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Fé Sob Fogo

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J. Hampton Keathley III, Th.M. é um graduado de 1966 do Seminário Teológico de Dallas e um antigo pastor de 28 anos. Hampton no momento escreve para a Fundação de Estudos Bíblicos (BSF) e ocasionalmente ensina Grego do Novo Testamento em Moody Northwest (uma extensão do Instituto Bíblico Moody) em Spokane, Washington.

Introdução

Quando as pessoas confiam em Cristo com fé, quer elas reconheçam isto ou não, elas estão se matriculando na “escola da fé.” Consequentemente, como Cristãos, nós nunca sabemos o que irá acontecer depois porque Deus, que trabalha todas as coisas juntas para o bem, usa nossas provações como ferramentas para promover crescimento espiritual e maturidade. Nós poderíamos tomar Abraão como uma ilustração. Paulo o identifica como o pai da fé, o pai de todos que acreditam (Rm 4:16-17). Quando nós examinamos a sua vida, nós rapidamente vemos como Deus o levou de um teste para outro. Como ele confiava em Deus, ele obedeceu o chamado de Deus, deixou Ur, e foi para Canaã, mas imediatamente, nós encontramos Abraão encarando escassez e fome, fixando uma disputa por fronteira, se preparando para uma batalha, e então encarando a continuação de não ter um filho como Deus tinha lhe prometido. Por que isto é assim? Tiago 1:2-4 nos dá uma resposta.

Tiago 1:2-4 Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, 3 sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; 4 e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.

Deus nos quer amadurecendo em todas as áreas da vida, mas maturidade não vem facilmente. Não pode haver crescimento sem sermos provados, e não pode haver provações sem dificuldades. Se as nossas circunstâncias nunca mudassem, se tudo fosse previsivelmente bom e confortável, nós nunca teríamos realmente que confiar em Deus; quanto mais previsível a vida fica, menos desafios ela apresenta.

Normalmente, o crescimento é difícil. Ele nos estressa e machuca e nós naturalmente procuramos pelo que é confortável e fácil. Talvez você tenha ouvido uma canção com uma letra assim, “Procurando por amor nos lugares errados.” Do mesmo modo, existe um livro entitulado, Procurando Pelo Primeiro Lugar. Se estas palavras não ilustram a tendência humana típica de ver a vida, eu não sei o que mais o faz. As pessoas procuram por aquilo que elas querem ou pensam que elas tem que ter para fazer a vida funcionar, mas elas normalmente procuram isto nos lugares errados, seja amor ou segurança ou felicidade ou significância. Além do mais, neste processo, ao invés de andar em fé na providência e provisão de Deus, as pessoas procuram pelo primeiro lugar. Isto, é claro, não é apenas um estilo de vida centrado em si mesmo que passa por cima de qualquer um que entrar no caminho, mas também um estilo de vida que depende de suas próprias soluções fúteis.

A descrição de Abraão e Ló em Gênesis 13:1-13 nos dá uma boa ilustração disto no contraste visto entre estes dois homens. Por um lado, tendo crescido pela experiência no Egito (Gn 12) e com seus olhos focados e descansando nas promessas de Deus de um dia dar a ele e as seus descendentes a terra, Abraão foi capaz de colocar outros antes de si mesmo. Ele ofereceu a Ló a oportunidade de escolher aonde ele queria viver. Contrariamente, com os seus olhos egoisticamente focados no que ele queria, não importando o quanto isto poderia afetar a Abraão, Ló confiou em sua própria sabedoria e estratégias e escolheu de acordo com sua própria visão.

A resposta de Abraão é uma ilustração clássica da fé sob fogo. Ela nos ensina como a fé lida com os problemas da vida como a possibilidade de uma contenda ou relacionamentos tensos como descrito em Gênesis 13:5-8. Claramente, o desejo de Abraão por harmonia, junto com sua generosidade e sacrifício, era um sinal de fé na sabedoria e promessas de Deus, por que a fé não procura egoisticamente os seus próprios desejos, mas é generosa, graciosa, e nega a si mesma.

A vida Cristã é uma vida de fé. Os cristãos são chamados para viver pela fé do começo ao final; de uma fé inicial em Cristo que promete salvação como uma dádiva de Deus até uma vida de fé momento a momento que compreende todas as circunstâncias da vida. É uma vida na qual os crentes são chamados para descansar cada aspecto da vida nas mãos de Deus – passado, presente, e futuro. Este estudo é sobre algumas das grandes promessas e princípios das Escrituras, que nos ensinam como e nos encorajam em nosso caminhar pela fé. É evidente em toda a Bíblia que a fé ou confiança no Senhor é importante para a caminhada diária do crente, e isso fica óbvio pelo número de vezes que a palavra fé ou um de seus sinônimos, como confiar ou acreditar, ocorrem nas Escrituras. ocorre em torno de 269 vezes, confiar 72 e alguma forma da palavra acreditar 125 vezes.

Apenas umas poucas passagens irão rapidamente ilustrar o papel vital que a fé ou acreditar ou confiar deveriam ter:

Efésios 2:8-9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus;9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Romanos 1:16-17 Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. 17 Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: “Mas o justo viverá da fé.”

2 Coríntios 5:7 ... porque andamos por fé, e não por vista.

Colossenses 2:6-7 Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, 7 arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.

Mateus 6:30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

Hebreus 11:1,6 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.... 6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

Romanos 14:23 ... Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.

Salmos 62:7-8 Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio. 8 Confiai nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.

Provérbios 3:5 Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.

Isaías 26:4 Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.

Hebreus 4:2-3 Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram. 3 Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: “Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso;” embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo;

João 3:14-18 E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 15 para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 18 Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

Romanos 4:3-5 Pois, que diz a Escritura? “Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” 4 Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida; 5 porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça;

A fé, então, na verdade e conteúdo das Escrituras é a essência da vida Cristã. Entretanto, embora possamos saber que devemos andar pela fé como Cristãos, nós ainda assim freqüentemente falhamos em ver quão profundamente uma vida de fé deve alcançar cada faceta de nossas vidas de modo que ela verdadeiramente circunde tudo o que somos e fazemos. Nós damos crédito a este conceito intelectualmente, mas nós acabamos compartimentalizando. Nós andamos em fé em algumas áreas, enquanto outras nós cuidadosamente reservamos para as nossas próprias soluções pelas quais nós procuramos atender nossas necessidades. Tais soluções, é claro, constituem nossas próprias medidas auto protetoras de auto confiança. Nós podemos confiar em Cristo para a Salvação. Nós podemos confiar Nele para o nosso pão diário. Nós podemos confiar Nele por habilidade para testemunhar ou para ensinar na classe de Domingo. Nós podemos confiar Nele por segurança em uma viagem ou também para nos curar de alguma doença. Mas mesmo em tudo isto, nós podemos ainda procurar lidar com a maioria dos aspectos da vida, especialmente os frustrantes, com nossos próprios recursos ou métodos. Isto é particularmente verdade em nossos relacionamentos com as pessoas.

Aprender a viver pela fé é uma questão basicamente de: (a) conhecer a Deus (cf. Sl 9:10; Dn 11:32), (b) permanecer concentrado Nele (Hb 12:1-2), e (c) identificar, reconhecer, e se afastar daquelas soluções humanas pelas quais nós procuramos viver, nossos métodos auto protetores, os quais são na realidade o caminho da descrença e são fúteis para alcançar nossas necessidades (Jr 2:12-13; 17:5-7; Is 50:10-11).

Como parte do processo de aprendizagem, o Novo Testamento freqüentemente nos aponta para o Velho Testamento tanto para exemplos positivos de fé como incentivos (Hb 11:1-12:1), assim como para ilustrações negativas de incredulidade como advertências contra o falhar em andar pela fé (Hb 3:7-4:16). Estes exemplos do Velho Testamento permanecem como advertências eternas. Eles ilustram o quão rapidamente nós podemos falhar em relacionar e concentrar nossas vidas no Senhor e no que Ele é para nós e pretende fazer em, através de, e para nós (1Co 10:1;Hb 3:7).

Analogias de Fé do
Velho Testamanto

Primeiro Coríntios 10:6 e 11 nos ensinam que a nação de Israel e a forma como Deus lidava com eles formam exemplos ou analogias para nós hoje. Muitas das vezes, estes exemplos são negativos, mas eles podem nos ensinar bastante sobre nossa caminhada Cristã. Uns poucos exemplos de analogias que muitos estudantes da Bíblia observaram estão escritos abaixo.

Egito

O Egito nos dá um tipo ou retrato do mundo com todas as suas idéias humanas, idolatrias, misticismo, e antagonismo à salvação, libertação, e aos propósitos de Deus para o Seu povo. Viver ou estar no Egito retrata uma condição de perdição, uma escravidão à Satanás, ao mundo, e à carne. Sair do Egito através da Páscoa dos Judeus (passagem pelo sangue do cordeiro) e pelo Mar Vermelho retrata libertação pela morte de Jesus Cristo e o forte poder de Deus. Isto fala da redenção pela vida salvífica de Cristo. Um crente se dirigindo para o Egito como Abraão fez em Gênesis 12:10 ilustra como ele pode se virar para o mundo e seus substitutos e soluções ao invés de se voltar para o Senhor em fé para libertação.

Israel no Deserto

Israel no deserto é um outro tipo ou retrato e pode representar: (a) O crente em forma carnal, redimido e abençoado com privilégios maravilhosos, e ainda assim falhando em continuar sua vida com Deus. Isto ilustra como um crente pode viver fora da condição de bênçãos máximas, fora da vontade de Deus e em constante derrota, sempre andando em círculos e desviando-se ou vagando a esmo por causa da falha em confiar no Senhor e na libertação que Ele prometeu (Hb 3:7-4:11). (b) Ou pode retratar a variedade de provações que Deus usa como ferramentas de crescimento como explicado em Tiago 1:2-4 e Deuteronômio 8.

Cruzando o Jordão

Cruzando o Jordão e se dirigindo para Canaã é análogo a necessidade do crente de obter as suas possessões ou bens pela fé no poder e provisão de Deus. Isto retrata o crente em comunhão, enfrentando conflitos e inimigos, e ainda assim sendo capaz de ser vitorioso enquanto dependente do Senhor, enquanto andando pela fé nos princípios e promessas da Palavra, enquanto mantendo os seus olhos no Senhor ao invés de nos problemas.

Os Cananeus

Os Cananeus na terra são certamente análogos aos nossos inimigos que sempre estão prontos para se opor a nós quanto a forma Cristã de viver. Na realidade, estes inimigos ou adversários estão derrotados, mas a sua derrota tem que ser apropriada pela fé. Embora os nossos inimigos estejam derrotados, nós ainda temos que apropriar a nossa vitória vinda de Deus, a vida salvífica de Cristo. Alguns acreditam que Jericó pode ilustrar o mundo, Acã e Ai a carne ou a natureza pecadora, e os Gibeonitas podem ilustrar os enganos de Satã e o sistema do mundo.

Os Cananeus já estavam na realidade aterrorizados bem antes de Josué e sua nação cruzarem o Jordão para possuir a terra. Por três vezes em Josué 2 a palavra “derreter” é usada para descrever a condição emocional ou a moral destas pessoas (cf. vss. 9, 11, 24). Mentalmente e emocionalmente, eles eram um povo derrotado. Deus já tinha colocado os Cananeus nas mãos de Israel e isto já tinha sido assim por quanto tempo ? Desde que eles ouviram sobre os eventos do Mar Vermelho alguns 40 anos atrás (veja Josué 2:9-11).

A questão é, porque Israel não esperava isto ? Eles começaram crendo, porém logo esqueceram (Ex 15:1-19, mas observe especialmente 15:14-16). Com a exceção de Moisés, Josué, e Calebe, o texto do Velho Testamento nos mostra que eles se recusaram a acreditar na promessa de Deus e ao invés disso permitiram que o relato negativo dos dez espias derretessem seus corações. Por que ? Porque eles estavam olhando para os problemas e não para o seu Deus (cf. Dt 1:28 com Nm 13:25-14:4).

Que ironia! Os habitantes estavam olhando para o Deus de Israel e estavam tremendo em suas sandálias. Os Israelitas, que viram as obras poderosas de Deus sucessivas vezes, estavam olhando para os seus problemas ao invés de para Deus e, como resultado, estavam aterrorizados em uma paralisante descrença (cf. Nm 13 e Dt 1:26-32).

Quão semelhante a nós isto é! Seja uma mordida de um mosquito ou a agressão de um leão, nós temos que aprender a manter nossos olhos no Senhor e fora dos problemas (veja Hb 12:1-2). Tirar nossos olhos dos problemas e colocar no Senhor nós chamaremos refocalizar. Refocalizar envolve basicamente quatro passos: (a) confissão de reações erradas, (b) considerar tudo com prazer ou alegria, (c) entregar os problemas ao Senhor, e (d) concentrar em cinco elementos chave sobre Deus – Sua pessoa, propósitos, princípios, promessas, e plano (a partir daqui referidos como os 5 Ps).

O Conceito de Foco

Nós temos duas opções com respeito ao nosso foco. Nós podemos focar nos nossos problemas e nas coisas que queremos ou pensamos que precisamos, ou nós podemos focar no Senhor e Seu sustento. As conseqüências de um foco errado podem ser vistas com o que aconteceu a Israel: (a) eles se tornaram um povo derrotado uma vez que falharam em reter suas possessões; (b) eles eram um povo disciplinado e destruído uma vez que morreram no deserto; (c) eles se tornaram um povo desgraçado e trouxeram desonra para Deus; e (d) eles se tornaram um povo debilitado – eles perderam o poder de Deus e a capacidade de realizar o Seu propósito.

Padrões errados de vida se desenvolvem de crenças ou filosofias erradas sobre a vida, sobre Deus, os outros, e a si próprio. Isto se torna a base do que pensamos e como pensamos, e daí como vivemos nossas vidas. Se nossas crenças estão estruturadas na Palavra de Deus, o que é um processo que dura a vida toda, e se nós formos diligentes e comprometidos com a aplicação das Escrituras através do ministério do Espírito Santo, então nós começaremos a ser transformados pouco a pouco no caráter de Jesus Cristo, conformados a Sua imagem pelo Espírito.

É claro que, então, uma questão importante é o quanto nós estamos permitindo a Palavra dirigir os nossos passos ou brilhar em cada aspecto de nossas vidas de modo que a verdade de Deus, a qual nos liberta, possa mudar nossas estruturas de fé ou crença e nossas fontes ou origem de confiança. O Salmista escreveu, “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” (Sl 119:9).

Mas outra importante questão diz respeito a quanto nós somos capazes de manter nossos olhos na verdade das Escrituras, as verdades sobre a pessoa de Deus, Seu plano, princípios, promessas, e propósitos. Conhecê-las é uma coisa, mantê-las fixadas em nossas mentes e corações é completamente diferente. Nós não podemos aplicar o que não conhecemos, mas conhecer a verdade não é suficiente. Apenas conhecimento pode resultar em arrogância, além de poder também induzir ao erro. Pode nos levar à impressão de que estamos vivendo de acordo com a Palavra quando na realidade não estamos. Nós podemos saber os princípios (ter conhecimento ou compreensão da perspectiva de Deus), mas falhar em aplicá-los (ter compreensão espiritual e foco, cf. Cl 1:9).

Colossenses 1:9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.

Portanto uma das chaves para se aplicar a Palavra e viver pela fé é ter foco. O foco é crucial para três coisas: (a) para corrigir nossas crenças e fontes de confiança; (b) para construir e manter a fé, e (c) para o que nós nos tornamos em nosso caráter, atitudes e ações. Então, o que queremos dizer por foco?

Definição de Foco

O verbo “focar” significa “visualizar, tornar algo claro, se concentrar em algo”. Significa “claridade.” Binóculos que estão fora de foco não servem para nada. Apenas quando o colocamos em foco para algum objeto é que ele aumenta a nossa habilidade de ver o mesmo claramente. Mas foco também significa “se devotar a uma tarefa, ou a uma idéia, ou a uma pessoa, ou a qualquer coisa que esteja no campo de foco de alguém.” Um ponto de foco é um lugar de atividade, concentração, influência, importância, ou mesmo determinação. É um ponto de origem do qual emanam idéias, crenças, influências, e controle.

Em 1995 Steve Kafka foi eleito para o Hall da Fama como instrutor de ginástica olímpica de Escola Secundária em Illinois. Kafka foi o instrutor da Escola Glenbard East em Glen Ellyn onde obteve o segundo lugar nas finais em 1987, 1988, e 1990. Então em 1995, depois de reconstruir um time numa escola diferente, ele obteve a segunda colocação mais uma vez e finalmente em 1996 ganhou o campeonato estadual.

Para realizar isto, os seus ginastas tiveram que concluir os seus procedimentos com sucesso no campeonato estadual, quando a pressão é alta e fica fácil cair. Na verdade, a primeira vez que o time de Kafka se qualificou para o campeonato estadual, vários ginastas caíram do cavalo, das barras altas e barras paralelas, e o time acabou se desanimando.

Mas então Kafka teve uma idéia. No final do treino em cada dia, ele começou a conduzir reuniões nas quais ele fazia duas coisas para intencionalmente aumentar a pressão nos ginastas. Primeiro, se qualquer um falhasse um procedimento, todos tinham que pressioná-lo ou empurrá-lo. Segundo, Kafka pediu ao grupo para instigar e gritar para cada executante. E assim, enquanto um ginasta praticava no cavalo, seus colegas gritavam, ameaçavam agressões físicas, contavam piadas, e até mesmo jogavam meias enroladas nele.

“Meus ginastas começaram a sentir que competir de verdade era uma brisa comparado com os treinos,” disse Kafka. No final, mesmo um campeonato estadual – com câmaras de TV passando e juizes críticos observando cada movimento – era fácil. Lutar através das oposições diárias ensinou os ginastas de Kafka a ter foco e determinação.

Do mesmo modo, os Cristãos precisam usar as pressões da vida para desenvolver o seu poder de foco e determinação para manter o seu foco em Cristo, o que Ele está fazendo com e através deles, e nos tesouros celestiais que os esperam.1

Ao aplicar o princípio de foco em Deus e Sua Palavra, estamos falando então em focar nas verdades das Escrituras referentes a Deus, Sua pessoa, promessas, princípios, planos, e propósitos e que nós não apenas as vemos com claridade espiritual, mas elas se tornam o ponto principal do nosso pensamento, um lugar de atividade mental, correção, influência, e controle sobre nossas mentes, emoções, e vontades. O resultado é que então elas podem fornecer direção e as fontes corretas de confiança. Como resultado de tal foco surgirá então nossa transformação dentro da vontade de Deus, o caráter do Senhor Jesus.

Ilustrações das Escrituras

O princípio de foco é encontrado por toda a Escritura, mas antes de vermos uma sugestão de um processo de refocagem e as conseqüências de se falhar em focar no Senhor, vamos olhar algumas passagens apenas para captar o impacto deste conceito da Bíblia.

    2 Coríntios 4:16-18

16 Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; 18 não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.

O versículo 16a mostra a motivação: “Por isso” nos leva de volta ao contexto anterior da ressurreição e ministério para o bem dos outros junto com a manifestação da mensagem de Cristo. Estão inclusos neste contexto os problemas de sofrimento, provações, e o perigo da desistência. Viver para os outros freqüentemente irá trazer dificuldades para aqueles que carregam a mensagem. Tudo isto fornece uma grande motivação para a perseverança e para manter o foco no Senhor.

O versículo 16b revela os meios interiores: “Mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” Estas palavras descrevem a renovação espiritual interior, a transformação interna do coração com esperança, confidência, paz, alegria, determinação, propósito, e significado. Mas como podemos experimentar esta renovação interior?

Os versículos 17-18 nos apontam o método: “Não atentando nós ...” nos aponta para a questão do nosso foco. A nossa necessidade é ter foco. Nós temos que manter nossos olhos no Senhor e nas realidades eternas que se tornam reais se vivemos na Palavra, guardamos e meditamos nela diariamente. “Atentar” é skopew, que significa “prestar atenção em, fixar contemplação sobre, concentrar atenção em.”

    Filipenses 3:12-21

12 Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, 14 prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. 15 Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos este sentimento; e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus também vo-lo revelará. 16 Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos.

17 Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós; 18 porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; 19 cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas. 20 Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.

“Vou prosseguindo, prossigo” é diwkw, que significa “perseguir, procurar, se esforçar,” ou “correr atrás como numa corrida.” Paulo usa esta palavra duas vezes nesta passagem (vss. 12,14).

“Avançando” é epekteinw significando “se esticar ou expandir para fora ou adiante.” É uma metáfora atlética usada para um corredor nos jogos da antigüidade. Esta palavra retrata o corpo de um corredor curvado para a frente, sua mão estendida em direção ao objetivo, e seus olhos fixados nele.2

“Alvo” é skopos, a forma substantiva de skopew discutida acima em 2 Coríntios 4:18. Skopos se refere a um sinal ou marca no qual focar ou fixar os olhos, o alvo. De novo nós podemos ver a nossa necessidade de focar nossas mentes nas coisas de Cristo, particularmente, nos Seus grandes propósitos para aqueles que crêem.

    1 Pedro 1:13-21

13 Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; 15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; 16 porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo. 17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação, 18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, 19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, 20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós, 21 que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.

Existem três objetivos e exigências neste texto: (a) Existem exigências com relação a carne (versículo 14), concupiscências ou desejos ou cobiça as quais tem suas raízes na ignorância. Porque? Por que elas estão baseadas em crenças erradas, apaixonando-se pelas ilusões de Satanás e da nossa própria carne, achando que tais coisas podem dar segurança, significância, e felicidade. (b) Então existem exigências em relação à Deus que é santo, separado do pecado (versículos 15-16). Finalmente, (c) existem exigências em relação ao mundo e seu sistema de valores o qual vive como se ‘nós apenas estivéssemos por aí uma vez, portanto excite-se o quanto puder.’ Elas nos previnem contra uma vida sem um foco na eternidade (versículos 17-18).

A responsabilidade tão vital para nossa habilidade de realizar estes objetivos pode ser vista no versículo 13.

“Cingindo os lombos do vosso entendimento” significa , “estejam com suas mentes preparadas.” Isto se refere as longas roupas antigas que chegavam até o chão. A prática de fixá-las em volta da cintura com um cinto para mantê-las longe da sujeira era feita para dar liberdade de movimento. Isso era um ato de preparação e pode bem se referir a restauração espiritual e renovação ou limpeza da mente que vem pela confissão de pecados e o estudo das Escrituras.

Tal ação prepara o caminho para o próximo comando, “sede sóbrios.” O verbo aqui é nhfw, o qual, no Novo Testamento, é usado apenas figuradamente e significa “ser livre de toda forma de ‘embriagues’ mental e espiritual – seja excessos, paixão, precipitação, confusão, etc.”3 Ser “sóbrio” significa andar com todas as faculdades sob controle e sem sombra de dúvida é uma alusão para se andar com um julgamento íntegro mentalmente e espiritualmente por intermédio do Espírito de Deus na luz da verdade de Deus (cf. Ef 5:15-18).

“Esperai inteiramente” é, entretanto, o ponto chave. “Esperai” é um imperativo aorista de elpizw, “depositar a esperança em alguma coisa.” Este imperativo aorista sugere urgência. “Inteiramente” (teleiws, “completamente, perfeitamente, no total”) nos diz como. Devemos depositar nossa esperança inteiramente, de uma maneira indivisível. A grande necessidade é permanecermos sinceros com um único foco ao invés das muitas distrações do mundo a nossa volta como ilustrado com os ginastas de Kafka mencionados acima. Simplesmente não funciona dividir nossa esperança com um olho no Senhor e as coisas de Cristo e o outro nos detalhes da vida.

    Hebreus 12:1-3

1 Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, 2 fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. 3 Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.

O “portanto” do versículo um (Grego, toigaroun, uma palavra de ligação introduzindo uma dedução) leva os leitores de volta a exposição precedente. Alguns chamam o capítulo onze de o “Hall da Fé” por causa de seu testemunho aos muitos santos do Antigo Testamento que viveram pela fé. O autor os retrata como “uma grande nuvem (nefos, um aglomerado de nuvens ao invés da mais simples nefelh, uma única nuvem) de testemunhas nos rodeando.” Estas testemunhas fornecem um testemunho constante à vida de fé o qual permanece como um incentivo para nós corrermos com perseverança a corrida que Deus estabeleceu para cada um de nós independentemente das dificuldades.

Mas existem sempre impedimentos ou obstáculos para se correr com perseverança com o objetivo em vista, a saber, o pecado, e especificamente, o pecado de se falhar em acreditar nas promessas de Deus. Assim como um corredor treina duro, restringe a sua dieta, e se desnuda em preparação para a corrida, também nós temos que nos livrar das coisas que nos impedem. Mas como podemos fazer isto? Existe alguma dica nesta passagem? O versículo dois nos aponta o caminho.

“Fitando” ou “olhando” é um particípio adverbial do verbo, aforaw, “desviar o olhar e fixar em direção a alguma outra coisa.” Podemos traduzir, “desviando o olhar e fixando-o em Jesus.” Nossa tendência é focar em objetos errados na vida. Como Ló em Gênesis 13, podem ser tesouros terrenos, ou podem ser nossos problemas e dor, mas aqui nos é dito, se queremos ser capazes de correr com perseverança, nós temos que tirar nossos olhos destas coisas que causam distração como valores errados ou como nosso sofrimento ou luta. E nós fazemos isto focando nossos olhos no Senhor que é o Autor e Consumador da fé. Ele é o nosso Exemplo e Professor.

Como, então, Ele suportou o que Ele tinha que sofrer? Embora Ele desprezasse a vergonha da cruz, Ele manteve os Seus olhos focados no objetivo final, o que pode ser visto nas palavras, “o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz.”

Tão importante é esta verdade, que o versículo 3 continua o conceito de foco e pensamento correto. “Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.” “Considerai,” um imperativo aorista sugerindo urgência, é a palavra Grega analogizomai, um termo matemático significando, “calcular, computar, comparar, pesar.” Existe neste comando uma chamada para se olhar o resultado final da fé do Salvador. Ao fixar a contemplação Nele, se deveria balancear ou pesar a glória e os resultados que se seguiram (assentado à direita do trono de Deus vitorioso sobre o pecado, Satanás, e a morte) contra o tremendo custo (a morte de Cristo).

Conseqüências
de um Foco Errado

Enquanto um foco correto conduz ao progresso, perseverança, e crescimento, a conseqüência de um foco errado é uma queda em espiral. Como auxílio a memória eu usarei quatro palavras para ilustrar a queda em espiral quando nosso foco está errado: (a) concentração no problema, (b) murmuração pelo problema, (c) plano ou reação para resolver o problema, e (d) conformado e controlado pelo mundo, o que invariavelmente ocorre ao invés de ser transformado na imagem de Cristo. Nós ilustraremos estes passos olhando a história dos Israelitas em Números 11-13. Mas primeiro, pode ser bom visualizar todo o processo através do seguinte gráfico.

Passo Um:
Concentração no Problema

Números 11:1-6 Depois o povo tornou-se queixoso, falando o que era mau aos ouvidos do Senhor; e quando o Senhor o ouviu, acendeu-se a sua ira; o fogo do Senhor irrompeu entre eles, e devorou as extremidades do arraial. 2 Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou. 3 Pelo que se chamou aquele lugar Taberá, porquanto o fogo do Senhor se acendera entre eles. 4 Ora, o vulgo que estava no meio deles veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel também tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? 5 Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. 6 Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.

A reclamação e murmuração dos Israelitas revelava a sua falta de fé, a qual é freqüentemente o produto de um foco errado (11:4-6). Quando nós começamos a reclamar sobre nossas situações difíceis ou apuros é porque normalmente o nosso foco não está no Senhor mas em nossos problemas, nos detalhes da vida, e na prosperidade de outros. Normalmente isto envolve algo que nós pensamos que deveríamos ter mas não temos e, portanto, Deus não deve realmente nos amar. Nós nos sentimos como se Ele nos tivesse tratado injustamente ou nos dado apenas o pedacinho final da vareta.

Mas existe um outro problema. Nossa falta de fé e foco errado é também o produto de crenças erradas. Por exemplo, nós pensamos que se tivéssemos mais dinheiro, uma casa maior, um trabalho melhor, melhor saúde, ou alguma mudança física visível, etc., nós seriamos felizes, ou estaríamos satisfeitos, ou seguros, ou seriamos mais significantes ou importantes.

As pessoas tem duas necessidades básicas percebidas na vida, segurança e significância. A crença falsa é que nossas segurança e significância são encontradas nos detalhes da vida (posição, poder, prazer, possessões, prestígio, etc.) ao invés de no Senhor. Então elas focam nestes detalhes e se tornam ingratas, insatisfeitas, e entediadas com as coisas espirituais ou os propósitos de Deus. Deus alimentou Israel com o mana para discipliná-los e treiná-los de modo a que eles pudessem compreender alguma verdade importante (Dt 8:1-5), mas o seu foco e desejo era apenas no que estava faltando e pensavam que precisavam, e então eles reclamavam.

Por favor, observe que eles não podiam estar reclamando sobre: (a) A ausência da perfeita provisão de Deus e vontade – vs. 6; nem (b) a ausência da presença pessoal de Deus – vs. 20; nem (c) a ausência do propósito sagrado de Deus – vs. 20; nem (d) a ausência do poder soberano de Deus – vs. 23. Estas questões nunca são o problema. Deus é sempre perfeito e fiel em Seu lidar conosco. Ele sempre sabe o que é melhor para nós e está perfeitamente habilitado para tratar qualquer situação independentemente de como nós a vemos.

O mana era uma comida perfeita e era precisamente o que Israel precisava naquele momento. Não era uma comida que causava tédio. Podia ser cozinhado de várias formas. Era fibroso e saudável. Era maravilhosamente nutritivo e cheio de vitaminas. Deus não o teria fornecido de outro forma. Ele também fornecia uma imagem espiritual perfeita, pois falava da pessoa de Jesus Cristo, o pão que desceu do céu, o Único que pode dar a vida e vida em abundância. Ele também tinha um propósito espiritual perfeito (cf. Dt 8:3). Mas porque o povo não tinha os seus olhos no Senhor, porque eles pensavam que felicidade e significado vinham de coisas como pepinos, eles o viram como um alimento tedioso e se tornaram ingratos por esta comida miraculosa de Deus.

A essência da palavra de Deus para Israel no versículo 20 é alguma coisa assim: “Você pensa que o seu problema é falta de carne. Ok, Eu lhes darei carne até que salte de vossas narinas e vocês verão que ela também se tornará repulsiva para vocês.” Deus está dizendo que eles ficariam mais entediados com ela do que com o mana porque o problema não era o mana. O problema não era falta de carne; o problema não era falta de peixe; o problema não era falta dos condimentos do Egito como alho-poró, melões, pepinos, cebolas, e alho.

O versículo 20, “porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?” claramente nos mostra que o seu problema era espiritual. Eles rejeitaram o Senhor e Seu plano e propósito para as suas vidas como o Seu povo. Eles foram escolhidos para representá-lo perante as nações. Dizendo claramente, existia falta de fé, descrença no que Deus estava fazendo; eles falharam em focar na pessoa de Deus, a Sua presença e poder, e nos propósitos de Deus para eles como o seu povo escolhido (cf. Ex 19:4-6). Para se focar no Senhor são necessárias crenças corretas e a aplicação de verdades específicas, a saber aqueles cinco conceitos vitais sobre Deus (Sua pessoa, promessas, princípios, propósitos, e planos), às várias situações que Deus permite na vida de alguém.

Aparentemente, seguindo o pedido do povo (Dt 1:22), o Senhor deu a Moisés o comando para enviar espias na terra para investigar e aprender de suas condições (Nm 13-14). Deus concordou com o seu pedido porque a fé precisa de conhecimento dos fatos de modo a que os problemas possam ser entregues ao Senhor. Um homem nunca confia no Senhor até que ele aprende que ele não pode salvar a si mesmo. Nós andamos pela fé, não pelo que se vê. Mas ao mesmo tempo, a fé não significa estar cego aos problemas. É importante que nós olhemos os problemas bem de frente com nossos olhos, e então, pela fé, confiemos em Deus para as soluções não vistas. A fé olha para os problemas, mas ela não permanece focada neles. A fé muda o foco para o Senhor.

Provérbios 3:5-7 Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. 7 Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.

Quando nós não nos focamos no Senhor e respondemos em fé às situações e tensões da vida, uma série de eventos começam a se desenrolar que levarão a conseqüências sérias a menos que interrompidas pela refocagem (este processo será esclarecido abaixo). Padrões de comportamento neuróticos ou errados nunca são na verdade o resultado dos problemas que enfrentamos. Eles derivam de um processo descendente, de queda, porque o problema é tratado erradamente através de um foco errado. No ciclo descendente nós nos movemos do problema para uma resposta falha (pecaminosa), causando através disso uma resposta falha adicional a qual por sua vez causa outra resposta falha e assim por diante. Este processo descendente eventualmente nos escraviza, resultando em acordo e conformidade ao mundo.

Provérbios 5:21-22 Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos do Senhor, o qual observa todas as suas veredas. 22 Quanto ao ímpio, as suas próprias iniqüidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido.

Em Números 13 nós temos a história dos dez espias que retornaram com o seu relatório das condições da terra, porém era um relatório maligno. O “contudo” em 13:28 destaca isto como um momento decisivo. Esta é a primeira resposta errada que consistia em concentrar no problema. Os espias começaram a focar os corações das pessoas nos problemas gigantescos da terra, os Nefilins e as cidades fortificadas. O foco aqui é claramente nos problemas ao invés de no Senhor. O fiel Calebe procurou mudar esta situação com um foco positivo, lembrando-os que eles seriam bem capazes de superar os problemas através do poder de Deus (vs. 30), mas ao invés de ouvi-lo, os espias permaneceram focados ou concentrados nos problemas e o coração do povo derreteu.

Note o completo contraste no versículo 31-32, “Disseram, porém, os homens que subiram com ele: ‘Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.’ Assim, perante os filhos de Israel infamaram a terra que haviam espiado.” Aonde estava o seu foco? Estava em sua inabilidade ao invés de na habilidade de Deus e promessa. Na verdade eles eram incapazes, mas isso nunca pode ser a razão para duvidar ou se rebelar contra o propósito de Deus. Isso é, contrariamente, uma razão para se ter fé na pessoa de Deus e Suas promessas. Note nos versículos 32-33 que a ênfase é ainda no seu foco e suas desastrosas conseqüências, “...éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos.”

Um foco errado conduz a uma série de sérias conseqüências: (a) Ele cega a visão da provisão ou da graça de Deus. Eles perderam a visão da fertilidade da terra (cf. vs. 27). (b) Ele magnifica ou aumenta o problema. Eles viram todos na terra como gigantes e eles mesmos (o povo redimido do Deus todo poderoso) como gafanhotos. Isto é como olhar pelo lado errado do telescópio. E (c) ele cega a visão da pessoa de Deus, causando falta de fé em Sua pessoa, plano, princípios, promessas, e propósitos.

Passo Dois: Murmuração

Na resposta do povo vista em Números 14:1-3 nós temos uma ilustração de um dos produtos de um foco errado, murmuração. Se você lembrar, a murmuração também pode ser observada na reclamação do povo em Números 11:1.

Números 14:1-3 Então toda a congregação levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite. 2 E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto! 3 Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?

Imediatamente, com seus olhos no problema, o povo ficou zangado com Deus e sua reclamação pelo que Ele estava fazendo foi mostrada pela sua murmuração contra Deus (cf. Ex 16:8), os Seus propósitos para eles, e contra a liderança que Deus lhes havia dado, Moisés e Arão. Aqui estava o segundo passo na espiral descendente. Quando nós mantemos nossos olhos na fonte do problema e falhamos em rapidamente refocar nossa atenção no Senhor, nós logo começamos a desenvolver murmuração a qual regularmente se manifesta em reclamação ou resmungos. Ocupação com o problema desenvolve maus sentimentos e atitudes erradas, ambos contra a fonte da irritação ou sofrimento e contra Deus e os propósitos que Ele está procurando realizar através do problema. A nossa murmuração pode vir na forma de inveja, ciúme, raiva, amargura, ressentimento, ou depressão, mas independentemente disso, nós começamos a ver o problema de um modo negativo ao invés de como uma oportunidade para ver Deus agir em nossas vidas ou na vida de outros. Nós murmuramos ou sentimos revolta pelo que Deus está fazendo. Nós duvidamos da Sua sabedoria, Seu propósito, e Sua bondade (cf. 14:2-3). A revolta pelo problema freqüentemente se manifesta em sentimentos como, Deus não sabe o que Ele está fazendo, ou como Deus pôde fazer isto comigo ou com a pessoa que eu amo? Deus não deve realmente nos amar. Ele simplesmente nos trouxe aqui para nos matar. Com esta atitude e condição espiritual, a alma humana naturalmente vai para a sua próxima ação lógica, alguma forma de auto preservação via soluções do próprio homem.

A cura para tal revolta no final das contas nunca está em como nós vemos os problemas, mas em nosso foco, em nossa visão de Deus. Nós realmente acreditamos que Deus é perfeito, que Ele não comete enganos? Nós realmente acreditamos que Deus tem os nossos melhores interesses em mente? Nós acreditamos que a frase de Jeremias 29:11 é verdadeira para nós, a qual diz, “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.”? Nós realmente acreditamos que Deus não pode fazer nada errado, que Ele tem infinita sabedoria e sabe o que Ele está fazendo? Tudo isto se reduz a duas questões em relação ao nosso foco e nossa fé. Nós realmente acreditamos que Deus é bom e cheio de sabedoria ou onisciente?

Tiago 1:2 nos diz para termos grande gozo quando passarmos por várias (muito coloridas) provações da vida, porém mais tarde nessa passagem, versículos 16-18, Tiago chama nossa atenção para a questão da bondade de Deus.

Tiago 1:16-18 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. 18 Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

Primeiro, ele nos adverte contra os enganos de nosso próprio coração ou pensamento errado que pode olhar as provações da vida de uma forma errada. Assim como uma resposta correta para as provações irá resultar em crescimento e maior maturidade espiritual, uma resposta errada seja para provações ou tentações irá resultar em declínio espiritual e pode no final das contas resultar em morte física ela mesma. Para uma ilustração de morte física compare 1 Coríntios 11:28-32.

Segundo, por causa da imutável bondade que não muda de Deus, Ele só pode dar boas dádivas. Independentemente do que a vida traz pela nossa perspectiva, nós nunca devemos nos perguntar se o que nós recebemos de Deus é bom ou não. Nem todas as coisas são boas, é claro. Algumas são produto do pecado ou de Satanás, mas Deus, em Seu amor paternal e bondade imutável, trabalha todas estas coisas para o bem (Rm 8:28-29).

Terceiro, por causa da natureza de Deus como o Pai das luzes, as Suas dádivas são o produto de um amor de Pai, sempre para nosso bem. O Salmista estava confortado por este elemento do cuidado de Deus quando ele escreveu, “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.” (Sl. 103:13). E o Salvador disse,

Mateus 7:7-11 Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. 8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. 9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? 11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?

Finalmente, mantendo o Seu caráter imutável e amor paternal, as Suas dádivas são constantes, “descendo dos céus” para nós continuamente. “Descendo” está no presente o que realça as dádivas de Deus como um padrão contínuo da bondade de Deus.

Passo Três: Plano

Observe as ações do povo em Números 14:3-4; 10, e 39-45. Tais ações ilustram a próxima progressão para baixo e natural – plano ou reação. Eu estou usando a palavra planejar no sentido de “inventar, tramar, maquinar, ou planejar com inteligência humana e ingenuidade para resolver um problema ou alcançar uma necessidade.” Nós vemos demonstrado um remédio humano planejado. Eles começaram a procurar suas próprias soluções em rebelião ao chamado de Deus e propósitos (14:3-4). Observe o seu pensamento planejando aqui. “E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito.” (vs. 4). Isto ilustra como nós estamos constantemente prontos para procurar caminhos para nos defender e escapar de nossos problemas com nossos próprios dispositivos humanos e proteções. Nós fugimos para evitar as pessoas ou o problema ou nós podemos procurar mudar nosso ambiente de algum modo. Então, as pessoas tipicamente mudam de igreja, de trabalho, de escola, de esposa ou marido. Nós somos tão inteligentes em dar desculpas e racionalizar nossa situação em uma dúzia de formas diferentes que parecem tão convincentes e lógicas para nós, especialmente em vista do problema. Observe o que as pessoas disseram, “Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?” (14:3). Ou nós podemos revidar em vingança ou retaliação ou como uma defesa para proteger nosso ego super sensível. Ou nós podemos criticar ou diminuir alguém porque nós estamos tentando proteger nossa preciosa auto imagem ou posição.

Passo Quatro: Conformado (Controlado)

Com nossos olhos longe do Senhor e vivendo por nossas próprias soluções arquitetadas, nós nos movemos para uma posição onde, em muitas formas, estamos fora do controle de Deus e ficamos controlados pela carne, ou pela situação, ou aqueles a nossa volta, ou por todos acima. Em outras palavras, nós estamos andando pelo que se vê ao invés de pela fé e o Espírito fica extinguido e entristecido (Ef 4:30; 1Ts 5:19). Aqui, então, está o próximo passo lógico e descendente. Como Provérbios nos previne, nós nos tornamos controlados pelas cordas de nosso próprio pecado (cf. Pv 5:22). O desejo deles de apedrejar Josué e Calebe ilustra o quão fora de controle nós podemos ficar quando não estamos andando em fé com nossos olhos no Senhor (cf. 4:10). Nós resistimos a liderança ordenada de Deus e buscamos controlar as coisas com nossas próprias mãos (vs. 10). Então, quando nossa estupidez fica evidente, nós podemos buscar fazer as coisas funcionarem contra a vontade de Deus através de nossos próprios esforços (cf. vs. 39). Em outras palavras, nós começamos a agir de acordo com o mundo. Ao invés de usar os problemas como uma ferramenta para crescimento e transformação, nós nos tornamos conformados pelo mundo e sua forma de lidar com a vida.

Refocando no Senhor

Com esta imagem negativa em mente, quais são os passos bíblicos para se ter um foco positivo ou para cima, o foco da fé na graça e amor de Deus? Como nós podemos refocar nossas provações e problemas Nele de modo a que elas possam se tornar em fontes de bênçãos e crescimento para nós mesmos e os outros. Como o Salmista escreveu: “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos” (Sl 119:71).

Quando confrontado com um problema, uma provação, uma irritação, uma aflição, ou alguma coisa difícil, o problema testa a nossa fé e tende a nos distrair de um foco orientado a Deus. Nós somos então confrontados com uma escolha, a escolha de onde vamos colocar nosso foco e confiança. Sendo assim confrontados, nós podemos também experimentar medo pelo que poderia acontecer à nossa reputação, aos nossos direitos, ou à perda de alguma coisa a qual nos apegamos para ter segurança ou felicidade. Com a possibilidade de tal perda vem a tentação de ficarmos irritados a qual pode se manifestar em forma de amargura e ressentimento e em culparmos e reclamarmos. Portanto, um foco errado irá afetar também nossa capacidade de amar e mostrar paciência para com as pessoas.

Como, então, nós podemos lidar com este dilema? Nós podemos buscar resolver o problema através de alguma forma de auto-proteção como remover nossa afeição ou pela crítica. Ou talvez nós tentemos evitar, ou fugir do problema. Isto pode tomar a forma de se ir fazer compras no shopping ou ceder ao desejo de um bom banana split para acalmar nossos medos ou raiva ou descontentamento com nossas circunstâncias em geral. Outro método é o velho jogo de culpar. Ao invés de aceitar qualquer responsabilidade por nossas atitudes e respostas pecaminosas, como Adão e Eva, nós também tendemos a procurar um bode expiatório ao qual apontar o dedo para longe de nós mesmos. Assim, encontramos a culpa do erro ao invés da cura de Deus.

John Killinger nos conta sobre um diretor de uma liga menor de um time de baseball que estava com tanto desgosto da atuação de seu interceptador central (fielder) que ordenou que ele fosse para a reserva e assumiu a posição ele mesmo. A primeira bola que veio dentro do campo central deu um salto ruim e atingiu o diretor na boca. A próxima foi bem para o alto, e ele a perdeu por causa do brilho do sol – até que ela bateu na sua testa. A terceira foi em linha reta e ele tentou pegar esticando os braços, porém, infelizmente, ela passou por entre suas mãos e estalou em seu olho. Furioso, ele correu de volta ao banco de reservas, agarrou o interceptador central pelo uniforme, e gritou. “Idiota! Você estragou tanto esta posição que nem eu posso fazer alguma coisa com ela!”4

Existe dentro de cada um de nós uma grande propensão para proteções ou encobrimentos. Nós não temos que nos esforçar para isto; pois vem naturalmente. É uma das conseqüências da queda herdada de nossos pais originais, mas é também um dos maiores obstáculos para se viver pela fé e descansar na total suficiência do Senhor e Suas soluções e provisões para as nossas vidas.

Por que isto é assim? Primeiro, culpando alguma outra coisa – pessoas, circunstâncias, nosso modo de ser, até mesmo o demônio – constitui uma de nossas próprias soluções independentes para lidar com a vida. Culpar é realmente o processo de se esconder e jogar sobre os outros, ou se encobrir e repreender. Nisto tudo nós ainda temos um foco negativo porque estamos vivendo por nossos próprios remédios ou artifícios. Porém, em segundo lugar, e mais importante, isto constitui um grande obstáculo à fé porque uma das coisas que nós mais encobrimos é nosso compromisso em lidar com a vida por nossos próprios métodos auto protetores. Ao invés de nos atirarmos na graça de Cristo e Sua total suficiência, nós pegamos tudo com nossas próprias mãos.

Quando fazemos isso, estamos deixando a bola cair. Não é a primeira vez e certamente não será a última. Portanto, o que devemos fazer? Como nos recuperar? Com este foco negativo e descendente em mente, vamos dar uma olhada no foco positivo e ascendente. De novo nós temos quatro palavras que descrevem o processo bíblico da visão positiva ou para cima. Mais uma vez, para uma visão geral, observe o seguinte gráfico:

Passo Um: Confissão

Um dos passos mais importantes e fundamentais para o foco positivo tão essencial para se viver pela fé é a confissão e o tipo de confissão que vai na raiz de nossos problemas. Naquele grande Salmo de confissão onde Davi estava procurando restabelecer sua relação com o Senhor, Davi escreveu: “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma” (Sl 51:6).

Por “verdade” Davi estava se referindo a franqueza e honestidade no homem interior – o oposto de nossas proteções ou defesas. A palavra “íntimo” representa a palavra Hebraica tuchot que vem do verbo tuach significando “caluniar, sujar, recobrir, revestir, encobrir” (cf. Ez 13:10-15; 22:28). As palavras “no secreto” (um particípio do verbo satam, “fechar, calar, manter fechado”) literalmente significam “fechado, selado” como em uma câmara fechada. A questão é, Deus quer que Sua sabedoria, a verdade da Palavra e as realidades de Cristo, avancem naqueles lugares do nosso coração ou mente que nós fechamos para as reais questões que nós precisamos enfrentar. Estes são os lugares secretos os quais estão freqüentemente encobertos ou manchados com nossas racionalizações e desculpas. Deus quer que conheçamos a Sua sabedoria nos lugares mais profundos de nossas mentes, não apenas nos pensamentos de nossa vida consciente, mas em nosso subconsciente. Aí é onde muitas de nossas estruturas de pensamento, muitas das quais são falsas, e nossas estratégias independentes repousam escondidas. Elas se ocultam logo abaixo do nível consciente de nossas mentes do mesmo modo que a porção submergida de um iceberg, mas são estas grandes áreas escondidas as responsáveis por muito do que fazemos e como agimos.

São nestes lugares de teste, algumas vezes chamados de salas de espera da vida, que nós precisamos parar e refocar, ficar silenciosos perante Deus e examinar as questões chave e pensar sobre o que Deus está fazendo. O processo de refocar, então, freqüentemente começa com a necessidade de um exame honesto seguido por confissão. Em contraste ao jogo de ficar culpando, o primeiro passo é um reconhecimento honesto de nossos caminhos auto dependentes seguido, é claro, de confissão ao Senhor.

Quando nós temos um foco errado, como descrito antes, nós negligenciamos a graça de Deus e nos voltamos para nossas próprias soluções ao invés de Sua generosa provisão. Em Hebreus 12:7-13, o autor nos exorta a conhecer e responder ao fato de que nossas provações são freqüentemente ferramentas de treinamento de Deus para disciplina pelas quais Ele procura produzir o fruto de paz e justiça, um caráter Cristão forte e maduro.

Hebreus 12:7-13 É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? 8 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos. 9 Além disto, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e os olhávamos com respeito; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos? 10 Pois aqueles por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia, mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. 11 Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados. 12 Portanto levantai as mãos cansadas, e os joelhos vacilantes, 13 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado.

O sofrimento, não importando a causa, mesmo quando o propósito principal é manifestar o poder de Deus para os outros, é uma ferramenta, um meio de treinamento que Deus usa na vida do crente que está sofrendo para crescimento espiritual e para a experiência de Sua justiça. Nós podemos suportar tal sofrimento apenas se focarmos nossos corações no Salvador (12:2-3). Entretanto, o autor estava ciente da tendência à fraqueza espiritual nos seus leitores, e em vista da vitória do Senhor Jesus, o consumador da fé, e o propósito paternal de Deus no sofrimento, ele os encorajou a renovar as suas forças (literalmente, “colocar ereto, tornar reto novamente”). Se eles procedessem assim e também fizessem veredas direitas para os seus pés (uma frase figurativa para se voltar ao caminho de Deus de crescimento e o andar pela fé, o foco para cima), eles experimentariam a cura de Deus e crescimento em justiça ou uma mudança a semelhança de Cristo.

Hebreus 12:14-15 Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, 15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem (ênfase minha).

A busca da paz com todos os homens assim como o plano de Deus para a santificação pessoal têm que ser vigorosamente perseguidos.5 Falhar em se fazer isto eqüivale a negligenciar a graça de Deus. Mas por quê? Porque sem a graça de Deus para o processo de santificação através da obra acabada do Cristo crucificado e a escola de treinamento através do sofrimento, ninguém verá o Senhor. Mas o que significa “ver o Senhor” ? “Ver” é o Grego $oraw, que pode significar, “experimentar, testemunhar” ou pode se referir a “percepção mental e espiritual.” Neste contexto,

Ver o Senhor significa estar em Sua companhia. Jó, por exemplo, disse, “Mas agora te vêem os meus olhos” (Jó 42:5). Este paralelo é preciso. Como resultado da disciplina divina Jó chegou a “ver” o Senhor. O escritor de Hebreus, imerso no Velho Testamento como ele estava, aparentemente tinha esta passagem em mente.6

Quando nós falhamos em buscar a santificação de Deus e falhamos em nos apropriar de Sua generosa provisão para isto, nós entristecemos o Espírito de Deus (Ef 4:30) e então levantamos barreiras para ter comunhão com Deus e os homens (Is 59:2; Pv 15:1; 25:23). Nós impedimos ou reprimimos o Seu poder e resposta à nossas orações (Is 59:1; Sl 66:18; 1Ts 5:19) e também os Seus propósitos através das provações (Sl 119:67,7,11; Rm 8:28-29; Nm 14:22-24; Tg 1:2-4; 1Pe 1:6).

Vital ao processo de santificação é a confissão por causa da sua natureza restauradora. “Confessar” é a palavra Grega @omologew, “dizer a mesma coisa, concordar com,” e então, “reconhecer, confessar.” A palavra Hebraica para “confessar” é yadah que originalmente significava “jogar ou arremessar,” e do ato de um braço estendido, ela veio a significar “apontar para.” Assim, ela veio a significar “apontar, reconhecer, confessar,” ou “louvar, agradecer.” A confissão enfatiza o princípio de “reconhecimento” e “declaração de um fato, seja bom ou ruim.” (Compare estas duas passagens chave: 1 João 1:9 com 2:1 e Provérbios 28:13.)

Ryrie escreve sobre a confissão: “É falar a mesma coisa sobre o pecado que Deus fala. É ter a mesma perspectiva naquele pecado que Deus tem. Isto tem que incluir mais do que simplesmente ensaiar aquele pecado. Portanto, confessar inclui uma atitude de abandonar aquele pecado.”7

    Propósitos para a Confissão

Existem vários propósitos para a confissão: (a) a confissão traz perdão e restauração da companhia de Deus (1Jo 1:9); (b) a confissão restaura o controle ou poder de Deus na vida do crente (Ef 4:30; 5:18; 1Ts 5:19); (c) a confissão fornece a reconciliação com o homem se nós tivermos ofendido alguém, e isto pode incluir a necessidade de restituição (Mt 5:23-24; Lc 19:8-10); (d) a confissão previne ou termina a disciplina divina pelo pecado (1Co 11:27); (e) a confissão promove contenção e resistência contra padrões pecaminosos (Rm 8:13; Gl 5:16); e (f) uma vez que a confissão nos restaura a companhia de Deus, ela nos possibilita a avançar no processo de santificação ou crescimento espiritual e utilidade para o Senhor (cf. Tg 1:21; 1Pe 2:1; 2Tm 2:21; 3:16-17).

Mas a confissão, pelo projeto de Deus, tem que ir além de mera externalidade. Nós todos precisamos ver e lidar com aquelas questões do coração que tão dramaticamente afetam nossos relacionamentos com o Senhor e com os outros. Até que haja uma confissão honesta e profunda das questões vitais, vai existir pouca dependência verdadeira no Senhor e nós simplesmente não estaremos nem prontos nem capazes de refocar nossas mentes Nele de modo a podermos continuar amadurecendo. Então quais são os objetos de confissão e estas questões vitais?

    Os Objetos, as Questões Vitais de Confissão

O que nós temos que reconhecer e confessar não é pouco. De fato, isto nos leva ao coração de nossa caminhada com Deus e nossa capacidade de mudar. A mudança ou transformação é o objetivo de todo o processo. Na verdade, nós não temos escolha no fato da mudança, apenas no tipo de mudança que ocorre. Uma confissão honesta que vá ao cerne, de modo que ela toque as questões escondidas do coração, forma a chave para a mudança bíblica verdadeira.

Nós temos que reconhecer que o caráter não pode se desenvolver positivamente sem se trabalhar nas questões escondidas do coração através de confissão honesta e arrependimento. Se nunca se lidar com estas questões vitais, nós podemos adquirir a verdade bíblica e mudar por fora até um certo nível de modo a nos conformarmos ao que é esperado, mas nossos sutis caminhos auto dependentes, auto protetores e estratégias continuarão intocados e não desafiados e são estes que nos fazem viver independentemente do poder de Deus. Até que nós reconheçamos estes pecados, nós continuaremos a viver por nossos próprios artifícios de auto suficiência. São estes que são tão destrutivos ao nosso caminhar com Deus, a nossa habilidade de obedecer, e aos nossos relacionamentos com as pessoas. Quando desafiados pela pregação da Palavra ou através de contatos pessoais com os outros, nós iremos fazer uma destas duas coisas: ou nós vamos nos tornar robôs que se conformam exteriormente a algum sistema religioso porque queremos que o grupo nos aceite e goste de nós ou nós vamos simplesmente nos rebelar.

Onde começa a confissão honesta? Qual é o fundamento para o tipo de confissão que vai até as questões verdadeiras do coração as quais nos afetam negativamente em nosso relacionamento com Deus e as pessoas?

(1) Existe em primeiro lugar o problema da grande mentira de que o homem não precisa de Deus e pode se tornar como deus ele mesmo (Gn 3:1-7; 2Ts 2:10-11 [lit. “a mentira”]). Por causa da queda e o seu impacto no estado espiritual do homem, existe entrelaçada em nossa constituição uma forte propensão para a auto suficiência, a qual é simplesmente um comprometimento pecaminoso de tentar lidar com a vida através de nossos próprios recursos e por nossas próprias soluções.

Este comprometimento pecaminoso à estratégias pessoais foi visto imediatamente depois da queda nas (a) folhas de figueira, no (b) ato de se esconderem, e nas (c) desculpas e culpa que ambos Adão e Eva se enrolaram assim que eles pegaram do fruto da árvore. Nestas ações nós vemos as conseqüências de morte espiritual e o grau de alienação de Deus que é ocasionado.

O homem precisa de Deus profundamente. Nós fomos criados para conhecer, amar, e servir à Deus e viver dependendo de Seus recursos e suprimento, mas na terrível alienação e morte espiritual causada pelo pecado, o homem procura viver pela mentira de Satanás, a mentira de que o homem não precisa de Deus, de que ao escolher o seu próprio caminho, ao usar os seus próprios recursos, ele pode ser como Deus, independente. Nossas soluções para os problemas da vida, independentemente da forma que eles tenham, resultam da ficção de que nós podemos fazer a vida funcionar sem total dependência em Deus.

Qualquer outra crença sobre o caminho para a significância e satisfação do que total dependência no Senhor irá imediatamente induzir nossas mentes mundanas e fúteis a sugerir nosso próprio rumo para conseguir e isto sempre nos conduz a esperanças ilegítimas e idólatras (Rm 1:18, Ef 4:17). Romanos 12:2 nos diz, “e não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” A renovação da mente inclui descobrir e mudar aquelas estruturas íntimas de nossas crenças que promovem um viver auto suficiente por nossos próprios mecanismos protetores, colocando no lugar uma estrutura de fé que requeira absoluta dependência no Senhor (cf. 2Co 10:3-5).

A verdadeira confissão vai além das questões superficiais. Primeiro, a confissão inclui o reconhecimento da presença destes caminhos auto protetores. Paulo os define como armas da carne levantadas contra o conhecimento de Deus (2Co 10:5). Segundo, a confissão bíblica os reconhece como pecaminosos e inválidos.

Note que ambos os extremos abaixo podem ilustrar nossas tentativas de controlar a vida sem Deus.

O Introvertido

O Extrovertido

Medo de decisões, nunca assume riscos.

Destemido, decisivo, o homem que fez a si mesmo e que pode assumir riscos.

Moderado, quieto, parece nunca ficar com raiva.

Ruidoso, mais afirmativo, freqüentemente mostra sua raiva.

Sr. Tímido

Sr. Dinâmico

A noção satânica de que, como Deus, nós podemos fazer as coisas serem diferentes ao desejarmos que seja assim, ou ao procurarmos controlar a vida, está na raiz dos problemas do homem e isto é também um dos objetos de confissão mais necessários. Nós tentamos isto fugindo de nossos problemas ou continuando a carregá-los, acreditando profundamente em nós mesmos e pensando positivamente, “Eu (nós) posso fazer isso.” Lembre-se, isto é precisamente o que Israel tentou fazer em Números 14:40-45. Note que embora eles tenham confessado sua incredulidade pecaminosa anteriormente, eles falharam em alcançar a questão vital, vida auto dependente. Eles disseram, “Eis-nos aqui; subiremos ao lugar que o Senhor tem dito; porquanto havemos pecado.” Embora Moisés os tenha prevenido contra tamanha presunção (14:41-43), eles foram adiante sem dar ouvidos, confiando na arma de sua própria força, e foram severamente derrotados pelos Amalequitas e Cananeus (14:44-45).

(2) Nós temos que compreender que a confissão tem que se estender além da superfície até as questões secretas e não vistas do coração. Falhar em fazer isto leva a um externalismo Farisaico. Os Fariseus eram aqueles que expressavam uma superficialidade piedosa, mas Cristo os chamava de sepulcros caiados porque, embora caiados por fora, eles eram corruptos no interior (Mt 6:21; 12:34-35; 15:18-19; Pv 23:7). O pecado tem que ser visto além da parte visível, assim como com a parte visível de um iceberg.

Muitos dos padrões conscientes de pensamento e das ações que nós temos resultam de crenças (conscientes ou inconscientes) que nós desenvolvemos como uma proteção contra um sofrimento ou dor pessoal e para fornecer a segurança, significância ou valor, e satisfação que nós desejamos. Mas quais são estes esforços? Eles representam as nossas tentativas de controlar os nossos problemas independentemente de Deus. Sendo assim, eles são também atos de auto suficiência, atos que interrompem a graça de Deus. Ao reconhecer que nós escolhemos lidar com a vida por nossas soluções identificamos o que tem que ser confessado e rejeitado de modo a podermos voltar para uma total dependência no Senhor através de um foco positivo ou para cima.

De novo, o comportamento de Israel em Números 13 e 14 é uma ilustração clássica e merece ser repetida. Como vimos, eles primeiro procuraram se proteger do seu medo dos gigantes daquela terra por incredulidade ou um foco errado. Depois de escutar o julgamento de Deus (14:26-39), o povo então procurou subir contra os inimigos da nação baseado em sua própria força contrariamente a ordem do Senhor (14:40-45). Enquanto completamente diferentes em ações visíveis, estes atos eram precisamente os mesmos em natureza e nos indicam a questão principal, a raiz do problema com o homem: Buscar viver independentemente, falhando em nos atirarmos por completo na graça de Deus para tudo na vida. No versículo 40, eles confessaram que haviam pecado, mas a sua decisão em lutar com o inimigo contra a determinação do Senhor mostra que eles na verdade nunca lidaram com a questão fundamental de vida independente e total confiança na provisão de Deus.

Nós somos seres racionais criados a imagem de Deus com desejos básicos e um vazio que só Deus pode preencher. Mas por causa da falsidade ou desonestidade do coração humano (Jr 17:9-10; Ef 4:22), os enganos de Satanás (2Co 11:3; 2Ts 2:9-11), e os artifícios enganosos do mundo (Mc 4:19), nós tipicamente inventamos nossas próprias crenças e estratégias pelas quais nós procuramos alcançar nossos objetivos. Embora estas estratégias sejam freqüentemente irracionais e totalmente erradas quando julgadas pela verdade da Palavra de Deus, nós ainda assim nos apegamos a elas. Por exemplo, nós acreditamos que para sermos felizes as pessoas tem que nos tratar do jeito que nós queremos ser tratados. Nós todos desejamos isto, mas isto é realmente essencial para se ter paz interior e alegria? Não!

Quando confrontados com uma pessoa ou situação difíceis, nós imediatamente pensamos em controlar a situação com nossas próprias mãos. Nós bolamos uma estratégia para proteger a nós mesmos ou a nossa opinião revidando, retrocedendo, falando muito, nos gabando de nossas realizações, ou inferiorizando alguém. Mas nisto nós nos iludimos. Tais ações parecem tão certas para nós, mas o seu final é o caminho da morte (Pv 14:12; 16:25).

A nossa confissão precisa ser, “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10:23). “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” (Sl 119:9). A busca da vida através de nossos próprios esforços tem que ser reconhecida, confessada, e abandonada.

Em outras palavras, se é para a confissão ter um impacto de mudança na vida, ela tem que reconhecer todas as áreas de pecado: pecados de atitude mental tais como pecados da língua, pecados visíveis e pecados de omissão. Ela tem que alcançar além da superfície até o cerne de nosso ser de modo a destruir quaisquer ídolos de autoconfiança ou auto-suficiência que nós tenhamos erigido e nos tornado dependentes para a nossa felicidade, satisfação, segurança, ou significância. Sem isso, nós simplesmente não podemos verdadeiramente voltar para Deus como nosso único refúgio e fonte de vida.

O que Deus usa para nos expor ao nosso pecado? (a) Ele usa a Sua Palavra (2Tm 2:16; Hb 4:12); (b) Ele usa o Espírito Santo (Jo 16:8, 13; Pv 20:27; 1Co 2:11-15); (c) Ele usa as pessoa no corpo de Cristo (Gl 6:1f; 1Ts 5:11; Hb 3:12-13); e (d) Ele usa as provações da vida (Sl 119:67,71; Tg 1:2f; 1Pe 1:6f).

A confissão então, se nós falhamos em responder a uma provação pela fé, é o primeiro passo para se refocar no Senhor e parar o processo de queda. É um ato positivo de fé e vontade que mostra que: (a) eu estou confiando em Deus para perdoar completamente todos os pecados envolvidos em minhas reações erradas, incluindo a negligência da Sua graça e meus mecanismos ou soluções auto protetores, e (b) eu estou confiando em Deus para controlar e me capacitar, através dos princípios que serão discutidos abaixo, a submeter minha vida aos Seus propósitos nas provações ou aflições que Ele permite na minha vida? Nas palavras de 1 Pedro 5:6-7, a confissão é o primeiro passo para me humilhar ao que Deus está procurando fazer através da provação de maneira a que nós também depositemos nossas preocupações Nele.

Passo Dois:
Considere com Alegria
(Tiago 1:2-12)

Um dos fatos básicos da vida que nós todos temos que conviver e aprender a lidar é a realidade da dor e do sofrimento. Nós todos desejamos por uma vida sem provações e dor. Este desejo é natural porque Deus nos criou para o Éden, mas por causa de Satanás e os efeitos da queda em ambos o homem e a criação, nós encaramos provações e irritações, dor e sofrimento.

É duro se ter sofrimento, mas ainda mais duro é compreendê-lo. Nós olhamos as condições do sofrimento em nossas próprias vidas e nas vidas daqueles que nos cercam e vemos muitas coisas que parecem injustas e desnecessárias. Como resultado, nós perguntamos por que? Por que eu? Por que meu filho? Por que? Por que? Por que?

Enquanto o sofrimento nunca é realmente fácil, a Escritura nos dá um número de razões para o sofrimento, o qual, se compreendido, pode nos ajudar através da jornada da vida. Entretanto, embora isto possa diminuir a dor e nos capacitar a experimentar a paz de Deus no meio do sofrimento, conhecer estes princípios nem sempre remove a por. O sofrimento é inerente a uma humanidade caída e pecadora sobrecarregada pelo seu próprio pecado e por poderes demoníacos que nos cercam e provocam sofrimento. Mas o sofrimento é necessário porque é uma ferramenta que Deus escolheu usar para chamar nossa atenção e nos treinar assim como um pai disciplina ao seu filho.

Para um estudo sobre as razões do sofrimento, veja “Why Christians Suffer”(Porque os Cristãos Sofrem) na página da Biblical Studies Foundation na internet na seção Spiritual Life (Vida Espiritual) (www.bible.org).

    Atitudes Necessárias nas Provações—A Diretriz (vs. 2)

(1) A Ordem para Obedecer – “Considere com alegria ou grande gozo”

“Considerar” ou “levar em conta” é @hgeomai e significa (a) “contar, calcular, pensar, considerar, concluir, reparar ou observar,” ou (b) “conduzir, guiar, liderar (usado para líderes de igreja e maridos).” Ela é uma introdução aorista e se refere ao início de uma ação, ou seja, começar a pensar de tal modo que leve até a alegria ou gozo. Ela é um imperativo que significa que isto é um comando ou ordem, um mandato bíblico e uma diretriz para se lidar com as irritações e provações da vida. Ela acompanha as palavras “quando você encontrar.”

Quando somos confrontados com uma provação, Tiago está nos dizendo que nós temos que começar aquele sofrimento pensando biblicamente (com a mente de Cristo) de modo que o resultado seja pura alegria ou gozo. Tal qual um bandeirinha que marca um impedimento para um jogador de futebol, nós também devemos dar um impedimento com o ponto de vista de Deus e derrubar quaisquer respostas erradas que poderiam se levantar contra o conhecimento de Deus e Seus propósitos (2Co 10:4-5).

“Grande gozo” é uma frase importante. A ordem das palavras é literalmente, “grande gozo considere, ...” A ênfase está claramente nas palavras “grande gozo.” Tiago não disse apenas, “considere com gozo”, mas “considere com grande gozo.” Uma outra tradução da Bíblia traduz isto como “puro gozo,” gozo ou alegria que é completo ou sem mistura, não apenas “algum gozo” misturado com um monte de más atitudes como ressentimento, desprezo, e dúvida. A palavra “gozo ou alegria” corresponde ao Grego cara, “prazer, alegria, gozo, satisfação,” ou “a causa ou objeto da alegria, deleite, ou felicidade.” Gozo é uma boa emoção evocada por um estado ou possibilidade de bem-estar, sucesso, ou bênção. Na bíblia, ela é uma boa emoção que vem de se pensar e confiar nos benefícios e bênçãos do amor, sabedoria, plano, e propósitos de Deus.

Tiago não está dizendo que não deveria haver dor, aflição ou tristeza nos sofrimentos da vida. Tiago não está dizendo que nós não deveríamos nos magoar ou mesmo experimentar raiva em algumas situações. Ele está dizendo que nós temos que aprender a conhecer o gozo e paz de Deus no meio das provações da vida de tal modo que isto afaste aquelas emoções prejudiciais e atitudes como ressentimento ou amargura, que nos levam a controlar as coisas com nossas próprias mãos. Estas são ações que estão claramente desligadas de e opostas aos propósitos de Deus e a um caráter igual ao de Cristo.

Para ilustrações de sofrimento considere o seguinte: (a) Na vida de nosso Senhor (Hb 12:1-3; 1Pe 2:21-23; Jo 11:33-35; Lc 19:41f; 13:34-35); (b) Na vida de Paulo (Fp 1:12-21; 2:27; 2Co 11:28-29; 4:7-11). Ambos o Senhor e Paulo, vivendo com a mente de Cristo, viram além do imediato em direção a propósitos maiores e tiveram suas mentes focadas em um propósito maior que o seu próprio conforto.

(2) As Pessoas Endereçadas—“meus irmãos”

Tiago se dirige à crentes em Cristo, aqueles que são irmãos e irmãs no Senhor. Enquanto isto mostra o carinho e amor pelos destinatários da epístola, ele certamente vai além disso identificando-os como companheiros que crêem, aqueles nascidos dentro da família de Deus através da palavra da verdade (cf. 1:18). Ao fazer assim, ele nos mostra como os crentes que conhecem Jesus Cristo deveriam agir quando confrontados com provações. Os crentes, por causa de seu relacionamento especial com Deus através de Cristo, têm a capacidade de lidar com as pressões da vida de modo a que aquelas pressões possam ter os resultados antecipados nessa passagem.

(3) O Aspecto de Tempo—“quando vocês encontrarem” “quando passardes”

“Quando passardes” se refere aquele ponto no tempo que nos chama à considerar com grande gozo. As idéias aqui são três: Primeiro, no momento que você se achar em uma provação, a sua necessidade imediata é considerá-la com grande gozo. Demorar nisto nos coloca no caminho de queda. Segundo, “quando passardes” carrega consigo um aviso da certeza com relação as provações e irritações. “Passar ou encontrar” é a palavra Grega peripiptw, “encontrar, passar por, cair em,” e carrega consigo a idéia de cair em alguma coisa e assim se ficar “envolto, cercado, engolfado.” As provações tem um jeito de fazer exatamente isto; elas algumas vezes parecem literalmente nos engolfar. Este verbo é usado em Lucas 10:30 sobre o homem que caiu nas mãos dos ladrões.

    As Condições que Requerem Alegria—“várias provações”

“Várias” é poikilos, “muito colorido, diversificado, variado.” Isto chama nossa atenção para a natureza dos sofrimentos e da vida em um mundo caído. As provações vem de várias fontes e são de todos os tamanhos, formas, e tipos. Com relação as fontes elas procedem de nós mesmos, de Satanás, do meio-ambiente, da sociedade, e das pessoas; e com relação aos tamanhos e tipos elas variam de pequenas irritações como um pneu furado, uma pessoa irritante, uma fraqueza pessoal, até o suportar todo um caminho de uma doença terminal, a morte de um ente querido, ou desastres nacionais.

É fácil estar alegre e feliz quando as coisas estão indo bem, quando nós estamos confortáveis e sentindo prazer. Qualquer um pode estar alegre assim. Mas para os Cristãos, tem que haver mais do que isto por causa do que nós conhecemos da Palavra e por causa do que nós temos em Cristo. O plano de Deus para as nossas vidas e o potencial para cada um de nós como crentes em Cristo é que nós deveríamos ser capazes de lidar com qualquer e todo tipo de irritação ou provação independentemente de quão pequena ou quão grande – desde a irritação de um inseto ou a mordida de um mosquito até o fardo de um elefante ou o rugido de um tanque. Através da Palavra de Deus e fé Nele, os Cristãos podem desenvolver a fé para lidar com a vida e sua variedade de provações. Paulo assim fez.

Filipenses 4:11-13 Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre. 12 Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. 13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

“Provações” é uma palavra importante e que precisa ser compreendida se nós quisermos captar o cerne desta passagem em Tiago. A mesma palavra Grega se encontra atrás da palavra “provações” em 1:2 e da palavra “tentado” no versículo 13. Os versículos 2 e 3 estão tratando de provações de fora, enquanto os versículos 13-16 tratam dos testes de dentro, do interior, no sentido das tentações para o pecado. A palavra Grega é peirasmos significando “prova, verificação, provação, tentação,” mas quando o contexto está tratando de provações, ele olha para uma provação ou teste direcionado para algum objetivo. O objetivo é que a pessoa testada deveria emergir mais forte, pura, e bem melhor por causa dos testes. A forma verbal, peirazw, significa “fazer prova de, testar, tentar.” A idéia aqui não é aquela da sedução para o pecado, mas um teste que prova a condição do metal ou que o torna mais forte e purifica. Isto antecipa o que Tiago irá dizer no próximo versículo. Por causa do trabalho providencial e soberano de Deus em tudo da vida, nossas provações não são sem propósito. Deus quer que nós entendamos isto e respondamos em fé com alegria porque nós sabemos que fazemos parte de Seus propósitos eternos que vão bem além das temporalidades desta vida.

Nossa tendência natural não é colocar prioridade máxima o tornar-se igual a Cristo no meio de nossos problemas, mas sim em achar felicidade, conforto, e prazer. Nós todos queremos ser felizes mas a verdade paradoxal é que nós nunca iremos ser felizes se estivermos preocupados antes de mais nada em sermos felizes. A nossa preocupação maior em todas as circunstâncias deveria ser responder biblicamente, colocar o Senhor em primeiro lugar, procurar se comportar como Ele iria querer. A verdade maravilhosa é que quando nós devotamos nossas energias à tarefa de nos tornarmos o que Cristo quer de sejamos, Ele nos preenche com alegria ou prazer indescritível e uma paz que ultrapassa de longe o que o mundo oferece.

É fundamental para tal busca a necessidade de conscientemente rejeitar o objetivo de se tornar feliz e adotar o objetivo de se tornar mais como o Senhor. Em nosso mundo moderno hoje a ênfase é em experimentar uma totalidade ou perfeição pessoal, potencial humano, auto-estima, conforto, e a chamada liberdade para ser quem realmente somos, seja lá o que isto significar. Silenciosamente, como um barco a deriva solto de seu ancoradouro, tal objetivo nos carregou para longe do compromisso bíblico de sermos transformados no caráter de Cristo. Hoje, o foco principal é em nosso desenvolvimento como indivíduos o qual carrega consigo a promessa implícita de que experimentando o nosso potencial (ao menos como o mundo vê isto) irá conduzir até nossa felicidade, mas isto é no final das contas uma miragem.

Por causa do que somos e por causa da natureza das provações com todas as suas dores e frustrações, encontrar a alegria verdadeira quando a nossa fé está sob fogo ou quando a vida machuca freqüentemente parece impossível. Como, então, pode uma pessoa encontrar uma alegria ou prazer puros nas provações da vida? Parte da resposta vem de se entender o seguinte:

O Senhor disse, “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). Então em João 16:33 Ele disse, “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Nestas duas passagens nós aprendemos duas verdades importantes com relação a paz:

Primeiro, devido a natureza deste mundo caído no qual nós vivemos, um mundo dominado pelo pecado, Satanás (o deus deste mundo), e a morte, todos os homens experimentam tribulação, mas especialmente os crentes que querem viver e ser contados em Cristo. Tribulação e sofrimento são simplesmente realidades absolutas da vida. Embora projetados para o Éden, por causa da queda do homem em Gênesis 3, nós não vivemos em um Jardim do Éden nem no milênio, não ainda. Portanto, nós nunca deveríamos estar surpresos pela tribulação.

1 Pedro 4:12 Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse;

Segundo, enquanto paz e alegria não são exatamente sinônimos, eles estão relacionados. Um coração perturbado, um coração sem paz, não é certamente um coração cheio de alegria e nada neste mundo, nem posição, poder, prazer, nem diversão e jogos, serão capazes de dar alegria e paz, ao menos não o tipo destes que podem lidar com os muitos altos e baixos da vida. O mundo tem seus próprios caminhos e meios de procurar paz e alegria, mas eles são um pouco mais que um anestésico projetados para enfraquecer ou encobrir o vazio de uma vida sem a salvação que nos vem em Cristo e um correto relacionamento com Deus através do Salvador.

Nós freqüentemente associamos as palavras provação e sofrimento com doença, dor, ferimento acidental, perseguição física, ou algum outro tipo de trauma físico, e certamente tais coisas são uma parte das provações e sofrimentos da vida. Sofrimento é alguma coisa que machuca, doe, mas é também algo que nos faz pensar. Ele é uma ferramenta que Deus usa para chamar nossa atenção e efetuar os Seus propósitos em cada um de nós. Deus permite tanto prosperidade como adversidade de acordo com Seu próprio sábio conselho e Ele assim faz sem revelar todos os detalhes do que Ele está fazendo.

Eclesiastes 7:13-14 Considera as obras de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? 14 No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

Em vista da soberania de Deus, o pregador nos ensina a necessidade de submissão à soberania de Deus. Isto significa que nós devemos aproveitar os bons tempos (regozijar-se) e nos lembrarmos (considerar) nos maus tempos que a adversidade tem os propósitos inescrutáveis de Deus que vão bem além da compreensão humana do homem (cf. 8:17).

Parte da vida de fé é aceitar a prosperidade e adversidade das mãos de Deus sem ser capaz de explicar como tudo irá dar certo para o futuro (v.14; Rm 8:28).8

Claramente, o sofrimento é um fato desta vida que ninguém pode evitar.

Pode ser um câncer ou uma dor de garganta. Pode ser a doença ou a perda de alguém próximo a você. Pode ser uma falha pessoal ou uma decepção no seu emprego ou trabalho na escola. Pode ser um rumor que está circulando no seu trabalho ou na sua igreja, manchando a sua reputação, trazendo tristeza e ansiedade. Poderia ser um relacionamento quebrado com um membro da família ou um amigo. Isto é doloroso, e machuca você profundamente. Isto é sofrimento

Os seus problemas não são sem sentido, eventos aleatórios, que caem na sua vida sem um propósito e um padrão. Biblicamente, o sofrimento é parte de um processo: Nós sabemos que a tribulação(sofrimento) produz a perseverança, e a perseverança a experiência(caráter), e a experiência a esperança (Rm 5:3-4). Todos nós queremos o produto, experiência(caráter); mas nós não queremos o processo, sofrimento.9

    As Vantagens das Provações—O Objetivo (vss. 3-4)

(1) O Fundamento para as Provações é a Compreensão Bíblica—“sabendo que”

A Edição Contemporânea de Almeida (ECA) traduz Tiago 1:3, “sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança.” Esta tradução olha para o versículo 3 como a causa para se considerar com grande gozo ou alegria quando confrontados com provações. “Sabendo” é um particípio adverbial que nos diz como nós podemos considerar com grande gozo. Esta palavra nos aponta para a causa a qual na verdade se torna nos meios. Como nós podemos considerar com pura alegria? Em se compreendendo a verdade concernente ao sofrimento e seus propósitos no plano de Deus. Como Cristãos que marcham sob um tambor diferente, ou deveriam, nós deveríamos considerá-lo com pura alegria ou grande gozo. O fundamento necessário é o conhecimento da Palavra, visão bíblica do plano de Deus e do uso das provações da vida.

“Sabendo” aqui é ginwskw, “perceber, compreender, entender, se dar conta.” Como usada no Novo Testamento e mesmo fora dele, ela significava conhecer de um modo particular ou pessoal. Com esta palavra existe freqüentemente a implicação de se captar a total realidade e natureza do objeto considerado.

(2) A Natureza das Provações – Elas são provas que testam a nossa fé

“Prova, teste” é dokimion, uma palavra Grega diferente da palavra para “provações” acima embora seja um sinônimo. Esta palavra tinha tanto um uso ativo como um passivo. Ativamente, ela era usada como o meio para um teste como com uma fornalha ou panela no processo de refino de um metal projetada para remover os dejetos ou impurezas. Passivamente, ela era usada para o resultado do teste, para o produto, a coisa aprovada como com a cunhagem de libra esterlina ou dinheiro que era genuíno e sem impurezas ou ligas. Ela era usada para o que era puro, valioso, e utilizável como ouro refinado e puro.

O sofrimento é um purificador. Não importando qual a razão, mesmo quando ele não é disciplina divina para carnalidade grosseira, ele ainda é um purificador, pois nenhum de nós irá jamais ser perfeito nesta vida. Todo o conceito de refinar metal ou da purificação do ouro inclui um processo. Não existe tal coisa como um ouro instantâneo. Raramente o sofrimento não revela áreas de carência, fraquezas, atitudes erradas, apatia, indiferença, um espírito de independência, fontes falsas de confiança e felicidade, ou insensibilidade para com Deus e os outros, etc.

As nossas provações, então, são as ferramentas que Deus usa para nos testar. Mas o que exatamente as provações testam? Tiago nos diz que elas testam a nossa fé. Por que a nossa fé? Porque a essência do Cristianismo e da comunhão com Deus nesta vida é a fé. Nós devemos andar pela fé, não pelo que se vê. Enquanto lemos nossas Bíblias, enquanto sentados no aconchego de nossos lares e nossa prosperidade Americana, nós gostamos de pensar diferente, mas o fato é que a fé nunca cresce em um lugar de total segurança, ela não pode. Simplesmente não vai haver ocasião para usá-la. A fé só pode ser testada e se manifestar no meio de uma genuína necessidade – em lugares de desamparo, impotência. Eu acho que foi o poeta, Goeth, que disse, “O talento é formado na solidão, mas o caráter nas tempestades da vida.”

O homem foi criado por Deus, para Deus, e projetado para viver em total dependência Nele. Mas o que revela o pecado do homem e as conseqüências da queda mais do que o compromisso do homem em levar a sua própria vida e viver independentemente através de suas próprias estratégias? Nada! Mais importante ainda, estas estratégias nem trazem o homem mais perto de Deus nem uns com os outros como companheiros seres humanos. Elas fazem exatamente o oposto. Elas afastam o homem ainda mais de Deus e de uns com os outros. Elas alienam assim como visto em nossos primeiros pais, Adão e Eva, que estavam se escondendo, dando desculpas, e culpando os outros imediatamente depois da queda.

Assim como o processo de refino é usado para separar as impurezas do metal puro, também Deus usa as nossas provações para trazer a nossa fé para a superfície e colocá-la para trabalhar. As provações nos forçam a afastarmos as nossas próprias estratégias de independência de modo a que possamos nos reclinar ou nos apoiar no Senhor. De novo, o que são provações? Elas são instrumentos de Deus para nos purificar de toda impureza e queimar seja lá o que esteja inconsistente com a fé e a semelhança a Cristo. As provações, como o calor usado no teste de metais, mostram as condições de nossa fé e os objetos de nossa fé ou confiança. Elas rapidamente revelam as nossas estratégias humanas independentes para a vida, as quais nada mais são do que nossas tentativas de rota para a alegria e a satisfação sem Deus. E ser religioso não significa que se está realmente vivendo pela fé, pois isto pode simplesmente ser uma folha de figueira, um mecanismo de proteção para se viver independentemente de Deus.

    O Objetivo de Testar Nossa Fé pelas Provações

(1) O Objetivo Imediato – Perseverança

“Perseverança” é @upomenw, a qual carrega a idéia de permanecer sob o teste a despeito da extensão e do grau de pressão. “Produz” ou “desenvolve” é katergazomai, de kata, “abaixo” e ergazomai, “trabalhar, labor, produzir, executar.” Katergazomai é um pouco mais intenso que a simples forma verbal e significa “efetuar pelo trabalho, concluir, desenvolver, alcançar.” De novo, nós somos lembrados que o sofrimento é um processo. “Sabendo que a tribulação(sofrimentos) produz a perseverança, e a perseverança a experiência(caráter), e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4). Existia uma antiga ferramenta chamada “tribulum” que era usada para separar o joio do trigo. A nossa palavra tribulação vem desta palavra.

Assim como um processo, o sofrimento leva um tempo. Por isso, os resultados que Deus procura realizar com o sofrimento requerem tempo e assim também, a perseverança. Enquanto pessoas, nós naturalmente queremos o produto, caráter, mas não o processo, sofrimento. Mas por causa da constituição do homem, nós não podemos ter um sem o outro. Uma das coisas que nós temos que arcar é que as provações da vida são ferramentas que Deus quer usar para realizar os Seus propósitos. Quando nós nos mantemos fugindo ou reagindo às ferramentas que Deus usa, nós impedimos o processo do perfeito trabalho que Deus quer fazer. Mas qual é este trabalho?

(2) O Objetivo de Longo Alcance – Maturidade Espiritual

“E a perseverança tenha a sua obra perfeita,” ou seja, o seu produto acabado. Mas como? Ficando na bancada de trabalho de Deus, confiando em Deus através das provações e desejando os Seus objetivos. O propósito está declarado na expressão seguinte, “para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.” O objetivo final do sofrimento é um crescimento maduro, transformação no caráter de Jesus Cristo – sendo conformados ao Filho de Deus (Rm 8:28-29).

“Perfeitos” é teleios. Ela significa perfeito no sentido de “maduro.” Significa “tendo alcançado o seu final, completo, acabado, maduro.” Ela era usada tanto para desenvolvimento físico como espiritual. No coração desta palavra está a idéia do Velho Testamento de uma pessoa completa: aquela que está corretamente relacionada com Deus. Uma boa passagem do Novo testamento para isto seria Efésios 4:13-14.

“E completos” mais adiante explica. A palavra aqui é @oloklhros, “completo em todas as suas partes.” A semelhança a Cristo deve penetrar todas as áreas da vida do crente e isto inclui todas as virtudes do caráter Cristão ou o fruto do Espírito.

“Não faltando em coisa alguma” realça esta ênfase no propósito de Deus de nos trazer para a maturidade espiritual ou para dentro do caráter do Filho de Deus. Nenhum de nós consegue chegar aí, mas este deve ser o nosso objetivo e o nosso desejo como pessoas redimidas do pecado e com a eternidade como o nosso prospecto como filhos de Deus.

O sofrimento nunca é fácil. Ele é duro por que machuca. Nós precisamos da graça de Deus que nos capacita a lidar com as irritações da vida, mas ironicamente nós gastamos muito tempo conversando com as pessoas sobre os nossos problemas e as coisas que nos ferem ou nos irritam e muito pouco tempo conversando com Deus. É significante que logo após de nos lembrar dos propósitos de amadurecimento de Deus no sofrimento, Tiago nos leva à assistência de Deus e à questão da oração ou a oração com fé (1:5f). Isto logicamente nos leva ao nosso próximo passo no foco para cima.

Passo Três:
Entregue ao Senhor

lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.

Quando nós tentamos lidar com nossas provações por nós mesmos, nós no final das contas falhamos mesmo quando nós pensamos que tivemos sucesso. Quando nós lidamos com o sofrimento por nossos próprios métodos, nós agimos em arrogância e rebelião, e rejeitamos a graça e a sabedoria de Deus que é tão desesperadamente necessária para lidar com a vida mesmo na prosperidade. Sempre que agimos assim, nós estamos acreditando e agindo de acordo com a mentira de Satanás que nos quer fazer acreditar que nós podemos andar independentemente de Deus através de nossas próprias soluções para a vida.

Ainda assim, mesmo quando nós compreendamos os propósitos de Deus em nossos sofrimentos e os vejamos como as ferramentas que Ele usa para nos transformar ou para nos usar nas vidas de outros, nunca é fácil. O sofrimento dói e nós não gostamos da dor apesar dos benefícios. Embora nós compreendamos que ele nos leva a um fruto pacífico de justiça, ele ainda é doloroso e nós precisamos de assistência. Nós cometemos dois grandes enganos no meio de nossas provações: primeiro, conversamos demais com as pessoas sobre os nossos problemas e muito pouco com o Senhor; e segundo, temos a tendência de nos desviar para as nossas próprias estratégias para lidar com aqueles problemas. Ironicamente, freqüentemente fazemos isto enquanto clamando ao Senhor pela Sua ajuda. Em outras palavras, nós queremos a Sua ajuda, mas de acordo com nossos termos.

    Um Exemplo a Seguir

Hebreus 12:1-3 Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, 2 fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. 3 Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.

Cristo Jesus, que foi o “autor ou precursor” do caminho da fé para seguirmos, é também o “consumador” ou “finalizador” deste caminho uma vez que Ele alcançou o seu final com sucesso e realizou tudo o que é necessário para andarmos pela fé. Tendo derrotado Satanás e seus principados (Cl 2:15; Hb 2:14) e tendo realizado perfeitamente a nossa redenção (Cl 1:12-14; 2:11-14; Hb 1:3; 2:17-18; 4:16), Ele está agora sentado vitoriosamente à direita de Deus. Em tudo isto, Ele é o nosso exemplo e modelo perfeitos, pois Ele focou na alegria ou gozo que Lhe estava proposto. Ao invés da vergonha ou ignomínia e das agonias da cruz, a Sua confiança estava na fidelidade do Pai e o Seu foco estava na recompensa.

O Apóstolo Pedro desenvolve este tema de Jesus como o nosso exemplo perfeito ainda mais. Ele escreveu:

1 Pedro 2:21-23 Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. 22 Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; 23 sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente;

Primeiro Pedro aponta para Cristo como o exemplo perfeito de se andar pela fé no meio dos sofrimentos e provações da vida (vs. 21). Então, nos versículos 22 e 23a ele nos mostra como Jesus recusou usar as soluções e estratégias típicas que todos nós tendemos a usar para lidar com nossas provações. Ele nos lembra que “sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava.” Finalmente, o versículo 23b ilustra como o Senhor lidava com o problema, Ele “entregava-se àquele que julga justamente.”

“Mas entregava-se” é paradidwmi de para, “perto de, ao lado de,” mais didwmi “dar.” Significa “dar, entregar para outro, dar para alguém guardar, importar-se com, confiar em outra supervisão.” Era usada para dar uma pessoa ou uma cidade nas mãos e cuidado de uma outra para supervisão ou administração, e para entregar uma questão às autoridades para fazer justiça. Além disso, o verbo está no imperfeito o que significa que Cristo continuou a entregar tudo ao Senhor. Então, ao invés de segurar os problemas com as Suas próprias mãos, o Senhor continuamente lidava com os Seus sofrimentos entregando-os ao Pai para administração e acreditando que os propósitos de Deus (nossa redenção) seria realizada, assim como o resto da passagem mostra. Ele não pensou em Si mesmo, mas descansando a Sua vida nas mãos do Pai, Ele estava livre para pensar nos outros.

    Uma Ordem para Obedecer

1 Pedro 5:5-7 Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. 6 Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; 7 lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

No versículo 7 nós temos uma ordem para lançar toda a nossa ansiedade no Senhor. Por causa do princípio afirmado no versículo 5, “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes,” Pedro diz , “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus.” Antes que os homens lancem os seus problemas no Senhor, eles tem que descer do seu grande cavalo; eles tem que reconhecer a sua insuficiência, a sua fraqueza, a sua falta de sabedoria, de modo a poderem estar livres para se colocarem sob a soberania onipotente e sabedoria de Deus e então Deus está livre para tratá-los em graça.

“Potente” é krataios, uma palavra usada para o poder em relação a um trabalho a ser feito. Se refere a força ou resistência como abundantemente efetiva para realizar uma finalidade a ser obtida ou um domínio a ser exercido. Pela escolha desta palavra, Pedro está nos lembrando que Deus sozinho tem o poder necessário para lidar com os problemas da vida. Por que então nós procuramos lidar com nossos problemas sem fé e profunda dependência no Senhor? Talvez seja porque nós realmente não queremos ter que confiar no Senhor. Nós queremos controlar nossa próprias vidas de modo a podermos ter as coisas do nosso modo de acordo com nosso próprio tempo. Portanto, nós assumimos tudo com nossas próprias mãos. Nós manipulamos, distorcemos a verdade (mentira), gastamos além de nossas possibilidades, ignoramos prioridades espirituais por causa de preocupações seculares ou materialismo, ou reagimos defensivamente e com estratégias de fuga arquitetadas para conseguirmos o que queremos. Nós temos medo de nos lançarmos totalmente na suficiência de Deus.

“Para que a seu tempo vos exalte(vos erga)” claramente se refere a sabedoria e habilidade de Deus para lidar com nossos problemas em Seu próprio tempo e do Seu próprio jeito – um tempo melhor e um jeito melhor.

“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade.” No versículo 7 nós vemos o resultado natural da humildade. Ele nos mostra como devemos nos humilhar. “Lançando” é epiriptw, “jogar algo em alguma coisa ou em alguém, depositar com alguém para guardar com segurança.” Em Lucas 19:35 ela é usada para lançar os mantos sobre um jumentinho. Mas por favor observe uma coisa aqui. A gramática Grega praticamente conecta o “lançando” à ordem de 1 Pedro 5:6. “Lançando” (um particípio adverbial) é simultâneo ao “humilhai-vos” e nos mostra tanto o como assim como o resultado de nos humilharmos debaixo da potente mão de Deus. Nós poderíamos traduzir, “sejam humildes lançando toda a vossa ansiedade Nele.” “Ansiedade” é merimna significando, “atenção, preocupação, cuidado, pensamento, angústia, ansiedade.” A forma verbal, merimnaw significa “ter um pensamento para, estar ansioso sobre,” ou “importar-se com, estar preocupado sobre.”10

Para exemplos de uso de ambos o verbo e o substantivo compare Mateus 6:25, 27, 28, 31, 34; 10:41; 13:22; Lucas 8:14; 10:41; 1 Coríntios 7:32, 33, 34; 12:25; 2 Coríntios 11:28; Filipenses 2:20; 4:6. De uma observação do uso desta palavra nestes versículos podemos ver como estas palavras, dependendo do contexto, podem ter um duplo sabor. Elas podem ser usadas: (a) para um apropriado e honrado cuidado e preocupação como com o cuidado de Paulo para as igrejas ou o cuidado de um marido por sua esposa, ou (b) para uma preocupação errada no sentido de ansiedade ou preocupação causada pela falta de fé ou uma atitude e um ponto de vista sobre a vida errados. Tal visão da vida nos distrai dos bens espirituais e nos faz procurar a nossa felicidade, segurança, e significância no mundo e suas ofertas ao invés de em Deus. Para o comentário do Senhor nisto veja as Suas palavras em Mateus 6:19-35 e 13:22.

    Uma Promessa para Reivindicar

“Porque Ele tem cuidado de vós.” Depois de dar a ordem para nos humilharmos lançando toda a nossa ansiedade no Senhor, Pedro continua com uma razão e um motivo impressionantes – “porque Ele tem cuidado de vós.” Isto afirma a razão e constitui uma promessa para reivindicar. Literalmente “toda a sua ansiedade (o total dela), lançando Nele, porque ela é um cuidado para Ele.” Nós precisamos ser encorajados e destemidos em nossas provações: Deus nos ama, totalmente, absolutamente, e incondicionalmente. Ele quer nos curar, não nos machucar. Ele quer consertar a nossa destruição e nos fazer inteiros ou completos. Ele quer o melhor para nós e esse melhor deve ser conformado ao caráter de Seu Filho; esse melhor está além de qualquer coisa que podemos pedir ou pensar e contem ramificações eternas. Mas isto é precisamente onde nós temos um problema porque isto requer fé (cf. Mt 6:20 com 30), fé para acreditar que Deus está pessoalmente envolvido e tem o melhor para nós em vista mesmo no meio de nossa dor e quando nós não podemos compreender o que Deus está fazendo ou porque Ele permitiu o nosso sofrimento.

Primeira Pedro 5:7 é uma citação de Salmos 55:22, outra maravilhosa promessa para reivindicar. “Lançar” vem do Hebreu shalak, um imperativo intensivo (hiphil) que significa “arremessar, jogar.” Significa “entregar algo para os cuidados e provisão de um outro.” De novo vemos que porque Deus nos ama, Ele assume a responsabilidade pelas nossas vidas e isto inclui as nossas aflições e provações. Ele se importa e quer nos sustentar e nos guardar. Aqui, portanto, estão uma poucas passagens que nos mostram como nós devemos liberar os nossos problemas, as nossas pressões, e as nossas vidas ao Senhor para a Sua administração, cuidado, e provisão.

Mas a questão é, como nós entregamos e lançamos os nossos problemas no Senhor? Através da oração. A oração é a maravilhosa provisão da graça de Deus a qual nos permite alcançar o trono soberano de Deus, o qual é também um trono de graça, que poderíamos achar graça para nos ajudar nos tempos de necessidade (Hb 4:16).

Não é significante que logo depois de Tiago chamar nossa atenção para as atitudes necessárias nas provações e nos dar a ordem para considerá-las com grande gozo por causa dos propósitos de Deus nas provações da vida (Tg 1:2-4), ele então imediatamente nos leva para a assistência necessária nas provações através da oração?

    O Privilégio e a Promessa Oferecidos

Tiago 1:5 Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada.

Jeremias 10:23 nos previne “ que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos.” Tiago então, sabendo disso, nos lembra do impressionante privilégio de buscar a sabedoria de Deus. Em essência, Tiago nos diz como entregar nossas provações para o Senhor – através da oração por sabedoria. Onde podemos achar a compreensão para usar nossas provações do jeito certo? Através da oração. Os Salmos estão carregados com ilustrações desta verdade. Neles, freqüentemente vemos o salmista no poço do desespero, mas através da oração e erguendo as suas aflições para o Senhor (um foco positivo) ele emerge confiante e descansando na graça de Deus.

Deus nos concedeu o privilégio de pedir a Ele por sabedoria. Somos também encorajados a continuar pedindo porque Deus é um Doador abundante e amável. Dos 150 versículos no Salmo 119, 67 são devotados ao assunto da sabedoria necessária na vida, particularmente nas suas provações. Para alguns pensamentos com relação a sabedoria neste Salmo, veja o Adendo 1.

    O Pré-requisito Necessário

Tiago 1:6-8 Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. 7 Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, 8 homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos.

Entregar os nossos problemas para o Senhor envolve pedir ao nosso Pai celeste por sabedoria porque, naturalmente, não podemos começar a entender tudo o que está envolvido. Diariamente, a vida está cheia de estórias de dor e sofrimento que não fazem sentido para nós. Espantados perguntamos, Deus como você pôde permitir isto acontecer? Onde está a justiça nisto? Isto não é justo! Mas a vida está cheia de injustiças e ela não é justa. Não foi justo para Jesus sofrer por nosso pecado. Enquanto um monte de sofrimentos humanos são auto infligidos e o produto de nossa própria estupidez, rebelião, e negligência, existem muitos que simplesmente não parecem fazer sentido. Em vista de tudo isso, é fácil para nós termos dúvidas e ficarmos imaginando onde Deus está, e pode nos fazer querer gritar para Deus com raiva desafiante.

Portanto, Tiago nos diz para “pedir com fé, não duvidando.” O que significa pedir com fé? Significa pedir sem qualquer dúvida. “Duvidando” (diakrinomenos) vem do verbo Grego, diakrinw, (1) “separar, então, distinguir, discriminar, discernir,” e então (2) “estabelecer, decidir, julgar.” Quando no meio ou na voz passiva como aqui, significa (1) “aceitar uma questão, disputar com alguém” ou (2) “estar em divergência consigo mesmo, duvidar, balançar, hesitar.”11 Duvidar e hesitar na mente de alguém é a idéia básica aqui como a analogia com as “ondas agitadas pelo mar” ilustra (vs. 6b). Mas eu imagino se a idéia de “disputar com alguém” pode também não ter estado no fundo da mente de Tiago, ao menos porque ela poderia estar ligada à oração por sabedoria no meio do sofrimento. Duvidar e hesitar em nossa oração está freqüentemente relacionado aos argumentos que estamos tendo em nossos corações com Deus. Por que eu? Por que agora? Por que isto?

Diakrinomenos descreve aquele que está dividido em sua mente e que balança ou hesita entre duas opiniões. Em um momento ele expressa o sim da fé; no próximo momento é o não da descrença. Tal atitude é graficamente ilustrada por “uma onda do mar.” Completamente sem estabilidade, ela é “soprada e agitada pelo vento.” Primeiro existe a crista, depois o fundo. Em vez disso, a oração que leva Deus a responder tem que ser marcada pela constância da fé inabalável.12

A oração de “fé inabalável” é uma oração que descansa na verdade das Escrituras com relação a pessoa de Deus e Suas promessas, propósitos, e princípios, ao invés de no nosso entendimento do porque ou de como as coisas nos parecem. Talvez seja por isso que mais tarde neste mesmo capítulo Tiago primeiro discute algumas destas mesmas coisas sobre as promessas e a pessoa de Deus (1:12-18). Ele então nos exorta a lidar com quaisquer atitudes e ações erradas e, num espírito de humildade, receber a verdade de Deus, a Palavra implantada a qual é capaz de salvar (livrar) nossas almas. Ela é isso, a Palavra implantada de Deus que nos capacita a lidar com nossa dor e frustração e com aquelas reações erradas na vida como ser rápido para falar e rápido para se irar (cf. 1:19-21). Aqui Tiago apela para uma apropriação completa e inteligente da Palavra de Deus para produzir uma fé ativa e crescente que descansa no conhecimento de Deus e Suas promessas.

Em termos práticos, então, como nós deveríamos tratar as nossas provações em oração? A nossa necessidade é pedir ao nosso Pai celeste amoroso e cheio de cuidados: (a) para remover a dificuldade se isto é a Sua vontade (Mc 14:35, 36; 1Co 7:20-24; 2Co 12:8); (b) para usá-las em nossas vidas e nas vidas de outros para a Sua glória (1Pe 1:6, 7; 3:14-16; 4:14); (c) para nos sustentar e nos carregar com sucesso através da pressão de modo a não trazermos desonra ao Seu nome ou estragar o Seu plano e propósitos para nossas vidas e de outros (Sl 55:22; 1Pe 4:15-16); e (d) para nos dar a sabedoria, as atitudes bíblicas, valores, respostas, passos, e ações necessárias para lidar com o problema de modo a podermos agir de um jeito que honre Cristo (Tg 1:5; Sl 37:5-6; Pv 3:5-7).

Deixem-me sugerir também que, como parte de nos amadurecer e nos ajudar a crescer, Deus usa os nossos sofrimentos para nos levar a lidar com quatro perigos na vida Cristã: (a) confiança em algo errado (1Tm 6:17f; Lc 12:15f); (b) privilégios mal usados (1Co 10:1f); (c) prioridades trocadas (Mt 6:19f); e (d) realidade falsa (hipocrisia) (Mt 23:1f; cf. Is 1:11-20 com 29:13; Sl 50:8-23).

Quando enfrentarmos as várias provações da vida, a nossa oração não deveria ser, “Senhor, mude minha esposa ou marido ou filhos ou direção da escola ou direção da igreja ou o trabalho,” mas “Senhor, mude a mim!” A questão é, que diferença está fazendo o Salvador na minha vida? Isto é o que é o sofrimento e o que Deus está procurando desenvolver em cada um de nós. Nossas vidas são o que o mundo vê e nós podemos nos tornar uma evidência viva da existência de Deus e do Seu amor.

Passo Quatro:
Concentre-se
(Pense com a Palavra de Deus)

    Uma Explicação

Por concentração estamos falando sobre o processo progressivo de se focar no Senhor o que de novo nos envolve em pensar positivamente sobre aqueles cinco conceitos importantes sobre Deus, Sua pessoa, plano, princípios, propósitos, e promessas. Eu considero estes cinco “Ps” uma boa ajuda para a memória para focar naquelas áreas específicas que são necessárias para pensar com as Escrituras.

Uma questão se levanta, como podemos continuar a considerar com grande gozo e lançar os nossos problemas no Senhor de modo a podermos experimentar paz, coragem, e a Sua força e propósitos através de nosso sofrimento? Este quarto passo nos fornece algumas percepções sobre como somos capazes de continuar a descansar o problema nas mãos do Senhor e manter os nossos corações focados nos objetivos bíblicos corretos como fez o Senhor Jesus, nosso autor e consumador do andar pela fé.

Não somente enfrentamos o problema de manter o nossos foco no Senhor, mas encaramos o problema de pensar apropriadamente e biblicamente. Nós podemos focar no Senhor e clamar para Ele por ajuda, mas podemos clamar com descrença e falhando em pensar em termos dos princípios e promessas das Escrituras que precisam ser considerados e aplicados à nossa situação.

    Uma Ilustração

O pecado de Acã, a derrota de Israel em Ai, a oração de Josué, e a instrução do Senhor em Josué 7:1-11 nos fornece uma excelente ilustração disto. Lá Josué clamou ao Senhor com pavor, mas de um modo tal que refletiu descrença ou dúvida porque ele falhou em alcançar os princípios e promessas da Palavra que poderiam se aplicar a sua situação, a derrota de Ai.

Josué 7:6-9 Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou com o rosto em terra perante a arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças. 7 E disse Josué: Ah, Senhor Deus! por que fizeste a este povo atravessar o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus, para nos fazeres perecer? Oxalá nos tivéssemos contentado em morarmos além do Jordão. 8 Ah, Senhor! que direi, depois que Israel virou as costas diante dos seus inimigos? 9 Pois os cananeus e todos os moradores da terra o ouvirão e, cercando-nos, exterminarão da terra o nosso nome; e então, que farás pelo teu grande nome?

Como indicado, as provações da vida, incluindo nossas horas de derrota, são ferramentas de crescimento ou instrumentos que Deus usa para nos corrigir, instruir, e mudar. Tal era o caso aqui com Josué e a nação de Israel. Começando com o cruzamento do Jordão e a vitória sobre Jericó, Israel tinha experimentado uma vitória depois da outra, mas de repente eles encararam uma derrota em Ai, uma cidade pequena que pareceu ser uma brincadeira de criança comparada com Jericó. Eles mudaram da excitação da vitória para a agonia da derrota, a qual desmoralizou completamente o povo e a liderança, como pode ser visto nos versículos 5-9. Assim Josué orou, mas ele não estava orando em fé e pensando em termos da Palavra de Deus. Lembre-se, Deus tinha lhe dito que o sucesso nas batalhas que estavam a frente dependeria da sua aderência à Lei de Deus, ou seja, a Sua Palavra (1:8).

Josué estava certamente ansioso para conquistar mais territórios e realizar a tarefa que o Senhor tinha lhes dado. Mas indubitavelmente, sendo um pouco auto confiante e descansando muito nas vitórias do passado, ele falhou em ter um tempo a sós com o Senhor para inquirir Dele e buscar a Sua força e direção. Como tal, Josué agiu imprudentemente. Quatro erros fatais foram o resultado: (a) eles permaneceram ignorantes do pecado de Acã descrito no versículo 1, (b) eles subestimaram a força do inimigo, (c) eles superestimaram a força de seu próprio exército, e (d) eles presumiram o apoio do Senhor – tomaram-No por certo.

Quão freqüentemente somos exatamente como Josué no capítulo 7. Por causa de uma mentalidade viciada pelo trabalho (workaholic) ou uma tendência orientada a atividade ou o nosso desejo de ter sucesso, existe a tendência de se apressar ou correr sem dedicar tempo para ficar com o Senhor para se aproximar Dele e dos Seus recursos. Se Josué tivesse feito isto, certamente, Deus teria lhe informado das ações de Acã, a necessidade de restauração, e então como eles deveriam se aproximar de Ai.

Falhar em dedicar tempo para o Senhor para procurar a Sua direção e força irá nos fazer ficarmos insensíveis ao nosso pecado. Isto entristece e extingue o Espírito e nos deixa indefesos contra o inimigo e contra aqueles que estão no caminho de nosso progresso e vitória.

Finalmente, observe que a última parte de 7:5 diz, “e o coração do povo se derreteu e se tornou como água.” A derrota desmoralizou o povo. Isto é talvez mais significante que a derrota militar porque criou apreensão ou hesitação e uma falta de esperança ou confiança no propósito e poder de Deus. Isto os fez começar a duvidar do Senhor e imaginar se Ele tinha cometido um engano, ao invés de examinar as suas próprias vidas e olhar para aquelas questões espirituais que podem ter causado a sua derrota.

Quão típico da natureza humana e da nossa iniqüidade. Somos tão rápidos para nos tornar deprimidos, desencorajados, e desorientados. Somos freqüentemente rápidos em olhar para todas as direções para uma razão menos para nós mesmos. Nós culpamos, damos desculpas, escondemos, mas não examinamos nossas próprias vidas. Nem mesmo consideramos que o problema possa ser possivelmente eu mesmo.

Com o versículo 10, a nossa atenção é voltada para as instruções e a resposta de Deus para Josué. Isto é altamente instrutivo, pois não somente nos mostra a verdadeira natureza das ações de Josué, pavor e descrença, mas também a avaliação de Deus de tudo isto (Ele não estava satisfeito) junto com a Sua instrução para o que era para ser feito para corrigir o problema.

As palavras, “Respondeu o Senhor a Josué,” direcionam a nossa atenção para o envolvimento pessoal de Deus nas vidas de Seu povo. Ele se preocupa com as nossas vidas e está trabalhando para revelar a Si mesmo e nos ensinar sobre nós mesmos e o que nós precisamos estar fazendo enquanto andamos o caminho da fé (1Pe 5:6-7; Hb 13:5-6). A questão é, estamos prestando atenção, estamos escutando?

(1) A ordem para Josué (vs. 10a) “Levanta-te!” Esta ordem vem com Josué prostrado com o rosto em terra em desespero e se lamentando com pó sobre sua cabeça no típico costume oriental. Cair com o rosto em terra pode ter demonstrado alguma humildade aqui uma vez que ele estava clamando à Deus, mas acima de tudo, isso era um ato de desespero, o espírito de desesperança e descrença como demonstram prontamente suas palavras no versículo 7. Observe a palavra “Ah,” do Hebreu ‘ahah, uma interjeição de desespero ou profunda preocupação, e então note as suas questões de dúvida.

Então o Senhor diz para Josué se levantar para fora desta condição. Tal condição, embora muito humana e característica de todos nós de tempos em tempos, não é um estado no qual podemos nos permitir ficar. Ela não realiza coisa alguma, desonra as promessas e a pessoa de Deus, e nos neutraliza para o Senhor.

Três versões da Bíblia na língua inglesa apresentam diferentes verbos para esta ordem: a KJV(King James Version) diz “coloca-te de pé”, a NIV(New International Version) diz “Levanta-te,” e a NASB(New American Standard Version) diz “erga-te.” O verbo usado aqui é o Hebreu qum, o qual freqüentemente significa levantar-se de uma posição de prostração por várias razões e de várias condições. Deste significado literal básico existia freqüentemente uma idéia figurativa que qum apresentava. Ele era usado para levantar como um ato de preparação para a ação, para se levantar para fora de um estado de inação ou falha, para mostrar respeito e adoração, para se levantar para ouvir a Palavra de Deus, para se tornar forte ou poderoso, para se levantar para dar libertação, para assumir um serviço ou responsabilidade (como um profeta ou um juiz), e para se levantar para dar testemunho.

Este foi o chamado para Josué se levantar de seu estado de desespero e futilidade para se preparar para a ação, para escutar ao Senhor, para assumir a sua responsabilidade, e conduzir o povo na libertação de Deus.

Aplicação: Enquanto o Senhor compreende e simpatiza com os nossos problemas, medos, ou seja lá o que for, Ele no entanto nunca faz vista grossa para tal estado nem nos desculpa de não apropriarmos a Sua graça e nos movermos para fora deste estado em obediência. A Sua palavra para nós é para nos levantarmos e a nossa face, colocar nossos olhos Nele e lidar com os problemas em nossas vidas de acordo com os princípios e promessas das Escrituras.

(2) A Questão: “Por que estás assim prostrado com o rosto em terra?” A própria natureza desta questão carrega uma nota de repreensão. Deus está dizendo em essência, em vista de quem Eu sou, Meu trabalho por Israel, e Minhas promessas para você, Josué, que possíveis razões você poderia ter para tal desespero? Esta questão se torna um chamado para manter os seus olhos no Senhor!

Então, eu penso que isto é secundariamente um chamado para Josué, e para nós quando for aplicável, examinar a natureza do que estamos fazendo e as causas principais das nossas falhas ou fracasso ou provações quando elas ocorrem. Que lições pode o Senhor estar procurando me ensinar? Isto é causado por alguma coisa que eu fiz ou falhei em fazer? Mais sobre isto depois.

(3) A Explicação para Josué (vss. 11-12)

Não vemos aqui uma ilustração da verdade de Tiago 1:5, Provérbios 8:17, e Jeremias 29:13? O Senhor estava falando diretamente para Josué. Hoje Ele nos fala na Palavra, e isto ilustra a verdade de como achamos respostas para as condições em nossas vidas quando gastamos tempo com Deus na Palavra ou conhecemos as Escrituras e procuramos aplicá-la às variadas provas que encontramos.

A Causa do Fracasso de Israel (vs. 11)

Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado; tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua bagagem.

Isto pode parecer como várias violações diferentes quando você lê o texto na ECA ou na NASB ou na KJV por causa das conectivas (e) usadas nestas traduções, mas para a maior parte, cada sentença é uma outra explicação da anterior. A tradução da NIV e também a da Versão Revisada de Almeida (VRA) é melhor aqui porque mostra como cada descrição explica mais ainda o problema. Observe os seguintes elementos:

(1) Israel pecou (isto afirma a natureza básica de nossas falhas – o pecado [em Hebreu é chatah, ‘perder ou errar o caminho ou o objetivo ou o alvo’]);

(2) eles transgrediram [em Hebreu é `abar, ‘ignorar, exceder, ir além, transgredir, violar’] o meu pacto que lhes tinha ordenado (isto aponta para o assunto específico);

(3) tomaram do anátema (coisas dedicadas), furtaram-no e (mostra como eles transgrediram o pacto e o que isto envolvia, roubo – roubo daquilo que pertencia ao Senhor como devotado à Ele),

(4) dissimulando (mentindo), esconderam-no entre a sua bagagem (mostra o efeito bola de neve do pecado e expõe o egoísmo, a natureza invejosa do que foi feito, a raiz da maioria de nossos pecados). A NIV e a VRA deveriam ter adicionado “e além disso” ou “e também” ao começo desta última sentença para enfatizar a natureza e a conseqüência do que isto acarretou.

As Conseqüências do Fracasso de Israel (vs. 12)

Por isso os filhos de Israel não puderam subsistir perante os seus inimigos, viraram as costas diante deles, porquanto se fizeram anátema. Não serei mais convosco, se não destruirdes o anátema do meio de vós.

Por favor observe o “Por isso” desta tradução (NIV e VRA). Eles foram derrotados por causa do pecado no acampamento de Israel que não foi tratado. Neste versículo vemos que uma das conseqüências de pecados não confessados em nossas vidas é fraqueza, inabilidade para servir e viver para o Senhor. Para mais um estudo nesta importante verdade veja João 15:1-7, Efésios 4:30, 1 Tessalonicenses 5:19, 1 Coríntios 10:13, e Provérbios 28:13. Em Cristo temos a capacidade de viver vitoriosamente para o Senhor independentemente do que encaramos, mas a habilidade em agir assim depende de comunhão e andar na luz (1Jo 1:5-9).

Sendo criados à imagem de Deus, somos criaturas racionais com a habilidade de estudar, avaliar, e tomar decisões pensando bastante. Como resultado, podemos naturalmente propor soluções e ações a tomar para as várias situações da vida. Nós na grande maioria das vezes não agimos por instinto como o faz o reino animal. Mas, apesar de criados à imagem de Deus, por causa da queda e da alienação de Deus, não pensamos naturalmente com o ponto de vista ou os pensamentos de Deus, nem mesmo como povo redimido de Deus (Is 55:8f e Rm 12:2). Nossas mentes precisam de renovação através de um consumo regular da Palavra de modo a podermos mudar nossos pensamentos pelos de Deus. Mas em acréscimo ou como parte desta mudança, precisamos sintonizar ativamente o nosso pensamento na fonte ou rio de vida das Escrituras. Devemos concentrar, cativar, e controlar nossas mentes pelo aprendizado e aplicação ativa dos princípios de Deus (2Co 10:4-5; Fp 4:8; Ec 7:12-15).

    Uma Ampliação

Passagem Número Um:

2 Coríntios 10:2-5 sim, eu vos rogo que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar, com confiança, da ousadia que espero ter para com alguns que nos julgam como se andássemos segundo a carne. 3 Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, 4 pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; 5 derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo;

Embora o apóstolo esteja escrevendo isto em resposta às acusações de seus oponentes (cf. vs. 2b), suas respostas refletem princípios importantes aplicáveis a todos os aspectos da vida Cristã como um soldado de Cristo. Paulo e seus companheiros no trabalho de Cristo tinham sido acusados de andar de acordo com a carne, ou seja, que o padrão para a sua conduta era a carne, a natureza pecadora incluindo não somente os seus padrões de desejo ou cobiça, mas também as suas especulações e soluções para a vida. A NIV traduz “que pensam que vivemos pelos padrões deste mundo,” ou seja, as coisas que motivam, controlam, e dirigem o mundo – suas aspirações e raciocínios.

Ironicamente, eram os Coríntios e os falsos mestres que estavam operando com um ponto de vista carnal. Eles estavam impressionados com o autoritarismo, com atividades espalhafatosas e miraculosas. Como hoje, eles mediam o sucesso e a santidade pelos padrões errados.

Nos versículos 3-5 vemos a resposta ou defesa. Paulo negou suas acusações (vs. 3) e rapidamente rejeitou tal idéia. Embora humanos com todas as limitações humanas do homem, Paulo e seus associados se recusaram a continuar seu ministério e a vida Cristã como soldados da cruz, usando as armas, as estratégias, os métodos, e as idéias de uma mente carnal.

Por favor, observe a pilha de termos militares nos versículos 4-5, os quais enfatizam fortemente que os crentes são soldados de Cristo numa batalha de vida ou morte, em combate espiritual e numa guerra espiritual. Isto é evidente pelas palavras usadas: militamos(guerra), armas da nossa milícia, demolição de fortalezas, derribando(destruindo), que se ergue (usado para se levantar equipamento de cerco ou bloqueio), levando cativo, e vingar(punir) toda desobediência (como em uma corte marcial) (cf. Ef 6:10f). Pois para um soldado ser capaz de lutar, ele tem que ter armas – uma referência às coisas que os crentes devem usar para continuar os seus ministérios e vidas diárias.

“Não são carnais” significa que o que Paulo e seus associados usavam e confiavam para ter força e progresso contra o inimigo não era os métodos, os meios, e as estratégias nas quais o homem naturalmente se apoia de acordo com os ditames do velho homem e das idéias do mundo.

“Mas poderosas em Deus” aponta para aquilo que deveria caracterizar a vida do Cristão. Por causa da natureza da batalha contra Satanás e nossa própria fraqueza inerente, a batalha Cristã tem que ser executada pela fé no Senhor e nas armas poderosas dadas à nós em Cristo.

“Para (pros) demolição de fortalezas” ou “para destruição das fortalezas” (ECA). Isto enfatiza o propósito. “Demolição” é literalmente, “destruir” (kaqairesis de kaqairew “destruir, demolir”). “Fortaleza” é ocurwma de ocurow, “fortificar, fortalecer, tornar firme ou forte.” Ela era usada ou para aquilo que era estabelecido para proteção como uma montanha, ou para um lugar erigido pelos homens como um lugar de proteção ou como uma prisão. Ela era usada metaforicamente para aquilo no qual a confiança de alguém é colocada (cf. Pv 21:22). Aqui ela está no plural e se refere às muitas soluções humanas e estratégias nas quais os homens colocam a sua confiança e usam como um substituto no lugar do Senhor e da salvação e força que vem Dele. Ironicamente, estas mesmas fortalezas se tornam como uma prisão que os seguram em cativeiro. Em contraste compare Provérbios 10:29.

O versículo 5 continua a exposição de Paulo e define ainda mais o que quer dizer por “demolição de fortalezas.” Existem duas coisas a serem feitas: Primeiro, “derribando raciocínios e ” Esta sentença define para nós a natureza primária das fortalezas que precisam ser destruídas pelas poderosas armas divinas disponíveis para nós em Cristo. “Raciocínios” é logismos o qual significa “cálculo, argumento, especulação, reflexão, pensamento.” Ela se refere aos raciocínios falhos, humanos, e especulativos dos homens pelos quais eles procuram viver a vida longe de ou sem os absolutos de Deus e da Sua revelação para nós na Palavra e em Jesus Cristo (cf. Is 55:7-11).

Segundo, “e todo baluarte que se ergue” é mais uma descrição da natureza real das especulações e raciocínios do homem pelos quais ele procura viver longe da fé no Senhor. Quais são eles? Eles são os raciocínios de arrogância, as idéias orgulhosas do homem como os muros de proteção (com buracos para atirar) de um exército levantado para derrotar um inimigo.

“Contra o conhecimento de Deus” significa tanto oposto como contraditório à verdade sobre Deus como Ele é revelado tanto na criação como nas Escrituras. As idéias e estratégias do homem são não somente contraditórias à Palavra e ao ponto de vista divino, mas também são inimigos e obstáculos ao conhecimento de Deus e ao que conhecer Deus significa para o homem, particularmente através do Seu trabalho e salvação para o homem em Cristo.

Mas como podemos destruir estas fortalezas do raciocínio humano que os homens (e estas podem incluir nossas próprias racionalizações) ergueram contra o conhecimento de Deus e tudo o que Ele para nós? Isto nos é respondido na próxima sentença.

“Levando cativo todo pensamento ” nos mostra como Paulo destruiu tal raciocínio humano exaltado que se opõe à verdade sobre Deus. Através das armas poderosas que temos em Cristo (a Palavra, oração, encher-se do Espírito Santo, etc.), devemos constantemente sujeitar todo tipo de pensamento com o propósito de obediência à Cristo. O verbo no presente aqui aponta para a contínua luta que enfrentamos, mas também a contínua responsabilidade. “Levando cativo” é aicmalwtizw de aicmh, “lancear, jogar a lança” e aliskomai, “ser capturado.” Originalmente significava levar cativo e sujeitar com uma lança, ou seja, uma arma, um instrumento de guerra. Certamente, existe uma aplicação aqui. Usando as armas espirituais à nossa disposição, particularmente a Palavra de Deus e o encher-se do Espírito Santo, iremos levar à sujeição todo tipo de pensamento.

“Pensamento” é nohma e significa “pensamento, idéia, propósito, plano, projeto.” Ela compreende qualquer coisa que seja o produto de nossos processos de pensamento. A idéia aqui é todo tipo de pensamento e todos os nossos pensamentos devem se tornar subservientes ao Senhor de modo a que o resultado seja obediência.

“À obediência a Cristo” nos aponta para o objetivo, o alvo em vista. “Obediência” é o Grego @upakoh, a qual sempre significa “obediência” no Novo Testamento. Talvez a sua derivação seja de ajuda. Ela vem de @upakouw, “escutar, prestar atenção” e então “ouvir e obedecer.” É uma obediência que se deriva de se viver na Palavra e escutar ao Senhor. A fundação para uma vida obediente e mudança divina é a nossa vida de pensamentos e nossas crenças sobre as quais baseamos nossos pensamentos e pelos quais derivamos nossas atitudes e planos de ação ou estratégias. Quando não sujeitamos nossa vida de pensamentos ao verdadeiro conhecimento de Deus e ao que Ele é para nós em Cristo, acabamos propondo nossas próprias idéias que neutralizam ou substituem a verdade de Deus como disposta para nós na Sua inspirada e confiável Palavra.

Passagem Número Dois:

Filipenses 4:8-9 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. 9 O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco.

“Nisso pensai” é literalmente “fique pensando nestas coisas.” O verbo é logizomai de onde pegamos nossa palavra “lógica.” Significa “contar, calcular, considerar, levar em conta.” Ela era um termo de contabilidade. Devemos não somente pensar sobre estas coisas, mas devemos pensar estas coisas. Elas devem ser o conteúdo de nossas mentes como aqueles que sabem que o Senhor está perto. Ao invés de amargura, vingança, frustração, medo, e tudo o que acompanha tal foco negativo ou para baixo, devemos ter nossas mentes preenchidas com tudo o que acompanha um foco no Senhor e a verdade da Sua Palavra.

Por favor, observe o contexto – regozijando no Senhor, contando com a proximidade de Deus, colocando um basta na preocupação ou ansiedade ao levá-las à Deus em oração, e aprendendo a viver com contentamento aproveitando a força que o Senhor nos dá.

Passagem Número Três:

Eclesiastes 7:11-14 Tão boa é a sabedoria como a herança, e mesmo de mais proveito para os que vêem o sol. 12 Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência da sabedoria é que ela preserva a vida de quem a possui. 13 Considera as obras de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? 14 No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

Antes de olharmos esta passagem, eu gostaria de mostrar brevemente duas outras passagens chave as quais são importantes para Eclesiastes 7:11-14 e para a questão dos sofrimentos e nossas respostas à eles. Estas passagens enfatizam o trabalho de Deus nos acontecimentos de nossas vidas.

(1) Efésios 1:11

nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade,

Quem faz ou trabalha? Deus faz. O que Ele faz? “Todas as coisas.” Como? “Segundo o conselho da sua vontade.”

“Fazer” enfatiza o fato da atividade de Deus no mundo; aponta para a Sua imanência. A imanência de Deus significa que Ele penetra ou preenche e sustenta o universo. Significa que Ele está envolvido ativamente e pessoalmente. Esteja certo de distinguir imanente de iminente. Quando alguma coisa é iminente, ela está prestes a acontecer.

“Conselho” enfatiza a onisciência e sabedoria de Deus; aponta para as deliberações e decisões de Deus baseadas na Sua bondade e perfeita sabedoria. “Vontade” enfatiza a disposição soberana de Deus; aponta para o Seu desejo e escolha soberana.

“Todas as coisas” nos indica a extensão do envolvimento de Deus e controle soberano. Nada está excluído. Deus não está em um estado de indiferença com relação aos nossos assuntos. Ao contrário, Ele está intimamente envolvido e ativamente agindo. Nós precisamos colocar esta verdade ao lado de todos os acontecimentos e provações da vida e aprender a reconhecê-las como ferramentas e instrumentos de Deus que Ele soberanamente usa para nos conformar à imagem de Seu Filho.

(2) Romanos 8:28-29

Rm 8:28-29 E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;

De novo, quanto Deus está envolvido? Ele faz “todas as coisas” concorrerem. Nós vemos a extensão da atividade de Deus – mesmo em nossos sofrimentos. Deus está totalmente envolvido com o bem e o mal, com o que machuca e com o que é agradável. Mas o que Deus faz? “Ele concorre todas as coisas.” Os eventos de nossas vidas, todos eles, simplesmente não acontecem por acaso ou aleatoriamente; eles são sincronizados e utilizados por Deus para um bom propósito. Nenhum dos eventos de nossas vidas estão isolados do plano de Deus; eles estão de alguma forma integrados. Eles tem um propósito, um projeto. Os eventos individuais podem neles mesmos não serem bons e podem ser o produto do pecado e da injustiça do homem ou mesmo a atividade de Satanás como com Jó. No final, entretanto, ao crente que ama a Deus e é sensível a obra de Deus, um bom propósito é alcançado, ou pode ser se nós respondermos biblicamente com um coração de fé (Tiago 1:2-4).

Então, o texto diz, “daqueles que amam a Deus.” Isto não significa que Deus somente faz as coisas concorrerem na vida de um crente que O ama. Deus está agindo independentemente de nossa condição espiritual mesmo se Ele tiver que disciplinar um crente até a morte. “Amar a Deus” é a nossa resposta pessoal através da comunhão e confiança. Isto nos faz conscientes da ação de Deus e nos capacita a responder em fé ao propósito de Deus nos acontecimentos de nossas vidas.

“Segundo o Seu propósito” se refere ao objetivo ou plano primário de Deus em nos conformar à imagem de Seu Filho, semelhança à Cristo.

Com estas duas passagens como um pano de fundo, vamos voltar à Eclesiastes 7:11-14.

11 Tão boa é a sabedoria como a herança, e mesmo de mais proveito para os que vêem o sol. 12 Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência da sabedoria é que ela preserva a vida de quem a possui. 13 Considera as obras de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? 14 No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

Nos versículos 11 e 12 temos uma ênfase no valor da sabedoria bíblica e suas vantagens na vida. Então, os versículos 13 e 14 fornecem uma visão sobre como Deus trabalha ou age como o sincronizador de nossas vidas e como isto deveria nos afetar em nossas atitudes diárias e ações.

Primeiro, a ordem (vs. 13a). Somos ordenados a “considerar a obra de Deus.” A frase “obra de Deus” desperta alguma coisa? Ela se refere ao conceito de Efésios 1:11 e Romanos 8:28-29. Somos ordenados a “considerá-la.” O verbo Hebreu, ra’ah, significa “ver, olhar, inspecionar, observar,” e então, baseado nisso, “pensar em, considerar com a mente, compreender.” A questão é, devemos observar, inspecionar, e considerar os acontecimentos de nossas vidas na luz da imanência e essência de Deus, o ser e a obra de Deus, e então viver de acordo – responder em fé.

Segundo, a questão (vs. 13b). É feita a pergunta, “porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?” Observe a conectiva “porque.” Ela liga a pergunta à ordem e nos dá a razão ou causa. Ela nos mostra o que Deus pode fazer e faz. Ele entorta o caminho de nossas vidas. (a) A vida é freqüentemente torta. Ela tem altos e baixos, lugares ásperos e lugares macios. Nós vivemos em um mundo caído cheio de pessoas pecadoras e a vida simplesmente não vai ser uma estrada interestadual. (b) Significa, entretanto, que Deus está envolvido em nossos altos e baixos. Como um Deus pessoal, amoroso, e cheio de sabedoria, Ele está pessoalmente e ativamente envolvido. (c) Também nos mostra o que não podemos fazer! O homem não pode endireitar o que Deus entortou. Quando Deus põe uma curva em nossa estrada, nós temos que seguí-la ou sair da estrada ou talvez dar de cara com uma montanha.

Quando dirigindo pelas montanhas numa estrada sinuosa, digamos a bela jornada de Durango até Uray(Colorado), você não pode ignorar as curvas e decidir aplainar o seu caminho através das montanhas. Se você quiser apreciar o cenário e chegar até Uray, você tem que seguir a estrada construída pelos engenheiros. Assim também, quando na providência de Deus, Deus nos permite cair e quebrar um osso, não podemos voltar o filme e cortar aquela parte. Nós temos que viver com o osso quebrado. Talvez poderíamos ter andado mais cuidadosamente, mas uma vez que o evento ocorre, não podemos repetir a fita.

É claro que um homem no seu caminho para Uray pode dar meia volta e voltar para Durango, mas então ele vai perder o belo cenário. E você e eu podemos, é claro, dar meia volta em alguns casos e fugir de algumas provações, mas então iremos perder o que Deus está fazendo em nossas vidas. Que jeito interessante de mostrar que Deus está envolvido. Ele entorta a estrada ou as circunstâncias de nossas vidas.

Terceiro, a instrução (vs. 14). Em seguida vem uma instrução especial nos dizendo como devemos agir e responder às várias circunstâncias da vida. “No dia da prosperidade regozija-te.” Quando as coisas estão indo bem, quando a estrada é reta, seja feliz, regozije-se, divirta-se, aproveite a vida que Deus dá. “Mas no dia da adversidade,” quando Deus coloca uma curva na estrada, “considere,” observe, inspecione suas circunstâncias, pare, pense e aprenda. Pense sobre o que Deus pode estar querendo lhe dizer através das circunstâncias. Aplique a doutrina do fato de que Deus está envolvido; nossas circunstâncias não são acontecimentos ao acaso.

Quando as coisas não vão bem, quando o carro quebra, quando temos uma sinusite, quando a encomenda está atrasada, quando somos criticados, quando perdemos nosso emprego, quando a morte atinge nossa família, quando recebemos a notícia que temos câncer, seja lá o que for, como você ou eu respondemos? Desfalecemos, explodimos ou ficamos calmos? Confiamos no Senhor ou ficamos deprimidos? O que fazemos? Esperamos que a vida em um mundo caído seja uma interestadual? Não entendemos porque estamos aqui?

As nossas instruções são para pensar. Devemos lembrar e saber que Deus está agindo. Ele faz ambos os dias de prosperidade e de adversidade. Ele sincroniza os dois em nossas vidas – freqüentemente o mesmo dia – mas Ele também está concorrendo tudo isto para o bem.

Tendemos a perguntar questões como, por que eu? Por que agora? Por que meu cônjuge ou filho ou pais? O versículo 14d fala a estas questões, “para que o homem nada descubra ” Que frase estranha. Qual é o ponto? Nós podemos descobrir a vontade moral de Deus pela Palavra, mas não os detalhes da vontade soberana de Deus e ações. Não precisamos nem mesmo tentar! Por que os caminhos de Deus são freqüentemente inescrutáveis para o homem, nunca sabemos com certeza o que está por vir. Isto não é assim para nos manter adivinhando, mas confiando e sempre nos amparando Nele.

Provérbios 3:5-6 Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Enquanto estamos dirigindo numa estrada muito longa, reta, e chata tendemos a ficar hipnotizados e ficamos indiferentes a nossa tarefa de dirigir. Mas dirigir em estradas com montanhas traidoras é uma estória diferente. Do mesmo modo, Deus coloca curvas em nosso caminho para nos manter afastados de nos tornarmos auto confiantes e independentes. Ele quer nos manter em alerta, confiando e contando Nele. Sem isso, nossa atitude tenderia a ser, “deixe a direção para nós.” Deus está envolvido nos detalhes de nossas vidas e isto tudo é parte de Seu sistema de desenvolvimento de caráter e direção.

Temos que aprender a ser sensíveis às nossas circunstâncias e às informações que nos vem do mundo em termos do que Deus está fazendo em nossas vidas e quer que conheçamos e façamos. Quando lemos sobre uma tragédia na estrada (desastre) ou quase somos envolvidos em uma, ou somos parados por um policial, isto não deveria nos tornar mais cuidadosos em nossa própria forma de dirigir? Se nos percebemos fora de forma e sem fôlego quando subindo uma escada, não deveríamos reavaliar a nossa dieta, a nossa rotina, o nosso programa de exercícios? Se perdemos algo valioso ou ele nos é roubado, Deus pode estar procurando chamar nossa atenção para avaliar nossas prioridades (Cl 3:2). Deus pode estar imprimindo em nós aquilo que precisamos para colocar nossa “mente em coisas maiores, de cima.” Se nossos planos de repente ficam confusos, Deus pode estar nos imprimindo o princípio de João 15:5, “sem mim nada podeis fazer.” Se estamos tendo problemas em um relacionamento, Deus pode estar procurando nos mudar, ou nos chamando para ministrar na vida de alguém – uma criança, um colega, a pessoa com a qual trabalhamos ou no conselho ou direção da igreja.

A fé não é simplesmente confiar em Deus para remover a dor ou a provação, mas confiar em Deus independentemente disso, confiar em Seus propósitos mesmo quando não fazem sentido para nós! É impossível lidar com o sofrimento ou as provações longe da fé, longe de uma profunda confiança em Deus e isto significa acreditar em pelo menos seis coisas:

(1) Acreditar no fato de um Deus vivo que se revelou, nos redimiu através de Cristo, e está pessoalmente agindo nas e através das circunstâncias da vida não importando quão escuras sejam;

(2) Acreditar que existe um paraíso o qual é bem melhor que esta vida;

(3) Acreditar que existirá um milênio e um estado eterno o qual excede de longe esta vida;

(4) Acreditar que existem recompensas por fidelidade e superação das provações da vida pela fé;

(5) Acreditar que a construção do caráter agora através do sofrimento é mais importante que o nosso conforto por causa da glória de Deus e nossas recompensas eternas; e

(6) Acreditar que independentemente de quão maluco este mundo seja, sabemos que Deus está no comando, tem um plano perfeito, e está conduzindo sabiamente este plano segundo o conselho de Sua própria vontade e propósitos.

A última questão é esta: O Senhor disse, “A menos que o homem se negue a si mesmo (seus propósitos, aspirações, valores, buscas, etc.), ele não pode ser meu discípulo.” Estamos vivendo para a nossa felicidade ou para a vontade de Deus? São os nossos objetivos e alvos temporais ou eternos?

O Salmista escreveu, “Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos” (Sl 139:3). Mas o Salmista também conhecia a verdade de Jeremias 17:9 e 10 o qual diz, “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.”

Sabendo a condição do coração do homem e depois de exaltar a onisciência de Deus, Davi escreveu no final do Salmo 139, “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno” (vss. 23-24). Nesta oração, Davi estava pedindo por auto revelação em vista da onisciência de Deus da verdadeira condição da sua vida.

Jeremias diz em Lamentações 3:39 e 40, “Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados? Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor.” Observe como retornar ao Senhor e mudar em nossas vidas está relacionado com provar os nossos caminhos.

Em Salmos 119:5, o Salmista escreveu estas palavras: “Oxalá sejam os meus caminhos dirigidos de maneira que eu observe os teus estatutos!” Então, mais tarde neste mesmo Salmo, nos versículos 59 e 60, ele disse, “Quando considero os meus caminhos, volto os meus pés para os teus testemunhos. Apresso-me sem detença a observar os teus mandamentos.” Então, alguns versículos mais adiante ele disse: “Antes de ser afligido, eu me extraviava; mas agora guardo a tua palavra” (vs. 67), e “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos” (vs. 71). Ele sabia que as aflições e provações da vida são como ferramentas que Deus usa para nos mudar de modo a voltarmos nossos pés para a verdade de Deus de acordo com os caminhos de Deus. Mas como podemos fazer isto?

De novo poderíamos pensar sobre 2 Coríntios 10:4-5. As fortalezas as quais Paulo define como raciocínios e baluartes (idéias orgulhosas) levantadas contra o conhecimento de Deus se referem as estratégias das pessoas para lidar com os problemas da vida. Estas são soluções que ignoram ou contornam o plano de Deus e quem e o que Deus é para nós. Elas incluem os nossos mecanismos de defesa e escape os quais usamos no lugar da verdade de Deus e dos métodos para lidar com a vida os quais nos capacitam a agir no conhecimento de Deus – Seu amor, poder, e fidelidade, e da nossa posição em Cristo. Levando todo pensamento cativo significa, pela fé, se voltar para a Palavra para provar e considerar os nossos caminhos (pensamentos e ações) de modo a confessarmos e voltarmos nossos pés para os testemunhos de Deus, aqueles nas Escrituras sobre o amor de Deus e provisão e nossas necessidades. Como podemos fazer isto? Deixe-me sugerir três coisas que precisamos fazer para levar nossas mentes cativas com vista à obediência.

    Uma Aplicação

(1) Determine as Possíveis Causas. Muitos dos sofrimentos pelos quais passamos ou é miséria auto induzida ou é causada pelos outros que nos magoam ou nos compreendem mal de alguma forma. O ponto é que as provações muito freqüentemente chamam a nossa atenção para problemas que precisam ser tratados. Assim como a Palavra reflete e nos expõe (2Co 3:18; 2Tm 3:16; Tg 1:22-25), assim também as provações se tornam espelhos, percepções gritantes, lembretes, e chamadoras de atenção de Deus. Eu penso que foi C.S. Lewis que escreveu, “Deus nos sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossa dor.” O sofrimento tem um jeito de chamar a nossa atenção. Ele nos faz prestar atenção, escutar, quando nada mais consegue.

A nossa responsabilidade é procurar identificar as possíveis causas. Isto requer exame das possíveis causas através de três questões penetrantes:

  • Eu causei isto por algo que fiz ou falhei em fazer? Sabendo que nossas provações podem ser reflexos de reprovação, precisamos perguntar esta questão antes de começarmos a culpar os outros ou Deus (Mt 7:1-2; Sl 119:59, 67, 71).
  • Isto reflete de volta para mim uma imaturidade, uma falta de sabedoria, um pecado particular como valores errados, prioridades, e buscas, ou uma indiferença, uma insensibilidade, um padrão de domínio da vida? (Cf. 1Co 11:28; Sl 139:23-24; 119:59; 32:3-5; e 51:6). Portanto devemos perguntar questões que vasculhem o coração como, “este problema é o produto de se manter crenças erradas as quais me levaram a procurar segurança, satisfação, e significância em minhas próprias fontes de auto confiança ou minhas próprias estratégias para significarem na vida?” (Cf. Jr 2:13; 17:5-6). Nossa atitude tem que ser primeiro, “Pai, existe alguma área específica de minha vida que Você está tentando me apontar?” Precisamos aprender a sermos específicos e abertos ao que o Senhor está fazendo em nossas vidas (Mt 7:3-5; Sl 139:23-24).
  • Isto revela uma necessidade ou problema na vida de uma outra pessoa ou na igreja ou no trabalho ou em casa pela qual ou por quem eu preciso orar? Existe alguém com quem eu preciso conversar, ou com quem Deus quer me usar como um modelo do amor de Deus, paciência, bondade, etc., ou vice versa? (Gl 6:1f; 1Pe 3:1-7).

Algumas ilustrações para identificar possíveis causas para os problemas: (a) Problemas de dinheiro: Meus problemas são o produto de má administração do dinheiro, gastar em excesso, buscar gratificação imediata, usar o crédito de forma errada? (b) Conflitos de personalidade: Isto revela um espírito crítico em mim, uma expectativa de que todos deveriam ser como eu sou, ou uma falta de paciência? Estou muito impressionado com minhas opiniões? Sou autoritário, possessivo ou controlador? Falo demais? (c) Irritações sobre circunstâncias tais como uma família com seis crianças e um banheiro: Deus está tentando nos ensinar paciência, compreensão, ordem, consideração pelos outros? O que eu posso aprender? Qual característica de Cristo Deus está procurando desenvolver em nós? (d) Problemas de saúde: Ficamos sem fôlego quando subimos um lance pequeno de degraus? Pode ser que Deus esteja nos falando que precisamos vigiar nossa dieta, perder um pouco de peso, e começar uma rotina regular de caminhadas.

(2) Determine os Objetivos Finais de Deus. Também precisamos determinar os objetivos finais de Deus cada vez que enfrentamos uma situação de provação. Deveríamos parar e nos lembrar sobre nossos objetivos. Existem três distinções importantes que precisamos fazer com relação a isto:

  • Nossas Necessidades – coisas que precisamos para segurança, significância, e satisfação como aceitação, pertences, capacidade, ou habilidade. Mas todas as nossas necessidades básicas foram reunidas em Cristo (Cl 2:10; Ef 1:3).
  • Nossos Desejos – as coisas que queremos para nós mesmos – amor, proximidade, intimidade, prazer, apreciação, proteção, etc. (cf. Sl 37:4-5). Desejos são objetos que queremos, mas podemos não ser capazes de alcançar por nossos esforços ou estratégias porque eles são freqüentemente dependentes de forças de fora e das respostas e ações de outros. Quando tentamos realizar nossos desejos, freqüentemente acabamos em manipulação com frustração e raiva. Em nossos relacionamentos com as pessoas e nas circunstâncias da vida, temos que aprender a sermos motivados por objetivos bíblicos, não as nossas vontades ou desejos internos (Mc 10:45; Fp 2:3-5). Temos que aprender a confiar em Deus para os nossos desejos enquanto aprendemos a nos deliciar no Senhor e confiar em Seu amor e graça soberanos.
  • Nossos Objetivos – os propósitos bíblicos básicos para a vida – conhecer, amar, honrar, e glorificar a Deus, e como resultado desta relação, ministrar à outros (Mt 21:36-40; Mc 10:45; Jo 17:3; 1Pe 4:10-11). Objetivos são objetos que estão sob nosso controle porque eles não são dependentes de forças externas. Eles são dependentes da fé, em conhecer ao Senhor, e pensar corretamente. Objetivos são as coisas que deveriam formar o nosso comportamento, nunca os nossos desejos.

Nosso objetivo maior é conhecer a Deus, amar, servir, e glorificá-Lo. Nossos objetivos secundários são (a) pensar e agir como o Senhor no mesmo caráter de Cristo, e (b) ministrar à outros.

(3) Determine a Solução Bíblica. Isto envolve os meios e os métodos que Deus usa. Uns dos objetivos finais de Deus para a Sua igreja, o corpo de Cristo, é para sermos conformados à imagem de Cristo ou ser semelhantes à Cristo (Rm 8:29; 12:2; Ef 4:13-15; 4:20-24; Cl 3:10). Deus quer nos tornar como o Seu Filho, mas o que especificamente isto envolve? Com o que o Filho se parece? Que traços específicos de caráter as várias situações da vida requerem quando enfrentamos aquelas variadas provas na vida? Isto significa que precisamos considerar as áreas de maturidade que Deus quer produzir em nossas vidas ou nas vidas de outros seja em nós ou através de nós.

1 Pedro 2:21-23 Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. 22 Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; 23 sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente;

Efésios 4:29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação (de acordo com a necessidade do momento), a fim de que ministre graça aos que a ouvem.

Nós podemos ver o que Deus quer que sejamos, como Ele quer que atuemos sob várias circunstâncias, mas como alcançamos este objetivo? Quais meios e métodos eu uso para lidar com ou resolver os problemas?

Tempo na Palavra deveria ser uma prioridade. Isto envolve gastar tempo diariamente por nós mesmos e semanalmente se reunindo com outras pessoas para uma saúde espiritual geral (observe primeiro o princípio de Lucas 16:10, então compare Salmos 119; Hebreus 3:7f; 10:24-25; 1 Timóteo 4:6-7). Precisamos ler, estudar, memorizar, e meditar em passagens chave que lidam com o problema (Sl 119:59; Pv 2:1f; 3:1f; 7:1-3; 1Tm 4:15-16). É ótimo usar uma concordância e pesquisar por palavras que não entendemos. Aconselhamento pessoal com alguém que conhece a Palavra é um tempo gasto valioso (Ex 18:19; 1Ts 5:11; Gl 6:1f; Pv 12:15; 13:10; 19:20). Isto pode incluir um conselho encontrado em bons livros. As Escrituras nos previnem contra maus conselhos (Sl 1:1; 2:2).

Confissão. Devemos reconhecer e confessar respostas erradas com vistas a corrigi-las (Pv 23:13; Sl 32:1f; 66:18).

Oração. Gaste tempo orando sobre o problema. Na oração precisamos pedir por sabedoria (Tg 1:5f). Observe que o contexto aqui em Tiago lida com testes ou provas (1:2f). A sabedoria inclui muitas coisas na determinação dos objetivos e soluções de Deus. (a) Provérbios nos ensina que “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento” (1:7) e também “sabedoria” (9:10; 15:33). Isto se refere a uma profunda reverência por Deus expressada em um desejo por conhecer e uma submissão para fazer a vontade de Deus acima de tudo mais. (b) A sabedoria inclui buscar o reconhecimento, a identificação, e a rejeição de todas as soluções humanas ou estratégias que temos usado para encontrar paz, satisfação, segurança, e significação. A sabedoria inclui buscar o reconhecimento e a rejeição de meus sistemas errados de crença que nos diz que não podemos encontrar satisfação, etc., a menos que tenhamos certas coisas (Jr 2:13; 17:5f; Ef 1:17-20). (c) Então precisamos nos entregar a solução de Deus, cooperar com Deus e com as mudanças que Ele está procurando produzir em nossas vidas ou nas vidas de outros (Sl 37:5-6; 139:23-24; Pv 3:11; Fp 1:6).

Finalmente então, quando encaramos as variadas pressões da vida, parte de nossa dor e sofrimento vem do fato de estarmos procurando viver independentemente do Senhor e olhando para as coisas erradas para a nossa felicidade. O grande propósito para o foco positivo ou para cima, se verdadeiramente amamos ao Senhor e estamos comprometidos com Ele, é aprender a ser mais semelhante à Cristo e isto significa aprender a viver mais e mais dependentemente do Senhor e menos dependentemente dos detalhes da vida (Fp 4:11f).

Adendo 1:
Pensamentos sobre a Sabedoria do Salmo 119

Talvez nenhuma passagem nos ajude neste assunto de pedir à Deus por sabedoria na esfera do sofrimento ou aflição como o Salmo 119 no qual 176 versículos são devotados à estas questões. O que segue é fornecido como uma ajuda no estudo deste grande Salmo, especialmente quando ele se relaciona com o sofrimento.

A Construção deste Salmo—um acróstico alfabético

(1) Ele contem 22 seções, uma para cada das 22 letras do alfabeto Hebreu.

(2) Cada seção começa com uma letra diferente do alfabeto, contem oito versículos, e a primeira palavra de cada um dos oito versículos começa com a letra daquela seção.

(3) Cada letra do alfabeto é usada oito vezes em cada com a primeira letra da primeira palavra de cada versículo.

Quatro Características Proeminentes do Salmo

    O Assunto do Salmo: Louvor à Palavra

Ele acentua o alfabeto Hebreu no qual o Velho Testamento foi escrito. Isto é ainda mais enfático porque o alfabeto Hebreu continha somente consoantes. Mantendo este foco, o Salmista usou dez termos diferentes para a lei ou a Palavra de Deus e cada versículo exceto os versículos 90, 122, e 132 mencionam pelo menos um dos termos (veja a Bíblia Ryrie, pg. 911, nota no rodapé).

    O Significado do Salmo: Ressurreição ou novidade de vida

O Salmo destaca o número oito. Oito versículos são encontrados que usam e destacam cada uma das 22 letras do alfabeto. O Salmo está lidando com o conceito de ressurreição com a vida nova que o povo de Deus pode desfrutar através do poder renovador e revivificador da Palavra. Isto é sugerido pelo seguinte:

(1) Cristo ressurgiu no primeiro dia da semana, mas ao mesmo tempo, em virtude de suceder ao sétimo dia, ele se torna o oitavo dia.

(2) O oitavo dia da festa dos tabernáculos antecipa a benção do reino de Israel, o reino milenar que resulta do retorno de Cristo no final da Tribulação.

(3) A palavra “vivificar” é usada sucessivas vezes (11 vezes) como um pedido e como uma afirmação baseados nas promessas e princípios da Palavra. Através das promessas da Palavra, o Salmista antecipa e agradece à Deus pela vivificação da Palavra (cf. vss. 25, 37, 40, 50, 88, 93, 107, 149, 154, 156, 159).

    Um Assunto Chave no Salmo: Aflição

Alguma forma de aflição é mencionada sete vezes nos versículos 50, 67, 71, 75, 92, 107, e 153. O Salmista estava no exílio e sob sofrimento. Alguns acreditam que era Davi, enquanto outros acreditam que isto foi escrito por um dos exilados do cativeiro Babilônico. Mas independente disto, o Salmo está destacando o poder da Palavra para nos confortar, nos transformar, e nos vivificar quando estivermos sob sofrimento ou aflição.

    Um Recurso Chave Usado pelo Salmista em Face de Aflições: Oração e a Palavra

Exceto pelos versículos 1-3, e 115, este Salmo é endereçado ao Senhor. Ele é uma oração constante pela qual o Salmista louva à Deus pela Palavra, reconhece suas bênçãos, e ora para conhecer a Palavra, aplicar a Palavra, e para ser vivificado pela Palavra (vs. 25).

Três seções para focar em termos do sofrimento ou aflição são os versículos 49-56, 57-64, e 65-72.

Cinco Idéias Chave para Manter em Mente

(1) Precisamos ficar ocupados com as promessas de Deus ao invés de com nossos problemas (cf. vss. 23-24, 28-32, 37-38, 41-42, 51-52, 61-62, 69-70, 78, 83, 85-87, 95-96, 110-112).

(2) Deus realmente não pode se tornar o nosso quinhão para força e estabilidade (vs. 57a) até que a Palavra de Deus se torne a nossa possessão (vss. 56, 57b).

(3) Um pensar correto produzido por provações ajuda a promover uma volta para o Senhor através de se viver na Palavra de Deus (vs. 59). As provações são ‘chamadoras de atenção’ e nos levam a pensar e nos aproximar de Deus.

(4) Este Salmo aponta quatro áreas de reforço positivo ou estímulo: Através de comunhão com Outros (63, 79); Através da graça de Deus (64); Através da Oração (33-38, 73); Através do Estudo e Meditação (15, 23, 27, 48, 78, 97, 99, 147-148).

(5) Este Salmo expõe as bênçãos da aflição:

  • Antes da aflição freqüentemente existe Enganar-se e Ignorar as coisas de Deus (vs. 67a)
  • Durante a aflição somos confrontados com a necessidade de Aprender e se Voltar (vs. 71, cf. vs. 59) pela descoberta de causas, pela determinação de objetivos bíblicos, e pela descoberta de soluções bíblicas.
  • Depois da aflição pode existir então Conhecimento e Mudança (vss. 67b, 97-102) e Descanso e Valorização (vss. 65, 72).

1 Adapted from Craig Brian Larson’s, Contemporary Illustrations for Preachers, Teachers, and Writers, Baker Books, Grand Rapids, 1996, p. 171.

2 Fritz Rienecker, A Linguistic Key To The Greek New Testament, edited by Cleon L. Jr., Zondervan, Grand Rapids, 1976, p. 558.

3 Walter Bauer, William F. Arndt, and F. Wilbur Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, University of Chicago Press, electronic media.

4 Illustrations for Preaching and Teaching, From Leadership Journal, edited by Craig Brian Larson, Baker Books, Grand Rapids, 1993, p. 16.

5 Santification refers to the present progressive element of our salvation in Christ or spiritual growth in Christ-like character. Vital to this is a Christ centered focus that turns away from the substitutes offered by men in legalistic systems of dead works by which men seek to establish their own righteousness through their own religious works (cf. Heb. 6:1 and 9:14 with Rom. 10:1-6; Phil. 3:1-9; Tit. 3:4-5).

6 Joseph C. Dillow, The Reign of the Servant Kings, Schoettle Publishing Co., Hayesville, NC, 1992, p. 342.

7 Ryrie, Basic Theology, Victor Books, Wheaton, 1987, p. 302f.

8 James M. Boice, General Editor, The Expositors’ Bible Commentary, Frank E. Gaebelein, General Editor, on Eccl. 7:13-14, electronic version.

9 Ron Lee Davis with James D. Denney, Gold in the Making, Thomas Nelson, Nashville, 1979, p. 17-19.

10 See the study on 1 Peter 5:7, “Counsel Concerning Our Cares,” by this author on the Biblical Studies Foundation web site at www.bible.org.

11 Bauer, Arndt, and Gingrich, electronic media.

12 James M. Boice and Frank E. Gaebelein, General Editors, The Expositors’ Bible Commentary, Zondervan, on James 1:6, electronic media.

Related Topics: Soteriology (Salvation), Faith