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7. Edificando A Casa De Deus (II Samuel 7:1-29)

Introdução

Um dos meus filmes favoritos é “Crocodilo Dundee”, e umas das minhas cenas prediletas é aquela em que Dundee está em Nova York, andando pela cidade com a namorada. De repente, uma gangue de ladrões sai de um beco escuro. Um dos bandidos o ameaça com uma faca e exige que Dundee lhe entregue seus pertences. Calmamente, Dundee olha para eles antes de responder: “Isso não é uma faca... esta é uma faca! Aí ele puxa uma faca imensa, que faz a navalha do pretenso bandido parecer um canivete, enquanto a gangue se manda.

Essa cena me faz lembrar do nosso texto. Davi acabou de concluir a construção de seu palácio. Ele olha para fora e vê a arca do Senhor, alojada em uma tenda, e se põe a pensar... um plano começa a se delinear na sua cabeça. Por que não construir uma casa para Deus, um templo? Assim, ele chama seu amigo e confidente, o profeta Natã, e lhe dá uma ideia do que pretende. Natã consente rapidamente, achando que o plano de Davi para a tal “casa” agradará a Deus. No entanto, naquela noite, Natã é corrigido por Deus e tem de voltar a Davi com sua avaliação profética revisada. Por intermédio de Natã, Deus fala com Davi. É como se Deus estivesse olhando de cima para a planta desenhada por Davi para a “casa” de Deus. Ele, então, olha para Davi e diz: “na verdade, Davi, isso aí não é uma casa... isto é uma casa”. Se Davi pensa que pode edificar uma casa para Deus, ele está muito enganado. É Deus quem planeja edificar uma “casa” para ele. E que casa será! Atentemos para as palavras de nosso texto e aprendamos que tipo de casa Deus edificará para Davi, e como ela será maior do que a casa-templo que Davi quer edificar para Ele.

Este é um texto importantíssimo no Antigo Testamento. Mal podemos avaliar sua importância não só para Davi, como também para Israel e para toda a humanidade.

“Walter Brueggemann considera esta história de Davi e Natã como o ‘centro dramático e teológico de toda a obra de Samuel... um dos textos do Antigo Testamento mais importantes para a fé evangélica.’”

O texto contém aquilo que os teólogos costumam chamar de “a aliança davídica”, uma das grandes alianças da Bíblia. Nesta mensagem, tentaremos investigar o seu significado e a sua importância.

O Plano De Davi E A Aprovação Do Profeta
(7:1-3)

“Sucedeu que, habitando o rei Davi em sua própria casa, tendo-lhe o SENHOR dado descanso de todos os seus inimigos em redor, disse o rei ao profeta Natã: Olha, eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda. Disse Natã ao rei: Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o SENHOR é contigo.”

Davi percorreu um longo caminho desde os seus dias de pastor de ovelhas quando jovem. Mal tinha começado a ficar claro para ele que Deus o estabelecera como rei sobre Israel (II Samuel 5:12). Por duas vezes, os filisteus procuraram destruí-lo e, por duas vezes, ele os derrotou. Os inimigos ao redor de Israel, neste momento, estão em paz com Davi. Com a ajuda de Hirão, rei de Tiro, ele conclui seu próprio palácio e agora vive em majestoso esplendor. Agora ele tem tempo para se dedicar a outros empreendimentos.

Após a primeira tentativa frustrada, a arca de Deus foi trazida com êxito para Jerusalém e alojada em uma tenda. Talvez Davi tenha olhado de cima de seu palácio e seus olhos tenham se fixado na tenda do tabernáculo, onde a arca era mantida. De alguma forma, pareceu-lhe inadequado viver luxuosamente enquanto a arca ficava num lugar tão simples e aparentemente provisório. Ele, então, tem a ideia de construir uma outra casa; esta segunda casa será um templo, onde a arca poderá ser guardada em um ambiente bem mais apropriado.

Davi já se decidiu. É isso o que ele fará. Por isso, confidencia seu plano ao profeta Natã, que também parece ser amigo e confidente do rei. Como um gesto tão generoso poderia estar errado? Por que Deus não deveria ter um lugar de habitação mais adequado? E assim, sem consultar a Deus, Natã dá permissão a Davi para ir em frente. Basicamente, ele diz: “Parece ótimo para mim e estou certo de que para Deus também.” Em termos bíblicos: “Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o SENHOR é contigo” (verso 3).

VIsão E Revisão
(7:4-7)

“Porém, naquela mesma noite, veio a palavra do SENHOR a Natã, dizendo: Vai e dize a meu servo Davi: Assim diz o SENHOR: Edificar-me-ás tu casa para minha habitação? Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas tenho andado em tenda, em tabernáculo. Em todo lugar em que andei com todos os filhos de Israel, falei, acaso, alguma palavra com qualquer das suas tribos, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro?”

Lembro-me de que, anos atrás, fiz parte da administração de uma pequena faculdade. Na verdade, eram duas escolas. Uma delas era uma faculdade e a outra, um programa de recuperação escolar, destinado a preparar jovens com deficiência educacional para o nível universitário. Eu não fazia parte da faculdade, e sim desse programa. Certa vez, quando a faculdade estava precisando de um professor, achei que tinha o candidato perfeito. O problema era que o reitor já tinha feito sua escolha. Imprudentemente, falei com o presidente das duas escolas e ele me incentivou a levar minha ideia ao reitor. Não foi uma boa coisa. A resposta do reitor à minha sugestão me pegou completamente desprevenido. “Senhor Deffinbaugh”, respondeu ele bem irritado, “quem dirige esta escola, o senhor ou eu?” Epa! Fiz besteira. A propósito, ele tinha razão. Minha ideia era apenas uma ideia, e não era eu quem dirigia a escola.

Natã certamente poderia compartilhar da forma como me senti naquele dia. No meio da noite, Deus lhe dá uma revelação direta, que ele deve transmitir a Davi. De certa forma, isso coloca os dois no devido lugar. Como eu, Davi tinha uma ideia brilhante, mas que não correspondia ao plano de Deus. A pergunta que Deus faz a Davi dá o tom do que vem a seguir: “Edificar-me-ás tu casa para minha habitação?” Epa! Gosto do jeito como Eugene Peterson coloca esse ponto:

“Entretanto, há ocasiões em que, depois de uma noite de oração, nossos planos mirabolantes para fazer algo para Deus são vistos apenas como um grande espetáculo humano daquilo que Deus está fazendo por nós. Foi isso o que Natã percebeu naquela noite: Deus lhe mostrou que os planos de Davi interfeririam em Seus planos para ele.”

Antes de prosseguirmos, tenho que ressaltar alguns detalhes importantes. Repare que os versos 1 a 3 se referem a Davi como rei, mas quando Deus se refere a ele, Ele o chama de meu servo Davi (verso 5). Creio que posso sugerir que Davi está um pouco consciente demais de sua posição como rei. Em relação ao povo de Israel (e aos de fora a quem isso importa), Davi é a maior autoridade do país. No entanto, em relação a Deus, ele é simplesmente um servo. Ele mora num palácio e Deus numa tenda, pelo menos em sua cabeça. Até parece que ele está querendo dar uma mãozinha para Deus. Seria a mesma coisa que eu, vestindo um smoking, enviasse a Ross Perot (um dos homens mais ricos do mundo) um vale-presente para que ele comprasse algumas roupas decentes. Creio que é por isso que Deus vem colocar Davi no seu devido lugar, primeiro referindo-se a ele como Seu servo, depois dizendo-lhe: “Quem é você para edificar uma casa para mim?”

Devemos observar ainda um outro detalhe, que é o exato valor de um templo, em contraste com o tabernáculo, conforme ressaltado por Estêvão em Atos 7:

“O tabernáculo do Testemunho estava entre nossos pais no deserto, como determinara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto. O qual também nossos pais, com Josué, tendo-o recebido, o levaram, quando tomaram posse das nações que Deus expulsou da presença deles, até aos dias de Davi. Este achou graça diante de Deus e lhe suplicou a faculdade de prover morada para o Deus de Jacó. Mas foi Salomão quem lhe edificou a casa. ENTRETANTO, NÃO HABITA O ALTÍSSIMO EM CASAS FEITAS POR MÃOS HUMANAS; COMO DIZ O PROFETA: O CÉU É O MEU TRONO, E A TERRA, O ESTRADO DOS MEUS PÉS; QUE CASA ME EDIFICAREIS, DIZ O SENHOR, OU QUAL É O LUGAR DO MEU REPOUSO? NÃO FOI, PORVENTURA, A MINHA MÃO QUE FEZ TODAS ESTAS COISAS? (Atos 7:44-50)

Estêvão fora levado perante o Sinédrio sob acusações forjadas, uma das quais era que ele falava contra o templo (Atos 6:13). Ele não negou a acusação feita por testemunhas falsas. Em vez disso, ele se defendeu mostrando pelas Escrituras do Antigo Testamento que Deus não estava tão impressionado com o templo quanto os judeus estavam. Ele argumentou que Deus dera a Israel o tabernáculo, e que o templo fora ideia de Davi. Ele, então, passou a mostrar que o Deus que criou todas as coisas certamente não poderia ser confinado a uma habitação feita por mãos humanas. Em suma, Deus não precisava de um templo, e Ele não o pediu. Ele permitiu que o filho de Davi o construísse porque Davi o queria. Não era errado; simplesmente não era ideia Sua. Deus não precisava de um templo e, para alguns, um templo transmitiria a mensagem errada.

O livro de II Samuel 7 está de acordo com o argumento de Estêvão. Nos versos 6 a 11a, Deus explica a Davi porque não precisa de um templo feito por ele. A primeira razão está no verso 6 e pode ser resumida nestas palavras: “Se não está quebrado, não tente consertá-lo”. Pense nisso. Por que comprar um carro novo se o carro atual está em perfeitas condições? Quando Deus deu a lei a Moisés, Ele lhe disse como o tabernáculo deveria ser construído. Durante a história de Israel, desde o monte Sinai até o reinado de Davi, o tabernáculo funcionara sem nenhum problema. Deus esteve com Seu povo enquanto a arca esteve no tabernáculo. E, quando o povo se mudou de um lugar para outro, o tabernáculo e arca foram junto. Deus esteve com eles onde quer que estivessem. Ele lhes deu a vitória sobre seus inimigos. Deu-lhes a posse da terra prometida. A história de Israel dava testemunho do fato de que nada havia para ser consertado; o tabernáculo prestou muito bem o seu serviço. Se não está quebrado, não conserte!

No verso 7, Deus dá ainda outra razão para não haver necessidade real de um templo: “Eu não pedi um templo. No monte Sinai, Deus deu a lei a Israel por intermédio de Moisés e, nessa lei, Ele especificou como o tabernáculo deveria ser construído, como deveria ser removido e quem deveria cuidar dele. Deus ensinou aos israelitas como construir o tabernáculo; Ele nem mesmo lhes pediu um templo. Se um templo fosse necessário, certamente Ele teria pedido um e, desde que não pediu, devemos concluir que ele não era necessário.

Nos versos 8 a 11a Deus chega ao âmago da questão. Gostaria que observassem quantas vezes o pronome “eu” é utilizado. A seção claramente se concentra em Deus. Gosto da maneira como Peterson coloca a questão:

“A mensagem que Natã transmite a Davi é um verdadeiro recital daquilo que Deus já fez, está fazendo e ainda fará. Deus é o sujeito em primeira pessoa de vinte e três verbos nesta mensagem, e todos são verbos de ação. Davi, que só pensa naquilo que fará para Deus, agora é submetido a uma exaustiva repetição de tudo o que Deus já fez, está fazendo e ainda fará nele e por ele. O que antes parecia um empreendimento arrojado de Davi para Deus, agora parece uma coisinha de nada.”

Será que Davi quer dar uma mãozinha para Deus, edificando-Lhe uma casa melhor para habitar? Deus o relembra de Quem cuida de quem. Será que Davi queria fazer algo grandioso, como edificar um templo para Deus? A história o relembra (e a nós também) de que é sempre Deus quem nos ajuda, e não nós a Ele. Davi, o servo de Deus, deve se lembrar de que foi o Senhor que o tirou dos pastos, de detrás das ovelhas (não da frente), e o tornou governante de todo Israel (verso 8). Deus esteve com ele onde quer que ele estivesse, e foi Deus quem entregou seus inimigos em suas mãos, o que lhe granjeou fama e reputação. É sempre Deus que vem em auxílio do homem, não o homem que vai em socorro de Deus.

No verso 10 há uma mudança significativa no tempo verbal. Os verbos anteriores estão no pretérito, referindo-se àquilo que Deus fez no passado. Agora, no verso 10, os verbos estão no futuro. Depois de mostrar a Davi tudo o que fez por ele e por Israel no passado, Deus continua, dizendo algo assim: “Davi, meu servo, você ainda não viu nada. O melhor ainda está por vir.” Deus promete preparar um lugar onde o Seu povo será plantado. Eles terão o seu próprio lugar (da mesma maneira que Davi pretendia dar a Deus “o Seu próprio lugar”) e habitarão em paz, pois os ímpios não mais os afligirão. Não será mais como costumava ser desde a época dos juízes até o presente. Deus dará a Davi descanso de seus inimigos. Ousaria Davi pensar que poderia fazer algo para Deus? Foi Deus quem lhe deu tudo o que ele tinha e era Deus quem lhe daria ainda muito mais.

Surge, então, uma pergunta: quando é que são cumpridas estas promessas para Davi? É óbvio que aqui ainda não foram, pois são expressas como uma realidade futura. Alguns podem pensar que seu cumprimento esteja nos capítulos seguintes (8 a 10), quando Davi prevalece sobre todos os inimigos que cercam Israel. Não creio que possamos ver sua total realização nos dias de Davi; nem mesmo nos dias de seu filho Salomão. Creio que isso só ocorrerá com a vinda do reino de Deus, quando o Senhor Jesus Cristo subjugar todos os Seus inimigos e estabelecer o Seu reino sobre a terra. É no tempo falado nos últimos capítulos do livro de Isaías. Estas promessas são dadas a Davi aqui porque abrem caminho para a promessa que Deus irá cumprir nos versos seguintes, ou seja, a edificação de uma “casa” para ele.

A Casa Que Deus Edificará Para Davi: O Anúncio Da Aliança Davídica
(71:11b-17)

“Dar-te-ei, porém, descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que ele, o SENHOR, te fará casa. Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre. Segundo todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.”

A história deste capítulo começa com Davi pretendendo edificar uma casa (um templo) para Deus. Deus ternamente o repreende por esse plano mirabolante. Davi adotou a postura errada, de ajudar a Deus em vez de ser constantemente amparado por Ele. Deus cuidou muito bem de Seu povo quando Se associou à arca e ao tabernáculo. Ele não pediu um templo, pois não precisava de um. Deus sempre esteve por trás de todo o sucesso de Davi, e agora está lhe prometendo glórias ainda maiores. Assim, Deus volta à questão da “casa”. Será que Davi vai edificar uma casa para Deus? Não, não vai, embora seu filho vá. No entanto, Deus diz que Ele irá edificar uma “casa” para Davi. Os detalhes a respeito dessa “casa” são mostrados nos versos 12 a 17.

Esta profecia, como muitas outras, tem um cumprimento próximo e outro futuro. O cumprimento próximo está em Salomão, o segundo filho de Davi com Bate-Seba. Ele é quem tomará o lugar de Davi e reinará em Israel após sua morte. Sabemos que as palavras de Natã devem se referir a Salomão, pois incluem o fato de que o “filho” de Davi pecará e de que Deus o corrigirá. Esta afirmação não pode ser feita em relação ao Messias, o Filho de Davi que virá para tirar o pecado do mundo e Se assentar no trono de Seu pai, Davi. Diferentemente de Saul, cuja dinastia foi afastada, a “casa” de Davi (seus descendentes) será uma dinastia, e reinará sobre Israel.

Os descendentes de Davi - sua “casa” - desfrutarão de um relacionamento único e privilegiado com Deus. Esse relacionamento é descrito como um relacionamento entre pai e filho, ou devo dizer entre Pai e filho (e entre Pai e Filho). Na Bíblia, ser “filho”, às vezes, significa muito mais do que ser apenas um descendente físico do pai. O termo “filho” é empregado para designar aquele que governa em lugar de outro (o pai). Adão era “filho de Deus” no sentido de que ele dominava sobre a criação como agente de Deus (ver Lucas 3:38). Satanás e os anjos também são apresentados como filhos” de Deus nesse sentido. Aqui, Salomão também desfruta de um relacionamento de Pai e filho com Deus.

Nesse sentido, ninguém se torna “filho” ao nascer; um rei só se torna “filho” de Deus quando Ele o instala no trono:

“Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro.” (Salmo 2:4-9, ênfase minha).

É exatamente isso o que Deus diz ao Senhor Jesus Cristo. Deus O chama de “Filho” no dia do Seu batismo (Mateus 3:17, Marcos 1:11, Lucas 3:22) e na Sua transfiguração (Mateus 17:5, Marcos 9:7, Lucas 9:35). Pedro faz menção destas palavras, ligando-as à transfiguração (II Pedro 1:17). O escritor da carta aos Hebreus também faz uso delas como prova de que Jesus é o Messias prometido aos judeus (1:5, 5:5). Em 5:5, ele especificamente se refere ao texto de II Samuel 7:14 como tendo cumprimento em Cristo. Em Atos 13:33, Paulo alude às palavras do Salmo 2 como tendo cumprimento em Cristo, especialmente com relação a Sua ressurreição dos mortos.

A palavra “filho” ou “filhos” é usada ainda com referência àqueles que têm fé em Jesus Cristo. Quando somos salvos pela fé, tornamo-nos “filhos” de Deus. O termo “filhos” não significa apenas isso, mas também que seremos aqueles que reinarão com Ele:

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:18-23)

Quando Cristo voltar à terra e formos ressuscitados dos mortos, seremos adotados como filhos em Cristo, e reinaremos com Ele por toda a eternidade.

Davi terá filhos e esses filhos se tornarão “filhos” de Deus porque reinarão sobre Israel. Contudo, ainda haverá um “filho” muito especial, por meio do qual todas as promessas de Deus feitas aqui e em outros lugares (relativas ao Seu reino) serão cumpridas, quer na Sua primeira vinda quer no Seu retorno à terra. Davi terá muitos filhos, os quais reinarão depois dele, e ele e seus filhos se tornarão “filhos” de Deus. Entretanto, a maior de todas as promessas é que esse “filho” muito especial virá, como descendente de Davi, e Seu reino será eterno. É nesse “Filho” que todas as esperanças de Davi, todas as esperanças de Israel e todas as nossas esperanças são cumpridas. E essa é a essência da aliança davídica. Deus dará filhos a Davi que reinarão em seu lugar, mas a Sua promessa será cumprida plena e finalmente no “Filho” especial que ainda virá.

Estas palavras, ditas por Natã, são a genuína palavra de Deus. Elas são dadas a Natã numa visão, que exige uma “revisão” da permissão dada por ele a Davi para edificar uma casa para Deus. Deus, portanto, fala a Davi por intermédio de Natã. Com certeza esta é a palavra de Deus.

A Reação De Davi
(7:18-29)

“Então, entrou o rei Davi na Casa do SENHOR, ficou perante ele e disse: Quem sou eu, SENHOR Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? Foi isso ainda pouco aos teus olhos, SENHOR Deus, de maneira que também falaste a respeito da casa de teu servo para tempos distantes; e isto é instrução para todos os homens, ó SENHOR Deus. Que mais ainda te poderá dizer Davi? Pois tu conheces bem a teu servo, ó SENHOR Deus. Por causa da tua palavra e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza, dando-a a conhecer a teu servo. Portanto, grandíssimo és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus além de ti, segundo tudo o que nós mesmos temos ouvido. Quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem tu, ó Deus, foste resgatar para ser teu povo? E para fazer a ti mesmo um nome e fazer a teu povo estas grandes e tremendas coisas, para a tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egito, desterrando as nações e seus deuses?Estabeleceste teu povo Israel por teu povo para sempre e tu, ó SENHOR, te fizeste o seu Deus. Agora, pois, ó SENHOR Deus, quanto a esta palavra que disseste acerca de teu servo e acerca da sua casa, confirma-a para sempre e faze como falaste. Seja para sempre engrandecido o teu nome, e diga-se: O SENHOR dos Exércitos é Deus sobre Israel; e a casa de Davi, teu servo, será estabelecida diante de ti. Pois tu, ó SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, fizeste ao teu servo esta revelação, dizendo: Edificar-te-ei casa. Por isso, o teu servo se animou para fazer-te esta oração. Agora, pois, ó SENHOR Deus, tu mesmo és Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens prometido a teu servo este bem. Sê, pois, agora, servido de abençoar a casa do teu servo, a fim de permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó SENHOR Deus, o disseste; e, com a tua bênção, será, para sempre, bendita a casa do teu servo.”

Precisamos atentar para o princípio da proporcionalidade neste capítulo. Dois versos são dedicados ao desejo expresso por Davi de edificar uma casa para Deus (1 e 2). Um é dedicado à resposta impensada de Natã (3). Os versos 4 a 17 registram a visão na qual Natã recebe a revelação de Deus e a transmite para Davi (14 versos no total). Os últimos 12 versos registram a reação de Davi a essa revelação. Agora a “casa” de Davi está em ordem. Agora ele vê as coisas do ponto de vista de Deus. Os versos finais do capítulo 7 são sua resposta à aliança davídica. O que quero dizer é que eles também fornecem um padrão para o nosso culto.

Os versos 18 a 21 são expressão da humildade reconquistada por Davi, da reorganização da sua auto-avaliação. Eis o tipo de auto-estima que deve caracterizar todos os cristãos, especialmente (mas não exclusivamente) no culto. No início do capítulo 7, Davi está meio cheio de si. Nos três primeiros versos, ele é chamado de “rei” três vezes. O verso 18 também se refere a ele como “rei”, mas apenas para destacar sua mudança de atitude do início do capítulo. Não há outra referência neste texto.

Será que Davi está impressionado com sua posição e poder, com ser rei? Será que ele pensa mais em termos daquilo que pode fazer para Deus do que daquilo que Deus tem feito e fará para ele? Bem, parece que sim, pelo menos por enquanto. Nos versos 18 a 21, em vez de encontrarmos três vezes a palavra “rei”, encontramos a palavra “servo”. Isso nos surpreende? É assim que Deus o chama no verso 5. Davi agora sente profundo respeito pelo fato de Deus tê-lo tomado, um homem sem nenhum status ou posição, e tê-lo feito rei de Israel. Deus também o relembrou disso por intermédio de Natã (ver versos 8 e 9). Davi vê sua posição e seu status como rei de Israel como resultado da graça soberana de Deus, não como reconhecimento de sua possível grandeza. É incrível como o orgulho e a arrogância distorcem nossa opinião. Não é de admirar que a humildade seja o ponto de partida, o pré-requisito, para a sabedoria (Provérbios 11:2; 15:33; 18:12; 22:4; 29:13).

Agora Davi está começando a andar com o pé direito. Ele se vê como realmente é aos olhos de Deus. Ele reconhece sua fraqueza, sua insignificância. Ele fica impressionado e maravilhado com o fato de Deus o ter escolhido para usá-lo. Ele não está ensoberbecido pelo seu poder como rei de Israel, mas humilhado pela consciência de que Deus o usa como Seu servo. E, nos versos 22 a 24, ele agradece a Deus e O louva pelo que Ele é, pelas obras maravilhosas que fez no passado em favor dele e de Israel. O verso 22 resume a auto-revelação de Deus no passado de Israel. Só Deus é Deus. Não há outro além Dele, não há Deus como Ele. Ele é Deus grande e temível. Isto está em harmonia com tudo o que ouviram Dele e a respeito Dele.

Deus fez grandes coisas para Davi, mas estas não são para ele. Deus agiu na vida dele e por meio dele para tornar possível o cumprimento de Suas promessas à nação de Israel. Os versos 23 e 24 recontam a grandeza de Deus relevada em Seus atos em benefício de Seu povo, Israel. Estes versos soam muito parecidos com as palavras ditas por Deus por intermédio de Moisés em Deuteronômio:

“Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?... Agora, pois, pergunta aos tempos passados, que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tamanha como esta ou se se ouviu coisa como esta; ou se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo, como tu a ouviste, ficando vivo; ou se um deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo, com provas, e com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão poderosa, e com braço estendido, e com grandes espantos, segundo tudo quanto o SENHOR, vosso Deus, vos fez no Egito, aos vossos olhos. A ti te foi mostrado para que soubesses que o SENHOR é Deus; nenhum outro há, senão ele. Dos céus te fez ouvir a sua voz, para te ensinar, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo, e do meio do fogo ouviste as suas palavras. Porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles, e te tirou do Egito, ele mesmo presente e com a sua grande força, para lançar de diante de ti nações maiores e mais poderosas do que tu, para te introduzir na sua terra e ta dar por herança, como hoje se vê.” (Deuteronômio 4:7-8; 32-38)

Davi vê a si mesmo como Israel deveria se ver. Não foi por sua grandeza, por seu tamanho ou por seus méritos que Deus quis abençoá-los. Foi por Sua graça soberana, independentemente de obras ou méritos:

“Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste; e, quando comeres e te fartares, guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás.” (Deuteronômio 6:10-13)

“Comerás, e te fartarás, e louvarás o SENHOR, teu Deus, pela boa terra que te deu. Guarda-te não te esqueças do SENHOR, teu Deus, não cumprindo os seus mandamentos, os seus juízos e os seus estatutos, que hoje te ordeno; para não suceder que, depois de teres comido e estiveres farto, depois de haveres edificado boas casas e morado nelas; depois de se multiplicarem os teus gados e os teus rebanhos, e se aumentar a tua prata e o teu ouro, e ser abundante tudo quanto tens, se eleve o teu coração, e te esqueças do SENHOR, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão, que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de secura, em que não havia água; e te fez sair água da pederneira; que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheciam; para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem. Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê.” (Deuteronômio 8:10-18)

Davi cai na mesma armadilha contra a qual Deus prevenira Israel. Ele começa a tomar para si o crédito pelas coisas que Deus faz. Ele começa a achar que Deus precisa dele, em vez de adorá-lo como uma criatura dependente. Quando passa a ver a vida do ponto de vista de Deus, ele percebe como realmente ela é. Ele a vê como Israel deveria ver. Agora ele pensa claramente, por isso, reconhece que tanto ele quanto Israel são importantes devido a graça de Deus e nada mais. Por isso, Davi humildemente louva a Deus.

Nos versos 8 a 10, Deus relembra a Davi Suas bênçãos no passado. Nos versos 10 a 16, Ele promete dar a Davi e a Israel bênçãos ainda maiores no futuro. Nos versos 22 a 24, Davi O louva por Sua graça no passado. Agora, nos versos 25 a 29, ele suplica a Deus que faça como prometeu e, ao mesmo tempo, ele O adora e O louva pelas coisas que ainda fará. Davi compreende as promessas feitas por Deus na aliança que acaba de fazer com ele e as usa como fundamento para suas petições. Em resumo, Davi ora por aquilo que Deus lhe prometeu.

Davi não está apenas repetindo a promessa de Deus; ele a está colocando, e o seu cumprimento, na devida perspectiva. Ele estava errou ao pensar em termos de seus sucessos. Deus o relembra de que todos os seus aparentes sucessos foram dádivas graciosas de Sua mão (ver os versos 8 e 9). E, da mesma forma, as coisas prometidas para o futuro também são dádivas graciosas (ver os versos 10 a 16) pelas quais Ele deve ser louvado. Por isso, Davi suplica a Deus que cumpra essas promessas, não só para que o seu nome seja exaltado, mas para que o nome Dele seja magnificado (verso 26).

Por intermédio de Natã, Deus brandamente repreende Davi por sua arrogância em pensar que poderia edificar uma habitação mais adequada para Ele, que poderia avaliar melhor do que Ele a necessidade de alguém. Esse tipo de repreensão faz com que desejemos refrear a língua indefinidamente. Alguma vez você já disse algo muito estúpido, na presença de uma porção de gente? Se já, então conhece o desejo de nunca mais querer falar em público. Davi sente a mesma coisa, mas a promessa de Deus de uma casa eterna lhe dá coragem para pedir a Ele o seu exato cumprimento (verso 27).

A petição de Davi continua nos versos 28 e 29, onde ele relembra Deus de Sua promessa e Lhe pede que a cumpra. A confiança de Davi está em Deus, não em si mesmo. A presunçosa auto-confiança que o caracteriza nos versos iniciais deste capítulo já se foi, substituída por uma confiança humilde baseada nos feitos de Deus. Deus promete algo bom a Seu servo (não ao rei). A promessa é clara e feita por Deus. Qualquer promessa feita por Ele é coisa certa, por isso Davi Lhe pede que Ele a cumpra. Que a promessa seja cumprida pela bênção à casa de Davi, e que esta bênção venha do Deus de todas as bênçãos. Finalmente, Davi ora para que a bênção seja eterna. Tais bênçãos só podem vir de Deus.

Conclusão

A primeira lição de nosso texto é: mesmo os anseios mais nobres e as aspirações mais elevadas são manchados pelo pecado. O desejo de Davi de edificar uma casa para Deus era tão sublime que até Natã se deixou levar por ele. Quem poderia culpá-lo por querer edificar uma casa suntuosa para Deus? Só Deus e Ele o fez. E a razão foi porque os motivos e as aspirações de Davi estavam muito aquém daquilo que Deus pretendia. Parece que Davi ficou um tanto enaltecido por seus recentes sucessos, por sua posição e poder, e até mesmo pelo esplendor de seu próprio palácio. A resposta de Deus a ele certamente contém uma repreensão à sua arrogância: “Quem é você para Me edificar uma casa?” Não importa o quanto nossos planos para Deus e para Sua obra pareçam piedosos, eles estão sempre muito aquém da sinceridade de pensamentos e de motivos requeridos por Deus. Numa análise final, não há nada que possamos fazer para Deus com nossos próprios esforços. É Deus quem realizada grandes coisas por meio de nós e, muitas vezes, a despeito de nós.

Ainda relacionada à primeira, temos uma segunda lição: Não importa quão altos ou quão sublimes sejam os nossos planos e as nossas metas, os planos de Deus são sempre maiores. Paulo coloca a questão desta forma:

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! QUEM, POIS, CONHECEU A MENTE DO SENHOR? OU QUEM FOI SEU CONSELHEIRO? OU QUEM PRIMEIRO DEU A ELE PARA QUE LHE VENHA A SER RESTITUÍDO? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:33-36)

“Mas, como está escrito: NEM OLHOS VIRAM, NEM OUVIDOS OUVIRAM, NEM JAMAIS PENETROU EM CORAÇÃO HUMANO O QUE DEUS TEM PREPARADO PARA AQUELES QUE O AMAM.” (I Coríntios 2:9)

Será que Davi planeja edificar uma casa para Deus? Ele não pode nem imaginar a “casa” que Deus vai edificar para ele. A casa pretendida por Davi não chega nem aos pés da “casa” de Deus.

Terceira, a glória e a majestade da presença e do poder de Deus não devem ser interpretadas à luz de um contexto espetacular. Há muitos anos Elias aprendeu que não se deve presumir que a presença de Deus está em fenômenos espetaculares (muito embora, às vezes, Ele empregue tais meios - ver Êxodo 19, 34). Deus não estava no vento, nem no terremoto, nem no fogo, mas num cicio tranquilo e suave (I Reis 19:11-13). Os discípulos, até certo ponto, e os judeus, em grande parte, esperavam que o Messias viesse ao mundo de forma miraculosa e espetacular; por isso, estavam sempre pedindo um sinal. Os coríntios do Novo Testamento chegaram a considerar mais espirituais as pessoas glamurosas e espalhafatosas, enquanto desprezavam as mais discretas, como Paulo e outros apóstolos verdadeiros (ver I Coríntios 4, II Coríntios 4 a 6). O próprio Senhor Jesus não veio em resplendor e glória. Ele veio despido de Sua majestade (ver Isaías 53:1-3; João 1:9-11; Filipenses 2:5-8); por isso, muitos não O reconheceram como o Messias. O segundo templo não era tão maravilhoso quanto o primeiro, mas aos olhos de Deus ele era magnífico. A verdadeira glória não reside na aparência externa, mas no fato de que o próprio Deus está entre nós, habitando em nós, Seu corpo. Devemos aprender com Davi, e com muitos outros na Bíblia, que a glória de Deus se encontra onde Ele está presente, e não necessariamente onde presenciamos coisas espetaculares.

Será que Davi supõe que Deus esteja mais presente num templo luxuoso do que numa tenda? Ele está prestes a descobrir que Deus está “entronizado entre os louvores de Israel” (Salmo 22:3). Atualmente, Deus prefere habitar num tipo diferente de “templo”; esse “templo” é o Seu corpo, a igreja:

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Efésios 2:19-22)

“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” (I Pedro 2: 4-5)

No reino eterno de Deus não haverá nenhum “templo” como tal, pois nosso Senhor mesmo será o “templo”:

“Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.” (Apocalipse 21:22)

Quarta, vemos que Davi não precisa de um templo por perto para cultuar a Deus. Na verdade, ele está se afastando do culto quando propõe a construção de um templo. Só depois de ser lembrado de que tudo o que ele é e de que tudo o que faz vem de Deus é que Davi começa a cultuar a Deus de maneira correta. Assim, ele passa a reconhecer sua própria insignificância e a louvar a Deus pela presença Dele em sua vida, pela Sua grandeza e pelo Seu poder. É aqui que começa a verdadeira adoração: não num edifício espetacular, mas na grandeza e na graça de nosso Deus.

Há grande ênfase hoje em dia na plantação e construção de igrejas, grandes igrejas. Plantar igrejas é uma boa coisa, e construí-las não é necessariamente um mal. No entanto, estejamos alertas contra a falsa suposição de que edifícios maiores e mais impressionantes são prova da presença e do poder de Deus. Precisamos estar alertas contra os pensamentos presunçosos a respeito da nossa própria contribuição ao reino de Deus, achando que Ele realmente precisa de nós. É sempre Ele quem nos conduz, não nós a Ele. Como é fácil começarmos a nos concentrar no que temos feito e no que podemos fazer para Deus em vez de nos concentrar em tudo o que Ele tem feito e ainda fará por nós e por meio de nós.

Quinta, a repreensão divina recebida por Davi serve como lição para todos os cristãos. Você já não pensou que, se pudesse sempre crescer, ganhar maturidade e sabedoria como cristão, de alguma forma ficaria livre da tentação e protegido do pecado? Crescimento, maturidade e sucesso não nos isolam do pecado; muitas vezes, essas coisas se tornam novas tentações para nos levar a ele. Há mais perigo no palácio de Davi do que quando ele fugia de Saul e se escondia em alguma caverna. Com muita frequência, levamos nosso “sucesso” a sério demais. Precisamos nos lembrar de que não existe sucesso que possamos sinceramente reivindicar como nosso, pois sucesso espiritual é dom da graça de Deus:

“Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (I Coríntios 4:7)

Finalmente, sou lembrado mais uma vez de que as maiores bênçãos da nossa vida não são fruto de nossos esforços, mas fruto da obra de Deus e, quase sempre, enquanto Ele usa nossos fracassos e defeitos. Davi foi repreendido por querer edificar um templo para Deus, mas, apesar disso, Deus lhe promete edificar uma casa bem maior do que ele imagina. Davi erra quando comete adultério com Bate-Seba e mata o marido dela; no entanto, ainda assim ela se torna sua esposa e mãe de Salomão, o rei seguinte de Israel. Davi erra quando faz o censo de Israel; entretanto, como consequência desse pecado, a propriedade onde o templo será construído é adquirida por ele.

Quão maravilhoso e grandioso é o Deus a quem servimos! Seus planos e Suas promessas não podem ser frustrados. E, mesmo os nossos maiores esforços para frustrar os Seus propósitos servem apenas para engrandecer o Seu reino. Regozijemo-nos porque o Senhor não habita mais em uma tenda ou em um templo e sim no Senhor Jesus Cristo e no Seu corpo, a igreja. Somos a casa de Deus se confiamos em Jesus Cristo.

Tradução: Mariza Regina de Souza

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