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A Trindade (Triunidade) de Deus

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Introdução

Uma vez que a palavra trindade não se encontra na Bíblia, alguns questionam se esta é ou não uma doutrina bíblica, mas a ausência de um termo usado para descrever uma doutrina não significa necessariamente que tal termo não seja bíblico. A questão é a seguinte: será que o termo reflecte com precisão o que a Escritura ensina? Na realidade, devido à natureza incompreensível da verdade que este conceito encerra, algumas pessoas acreditam tratar-se de uma palavra insuficiente para descrever com exactidão o que a Bíblia nos ensina acerca desta verdade sobre Deus. Quando alguém estuda uma doutrina como esta, lê sobre ela num livro de teologia ou num artigo como este, pode parecer que o escritor está a dizer: “Aqui estão as doutrinas em que acreditamos, e é nisto que você deve acreditar – por isso, acredite!”. Porém, como Ryrie salienta, “Se é esse o caso, é apenas porque está a olhar para os resultados do estudo de alguém, não para o processo” 1 que conduziu a pessoa até à sua posição relativamente a uma doutrina em particular. 

O objectivo é investigar os factos da Escritura de modo a que a pessoa veja, a partir do processo de investigação apresentado neste estudo, aquilo que a Bíblia nos ensina sobre a forma como Deus existe. Historicamente, a Igreja acredita que Ele existe como Santíssima Trindade ou Triunidade. A personalidade tripla de Deus é uma doutrina exclusivamente cristã e uma verdade das Escrituras. Esta é a doutrina que em seguida será investigada. O nosso objectivo, portanto, consiste em demonstrar que a doutrina da trindade (triunidade) da Divindade é outra revelação bíblica que nos ensina mais acerca da natureza de Deus ou como Ele existe. A Bíblia ensina-nos que Deus não apenas existe como um ser Espiritual pessoal, mas que o faz sobre a forma de Trindade Santa.

A Natureza
desta Revelação a Respeito de Deus

Antes de investigarmos os factos das Escrituras, quero começar por realçar que esta é uma doutrina que ultrapassa o âmbito da mente finita do homem. Encontra-se fora da esfera da razão natural ou lógica humana. O Dr. Walter Martin salienta:

Nenhum homem pode explicar totalmente a Trindade, ainda que, em todas as eras, estudiosos tenham proposto teorias e avançado hipóteses na tentativa de explicar este misterioso ensinamento bíblico. Mas, apesar dos esforços valiosos destes eruditos, a Trindade permanece em grande parte incompreensível para a mente do homem.

Quiçá a principal razão para tal seja o facto de a Trindade ser alógica, ou para lá da lógica. Por consequência, não pode ser sujeita à razão ou lógica humana. Por causa disto, os oponentes da doutrina argumentam que a ideia da Trindade tem de ser rejeitada e considerada insustentável. Esse raciocínio, porém, faz da razão corrompida do homem o único critério para a determinação da verdade da revelação divina. 2

Portanto, com que assunto nos deparamos? O derradeiro problema é sempre saber se a evidência bíblica apoia a doutrina da Trindade ou tri-personalidade de Deus. Em caso afirmativo, ficaremos certos de que é verdadeira. Compreendê-la é outro assunto. John Wesley afirmou: “Tragam-me um verme capaz de compreender um homem, e eu mostro-vos um homem que consiga compreender o Deus Uno e Trino”.3

Não devemos ficar incomodados com este facto. Porquê? Porque a Palavra de Deus diz-nos que devemos esperar que a Sua revelação – a revelação de um Criador infinito, omnisciente e sumamente sábio – contenha uma profundidade infinita, correspondente à Sua mente infinita. Em Isaías, Deus fala-nos sobre isto, dizendo:

“Os Meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os Meus caminhos” – diz o Senhor. “Quanto os céus estão elevados acima da terra, tanto se acham elevados os Meus caminhos acima dos vossos e os Meus planos acima dos vossos planos”. (Isaías 55:8-9).

A respeito dos pensamentos de Deus serem superiores aos nossos, Kenneth Boa apresenta uma excelente reflexão:

De tudo isto sucede que não podemos nem devemos esperar compreender a Bíblia de modo exaustivo. Se pudéssemos, a Bíblia já não seria divina, mas sim limitada à inteligência humana. Uma ideia muito importante advém disto, algo que faz tropeçar muitos não-cristãos e até mesmo cristãos: Uma vez que a Bíblia é uma revelação infinita, leva frequentemente o leitor para dos limites da sua inteligência.

Independentemente de quão simples a Bíblia seja na sua mensagem de pecado e salvação gratuita em Cristo, estão subjacentes a todas as suas doutrinas incríveis subtilezas e profundidade. Até uma criança pode receber Cristo como seu Salvador, apropriando-se assim do dom gratuito da vida eterna. Não obstante, nenhum filósofo conseguiu mais do que roçar a superfície do que diz respeito às coisas que aconteceram na Cruz. A Bíblia obriga qualquer leitor a embater no tecto da sua própria compreensão, para lá do qual não pode ir até que veja o Senhor cara-a-cara.

Até que a pessoa reconheça que a sua própria sabedoria e inteligência não são suficientes, não está preparada para escutar a sabedoria superior de Deus. Jesus fez alusão a isto quando disse a Deus: “escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lucas 10:21).4

Deus comunicou aos homens de forma verdadeira, mas não exaustiva. Moisés expressou-nos isto em Deuteronómio 29:29: “As coisas ocultas pertencem ao Senhor, nosso Deus, mas aquilo que Ele revelou é para nós e nossos filhos até às derradeiras gerações, a fim de que ponhamos em prática todas as palavras desta lei”.

A compreensão do modo como o correspondente em grego da palavra mistério era usado no Novo Testamento poderá ajudar-nos. Corresponde à palavra grega musterion e refere-se ao que estava previamente oculto, mas que agora nos é revelado através da revelação da Palavra (1 Cor. 15:51; Efésios 3:3, 4, 9). Por vezes, é simplesmente usada em referência àquilo que Deus torna conhecido mediante a Sua revelação ao homem, que este último não poderia saber de outra maneira (1 Cor. 2:7). Contudo, há um sentido em que algumas das verdades de Deus, embora claramente reveladas na Bíblia, permanecem um mistério. Ainda que seja uma verdade revelada nas Escrituras, tal como a doutrina da encarnação do Filho de Deus ou a natureza divina/humana de Jesus Cristo, a Trindade é uma espécie de mistério na medida em que ultrapassa os limites da compreensão humana. Deus não nos explicou todos os mistérios da Sua revelação, sem dúvida simplesmente porque ainda não os conseguimos compreender.

O Apóstolo Paulo escreveu: “Hoje, vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas, então, veremos face a face. Hoje conheço de maneira imperfeita; então, conhecerei exactamente, como também sou conhecido” (1 Cor. 13:12).

Uma cidade como Corinto, famosa pelos seus espelhos de bronze, teria apreciado particularmente a ilustração final de Paulo. A perfeição e imperfeição mencionadas no versículo 10 foram comparadas com destreza a duas imagens contrastantes: uma delas obtida pelo reflexo indirecto da face de alguém num espelho de bronze, correspondendo a segunda imagem à visualização directa dessa mesma face. Esse, afirmou Paulo, era o contraste entre o tempo imperfeição no qual escreveu e o tempo perfeito que o esperava a si e à Igreja, assim que o reflexo parcial do presente desse lugar ao esplendor da visão perfeita. Então, Paulo veria Deus (confira 15:28; 1 João 3:2) da mesma forma que Deus o via agora. Então, o conhecimento parcial (confira 1 Cor. 8:1-3) seria substituído pelo conhecimento perfeito de Deus. 5

Devido à nossa capacidade limitada nesta vida, algumas das revelações de Deus, que nos são dadas na Bíblia, desafiam a explicação e a ilustração. Ao procurarmos explicar verdades que caem nesta categoria, as nossas explicações e, em especial, as nossas tentativas de as ilustrar ficam necessariamente aquém da nossa habilidade para clarificar e compreendê-las.

Será que isto significa que uma doutrina não pode ser verdadeira simplesmente porque desafia a nossa imaginação ou capacidade humana para a compreender? A resposta é “claro que não”! Seria pura arrogância dizer que assim era. A verdade é que temos de reconhecer a nossa necessidade de simplesmente confiar na revelação especial de Deus para nós, a Bíblia, e sujeitar as nossas mentes ao ensinamento que é verdadeiramente expresso nas suas páginas. Isto não significa que não ponhamos as Escrituras à prova a fim de ter a certeza que estas coisas são verdadeiramente ensinadas; porém, uma vez convencidos de que é isto que a Bíblia diz, temos de as agarrar através da fé e aguardar pela compreensão completa num futuro eterno.

Seria o cúmulo do egotismo que uma pessoa dissesse que, só por uma ideia contida na Bíblia não fazer sentido (não se conformar ao seu raciocínio), não pode ser verdadeira, tendo a Bíblia de estar errada neste ponto. 6

A doutrina da trindade ou triunidade faz parte da revelação de Deus, de Alguém infinito àqueles que são finitos. Portanto, uma vez mais temos de perguntar: não parece lógico que, ao longo do nosso estudo sobre Deus, acabemos por encontrar coisas que são incompreensíveis, misteriosas e supra-racionais em relação à capacidade do pensamento humano, racional e finito? Então, compreendamos, desde o início deste estudo, que “Deus, na Sua existência sob a forma de Três num Só, está para lá dos limites da compreensão humana”.7

Existe outro tópico relevante acerca da natureza desta revelação nas Escrituras. Precisamos de reflectir durante um momento nas palavras explícito e implícito, pois estes dois vocábulos são importantes a fim de se compreender correctamente aquilo que as Escrituras ensinam sobre esta doutrina. Explícito significa “total e claramente expresso; deixando nada implícito; total e claramente definido ou formulado”. Implícito significa “tácito ou subentendido, embora não expresso directamente”.

Ryrie escreve:

A Trindade não é, obviamente, uma palavra bíblica. Nem o são triunidade, trino, trinal, subsistência ou essência. Ainda assim, usamo-las, muitas vezes de forma útil, a fim de tentar exprimir esta doutrina, tão repleta de dificuldades. Para além disso, esta é uma doutrina não explícita no Novo Testamento, ainda que se diga frequentemente que está implícita no Antigo e explícita no Novo Testamento. Porém, explícito significa “caracterizado mediante uma expressão completa e clara”, adjectivo dificilmente aplicável a esta doutrina. Não obstante, a doutrina tem origem nas Escrituras e, por isso, é um ensinamento bíblico. 8

Contexto Histórico

Embora a Bíblia ensine implicitamente a verdade a respeito da Triunidade de Deus quer no Antigo, quer no Novo Testamento, o desenvolvimento e delineação desta doutrina foram provocados pela ascensão de grupos heréticos ou professores que negavam ou a divindade de Cristo, ou a do Espírito Santo. Isto levou a jovem Igreja a estruturar formalmente a doutrina da Triunidade. Na verdade, Tertuliano, em 215 d.C., foi o primeiro a mencionar esta doutrina usando o termo Trindade. 9 A respeito dos obstáculos que a Igreja recém-formada enfrentou, Walter Martin escreve:

Estando o Novo Testamento completo no final do primeiro século, a Igreja nascente lutava pela sua vida contra inimigos antigos – a perseguição e o erro doutrinal. De um lado, encontrava-se o império Romano, o Judaísmo ortodoxo e as religiões pagãs hostis; do outro, as heresias e as doutrinas divisórias. Nos seus primeiros tempos, o Cristianismo foi, de facto, uma experiência arriscada.

É provável que nenhuma doutrina tenha sido alvo de maior controvérsia na Igreja recém-formada do que a Trindade. Certamente, o ensinamento de “um Deus em três Pessoas” era aceite na Igreja nascente, mas só quando este ensinamento começou a ser posto em causa é que surgiu uma doutrina sistemática da Trindade.

A heresia gnóstica, por exemplo (que se infiltrou na Cristandade durante a vida dos apóstolos), foi alvo de forte condenação na Epístola de Paulo aos Colossenses e na Primeira Epístola de João. Ao negarem a divindade de Cristo, os gnósticos ensinavam que era inferior em natureza ao Pai, um tipo de superanjo de emanação impessoal de Deus.

Sucedendo aos gnósticos, apareceram vários teólogos especulativos, como Orígenes, Luciano de Antioquia, Paulo de Samósata, Sabélio e Ário de Alexandria. Todos propagaram perspectivas não-bíblicas da Trindade e da divindade de nosso Senhor.

Mas talvez o teste mais crucial à doutrina cristã na Igreja recém-formada tenha sido a “heresia ariana”. Foi esta heresia que estimulou a estruturação de pensamento a respeito da Trindade e da divindade de Cristo...

Hoje em dia, existem ainda resquícios da heresia gnóstica (Ciência Cristã), ariana (Testemunhas de Jeová) e sociniana (Unitarismo) a circular na Cristandade. Todos estes erros têm uma coisa em comum: dão a Cristo todos os títulos, excepto aquele que Lhe dá direito a todos os restantes – o título de Deus e Salvador.

Mas a doutrina cristã da Trindade não “começou” no Concílio de Niceia, nem derivou de “influências pagãs”. Embora religiões como a egípcia, caldeia, hindu e outras religiões pagãs abranjam supostas “trindades”, estas não têm qualquer semelhança com a doutrina cristã, única e livre de qualquer capricho cultural pagão...10

A questão, portanto, é simplesmente esta: embora o termo Trindade nunca seja especificamente usado, nem a doutrina explicitamente explicada nas Escrituras, mesmo assim aparece de forma implícita. Os concílios da Igreja, na sua batalha contra a heresia, foram obrigados a reflectir acerca do que a Bíblia afirma sobre o modo como Deus existe. O resultado consistiu na doutrina da Triunidade; mas note-se que o desenvolvimento desta doutrina se baseou num estudo cuidadoso das Escrituras.

Cairns discute este tempo de controvérsia teológica na Igreja recém-formada e o cuidado extremo conferido ao assunto:

Tratou-se de uma era em que foram desenvolvidos os principais dogmas da Igreja Cristã. A conotação desfavorável transmitida pela palavra “dogma” em tempos de laxidão doutrinal, como na actualidade, não deverá obscurecer o valor do dogma para a Igreja. A palavra “dogma” proveio do Latim, a partir da palavra grega dogma, derivada do verbo dodeo. Tal termo significava pensar. Os dogmas ou doutrinas formulados neste período foram o resultado de um intenso processo de pensamento e pesquisa da alma, de modo a interpretar correctamente o significado das Escrituras nos pontos em disputa e a evitar as opiniões erróneas (doxai) dos filósofos. 11

Finalmente, deve ser dito que…

...a doutrina da Trindade é a marca distintiva da religião cristã, separando-a de todas as outras religiões do mundo. Trabalhando sem o benefício das revelações feitas na Escritura, é verdade que os homens têm chegado a algumas verdades limitadas a respeito da natureza e Pessoa de Deus. As religiões pagãs, assim como todas as especulações filosóficas, baseiam-se na religião natural e não podem, por isso, erguer-se a nenhum conceito mais elevado do que a unidade de Deus. Em alguns sistemas, encontramos o monoteísmo, com a sua crença num só Deus. Em outros, encontramos o politeísmo, com a sua crença em vários deuses individuais. Mas nenhuma das religiões pagãs ou sistema de filosofia especulativa alguma vez chegou a uma concepção trinitária de Deus. O facto é que, à parte da revelação sobrenatural, não há nada na experiência ou consciência humana que possa dar ao homem a mais pequena pista para chegar até ao Deus distinto da fé cristã – o Deus Trino e Uno, encarnado, redentor e santificador. Algumas religiões pagãs apresentaram tríades de divindades – como, por exemplo, a tríade egípcia de Osíris, Ísis e Hórus, de alguma forma análoga a uma família humana com pai, mãe e filho; ou a tríade hindu de Brahma, Vishnu e Shiva que, no ciclo de evolução panteísta, personifica o poder criativo, conservador e destrutivo da natureza; ou a tríade exposta por Platão, de bondade, intelecto e vontade –, que não são exemplos de tri-personalidade própria e verdadeira; não são pessoas reais a quem nos possamos dirigir e adorar, mas somente personificações das faculdades ou atributos de Deus. Nenhum destes sistemas tem algo em comum com a doutrina cristã da Trindade, excepto uma noção “trina”.12

Antes de investigarmos as evidências relativas à Trindade, vamos defini-la, procedendo depois ao estudo das evidências mencionadas.

Definição da
Trindade (Triunidade) de Deus

Trindade: o dicionário Webster fornece a seguinte definição de trindade: “A união de três pessoas divinas (ou hipóstases), Pai, Filho e Espírito Santo, numa só divindade, de modo que os três são um só Deus enquanto substância, mas três Pessoas (ou hipóstases) quanto à individualidade”. Alguns sinónimos por vezes usados são triunidade, trino e trinalidade. O termo “trindade” é formado a partir de “tri”, três, e “dade”, unidade. Triunidade é um termo mais adequado do que “trindade”, uma vez que expressa melhor a ideia de Três num Só. Deus É Três num Só. “Hipóstases” é o plural de hipóstase, que significa “a substância, a realidade subjacente, ou essência”.

Ryrie escreve:

Não é fácil construir uma definição da Trindade. Algumas são feitas através da declaração de várias proposições. Outras erram ou no aspecto da unidade, ou do carácter triplo. Uma das melhores é a de Warfield: “Há um só Deus verdadeiro, mas na unidade da Divindade existem três Pessoas co-eternas e co-iguais, as mesmas em substância mas distintas em subsistência.” 13

Pessoa: Ao falar-se da Triunidade, o termo “pessoa” não é utilizado da mesma forma que no seu uso comum, no qual significa uma identidade completamente distinta de outras pessoas. Na verdade, a palavra pessoas tende a diminuir o valor da unidade da Trindade. De acordo com o ensinamento da Escritura, as três Pessoas são inseparáveis, interdependentes e unidas eternamente num só Ser Divino.

É evidente que a palavra “pessoa” não é ideal para o propósito. Os escritores ortodoxos têm-se debatido com este termo. Alguns optaram pelo termo subsistência (o modo ou qualidade de existência); portanto, “Deus tem três subsistências”. A maioria continuou a usar pessoas porque não se conseguiu encontrar um termo melhor. “A palavra substância fala do ser ou natureza essencial de Deus, e subsistência descreve o Seu modo ou qualidade de existência”.14

Essência: No seu uso teológico, essência refere-se às “qualidades intrínsecas ou indispensáveis, permanentes e inseparáveis que caracterizam ou identificam o ser de Deus”. As palavras triunidade e trindade são utilizadas para mencionar o facto de que a Bíblia fala de um Deus, mas atribui as características de Deus a três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

A doutrina da trindade afirma que existe um Deus, único em essência ou substância, mas trino em personalidade. Isto não significa três Deuses independentes que existem como um, mas três Pessoas que são co-iguais, co-eternas, inseparáveis, interdependentes e eternamente unidas num Ser e Essência Divina absolutos.

Tipicamente, as palavras triunidade e trindade são usadas para nos ajudarem a expressar uma doutrina que provém das Escrituras, embora repleta de dificuldades para a mente humana. Novamente, deve ser enfatizado que esta é uma doutrina não explicitamente declarada no Antigo ou no Novo Testamento, mas que está implícita em ambos. Repare nos aspectos seguintes:

(1) O Cristianismo Evangélico tem acreditado na doutrina da Trindade, Triunidade ou Divindade Trina e Una devido ao ensinamento da Bíblia como um todo (Antigo e Novo Testamentos), não por causa de uma ou duas passagens em particular. Como será mostrado mais à frente, o conjunto da Escritura dá testemunho desta doutrina.

(2) Muitas passagens específicas ensinam-nos que existem três Pessoas distintas que possuem divindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo; mas, com igual ênfase, a Bíblia também nos ensina que há um só Deus verdadeiro, ou uma Essência Divina, ou Substância e Ser.

(3) Analisando a Escritura como um todo, é possível verificar que se realçam os seguintes pontos: (a) a unidade de Deus, um Ser e Essência Divinos, e (b) a diversidade de Deus dentro desta unidade, três Pessoas identificadas como Pai, Filho e Espírito Santo. A Bíblia fala destas Pessoas de uma tal forma que atribui divindade e personalidade absolutas e não diminuídas a cada uma, enquanto realça que há um só Deus em substância divina. É a doutrina da trindade que harmoniza e explica estes dois impulsos da Escritura – unidade em três personalidades. 

Ao verificarmos que a Bíblia ensina estas três coisas – (a) há um só Deus; (b) Pai, Filho e Espírito são Deus; (c) cada um deles é anunciado como Pessoa distinta –, enunciamos a doutrina da Triunidade de Deus. Em esquema, pode ser expressa como se segue:

Antigo Diagrama da Santíssima Trindade

As três Pessoas são as mesmas em sustância, isto é, em essência ou natureza essencial, mas distintas em subsistência, que descreve o modo ou qualidade de existência de Deus na forma de três Pessoas. Por modo de existência não queremos dizer um Deus agindo de três formas diferentes, mas um Ser Divino que existe como três Pessoas distintas dentro de uma Substância ou Essência Divinas. Novamente, isto não corresponde exactamente a três indivíduos, como quando pensamos em três indivíduos pessoais, mas sim a um Ser Divino que age e pensa como um dentro de uma personalidade tripla. Tal revela-se incompreensível para as nossas mentes finitas e limitadas, mas é o ensinamento da Escritura. “No Ser de Deus não existem três indivíduos, mas somente três distinções pessoais e próprias dentro da Divina Essência”. 15

Distinções Reconhecíveis e Importantes

O New Bible Dictionary (Novo Dicionário Bíblico) contém um excelente resumo deste aspecto:

Na relação entre as Pessoas, existem distinções reconhecíveis.

a. Unidade na diversidade

Na maioria das vezes, a doutrina é formulada afirmando que Deus É Um na Sua existência essencial, mas que, no Seu ser, existem três Pessoas, embora não formem indivíduos distintos e em separado. São três modos ou formas de existência da essência divina. ‘Pessoa’ é, porém, uma expressão imperfeita da verdade, visto que o termo denota um indivíduo racional e moral em separado. Mas no ser de Deus não existem três indivíduos, mas sim três distinções pessoais próprias dentro de uma essência divina [itálicos meus]. Novamente, no homem, a personalidade implica independência de vontade, acções e sentimentos, conduzindo ao comportamento peculiar de uma pessoa. Tal não poderá ser pensado em associação com a Trindade. Cada Pessoa é autoconsciente e auto-orientada, mas nunca agindo de forma independente ou em oposição. Ao afirmarmos que Deus É uma Unidade, queremos dizer que, embora Deus em Si mesmo seja um triplo centro de vida, a Sua vida não se encontra dividida em três. Ele É um só em essência, personalidade e vontade. Ao declararmos que Deus é uma Trindade em Unidade, queremos dizer que existe uma unidade na diversidade, e que a diversidade se manifesta em Pessoas, em características e operações.

b. Igualdade em dignidade

Existe igualdade perfeita em natureza, honra e dignidade entre as Pessoas. A Paternidade pertence à essência própria da primeira Pessoa, e assim foi desde a eternidade. Trata-se de uma propriedade pessoal de Deus, “do Qual toda a família, nos Céus como na Terra, toma o nome” (Efésios 3:15).

O Filho é denominado “filho único”, talvez para sugerir um carácter único em detrimento de derivação. Cristo sempre declarou ter uma relação única com Deus como Pai e, aparentemente, os judeus que o ouviam não tinham ilusões acerca das suas afirmações. De facto, procuraram matá-lo, pois ele “dizia que Deus era Seu Pai, fazendo-Se igual a Deus” (João 5:18).

O Espírito é revelado como o Único que conhece as profundezas da natureza de Deus: “A nós, porém, Deus revelou-as por meio do Espírito, o Qual tudo penetra, mesmo as profundezas de Deus… As [coisas] que são de Deus, ninguém as conhece, a não ser o Espírito de Deus” (1 Cor. 2:10 ss). Isto equivale a dizer que o Espírito é “apenas o próprio Deus na essência mais íntima do Seu ser”.

Tal coloca a marca do ensinamento do Novo Testamento sobre a doutrina da igualdade das três Pessoas.

c. Diversidade em modo de actuação

Nas funções atribuídas a cada Pessoa na Divindade, especialmente com referência à redenção do homem, é evidente que está envolvido um certo grau de subordinação (em relação, não em natureza); primeiro o Pai, segundo o Filho e, em terceiro, o Espírito. O Pai actua através do Filho mediante o Espírito. Por isso, Cristo pode dizer: “o Pai é maior do que eu”. Como o Filho é enviado pelo Pai, assim o Espírito é enviado pelo Filho. Da mesma forma que a função do Filho era revelar o Pai, também a função do Espírito consiste em revelar o Filho, conforme Cristo testemunhou: “Ele glorificar-Me-á, porque há-de receber do que é Meu, para vo-lo anunciar” (João 16:14).

Tem de ser reconhecido que a doutrina se ergueu como expressão espontânea da experiência cristã. Os primeiros cristãos sabiam estar reconciliados com Deus Pai, e que a reconciliação estava assegurada pela obra expiatória do Filho, que lhes tinha sido mediada como uma experiência pelo Espírito Santo. Portanto, a Trindade era para eles um facto antes de se tornar uma doutrina; porém, de forma a preservá-la no credo da Igreja, a doutrina teve de ser formulada. 16

Erros a Evitar
Relativamente à Trindade

Triteísmo. Este é o ensinamento de que existem três Deuses, por vezes relacionados, mas somente numa associação vaga. Uma tal abordagem abandona a inteireza bíblica de Deus e a unidade dentro da Trindade.

Sabelianismo ou Modalismo. Sabélio (200 d.C.), promotor deste ponto de vista, falou do Pai, Filho e Espírito Santo, mas entendia que não mais eram do que três manifestações de um Deus. Este ensinamento veio a ser conhecido como modalismo, uma vez que contempla um Deus que Se manifesta de forma variada em três modos de existência: Pai, Filho e Espírito Santo.

Arianismo. As raízes desta doutrina encontram-se em Tertuliano, que tornou o Filho subordinado ao Pai. Orígenes levou isto mais longe, ensinando que o Filho estava subordinado ao Pai “com respeito à essência”. O resultado final foi o Arianismo, que negava a divindade de Cristo. Ário ensinou que apenas Deus era O Não Criado; uma vez que Cristo era filho do Pai, Cristo fora criado pelo Pai. Acreditava assim que houvera um momento em que Cristo não existia. Ário e o seu ensinamento foram condenados no Concílio de Niceia, em 325 d.C. 17

Fundamento Bíblico para a Trindade

Uma vez que a Trindade envolve os conceitos-chave de unidade e carácter triplo, o fundamento para esta doutrina estará dependente da descoberta destes dois aspectos na Escritura, à medida que revela a forma como Deus existe.

O Que as Escrituras Dizem Sobre o Carácter Uno de Deus

Antigo Testamento

(1) Deuteronómio 6:4 “Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!”

O versículo 4 foi sujeito a várias traduções, embora seja provável que a afirmação acentue o carácter único de Yahweh, devendo ser traduzida “O Senhor é nosso Deus, somente o Senhor”.

Contudo, há também uma ênfase secundária – a indivisibilidade do Senhor. Tal é aparente na maioria das traduções inglesas. Esta confissão prepara claramente o caminho para a posterior revelação da Trindade, mas como? “Deus” (Elohim) é uma palavra plural, e o termo único (hebraico echad) refere-se a um sentido colectivo. Como tal, é usada relativamente à união de Adão e Eva (Gn. 2:24) para descrever duas pessoas numa só carne. Para além disso, é utilizada em sentido colectivo, como um conjunto de cachos de uvas, em vez de em sentido absoluto, como em Números 13:23, quando os espiões trouxeram um só cacho. Paralelamente, a unidade de Deus está implícita naquelas passagens do Antigo Testamento que declaram não existir outro Deus além de Yahweh, o Deus de Israel.

(2) Deuteronómio 4:35 “Foste testemunha de todos estes factos para que soubesses que só o Senhor é Deus e que não há nenhum outro além d’Ele.”

(3) Isaías 46:9 “Lembrai-vos dos tempos passados, desde o princípio. Sim, Eu sou Deus e não há outro, Eu sou Deus e não há nenhum semelhante a Mim.”

(4) Isaías 43:10 “Vós sois as Minhas testemunhas – oráculo do Senhor –, e os Meus servos que escolhi, a fim de que Me reconheceis e Me acreditais e compreendeis que Eu sou. Antes de Mim, não havia deus nenhum, e não haverá outros depois de Mim.”

O Novo Testamento é ainda mais explícito:

(5) 1 Coríntios 8:4-6 “Portanto, no que se refere a comer carnes sacrificadas aos ídolos, sabemos todos que o ídolo não é nada neste mundo, e que não há outro Deus senão um só. Porque, ainda que haja alguns que sejam chamados deuses, quer no Céu, quer na terra, existindo assim muitos deuses e muitos senhores, para nós não há mais que um só Deus, o Pai de Quem tudo procede e para Quem nós existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio do Qual todas as coisas existem e nós igualmente existimos.”

(6) Efésios 4:4-6 “Há um só corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes. Há um único Senhor, uma única fé, um único baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua por meio de todos e Se encontra em todos.”

(7) Tiago 2:19 “Crês que há um só Deus; fazes bem. Os demónios também crêem e estremecem.”

Passagens da Escritura Demonstrativas de Que Deus, Que É Um, Também É Três

Escrituras do Antigo Testamento

Embora não haja uma declaração explícita no Antigo Testamento que afirme a Triunidade, podemos dizer com confiança que o Antigo Testamento não só deixa espaço para a Triunidade, mas também sugere de várias formas que Deus É um Ser Trino e Uno:

(1) O nome Elohim, traduzido Deus, é a forma plural de El. Embora seja aquilo que é chamado um plural de plenitude, apontando para o poder e majestade de Deus, certamente permite a revelação do Novo Testamento relativa à Triunidade de Deus.

(2) Existem muitas circunstâncias em que Deus usa o pronome plural para Se descrever (veja Gn. 1:26; 3:22; 11:7; Isa. 6:8).

(3) No registo da criação, tanto Deus Pai como Deus Espírito Santo são vistos na obra criativa. É afirmado que Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1), mas que foi o Espírito Santo quem se moveu sobre a terra infundindo-a com vida, no sentido de proteger e participar na obra da criação (Gn. 1:2).

(4) Escrevendo sobre o Messias, Isaías revelou-O igual a Deus, chamando-Lhe “Deus Poderoso” e “Pai Eterno” (Isa. 9:6).

(5) Várias passagens revelam uma distinção de Pessoas dentro da Divindade.

  • Em Salmo 110:1, David demonstra a existência de uma distinção de Pessoas ente “SENHOR”, aquele que fala, e aquele a quem David se dirige, “meu Senhor”. David estava a indicar que o Messias não era um rei comum, mas o seu próprio Senhor, Adoni (meu Senhor), um que era o próprio Deus. Assim, Deus Primeira Pessoa dirige-se a Deus Segunda Pessoa. É precisamente isto que Pedro quer dizer quando cita este Salmo para mostrar que a ressurreição do Messias fora antecipada no Antigo Testamento (Actos 2:34-36).
  • O Redentor (que tem de ser divino, Isa. 7:14; 9:6) é diferenciado do Senhor (Isa. 59:20).
  • O Senhor é distinguido do Senhor em Oseias 1:6-7. Aquele que se encontra a falar é Yahweh, o Senhor; ainda assim, repare na afirmação do versículo 7: “Compadecer-Me-ei… e os salvarei pelo Senhor, seu Deus”.
  • O Espírito é distinguido do Senhor num conjunto de passagens (Isa. 48:16; 59:21; 63:9-10).

(6) Na profecia messiânica de Isaías 7:14, Deus tornou claro que Aquele que nasceria da virgem também seria Emanuel, Deus connosco.

(7) Duas outras passagens que sugerem a Trindade são Isaías 48:16 e 61:1. Em Isaías 48:16, as Três Pessoas são mencionadas, mas vistas como distintas entre si. Veja também Gn. 22:15-16.

Escrituras do Novo Testamento

A hipótese da Triunidade de Deus é ainda mais forte no Novo Testamento. Nele, pode ser demonstrado de forma inequívoca que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Para além disso, o Novo Testamento ensina-nos que estes três nomes não são sinónimos, mas falam de três Pessoas distintas e iguais.

(1) O Pai é chamado Deus (Jo. 6:27; 20:17; 1 Cor. 8:6; Gal. 1:1; Ef. 4:6; Fil. 2:11; 1 Ped. 1:2).

(2) Jesus Cristo, o Filho, é declarado Deus. A Sua divindade é provada através dos nomes divinos ue Lhe são dados, das Suas obras, que só Deus poderia fazer (sustentar todas as coisas, Col. 1:17; criação, Col. 1:16; julgamento futuro, João 5:27), dos Seus atributos divinos (eternidade, João 17:5; omnipresença, Mateus 28:20; omnipotência, Heb. 1:3; omnisciência, Mt. 9:4) e das afirmações explícitas que declaram a Sua divindade (João 1:1; 20:28; Tito 2:13; Heb. 1:8).

(3) O Espírito Santo é reconhecido como Deus. Ao compararmos os comentários de Pedro em Actos 5:3 e 4, vemos que, ao mentir ao Espírito Santo (vs. 3), Ananias estava a mentir a Deus (vs. 4). Ele tem os atributos que só Deus pode possuir, como omnisciência (1 Cor. 2:10) e omnipresença (1 Cor. 6:19), e regenera as pessoas para uma vida nova (João 3:5-6, 8; Tit. 3:5), o que tem necessariamente de ser uma obra de Deus, pois apenas Deus tem poder sobre a vida. Por fim, a Sua divindade torna-se evidente através dos nomes divinos utilizados para O mencionar, como “Espírito do nosso Deus” (1 Cor. 6:11), que deverá ser entendido como “o Espírito, que é nosso Deus”.

Ryrie escreve: “Mateus 28:19 afirma melhor tanto a unidade como o carácter trino, ao associar igualmente as três Pessoas, unindo-as num nome singular. Outras passagens, como Mateus 3:16-17 e 2 Coríntios 13:14, associam de forma equitativa as três Pessoas, mas não contêm a forte ênfase na unidade de Mateus 28:19.” 18

O New Bible Dictionary (Novo Dicionário Bíblico) acrescenta a isto a evidência seguinte:

A evidência dos escritos do Novo Testamento, independentemente dos Evangelhos, é suficiente para mostrar que Cristo instruiu os seus discípulos acerca desta doutrina em maior extensão do que é registado por qualquer um dos quatro Evangelistas. Eles proclamam de todo o coração a doutrina da Trindade como fonte tripla de redenção. A descida do Espírito aquando do Pentecostes deu maior proeminência à personalidade do Espírito e, ao mesmo tempo, lançou nova luz do Espírito sobre o Filho. Pedro, explicando o fenómeno do Pentecostes, representa-o como actividade da Trindade: “Este Jesus…, elevado pela direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vedes e ouvis” (Actos 2:32-33). Assim, a igreja do Pentecostes foi fundada sobre a doutrina da Trindade.

Em 1 Cor., mencionam-se os dons do Espírito, a variedade de serviços para o mesmo Senhor e a inspiração do mesmo Deus para a obra (1 Cor. 12:4-6).

Pedro segue a salvação até à mesma fonte trina e una: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito, para obedecerem a Jesus Cristo” (1 Ped. 1:2). A bênção apostólica – “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Cor. 13:14) – não só resume os ensinamentos apostólicos, mas interpreta ainda o significado mais profundo da Trindade na experiência cristã, a graça salvadora do Filho que dá acesso ao amor do Pai e à comunhão do Espírito.

O que é incrível, porém, é que esta confissão de Deus como Três num Só teve lugar sem turbulência ou controvérsia por parte de um povo doutrinado durante séculos na fé no Deus único e que, ao entrarem na Igreja cristã, estas pessoas não estavam conscientes de qualquer ruptura com a sua antiga fé. 19 

A partir da evidência acima mencionada, deverá ficar claro que a Escritura ensina que Deus é Três num Só.

Considerações e Respostas Face às Dificuldades Concernentes à Trindade

O Significado de “Unigénito”

João 1:14 E o Verbo fez-Se homem e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória, glória que Lhe vem do Pai, como Filho único, cheio de graça e de verdade.

João 1:18 Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus unigénito, que está junto do Pai, o tornou conhecido.

Em João 1:18, a versão bíblica inglesa King James Version (e a versão portuguesa Almeida Revista e Corrigida) apresenta huios, “Filho”, em vez de theos, “Deus”, lendo-se “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigénito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer”.

Uma vez que, nas nossas mentes, a palavra “unigénito” sugere nascimento ou começo, alguns têm tentado usar esta designação de Jesus Cristo para dizer que Cristo teve um início, que meramente se tornou o Filho de Deus. Tal interpretação nega a Sua eternidade e ainda o conceito da trindade. Assim, o que quer dizer João com o termo “unigénito”?

“Unigénito” corresponde ao grego monogenes, palavra composta de monos, usado como adjectivo ou advérbio, significando “sozinho, único”. Kittel escreve: “Em palavras compostas com genes, os advérbios descrevem a natureza, mais do que a fonte de derivação (ênfase minha). Daí monogenes ser usado para o filho único. De um modo mais geral, significa ‘único’ ou ‘incomparável’.” 20 No Novo Testamento, o termo apenas ocorre em Lucas, João e Hebreus, mas um uso instrutivo encontra-se em Hebreus 11:17, onde é utilizado acerca de Isaac, enquanto monogenes de Abraão. Em sentido estrito, Isaac não era o único Filho do Patriarca; porém, era o filho único da promessa de Deus. A ênfase não se encontra na origem, mas sim no carácter singular e lugar especial no coração de Abraão.

Vine apresenta um excelente resumo quanto ao uso de monogenes em João 1:14 e 18:

Referindo-se a Cristo, a frase “Filho único do Pai”, João 1:14, R.V. (veja também a margem) indica que, enquanto Filho de Deus, Ele era o único representante do Ser e carácter d'Aquele que O enviara. No texto original, o artigo definido é omitido tanto antes de “Filho único” como de “Pai”, sendo que, nos dois casos, a sua ausência serve para realçar as características mencionadas nos termos usados. A finalidade do Apóstolo é demonstrar o tipo de glória que ele e os seus companheiros Apóstolos contemplaram. O facto de não estar meramente a fazer uma comparação com relações terrenas é indicado pelo para, "do". A glória pertencia a uma relação única e a palavra “filho” não implica um começo da Sua filiação. Sugere de facto relação, mas tem de ser distinguida da geração conforme aplicada ao homem.

Só podemos entender correctamente a expressão “filho único” aplicada ao Filho no sentido de uma relação não originada. “A filiação não é um evento no tempo, ainda que remoto, mas um facto independente do tempo. O Cristo não se tornou, mas é necessária e eternamente o Filho. Ele, uma Pessoa, possui cada atributo de Divindade pura. Tal implica eternidade, existência absoluta; a este respeito, Ele não se encontra 'atrás' do Pai” (Moule).

Em João 1:18, a frase “o Filho unigénito, que está no seio do Pai” exprime tanto a Sua união eterna com o Pai na Divindade como a inefável intimidade e amor entre ambos, com o Filho a partilhar todos os conselhos do Pai e desfrutando de todo o Seu carinho. Outra interpretação é monogenes Theos, ‘unigénito de Deus’. Em João 3:16, a frase “Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito” não deve ser interpretada como significando que Cristo se tornou o Filho Unigénito através da Encarnação. O valor e grandiosidade do dom residem na Filiação d’Aquele que foi dado. A Sua Filiação não resultou de Ele ser dado. Em João 3:18, a frase “Nome do Unigénito Filho de Deus” realça a revelação completa do carácter e vontade de Deus, do Seu amor e graça, conforme é transmitido no Nome d’Aquele que, ao estar numa relação única com Ele, foi providenciado por Ele como Objecto da fé. Em 1 João 4:9, a afirmação “Deus enviou o Seu Filho unigénito ao mundo” não significa que Deus enviou ao mundo um ser que se tornou Seu Filho aquando do nascimento em Belém. Compare com a afirmação paralela “Deus enviou o Espírito de Seu Filho”, Gal. 4:6, R.V., que não poderia significar que Deus enviara Alguém que se tornara o Seu Espírito assim que Ele O enviou. 21

O Significado de “Primogénito”

Outro termo que tem sido mal-interpretado por alguns quando usado em referência a Cristo é “primogénito”. É aplicado a Cristo em Romanos 8:29; Colossenses 1:15, 18; Hebreus 1:6; e Revelação 1:5. Novamente, devido à noção de nascimento que esta palavra invoca nas nossas mentes, esta passagem tem sido usada para ensinar que Cristo não era a segunda Pessoa eterna da Trindade, pois tivera um início como primogénito de Deus. “Primogénito” corresponde ao grego prototokos (de protos, primeiro, e tikto, produzir), mas esta palavra pode significar (a) primeiro no tempo, ou (b) primeiro em prioridade. O objectivo e foco do termo têm de ser retirados do contexto em que é usado.

Em Colossenses 1:15, conforme o versículo 16 torna claro, faz-se referência à soberania de Cristo, expressando a Sua prioridade e preeminência sobre a criação, não no sentido temporal – o primeiro a nascer –, mas no sentido de (a) ser o Criador soberano, Aquele no qual se encontravam os planos da criação como arquitecto (“por Ele foram criadas todas as coisas” pode também significar “n’Ele…”), (b) ser Aquele por Quem todas as coisas foram criadas enquanto construtor (“tudo foi criado por Ele”), e (c) ser Aquele para Quem todas as coisas foram criadas enquanto dono (“e para Ele”). Colossenses 1:15 declara a soberania de Cristo enquanto Criador. Podemos observar este sentido de prototokos, expressando soberania ou prioridade, no uso desta palavra por parte da Septuaginta em Salmo 89:27, no qual a frase que se segue explica o significado de “primogénito” ou prototokos. Salmo 89:27 diz: “E Eu o constituirei em primogénito, o Altíssimo entre os reis da terra”. Quem é o primogénito? Ele é “o Altíssimo entre os reis da terra”, o soberano Senhor.

Nas palavras de Colossenses 1:18, “Ele é o princípio, o Primogénito dos mortos”, encontra-se o significado de primeiro no tempo, o primeiro a erguer-se num corpo imortal e glorificado. Mas, mesmo aqui, ele é o primogénito dos mortos de modo a poder tornar-se preeminente em todas as coisas, enquanto cabeça do Corpo, a Igreja (vs. 18b). O importante é que prototokos pode significar quer primeiro no tempo, quer primeiro em prioridade, sendo o contexto que determina o seu significado. Como segunda Pessoa da Trindade, Cristo é Deus e soberano; porém, como Deus-Homem que morreu pelos nossos pecados e foi erguido dos mortos, Ele é a cabeça preeminente do corpo de Cristo, a Igreja. Em Colossenses 2:9, o Apóstolo confirmou este significado, ao escrever “Pois n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. 

A palavra para “Divindade” é theotetos, uma palavra forte (apenas usada aqui no Novo Testamento) para a essência de Cristo enquanto Deus. A plena divindade de Cristo encontra-se, não obstante, numa forma corpórea – uma humanidade plena (confira Col. 1:22). Tanto a divindade como a humanidade de Cristo foram postas em causa por esta primitiva heresia tipo Gnóstica. Esses heréticos diminuíam Cristo ao estatuto de anjo, cujo “corpo” era apenas aparente, não real. Paulo afirmou aqui que Cristo é completamente Deus e verdadeiramente homem (confira 1 João 4:1-6).22

Implicações Práticas da Doutrina da Trindade

Qualquer doutrina é prática e tem implicações específicas na vida. Isso verifica-se também com a Triunidade da Divindade, que chama a nossa atenção para o conceito da tripla personalidade de Deus. Tal comunica todos os elementos da personalidade – acção moral, inteligência, vontade, emoção e comunhão existente no interior das três Pessoas da Divindade. Quais são algumas das implicações desta doutrina, não apenas de um ponto de vista teológico, mas também para a experiência e vida cristãs?

(1) Ensina-nos que Deus É um Deus de revelação e comunhão.

A Escritura ensina-nos que Deus É luz, e uma das principais funções da luz é a iluminação. O acto de revelar é tão natural para Deus como é para o sol. Antes da criação de qualquer ser, anjo ou humano, houve revelação e comunicação, que tiveram lugar no interior das Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai em relação ao Filho, o Filho em relação ao Pai, e de forma semelhante com o Espírito. Quando, nos decretos eternos de Deus, Ele decidiu criar um universo com seres angélicos e humanos, tratou-se apenas da expressão desta mesma natureza de Deus.

Portanto, se Deus É comunhão em Si mesmo, pode permitir que essa comunhão extravase para as Suas criaturas, comunicando-Se a elas de acordo com a sua capacidade de receber. Foi isto que aconteceu a um nível supremo quando veio para redimir os homens: permitiu que a Sua comunhão se inclinasse, de modo a alcançar o homem proscrito e a erguê-lo. E, assim, porque Deus É uma Trindade, tem algo para partilhar: a Sua própria vida e comunhão. 23

(2) Significa que a Trindade é a base de toda a verdadeira comunhão no mundo.

Uma vez que Deus É uma comunhão em Si mesmo, as Suas criaturas morais, feitas à Sua imagem, só alcançam a plenitude da vida quando em comunhão. Tal reflecte-se no casamento, no lar, na sociedade e, acima de tudo, na igreja, cuja koinonia é constituída com base na comunhão das três Pessoas. A comunhão cristã é, portanto, a coisa mais divina sobre a terra, o equivalente terreno da vida divina, conforme Cristo orou verdadeiramente pelos seus seguidores: “Para que todos sejam um só; como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós” (Jo. 17:21). 24   

(3) Acrescenta variedade à vida do universo.

Existe… diversidade na vida de Deus. Deus Pai projecta, Deus Filho cria, Deus Espírito Santo estimula; uma grande variedade de vida, operação e actividade. Por essa razão, podemos compreender que, se o universo é uma manifestação de Deus, devemos esperar diversidade na vida dentro do conjunto do universo criado. Pensamos que a chamada uniformidade da natureza é totalmente falsa. Todas as maravilhas da criação, todas as formas de vida, todo o movimento no universo são um reflexo, um espelho da vida múltipla de Deus. Não há semelhança monótona, nem uniformidade de padrão em larga escala, pois a natureza reflecte os vários lados da natureza e carácter do Deus vivo. 25

Que Opções Existem Relativamente à Trindade?

À semelhança do que acontece com a soberania de Deus e a vontade do homem (ou o mistério do Deus-homem), existem três atitudes básicas que uma pessoa pode manifestar relativamente ao conceito bíblico da Trindade. Primeiro, historicamente, os homens têm-na ignorado ou rejeitado como ilógica e incompatível com a razão humana. Segundo, por a considerarem incompatível com a razão humana, têm procurado resolver o problema reduzindo-o à sua própria razão e, no processo, gravitam tipicamente entre um de dois extremos, defendendo que Deus É um ou que É três, mas que não pode ser ambos. Terceiro, numa perspectiva histórica e em grande parte, a igreja tem aceitado completamente este conceito, mantendo ambas as verdades (Deus É Três num Só, Trino e Uno) num equilíbrio apropriado. Baseando-se em toda a informação da Bíblia, a Igreja tem aceitado esta doutrina através da fé, embora seja incompreensível para as nossas mentes finitas. 26

O Problema dos Dois Extremos

Sempre que o homem eleva o seu raciocínio acima da revelação clara da Escritura e se confronta com aquelas verdades na Escritura que desafiam a lógica humana, usualmente incorre em um de dois extremos. Por exemplo, quando confrontado com duas verdades que parecem contradizer-se (por exemplo, a soberania de Deus e o livre-arbítrio do homem, ou a divindade não diminuída de Cristo e a verdadeira humanidade concentrada numa Pessoa, ou Deus É Um e Três), acontece uma de duas coisas. Na tentativa de harmonizar a verdade com o seu raciocínio, irá inevitavelmente mover-se de um extremo para o outro. Aceitará um (verdade A, Deus É um), apenas para negligenciar ou rejeitar completamente o outro (verdade B, Deus É uma personalidade tripla), ou irá pender para o outro lado, minimizando ou rejeitando a verdade A e enfatizando a verdade B.

Kenneth Boa apresenta alguns comentários excelentes acerca deste assunto:

Na tentativa de atenuarem a força da doutrina do Deus Trino e Uno, muitos têm caído em erro. Um desses erros é o unitarismo. Tal perspectiva considera Deus como uma só Pessoa. Uma vez que, para a maioria, esta Pessoa é Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo são desprovidos da sua genuína divindade. Jesus fica reduzido a um simples homem ("o humilde mestre de Nazaré") e o Espírito Santo é transformado numa força ou fluido impessoal que emana de Deus. A Igreja Unitária Universalista é um exemplo deste extremo.

As Testemunhas de Jeová são essencialmente unitaristas, uma vez que negam a divindade de Jesus Cristo e consideram o Espírito Santo uma força impessoal (Walter Martin, The Kingdom of the Cults, Minneapolis: Bethany Fellowship, 1965, p. 47). Este novo Arianismo repudia a Trindade, dando-a como não razoável.

O segundo extremo é o triteísmo. Trata-se de uma variação do politeísmo, dado que Pai, Filho e Espírito Santo são considerados três deuses em separado. Por vezes, tal é levado ainda mais longe, até à ideia de que existem muitos deuses diferentes, alguns talvez associados a outros mundos ou domínios. O Mormonismo é um exemplo de triteísmo, pois fala do Pai, Filho e Espírito Santo como três Deuses distintos (Ibid., p. 178). O Mormonismo é na verdade politeístico, uma vez que indica que há outros deuses além destes três.

A única forma de evitar estes extremos é aceitar todos os factos bíblicos de forma equilibrada. Por ser supra-racional, a Trindade não pode ser compreendida pela mente humana. Mesmo assim, quando alguém coloca a sua fé em Deus e na verdade da Sua Palavra, encontra satisfação nesta e em outras áreas difíceis da verdade revelada. Não há necessidade de uma luta contínua. 27

Conclusão

A doutrina da Trindade encontra-se verdadeiramente além da compreensão humana ou dos limites das nossas mentes finitas mas, ainda assim, é uma verdade vital da Bíblia. É uma doutrina intimamente ligada a outras doutrinas-chave, como a divindade de Cristo e o Espírito Santo. De facto, a nossa salvação está enraizada na natureza misteriosa da Divindade, que coexiste como três Pessoas distintas, todas envolvidas na nossa salvação em todos os seus aspectos – passados, presentes e futuros. Abrange tudo o que sabemos e praticamos enquanto cristãos – a nossa santificação, comunhão, a nossa vida de oração, o nosso estudo bíblico ou a nossa adoração colectiva. Que isto é verdade e um facto precioso no qual se pode confiar torna-se evidente na bênção final de Paulo em 2 Coríntios 13:14 e na saudação e doxologia de Pedro em 1 Pedro 1:1-5.

2 Cor. 13:14. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

1 Pedro 1:1-5. Pedro, Apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão, do Ponto, da Galácia, da Capadócia, da Ásia e da Bitínia, 2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito, para obedecerem a Jesus Cristo e receberem a aspersão do Seu sangue. Graça e paz vos sejam dadas em abundância. 3 Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Sua grande misericórdia nos regenerou pela ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos, para uma esperança viva, 4 para uma herança incorruptível, que não pode contaminar-se, e imarcescível, reservada nos céus para vós, 5 a quem o poder de Deus guarda para a fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos.

Que o Senhor o abençoe no seu estudo da Sua preciosa Palavra e na sua caminhada em companhia de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Tradução de C. Oliveira


1 Charles C. Ryrie, A Survey of Bible Doctrine, Moody Press, Chicago, 1972, p. 29.

2 Walter Martin, Essential Christianity, Vision House, Santa Anna, 1975, p. 21

3 Encyclopedia of 7700 Illustrations, Assurance Publishers, p. 504.

4 Kenneth Boa, Unraveling the Big Questions About God, Lamplighter Books, p. 12.

5 The Bible Knowledge Commentary, NT, John F. Walvoord e Roy B. Zuck, Editors, Victor Books, Versão Electrónica.

6 Ibid., p. 16.

7 Ibid., p. 42.

8 Charles C. Ryrie, Basic Theology, Victor Books, Wheaton, IL, 1987, versão electrónica.

9 Earle E. Cairns, Christianity Through the Centuries, Zondervan, Grand Rapids, 1967, p. 122.

10 Martin, pp. 22-23.

11 Cairns, p. 141.

12 Loraine Boettner, Studies in Theology, The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1976, pp. 80-81.

13 Ryrie, versão electrónica, citando B.B. Warfield, “Trinity,” The International Standard Bible Encyclopaedia, James Orr, ed., Grand Rapids: Eerdmans, 1930, 5:3012.

14 Boa, p. 46.

15 R. A. Finlayson, “Trinity,” The New Bible Dictionary, Eerdmans, p. 1300.

16 The New Bible Dictionary, Versão Electrónica, Logos Bible Software.

17 Paul Enns, The Moody Handbook of Theology, Moody Press, p. 199.

18 Ryrie, Basic Theology, p. 53.

19 The New Bible Dictionary, Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc., 1962, Versão Electrónica, Logos Bible Software.

20 Kittel, Gerhard, e Friedrich, Gerhard, Editors, The Theological Dictionary of the New Testament, Abridged in One Volume, Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1985.

21 W. E. Vine, Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words, Grand Rapids, MI: Fleming H. Revell, 1981, pp. 140-141.

22 Norman L. Geisler, The Bible Knowledge Commentary, edição do Novo Testamento, John F. Walvoord e Roy B. Zuck, Editors, Victor Books, p. 677.

23 The New Bible Dictionary, Logos Research Systems, Versão Electrónica.

24 Ibid.

25 Ibid.

26 Boa, p. 50.

27 Boa, pp. 50-51.

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