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A Soberania De Deus Na Salvação (Romanos 9:1-24)

Introdução

À medida que o meu treinamento no seminário se aproximava do seu final, eu tinha de pensar no que deveria fazer após a graduação e onde isto seria. No meu pensamento, parece que eu tinha determinado que Houston, no Texas seria um lugar que eu não queria ir.

Embora eu nunca tenha verbalizado que Houston estava fora de cogitação, de alguma forma, se tornou aparente para mim que eu não consideraria seriamente indagações de lá. Naquele ponto a tempo, eu, interiormente, removi Houston da lista negra do meu coração, “Certo, Senhor, mesmo Houston,” eu suspirei.

Naquela noite, chegou uma chamada de um grupo de Houston, o qual eu não iniciara nem convidara. Enquanto eu considerei a oportunidade de ministério, devo admitir algum alívio quando ele não se materializou.

Tanto quanto gostamos de acreditar que somos tAotalmente submissos à soberania de Deus, virtualmente todos nós temos áreas as quais conscientemente ou inconscientemente fechamos, embora Deus possa ser “soberano” em algumas áreas de nossas vidas, porém em outras não.

A maioria dos Cristãos professa acreditar na soberania de Deus, porém recusa a concessão dela operar em certas áreas. A morte é usualmente atribuída à categoria de soberania de Deus porque não temos controle sobre ela de qualquer forma. Desastres são considerados assuntos da soberania de Deus, inclusive, com incrédulos referindo-se a certos desastres como “atos de Deus”.

Muito do evangelicalismo recusa concessão à soberania de Deus quando ela chega à salvação dos pecadores, como se esta recusa realmente pudesse mudar o fato da Sua soberania. Eles estão desejosos de conceder a Deus muito do crédito pela obra de Cristo na cruz e o trabalho do Espírito Santo em levar os homens à fé.

Porém eles não estão querendo admitir que Deus esteja no completo controle (pois isto é precisamente o que a soberania é – completo controle) da salvação dos pecadores perdidos. Homens têm um papel a desempenhar neste processo, porém claramente Deus está no controle, completo controle, do processo.

Este debate sobre o relacionamento entre o papel de Deus na salvação e o homem pode parecer reservado somente para os acadêmicos. Porém isto não é verdade, pois a soberania de Deus na salvação é uma doutrina crucial, como Martinho Lutero afirmou:

“Portanto, não é irreverente, curioso ou trivial, porém é útil e necessário para um Cristão, descobrir se a vontade faz alguma coisa ou nada nas questões pertencentes à salvação eterna...

Se não soubermos estas coisas, devemos não saber nada de nada das coisas Cristãs e deve ser pior do que qualquer gentio... Portanto, deixemos que qualquer um que não sinta isto confesse que ele não é Cristão.

Pois se eu sou ignorante do que, quão distante, e quanto posso e devo fazer em relação a Deus, será igualmente incerto e desconhecido para mim o que, quão distante, e quanto Deus pode e permite fazer em mim...

Porém quando as obras e o poder de Deus são desconhecidos desta forma, não posso adorar, louvar, agradecer, e servir a Deus, pois não sei quanto devo atribuir a mim mesmo e quanto a Deus.

Portanto compete a nós estarmos bem certos sobre a distinção entre o poder de Deus e o nosso próprio, o trabalho de Deus e o nosso próprio, se quisermos viver uma vida santa”.1

O que significa quando dizemos que Deus é soberano na salvação? Charles H. Spurgeon disse o seguinte a respeito, assim como pode ser dito pelos homens:

“Primeiro então, DIVINA SOBERANIA COMO EXEMPLIFICADA NA SALVAÇÃO. Se algum homem é salvo, ele é salvo pela graça divina e pela graça divina apenas; a razão da sua salvação não é achada nele, porém em Deus.

Nós não somos salvos como resultado de qualquer coisa que façamos ou que queiramos, porém nós queremos e fazemos como resultado da boa vontade e pela ação da Sua graça em nossos corações. Nenhum pecador pode impedir Deus; isto é, ele não pode ir adiante Dele, não pode antecipar-se a Ele.

Deus está sempre primeiro em questão de salvação. Ele está antes de nossas convicções, antes dos nossos desejos, antes dos nossos medos, e antes das nossas esperanças. Tudo que é bom ou será bom em nós é precedido pela graça de Deus e é o efeito de uma causa divina.”2

Novamente, a graça de Deus é soberana. Isto significa que Deus tem um absoluto direito de dar aquela graça onde Ele escolher e retê-la quando quiser.

Ele não é restrito a dá-la para qualquer homem, muito menos para todos os homens; se Ele escolhe dá-la para um homem e não para outro, Sua resposta é, “É o teu olho mau porque o meu olho é bom? Não posso fazer como quiser com o meu próprio? Eu terei misericórdia com quem Eu tiver misericórdia”3

As Escrituras dizem a mesma coisa, da mesma forma clara e enfaticamente:

44 - Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:44)

65 - E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. (João 6:65)

48 - E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. (Atos 13:48)

14 – E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o SENHOR lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. (Atos 16:14)

34 - Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? 35 - Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? 36 - Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. (Romanos 11:34-36)

30 - Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 31 - Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor. (l Corintios 1:30-31)

6 - Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; (Filipenses 1:6)

5 - Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, (Tito 3:5)

2 - Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. (Hebreus 12:2)

Aqueles que são salvos são salvos porque Deus os escolhe para salvação. O Santo Espírito deu vida para um espírito morto e entendimento para uma mente cega pelo pecado e por Satanás. Aqueles que são salvos podem ser ditos que escolheram Deus, porém somente após Deus primeiro os ter escolhido para salvação:

16 - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. (João 15:16)

O outro lado da equação também é verdadeiro. Aqueles que são eternamente perdidos são perdidos porque Deus não os escolheu para salvação:

8 - Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. 9 - Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. 10 - Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. (Isaías 6:8-10)

3 - E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. 4 - E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? 5 - E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses.6 - E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. 7 - E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. 8 - E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. (Apocalipse 13:3-8)

8 - A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá. (Apocalipse 17:8)

Não entenda mal o que está sendo dito aqui. A fim de serem salvos os homens devem crer em Jesus Cristo como provisão de Deus para salvar os pecadores perdidos. E quando eles fazem isto, é porque Deus lhes deu o coração para assim fazerem. Os homens exercitam fé através do coração que Deus deu para eles para acreditarem:

6 - E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas. (Deuteronômio 30:6)

33 - Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (Jeremias 31:33)

Da mesma forma, quando os homens são eternamente perdidos, é porque eles escolheram rejeitar a revelação de Deus (Romanos 1:18 ss) e Sua provisão para salvação em Jesus Cristo. Porque pecadores perdidos vão para o inferno?

Eles perecem porque eles não escolheram Deus. Eles também perecem porque Deus não escolheu salvá-los dos seus pecados e rebelião. Em termos mais simples, os homens vão para o inferno não somente porque Deus decretou, porém porque eles merecem (veja Apocalipse 16:4-7).4

Muitos textos como estes citados acima claramente refletem que salvação não é nosso trabalho, porém de Deus, e que não contribuímos nada para ela o que Ele já não tenha dado para nós pela Sua graça.

Nós tornaremos a esta lição para um texto o qual estabelece até mais energicamente do que os textos anteriores a soberania de Deus na salvação. A soberania de Deus na salvação pode ser deduzida de inúmeros textos bíblicos, e afirmada ou claramente declarada por outros textos.

Porém o nono capítulo de Romanos é dedicado a estabelecer a soberania de Deus na salvação. É a questão em vista e a conclusão de todo o capítulo.

Não é meramente implícito, ou mesmo especificado; é declarado, provado e mesmo defendido contra algumas das populares objeções a esta verdade. Por esta razão, devemos traçar a lógica inspirada de Paulo através dos primeiros 24 versículos de Romanos 9.

O Lamentável Dilema de Israel (Romanos 9:1-5)

1 - EM Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): 2 - Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. 3 - Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; 4 - Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; 5 - Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém. (Romanos 9:1-5)

Nos primeiros oito capítulos do Livro de Romanos, Paulo estabelece a mais detalhada e raciocinada explanação do Evangelho de Jesus Cristo.

Em 1: 18-3:20, Paulo estabelece a doutrina da depravação do homem – aquela condição pecaminosa, decaída de cada ser humano, sem exceção – o que coloca os pecadores debaixo da sentença da divina condenação com nenhuma esperança de salvação fora da intervenção divina.

Em 3:21-5:21, Paulo explana a provisão divina pela qual os pecadores podem ser justificados pela fé em Cristo. Nos capítulos 6-8, Paulo fala das implicações presentes e futuras desta justificação pela fé.

Até agora, Paulo tem falado de ambos Judeus e Gentios como recipientes da justificação pela fé. Nos capítulos 9-11, ele equaciona para mostrar que a descrença dos Judeus e a salvação dos Gentios não são evidências de uma falha por parte da Palavra de Deus, porém ao contrário um muito inesperado, porém preciso cumprimento da Sua Palavra.

No capítulo 9, Paulo mostra que a doutrina da eleição é uma manifestação da soberania de Deus na salvação, e que ela explica a descrença de muitos Judeus, assim como a conversão de muitos Gentios.

Colocado simplesmente, aqueles muitos Judeus (e Gentios) que rejeitaram a obra de Jesus Cristo e que estão, portanto eternamente perdidos, são ilustrativos da soberania de Deus na salvação.

E aqueles Gentios (e Judeus) que chegaram à fé em Jesus como o Messias prometido são salvos como trabalho da soberania de Deus na salvação.

Duas Observações Cruciais

Antes de considerar os detalhes desta passagem, duas importantes observações devem ser feitas em relação ao texto como um todo. Estas observações são necessárias por causa daqueles que não querem reconhecer a soberania de Deus na salvação (incluindo especialmente a doutrina da eleição).

Eles procuram evitar o assunto ao insistir que Paulo está falando aqui de eleição coletiva, não eleição individual, e que esta eleição não é para salvação ou tormento eterno, porém ao contrário para certas bênçãos. O texto nos leva a diferir fortemente com esta visão e se opor a ela.

Primeiro, devemos observar que os versículos 1-5, reforçados pelos versículos 22-23, insistem que a salvação está em vista e nada menos. Em termos simples, Paulo está falando sobre céu e inferno, quem vai para lá e por que.

Paulo está grandemente aborrecido porque seus amigos-israelitas estão perdidos e debaixo da condenação divina. Porque ele diria que está desejoso de ser amaldiçoado, separado de Cristo, por interesse dos seus irmãos (Romanos 9:3)? A cura não deve ser mais severa que a doença e então nós vemos que a doença é aquela da condenação eterna.

Segundo, nós observamos que o texto não é a respeito de eleição coletiva, porém eleição individual. Dizer que a eleição é coleiva falha em entender que é precisamente o que a passagem é escrita para refutar.

Os Judeus amavam a doutrina da eleição, porque eles erradamente aplicavam eleição coletivamente aos descendentes de Abraão.5 Eles pensavam de si mesmos como os eleitos de Deus e todos os outros como os não eleitos.

Eles pensavam que todos os Judeus iriam para o céu e todos os Gentios para o inferno. Umas poucas fichas de participantes para o céu podem ser concedidas para uns poucos Gentios, porém estes deveriam se tornar prosélitos Judaicos. Eleição vista desta forma, era uma satisfação para os Judeus. Porém esta não é a eleição a qual a Palavra de Deus ensina.

Esta é exatamente o tipo de “eleição” que Paulo se opôs. Em Romanos 9 Paulo prova que a eleição de Deus não é coletiva, e que nem todos os descendentes físicos de Abraão ou Jacó (também chamado Israel) eram recipientes das bênçãos prometidas de Deus.

A falha da nação de Israel em relação ao Messias não foi uma falha da Palavra de Deus, porém a falha daqueles que presumiram que as promessas de bênçãos de Deus eram coletivas – pretendendo incluir todos os Judeus e excluir os Gentios.

Por isso, em Romanos 9:6-18, Paulo cita três ilustrações da eleição divina de Deus: Isaque, não Ismael (9:6-9); Jacó, não Esaú (9:10-13); e Moisés, não o Faraó (9:14-18)

De acordo com Paulo, o problema da descrença do Judeu (em Jesus como Messias) e a crença Gentia não é para ser explicada como se as promessas de Deus falharam. Ao contrário, as bênçãos da salvação de Deus nunca foram concedidas na base de quem são os homens ou do que eles fazem. Salvação sempre tem sido na base da divina eleição.

Nenhuma pessoa “digna” é escolhida porque ninguém é digno. Aqueles que são escolhidos são os indignos, para os quais a salvação é devida somente pela soberana graça de Deus. Neste capítulo de Romanos, Paulo insiste de que Deus finalmente determina o destino eterno dos homens.

Somente aqueles que Ele escolheu irão escolhê-Lo. Aqueles que Ele rejeitou irão persistentemente rejeitá-Lo. Deus escolhe alguns para serem salvos e ordena os demais para condenação eterna.

Em Romanos 9, Paulo não somente demonstra a verdade disto pelas Escrituras do Velho Testamento, ele também levanta as objeções que a doutrina da eleição provoca. Então ele as responde de uma forma que defende a doutrina da soberania de Deus na salvação.

Nos versículos 1-5 Paulo revela seu coração em relação aos seus companheiros israelitas. Ele escreve não como um traidor de sua nação, porém como um verdadeiro patriota. Ele ama seus companheiros israelitas e sacrificaria sua vida pelas suas salvações se ele pudesse. Ele escreve com um coração partido e um desejo sincero para ver seu próprio povo salvo.

A condição spiritual lamentável da nação de Israel não é devido a uma falta de revelação de Deus; ao contrário, é apesar dos privilégios espirituais incomparáveis que Deus derramou sobre os Judeus. Sua descrença, apesar dos muitos privilégios que Deus concedeu a eles, colocou-os a parte de outros. Considere alguns dos seus privilégios:

(1) Sua adoção como filhos (seu chamado para exercer a lei soberana de Deus na terra – Êxodo 4:22-23; II Samuel 7:12-16; Salmos 2:1-9; compare Romanos 8:18-25).

(2) A glória ( a revelação da glória de Deus para os Israelitas – Êxodo 40:30-35; I Reis 8:10-11)

(3) Os pactos ( Gênesis 12:1-3; 17:2; Deuteronômio 28-31)

(4) A entrega da Lei (Êxodo 20s.; Deuteronômio 5s.; Salmos 147:19)

(5) O serviço do templo (Deuteronômio 7:6; 14:1s.; Hebreus 9:1-10)

(6) As promessas de Deus (Atos 2:39; 13:32-33; Gálatas 3:13-22; Efésios 2:12)

(7) Os patriarcas (Deuteronômio 7:8; 10:15; Atos 3:13; Romanos 11:28)

(8) Os Judeus (especificamente a tribo de Judá) eram o povo do qual o Messias viria (Gêneses 12:1-3; 49:10; II Samuel 7:14; Mateus 1:1-16; Lucas 1:26-33)

In spite of her many privileges, Israel’s condition illustrates a principle closely related to the doctrine of the sovereignty of God in salvation or, more simply, divine election: God’s salvation is not directed toward the privileged, whom we might deem worthy of salvation, but to those pathetic souls who are unworthy of it, whom the unbelieving world considers undeserving to receive it.

Apesar dos seus muitos privilégios, a condição de Israel ilustra um princípio intimamente relacionado à doutrina da soberania de Deus na salvação ou, mais simplesmente, eleição divina: A salvação de Deus não é dirigida ao privilegiado, a quem podemos crer digno de salvação, porém para aquelas almas miseráveis as quais não são dignas dela, as quais o mundo incrédulo considera não merecedoras de recebê-la.

Os escribas e os Fariseus não podiam entender porque Jesus se associaria com “pecadores”. A resposta do nosso Senhor não foi aquela que eles queriam ouvir:

29 - E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. 30 - E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores? 31 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; 32 - Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento. (Lucas 5:29-32)

As palavras de Paulo aos Cristãos de Coríntios não são lisonjeiras também aos santos, porque elas enfatizam que a salvação é o resultado da escolha de Deus e que aqueles que Ele escolhe não são aqueles que esperaríamos:

26 - Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. 27 - Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 28 - E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; 29 - Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 30 - Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 31 - Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor. (I Corintios 1:26-31)

Duas coisas são ditas neste texto as quais deveriam evitar qualquer Cristão de se tornar orgulhoso ou tomar qualquer crédito pela sua salvação. Primeiro, é Deus quem a fez totalmente.

É “por Seu fazer” que alguém é salvo (versículo 30). É Ele quem (primeiro) nos escolheu, não fomos nós que O escolhemos (João 15:16).

Segundo, não deveríamos ousar nos vangloriar em nós mesmos como Cristãos por que o tipo de pessoas que Deus mais frequentemente escolhe são aquelas que são tolas, fracas e vis (versículos 27-28). Se alguém se vangloriaria em sua salvação ele deve se vangloriar no Senhor, pois a salvação é do Senhor.

O erro do Judaísmo é assumir que sendo um participante dos privilégios nacionais de Israel (aqueles listados acima nos itens 4-5) asseguraria alguém de também ser um participante individual da benção da salvação eterna. João Batista atacou logo este erro nos Evangelhos:

8 - Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9 - E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 - E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. (Mateus 3:8-10)

Salvação não é determinada pelo ancestral ou raça de alguém; não é determinada na base de qualquer privilégio que alguém possa ter gozado. Salvação é baseada somente na eleição individual de Deus, resultando em fé em Jesus Cristo para o perdão dos pecados e a dádiva da vida eterna.

Alguns erradamente assumem que crescendo num lar Cristão assegura-lhes a benção da salvação. Existem privilégios envolvidos em ser parte da família Cristã (veja I Coríntios 7:12-14), porém não há nenhuma garantia que crescendo num lar Cristão isto irá salvá-lo.

Muitos pais Cristãos sentem-se culpados se um de seus filhos não crê em Cristo, porém eles não têm nenhum controle neste assunto. Tudo o que eles podem fazer é viver sua fé em obediência às Escrituras no contexto da família e reconhecer que salvação é do Senhor.

Crescer no meio de Cristãos não é garantia de salvação, assim como crescer num ambiente pagão não condena alguém à descrença. Assim como não podemos nos orgulhar da nossa própria salvação, ou daquela de qualquer outra pessoa, não deveríamos culpar a nós mesmos quando aqueles que amamos rejeitam o evangelho que abraçamos.

Alguma Coisa Está Errada Com o Plano? (Romanos 9:6-13)

6 - Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; 7 - Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. 8 - Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência. 9 - Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho. 10 - E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; 11 - Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), 12 - Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. 13 - Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. (Romanos 9:6-13)

Isaque, não Ismael – (Romanos 9:6-9)

Um primeiro olhar sugere que alguma coisa está errada. Se muitos Judeus estão rejeitando Jesus como seu Messias e muitos Gentios estão vindo à fé Nele, não é o reverso do que Deus prometeu? Alguma coisa está errada com o plano de Deus?

Mais diretamente, as promessas de Deus falharam? A Palavra de Deus falhou (versículo 6)? Paulo imediatamente nos informa que não houve nenhuma falha com a Palavra de Deus. Ele está pronto para provar que a Palavra está realmente sendo cumprida pelo que está acontecendo entre os Judeus e os Gentios. O plano de Deus para a salvação dos homens está sendo cumprido não como esperaríamos (veja Romanos 11:33-35, porém justamente como Deus prometeu.

A doutrina da eleição divina é a única explanação adequada para a descrença difundida dos Judeus e por muitos Gentios virem para a fé. Isto é importante para nós porque, em última análise, a suprema explanação para descrença e fé é divina eleição.

Como alguém explica a descrença e consequente julgamento dos homens? A resposta é dupla. Primeiro, os homens estão perdidos por que eles não escolheram aceitar a provisão de Deus da salvação em Jesus Cristo. Segundo, eles estão perdidos porque Deus não os escolheu. Em Romanos 9, a ênfase de Paulo é no segundo motivo.

O erro dos Judeus, que todos os Judeus são eleitos e, portanto deveriam ser salvos, foi baseado na suposição errada de que todos os Israelitas são eleitos de Deus, o verdadeiro Deus de Israel. Os Judeus assumiram que por causa deles serem fisicamente descendentes de Abraão, a eles estaria garantido um lugar no reino de Deus.

Paulo corrige esta ideia errônea, nos informando que só porque alguém é um descendente de Jacó (ou Israel), ele ou ela não é necessariamente um israelita verdadeiro.6 Nem é cada filho de Abraão um dos “filhos de Deus”;

Se ser um descendente físico de Abraão não é a base para alguém entrar nas bênçãos da salvação, o que determina quem recebe estas bênçãos? A resposta é simples: eleição divina.

Os “filhos de Deus” são aqueles que são os “filhos da promessa” (9:8). Deus prometeu a Abraão que ele teria um filho, e que através deste filho, as promessas de Deus seriam cumpridas. Ismael não era aquele filho.

Ismael era o resultado dos esforços de Abraão e Sara de produzirem um filho através de outro meio do que aquele que Deus pretendia – uma esposa substituta e mãe, Hagar. Destes dois “filhos” de Abraão, somente um era o filho da promessa – Isaque.

E assim nem todos os descendentes de Abraão eram os recipientes das bênçãos prometidas de Deus. Deus escolheu Isaque, e Ele rejeitou Ismael. A Palavra de Deus falhou porque Isaque foi escolhido e Ismael foi rejeitado? De maneira alguma, porque a promessa de Deus foi somente dada a Isaque.

Jacó, Não Esaú (Romanos 9:10-13)

Alguns podem objetar que o princípio da eleição pode dificilmente ser estabelecido na evidência da escolha de Deus por Isaque e Sua rejeição por Ismael.

Além de tudo, estes filhos tinham o mesmo pai, porém uma diferente mãe, e a mãe de Ismael era uma concubina. Não é de admirar que Ismael fosse rejeitado e Isaque escolhido.

Paulo então vai adiante para a sua segunda ilustração da eleição, a escolha de Deus por Jacó e Sua rejeição por Esaú (versículos 10-13). Estes dois filhos eram nascidos dos mesmos pais e eram até o produto da mesma união. Eles eram gêmeos. Dois filhos não poderiam ser mais similares, e mesmo assim Deus rejeitou um e escolheu o outro.

A escolha de Deus de Jacó sobre Esaú é contrária a tudo o que esperaríamos. Por costume, o primeiro filho recebia a primogenitura mesmo assim Deus indicou Sua escolha pelo filho mais novo de Rebeca antes mesmo de Jacó e Esaú serem nascidos:

21- E Isaque orou insistentemente ao SENHOR por sua mulher, porquanto era estéril; e o SENHOR ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu. 22 - E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao SENHOR. 23 - E o SENHOR lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. (Gênesis 25:21-23)

Deus indicou Sua escolha por Jacó sobre Esaú antes de nascerem sem consideração a qualquer trabalho que qualquer um deles faria. Alguns insistem que Deus escolhe quem Ele escolhe porque Ele sabe de antemão que eles irão escolhê-Lo.

Eles supõem que Deus escolhe aqueles que irão ser mais benéficos para Seu trabalho. Frequentemente eu ouço pessoas comentando em que Cristão dinâmico alguém se tornaria se ele fosse salvo.

Eles deveriam retomar as palavras de Paulo as quais indicam que a escolha de Deus de Jacó sobre Esaú foi feita sem qualquer consideração ao que eles poderiam fazer ou não, à parte dos seus trabalhos.

Não é que Deus fosse ignorante do que estes dois fariam; ao contrário, Sua escolha foi feita sem consideração das suas ações. Sua escolha foi uma declaração e demonstração da Sua soberania:

11 - Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), 12 - Foi dito a ela: O maior servirá o menor. (Romanos 9:11-12)

Não devemos falhar em notar que quando Deus escolheu Jacó sobre Esaú, Ele fez isto apesar da forte preferência de Isaque por Esaú (era sua Rebeca quem favorecia Jacó, enquanto Isaque preferia Esaú, Gênesis 25:28), e apesar dos esforços de Isaque em reverter as bênçãos para cair em Esaú (Gênesis 27).

Antes de começar, Jacó era a escolha de Deus, e Esaú foi rejeitado. Quando acabou, Jacó era o filho que recebeu as bênçãos de Deus, não Esaú. Para que não pensemos que a escolha de Deus por Jacó não incluía a Sua rejeição de Esaú, Paulo nos lembra:

13 - Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. (Romanos 9:13)

A soberania de Deus foi demonstrada em Sua escolha por Jacó e em Sua rejeição de Esaú.

Moisés, Não o Faraó - Romanos (9:14-18)

14 - Que diremos, pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. 15 - Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. 16 - Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. 17 - Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. 18 - Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. (Romanos 9:14-18)

Paulo levanta uma questão que espera uma resposta negativa: “Não há injustiça com Deus, há?” Se duvidamos qual resposta é esperada (o texto Grego deixa claro), a resposta de Paulo remove toda dúvida: “de maneira nenhuma”.

Naturalmente, Deus está livre de qualquer acusação de injustiça. Se esta pergunta pressupõe a resposta, ela também pressupõe a razão para perguntá-la. Paulo está ensinando eleição divina.

Deus escolhe um e rejeita outro, e quando Deus escolhe uma pessoa para salvação, Ele sempre o faz na base da graça, outorgada pela Sua escolha soberana e não na base de obras.

Se Paulo não estivesse ensinando a doutrina da eleição, esta pergunta seria inapropriada e mesmo não mereceria uma resposta. Porém Paulo estava ensinando eleição, o que é o porquê ele levanta a pergunta de justiça.

Como pode então Deus escolher salvar um homem e endurecer outro e não ser acusado de injustiça? A resposta é muito simples: graça. Salvação é um assunto da graça divina soberanamente outorgada sobre aqueles a quem Deus escolhe como seus receptores.

Graça é algo maravilhoso a qual Deus dá para os pecadores culpados que não são dignos das bênçãos de Deus. Justiça é sobre pessoas recebendo o que elas merecem. É injusto quando os homens trabalham para os seus empregadores e não são pagos. É injusto quando um criminoso culpado não é punido.

Deus não é injusto ao condenar pecadores ao tormento eterno, porque eles estão recebendo o que eles merecem. Além disso, Deus não é injusto ao salvar homens.

A punição para os pecadores os quais Deus salvou foi suportada pelo Senhor Jesus Cristo, que morreu no lugar dos pecadores, padecendo a ira de Deus. Deus é, portanto justo ao condenar os homens a suportar a sentença que merecem, e Ele é justo em salvar homens, cujas sentenças Cristo suportou:

21 - Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; 22 - Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. 23 - Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; 24 - Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. 25 - Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; 26 - Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Romanos 3:21-26)

Observe o tom das palavras de Paulo em Romanos 9:14-18. Elas não são apologéticas. Paulo não está hesitante como ele deveria responder. Ele está corajoso e confiante. Ele está irritado que alguém possa mesmo sugerir que Deus é injusto na eleição. Ele não está tanto interessado em defender Deus como declarar a soberania de Deus.

Deus não é injusto na salvação de pecadores que merecem a ira eterna de Deus (versículos 15-16). Nem é Deus injusto na condenação de pecadores como o Faraó, cujo coração Deus endureceu (versículos 17-18).

Moisés e o Faraó eram mais do que apenas contemporâneos que se enfrentaram no êxodo. Moisés era o homem que parece ter sido o próximo na linha para ser o Faraó do Egito. Deus salvou Moisés, apontando-o para liderar o Seu povo fora da escravidão.

E Deus apontou o Faraó para ser aquele que recusaria libertar este povo da escravidão e cuja resistência proveria a ocasião para o poder de Deus ser declarado através de toda a terra.

Através de Moisés, Deus demonstrou Sua graça. Quando Deus começou revelar Sua glória a Moisés em Êxodo 33 (culminando no capítulo 34), Ele declarou que Sua misericórdia era para ser soberanamente outorgada para quem Ele escolhesse.

A razão para qualquer pessoa receber a graça não é para ser achada naquela pessoa, a receptora das Suas bênçãos, porém em Deus, o Abençoador. Graça é favor imerecido, e, portanto ela deve ser soberanamente outorgada, pois ninguém jamais seria digno dela.

Se alguém pudesse ser merecedor do favor de Deus (o que ninguém pode) as bênçãos de Deus não seriam na base da graça, mas de obras. Porém porque ninguém é digno do favor divino, cada bênção de Deus é outorgada na base da graça, com nenhum outro fator decidindo senão a soberana escolha de Deus.

Deus falou diretamente com Moisés (versículo 15) e indiretamente (através de Moisés e a Escritura) para o Faraó (versículo 17).O Faraó também foi escolhido, porém para um papel e destino bem diferente. Ele foi levantado de forma que o poder de Deus pudesse ser demonstrado por causa da sua teimosa oposição.

A vitória de Deus sobre o Faraó, através das pragas e depois através da separação do Mar Vermelho, foi amplamente proclamada (veja Êxodo 15:14-16). Deus foi glorificado através do endurecimento do coração do Faraó assim como Ele foi glorificado através de Moisés.

Está é uma importante verdade que parece escapar a muitos Cristãos. Muitos parecem pensar que Deus sofre alguma espécie de derrota quando pecadores perdidos não se arrependem e não chegam à fé Nele. Eles supõem que Deus somente é glorificado através da salvação do perdido e não através da condenação dos obstinados e resistentes pecadores.

De fato, Deus é glorificado através da salvação de pecadores e através da condenação de pecadores. Deus revela Sua misericórdia ao salvar pecadores e Seu poder ao triunfar sobre aqueles que se opõem a Ele. Deus não fica constrangido por aqueles que O rejeitam. Ele não “precisa” salvar os homens a fim de ser glorificado por eles.

Outra Objeção – (Romanos 9:19-23)

19 - Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? 20 - Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? 21 - Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? 22 - E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; 23 - Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, (Romanos 9:19-23).

Existe uma resposta para esta pergunta, porém Paulo não irá responder a esta pergunta levantada antes de colocar um ponto muito importante. O versículo 19 não é apenas uma pergunta; é um insulto porque ela questiona a integridade de Deus. É na verdade uma denúncia contra Deus, um protesto. Ela não procura uma resposta; ela significa que fazendo a pergunta, Deus é silenciado.

Neste capítulo, Paulo estava ensinando sobre a soberania de Deus. Séculos antes de Paulo viver, Deus trouxe um rei da Babilônia ajoelhado. Este grande rei aprendeu algumas lições muito importantes sobre soberania. Nabucodonosor aprendeu primeiro que enquanto Deus outorga aos homens certo grau de soberania na terra (veja Daniel 2:37; 9:18ss.), a rigor somente Ele é soberano:

34 - Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. 35 - E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? 36 - No mesmo tempo tornou a mim o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; e buscaram-me os meus conselheiros e os meus senhores; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória foi aumentada. 37 - Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba. (Daniel 4:34-37).

Especialmente importante para a resposta de Paulo em Romanos 9:20-21 é a declaração de Daniel 4:35.

(Daniel 4:35) - não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?

Soberania significa que aquele que é soberano está no completo controle, acima de questionamento de qualquer subordinado. Paulo é muito suscetível a este fato e então reage imediatamente, repreendendo a atitude do questionador. Quem é o homem para questionar a Deus? Deus é o Criador, e é Sua prerrogativa usar Sua criação (homens) de qualquer forma que Ele queira.

Os homens são Sua criação e eles não têm nenhum direito de questionar Seu Criador. Se Ele escolher usar um dos Seus vasos para Lhe trazer glória sendo um vaso preparado para destruição, isto é Seu direito. Se Deus decide trazer gloria para Si mesmo fazendo outro vaso como um vaso de misericórdia, um vaso o qual Ele salvará isto também é Sua prerrogativa.

O poder de Deus é demonstrado pelo derramar de Sua ira sobre os pecadores, como foi no Êxodo. A misericórdia e a graça de Deus são demonstradas pelo derramar da Sua graça em pecadores indignos, os salvado apesar dos seus pecados. Sua demora em destruir os “vasos de ira” é de propósito, permitindo-O mostrar Sua graça aos “vasos de misericórdia”. E estes “vasos de misericórdia” incluem alguns que são Judeus e alguns que são Gentios.

Gentios e Não Somente Judeus – (Romanos 9:24-29)

Estou constantemente admirado quão vagarosamente os discípulos (e eu!) pegaram o ensino do nosso Senhor. Mesmo após a morte, sepultamento, ressurreição e ascensão de nosso Senhor, vemos que os apóstolos foram vagarosos para abraçar o ensino do Velho Testamento e de Jesus no livro de Atos. Em Atos 1:8, Jesus lhes disse:

8 - Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. (Atos 1:8)

Esta foi, porém uma repetição do que Jesus já tinha falado aos discípulos antes da Sua morte:

18 - E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. 19 - Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 - Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. (Mateus 28:18-20)

Os discípulos procuraram evangelizar imediatamente os Gentios no Livro de Atos? Certamente não. Na verdade, eles resistiram a isto. A evangelização dos Gentios aconteceu apesar dos apóstolos mais do que por causa deles, outra evidência da soberania de Deus na salvação.

Foi necessária uma intensa perseguição para espalhar os crentes Judeus de Jerusalém (Atos 8:1 ss.). Foi necessária uma visão divina dramática e repetida para Pedro ir à casa de Cornélio, um Gentio, e pregar o evangelho (veja Atos 10:1ss.). E quando a palavra alcançou os ouvidos dos líderes Judeus da igreja de Jerusalém, Pedro foi chamado e reprendido por pregar aos Gentios (Atos 11:1-3)

O argumento de Pedro foi muito convincente. Eles tiveram que admitir que Deus tinha a intenção de salvar os Gentios também, porém note o que eles fizeram quando eles reconheceram isto – nada.

15 - E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. 16 - E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.17 - Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus? 18 - E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. 19 - E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. 20 - E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. 21 - E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. (Atos 11:15-21)

Não fosse por causa daquele grupo anônimo de Judeus Helenistas, os quais não sabiam algo melhor do que compartilhar sua fé com os Gentios, a igreja predominantemente Gentia em Antioquia nunca teria sido estabelecida (humanamente falando, naturalmente).

Quando chegamos ao versículo 24 em Romanos 9, Paulo quer que os seus leitores entendam que a salvação de muitos Gentios e a descrença de muitos Judeus deveria chegar não com surpresa. Agora ele volta para o Velho Testamento para mostrar que longe das promessas de Deus terem falhado pela fé dos Gentios e descrença dos Judeus, Suas promessas foram realizadas.

23 - Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, 24 - Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? 25 - Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada. 26 - E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados filhos do Deus vivo. 27 - Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. 28 - Porque ele completará a obra e abreviá-la-á em justiça; porque o Senhor fará breve a obra sobre a terra. 29 - E como antes disse Isaías: Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência, Teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra. 30 - Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. 31 - Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. 32 - Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço; 33 - Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido. (Romanos 9:23-33)

Conclusão

Todos os quais Deus escolhe para salvar são pecadores perdidos, mortos em seus delitos e pecados, cativos não somente pelos seus próprios pecados, porém do próprio Satanás, nada diferente daqueles que irão viver eternamente no inferno (veja Efésios 2:1-3).

Aqueles os quais Deus salva não O procuram; eles são salvos independentemente de procurarem serem justos (Romanos 9:30-33). Eles são salvos não pelo o que eles são ou por causa do que eles serão ou poderiam ser (Romanos 9:11)

Eles são escolhidos e salvos, não por causa de qualquer decisão que fizeram por Deus; ao contrário a decisão de confiar em Deus é o resultado do Seu fazer, não do homem (João 1:12; Atos 13:48; 16:14; Filipenses 1:29; 2:12-13).

Através do Seu Espírito, Deus regenera o morto em seus delitos e pecados, dando vida e fé e assim que a pessoa é agora levada a Ele (João 6:44) e expressa fé em Jesus Cristo para salvação, uma fé a qual também vem de Deus (Efésios 2:8-9; I Coríntios 4:7); salvação é então considerada como trabalho da soberania de Deus – não do homem (Romanos 9:11, 15-16; 11:36; I Coríntios 1:30-31; Hebreus 12:2).

Existem alguns angustiados porque Deus escolhe alguns e não outros? Não deveriam estar! Quando Deus escolhe salvar alguém, Ele escolhe um que nunca teria escolhido Ele primeiro. Michael Horton coloca isto desta forma:

“Essencialmente eleição é Deus fazendo a decisão por nós que nunca teríamos feito por Ele”.7

Deveríamos ser gratos que Deus elege alguns para a salvação; de outra forma, ninguém jamais seria salvo. Se Deus olhou para baixo e escolheu aqueles que iriam escolhê-Lo, Ele escolheria nenhum, pois nenhum O escolheria (veja Romanos 3:10-18)

Se Deus fosse para escolher aqueles que eram dignos da Sua salvação, Ele não escolheria nenhum. Eleição é a escolha de um Deus soberano para ter alguns. Eleição é baseada somente sob a graça de Deus, não sob qualquer mérito de nós mesmos.

Eleição é o trabalho da graça, e o único meio pelo qual os pecadores podem ser salvos. Não é uma doutrina para torturar, porém uma doutrina sob a qual deveríamos regozijar. Ela é a base para gratidão e louvor. Como Paulo disse no capítulo 12:

1 - ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2 - E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1-2)

A conclusão dos capítulos 9 -11 de Romanos não é um reconhecimento invejoso da soberania de Deus, porém um louvor alegre pela Sua soberania:

33 - Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! 34 - Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? (Romanos 35 - Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? (Romanos 36 - Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. (Romanos 11:33-36)

A soberania de Deus é um incentivo à oração pela salvação do perdido e a fonte de conforto quando alguém rejeita Sua oferta de salvação em Cristo.

Saber que Deus é soberano na salvação é um grande incentivo para testemunhar, por que sei que Deus irá cumprir o Seu propósito. Apesar das minhas falhas ao apresentar o evangelho, e a cegueira daqueles aos quais é pregado, Deus é o Único que salva.

Meu trabalho e o seu no evangelismo nunca é em vão. Mesmo quando os homens rejeitam o evangelho, Deus é glorificado na pregação do Seu evangelho, quer os homens acreditem ou não. Ele é glorificado pela salvação dos pecadores e pela punição eterna dos pecadores.

Definitivamente, os homens não são salvos porque os convencemos ou mesmo porque eles tenham (primeiro) decidido escolher acreditar em Deus. Os homens são salvos porque Deus os escolheu, esclarecidos e iluminados pelo Seu Espírito para entenderem o evangelho, eficazmente chamados pela abertura dos seus corações para responderem ao evangelho.

Quem você preferia ter no controle do destino eterno dos homens, os homens pecadores ou um Deus amoroso, misericordioso e soberano? Para quem você apelaria para a salvação dos homens? Ele é um Deus que nos ama e que se deleita em responder nossas orações.

Regosijemo-nos porque a salvação de nossos amados está definitivamente em Suas mãos, e que podemos pedir a Ele que os salve. E quando os amados rejeitam o evangelho, sabemos que Ele é capaz de salvar. Quando os amados morrem sem chegar à fé, sabemos que isto não pegou Deus de surpresa, porem é uma parte do Seu grande plano eterno.

Frequentemente na nossa apresentação do evangelho, tememos deturpar Deus e diminuir a Sua glória no quadro que transmitimos para o perdido. O evangelho não deve ser visto como Deus implorando e pleiteando com os pecadores esperando desesperadamente que eles O escolham.

O evangelho é um mandamento e nós o proclamamos para os pecadores perdidos. Sabemos que não podemos convencer os homens dos seus pecados ou fazê-los se voltarem para Cristo, porém Deus pode e faz para todos os que Ele tem escolhido. Nunca retratemos um Deus “sem personalidade”, que é dependente das decisões dos homens, ao invés do verdadeiro Deus, que sempre realiza o que Seus propósitos.

Não é de admirar que o evangelho seja ofensivo para os pecadores perdidos que gostam de pensar que são “donos dos seus destinos”, os “capitães das suas almas”. Nós não estamos no controle, os homens perdidos são pecadores, que ofenderam um Deus justo e santo e que estão destinados para o inferno eternamente. Eles não podem fazer nada para se salvar.

Eles devem reconhecer seus pecados e se lançar sobre a misericórdia de Deus que se fez disponível no sangue derramado de Jesus Cristo, que morreu para pagar a sentença pelos homens pecadores e oferecer aos pecadores indignos Sua justiça.

O evangelho é uma oferta gloriosa para os pecadores perdidos, os quais não podem fazer nada para se salvarem. O evangelho é uma ofensa para os que têm justiça própria, que pensam que são salvos por eles mesmos, pelos seus próprios méritos.

Você reconheceu os seus pecados e culpa? Você se submeteu à soberania de Deus do universo e aceitou Sua provisão para sua salvação. Eu não posso convencê-lo ou convertê-lo.

Eu posso lhe falar que seus pecados merecem a vida eterna no inferno e que Deus pela Sua graça enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para tomar o lugar dos pecadores e dar aos homens a Sua justiça. Ele prometeu que o Seu Espírito irá convencer pecadores perdidos dos seus pecados, da Sua justiça, e do julgamento eterno. Você se submeterá a Deus recebendo Seu meio de salvação, o único meio de salvação? Eu oro que você irá.

Qual é a Relação Entre Regeneração e Crença?

Considere estes pensamentos na relação entre regeneração e crença:

Todos os homens estão mortos nos seus delitos e pecados, indiferentes a Deus, e incapazes de fazer qualquer coisa para mudar sua condição (veja Efésios 2:1-3).

Aqueles mortos em seus delitos e pecados não entendem Deus; eles não captam o evangelho ou procuram Deus. Eles estão destinados para a ira divina, sem esperança separados da divina graça e intervenção.

Regeneração é o trabalho sobrenatural de Deus o qual dá vida ao homem morto (Efésios 2:5; Tito 3:5).

Fé é um presente o qual Deus dá para aqueles os quais Seu Espírito regenerou, então possibilitando e causando a escolha de Deus responder ao evangelho pela confiança em Jesus Cristo para salvação (Efésios 2:8-9).

Regeneração precede crença. Regeneração é o trabalho do Espírito Santo, dando vida àquele que está espiritualmente morto. Esta nova vida é expressa pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo. Deus é o iniciador, a primeira causa, e a fé do homem é, portanto o resultado do trabalho de Deus no homem.

Isto significa que a salvação é em última instância o trabalho de Deus. Ele é o iniciador; nós respondemos (veja I João 4:19) Ele é o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:1-2) Ele completará o que começou em nós (Filipenses 1:6). Adequadamente, achamos Deus descrito como a causa da fé dos homens (Atos 13:48; 16:14).

A outra (incorreta) visão é que o homem primeiro atua, crendo em Deus, e então Deus responde outorgando a salvação, em resposta à fé do homem. Neste caso, o homem é a primeira causa.

O problema com esta visão é que ela contradiz as Escrituras. Ela nega a soberania de Deus e nega a depravação do homem. Como pode um homem morto, que odeia a Deus e não O procura, de repente, na sua própria iniciativa, recorre a Deus em fé (veja Romanos 3:9-18)?

Objeções à Divina Soberania

Muitas são as objeções à soberania divina. Vamos levantar algumas delas e oferecer a resposta bíblica.

Eleição de Deus é baseada em Seu pré-conhecimento, e pré-conhecimento é conhecimento de Deus, adiantado, de quem irá escolhê-Lo (textos como Romanos 8:29 são usados como provas).

(1) Pré-conhecimento algumas vezes se refere ao conhecimento prévio sobre alguém. Nas Escrituras é também usado como uma escolha feita adiante do tempo.

E “conhecer” algumas vezes significa “escolher” (Gênesis 18:19, veja nota marginal; Jeremias 1:5) e “prever” algumas vezes significa “escolher antes do tempo - de antemão”. Em Romanos 11:2 e I Pedro 1:20, “de antemão” não pode significar simplesmente “saber a respeito adiante do tempo”. Tem de significar “escolhido ou selecionado antes do tempo”.

(2) Se a escolha daqueles os quais Ele salvaria fosse baseado sobre Seu pré-conhecimento daqueles que O escolheriam, ninguém seria salvo por causa da depravação humana (veja João 6:37, 44; Romanos 3:9-18). Ninguém escolheria Deus a menos que Deus nos escolhesse primeiro, nos regenerasse, e nos desse a fé para responder ao evangelho.

(3) Se a escolha de Deus por nós é determinada pela nossa escolha por Ele, então nós somos os iniciadores, e Deus é o que responde. Isto contradiz as Escrituras (Hebreus 12:1-2; Filipenses 1:6, etc.), e ela é inconsistente com a soberania de Deus e com a natureza da graça.

(4) As Escrituras ensinam que Deus é o iniciador da fé e da salvação não o homem (João 6:44; Atos 13:48; 16:13; veja também Deuteronômio 30:6; Jeremias 31:31-34).

Que tal aqueles textos os quais chamam os homens a acreditar e aqueles que falam dos homens escolhendo Deus?

Os homens são chamados a se arrependerem e crerem em Jesus Cristo para serem salvos. Os homens são salvos pela fé. Todos aqueles que chegam a Ele, que chamam pelo nome do Senhor, serão salvos (João 6:37; Romanos 10:13). Porém esta resposta a qual aos homens é requerida para os homens expressarem é o resultado do soberano trabalho de salvação de Deus, e não a causa dele (João 1:12).

Soberania divina dirige ou exclui a responsabilidade humana.

De maneira nenhuma. Soberania divina é a base para a responsabilidade humana.

“Muitos tem muito tolamente dito que é quase impossível mostrar onde a soberania Divina termina e a responsabilidade da criatura começa. Aqui é onde a responsabilidade da criatura começa: na ordenação soberana do Criador. Quanto a Sua soberania, não há nem haverá qualquer término para ela”.8

“Deus é cavalheiro, e não força a Si mesmo para ninguém”

Esta declaração expressa uma visão distorcida da soberania de Deus e da depravação do homem. Se Deus não interviesse e superasse nossa doença letal do pecado e rebelião, ninguém seria jamais salvo. O evangelho é impossível fora da intervenção divina e permissão.

Quando Deus nos salva, Ele faz o morto viver, Ele remove nossa cegueira espiritual com visão, Ele abre nosso coração para responder, e Ele nos dá uma nova natureza a qual deseja Deus. Se não é tecnicamente correto dizer que Deus sobrepõe ao nosso desejo, Ele muito certamente muda nossa natureza e nossa vontade.

Implicações e Aplicações da Soberania Divina na Salvação

O assunto da soberania de Deus na salvação é vitalmente importante:

Portanto, não é irreverente, curioso ou trivial, porém útil e necessário para um Cristão, saber se o desejo (humano) irá fazer alguma coisa ou não em assuntos pertencentes à eterna salvação... Se nós não sabemos tais coisas, não sabemos nada de nada das coisas Cristãs e seriamos pior do que qualquer gentio...

Portanto, deixemos que qualquer um que não sente isto confesse que não é Cristão. Pois se eu sou ignorante disto, quão longe, e quanto eu posso e posso fazer em relação a Deus, isto será igualmente incerto e desconhecido para mim, quão longe, e quanto Deus pode e possa fazer em mim...

Porém quando o trabalho e o poder de Deus são desconhecidos desta forma, eu não posso adorar louvar, agradecer e servir a Deus, desde que não sei quanto devo atribuir a mim e quanto a Deus. Compete a nós, portanto estarmos bem certos a respeito da distinção entre o poder de Deus e o nosso próprio, o trabalho de Deus e o nosso, se queremos viver uma vida santa.9

Soberania é diametralmente oposta a tudo natural e decaído em nós, e é completamente consistente com o que a Bíblia ensina. Os homens naturalmente rejeitam a soberania de Deus e somente sobrenaturalmente eles a recebem.

Você resiste a ela? Não deveríamos estar surpresos. A doutrina da soberania de Deus é uma a qual ninguém acredita naturalmente a não ser que as Escrituras claramente a ensinem e o Espírito Santo mude nossos coração para aceitá-la. Você quer saber a verdade do assunto? Estude as Escrituras, e peça a Deus para lhe dar entendimento.

“A razão pela qual as pessoas hoje se opõem a ela (eleição) é porque eles têm Deus como sendo qualquer coisa, exceto Deus. Ele pode ser um psiquiatra cósmico, um pastor útil, um líder, um professor, qualquer coisa... somente não Deus. Por uma razão muito simples – eles querem ser Deus eles mesmos”.10

“É uma medida do nosso egocentrismo que nós até desprezaríamos Deus por nos amarmos antes de nós O amarmos”.11

Rejeitar ou resistir à soberania de Deus na salvação é uma questão muito séria:

Esta doutrina (da soberania de Deus) mostra a insensatez e a terrível perversidade da sua rejeição entusiástica contra a soberania de Deus neste assunto. Ela mostra que você não sabe que Deus é Deus. Se você soubesse isto, você estaria interiormente parado e quieto; você permaneceria humildemente e calmamente no pó diante de um Deus soberano e veria razão suficiente para isto.

Ao objetar e discutir sobre a justiça das leis e ameaças de Deus e Suas dispensações soberanas em relação a você e a outros, você se opõe à Sua divindade, você mostra sua ignorância da Sua grandeza divina e virtudes e que você não pode suportar que Ele deveria ter honra divina.

É dos pensamentos baixos, medíocres sobre Deus que você faz em sua mente se opondo à Sua soberania, que você não é sensato não vendo quão perigosa é sua conduta, e que coisa audaciosa é para tal criatura como homem lutar com seu Criador.12

Na Bíblia, a soberania de Deus não é uma verdade negativa, uma doutrina problemática a qual se deveria evitar se possível; ela é uma doutrina positiva que encoraja, conforta e motiva.

Corretamente o falecido Mr. Spurgeon disse em seu sermão em Mateus 20:15: Não há atributo mais confortante para Seus filhos do que aquele da Soberania de Deus.

Sob as mais adversas circunstâncias, na mais severa provação, eles acreditam que Soberania ordenou sua aflição, que a Soberania as sobrepôs, e que a Soberania os santificará a todos.

Não há nada pela qual os filhos devem mais sinceramente argumentar do que a doutrina do seu Mestre sobre toda a criação – a Majestade de Deus sobre todos os trabalhos das Suas próprias mãos – o Trono de Deus e Seu direito de sentar naquele Trono.

Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade da qual eles fizeram tal futebol, como a grande, estupenda, porém ainda a mais certa doutrina da Soberania do infinito Jeová.

Os homens permitirão Deus estar em qualquer lugar exceto no Seu trono. Eles O permitirão estar em Seu culto para modelar mundos e fazer estrelas. Eles O permitirão estarem no ofertório para dar Suas esmolas e dar os Seus prêmios.

Eles O permitirão sustentar a terra e os pilares, ou acender as luzes do céu, ou governar as ondas do oceano sempre em movimento; porém quando Deus senta no Seu trono, Suas criaturas então rangem os dentes, e nós proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer como Ele deseja com Seu próprio, dispor das Suas criaturas como Ele pensa melhor, sem consultá-los no assunto, então é que somos vaiados e execrados, e então é que os homens se tornam um ouvido surdo para nós, pois Deus no Seu trono não é o Deus que eles amam. Porém é o Deus no seu trono quem nós amamos pregar. É Deus no Seu trono quem nós confiamos.13

Questões a serem consideradas concernentes à Soberania de Deus na Salvação.

Porque os homens resistem ou rejeitam a doutrina da Soberania de Deus na salvação? Porque os Cristãos resistem ou rejeitam a soberania de Deus na salvação quando eles reconhecem a soberania de Deus em outros coisas?

Qual é a relação entre soberania de Deus na salvação e graça? Entre soberania de Deus e depravação humana? Porque a graça de Deus deve ser graça soberana?

Como a soberania de Deus na salvação afeta o evangelho? Como a depravação do homem e a resistência do homem à soberania de Deus na salvação tende a afetar o evangelho? [em outras palavras, como o homem natural ou não salvo teria o evangelho da forma que ele é?]

Como você pensa que a conversão de Paulo (como descrita em Atos 9, 22, 26) ajudou a prepará-lo para expressar o assunto da soberania de Deus na salvação?

Como a visão bíblica da soberania de Deus na salvação afetaria nossas orações pelo perdido? Nossa motivação para o evangelismo? Nossos métodos de evangelismo? A mensagem que proclamamos no evangelismo?

A soberania de Deus na salvação significa que você poderia ser um dos não eleitos e que você poderia não ser salvo mesmo que você quisesse ser? Significa que não podemos sempre saber se somos realmente salvos, desde que a salvação é feita por Deus e não por nós?

Citações Citáveis

As Escrituras dão muitos exemplos da liberdade de Deus na graça seletiva. Próximo a um tanque em Jerusalém ajuntava-se ‘uma grande multidão de pessoas doentes, cegos, coxos, paralíticos’ (João 5:3). Entretanto, Cristo caminha através da multidão e se dirige em direção de um homem – somente uma pessoa – e o cura da sua paralisia.

Agora, você deve entender que este era um lugar regular para uma porção de pessoas que esperavam que cada novo dia seria o seu dia para o milagre. Alguém pensaria que ali seria uma espécie de fila de cura, porém Jesus somente queria curar um homem aquele dia. Porque Ele não curou a todos?

Ele poderia ter curado; Ele tinha o poder. Porém Ele não escolheu fazer isto. Entretanto, estou para ouvir um sermão em quão injusto foi Jesus ao curar o homem no tanque aquele dia. Porque deveria ser diferente a eleição no domínio da nossa salvação?14

Na eleição chegamos ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó; o Deus do ermo; o Deus da encarnação, morte e ressurreição de Cristo; o Deus que é tudo menos uma deidade frustrada que “não tem mãos a não ser nossas mãos’ e deve caminhar os chãos dos céus, balançando suas mãos, esperando que as pessoas irão “deixá-Lo ter Seu caminho’. Este é o Deus que é tudo menos um copiloto. “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6).15

Você pode estar pensando, ‘Eleição e evangelismo – ao mesmo tempo? Foi me dito que eles são mutuamente exclusivos!’Foi me dito isto também. Porém posso honestamente dizer que evangelismo nunca realmente significou o que ele significa após ter entendido a eleição.

Compartilhando a fé com não crentes se tornou um peso para muitos e o foi para mim, até esta verdade mudar meu pensamento. Eleição muda nosso evangelismo em três níveis: nossa mensagem, nossos métodos e nossa motivação.16

Porém ela pode ser contestada, não lemos repetidamente nas Escrituras que os homens desafiaram a Deus, resistiram à Sua vontade, quebraram os Seus mandamentos, desconsideraram Suas advertências, e se tornaram um ouvido surdo para todas as Suas exortações? Certamente que nós lemos. E isto anula tudo o que dissemos acima? Se isto anula, então a Bíblia plenamente se contradiz.

Porém esse não pode ser. O que o opositor se refere é simplesmente a fraqueza do homem contra a palavra externa de Deus, ao passo que o que nós mencionamos acima é o que Deus tem tencionado em Si mesmo. A regra de conduta que Ele deu para nós seguirmos é perfeitamente preenchida por nenhum de nós; Seus próprios ‘conselhos’ eternos são cumpridos em seus mínimos detalhes.17

Sendo infinitamente elevado, acima da mais alta criatura, Ele é o Mais Alto, Senhor do céu e da terra. Sujeito a ninguém, influenciado por ninguém, absolutamente independente; Deus faz o que Lhe agrada, somente como Ele se agrada, sempre como Ele se agrada. Ninguém pode lhe frustrar, ninguém pode impedi-Lo.

Assim Sua própria Palavra expressamente declara: ‘O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade’ (Isaías 46:10); ‘e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão’ (Daniel 4:35). Soberania divina significa que Deus é Deus de fato, assim como no nome, que Ele está no Trono do universo, dirigindo todas as coisas, trabalhando todas as coisas ‘conforme o conselho da sua vontade’ (Efésios 1:11).18

Esta doutrina (da soberania de Deus) mostra a insensatez e a terrível perversidade da sua rejeição entusiástica contra a soberania de Deus neste assunto. Ela mostra que você não sabe que Deus é Deus. Se você soubesse isto, você estaria interiormente parado e quieto; você permaneceria humildemente e calmamente no pó diante de um Deus soberano e veria razão suficiente para isto.

“A ousadia mais insana que qualquer homem pode fazer, a mais excessivamente estúpida coisa que qualquer homem pode fazer, a mais desesperadamente maldosa coisa que qualquer homem pode fazer, é retrucar contra Deus, entrar em controvérsia com Deus, criticar Deus, condenar Deus. Justamente é isto que muitas pessoas estão fazendo”.19

“O que somos, o melhor de nós? Vil – o melhor de nós é senão um pecador repulsivo. Podemos ainda não reconhecer o fato, porém é verdade. Nossas vidas foram atingidas totalmente pelo pecado. Você ainda se compromete permanecer em pé na presença deste Deus Santo, em cuja presença os serafins velam suas faces e seus pés, e retrucam contra Ele, para sugerir o que Deus deveria ser, para entrar em controvérsia com Deus, para criticar Deus por coisas as quais Ele tem visto para fazer, para murmurar contra Deus”.20

“Ele é… um Ser de infinita sabedoria. Olhamos para o céu estrelado acima de nossas cabeças, olhamos para estes maravilhosos mundos de luz que cintilam os céus à noite. Pensamos nas impressionantes coisas sobre suas imensidões e a incrível velocidade e impulso dos seus movimentos à medida que elas correm através do espaço, e quando olhamos para elas, se somos sábios, dizemos: ‘Oh Deus, que Ser de infinita sabedoria assim como de majestade Tu és que Tu podes guiar estes enormes inconcebíveis mundos à medida que eles vão girando através do espaço com tal velocidade incrível e impulso”.

“E muitos de vocês aqui nesta noite não hesitam olhar para o Deus infinitamente sábio que fez estas maravilhosas esferas de luz, que guia todo o universo no seu maravilhoso, estupendo e desconcertante curso, e tentam dizer a Ele o que pensam que Ele deveria fazer!

Nenhum companheiro de Patten jamais fez uma coisa insana. ‘Quem é você?’ O homem mais sábio na terra é apenas uma criança; o mais sábio filósofo não sabe muito; o maior homem de ciência sabe, porém muito pouco. O que ele sabe é quase nada comparado com o que ele não sabe. O que ele sabe, mesmo sobre o universo material, é quase nada comparado com o que ele não sabe”.21

Suponha uma criança de treze ou quatorze anos pegando um livro de filosofia demonstrando o produto mais maduro do melhor pensamento filosófico de hoje e começasse a criticá-lo, página por página. O que você pensaria? Você ficaria em pé e olharia para o menino e diria com imensa admiração: “Que brilhante garoto ele é?”

Não, você diria: “Que idiota convencido ele é para se comprometer, na sua idade e com seu conhecimento limitado, a criticar o melhor pensamento filosófico do dia!” Porém ele não seria tão idiota convencido quanto você ou eu seríamos tentando criticar um Deus infinitamente sábio, pois nós somos muito menos do que crianças comparados com o Deus infinito.

O mais profundo filósofo de hoje é apenas uma criança pequena comparado com o Deus infinito. E assim você, que não tem nenhuma pretensão de ser um filósofo, toma o Livro de Deus, você uma pequena criança, um infante, toma este Livro o qual representa a melhor sabedoria de Deus,e você se senta e o folheia página por página, e tenta criticá-lo, e as pessoas ficam olhando para você e admiram e dizem: ‘Que erudito!’ Porém os anjos olham para baixo e dizem: ‘Que tolo!’ E o que Deus diz? ‘Ri-se aquele que habita nos céus, o Senhor zomba deles’ (Salmos 2:4).22

Nunca clareou em algumas pessoas que o próprio Deus poderia por alguma possibilidade saber mais do que eles sabem. Nunca clareou em mim por anos, e nestes tempos eu era um Universalista. Eu pensava que todos os homens seriam enfim salvos. Eu era um Universalista porque eu tinha um argumento para a salvação final de cada um para o qual eu não podia ver resposta possível.

Eu pensava se eu não posso ver uma resposta, o porquê, ninguém poderia. Assim eu desafiava qualquer um a se reunir comigo naquele argumento e respondê-lo. Eu fui ao redor com minha cabeça bem alta e disse: ‘Eu achei uma razão irrespondível para o Universalismo’. Eu pensava que eu era um Universalista por todo o tempo e que qualquer que não fosse Universalista não era bem colocado.

“Um dia me ocorreu que um Deus infinitamente sábio poderia possivelmente saber mais do que eu. Aquilo nunca clareou em mim antes. Clareou em mim também que era possível que um Deus de infinita sabedoria poderia ter milhares de boas razões para fazer uma coisa, quando eu, na minha finita insensatez, não poderia ver mesmo uma. Assim meu Universalismo afetuosamente estimado virou em cinzas.”

“Se você pegar aquele pensamento, de que um Deus infinitamente sábio possa possivelmente saber mais do que você mesmo e que este Deus em Sua infinita sabedoria possa ter milhares de boas razões para fazer uma coisa quando você mesmo não pode ver uma – você terá aprendido uma das maiores verdades teológicas do dia – uma que irá resolver muitos dos seus problemas complicados na Bíblia.”

“Os homens tentam pegar a infinita sabedoria e imaginam que eles podem espremê-la dentro da capacidade das suas reduzidas mentes. Porém como eles não podem espremer a sabedoria infinita nas suas reduzidas mentes, eles dizem: ‘Eu não acredito que o Livro é a Palavra de Deus, porque existe algo nele que não posso entender a sua filosofia’. Por que você deveria entender a filosofia dele? De qualquer modo, quem é você? Quanto de uma mente você tem, de qualquer forma? Há quanto tempo você a tem? Quanto tempo você irá mantê-la? Quem a deu para você?”23

“Não é nosso negócio achar a filosofia das coisas; não é nosso negócio ver a razão das coisas. É nosso negócio ouvir o que Deus tem para dizer, e quando Ele disser acreditar nele, se você pode ou não entender a filosofia dele”.24

Existe mais uma classe que está retrucando contra Deus, aquela que são os homens que ao invés de aceitar Jesus Cristo como seu Salvador e se entregar a Ele como seu Senhor e Mestre e abertamente confessá-Lo como tal diante do mundo, estão dando desculpas por não fazer isto. Jesus disse em João 6:37, ‘e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora’. Deus fala em Apocalipse 22:17, ‘e quem quiser receba de graça a água da vida’.

Qualquer um pode vir a Cristo, e qualquer um que vier será recebido e salvo. Ainda muitos de vocês, ao invés de vir, estão dando pretextos para não vir.

Para cada desculpa que você der você estará retrucando contra Deus, você estará entrando em controvérsia com Deus, você estará condenando Deus, que o convida para vir.

Você não pode moldar uma desculpa para não vir e aceitar a Cristo que não condene Deus. Cada desculpa que qualquer mortal faça para não aceitar a Cristo, em última análise, condena Deus.25

 

Traduzido por Césio J. de Moura


1 Martin Luther, The Bondage of the Will (Philadelphia: Westminster, 1975), p. 117, as cited by Michael Scott Horton, Putting Amazing Back Into Grace (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1991), p. 60.

2 Charles Haddon Spurgeon, The New Park Street Pulpit, vol. 4 (a message preached on August 1, 1858, at the Music Hall, Royal Surrey Gardens, cited by Warren Wiersbe, Classic Sermons on the Sovereignty of God (Grand Rapids: Kregel Publications, 1994), 114-115.

3 Spurgeon, as cited by Wiersbe, pp. 116-117.

4 Devemos também ter em mente que Satanás tem uma mão na descrença do perdido, já que ele procura manter os homens do evangelho (Marcos 4:3-4, 13-14), procura cegar os homens para o evangelho (II Coríntios 4:3-4), e também procura corromper e distorcer o evangelho (II Coríntios 11:4. 13-15).

5 João Batista reconheceu e identificou este erro quando ele disse aos escribas e Fariseus: “E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão”. (Mateus 3:9).

6 Em outra passagem, Paulo explica que um verdadeiro Israelita é um filho de Deus pela fé em Cristo, quer seja Judeu ou Gentio (veja Romanos 4:16-17; Gálatas 6:16). Incidentalmente, em Romanos 4, Paulo chama a atenção que Abraão era realmente um Gentio (incircunciso) quando ele se tornou um crente (veja 4:10-12).

7 Michael Scott Horton, Putting Amazing Back Into Grace, p. 45.

8 A. W. Pink, The Attributes of God, p. 29.

9 Martin Luther, The Bondage of the Will (Philadelphia: Westminster, 1975), p. 117, as cited by Michael Scott Horton, Putting Amazing Back Into Grace (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1991), p. 60.

10 D. James Kennedy, Truths That Transform (Old Tappan, NJ: Revell, 1974), as cited by Michael Horton, Putting Amazing Back Into Grace (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1991), p. 43.

11 Michael Horton, p. 45.

12 Jonathan Edwards, taken from The Words of Jonathan Edwards (vol. 2, 1976), published by Banner of Truth Trust, as cited by Warren Wiersbe, Classic Sermons on the Sovereignty of God (Grand Rapids: Kregel Publications, 1994), p. 107.

13 A. W. Pink, The Attributes of God, p. 27.

14 Horton, p. 50.

15 Michael Horton, Putting The Amazing Back Into Grace, pp. 58-59.

16 Horton, p. 66.

17 Pink, p. 25.

18 Pink, p. 27.

19 Torrey, Wiersbe, p. 45.

20 Torrey, p. 47.

21 Torrey, p. 48.

22 Torrey, p. 49.

23 Torrey, p. 57.

24 Torrey, p. 58.

25 Torrey, p. 58.

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