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Davi e Deus (Natã) (II Samuel 12)

Introdução

Há alguns anos, minha esposa Jeanette e eu fomos para Inglaterra e Escócia com meus pais. Ao viajarmos pelo país de Gales, todas as noites parávamos em uma “pousada”. Havia muitas propriedades rurais, mas bem poucas cidades onde pudéssemos encontrar um lugar para passar a noite. Um dia, vimos uma placa de "pousada" e dirigimos pela estrada rural até encontrar o local — um lugar bem pitoresco. Vimos várias centenas de ovelhas no pasto, um cavalete e celeiros de pedra. Parecia o lugar perfeito e, em muitos sentidos, era mesmo. O que não percebemos é que o cavalete de pedra era parte de uma estrada de ferro, cujo trem passava à noite, a poucos metros da casa onde dormimos. Duas vacas também deram cria naquela noite. Eu já tinha passado algum tempo em fazendas, mas nunca tinha ouvido o urro de uma vaca parindo ecoar por um celeiro de pedra. 

Além das centenas de ovelhas no pasto, havia também um cordeirinho num pequeno cercado, bem perto da casa. Era um camaradinha amistoso e brincalhão, e nós gostamos muito de brincar com ele. Não entendemos direito porque aquele animal ficava isolado, longe dos demais. Quando o sobrinho do fazendeiro apareceu, eu lhe perguntei o motivo. Demorou um pouco para eu entender seu sotaque carregado, mas finalmente percebi que ele estava me dizendo que o animal era “de estimação”. O problema era que ele dizia isso como se fosse uma só palavra, “distimação”. Obviamente o animal pertencia a uma categoria distinta, diferente de uma simples “ovelha” ou de um “cordeiro”. Esse animal “de estimação” ficava num cercadinho especial, bem ao lado da casa, e recebia muito mais atenção e cuidado do que o restante do rebanho.

Ora, aquele camaradinha era apenas um entre muitos cordeiros. No entanto, ele desfrutava o privilégio de ser um animal “de estimação”. Na história contada por Natã a Davi, não ocorre exatamente a mesma coisa. Natã fala de uma cordeirinha “de estimação” que era a única de um homem pobre. Essa cordeirinha não vivia num cercado fora da casa; ela vivia dentro de casa, quase sempre nos braços do dono, comendo a mesma comida que ele. Essa é a história que Deus usa para mostrar a maldade do pecado de Davi. Esse é o texto desta mensagem e, mais uma vez, ele tem muito a nos ensinar, assim como Davi. Vamos prestar muita atenção às palavras inspiradas de Natã, e aprender com um cordeiro.

Contexto

Davi se torna rei de Judá e Israel. Em grande parte, seu reino já está consolidado. Ele toma Jebus e a torna capital da nação, mudando seu nome para Jerusalém. Ele constrói um palácio e dá a ideia para a construção de um templo (plano este significativamente revisado por Deus). Ele sujeita a maior parte das nações ao redor de Israel. Ele luta contra os amonitas e prevalece, mas não os derrota totalmente. Eles se refugiam na cidade real de Rabá, e quando chega a época das guerras (a primavera), Davi envia Israel, liderado por Joabe, para sitiar a cidade e fazê-la se render. Ele decide não enfrentar os rigores de acampar ao ar livre, fora da cidade. Em vez disso, resolve ficar em Jerusalém. Dormindo até tarde, ele se levanta quando os outros se preparam para dormir. Um dia, ao passear pelo terraço do palácio, ele lança um olhar furtivo para uma bela mulher que está se banhando, talvez cerimonialmente, em cumprimento à lei.

Não há qualquer intenção da parte dela, nem mesmo alguma indiscrição. Ela está se banhando ao anoitecer e, sendo pobre (ver 12:1-4), não tem o privilégio de uma privacidade total, principalmente quando o rei pode olhar de cima, do alto do terraço do seu palácio. Davi fica embevecido com sua beleza e envia mensageiros para fazer perguntas sobre sua identidade. Eles o informam do nome da mulher e que ela é casada com Urias, o heteu. Isso deveria por um ponto final no interesse dele, mas não põe. Ele manda buscá-la e trazê-la ao palácio, onde se deita com ela. Depois de se purificar, ela volta para casa.

O caso parece encerrado. Davi não quer outra esposa; nem mesmo um caso amoroso. Ele quer uma conquista. Essa conquista deveria ser no campo de batalha, não no quarto! As coisas tomam um rumo totalmente diferente quando Bate-Seba manda lhe dizer que está grávida. Primeiro Davi tenta encobrir seu pecado ordenando a Joabe que mande Urias de volta para casa, de licença, aparentemente para dar a ele informações sobre a guerra. No início, os esforços de Davi para fazer com que Urias vá para a cama com Bate-Seba são muito sutis, depois eles se tornam ordens veladas e, então, ficam bem grosseiros, quando Davi tenta dar uma bebedeira em Urias para que ele faça aquilo que não faria sóbrio. Quando todos os esforços de Davi fracassam (devido à nobreza de caráter de Urias), ele o manda de volta para Joabe, com ordens escritas para ser morto de forma a parecer uma baixa de guerra. Joabe cumpre as ordens de Davi e manda lhe dizer: “Missão cumprida”. E é aqui que retomamos nossa história.

As Reações à Morte de Urias

A reação de Bate-Seba à morte de Urias é tanto a esperada quanto a que gostaríamos. De acordo com nosso texto, ela não tem absolutamente nada a ver com a trama de Davi para enganar seu marido, muito menos para matá-lo. Sem, dúvida, ela toma conhecimento da morte de Urias da mesma forma que as outras viúvas da guerra, daquela época e de agora. Quando é informada oficialmente, ela o pranteia. Não podemos dizer com certeza quanto tempo ela fica de luto. Sabemos, por exemplo, que se uma virgem de uma nação distante (dos cananeus, por exemplo) fosse capturada por um israelita durante uma invasão à sua cidade, ele poderia tomá-la por esposa depois que ela prateasse seus pais (mortos na invasão) durante um mês (Deuteronômio 21:10-13). Como tentarei demonstrar a seguir, creio que o luto de Bate-Seba é verdadeiro, não fingido. Creio que ela chora sua morte porque o amava.

Davi, por outro lado, nem mesmo se preocupa em fingir que está de luto. Ele nem tenta ser hipócrita. Quando outros valentes morreram, ele levou a nação a lamentar sua perda. Ele chorou por Saul e seus filhos, mortos na batalha contra os filisteus (II Samuel 1). Ele chorou a morte de Abner, perversamente assassinado por Joabe (II Samuel 3:28 e ss). Ele até enviou uma delegação para prantear oficialmente a morte de Naás, rei dos amonitas (II Samuel 10). No entanto, quando Urias é morto “em batalha”, nem uma palavra de lamento sai de seus lábios. Ele não está triste, está aliviado. Em vez de dizer aos outros para lamentar a morte de Urias, ele manda um recado para Joabe não levar sua morte tão a sério.

Quando termina o luto de Bate-Seba, Davi manda buscá-la e trazê-la para ser sua esposa. Eu não o vejo de joelhos, pedindo-a em casamento. Não o vejo cortejando-a, mandando-lhe rosas. Vejo-o somente “tomando”-a mais uma vez. Minha pergunta é: “Por quê?” Por que ele a toma como uma de suas esposas? Não creio que ele ainda esteja tentando “encobrir” seu pecado; é tarde demais para isso. A essa altura, ela já deve “exibir” sua gravidez, e é difícil imaginar que as pessoas em Israel não saibam o que está acontecendo. Davi não parece mais estar tentando esconder seu pecado, mas sim tentando legitimá-lo. Quaisquer que sejam suas razões, elas não são espirituais, mas, com certeza, são pessoais.

Natã também reage à morte de Urias, o que está registrado na primeira parte do capítulo doze. Porém, vamos deixar sua reação para depois de atentarmos para algo que está ocorrendo na vida de Davi, o qual não podemos ver neste trecho e nem é registrado pelo autor de II Samuel, mas é mostrado por Davi em um de seus salmos, escrito enquanto meditava nos acontecimentos deste texto.

Davi é Divinamente Preparado para o Arrependimento
(Salmo 32:3-4)

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.”

O Salmo 32 é um dos dois salmos (o outro é o Salmo 51) em que o próprio Davi medita sobre seu pecado, arrependimento e restauração. Os versos 3 e 4 do salmo são o foco da minha atenção neste momento. Esses versos se encaixam entre os capítulos 11 e 12 de II Samuel. A confrontação de Davi pelo profeta Natã, descrita em II Samuel 12, resulta no arrependimento e na confissão de Davi. No entanto, esse arrependimento não é só fruto da repreensão de Natã, é também a reação de Davi ao trabalho de Deus em seu coração antes de sua confissão, enquanto ele ainda está tentando encobrir seu pecado.

Nesses versos, Davi deixa claro que Deus está trabalhando, mesmo sem parecer. Enquanto Davi tenta encobrir seu pecado, Deus está mostrando-o em seu coração. Essa não é uma época de prazer e alegria, como Satanás quer que pensemos, é uma época de muita infelicidade. Davi fica consumido pela culpa. Ele não consegue dormir, e parece não querer comer. Ele não dorme à noite e está perdendo peso. Se Davi reconhece ou não isso como obra de Deus, pelo menos ele sabe que é um miserável. E é essa infelicidade que o amacia, preparando-o para a repreensão de Natã, preparando-o para o arrependimento. O arrependimento de Davi não é consequência de sua avaliação da situação; é consequência da intervenção divina. Ele se afundou demais no pecado para poder pensar direito. Deus trabalha em sua vida para quebrantá-lo, para que uma vez mais Davi se lance sobre Ele pela graça.

Natã Conta a um Pastor uma História de Ovelha
(12:1-6)

“O SENHOR enviou Natã a Davi. Chegando Natã a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. Tinha o rico ovelhas e gado em grande número;  mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; comia do seu bocado e do seu copo bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como filha. Vindo um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele; mas tomou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que lhe havia chegado.”

Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto. E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.”

Há diversos pontos importantes a serem observados sobre este encontro de Natã com o rei Davi.

Primeiro, note que Natã é enviado a Davi. Natã, naturalmente, é profeta. O que quer que Davi tenha feito, ele já sabe. Se me perdoam o trocadilho, Davi não pode puxar o suéter sobre os olhos1. As palavras de Natã, em última análise, são a própria palavra de Deus (ver 12:11). Se Natã é profeta, ele também parece ser amigo de Davi. Um dos filhos de Davi tem seu nome (II Samuel 5:14). Davi lhe conta sobre seu desejo de construir um templo (capítulo 7). Natã dará o nome ao segundo filho de Davi com Bate-Seba (12:25). Ele permanecerá leal ao rei e à Salomão quando Adonias tentar usurpar o trono (I Reis 2). Natã não se aproxima de Davi só como porta-voz de Deus, ele se aproxima como seu amigo.

“Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Provérbios 27:6)

Segundo, note que Natã é enviado a Davi. A palavra “enviado” (ou “mandado”) é empregada doze vezes pelo autor no último capítulo. Em muitas delas, a palavra se refere a Davi “mandando” alguém fazer alguma coisa ou “enviando” alguma coisa para alguém. Davi é um homem com poder e autoridade, por isso ele pode “mandar” o que quiser, inclusive matar Urias. Agora, é Deus quem está “mandando”. Estará Davi impressionado com sua própria autoridade e poder? Estará ele acostumado a “mandar” outras pessoas fazerem seu trabalho (como fez com Joabe e Israel contra os amonitas)? Que ele saiba, então, que Deus está lhe enviando Natã.

Terceiro, Natã se aproxima de Davi com uma história. Na versão New American Standard Bible, o texto não é apenas uma história, é uma espécie de poesia. Na minha cópia da NASB, as palavras estão formatadas de forma a se parecer com um dos salmos.2 Só agora percebi isso, mas se esse for o caso, significa que Natã já veio preparado para falar com Davi. Sob inspiração divina, estou certo de que o profeta poderia recitar uma poesia sem tê-la escrito previamente, mas essa não me parece a regra. Natã já chega bem preparado. Ele não está “inventando na hora”; está contando uma história, uma história muito importante, com um mensagem muito importante para Davi.

Quarto, a história contada por Natã é uma “história de ovelha”, a qual pode ser facilmente compreendida por um pastor e com a qual ele prontamente se identificar. Davi foi pastor de ovelhas quando jovem, como sabemos pelo(s) livro(s) de Samuel (ver I Samuel 16:11; 17:15, 28). Será que ele, naquelas dias e noites solitários, não pegou uma ou mais ovelhas do seu rebanho como animal “de estimação”? Será que essa ovelha não comeu e bebeu com ele? Provavelmente sim.

Quinto, a história contada por Natã não “se enquadra”, isto é, não “corresponde exatamente” à história do pecado de Davi com Bate-Seba e Urias. A ovelha (a qual pode ser comparada a Bate-Seba) foi morta, não seu dono (o qual pode ser comparado a Urias3). Creio ser importante frisar esse fato, a fim de que nossa interpretação não vá além do verdadeiro sentido da história.

Afinal, por que uma história? Por que não deixar simplesmente que Davi dê com os burros n’água? Muitos dirão ser esta uma tática habilmente empregada para fazê-lo se pronunciar sobre o crime antes de perceber ser ele mesmo o criminoso. Acho que é verdade. Ele fica furioso com a falta de compaixão do “homem rico”. Se pudesse, ele o condenaria à morte (!). E pela cordeirinha, a justiça requeria uma restituição de quatro vezes. Tendo Davi se comprometido com o princípio, Natã agora pode aplicá-lo ao próprio rei.

Pelo que conheço da Bíblia, no entanto, há mais coisas nessa história. Nosso Senhor sempre contava histórias. Qual a razão disso? Estaria Ele tentando “facilitar as coisas”? Estaria tentando adaptar Seus ensinamentos aos que talvez tivessem alguma dificuldade para entendê-los? Mas nosso Senhor também contou histórias para os doutores da lei, os quais seriam capazes de acompanhar uma linguagem mais técnica. Refiro-me especialmente à história do Bom Samaritano, registrada em Lucas 10. Um intérprete da Lei levantou-se e fez uma pergunta a Jesus, não com o intuito de aprender, mas na esperança de colocá-lO em má situação diante do povo. Ele perguntou: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Jesus devolveu-lhe a pergunta. Esse homem era perito na Lei de Moisés, o que ele ensinava? O homem respondeu: “AMARÁS O SENHOR, TEU DEUS, DE TODO O TEU CORAÇÃO, DE TODA A TUA ALMA, DE TODAS AS TUAS FORÇAS E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO; E: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO.” (Lucas 10:27) Com efeito, Jesus respondeu: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás.” Esse era o problema com a lei, ninguém poderia cumpri-la sem falhar, e por isso ninguém poderia ir para o céu por boas obras.

O intérprete da Lei sabia que estava em maus lençóis e tentou sair pela tangente (péssima escolha). Ele (como muitos advogados daquela época e de agora) pensou que poderia se livrar do problema discutindo em linguagem técnica. Por isso, fez outra pergunta a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Jesus não discutiu com o homem nos termos dele. Ele não estava disposto a discutir sobre a palavra no texto original. Em vez disso, ele contou uma historinha, a história do Bom Samaritano. Quando terminou, Jesus lhe fez uma pergunta simples:

“Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.” (Lucas 10:36-37)

O intérprete da Lei se deu mal; a história não continha detalhes técnicos sobre os quais ele pudesse tergiversar. A questão foi esclarecida, com pouca margem para discussão. Sem saída, ele sabia que a definição funcional de “próximo” feita por Jesus estava absolutamente certa. Ele não tinha para onde fugir. A história era uma armadilha; ia direto ao ponto ao mesmo tempo que evitava detalhes sem importância sobre os quais se pudesse debater durante horas. Não foi o intérprete da Lei que colocou Jesus em má situação com suas minúcias, foi Jesus que o colocou, com uma simples historinha.

Essa é uma das razões pelas quais Natã conta a história. Não é para dar uma cara nova ao pecado de Davi; mas para expor sua natureza, de forma que não seja negado. Tendo feito isso muito bem, Natã, então, lida com o pecado propriamente dito.

A história contada por Natã é muito simples. Dois homens vivem na mesma cidade; um é muito rico e o outro, muito pobre. O rico tem rebanhos e gado4. Ele não tem apenas um grande rebanho e uma grande manada de gado; ele tem muitos rebanhos e muitas manadas. Poderíamos dizer que o homem é “podre de rico”. O pobre nada mais tem do que uma cordeirinha, a qual é “de estimação”. Ele a comprou e criou em sua própria casa. O animalzinho passa muito tempo no seu colo, sendo carregado para cima e para baixo. Ele vive dentro de casa, não fora, e é alimentado pelo homem à sua mesa, comendo do seu prato e bebendo do seu copo. Alguns talvez nem consigam imaginar uma cena dessas. É um pensamento horroroso. Como alguém pode tratar um animal dessa forma? Só tenho uma resposta: Obviamente, quando chegam em casa, nunca foram recepcionados por dois gatos (os quais, para desgosto da minha esposa, estão por toda parte — e às vezes — em cima da mesa) e quatro cachorros (nenhum dos quais é nosso, tecnicamente).

O rico recebe um convidado inesperado e, como anfitrião, precisa dar-lhe de comer. Ele resolve preparar um cordeiro, mas não quer sacrificar nenhum animal do seu rebanho. Em vez disso, ele toma a cordeirinha do homem pobre, mata-a e a serve ao convidado, não sofrendo, dessa forma, nenhuma perda pessoal. Ele não só deixa o homem pobre (ou melhor, obriga-o a) arcar com a sua despesa, como o priva do seu único animal, o qual era como um membro da família.

Espero não estar tentando “enquadrar” a história quando ressalto os mesmos pontos enfatizados por ela — o relacionamento afetivo e amoroso entre o homem pobre e sua cordeirinha “de estimação”. Considerando isso, juntamente com as outras coisas que lemos sobre Urias, Bate-Seba e Davi, só posso concluir que o autor deixa muito claro o fato de Urias e Bate-Seba se amarem muito. Quando Davi “toma” Bate-Seba para levá-la ao seu quarto naquela noite fatídica, e depois a toma como esposa, após o assassinato de Urias, ele a toma do homem amado. Bate-Seba e Urias eram devotados um ao outro, o que acrescenta peso aos argumentos sobre ela não ter participado voluntariamente dos pecados de Davi. Isso também ressalta o caráter de Urias, alguém tão chegado a ela, tão pressionado pelo rei para ir ter com ela, mas que mesmo assim se recusa a fazê-lo por causa dos seus princípios.

Davi não percebe o que está por vir. A história de Natã o deixa furioso. Aquele Davi que uma vez esteve prestes a dar cabo de Nabal e de todos os homens da sua família (I Samuel 25), agora está suficientemente furioso para fazer o mesmo com o vilão da história de Natã. Em alguns aspectos, sua reação é meio exagerada. Ele me faz lembrar um pouco de Judá, em Gênesis 38, quando descobre que Tamar, sua nora, está grávida sem ser casada. Sem perceber que é o pai da criança em seu ventre, ele está pronto para vê-la queimar na fogueira. Como é irônico ver pessoas culpadas de um determinado pecado sendo tão intolerantes com esse mesmo pecado na vida dos outros.

Davi identifica dois males cometidos pelo homem rico dessa história fictícia. Primeiro, o homem roubou um cordeiro, pelo qual a lei prescrevia uma restituição de quatro vezes (Êxodo 22:1). Segundo, para ele, há um pecado maior, ou seja, a total falta de compaixão do homem. Davi fica furioso porque ele roubou e matou o animal de estimação do homem pobre. Davi ainda não viu a ligação com a sua própria falta de compaixão por roubar a companheira amada de um homem pobre, a esposa de Urias, Bate-Seba. A morte de Urias, com toda certeza, também é um ato decorrente da falta de compaixão. O toque final na demonstração de indignação de Davi é o caráter religioso que ele dá às palavras “Tão certo como vive o SENHOR” (verso 5).

A Acusação Formal feita por Natã
(12:7-12)

“Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas. Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o SENHOR: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.”

Davi acaba de acionar a armadilha contra si mesmo e Natã está prestes a informá-lo disso. A primeira coisa que Natã faz é acusá-lo dramaticamente: “Tu és o homem.” Num silêncio estonteante, Davi ouve as acusações contra si. Ele só pensa em termos dos males cometidos pelo rico contra o próximo, roubando-o e privando-o da companhia da sua ovelha. Colocando de outra forma, Davi só pensa em termos de criminalidade e comportamento socialmente inaceitável, não em termos de pecado. Nos versos 7 a 12, Natã chama sua atenção para o pecado cometido contra Deus e para as consequências pronunciadas por Ele em decorrência disso. Observe a repetição do pronome “Eu” nos versos 7 e 8: “Eu...

·         … te ungi rei

·         … te livrei das mãos de Saul

·         … dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor

·         … te dei a casa de Israel e de Judá

Deus fala com Davi como se este tivesse se esquecido dessas coisas, ou melhor, como se levasse o crédito por elas. Todas as suas posses lhe foram dadas por Deus. Teria se passado tanto tempo assim, desde a sua juventude como um humilde pastor de ovelhas, que ele tinha se esquecido? Davi é “rico” porque Deus o tornou rico. E se ele acha que não é rico o suficiente, Deus lhe dará ainda mais. Davi começou a se apegar à suas “riquezas” em vez de se apegar ao Deus que as deu a ele.

Receio que alguns de nós tendam a perder este ponto. Lemos a história de Natã e ouvimos sua repreensão como se o pecado de Davi fosse meramente sobre sexo. Davi realmente comete um pecado sexual quando toma Bate-Seba e se deita com ela, sabendo que ela é casada. Mas esse pecado sexual é apenas sintomático, de acordo com Natã, e portanto, de acordo com Deus. Deus não está só dizendo: “Toma vergonha, Davi. Veja todas as mulheres e concubinas com quem você poderia ter dormido. E, se nenhuma delas te agradasse, você poderia ter arranjado outra, uma que pelo menos não fosse casada.” Natã lhe conta a história do homem rico e do homem pobre. Deus lhe diz, por intermédio de Natã, que foi Ele quem lhe deu todos os seus bens (suas riquezas). Deus até mesmo aumentaria suas riquezas (não só o harém). As posses de Davi passaram a possuí-lo, esse foi o problema. Ele está tão “possuído” por suas riquezas que não está disposto a gastá-las. Ele quer cada vez “mais”, por isso começa a pegar aquilo que não é seu, em vez de pedir ao divino Doador de todos os seus bens.

Agora podemos entender porque Davi escreveu estas palavras no Salmo 51:4: “Pequei contra ti, contra ti somente.”

Antes de mais nada, o pecado de Davi é contra Deus. Ele deixou de humildemente reconhecer Deus como o Doador de todas as suas posses. Ele deixou de olhar para Deus como Provedor de todas as suas necessidades — e desejos. Davi não só deixou de pedir a Deus para suprir suas necessidades, como também desobedeceu Seus mandamentos quando cometeu adultério e assassinato. O pecado de Davi contra Deus se manifesta nos pecados cometidos contra os outros. Natã faz um resumo de tudo isso, empregando repetidamente o pronome “tu” (ou “te”):

(tu) desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele?

A Urias, o heteu, (tu) feriste à espada.

e a sua mulher (tu) tomaste por mulher.

depois de (tu) o matar(es) com a espada dos filhos de Amom.

Natã, então, anuncia as consequências irreversíveis que recairão sobre Davi e sua família por causa do seu pecado:

Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.

Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti,

tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo

o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol.

Porque tu o fizeste em oculto,

mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.

O mal cometido por Davi contra outras pessoas é clara desobediência contra a Palavra revelada de Deus. Davi é “um homem segundo o coração de Deus”, mas, neste caso, ele “desprezou a palavra do SENHOR”. Embora Davi realmente se arrependa e seu pecado seja perdoado, as consequências não serão revertidas. As consequências são justas; são adequadas ao crime cometido por Davi. Ele usou a espada dos amonitas para matar Urias, por isso, a espada não se afastará da sua casa. Ele tomou a esposa de outro homem, por isso, suas esposas serão tomadas por outro homem, alguém da sua própria casa.

As consequências não são apenas apropriadas, elas também são intensificadas. Davi tomou a esposa de um homem; outro tomará várias de suas esposas. Isso acontecerá quando Absalão se rebelar contra o governo do pai e, temporariamente, assumir seu trono. Seguindo o conselho de Aitofel, ele armará uma tenda no telhado do palácio de Davi (de onde este olhou pela primeira vez para Bate-Seba) e ali, à vista de todo Israel, se deitará com as concubinas de Davi, como uma declaração de que assumiu o trono e tudo o que veio com ele (II Samuel 16:20-22). Embora Davi tente cometer seus pecados em oculto, Deus cuida para que as consequências sejam bem visíveis.

Conclusão

Como todos sabem, a história continua, mas nós vamos parar por aqui, depois de ter analisado a repreensão divinamente orientada de Natã a Davi. Na próxima lição meditaremos sobre o arrependimento de Davi e as consequências imediatas do seu pecado. Contudo, vamos concluir esta mensagem considerando algumas lições muito importantes que devemos aprender com o pecado de Davi e a repreensão de Natã.

1. Natã é um profeta, mas é também exemplo de um amigo fiel. Provérbios coloca isso desta forma:

“Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Provérbios 27:6)

Não sei quantas pessoas conheço que se recusaram a repreender ou mesmo advertir alguém próximo a elas por acharem que serão mais amigas se não os censurarem. Um bom amigo não nos deixa continuar no caminho da destruição. Natã estava agindo como profeta, mas também como amigo. Quem dera tivéssemos mais profetas-amigos. Quem dera fôssemos um profeta-amigo para quem está no caminho da destruição.

2. Deus vê nosso pecado mesmo quando os homens não veem. Nossos pecados nunca passam despercebidos por Deus. Os ímpios se recusam a acreditar que Ele veja seu pecado, ou se acreditam, acham que Ele nunca irá tomar uma atitude: “E dizem: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?” (Salmo 73:11; veja também II Pedro 3:3 e ss).

Deus pode demorar para julgar ou disciplinar, mas Ele nunca ignora o pecado.

“Então, Moisés lhes disse: Se isto fizerdes assim, se vos armardes para a guerra perante o SENHOR, e cada um de vós, armado, passar o Jordão perante o SENHOR, até que haja lançado fora os seus inimigos de diante dele, e a terra estiver subjugada perante o SENHOR, então, voltareis e sereis desobrigados perante o SENHOR e perante Israel; e a terra vos será por possessão perante o SENHOR. Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o SENHOR; e sabei que o vosso pecado vos há de achar.” (Números 32:20-23, ênfase minha).

3. Deus não é obrigado a nos impedir de pecar. Algumas vezes, as pessoas justificam seus pecados dizendo: “Tenho orado a Deus e pedido para Ele me deter se isso for errado...” Quando Deus não as detém, elas acabam presumindo que aquilo era certo. Deus poderia ter detido Davi depois que ele decidiu ficar em casa e não ir à guerra, ou quando começou a desejar a esposa de Urias, ou após ter cometido adultério, mas, durante algum tempo, Ele o deixou persistir no pecado. Deus até mesmo o deixou safar-se do assassinato de Urias, temporariamente. A Palavra de Deus proibia os pecados praticados por Davi: cobiça, adultério e assassinato. A Palavra de Deus ordenava que ele parasse, mas ele não parou. Deus permitiu sua persistência no pecado durante um determinado período, mas não indefinidamente. Deus deixou o pecado de Davi completar seu ciclo e desabrochar totalmente a fim de que ele (assim como nós) pudesse perceber como o pecado cresce (veja Gênesis 15:12-16).

4. O pecado de Davi não serve como desculpa para pecarmos, mas como alerta sobre a nossa capacidade de pecar. Tenho ouvido esta frase muito mais vezes do que gostaria: “Bem, até Davi pecou...” Na verdade, isso significa: “Como esperam que eu não peque? Se até Davi, tão espiritual como ele era, pecou, porque acham que eu poderia fazer melhor?”

Se olharmos atentamente para a Bíblia, veremos porque histórias como essa foram escritas. Não foi para nos incentivar a pecar, mas para nos advertir sobre os perigos do pecado e, assim, nos encorajar a evitá-lo a qualquer custo. Em I Coríntios 10:1-10, depois de fazer um resumo dos pecados da nação de Israel no deserto, Paulo aplica a lição da história aos coríntios, e, dessa forma, a nós:

“Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.  Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (I Coríntios 10:11-13; ver também Romanos 15:4-6)

Permitam-me ir um pouco mais além neste assunto. Davi não planejou pecar, como muitos desejam fazer, usando o seu pecado como desculpa. Davi “caiu” em pecado; aqueles que desejam usar o pecado de Davi como desculpa, “mergulham de cabeça”. Existe uma grande diferença. Além disso, o pecado na vida de Davi foi uma exceção, não a regra:

“Porquanto Davi fez o que era reto perante o SENHOR e não se desviou de tudo quanto lhe ordenara, em todos os dias da sua vida, senão no caso de Urias, o heteu.” (I Reis 15:5, ênfase minha).

5. O pecado de Davi, como todo pecado, não vale a pena. É incrível, mas muitas pessoas me perguntam qual seria a penalidade para um determinado pecado, planejando cometê-lo e depois ser perdoado. Há quem brinque com isso, pensando que, se pecarem talvez sofram algumas consequências, mas Deus terá de perdoá-los; e assim, seu futuro eterno é certo e garantido, não importa o que façam, mesmo intencionalmente. Sei do caso de um líder de uma igreja que abandonou a esposa e fugiu com a mulher de outro homem, planejando se arrepender depois e ser recebido de volta à comunhão. Isso é pecado deliberado; e do tipo mais grave e mais perigoso. Nesta mensagem, em vez de abrir agora a “caixa de Pandora”, permitam-me dizer simplesmente: “Ninguém resolve pecar e depois sai por aí com um sorriso no rosto.”

Antigamente, eu lecionava em uma escola. De tempos em tempos, algum aluno desordeiro era chamado ao gabinete do Diretor. Nunca vou me esquecer do dia em que um dos meus alunos foi chamado à sua sala e voltou com um sorriso atrevido no rosto. Um outro aluno reclamou abertamente: “O senhor não vai dar um jeito nisso? Ele foi parar na Diretoria e ainda voltou sorrindo!” Meu jovem aluno tinha toda razão. Ser chamado ao gabinete do Diretor para ser disciplinado deveria produzir arrependimento e respeito, não um sorriso. Nas poucas vezes em que achei necessário usar a “vara” da disciplina, não foi porque eu queria que o aluno voltasse à sala de aula com um sorriso no rosto, e nenhum voltou (inclusive o filho do Diretor, devo acrescentar, o qual nem estava na minha classe).

Nunca conheci um cristão que tenha decidido pecar e, depois de tudo acabado, tenha sentido que valeu a pena. O pecado de Davi e suas consequências não devem nos incentivar a fazer o mesmo, mas nos motivar a evitá-lo a todo custo. As consequências negativas do pecado são muito mais pesadas do que seus prazeres momentâneos. O pecado nunca vale a pena, mesmo para quem é perdoado.

6. Foi a história da morte de uma cordeirinha que revelou a imensidão do pecado de Davi. É a história da morte do Cordeiro de Deus que revela a imensidão dos nossos pecados. Não é incrível que Davi esteja tão cego por seu próprio pecado a ponto de não conseguir enxergá-lo? Só pela história da morte de um animal de estimação de um homem pobre ele pôde compreender a imensidão do seu próprio pecado. Ele só conseguiu enxergar quando ouviu a história do que parecia ser o pecado de outra pessoa.

É exatamente isso o que a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo faz por nós. Nós estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:1-3). Estávamos cegos pela imensidão dos nossos pecados (II Coríntios 4:4). A vinda do nosso Senhor Jesus Cristo à terra, Sua vida perfeita, Sua morte sacrificial, Sua ressurreição física literal, são todos acontecimentos históricos. Mas o evangelho também é história, uma história verdadeira. Quando lemos os Evangelhos do Novo Testamento, lemos uma história muito mais dramática, incrível e perturbadora do que a história contada por Natã a Davi. Quando vemos a forma como os incrédulos trataram nosso Senhor, ficamos chocados, horrorizados e furiosos. Gostaríamos de gritar: “Eles mereciam morrer!” E mereciam mesmo. Mas o evangelho não foi escrito só para nos mostrar os seus pecados — das pessoas que ouviram pessoalmente Jesus e gritaram “Crucifica-O, Crucifica-O” — o evangelho foi escrito para que o Espírito de Deus diga ao nosso coração “Tu és o homem”. Quando vemos a maneira como os homens trataram Jesus, vemos a maneira como nós O trataríamos, se estivéssemos lá. Vemos como O tratamos hoje. E isso, meu amigo, revela a imensidão do nosso pecado, e a imensidão da nossa necessidade de arrependimento e perdão.

O evangelho de Jesus Cristo é “boa nova”. A “boa nova” é que a morte de nosso Senhor, a qual revela a imensidão do nosso pecado, é a imensa obra de Deus pela qual Ele pode e irá nos perdoar desses pecados. Por Sua morte sacrificial, Jesus morreu em nosso lugar e pagou a pena pelos nossos pecados. Ele os carregou sobre Si na cruz! E, crendo na Sua morte, sepultamento e ressurreição, morremos para o pecado e ressuscitamos para a novidade da vida eterna, em Cristo. O evangelho, antes de mais nada, deve nos conduzir ao reconhecimento da magnitude do nosso pecado, e da nossa culpa, para depois nos levar à grandeza da graça de Deus em Jesus Cristo, pela qual somos perdoados. Vocês já perceberam como seus pecados são grandes diante de um Deus santo? Então, digo-lhes que experimentem como é grande a salvação propiciada por esse mesmo Deus, por meio da morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Que Salvador!

“Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Provérbios 5:22)

“Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte.” (Provérbios 8:36)

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13)

Tradução: Mariza Regina de Souza


1 Nota da tradutora: trocadilho intraduzível para o português.

2 Devo dizer também que outras versões parecem não seguir o padrão da NASB ao tratar essas palavras como poesia.

3 Nota da tradutora: Provavelmente Mr. Deffinbaugh se enganou ao escrever “pode ser comparado ao dono pobre da ovelha”, pois não faz sentido comparar alguém a ele mesmo.

4 A expressão “rebanhos e gado” ocorre com bastante frequência na Bíblia. O termo “rebanho” se refere aos animais menores, como ovelhas e cabras. “Gado” se refere aos animais maiores, como bois e vacas.