância porque ela recuperou o evangelho, resumido nos “Cinco Solas”: somente a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a fé e somente glória a Deus.

Embora sola Scriptura, sola gratia e sola fide fossem usadas no século XVI, parece que ninguém sabe ao certo quando os cinco solas foram reunidos pela primeira vez (R. Scott Clark, heidelblog.net, “Whence the Reformation Solas?”). Uma fonte (en.wikipedia.org/wiki/Five_solae) cita que os cinco não foram articulados sistematicamente antes do século XX. No entanto, atualmente, os estudiosos concordam que estes Cinco Solas são um resumo do cerne da verdade do evangelho recuperada pela Reforma. Cada um deles pode ser facilmente explicado em um sermão, por isso o que vou tratar aqui será muito breve.

1. Sola Scriptura: O evangelho é revelado por meio da Escritura somente.

Este ponto da Reforma trata da fonte e autoridade para a verdade espiritual. Como podemos conhecer a Deus e a verdade espiritual? Será por meio do papa, da igreja, dos concílios ou das experiências e sentimentos pessoais? Os Reformadores corretamente nos levaram de volta à Bíblia como a única fonte de autoridade para a verdade espiritual. Isso tem como fundamento diversas passagens-chave das Escrituras:

2 Timóteo 3.16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

2 Pedro 1.20-21: “sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

João 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Nos dias de Lutero, e também depois, a Igreja Católica ensinava que a Escritura era autoritativa, mas só poderia ser compreendida e ensinada através da tradição apostólica, transmitida por meio do ensino das autoridades da igreja (o magistério) e que esses ensinamentos poderiam ser desenvolvidos e aprofundados ao longo do tempo. Portanto, doutrinas como as do purgatório, da infalibilidade papal, da concepção imaculada e assunção da virgem Maria, oração aos santos e outras doutrinas não encontradas na Bíblia são ensinadas como verdadeiras e iguais às Escrituras devido à autoridade docente da igreja que as declara como verdade.

Além da tradição da igreja, outra ameaça à autoridade exclusiva da Escritura é a reivindicação da revelação direta e pessoal do Espírito Santo. Hoje em dia, muitas pessoas da tradição pentecostal reivindicam que o Senhor lhes revelou coisas que não estão na Escritura, algumas delas contrárias à própria Escritura. Por exemplo, certa vez ouvi um famoso pregador carismático dizer que o Senhor lhe disse que ele deveria ter realizado um casamento em que uma das partes não era crente, embora a Escritura afirme claramente que crentes não devem se casar com não crentes.

Contudo, Lutero e os outros Reformadores viram que quando a Escritura, a tradição da igreja ou a experiência pessoal são colocadas no mesmo patamar, a tradição ou a experiência acabam superando e subvertendo a Escritura, resultando em toda sorte de erros. Isso não desconsidera a sabedoria contida nos Credos da igreja primitiva ou nos ensinamentos dos Pais da igreja. No entanto, diz que mesmo os credos e ensinamentos dos Pais devem ser submetidos e julgados, e devidamente interpretados, pela Bíblia. Portanto, toda verdade espiritual, especialmente a verdade central a respeito do evangelho, deve ser proveniente somente da Escritura. Somente por meio da Escritura inspirada podemos conhecer e compreender o evangelho da salvação pela fé em Cristo.

2. Solus Christus: O evangelho é centrado em Cristo somente.

Porque Deus é santo (1Pe 1.15-16; 1Jo 1.5) e todos os seres humanos pecadores (Rm 3.10-18, 23), nem rituais religiosos, nem boas obras, nem qualquer líder religioso pode nos reconciliar com Deus. Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). A fé pessoal em Seu sacrifício na cruz é suficiente para nos reconciliar com o Deus santo. Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14.6). Pedro testificou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At 4.12), e Paulo disse: “sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24).

O evangelho não é a respeito de como você pode ser financeiramente bem-sucedido, pode ter uma boa autoestima, ser feliz ou ter uma família feliz. O evangelho (as boas novas) é que você pode ser resgatado do juízo de Deus por meio da fé na vida sem pecado de Cristo, na Sua morte sacrificial e na Sua ressurreição corporal (1Co 15.1-4; 2Co 5.21; Rm 8.1-3; Hb 10.1-10). Você não pode salvar a si mesmo ou ajudar Cristo a salvá-lo. Você precisa confiar somente em Cristo para sua salvação.

3. Sola Gratia: O evangelho é aceito e recebido pela graça somente.

Efésios 2.8-9: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Romanos 11.6: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.

A graça da Deus significa Seu favor imerecido. Deus não nos deve nada além de julgamento por causa dos nossos pecados. Ele não escolheu nos salvar com base em alguma coisa boa que previu em nós, inclusive a nossa fé, mas somente pela Sua graça. A Declaração de Cambridge da Aliança de Evangélicos Confessionais afirma claramente:

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída… A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora. Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada. (http://www.monergismo.com/textos/credos/declaracao_cambridge.htm)

4. Sola Fide: O evangelho é recebido pela fé somente.

João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Romanos 4.4-5: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”.

Gálatas 2.26: “sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”.

A igreja Católica nos dias de Lutero ensinava que, além da fé em Cristo, era preciso acrescentar as penitências, as boas obras, os méritos de Maria e dos santos, e guardar os sacramentos, a fim de que o tempo no purgatório fosse reduzido e, talvez, você pudesse finalmente entrar no céu. Eles também viam a justificação como um processo envolvendo o perdão de pecados e a infusão da graça santificadora, recebidos inicialmente por meio do batismo (geralmente na infância) e depois, ao longo da vida, pelas boas obras. O Concílio de Trento (uma tentativa de conter a Reforma) condenou à punição eterna quem ensinasse que somos justificados pela fé somente (ver Phillip Schaff, Credos da Cristandade [Baker], 2:112-117).

Os Reformadores, por sua vez, corretamente ensinavam que a genuína fé salvadora sempre resulta numa vida de boas obras. Como diz Tiago: “a fé sem obras é morta” (Tg 2.14-16). As boas obras são fruto da salvação, não sua causa (Ef 2.8-10).

5. Soli Deo Gloria: O evangelho resulta na glória de Deus somente.

Isso é realmente importante: se os pecadores podem contribuir de alguma forma com sua própria salvação, então eles podem partilhar a glória com Deus. No entanto, se Deus salva pecadores por meio da obra consumada de Cristo somente, pela graça somente, pela fé somente, e tudo isso é um presente, então ninguém pode se vangloriar.

1 Coríntios 1.26-31: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Efésios 1.4-6: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.

Romanos 11.36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (ver também Is 42.8; 43.7; 48.11; 1Co 10.31).

É importante compreender que, embora Deus ordene aos pecadores que creiam em Cristo (João 14.1; Atos 16.31), ao mesmo tempo, ninguém é capaz de ter fé em Cristo sem que o Pai lha conceda e o atraia para Si (João 6.44, 65). O homem natural não é capaz de compreender as coisas do Espírito, a menos que Deus abra seus olhos (1Co 2.14). Paulo disse: “Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (1Co 4.3-4). Portanto, como um incrédulo pode ver e crer? Paulo explica: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (1Co 4.6). Se a salvação depende da iluminação graciosa de Deus em nosso coração, abrindo nossos olhos para a verdade e nos concedendo a fé, para que deixemos de confiar em nós mesmos e confiemos somente em Cristo, então toda a glória pertence a Ele!

Conclusão

Portanto, será que a Reforma ainda tem importância? Sim, é claro que tem! Ela recuperou a maravilhosa verdade de que as boas novas da salvação nos são dadas pela Escritura somente. Com base em Cristo e sua obra somente. Recebida pela graça somente e pela fé somente. Por isso, devemos dar glória a Deus somente! Não se deixe seduzir por qualquer outra mensagem. “Esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes! (1Pe 5.12b).

Perguntas para Aplicação

  1. Os católicos romanos muitas vezes argumentam que a doutrina da Sola Scriptura tem resultado em milhares de denominações protestantes. Qual sua resposta?
  2. Alguns dizem que, se os pecadores não são capazes de crer, certamente Deus não irá julgá-los por não crer. Qual sua resposta?
  3. Como você responderia ao argumento de que católicos e protestantes deveriam deixar de lado as áreas em que discordam e se unir naquelas em que concordam?
  4. Como a reivindicação carismática da nova revelação profética (“O Senhor me disse…”) ameaça a verdade de somente a Escritura?

Copyright, Steven J. Cole, 2017, All Rights Reserved.

Tradução e Revisão: Mariza Regina de Souza

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