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1. A Lua de Mel Acabou— A História de Adão e Eva

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A lua de mel é uma época deliciosa. A própria palavra transborda a novidade e o entusiasmo do amor dos jovens. O termo parece ter sido cunhado para transmitir a ideia de que a primeira lua ou o primeiro mês do casamento é o mais doce e o mais feliz de todos. Mas não é assim que deveria ser. Deus Se agradaria se os nossos casamentos ficassem melhores com o passar do tempo. Cada novo mês deveria ser mais doce e mais prazeroso que o anterior. Infelizmente, alguns casamentos acabam se tornando exatamente o que a palavra lua de mel sugere — o primeiro mês é o melhor, e depois tudo vai por água abaixo. Talvez possamos ajudar a reverter esta tendência examinando a Palavra de Deus.

A Escritura não fala exatamente isso, mas tenho a impressão de que a lua de mel de Adão e Eva durou bem mais de um mês.

Só Deus sabe quantos meses ou anos de puro êxtase se passaram entre os capítulos dois e três de Gênesis. Mas nenhum relacionamento humano jamais superou o deles naqueles primeiros dias de pura alegria e incrível deleite. Aquele casamento era, sem dúvida alguma, um casamento perfeito.

Pense nisso por um instante. Se já houve algum casamento feito nos céus, esse casamento foi o deles. Ele foi planejado e realizado com perfeição por um Deus perfeito. Primeiro, Deus esculpiu Adão (Gênesis 2:7). Modelado pelo Mestre da Criação, Adão, sem dúvida, tinha um belo corpo, atlético e sem defeito. E ele foi feito à imagem e semelhança do próprio Deus (Gênesis 1:27). Isso significa que tinha personalidade parecida com a de Deus — tudo perfeito: intelecto, emoções e vontade. Ele possuía uma mente brilhante, ainda não afetada pelo pecado. Suas emoções eram impecáveis, inclusive o amor, terno e totalmente abnegado, o amor do próprio Deus. E ele tinha uma vontade que estava em total sintonia com os propósitos do Seu Criador. Mulheres, quem de vocês não gostaria de um homem assim? Perfeito em tudo! No físico, na mente, nas emoções e no espírito.

Mas deixe-me falar sobre Eva. “Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gênesis 2:21-22). Adão deve ter olhado para Eva com admiração e apreço. Ela era o melhor do gênio criativo de Deus; graça e beleza imaculada, rosto e corpo puros e belos. Moldada pela mão do próprio Deus, Eva devia ser a criatura mais extraordinária que já andou pela face da terra. E, como Adão, ela também foi feita à imagem de Deus. Sua mente, suas emoções e sua vontade ainda não tinham sido afetadas pelo pecado. Que homem não gostaria de ter uma mulher assim?

Adão imediatamente reconheceu a semelhança de Eva consigo mesmo. E disse: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2:23). Parece que, sem nenhuma revelação especial de Deus, Adão instintivamente soube que Eva fora feita dele; ela era parte dele; era sua igual; era sua companheira e contraparte. Ele a chamou de mulher, “varoa”. Ele a tomou para si com ternura. Ela acabou com a terrível solidão dele e encheu sua vida de felicidade. Ela era exatamente o que ele precisava. E nada deu a ela maior satisfação do que a garantia de que seu marido precisava muito dela. Que prazer intenso e indescritível eles encontraram na companhia um do outro! Como eles se amaram!

A casa deles ficava no Éden, o lugar perfeito (Gênesis 2:8). A palavra Éden significa “deleite”, e deleitoso ele era. Bem regado pela nascente de quatro rios, o Éden era um paraíso verdejante, recoberto com todo tipo de plantas belas e comestíveis (Gênesis 2:9-10). Eles cultivavam a terra, mas como não havia espinhos ou ervas daninhas para atrapalhar, seu trabalho era muito leve e agradável. Lado a lado, eles viviam e trabalhavam em perfeita harmonia, compartilhando um sentimento de interdependência mútua, desfrutando a liberdade de comunhão e comunicação, tendo uma afeição profunda que os unia em espírito. Eles eram inseparáveis.

Ah, havia uma ordem de autoridade no seu relacionamento. Adão foi feito primeiro, depois Eva, como o apóstolo Paulo teve o cuidado de mencionar (1 Timóteo 2:13). E Eva foi feita para Adão, não Adão para Eva, como Paulo demonstrou (1 Coríntios 11:9). Mas ela era sua auxiliadora (Gênesis 2:18) e, para ser uma auxiliadora idônea, ela tinha de compartilhar todas as coisas da vida com ele. Ela estava com ele quando Deus lhes deu a ordem para subjugar e dominar a terra; por isso, ela dividia igualmente essa tremenda responsabilidade com seu marido (Gênesis 1:28). Ela fazia tudo o que uma auxiliadora devia fazer. Ela o ajudava, incentivava, aconselhava e inspirava, e fazia tudo isso com um doce espírito de submissão. Adão nunca se ressentia da sua ajuda, nem mesmo dos seus conselhos. Afinal de contas, foi por isso que Deus a deu a ele. E nem ela se ressentia da sua liderança. A atitude dele nunca era maculada pela superioridade ou pela exploração. Como poderia? O amor dele era perfeito. Ela era alguém muito especial para ele e ele a tratava como tal.

Ele não poderia dar de si o suficiente para expressar sua gratidão a ela, e nunca tinha um pensamento sequer sobre o que recebia em troca. Não havia como ela se ressentir de uma liderança como essa.

A Palavra de Deus diz: “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam” (Gênesis 2:25). Eles tinham uma relação de perfeita pureza e inocência. Não havia pecado neles. Não havia brigas entre eles. Eles estavam em paz com Deus, em paz consigo mesmo e em paz um com o outro. Aquele era verdadeiramente um casamento perfeito. Era o paraíso. Como gostaríamos que tivesse durado, que pudéssemos experimentar o mesmo grau de felicidade conjugal que eles desfrutaram naqueles dias gloriosos. Mas algo aconteceu.

A narrativa bíblica nos leva, em seguida, para a entrada do pecado. Não há dúvida de que o sutil tentador que se aproximou de Eva neste episódio foi Satanás usando o corpo de uma serpente (cf. Apocalipse 12:9). Sua primeira abordagem foi colocar em cheque a Palavra de Deus: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Depois de ter colocado em dúvida a Palavra de Deus, ele a negou categoricamente: “É certo que não morrereis.” (Gênesis 3:4). Finalmente, ele escarneceu de Deus e descaradamente distorceu Sua Palavra: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:5). Tudo bem, eles conheceriam o mal, mas não seriam como Deus. Aliás, seriam exatamente o contrário. A semelhança com Deus de que desfrutavam seria manchada e estragada. Os métodos de Satanás não mudaram muito ao longo dos séculos. Sabemos muito bem disso — as dúvidas, as distorções, as negações. Nós também somos vítimas disso tudo. Podemos nos identificar com Eva em seu momento de fraqueza. Sabemos o que é ceder à tentação.

Satanás usou a árvore do conhecimento do bem e do mal para realizar seu trabalho sinistro. Deus havia colocado a árvore no jardim para ser símbolo da submissão de Adão e Eva a Ele (Gênesis 2:17), mas Satanás às vezes usa até mesmo coisas boas para nos afastar da vontade de Deus. “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gênesis 3:6). Já reparou que Eva foi tentada nas três áreas principais relacionadas em 1 João 2:16? 1) A concupiscência da carne — “boa para se comer”; 2) A concupiscência dos olhos — “agradável aos olhos”; 3) A soberba da vida — “para dar entendimento”. Estas são as mesmas áreas usadas por Satanás para nos deixar mal com Deus e com os outros — desejo de satisfazer nossos apetites físicos, desejo por coisas materiais e desejo de impressionar os outros com nossa importância.

Em vez de fugir da tentação, como mais tarde a Escritura nos exorta a fazer, Eva flertou com ela. Ela tinha tudo o que alguém poderia desejar, mas ficou ali e permitiu que sua mente pensasse na única coisa que ela não tinha, até que isso se tornou uma obsessão e fez sua alegre lua de mel chegar a um final infeliz. Desde então, esse mesmo tipo de desejo incontrolável tem acabado com a lua de mel de muitas pessoas. Maridos às vezes desperdiçam o dinheiro do supermercado com materiais de lazer, passatempos, carros e roupas. Esposas às vezes levam o marido a ganhar mais dinheiro para poderem ter coisas maiores, melhores e mais caras. E os bens materiais deste mundo acabam causando a separação entre eles. Quando permitimos que a nossa mente cobice coisas materiais, Deus chama isso de idolatria (Colossenses 3:5). E Ele nos exorta a fugir dela: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1 Coríntios 10:14).

Eva não fugiu. Ela “tomou-lhe do fruto e comeu” (Gn. 3:6). O texto não é claro, mas as palavras “deu também ao marido” talvez impliquem em que Adão a observava. Não temos ideia do por que ele não tentou impedi-la ou por que não se recusou a segui-la em seu pecado. Mas o que sabemos é que ele falhou lamentavelmente com ela nessa ocasião. Ele negligenciou a liderança espiritual que Deus queria que ele tivesse e, em vez disso, ele deixou Eva conduzi-lo ao pecado. Que influência poderosa tem uma mulher sobre seu marido! Ela pode usar sua influência para desafiá-lo a novos patamares de realizações espirituais ou para arrastá-lo às profundezas da vergonha. Deus deu Eva a Adão para ela ser sua auxiliadora, mas seu coração ansioso o destruiu.

Juntos, eles esperaram pelas novas delícias da sabedoria divina prometidas por Satanás. Em vez disso, uma sensação horrorosa de culpa e vergonha tomou conta deles. Seu espírito morreu no mesmo instante (Gênesis 2:17), e seu corpo físico começou um lento processo de degeneração que estragaria a bela obra-prima de Deus e, no final, acabaria na morte física. Era sobre isso que Paulo falava quando disse: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). Esse é o jeito do pecado. Promete demais e entrega de menos. O pecado promete liberdade, sabedoria e prazer, mas gera escravidão, culpa, vergonha e morte.

De repente, a nudez deles se tornou símbolo do seu pecado (Gênesis 3:17). Ela os expôs abertamente aos olhos penetrantes do Deus Santíssimo. Eles tentaram se cobrir com folhas de figueira, mas isso não era aceitável. Mais tarde Deus revelaria que a única cobertura adequada para o pecado envolveria o derramamento de sangue (Gênesis 3:21; Levítico 17:11; Hebreus 9:22).

Isso nos leva, finalmente, ao doloroso desfecho. O pecado vem acompanhado de consequências desastrosas, estejamos ou não dispostos a admitir nossa culpa. Adão jogou a culpa pela sua parte na tragédia sobre Eva e Deus: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gênesis 3:12). Eva disse que foi enganada pela serpente (Gênesis 3:13). Quase da mesma forma, sempre tentamos jogar a culpa pelos nossos problemas conjugais em outra pessoa. “Se ela parasse de me encher a paciência, eu poderia…”; “Se ele me desse mais atenção, eu poderia…” Mas Deus responsabilizou os dois pelo que aconteceu, da mesma forma que Ele também nos responsabiliza pela nossa parte. E, geralmente, os dois lados são culpados. Deus quer que enfrentemos as consequências com honestidade, sem fazer rodeios.

As consequências foram quase maiores do que Adão e Eva poderiam suportar. Para Eva, a dor do parto seria um lembrete constante do seu pecado. Além disso, ela iria experimentar o desejo insaciável por seu marido, um desejo agudo de estar com ele, de ter sua atenção, sua afeição e sua segurança. Sua carência seria tão grande que seu marido pecador raramente estaria disposto a atendê-la.

E, finalmente, a autoridade que Adão tinha sobre ela desde a criação foi reforçada com a regra: “e ele te governará” (Gn. 3:16). Nas mãos de um homem pecador, essa regra às vezes resultaria num domínio cruel e impiedoso sobre ela — desrespeito pelos seus sentimentos e desprezo pelas suas opiniões. Eva, sem dúvida, aguçada pelo pecado, devia se encher de rancor quando Adão se afastava dela, lhe dava menos atenção e ficava mais ocupado com outras coisas. Amargura, ressentimento e rebelião começaram a tomar conta da sua alma.

Para Adão, cultivar o solo tornou-se uma tarefa interminável e tediosa. A ansiedade tomou conta da sua capacidade de prover o sustento da sua família, deixando-o agitado e irritado, e menos atencioso às necessidades de sua esposa. Como resultado, o conflito entrou em seu lar. O pecado sempre traz tensão, briga e conflito. E isso nunca foi tão dolorosamente evidente para Adão e Eva do que quando eles estavam ao lado do primeiro túmulo da história da raça humana. Seu segundo filho perdera a vida numa terrível briga de família. A lua de mel tinha acabado!

Esta seria a história mais triste que já se contou, não fossem os raios gloriosos de esperança com os quais Deus iluminou as trevas. Dirigindo-se a Satanás, ele disse: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Deus prometeu que o descendente da mulher, uma criança nascida na raça humana, destruiria as obras do diabo, inclusive o caos que ele tinha causado no lar. Esta é a primeira profecia bíblica a respeito da vinda do Redentor. E Ele já veio! Ele morreu pelos pecados do mundo. Seu sangue perfeito é a cobertura satisfatória para os pecados de cada ser humano que nEle crê. Ele nos dá o Seu perdão gratuitamente e nos restaura pelo Seu favor. E Ele nos concede a Sua força para nos ajudar a vencer o nosso pecado.

Ele pode até nos ajudar a superar as consequências do pecado em nossos relacionamentos conjugais. Ele pode dar aos maridos o mesmo amor terno e a mesma consideração abnegada que Adão teve por Eva antes de eles pecarem. Ele pode dar às esposas a mesma solicitude encorajadora e a mesma submissão afetuosa que Eva tinha para com Adão antes da queda. Em outras palavras, a lua de mel pode recomeçar. Mas, primeiro, é preciso receber Jesus Cristo como Salvador. Não há esperança de um relacionamento conjugal se tornar tudo o que pode sem que ambos, marido e esposa, recebam a garantia do perdão e da aceitação de Deus. Esta garantia só pode ser experimentada quando reconhecemos o nosso pecado e colocamos a nossa confiança no sacrifício perfeito de Jesus Cristo na cruz do Calvário, o qual nos libertou da condenação eterna merecida pelo nosso pecado.

Se você tem alguma dúvida, acabe com ela agora. Com toda sinceridade e franqueza, ore assim: “Senhor, reconheço meu pecado diante de Ti. Creio que Jesus Cristo morreu para me livrar da culpa do meu pecado, da pena pelo meu pecado e do controle do pecado em minha vida. Eis-me aqui, agora ponho minha confiança nEle como meu Salvador pessoal e O recebo em minha vida. Graças Te dou, Senhor Jesus, pois entraste na minha vida e perdoaste o meu pecado”. Quando você toma esta decisão, o caminho fica livre para Deus encher o seu coração da Sua ternura e do Seu amor, tirar o seu egoísmo e a sua teimosia, e lhe dar uma preocupação abnegada pelas necessidades do seu cônjuge. E você ainda pode desfrutar um pouquinho do paraíso.

Vamos conversar sobre isso

  1. A questão da salvação eterna está bem resolvida na sua cabeça? Se não, existe alguma razão para você não resolvê-la agora?
  2. Quais ingredientes que fizeram do casamento de Adão e Eva uma “lua de mel” podem ajudar no seu casamento?
  3. De que forma Satanás pode usar o desejo de satisfazer as necessidades físicas para afetar o relacionamento entre marido e mulher atualmente? E o desejo por coisas materiais? E o desejo de ser reconhecido pelos outros?
  4. De que forma uma esposa pode desafiar o marido a objetivos mais elevados? De que maneira uma esposa pode enfraquecer ou destruir seu marido?
  5. O que maridos e esposas podem fazer para não jogar a culpa de seus problemas um no outro?
  6. O que o marido pode fazer para satisfazer a tremenda carência de atenção e carinho de sua esposa?

Tradução: Mariza Regina de Souza

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